Sempre estarei grata pelos comentários de vocês. Sempre. Segue aqui mais um capítulo. Confesso que este eu achei bastante estranho e original, jamais tinha pensado que este casal iria ficar junto, mas a mente humana se surpreende a cada dia mais, não é mesmo! Espero que vocês não queiram me matar por ter juntado esses dois, afinal, não é nada usual. Espero que gostem desse capítulo, foi necessária grande dose de criatividade. Abraços! Enjoy it!

Capítulo 8

Afrodite

A Semana Cultural começou a todo vapor. O show dos Hellas estava apenas começando de forma bastante entusiasmada e fez com que Calíope, a cada dia, desse um voto de confiança a mais ao seu querido estudante Miro.

Todos estavam curtindo muito. As músicas escolhidas pela banda eram sucessos atuais de bandas nacionais e internacionais. Os alunos balançavam os braços enquanto eles tocavam "Only One" original do grupo Yellowcard, de punk rock.

Dohko, Aioros, Shura, Aldebaran, Kanon e Mascara da Morte estavam juntos durante o show e estavam se entregando a todas as músicas. Outro grupo que estava bastante animado era o grupo de Shaka, Mu, Saga e Kamus.

Dohko estava dançando perto de Lígea quando alguém bateu em suas costas. Quando se virou para ver quem era, notou que Shina estava arrastando Afrodite pelos punhos. O garoto não podia perder aquela oportunidade.

-Aldebaran, venha comigo ver uma coisa...

-Dohko, o show tá ótimo, cara!

-Vem comigo, por favor!

-Onde?

-Não sei, mas vem logo!

Dessa vez, quem tentava arrastar Aldebaran a força era Dohko. Dohko saiu em disparada atrás do colega de sala, entretanto corria em silêncio, com Aldebaran atrás dele.

-Pra onde estamos indo!

-Shh! – Colocou o dedo nos lábios.

Era fim de tarde, o pôr do sol estava lindo e a sombra projetava um casal abraçado atrás de uma das colunas dóricas do colégio.

Dohko e Aldebaran foram se aproximando lentamente até o local, de modo que pudessem escutar a conversa daqueles dois.

-Quem são, Dohko? – Aldebaran disse sussurando.

-Shh! – Dohko olhou bravo para o garoto brasileiro.

-Eu te trouxe aqui, porque eu queria te dizer umas coisas... – Começou dizer a garota.

-Então... Pode dizer. – Disse o rapaz pausadamente.

Enquanto isso, atrás da coluna.

-É o...!

Dohko assentiu com a cabeça sorrindo.

Shina hesitou. Suas mãos tremiam e seu olhar se perdia no nada. Seu cabelo esvoaçava com o vento frio e o céu alaranjado combinava com o clima romântico.

-O que você quer me dizer, Shina?

-Afrodite... Eu... A cada dia... – Shina agora estava com o rosto queimando mesmo com aquele vento frio.

-Você... A cada dia? – Afrodite começou a ficar ansioso.

-Você é meu amigo, não é, Afrodite?

-Mas claro que sim, Shina! Eu não sei porque você ainda me pergunta isso... E você sabe que você é minha única amiga, porque...

Ela colou o dedo nos lábios do rapaz. Ele estava mais bonito do que nunca aquele dia. O silêncio tomou conta daquele momento. Shina passava a mão no peito de Afrodite e encostava a sua cabeça em seus ombros procurando aconchego. Quando já fazia algum tempo que estavam naquela posição, a garota suspirou e Afrodite se lembrou da pergunta.

-Shina, o que você queria me dizer?

Ela continuou com a cabeça colada em seu ombro.

-Pode me dizer... É algum segredo? Não precisa ter medo de mim, Shina...

Ela levantou a cabeça e olhou diretamente nos olhos mais azuis que já tinha visto na sua vida. Com um brilho especial.

-Afrodite... Posso te pedir um beijo?

Dohko e Aldebaran quase se denunciaram com a exclamação que soltaram. A sorte era que a música ao fundo estava bem alta.

-Claro! – Afrodite se inclinou e deu um beijo bem estalado na bochecha de sua amiga.

-Que lindo que você é, que lindo! – Shina ria da ingenuidade de Afrodite.

-Você também é linda, Shina! É maravilhosa! – Afrodite estava sem graça.

-Você acha mesmo?

-Eu não mentiria! Já tem gente de olho em você!

Shina se animou.

-Quem? Sério?

-Sério! Não sei se devo dizer quem é...

-Agora, posso eu te dar um beijo?

-Claro que pode!

Shina fechou os olhos e sem esperar e pensar lançou seus lábios diretamente nos lábios de Afrodite. O rapaz começou relutante, mas depois se rendeu ao beijo apaixonado da amiga.

Quem não podia acreditar era a dupla Dohko e Aldebaran, que escutavam os barulhos das bocas trocando beijos frenéticos.

Quando se cansaram, Afrodite afastou Shina e segurou seus ombros.

-Shina, olha só o que fizemos! – Ele estava sorrindo muito.

-Já queria ter feito isso faz tempo! – Shina foi taxativa.

-Nossa! Isso é fantástico...

-Você nunca tinha beijado antes? – Shina espantou-se.

-Não... Ninguém...

Os dois ficaram se olhando por um bom tempo, até que Shina resolveu quebrar o silêncio.

-Afrodite, você me namoraria? – Disse ela colocando a mão sobre a mão do garoto sueco.

Ele arregalou os olhos. Sua respiração tornou-se ofegante. Realmente tinha ficado nervoso.

Aldebaran e Dohko estavam tão envolvidos com a conversa que levaram o maior susto quando alguém os cutucou.

-AH! – Gritaram Aldebaran e Dohko levantando os braços e batendo sem querer em algo. Um barulho de água se esparramando pelo chão preencheu os seus ouvidos.

-Ah, muito obrigada! – Lígea olhava para a roupa toda molhada.

-Me desculpe! Por favor, me desculpe! – Dohko estava quase de joelhos implorando perdão.

-O que vocês estão fazendo aí?

-Shh! – Dessa vez era Aldebaran que colocava o dedo nos lábios.

-Nós estávamos... Observando a paisagem! – Disse o garoto chinês.

-Você é um péssimo mentiroso, Dohko! Me falem, o que estão fazendo aqui?

-Se você falar um pouco mais alto, vamos ser descobertos. – Aldebaran falava cerrando os dentes.

-Você ouviu alguma coisa, Afrodite?

-Não sei... Você ouviu?

-Acho que sim...

Lígea mal podia acreditar.

-Essas vozes!

Dohko abraçou a garota e a empurrou com tudo para trás de outra coluna. Aldebaran correu e se escondeu atrás de uma coluna do lado oposto.

Afrodite e Shina saíram de mãos dadas do "esconderijo" e tomaram rumo ao ginásio novamente.

Dohko respirava de duas maneiras alternadamente. Uma de alívio por não ter sido descoberto e outra de nervoso por sentir o corpo de Lígea colado ao seu. Seus olhares estavam cada vez mais próximos e seus rostos também.

-Ei dois! – Aldebaran chamou fazendo todo o "clima" desaparecer.

-O que foi? – Dohko parecia irritado.

-Melhor nós voltarmos pro ginásio. Quando o Shura souber...

-É mesmo! – O alerta fez Dohko esquecer as mágoas.

-O que acontece se o Shura souber do Afrodite e da Shina?

-Com certeza ele enforca o coitado.

-Mas por que, Aldebaran?

-Porque o Shura é apaixonado pela Shina.

-O mundo não é perfeito... Não temos tudo o queremos ter... – Disse a garota cruzando os braços.

-Nós sabemos disso – Dohko começou a ficar nervoso – Mas o Shura é o Shura...

-E daí que o Shura é o Shura, Dohko?

-Caramba gente, vamos andando! Eu não quero nem ver o que vai acontecer!

-Se você não quer ver o que vai acontecer, Aldebaran, por que quer ir atrás do garoto?

-Lígea, é um modo de falar! Vamos logo!

Aldebaran saiu correndo junto com Dohko que puxava o braço de Lígea com força.

-Vai me machucar assim, Dohko!

-Larga ela aí, cara!

Mesmo com a garota empacando chegaram no ginásio. Não conseguiam encontrar ninguém no meio de tanta gente. Aldebaran subiu nas arquibancadas e procurou observar tudo minuciosamente. Dohko subiu atrás dele e Lígea estava ao seu lado.

-Que bom! Eu não consigo ver nada!

-Ninguém mandou ser baixinha! – Debochou Aldebaran - Alí! Afrodite está alí!

-Como está a situação? – Dohko não agüentava de ansiedade.

-Ele não está de mãos dadas com a Shina. Menos mal.

-Ainda bem!

-Uma hora o Shura vai ter que saber disso, não é mesmo?

-Lígea, quer fazer o favor de ficar quieta?

-Como você é grosso, Aldebaran!

-Deba, onde está o Shura?

-Hum... – Aldebaran girava a cabeça para procurar o amigo – Ah! Ele está com o Aioros e o Máscara da Morte, longe dos dois.

-Menos mal... E o que a gente faz?

-Faz assim, Dohko, vai falar com o Afrodite que eu vou me encontrar com os dois.

-Mas vou falar o quê?

-Fala pra ele ficar na moita por enquanto!

-Gente... Não façam...

-Fica quietinha, Lígea. Dohko, fala pra ele ficar na dele, por favor! Pro próprio bem dele!

-Certo! Vem comigo Lígea!

-Eu não vou participar dessa palhaçada! O menino precisa curtir e não ligar pra opinião dos outros!

-Não discute e vai com ele, garota!

Aldebaran saiu em disparada para o meio da multidão sozinho enquanto mais uma vez, Dohko arrastava Lígea. Encontraram Afrodite ao lado de Shina se divertindo. O garoto deu um aceno para Dohko.

-Afrodite, preciso falar com você.

-Depois você fala, Dohko!

O chinês agarrou o braço de Afrodite com força, que se soltou com facilidade do apertão.

-Já disse que depois!

-Agora, cara! Por favor.

Shina e Lígea observavam a cena com cara de espanto. Depois de vários minutos tentando convencer Afrodite, Dohko conseguiu tirar o garoto da quadra.

-Eu tava curtindo, Dohko!

-Eu sei, mas eu preciso falar com você!

-Não pode esperar?

-Não.

-Então diz logo porque eu não quero ficar esperando muito tempo.

-Não gosto de fazer essas coisas, gosto de todo mundo em harmonia, mas eu preciso que você mantenha o seu namoro com a Shina em segredo por enquanto.

-Mas não faz nem meia hora que ela me pediu em namoro! – Afrodite apertou os olhos – Como é que você sabe disso?

Dohko ficou encabulado. Seu rosto começou a corar.

-Eu ouvi sem querer...

-Você estava me seguindo! Estava me espionando! Nossa! Não esperava isso de você!

-Cara, não é bem assim...

-Você sempre diz isso! Então o que é? Ouvir os outros... Era você que estava escondido e fez aquele barulho no jardim!

-Me escuta, Afrodite, por favor! Não fique nervoso agora!

Afrodite cruzou os braços e olhava firmemente para o amigo.

-Vai me ouvir?

-Vou! E depois quero uma explicação pra isso!

-Certo. Você sabe que o Shura gosta da Shina.

-E daí?

-E daí que o Shura é muito nervoso. E ele pode fazer alguma coisa com você...

-Eu não sou idiota e sei me defender! Você acha que eu vou ir correndo chorar na barra da saia da minha mãe porque ele pode vir me ameaçar?

A cada dia que se passava, Dohko se surpreendia com Afrodite. A imagem de fragilidade que ele demonstrava era mera fachada.

-E se você quer saber, chinês? Está mesmo na hora de vocês começarem a me ver como um homem. Um homem pode muito bem costurar, se vestir bem e falar direito. Não preciso beber cerveja e arrotar pra provar que sou macho.

-Eu nunca disse isso pra você.

-Mas eu estou dizendo! Faz três meses que a gente estuda nesse colégio e vocês me excluem, fazem chacota de mim, riem pelas costas, apontam e me fazem de palhaço. Quero calar a boca de todo mundo!

-Cara, presta atenção! Nunca disse absolutamente nada a seu respeito pra ninguém e entendo a sua raiva, mas preste atenção. O Shura é nervoso, ele pode começar a te jogar contra a Shina, então, seja cauteloso.

-Por que está me dizendo isso?

-Pro seu bem, Afrodite! Por enquanto fique no seu canto... Pra evitar confusões.

-Você está é com inveja que eu consegui uma namorada, porque eu sou mais bonito que você!

-Com certeza você é mais bonito que eu, e eu estou feliz com isso. Sério! E é porque eu estou contente que eu acho que você deve ser discreto... Pelo menos por enquanto...

-Mas um dia ele vai ter que saber!

Dohko riu internamente. Conseguia ver Lígea dizendo isso na sua frente.

-Quando esse dia chegar, nós já vamos tê-lo preparado. Faz isso por você e pela Shina.

Afrodite refletiu. Dohko estava certo. Ele tinha que esperar o momento certo para deixar a turma do terceiro ano de boca aberta.

-Vou falar com ela. Vou ficar em silêncio. Por enquanto.

Dohko respirou profundamente aliviado. Voltou com o amigo para a quadra enquanto Shina e Lígea conversavam. Dohko fez um sinal com a cabeça e Lígea se juntou a ele. Observou Afrodite chamar Shina para um canto e seguiu para se encontrar com Aldebaran.

-A palhaçada deu certo?

-Deu Lígea. Entenda, é para o próprio bem do cara.

-Não acho isso certo, Dohko...

-E nem eu, mas era o mais sensato a se fazer.

-Pra onde está indo?

-Me encontrar com os outros garotos.

-Obrigada, mas prefiro me encontrar com a Marin.

-Lígea...

-Não, Dohko. Pode ir. – Disse ela enquanto se virava desapontada.

Andou a procura de Marin e logo a viu abraçada com Aioria. Os dois estavam rindo gostosamente.

"Que droga... Preciso arrumar um lugar para me sentar..."

Caminhou até uma das arquibancadas e se sentou. Olhava para os estudantes se divertindo e apoiou a cabeça sobre os joelhos não notando a sombra que a seguia.

-Oi...

-Ah, é você? Olá...

-O que uma garota tão bonita está fazendo aqui, sentada, sozinha e com uma cara triste?

-Não enche...

-Céus! Me desculpe! Eu só queria te animar.

-Você veio é me azucrinar, isso sim! Você só sabe fazer isso!

-Você está fazendo um julgamento precipitado de mim... Eu não faria isso com alguém tão elegante como você.

-Você é um cínico!

-Não sou! Quero dizer, posso até ser, mas eu jamais te trataria com cinismo!

-Corta essa! Não precisa ficar me endeusando. Não vou cair na sua lábia!- Lígea encarou furiosamente o garoto – É muito para um dia só!

Se levantou bruscamente e deixou-o a ver navios.

-E aí, não conseguiu ninguém, velho?

-Não me enche, Máscara da Morte. Agora não.

-Iiih... Que que houve?

-Caramba, já disse pra não encher!

-Vai ficar nervoso, cara? Já sei! Foi aquela menina! Te deu um fora! Foi isso! Primeira vez que o cara levou um fora de uma mina! – Máscara da Morte ria muito do seu colega.

-Você vai ver o que eu vou fazer com você se você não parar de me encher, cara.

-Tá bom, ta bom... Eu paro.

O show terminou tarde da noite. O pessoal estava muito cansado de pular e dançar durante a festa. Alguns estavam até roucos. Todos já estavam se encaminhando para suas casas e o único que ficou no colégio agradecendo a banda por ter tocado na abertura do evento. Estava se despedindo dos colegas quando ouviu a melhor música de toda à noite para seus ouvidos.

-Estou orgulhosa de você, Miro.

-Ah... O que é isso, senhora orientadora. – Dizia ele se contendo ao máximo para não explodir de felicidade.

-Pode me chamar de Calíope.

-Certo, Calíope.

-Confesso que não esperava tanto. Foi uma noite incrível. Com certeza isso vai para o seu curriculum escolar. Uma boa noite pra você! – Calíope sorriu para o garoto.

Miro se sentiu nas nuvens. Com certeza não era só Afrodite que ia dormir feliz naquela noite.