Capítulo 7
Estava escuro no grande salão da Mansão Malfoy. As janelas, que não estavam totalmente abertas, não deixavam a luz do dia, que já não era muita dado que o sol estava coberto por nuvens, entrar. Dentro, estavam Lucius e Narcissa, esta sentada em uma das poltronas pretas, apertando uma mão contra a outra. De pé, o marido parecia um pouco mais calmo do que ela, naquele exato momento olhando para o lado oposto de um dos retratos na parede, em que um homem loiro havia acabado de falar num tom firme, " você está fazendo a coisa certa".
- Ele é maior de idade. Querido, Draco já tem idade suficiente, ele pode tomar as suas próprias decisões. - A mulher disse, olhando para a carpete, também ouvindo alguns baixos murmúrios de contradição vindo de antecessores nos retratos.
- O que não significa que vão ser as decisões certas, Narcissa. Não para si próprio ou para a sua família. Nós ainda temos que proteger a nossa pureza. - Ele respondeu.
- Os tempos mudaram muito. Por que é que nós temos que fazer isso com ele, tornar tudo mais difícil, tornar tudo pior?
- Draco só tem que aceitar isso, e Narcisa , não é tão mau. Olha para nós dois, acho que somos um exemplo. Estamos felizes .. eu e você, juntos.
- Sim, mas .. - Ela murmurou, levantando-se, sendo no entanto interrompida. Lucius caminhou rápido, chegando perto da sua mulher, segurando o seu rosto entre as duas mãos e olhando em seus olhos.
- Querida , tudo vai correr bem. Não precisa de se preocupar muito sobre tudo isso. E, além disso, os acordos já estão feitos , tanto com os pais como com Wizengamot. Agora só temos de dizer ao Draco.
- Tudo bem. - A mulher disse , dando um passo para trás, para longe dele. - Mas não pensa que nós vamos dizer-lhe tal coisa através de uma carta ou algo assim, Lucius. Vamos falar com ele. Vem.
Narcisa saiu da sala. Lucius ouviu de novo, ao seu lado, uma voz.
- Sanctimonia Vincit Semper*. - Um homem disse, voz profunda e com uma pose muito aristocrática.
Com isto e olhando para a porta que Narcisa tinha deixado aberta , ele assentiu com a cabeça uma vez, um movimento quase impossível de ser notado, e seguiu a sua mulher.
Naquele dia, uma quarta-feira e um pouco depois do almoço, Ron , Seamus e Dean estavam andando pelos corredores , conversando animadamente . Não muito longe deles, ouviram risos altos, o que os fez olhar para frente. Então notaram um grupo de Slytherins , vindo na direção deles.
Logo depois de passar ao lado dos três Gryffindor, pararam, enquanto os outros continuaram a andar até que a voz Blaise se fez ouvir, alta e em tom de desprezo.
- Pobre Weasley.
- O que você quer, Zabini? - Perguntou Ron, olhando-o com desdém. Dean e Seamus se entreolharam, pensando que aquilo não iria acabar bem.
- Só de olhar para você , eu penso no bom que é em ser eu .. e a merda que deve ser, ser você. - Blaise respondeu, olhando-o de cima a baixo. - Sério, até calças rasgadas? Não tem dinheiro suficiente para dar um arranjinho nisso, é?
- Posso não ser rico, mas eu sou honesto e eu ainda tenho a minha dignidade, que é o que importa para mim. - O ruivo disse. - Agora, se fizer o favor, deixa de ser uma merda, e me deixa em paz .
O Slytherin riu, junto com os outros, colocou a mão no bolso esquerdo e tirou algo.
- Olha o que eu encontrei. - Ele abriu a mão , revelando um galeão. - Só para ti .
- Eu não preciso ou quero seu dinheiro. Eu disse, estou feliz. Não durmo com a consciência pesada. - Ron respondeu, agora respirando mais rápido.
- Ahh , não seja tão orgulhoso Weasley . É apenas ajuda extra para diminuir os anos que vai levar para deixar de dormir no mesmo quarto que toda a sua família. E para as calças, é claro. - Blaise jogou o galeão aos pés de Ron. - Vejo que precisa dele mais do que eu.
Ron tinha atingido o seu limite. Com o punho fechado, e seu rosto agora vermelho, ele voou em cima do outro garoto , socando-o no rosto , enquanto o outro começou a retribuir também.
- Ron! - A voz de Hermione foi ouvida. A menina correu até eles e, chegando mais perto , ela reparou com quem o namorado estava lutando. - Blaise ... - Ela olhou para Dean e Seamus não acreditando que eles não estavam tentando separá-los. - Ajudem!
Com isso, eles acabaram com a situação. Ron e Blaise estavam agora longe um do outro, cada um sendo agarrado pelos seus amigos . Nem mesmo notando que Hermione ali estava, Blaise limpou as gotas de sangue do seu lábio com a manga, e voltou a falar.
- É claro que, está feliz, mas a sua própria namorada não quer estar com você. Ela prefere estar comigo porque você não a satisfaz a qualquer nível. Talvez isso lhe dê um pouco mais de peso à consciência.
Todos ficaram em silêncio, incluindo Ron. Era claro que, para além de toda a sua raiva, aquilo tinha partido o seu coração. Lentamente, ele se virou para o lado, onde Hermione estava com os olhos bem abertos, se enchendo de lágrimas.
- Ron...
- Não fala para mim, Hermione. - Uma lágrima correu pelo seu rosto. Não querendo olhar para mais ninguém, o ruivo saiu correndo, com os amigos no seu encalço.
Blaise tinha também os seus próprios olhos bem abertos, ganhando consciência da gravidade do que tinha acontecido. Ele deu um passo para a frente, olhando agora uma Hermione com lágrimas escorrendo pelo rosto.
- Hermione, eu.. não..
- Você é um otário. - Ela disse, também saindo dali rapidamente.
O garoto olhou para o chão, sacudindo a mão, possivelmente de um dos seus amigos, que sentiu agarrando o seu braço. Em seguida, ele se arrependeu de tudo. Não ter medido suas palavras, não ter medido as consequências. Pela primeira vez, se arrependendo até de se ter metido com Ron de todo.
A luz do dia não chegava no canto do corredor onde Draco e Harry estavam juntos, escondidos. Os dois garotos tinham começado a se encontrar regularmente, mas sempre em circunstâncias em que não eram vistos juntos. Ambos tinham aceitado o fato de, embora fosse estranho, não conseguirem mais estar longe um do outro. Uma coisa nas suas vidas que sabiam que queriam, era continuar assim, juntos.
- Ontem foi bastante arriscado, Draco. – O moreno dizia, logo após um beijo. – Dormir na sua cama, com os outros no dormitório também.
- Vai, relaxa. – O loiro respondeu. – Saímos bem cedo, ninguém nos viu e, se for sempre assim, é numa boa.
- Draco? – Harry chamou, olhando o outro nos olhos. O olhar de questionamento em Draco permitiu-o continuar. – Quer manter isto que temos em segredo, certo? Achas que isso é bom para nós dois?
- Não será bom a longo prazo. Mas, neste momento, acho que é o melhor. – Ele respondeu, mas logo ganhou um ar de certa preocupação. Chegou ainda mais perto e a sua mão esquerda pousou na nuca de Harry. – Você não acha, não quer? Harry, se não está confortável com a nossa relação assim, eu..
- Não. – O Gryffindor foi rápido em retorquir. – Eu acho o mesmo. – Assim, sorriu, recebendo um de volta também.
Draco largou o outro menino, e espreitou para o corredor. Em seguida, pegou na mão quente de Harry, voltando a falar.
- Vamos, não tem ninguém. – E puxou-o para fora, agora caminhando com ele.
- Senhor Malfoy? – Assim que ambos ouviram a voz de Mcgonagall soar ao fundo do corredor, as suas mãos separaram-se e os dois olharam para trás. A diretora pareceu definitivamente surpreendida com a situação, mas ignorou, coisa que tanto Harry e Draco, interiormente, agradeceram. O loiro não falou, deixando Mgonagall continuar. – Venha comigo, se faz o favor.
- Posso saber do que se trata, professora? – Draco perguntou, algo que também Harry estava curioso para saber.
- Seus pais estão aqui. – Ela disse simplesmente, com o seu semblante sério de sempre. Com isso, virou costas e voltou a andar. Os dois garotos rapidamente se despediram, e Draco seguiu Mcgonagall.
Quando entraram no escritório da diretora, Draco viu ambos seus pais sentados à frente da mesa de Mcgonagall, agora com os olhos virados para ele. Num canto mais afastado, notou também uma garota sentada, com os olhos postos nas suas próprias mãos. Ela parecia mais nova, era pálida, e o seu cabelo castanho era longo, quase completamente liso se não fosse por algumas mechas cacheadas. Assim que deu mais uns passos à frente, os seus olhos cinzentos encontraram os castanhos da menina, e ela murmurou um 'hey' e sorriu para ele. Draco não sorriu de volta, sendo a sua única expressão estar confuso.
- Eu vou vos dar privacidade. – Foi a última coisa que Mcgonagall disse, antes de voltar a sair.
O garoto sentou-se na cadeira que estava livre. Narcissa agarrou a mão do filho entre ambas as suas, e falou.
- Provavelmente ainda não se conhecem. Filho, essa é a Astoria. Astoria Greengrass, Slytherin. Ela é um pouco mais nova que você, dois anos.
- E o que é que ela tem haver com tudo isto?
- Quando acabares Hogwarts, o que já não falta muito tempo de todo… - Lucius começou, entreolhando-se por momentos com a mulher. – você e Astoria têm um casamento preparado.
Draco não tinha ainda qualquer expressão no seu rosto. Olhou todos a sua frente, que estavam expectantes. Por fim, falou, em tom sério.
- Afinal, o que é isto? Uma piada de mau gosto?
- Sabe perfeitamente que nós não brincamos, Draco. Especialmente com uma coisa tão séria. – Disse Lucius. – Já está tudo feito. Têm algum tempo para se conhecerem e depois, irem construindo o vosso… amor.
- Não. Definitivamente não. – Draco levantou-se abruptamente, afastando a cadeira para longe. – Pai, eu não vou fazer isso. Eu nem sequer conheço essa garota, não quero casar com ela e tenho certeza que isso não é o que a faria mais feliz também. Eu tenho o direito de casar com quem eu quiser.
- Você vai casar sim, Draco. – Lucius se levantou também. – Tenho certeza que, sendo um Malfoy, você tem padrões elevados para a pessoa com quem quer estar, mas sendo seus pais, ainda temos de proteger a pureza de nossa família. Isto é o melhor para você, filho. Além disso, a Astoria é uma menina muito bonita e agradável.
Draco não entendia como uma coisa daquelas poderia estar acontecendo. Olhava o mais velho com desprezo. Em seguida, virou a sua atenção para Narcissa, que ainda estava sentada.
- Mãe? – Ele disse, tentando que ela mostrasse algum tipo de reação. Ainda não conseguia acreditar totalmente que ela estivesse de acordo com tudo no plano de seu pai. No entanto, desiludiu-se.
Narcissa olhou para seu filho, sentindo que não deveria estar concordando com aquilo, a última coisa que queria era lhe causar grande sofrimento. Fechou os olhos por alguns segundos e abaixou a cabeça, abanando-a em negação.
Apertou o punho. Não conseguindo nem olhar mais para a cara deles, saiu para fora rapidamente, batendo a porta com força. A mão direita de Lucius pousou sobre o ombro da garota Slytherin.
- Não se preocupa, querida. Isso vai passar. – O homem disse, enquanto os três ainda olhavam a porta por onde Draco tinha saído.
*Sanctimonia Vincit Semper - É o lema da família Malfoy, e quer dizer 'A pureza vai sempre vencer'.
