8- Lágrimas

Uma semana se passou desde a volta de Hyoga para casa. As coisas não haviam mudado muito desde então. Miro, quase sempre visitava aquela família e ouvia desaforos de Kamus, já que sempre levava alguma coisa. A verdade era que Miro estava assumindo as despesas, o que deixava o francês quase louco, inconformado.

Kamus há tempos não se sentia tão bem, tão vivo quanto naqueles dias. Não estava nas ruas, seus irmãos ao seu lado, alguém especial que preocupava-se realmente com eles, ao qual chamava de amigo. O ruivo já não podia negar para si mesmo que acabara criando um sentimento maior do que desejara. Restava-lhe apenas ocultar tudo o que sentia de agora em diante, afinal, fingir e ocultar seus sentimentos não seria novidade, estava habituado a isso.

Hyoga já estava matriculado na mesma escola que Isaak. Enquanto o mais velho se aprontava, Kamus arrumava Hyoga para mais um dia. A escola estava em jogos esportivos, contra outras instituições, e Isaak participaria da competição de natação, naquela tarde. Não era preciso que Hyoga fosse, já que não haveria aulas naqueles dias, mas o pequeno loiro fazia questão de comparecer para torcer por seu irmão. Kamus não queria ir por sua perna que atrapalharia e nem queria que o menor fosse, mas não conseguira convencer o loirinho do contrário.

Hyoga estava sentado na beira da cama de casal, usando um short preto.

Kamus terminava de esfregar a toalha no cabelo loiro, para secá-lo. Colocou a toalha sobre a cama e sentou-se ao lado do menino, olhando seu braço.

– Já está bom, Kamus. – sorriu.

– Se já estivesse, ainda não estaria enfaixado. – o ruivo examinava a procura de qualquer sinal de hemorragia.

– Está como sua perna.

Hyoga tinha uma fratura no braço, que conseguira de um tombo que levou da escada ao descer correndo. Kamus sempre falava para que ele não fizesse isso, mas o mais novo sempre foi mais teimoso e um dia ocorreu o incidente. Foi quando descobriram a doença de Hyoga.

– Exatamente. Por isso digo que estou machucado e você também está. Tudo ok. – ajudou o menor a vestir a camiseta e pentear os cabelos. Depositou um beijo na testa dele. – Pronto, liberado. – sorriu.

– Eh! Vou ver Isaak nadar! Ele vai ganhar! – o Hyoga levantou animado da cama.

– E mesmo que não ganhe, ele competiu. Ganhar não é tudo.

– É... Ele nem pode treinar muito por minha causa...

– Você não tem culpa de nada, mocinho. – tocou a ponta do nariz dele e sorriu, caminhando de volta para sala. – E não se esqueça... Nada de correr.

– Ta... Ta... Pode deixar. – suspirou.

– Ele já está pronto? – Entrou Isaak com uma calça preta, uma camiseta de esportes do colégio e uma pequena bolsa em mãos, com sua toalha e touca.

– Sim. – Hyoga apressou-se para ficar do lado de Isaak.

– Isaak, cuide dele, sim? – O maior pediu e pôs a mão no ombro do loiro – E Hyoga, quando Isaak for competir, comporte-se. Voltem assim que terminarem as competições.

– Tudo bem! – afirmaram com um sorriso.

Kamus suspirou e despediu-se, dando um beijo na testa de cada um. Os garotos saíram e ele se deitou. Estava sentindo-se estranhamente mal.

OoOoOoOoO

Miro estava recostado em sua cadeira com as pernas cruzadas sobre a mesa. Eram cinco da tarde e estava cansado de ficar ali. Em seu colo estava um MP4, que tocava suas músicas favoritas. Mirava o teto, pensativo.

Tinha recebido a confirmação de aceitação do caso na noite anterior. Seu amigo devia ter viajado logo pela manhã para Paris. Disse que provavelmente não entraria em contato com ele no período de investigações, mas que descobriria qualquer sujeira que pudesse existir na vida daquele tal de Carlo.

Suspirou.

Queria sair e visitar Kamus. Queria ver como estavam os meninos, se precisavam de alguma coisa... Sorriu ao lembrar das expressões do ruivo. Parecia tão mais alegre, era visível só de olhar. Não tinha mais seu aquele ar vazio e melancólico.

– Senhor Miro! Está me ouvindo? – Pandora falou mais alto, puxando os fones do aparelho.

– Desculpa... O que dizia? – sorriu sem graça, endireitando-se na cadeira e guardando o aparelho.

– Eu juro que ainda não sei como o senhor consegue manter este lugar. – balançou a cabeça de forma negativa – Dizia que a banda que viria hoje aqui para conversar sobre o contrato com o senhor pediu para marcar para outro dia. Que ocorreram imprevistos.

– Sei... E não terei mais nenhum compromisso para hoje?

– Não senhor. – sorriu. – E a reunião foi remarcada para a semana que vem.

– Obrigado, Pandora! – levantou-se, pegou seu terno e as chaves do carro – Então vou indo. Pode cuidar das coisas pra mim até o fim do dia?

– Sem problemas. Eu sempre faço isso mesmo! – cruzou os braços e balançou a cabeça em desaprovação, mas com um sorriso gentil.

– Por isso que você é minha funcionária preferida! – deu um abraço na moça e saiu – Até amanhã!

Em poucos minutos, Miro já estava na estrada. No esquema de sempre, estacionou afastado e seguiu até o apartamento de Kamus. Bateu na porta e, alguns minutos depois, esta foi aberta pelo francês.

– Miro! Entre... – abriu espaço para que o grego entrasse.

– Olá, Kamus! Onde estão os meninos?

– Na escola. Jogos. – fechou a porta e seguiu até os sofás, sendo acompanhado pelo grego.

– E Hyoga? – sentou, olhando para o francês.

– Foi junto. Mesmo eu não gostando da idéia, os dois me convenceram... – falou pensativo. – Já deveriam ter voltado... – murmurou.

– Calma! São só os jogos, já devem estar chegando. – o grego sorriu.

Kamus suspirou.

– Queria tratar de um assunto delicado com você. Já se passou um bom tempo e acho que você já está em condições de falar sobre. – Milo disse calmamente, mas mostrando seriedade.

– Já disse que não quero mais falar sobre meu tio.

– Não é sobre seu tio. – Kamus engoliu em seco. – Quando acidentalmente o atropelei, chamei uma ambulância e você ficou internado. Eu estava um tanto surpreso com o estado de suas roupas e tudo... – Kamus parecia apreensivo. Miro teria descoberto? – Depois o médico que lhe examinou veio a mim, enquanto você ainda estava apagado. Disse que seu corpo tinha várias marcas que não decorreram do atropelamento. Que pelo seu estado, havia sido violentado.

Kamus estremeceu. Lembrou-se daquela noite e de Kanon. Da dor, da humilhação... Passou nervosamente a mão pelo cabelo.

– Kamus... Eu resolvi dar esse tempo para que você se recuperasse, no hospital eu via o quanto você era retraído e desconfiado. Eu entendo e sei que isso pode causar traumas terríveis... Ainda mais com um passado como o seu, mas até onde vi, você recuperou-se bem. Eu queria tomar as atitudes necessárias e te ajudar... Você poderia me dizer como era a pessoa?

– Não. – falou friamente. Seu estômago girava ao lembrar dos fatos, sentia uma dor no peito que não sabia o motivo e agora a culpa por estar mentindo, escondendo que era um garoto de programa de Miro, não ajudava em nada. Baixou o olhar. Odiou-se naquele momento.

– Não se sinta mal, eu... – tocou o ombro dele e começou a falar, mas fora interrompido.

– Me esqueça, Miro! Não quero falar daquele maldito dia, não quero falar de mim! É difícil para você entender isso? – falou pouco alterado, mas com olhar ainda baixo.

– Desculpa...

– Tudo bem... – suspirou, falando mais calmo. Não adiantava em nada descontar nele. – Quem tem de se desculpar sou eu. Você só quer me ajudar... – olhou para Miro e sorriu gentilmente – Mas por favor, não toque mais nesse assunto... Tudo bem?

– Você escolhe, meu amigo... – apertou pouco mais o ombro do outro, tentando passar confiança. Havia falado suavemente.

Kamus fechou os olhos e sorriu ao ouvir a palavra "amigo". Não lembrava de ter tido algum, nem em sua infância. Tinha alguns colegas com os quais brincava na escola, nenhum amigo. Os que tinha, se afastou. Evitava grandes aproximações pelo medo que tinha do tio. Achava que ficaria feliz de ouvir isso em uma situação como aquela, mas só sentiu um aperto ainda maior no peito.

O telefone tocou.

Kamus pediu licença e levantou-se para atender. Miro olhava o ruivo atender com um sorriso nos lábios. Sorriso que logo desapareceu com a expressão de Kamus.

O francês ficou pálido, as mãos começaram a tremer e ele apoiou-se no rack, não confiando nas forças da própria perna. Os olhos azuis haviam perdido todo o brilho e foco.

– Mas... Onde estão? – sua voz saiu forçadamente firme. Devia ter se esforçado para isso.

Desligou o telefone olhou suplicante para Miro, ainda trêmulo.

– Por favor, Miro... Me leve para o hospital... Por favor... – a voz ia abaixando cada vez mais. Não agüentaria manter a máscara firme, não agora.

O grego levantou-se num salto, lembrando apenas de pegar as chaves do carro. Foi até Kamus oferecer um apoio para que ele pudesse locomover-se mais rápido, o que foi prontamente aceito. Sentia as mãos dele frias e trêmulas, estava realmente preocupado com o ruivo. Algo devia ter acontecido com Hyoga, mas o que?

Miro localizou as chaves do apartamento e tomou a iniciativa de fechá-lo. Seguiu apoiando o lado da perna quebrada para que conseguissem chegar o quanto antes até o carro. Nesse momento praguejou mentalmente por ter feito o que Kamus pediu-lhe daquela vez. Assim que chegaram, Kamus entrou e colocou o cinto. Miro deu a partida enquanto também colocava seu cinto. Foi o mais rápido que pôde, cortando os carros e agradecendo por não esbarrarem com algum policial.

– O que houve, Kamus? Quem era no telefone? Isaak? – falou preocupado. Evitava as ruas que sabia ter um péssimo trânsito naquele horário.

– Sim... – respirava fundo, tentando acalmar-se – Hyoga feriu-se... Não sei direito... Eu... Ele chorava... No telefone...

– Acalme-se... Já estamos chegando! – Tentava passar segurança e tranqüilidade para o outro, mas começava a se perguntar se não estava ainda mais nervoso que ele. Estavam falando do pequeno Hyoga, afinal! Havia se apegado ao garoto!

Chegaram ao hospital e Miro e Kamus entraram o mais rápido possível.

Miro foi falar com a recepcionista enquanto que Kamus foi entrando. Miro apressou-se até ele.

– Isaak deve estar na sala de espera, próximo à emergência...

Kamus foi escorado até o local. Aquele corredor tinha poucas pessoas. Frente às cadeiras vazias, encontrava-se Isaak, sentado no chão e encolhido abraçando os joelhos, de cabeça baixa. Aproximaram-se.

– Isaak... – Kamus chamou, sua voz soando mais firme. Mais calma. Tinha de confortar seu irmão.

O menor olhou-os e voltou a chorar compulsivamente. Levantou-se e apressou-se para abraçar Kamus, que correspondeu num abraço forte e reconfortante.

– Desculpa... Eu falhei... Minha culpa... Não cuidei dele... – atropelava-se nas palavras, em meio aos soluços. Tremia em nervosismo. Sua roupa e cabelos ainda estavam úmidos. Devia tê-la vestido sem se enxugar, pouco depois da competição. Não havia sinal da bolsa que carregava, naquele local. – Eu prometi que cuidaria dele e não fiz...

– Calma, pequeno... – a voz de Kamus saia suave, passava conforto. Miro nem o reconheceu pela forma que agia até uns instantes atrás. Devia estar suportando todos os seus sentimentos por conta de seu irmão. – Diga o que aconteceu?

– Fui um dos últimos a competir... Deixei ele com algumas crianças, brincando... Mas quando terminei, ele estava sentado na arquibancada... Quieto... Fui atrás dele apressado e o vi pálido e uma marca escura no braço dele... Uma menina tava lá... Disse que ele caiu quando brincavam e que depois começou a sentir dor no braço... Uma professora chamou a ambulância... Eu devia ter ficado de olho nele... Não era para ele ter ido... Voltou a sangrar... – Falava nervoso, abraçando o irmão cada vez mais forte – Desculpa... Ele desmaiou no caminho... Não pude fazer nada. Falhei. Desculpa... Liguei assim que pude...

Kamus fechou os olhos e respirou fundo três vezes, tentando manter seu controle, ali. Perguntava-se se aquele mal estar e a vontade de impedir que os meninos saíssem haviam sido um sinal. Agora era tarde. Não poderia culpar Isaak, já que era o mais velho e deveria ter sido mais firme em não deixar Hyoga ir. Deveria ter prendido mais o menor, esperado que o braço melhorasse completamente.

Miro estava tão agitado quanto Isaak, mas tentava conter-se, assim como o ruivo.

– Calma, Isaak... – Puxou o menor até as cadeiras e sentou em uma. Fez com que ele sentasse em seu colo e começou a afagar-lhe o cabelo esverdeado. – Tenha calma, tudo vai acabar bem. Aconteceu. Você foi para competir, não podia ficar o tempo todo ao lado dele. Diga, o médico apareceu? Disse algo?

Mal terminou de perguntar, um homem de cabelo grisalho e semblante sério, de jaleco branco saiu por uma porta ali perto. Perguntou se tratavam-se dos parentes do menino e com a confirmação falou o quadro clínico. Estavam tendo problemas para conter a hemorragia, que Hyoga devia ter apoiado o peso sobre os braços ao cair e que o impacto forçou a fratura, rompendo alguns vasos próximos e tecidos mal cicatrizados. A equipe estava fazendo o melhor pelo garoto, mas Hyoga estava fraco e ainda tinha anemia. O que agravava o caso era sua doença. Estavam refazendo alguns exames.

OoOoOoOoO

Kanon saia do banho.

Tinha uma toalha enrolada em sua cintura enquanto usava outra para secar o cabelo. Seguiu para a sala e ligou o som. Pensava em começar a freqüentar a casa de Miro depois de algum tempo. Se o ruivo realmente era amigo dele, um dia deveria aparecer.

Lembrou de Saga. Sentia falta de seu irmão.

Voltou para o quarto, para vestir-se. Estava cansado de ficar sozinho naquela casa. Pretendia sair para se divertir, aproveitar mais seu tempo, já que seu serviço estava adiantado.

Jogou a toalha que secava os cabelos sobre um pequeno sofá que tinha no quarto, assim como a que envolvia-lhe a cintura. Caminhou até seu guarda-roupa.

– Kanon...

Uma voz conhecia soou atrás de si. Virou e sorriu. Viu Saga parado, recostado na porta, com uma mala média no canto.

– Meu irmão... Chegou mais cedo! Deveria ter avisado que eu iria lhe buscar no aeroporto. – abriu o móvel, procurando por algumas peças de roupa que lhe agradassem no momento.

– Não precisei. E diga, Por que adiantou aquelas reuniões? – falou sério.

– Achei que seria melhor para a empresa que resolvêssemos isso logo. Só isso. – ignorou o que fazia e caminhou felinamente até Saga. O outro apenas ergueu uma sobrancelha. Sabia que Kanon só o estava tentando enrolar. – Senti sua falta, sabia?

Kanon tocou gentilmente o rosto do irmão, alisando a bochecha com o polegar. Viu Saga dar um suspiro e relaxar um pouco mais.

– Também senti a sua. – Sabia que não adiantaria insistir. Kanon não falaria se não o quisesse. Preferiu apenas aproveitar as carícias.

Kanon sorriu. Passou o outro braço pela cintura de Saga, unindo os corpos, enquanto a mão que acariciava o rosto deslizava para nuca, puxando-o para um beijo. Iniciou com um roçar suave dos lábios, logo aumentando a pressão entre eles, forçando passagem com sua língua. Realmente tinha sentido muito a falta do irmão. Explorava avidamente cada canto da boca de Saga. Apartou o beijo e saiu distribuindo beijinhos até a orelha e sugou o lóbulo. Saga gemeu baixinho e arrepiou-se, em resposta.

– Kanon... O que está aprontando...?

– Nada. Vamos deixar esses assuntos para depois. Quero você... – Kanon sussurrou, roçando seus lábios na orelha do outro e apertando-lhe as nádegas.

Sem esperar por uma resposta, foi puxando Saga até a cama, enquanto distribuía mordidinhas pela cartilagem da orelha e beijava-lhe o pescoço.

Saga sentia muita falta do irmão. Não conseguiu ter qualquer reação. Estava completamente envolvido pelas carícias, Kanon sabia seu ponto fraco.

OoOoOoOoO

Kamus continuava sentado. Havia mandado Isaak voltar para casa para ao menos tomar um banho e mudar de roupa, já que havia se acalmado um pouco. O grego tinha pego alguns dólares e entregado a ele para que pagasse um táxi de ida e, caso quisesse voltar, sobraria.

Miro estava parado de pé, recostado na parede à sua frente, de cabeça baixa. Todos esperavam notícias.

Os exames haviam sido concluídos e o quadro de Hyoga se agravava cada vez mais, os procedimentos utilizados não bastando. O braço de Hyoga estava inchado e a marca roxa se espalhando pela hemorragia. Hyoga estava sendo operado para tentar conter o quanto antes e estabilizar o quadro. O sangue da transfusão também havia demorado um pouco a chegar, já que não havia compatível no banco de sangue do hospital, no momento.

Kamus estava preocupado. O médico disse que em outras circunstâncias, os procedimentos seriam muito simples, mas Hyoga possuindo aquela doença, seria arriscado.

Isaak logo voltou e sentou ao lado do irmão. O ambiente estava num silêncio perturbador. O menino sempre olhava para o semblante calmo do irmão, tentando ficar igualmente calmo.

– Kamus... – Isaak chamou, hesitante.

– Sim?

– Ele vai ficar bom... Não vai? – Kamus olhou em seus olhos e passou a mão pelos cabelos, num carinho.

– Eu não sei, Isaak. Eu não sei...

Miro ergueu o rosto e admirou-se com a cena. Kamus parecia não se importar com o que sentia, contanto que conseguisse amenizar um pouco o sofrimento do outro, acalmar o mais novo que parecia perdido na tristeza e culpa.

Tempos depois, o médico voltou. Estava sério.

– E então? – Miro é quem adiantou-se, aproximando-se do médico.

– Fizemos todo o procedimento que estava ao nosso alcance, mas, como havia dito antes, ele estava muito fraco com a perda de sangue e a anemia. Ele não resistiu. Sinto muito.

Isaak ficou em choque por alguns instantes, assim como Kamus. Não queriam acreditar naquilo. Isaak abraçou forte o irmão, chorando copiosamente. Repetia baixinho, inúmeras vezes, que era culpa dele.

Kamus o abraçou forte, tentando dar apoio, sustento. Apertava os olhos. A dor era grande, mas não podia chorar. Abriu-os novamente e fitou Isaak. Não estava com raiva dele nem de ninguém, senão de si mesmo. Havia jurado para si mesmo e para seus falecidos pais, que protegeria e cuidaria dos irmãos, mas sentia-se fracassado.

Miro aproximou-se, as lágrimas também afagando seu rosto num choro mudo. Não entendia como Kamus conseguia conter-se.

O grego acompanhou o médico, para conversar melhor e tomar as providências necessárias.

Isaak não largava Kamus para nada. Não parava de chorar em seu peito. O ruivo sentia um nó na garganta, seu peito doía como se atravessassem inúmeras facas, mas não derramava uma lágrima. Não se via no direito. Apenas fitava o menor com seu olhar triste, enquanto o envolvia ternamente, tentando passar conforto.

– Você não teve culpa, Isaak... Não diga isso, você não teve culpa de nada. Ninguém teve.

OoOoOoOoO

Miro acompanhou Kamus e Isaak até o pequeno apartamento. Cansado, na viagem de volta para casa, Isaak havia adormecido no carro e era, agora, levado pelo grego.

Kamus abriu o apartamento e pediu que Miro o levasse para a cama de casal para que descansasse. Caminhou até o sofá e sentou-se. Desde a notícia do médico, não havia falado nada, até aquele momento. Sempre olhava um ponto imaginário, o olhar sempre triste e vazio.

Miro depositou o garoto na cama e seguiu até a cozinha. Tomou a liberdade de abrir a geladeira e pegar um frasco de água, pondo um pouco no copo. Guardou novamente o jarro e foi até Kamus. Sentou ao lado dele e estendeu o copo.

– Não quero, Miro. E... Obrigado... Por tudo... – sua voz era quase inaudível. A cabeça estava baixa. Sentia-se culpado pela morte de Hyoga, mas imaginava se não havia sido melhor para o mais novo. Estava sofrendo muito e ele teria sempre de tomar cuidado para não se ferir.

– Beba um pouco. – insistiu. Deu um suspiro de satisfação ao ver que o outro acabou por aceitar e beber um pouco. – Quer que eu fique por aqui, hoje? Dar uma força, caso Isaak acorde?

– Obrigado... – pôs o copo na mesinha e voltou seu olhar para Miro. – Mas não precisa ficar preocupado conosco... Ficaremos bem. Sei o quanto é ocupado... Não precisa ficar...

– Não diga asneiras... Eu posso ficar! – tocou com delicadeza o rosto pálido de Kamus – E você pode chorar... – Falou suavemente, abraçando o outro.

Aquilo foi demais para o ruivo, que já mal conseguia conter-se. Silenciosamente as lágrimas, até então contidas, afagaram a pele clara. Kamus deixou-se ser abraçado naquele momento. Precisava de apoio. Chorou em silêncio, com o rosto afundado no pescoço do grego.

Kamus envolveu a cintura de Miro, buscando mais conforto. Sentia que poderia deixar de forte naquele momento, precisava desabafar. Sentia seu cabelo ser alisado suavemente. Ficaram daquela forma até o francês finalmente caiu no sono.

Milo não sabia se conseguiria leva-lo para o quarto sem acordá-lo e achava que ele merecia aquele descanso. Acomodou melhor o ruivo em si e se ajeitou no sofá da melhor forma que pode, procurando dar o máximo de conforto para Kamus.

CONTINUA...

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Disclaimer: Saint Seiya não me pertence. Direitos autorais à Masami Kurumada. O nome Carlo di Angelis é de autoria da Pipe.

É, demorei de novo, mas atualizei novamente. O que tinha o capítulo anterior de falta de ação, acho que "compensei" neste. Fãs do Hyoga, não me matem, please! (se escondendo) A morte dele já estava programada desde que surgiu a idéia desta fic. Sinceramente eu odiei a forma que ficou, pois não fui eu quem tinha programado esta parte e demorei a postar por ficar tentando arrumar, mas sem muito sucesso. Isso foi o melhor que consegui fazer, sorry para quem não gostou, mas acreditem, está melhor que o antigo. Agora, peço mil perdões por erros (que sei que tem, e muitos) com relação a doença de Hyoga, o atendimento hospitalar e tudo. Acontece que não faço medicina e não entendo muito dessas coisas (e, agora, trabalhando sozinha então...). Fiz várias pesquisas sobre tudo isso, mas não consegui nada de útil para a fic, assim, tive de me virar. Licença poética serve pra isso!

Gostaria de agradecer a paciência e apoido e mandar um beijo especial para: Cherry Lara, Haina Aquarius-sama, Kiah chan, Lhu chan, Paola Scorpio, Theka Tsukishiro, dea, Graziele, fran, Leo no Nina, Krika Haruno, Lune Kuruta, Dézinha, Bela Patty e Seto Scorpyos.

29–12-2008

Perséfone-san