Uma curiosidade sobre a música "Hey Blue Eyes" é que é do filme Only You da Stana Katic :)
Ela cantou no festival de filmes Zlim... Gente, a letra é linda...
Dêem uma espiada depois :3


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-EU SOU PESADA... – Alexis se ouviu dizendo.

Ela devia ter uns cinco ou seis anos.
Espere... O presidente Russo estava na cidade, eram meados de 1999 ou 2000.

Ela se lembrava, seu pai tinha tido uma discussão com sua mãe porquê da última vez que ela a tinha levado para passear, foram parar em Paris...
E agora, ela estava no meio daquela bagunça, tinha certeza que as ruas de Nova Iorque continuavam com as pessoas andando apressadas pelas mesmas, sempre brigando e correndo, como se há alguns minutos, não tivesse acontecido um tiroteio no fórum...

-Você não é pesada. – ela ouviu sua voz, mas estava tão baixo, que precisou se concentrar.

-Sou sim. – respondeu Alexis.

-Não é não... - ela riu - Mas ainda está tremendo. – E sentiu uma jaqueta sendo colocada em volta de si. – Vamos voltar pra delegacia, você vai ficar bem, ok? Não me disse seu nome...

Ela estremeceu de novo quando a sentiu envolvê-la em um abraço e erguê-la para levá-la dali.

-Tudo bem, não precisa dizer seu nome... Eu posso adivinhar. – Alexis escorou a cabeça em seu ombro e estava espiando pela rua, avistou um casal de idosos conversando diante de uma loja, uma viatura estacionada bem no final desta, vários policiais indo e vindo como se esperassem que um novo problema surgisse. Que o tiroteio voltasse. – Você é a Jean Grey!

-X-men? Sério?! – e riu baixo. – Eu podia ser... Eu não sei... Que tal Mary Jane?

-Então você prefere ser a garota sequestrada aquela que lança os bandidos pelo ar?! Náh...

Alexis se lembrava de rir.
Rir muito.

-Bom ponto. E você seria... Diana Price?

-A mulher-maravilha? – ela riu também. – Não... Definitivamente não.

-Bem... Então—

Até que precisou afundar o rosto de novo em seu pescoço quando ouviu uma viatura e o som do que pareciam disparos.
Sentiu as mãos da policial colocando-a mais firme em si e seus passos se apressarem.

Então ela começou a cantar...

Hey Blue Eyes
Tomorrow Become Yesterday
What was can never be felt again
I fell in love with you

... Alexis estava se concentrando na letra e o som de sua voz.
Como se a embalasse em um sono, uma melodia triste e ao mesmo tempo linda.
Ouviu vozes ao longe, mas ela não tinha parado de cantar.
Ainda com os olhos fechados, ela se encolheu um pouco mais.

Where'd you come from?
Why did you come from there?
Got yourself a woman, do I even care?
I want you to want me
The way that I want you

As vozes começavam a fazer algum sentido, mas ela tentou afastá-las.
Queria apenas se concentrar na letra.

Ain't it strange how god fixed a plan
To want the world to find a solace
In the bodies, in the woman, in the man?
Come to me close boy
Take my hand
And we'll fly of to a magic land

Finalmente, Alexis tinha relaxado, e levou um par de minutos para perceber que haviam parado.
Alguém perguntou onde estava o Procurador, e ela a sentiu se mexer como se estivesse inquieta.

-Mande dois deles para esse lugar, avise o Capitão. Se for preciso, precisamos de um reforço... Ei.

Alexis sentiu o toque em seu braço para chamar sua atenção, e quando acordou, sua avó Rita estava olhando para ela, as sobrancelhas erguidas e o cenho franzido.

-Ei, tudo bem?

-Sim. – ela se levantou. – Kate. Kate está bem?

-Ela está bem... Ainda dormindo. – declarou apontando para a mesma deitada escorada em um travesseiro e as cobertas em seu corpo. Ergueu a cabeça para a mais velha de novo. – Eu preciso verificar uma coisa. Você vai ficar bem?

Alexis assentiu. Já era a terceira vez que tinha o mesmo sonho na semana, era uma lembrança que tantas vezes tentou afastar ou forçar, só que agora, tudo o que queria era dormir um sono sem sonhos. Invejava Kate.

E suspirou assentindo e ganhando um sorriso da outra.

-Eu volto logo.

-Ok.


-O QUE REALMENTE ACONTECEU EM NOVEMBRO DE 1999?

-O presidente Russo estava no pais. Sua visita causou um tumulto... Ele provavelmente ficaria para o fim do ano, mas as coisas estavam preocupantes. Houveram vários problemas em 99, eu era um novato, assim como Kate e Ryan na academia.

-Sim. – concluiu o mesmo encarando Esposito. – Aquela foi uma semana do cão... Você tinha se inscrito no exército.

-Sim. E Kate estava em treinamento com Montgomery.

-Se me lembro bem, ele a estava observando em sua patrulha.

- "Patrulha". – repetiu Esposito sorrindo. Sorriso esse que sumiu tão rápido quanto veio. – Não temos mais novidades não é?

-Não... Como está Castle?

A resposta de Gates não veio como uma crítica, mas no tom que deixava seu coração apertado.

-Como acha que ele está? Preocupado. A esposa e a filha foram sequestradas, encontramos o galpão cheio de corpos e nenhum sinal delas. – e então respirou fundo olhando para o quadro improvisado. – Lanie conseguiu alguma coisa?

-Uma troca de tiros, ela está esperando uma resposta da perícia.

-E quanto a vítima? Ou o vídeo do campus?!

-Falamos com uma amiga dele, e também de Alexis. – Ryan contou pegando uma foto da garota. – Paige. Ela disse que viu Ashley talvez um par de vezes a mais que a garota Castle. Apenas porque ele precisava dela para encontrá-la... E tão rápido quanto aparecia, ia embora. Conversei com o Sr. Finnick também...

-Espere. – pediu Esposito. – Finnick de Adam Finnick?

-Esse.

-Kate comentou algo sobre se encontrar com Alexis no café porque ela ia arrumar um estágio na Finnick State...

Ele procurava alguma coisa em sua mesa.
Quando finalmente encontrou, estendeu para o amigo.
Os dois trocaram olhares satisfeitos.

-Vão compartilhar a ideia? – pediu Gates. Os garotos a fitaram em um pedido de desculpas.

-Vamos entrevistar o Sr. Finnick... Talvez ele saiba de algo, ou alguém já que Alexis era sua nova contratada na manhã de seu sumiço.

-Além do histórico de Adam Finnick – concluiu Ryan. – Talvez ele também tenha alguma ideia de onde Alexis está.

-Por que ele teria?

-Porque o Senhor Finnick foi preso quando adolescente. – um sorriso ameaçava aparecer em seus lábios. Ele estendeu a mão e Esposito compartilhou o cumprimento.

-Posse de drogas? – Vitória se arriscou.

-E contrabando. – concluiu o detetive hispânico.

-Vão.


ALGUMAS MEMÓRIAS DE SEU PASSADO, vinham como uma maravilhosa sensação de dejá-vú em sua cabeça.

A expressão de sua mãe depois do debate da escola, o olhar de adoração de seu pai quando estavam juntos na praia logo depois de perdê-la.
As palavras de Castle confessando para ela agora acordada o quanto a amava. O abraço sincero de Martha quando salvou sua vida.
O sorriso e o olhar de Alexis quando ouvira seu conselho de voltar para casa, Ryan e Esposito em uma discussão e uma brincadeira.
As palavras de Lanie revelando-a que estava grávida.

Kate abriu os olhos encarando pela enésima vez o teto branco do hospital.
Esse teto era diferente.
Espere. Hospital. Enfermeiro. Alexis.

-Alexis!

-Whoa, calma... Kate. – Ela estava de pé ao seu lado e bem, impedindo-a de se levantar. – Não se mexa.

-O que aconteceu...?

-Rita. – ela contou. – Ela chegou e... Bem, tirou a gente de lá. Como se sente?

-Estou bem...

-Você levou dois tiros e foi sedada. Kate. – sua expressão se fechou. – Como se sente?

-Como se tivesse levado um tiro e tivesse sido sedada. – e riu da expressão irritadiça da ruiva. – Estou bem. Onde estamos?

-Em um hotel de Boston. Rita saiu há uma meia hora, ela disse que iria resolver algo. – e suspirou. – Não entendo por que estamos nos escondendo... Kate, devíamos voltar pra casa.

-Eu sei...

-Então...

-Eu não tenho certeza se é seguro. Você viu o que aconteceu no hospital.

-Por que ele estava atrás da gente?

-Não a gente. A mim. – ela levou a mão no rosto respirando fundo de novo e fechando os olhos. – Eu não queria te envolver nisso... Não queria que seu pai, você ou sua avó estivessem no meio de nada disso, Alexis. E definitivamente eu...

-Kate...

-E você está aqui. E quase... – ela engoliu o bolo em sua garganta. E tentou se levantar. – Vamos...

-Ei, o que está fazendo?!

-Vamos voltar pra casa.

-Kate?!

-Não. Vamos agora. – Ela queria reagir e perguntar por que diabos estava fazendo essa loucura, mas Kate já estava de pé tentando respirar e manter-se acordada enquanto Alexis a auxiliava. – Pode pegar o meu casaco?

Ela girou apanhando o mesmo e estendendo para ela.
Em um aceno de cabeça, Kate o apanhou e vestiu ainda com a mão no ombro da enteada. Calçou as botas levando alguns segundos a mais para concluir e juntou o cabelo enfiando-o dentro da blusa. Então se aproximou da mesa de centro do quarto do hotel.

-Tem uma arma por aqui?

-Segunda gaveta. Cômoda.

-Me leve até lá.

Alexis obedeceu sentindo-a se apoiar com mais afinco nela.
Kate abriu as gavetas cheias de toalhas e duas peças de roupas, colocou a mão no canto direito puxando consigo uma Glock.
Ela verificou a trava de segurança e puxou seu casaco e a camisa para cima colocando-a na cintura nas costas.
Então Alexis ainda a auxiliando girou seguindo para a porta.

-Kate...

-Sem perguntas, querida.

De novo a garota assentiu, e ela circulou sua cintura caminhando ao seu lado como se estivessem agora em um Tour pela cidade.
Finalmente sentindo o ar frio, Kate se permitiu pensar...
... Em tudo de novo e de novo.

Momentos antes de Alexis arrastá-la para uma lanchonete, as duas se encararam quando um telefone tocou em seu bolso.
Elas não tinham telefone. Kate o puxou encarando o visor com o ID desconhecido. Com o rosto ainda confuso a mão na arma, ela o atendeu.

-O que está fazendo, Kate?

-Rita?

-Tínhamos tempo.

-Eu sei. E sinto muito pela mudança abrupta de direção, mas não podemos fazer isso mais. – ela admitiu finalmente garantindo que Alexis estava confortável o suficiente, escorada em seu ombro e sua própria mão circulando sua cintura também ouvindo a conversa e ambas de frente para a porta. – Vamos até ele. Estamos voltando pra ele.

Por um instante, Kate franziu o cenho, e olhou para a tela do telefone tendo certeza que a chamada não fora encerrada, e estava prestes a chamar seu nome quando a mulher prosseguiu.

-Estou orgulhosa de você, Kate. – admitiu ela surpreendendo-a. – Pegue sua garota, e vão encontrá-lo. Sei que ele está louco para vê-las. – Alexis sorriu ainda próxima o suficiente para ouvir a chamada.

As duas continuaram seguindo e exatamente como fez há uma semana atrás, Kate travou o telefone e o deixou em uma mesa qualquer diante de um restaurante qualquer. E juntas, ela e Alexis seguiram para a saída de Boston.
Próxima parada: Nova Iorque.
Para Rick Castle.


-ENTREVISTAMOS TODOS ELES. É um beco sem saída.

Ele estava parado diante de Esposito e Ryan, ambos com expressões idênticas a sua.

-Chandler disse que foi um mal-entendido. Aparentemente ele estava tendo uma discussão com um velho amigo sobre uma antiga namorada, e a briga acabou saindo fora dos limites. Eles avistaram Ashley na parte de uma ameaça de morte, e o garoto correu antes que algo mais fosse dito... – Esclareceu o irlandês.

-Quanto a Finnick, nosso jovem empresário se envolveu com drogas quando era mais novo, e além de limpo agora ele está distante dessa história, e seu álibi foi checado, assim como a conta bancária de ambos. – Finalizou Espo.

-E não temos nada de novo.

-Não nada. – Gates discordou.

-Ah... Gente. Tem uma coisa que precisam ver. – Chamou Vikram atraindo a atenção deles e encarou o pai de Castle ao seu lado, então com um aceno, ele acessou o vídeo mais uma vez. – Isso foi filmado por um garoto no hospital... Acho que seu tio teve o pé atropelado por um trator...

-Au... – reclamaram dois dos garotos, inclusive Castle.

-Pedimos as filmagens do hospital, mas tudo foi desligado momentos depois de Kate e Alexis sumirem.

-O que quer que tenha acontecido que não as permitiu voltar pra casa... – Finalizou ele não se importando com os olhares.

-Aqui. Bem aqui.

Os dois ouviram uma narração do menino sobre como seria legal ver as expressões de novo dos amigos na escola quando ele se vira para ouvir o chamado de sua mãe no corredor, e então a câmera captura Kate em uma cadeira de rodas. Seu coração falha uma batida no mesmo instante em que vê Alexis carregando a esposa, o cabelo preso em um coque e o moletom que agora ela puxava o capuz para cima, ao seu lado um rosto desconhecido.

-Aquela é...

-Minha Rita. – admitiu seu pai.

-Volte a fita. – ele pediu quando elas sumiu de seu campo de visão.

Kate estava descordada, isso era um fato. E a expressão de Alexis parecia tão concentrada de quando ela tinha doze anos e iria fazer seu primeiro discurso sobre a Guerra Fria diante da sala de aula.

Ele suspirou e declarou momentos antes de elas sumirem de seu campo de visão de novo.

-McCord está viva.

Várias cabeças se viraram para Castle.
E foi com o olhar de seu pai em sua nuca que ele confessou:

-Anos atrás, quando Alexis era só uma garota, ela testemunhou algo no Museu... Algo que quase levou a morte do Presidente Russo em solo americano. O caso foi abafado, o presidente voltou para casa seguro. Entretanto, nesse dia, ela pode ter visto Bracken e LockSat.

-Alexis sabe quem é LockSat? – Ryan perguntou.

-Não. Alexis trancou as memórias daquele dia... Ela... Ela levou anos para parar de ter pesadelos. – ele confessou não olhando para ninguém em particular. Sua menina tinha quase sete anos na época.

-Espere... Como você sabe tudo isso?!

-Porque falei com McCord. Ela disse que estava lá naquele dia, e a tentativa de assassinato, e quase bem sucedida era um estopim.

-Um estopim... Para o quê, Sr. Castle?

-Para uma guerra. – disse seu pai.

-Espere, você...

-Eu tentei alcançá-la, Richard. Mas não consegui. Quando a encontrei, Alexis estava segura, então segui o plano e tentei limpar a área. Infelizmente Bracken tinha escapado, e eu não sei quem é LockSat também.

-McCord disse que foi uma resposta da polícia.

-Que ano foi isso?

-1999. Começo de novembro.

Esposito deu um leve sorriso.
Ele tivera uma conversa com Gates quase um par de dias atrás sobre o assunto.

-Eu ainda não tinha entrado pro exército. Kate e eu estávamos fazendo um exercício...

-Vocês eram o exercício um do outro. – respondeu Ryan.

Castle encarou os amigos.

-Identificação. Éramos os "agentes disfarçados". Montgomery queria ver o quão perceptivo conseguíamos ser ao identificar um policial em meio a civis apenas pela reação... Kate tinha me visto primeiro, só que alguma coisa estava acontecendo e precisamos responder um chamado. Um tiroteio. Eu não a vi durante todo o processo, encurralamos o suspeito... Agora que você falou, ela parecia diferente.

-Tiroteio? – Castle perguntou. Seu coração falhando uma batida. – No Museu de arte moderna?!

-Museu...? Não. Era uma perseguição... Estávamos na rua dele, mas... Por que? Alexis estava no museu?!

-Sim. – ele suspirou de novo. – Vocês eram apenas novatos...

-É. A gente tinha deixado a academia há pouco tempo. – confessou ele.

-O que mais McCord disse a você? – perguntou seu pai. Ele deu de ombros em resposta tentando pensar.

-Que o testemunho de Alexis... – E então engoliu em seco, por um instante, ao olhar para o cômodo em que estava, não conseguia visualizar nada. – Acha que Bracken sabia de alguma coisa...? Ele era um procurador na época, não?!

-Isso foi há quinze anos atrás... Provavelmente um ano depois de Johanna...

-Porque também não sabiam quem era a policial. – concluiu Castle, a voz um fio.

-Policial?! – perguntaram várias vozes.

-Alexis ficou aterrorizada. Ela disse que uma policial a tirou de lá e a levou para a delegacia. Cinco minutos depois que a deixou, Meredith e eu chegamos. Mas isso não importa, Bracken sequestrou Alexis porque pensou que ela sabia de alguma coisa?!

-Ela não se lembra daquela noite, Rick? Nada?!

-Ela se lembra de muitas coisas, mas não das pessoas. Ela ficou com os olhos fechados durante todo o caminho da delegacia, nem mesmo a policial que a tirou de lá ela viu o rosto! E eu não...

-Richard! – ele e seu pai reagiram ao grito de sua mãe, quando pararam ao ver sua figura na cozinha, segurando o telefone, tentaram assimilar o que estava acontecendo. Seus olhos azuis cheios de água e sua mão tremendo e segurando o aparelho.

Castle se aproximou, todos os outros em seu encalço.

-O que foi? Mãe?! – entretanto, ela não conseguia falar e ele lhe tomou o aparelho. – Alô? Quem é?!

-Rick. – seu coração quase saiu pela boca de novo, e a voz parecia ter sumido de si e ele podia sentir suas pernas fraquejarem, apenas continuou parado olhando para nada em particular. – Castle? Amor, você está me ouvindo? Rick?!

Kate. E no fundo, ele escutou a voz preocupada de Alexis.
Então Kate estava falando com ele de novo, a voz embargada.

-Rick, sou eu. Fale comigo. Amor... Estamos bem, por favor, fale comigo. Eu estou aqui, Alexis está aqui... Rick?!

Bem.
Elas estavam...

-Kate... – ele ouviu sua respiração agora aliviada assim como a dos que estavam na mesma sala, sua mãe sorrindo enormemente. – On... Onde vocês...? Onde vocês estão?!

-Estamos em Boston. Vamos pegar o próximo avião, e ir direto para JFK em NY... Rick?

-Sim?

-Eu amo você.

E levou um par de segundos para responder.

-Amo você também... – Silêncio. Ele ouviu algo do outro lado e então declarou: – Onde em Boston? Estou indo buscar vocês agora.

-Rick...

-Não, Kate. Eu preciso ver você. Preciso tocar você. Uma semana, Kate. Uma semana inteira e eu...

-Eu sei. Me perdoe. – ela esperou por dois segundos. – Rick, Alexis e eu estamos pegando o próximo voo. Por próximo, eu digo três horas, estaremos aí mais rápido do que você pensa... apenas...

-Nunca é rápido o bastante.

-Eu sei. – e como ela sabia. – Escute, sim? Estamos bem... Todos nós estamos. – parecia mais uma declaração para ela mesma do que para ele. Castle esperou o desfecho. – Eu falei com sua mãe, pedi a ela que te mantivesse aí porque estamos chegando, mas acho que ela não me ouviu direito...

-Bem, ela está sorrindo pra mim agora, então eu acho que se eu for buscá-las, Martha virá comigo sem nem mesmo piscar.

A mesma já estava de pé assentindo.

-Não, Rick. Escute... – Kate suspirou e ele sentiu um sorriso. – Três horas, está bem? Estaremos aí em três horas... Eu amo você.

Antes que ele respondesse de novo, ouviu um "convença-o a esperar" na voz de Kate e quase podia ver a expressão determinada de Alexis.

Infelizmente seu coração falhou algumas batidas de novo naquela simples palavra:

-Pai? – e podia vê-la olhando para o visor apenas para ter certeza de que a ligação continuava rodando. – Pai, sou eu. Diga... Diga alguma coisa. – ele deve ter murmurado alguma coisa porque ela continuou agora mais segura assim como a voz de Kate a tranquilizava. – Pai, estamos voltando logo. O voo sai daqui algumas horas, e estaremos juntos de novo.

-Ei abóbora. – sua voz saiu falhada, mais do que gostaria e a ouviu levar a mão à boca como que para conter as lágrimas. – Deus, Alexis... Eu...

-Eu sei pai. Estamos bem. Kate e eu temos uma a outra. E vamos ficar juntos logo. Todos nós.

Ele ouviu um anuncio em algum lugar provavelmente da plataforma.

-Sim... Nós vamos. – ele olhou para todos do cômodo parando de novo em sua mãe. – Lex, deixe-me falar com Kate de novo. Eu amo você.

-Também amo você, pai. – ela sorriu. – Kate?

-Obrigada, querida. – ele a ouviu. – Sim, Rick? Eu prometo a você que vou levá-la de volta em segurança...

-Quero vocês duas em segurança aqui. Estou indo para o JFK.

-Richard...

-Estou indo Katherine Beckett.

-Está bem. – ela respondeu e por um instante sua voz pareceu diferente. – Rick, temos que ir.

-Kate está tudo bem?

-Sim. Eu amo você.

E com isso ela desligou.

Ele sabia que provavelmente ficou encarando o telefone de sua mãe por mais tempo do que pensava, e quando ergueu a cabeça, todos o fitavam incertos em interromper sua linha de pensamento. Sua mãe foi a primeira a declarar, o tom que ele amava desde sempre:

-Vamos buscá-las.


Digam-me o que estão achando :)
A história já está pronta e tô montando o especial...
sério gente. comenta