Capítulo 7

"Colocando a sujeira sob o tapete"

Depois dos beijos que aconteceram entre eu e Malfoy não o vi mais. Passaram-se alguns dias e eu estava sentada na sala comunal, esperando Katie descer, pensando se deveria ou não tentar falar com ele. Uma conversa ali perto me distraiu, era Harry.

– Estarei bem, estarei com Dumbledore – disse o garoto. – Quero ter certeza de que estejam o.k... Não me olhe assim, Hermione, vejo vocês mais tarde...

E então saiu. "Estarei com Dumbledore"? Que será que estava acontecendo? Logo depois, Katie desceu as escadas ao meu encontro.

– Gina, Katie, venham cá – disse Hermione. Fomos até os dois. – Precisamos da ajuda de vocês, Harry pediu uma coisa.

– Vou chamar Neville – informou Rony, subindo as escadas.

– O que houve? – perguntou Katie. – Onde está Harry?

– Ele saiu – respondeu Hermione.

– Saiu pra onde? – perguntou minha irmã.

– Isso não importa agora – interrompeu ela. – Ele pediu para vigiarmos Snape e a Sala Precisa, onde Harry disse que Malfoy está...

– Como assim? – interrompi.

– Não tenho tempo de explicar, mas Harry acha que eles estão tramando alguma coisa – ela apressou-se. – Vamos fazer assim, eu vou marcar com Luna perto da sala de Snape, enquanto vocês vão para o corredor da Sala Precisa.

Engoli em seco.

– Tomem um gole disso aqui – disse ela, tirando um frasquinho de dentro de um par de meias. – É um pouco de Felix Felicis...

Eu e minha irmã tomamos um gole. Rony apareceu com Neville e Hermione contou o plano de novo para ele.

– Vou levar o Mapa – disse meu irmão.

– Certo – concordou Hermione. – Vou usar a moeda para avisar Luna.

A adrenalina começou a correr pelo meu sangue, junto com o efeito estranho da poção. Malfoy tramando alguma coisa? Na verdade não acreditei muito naquilo simplesmente porque era uma suspeita que Harry tinha. Mesmo assim, fiquei confusa e perturbada.

(...)

Segurava uma xícara de café nas mãos. Estava sentada perto da janela, afastada da cama do irmão mais velho. Meu coração batia fraco no peito. Era como se tivessem passado um rolo compressor sobre mim. Nenhuma lágrima tinha caído dos meus olhos, ainda. Mas duvidei que não fosse acontecer, visto tudo que tinha acontecido nas horas passadas.

Olhei ao meu redor, suspirando. Harry tinha acabado de sair junto com a Professora McGonagall. Ninguém dizia nada. Katie estava sentada perto de mim e algumas lágrimas tinham borrado sua maquiagem, fazendo suas bochechas ficarem pretas. Inclinei meu corpo e segurei sua mão, entrelaçando nossos dedos.

Agora Lupin dizia alguma coisa sobre fechar a escola, mas decidi não prestar atenção. Minha cabeça estava longe e tumultuada, cheia de culpa e arrependimentos. Afinal de contas, eu beijara – há poucos dias – o garoto que tinha colocado o lobisomem que feriu meu irmão pra dentro do castelo, assim como os Comensais da Morte que tinham tentando matar eu e meus amigos. E o que mais doía era não entender como não percebera antes... A aparência de Draco vinha clara em minha mente agora, demonstrando todo o desgaste que ele sofrera durante o ano. E parte desse tempo eu tinha passado com ele, rindo, me divertindo, enquanto ele estava designado àquela missão, enquanto estava consertando aquele armário idiota.

Dei um gole do meu café e percebi que ele estava frio. Eu tinha beijado Malfoy. Lembrar me causava uma angustia tremenda, insuportável. Senti como se estivesse suja, como se todos naquela sala devessem se afastar de mim. Fechei os olhos e naquele momento, uma lágrima escapou do canto do meu olho.

O pior de tudo, de tudo, de tudo mesmo era que por alguns momentos eu pensei que estivesse gostando dele... Gostando do bandido, do Comensal da Morte.

Só tentei afastar esses pensamentos quando nos falaram para voltar aos dormitórios para descansar. Eu e Katie dividimos a cama naquela noite. O episódio fatídico nos aproximou bastante. Ficamos ambas acordadas por muito tempo sem dizer nada.

– Harry, eu sei que deve ser horrível, mas preciso saber o que houve na Torre exatamente – falei, enquanto estávamos todos sentados perto de uma das janelas na sala comunal ao entardecer.

Ele me encarou com os olhos verdes vazios. Devia ser estranha aquela pergunta, mas não me importei. Precisava fazê-la. Hermione e Katie me lançaram olhares hesitantes que eu não retribuí.

– Por quê? – perguntou Katie.

– Tudo bem – disse Harry.

Ficamos todos em silêncio enquanto o garoto contou detalhadamente o que tinha acontecido, dizendo que quem deveria ter matado Dumbledore era Malfoy e não Snape, mas que o sonserino não tinha conseguido.

– Ele não ia matá-lo – falou Harry, tentando manter a voz firme. – Disso eu tenho certeza, então Snape o fez...

– Mesmo assim ele não aceitou a oferta de Dumbledore – argumentou Rony ferozmente.

– Mas os Comensais chegaram depois, não é? – disse, tentando fazer com que Harry continuasse a falar.

Quando o garoto contou que Malfoy não sabia que Greyback viria, tentei usar aquilo como consolo, mas não deu muito certo. Ainda estava tudo muito errado e eu continuei me sentindo como se estivesse infectada com um vírus contagiante.

Durante o funeral, Luna e Neville vieram sentar-se comigo, algumas fileiras atrás de Katie, Harry, Rony e Hermione. Logo depois, minha irmã veio se juntar a nós.

– Harry acabou comigo – disse ela tristemente, enquanto andávamos pelos jardins. – Disse que não podemos continuar juntos, que não é seguro...

Eu passei o braço pelos ombros dela.

– Parece bem o que ele diria – comentei.

– É – concordou Katie, limpando os olhos molhados. – Heróico demais...

Dei uma risada fraca e ela também. Continuamos andando com Neville e Luna, tentando não pensar ou lembrar tudo que tinha acontecido de ruim.


Estava deitado em minha cama. Era dia, mas eu pouco me importava. As cortinas grossas estavam cerradas. A vontade que eu sentia era de sumir, de me desintegrar no ar sem deixar vestígios. Mas é claro que infelizmente eu não podia.

Bateram na porta. Não respondi.

– Draco – chamou meu pai entrando no quarto. – Não fez suas malas?

– Pra que raios eu preciso de malas? – perguntei, sem me virar para encará-lo.

– Sua mãe e eu decidimos que será melhor se voltar para Hogwarts.

Sentei naquele instante.

– Como assim? – estava incrédulo.

– Com Snape como diretor, não haverá problemas – ele falou.

No escuro, encarei seus olhos que eram tão iguais aos meus.

– Eu não quero voltar – sussurrei me sentindo uma criança birrenta.

Voltei a deitar na cama.

– Draco – repreendeu ele. – Já está decidido.

Fiquei calado. Ouvi meu pai suspirando e deixando o quarto.

(...)

Lá estava eu – o garoto idiota que tinha consertado a porcaria do armário e colocado Comensais dentro do castelo, botando as pessoas em risco – entrando no Expresso de Hogwarts. Arrastei meu malão pelo corredor. Todos por quem passei saíram rapidamente da minha frente, como se tivessem nojo ou medo de chegar perto de mim.

Bufei irritado. Passei por uma cabine que me chamou a atenção. Uma ruiva olhava pela janela. Parei e levantei meus olhos até ela. Mas aquela era Katie, não Gina. A garota me encarou com desprezo, estava de pé. Espiei dentro da cabine e vi a cabeça ruiva da gêmea número 2 olhando para fora do trem. Katie fechou a cortina. Meu estômago se revirou. Engoli em seco e continuei pelo corredor, até chegar numa cabine distante e vazia. Ninguém ousou dividi-la comigo.

Na hora do almoço, Blaise apareceu.

– Boa tarde, Draco – disse ele, sentando-se.

– Oi – falei.

– Perguntei para Pansy se ela não queria se juntar à minha busca por você pelos vagões – ele disse descontraidamente. – Mas acho que ela não quer vê-lo nem pintado de ouro.

– Ótimo – disse, dando um sorriso frio. – Não agüentava mais ela.

Blaise riu.

– Ela me contou muito irritada que você não mandou nenhuma carta, nem nada.

– Exatamente – concordei. – E o que você está fazendo aqui? Não prefere se juntar às outras pessoas que aparentemente me temem ou desprezam?

Ele riu novamente.

– E aturar Pansy? – perguntou, erguendo uma sobrancelha. – Ela até se insinuou para mim, tentando ficar comigo para atingir você.

Revirei os olhos.

– Parece bem típico.

– Draco, não era isso que você queria? – perguntou Blaise. – Que as pessoas te desprezam já é um fato desde o momento que você botou os pés aqui. Mas ser temido, achei que era isso que pretendia.

Mirei a paisagem, evitando o olhar do amigo.

– Não sei mais o que quero – sussurrei.

– Imaginei isso – falou ele sabiamente.

Minha mente se encheu de lembranças com a Weasley. Isso acontecia às vezes, para meu desgosto. Ela devia me odiar ferozmente agora que sabia de tudo.

– É melhor você simplesmente varrer a sujeira pra baixo do tapete – disse o sonserino. – Se quiser ter paz.


– Isso é ridículo! – exclamou Katie, assim que chegamos ao nosso quarto na Torre da Grifinória. – Snape diretor! Dois Comensais da Morte dando aula! Malfoy de volta ao castelo!

– O quê? – perguntei. – Malfoy voltou?

– Sim! – ela fez um gesto impaciente com a mão. – O vi passar por nossa cabine no Expresso.

Fiquei atônita. Sentei na cama, engolindo em seco.

– Esse ano vai ser péssimo – disse Katie. – Ridículo...

Soube que ela pensou em Harry naquele instante, imaginando onde estaria o garoto e o que estaria fazendo. Eu também me preocupava com ele, Rony e Hermione, mas naquele momento tudo que eu pensava era em Malfoy. Fazia meses que não fazia aquilo. Tinha tentado esconder ele e as lembranças no fundo da minha mente, mas agora tudo voltou à tona. Katie continuou reclamando até irmos dormir.

No dia seguinte procurei o sonserino com os olhos. Lá estava ele, ao lado de Blaise Zabini, comendo silenciosamente. Mesmo de longe, notei que seus cabelos tinham crescido e que uma mexa caia sobre seu rosto, também parecia um pouco maior de corpo. Ele aparentava bem mais saudável que no ano passado, mas agora seu semblante estava mudado drasticamente. Parecia que carregava um peso nas costas, como se algo o tivesse marcado para sempre. Observei ele dar risada de algo que o amigo tinha dito, risada que não chegou perto das que ele dava quando estávamos juntos...

– Vem, Gina, melhor não nos atrasarmos – disse Katie, terminando de tomar seu suco.

É óbvio que não consegui prestar muita atenção nas aulas, por mais que quisesse. Para piorar minha situação mental, passamos por Malfoy durante o intervalo.

– Ainda não acredito que esse garoto está aqui – disse minha irmã, irritada. – Foi tudo culpa dele...

– Não foi culpa dele – contrapus desajeitada. – Lembra do que Harry falou, Você-Sabe-Quem ameaçou ele de morte...

– Pff – fez ela. – Isso não importa, aposto que fez tudo de bom grado.

Resolvi não discutir mais com ela sobre isso. O problema foi que, aparentemente, todos estavam falando dele e sua volta ao castelo. Katie parecia fazer campanha contra Draco Malfoy, o que me deixava mais culpada ainda por justificar mentalmente os atos dele.


Vê-la passando tão perto foi decididamente perturbador. Ela nem ousou me olhar. Claro, por que Weasley faria isso depois do que tinha acontecido?

E por que eu me importava tanto com isso?

all of these windows bring in the cold air
I hope you have a coat to keep you warm
warmer than those last times we spoke
warmer than the last words we said
I'm sure the wind blows gently on you now
I hope that nothing will ever remind you of me


N/A: bom, como vocês notaram, esse cap marca o final do sexto livro e o começo do sétimo. Draco tá triste sem a Gina, Gina tá triste sem o Draco e se culpando por isso :(

foi meio que de passagem esse cap, mas justamente por isso ficou curto, pra não enrolar muito :B

espero que tenham gostado ^^

=-=

respostas (unsigned reviews)

Ana Luiza: oieeee :D vai ter mais action, não se preocupa ;) aiaiaiaia eu quero ver o filme outra vez *-* é Katie podia ser a Jehnny quando ela tava muy vaca :s nossa little J. me da medo às vezes. yay, Luna e Blaise sim :x IUSHAOUIH nem que seja só pitadinhas aqui e ali! porque ultimamente eu acho muito Blaise/Pansy x.x siuahsiuahsoiuah... muito obrigada pela review, flor! xoxo!

Pri Cullen Malfoy: olááááá! :D yay! que bom que gostou do action ^^ vem mais pela frente ;) realmente... quem não ama Draco Malfoy? só se for a Katie mesmo! USAIUSHAOIUSH ^^ muito obrigada pela review :D beijão!

Mariana: oie :D siuahsiuoah verdade... UISHAOUISHO eu também taria pouco me lixando pra um problema como o Malfoy :) Ai, flor, relaxa... vai seguir com o livro, mas adaptado pro nosso casalzinho favorito! muito obrigada pela review! beijão :D

=-=

MEUS AMORES! 27 REVIEWS? O QUE É ESSO??!!!!!

SIUAHSOUIAHSOIUAH amay, bateu o recorde dessa fic :DDD fiquei super feliz! muito obrigada! se eu pedir 30 pra postar o próximo cap, vocês topam? :D não gosto de barganhar, mas ué, vamos quebrar recordes XD pelos número de hits no último capítulo, conseguimos passar de 30 reviews facinho facinho o.o (medo)

pra apimentar as coisas...:

#preview do próximo capitulo#

– Por quê? – ela perguntou amargurada.

– O quê?

– Por que não me contou?

– O que te faz pensar que eu devo explicações pra você? – disse, ríspido. Fechei os olhos. – Você nunca ia entender – acrescentei num sussurro.

– Eu ia – disse a ruiva, dando alguns passos na minha direção, mas ainda assim permanecendo longe.

Não respondi e nem olhei pra ela.

– Pensei que nós éramos amigos – falou Weasley com a voz magoada. – Tanto faz agora – ela continuou após meu silêncio prolongado. – E acho que tanto faz para você também.

A grifinória se virou para a saída.

– Não tanto faz pra mim – falei finalmente, depois de muito esforço.

xoxo! ;D

D-B