Capítulo 8:Who are you, Letitia?
Sara chegou ao teatro naquele momento. Entrou com Greg no camarim e achou Grissom assim, parado, no meio do camarim, matutando:

- Em que você está pensando?

- Se você fosse a assassina, onde jogaria a seringa?

- No lixo onde mais? – Perguntou Sara de volta.

Warrick olhou automaticamente, para o cesto de papéis.

- Aí não, seria muito óbvio! – Disse Sara. – Tente lá fora!

- Antes era bom saber quando é feita a coleta. Vou procurar saber e já volto! – Disse Greg, já correndo pra fora.

- Como foi com o doutor? – Perguntou Grissom.

- Eles tiveram um caso... Mas não sei...Parece que ainda tinham alguma coisa... – Falou Sara, pensando no assunto. – Ele esteve aqui ontem, com um buquê de margaridas.

- Sobre o buquê não achamos nada. Mas o Griss achou um cartão no lixo, que talvez tivesse vindo com as flores.

- No lixo?! Que estranho!

- Também tinha dois desses papeizinhos coloridos, amassados com compromissos com P.T. – Ajuntou Grissom.

- Phil Tremoyne – falou Sara, como pensando alto.

- Foi o que pensei. – Disse Grissom.

Nisso, chegou Greg afogueado e arfante, dizendo que o lixo já era; a coleta era feita às 11 h de quinta. Warrick olhou para ele desanimado pensando que foi por muito pouco. Grissom ao contrário, parecia animado.

- Pessoal, não tem problema: vamos ao Depósito de lixo!

Greg olhou para o chefe como se fosse ele que não tivesse oxigênio... No cérebro! Grissom parecia uma criança, antes de fazer uma travessura; Sara excusou-se, dizendo que tinha vindo para falar com a camareira; Greg disse que precisava esperar por Troy.

- Continuo não entendendo o procedimento de Letitia: para jogar o cartão no lixo, ela deveria estar com raiva – disse Sara com um vinco na testa.

- O "Bambi" disse que ela tinha brigado com alguém. Alguém que lhe trouxe flores não sei se isto ajuda!

Sim, ajudava. Agora Sara tinha uma testemunha para a briga e para as flores. Grissom se dirigiu aos dois dizendo que fizessem o que tinham que fazer, e depois se encontrariam com ele e Warrick no Depósito de lixo.

- Ah, Greg! Enquanto você está esperando Troy, verifique o lado de fora dessa janela: parece ter um jardinzinho, segundo eu pude ver! Alguém poderia jogar alguma coisa daí. Ninguém verificou ontem, porque não parecia ter necessidade.

Falou isto e saiu com Warrick. Greg ficou sozinho com a moça e quis saber direito essa história do lixo. Sara riu e disse pra ele não se preocupar: não iriam buscar no lixo inteiro, isto seria insano. Só verificariam a área onde tinha sido despejado, o caminhão que havia passado no teatro.

Ele ia sair, para cumprir as ordens de Grissom quando olhou uma foto no espelho, e reconheceu Martin Campbel, mostrou-o a Sara. Ela deu uma gostosa gargalhada, ao reconhecer a foto da noite anterior.

- Pensei que ele poderia ser o marido de Letitia.

- Não. Definitivamente, Martin não poderia ser o marido de ninguém – disse o CSI, compenetrado.

´- É isso que torna tudo mais engraçado – falou ela, ainda rindo.

Greg deixou o camarim para ver o que tinha sob a tal janela. Ela ficou analisando as fotos, pensando se as levava ou não. Olhou para uma fotografia e pensou que Letitia parecia mais alta e mais gorda ali, do que sobre a mesa do Dr. Robbins.

Em nenhuma foto, se via o Dr. Tremoyne. Sara achou estranho, porque sentiu um sentimento forte, na voz do médico. Mesmo ele sendo casado... Mesmo ela estando com outro... Mesmo com o médico falando que não tinham mais nada...

Essa história de amar alguém podia ser muito complicado. Sara sabia disso. O que ela não sabia, era dos sentimentos da loira, que parecia encará-la, no retrato. A CSI contava com a camareira, para desvendar esse mistério. Olhou bem fundo numa das fotos em que a bailarina aparecia em primeiro plano e, encarando seus olhos claros, perguntou em voz alta:

- "Quem era você Letitia Shawn?".

- Certamente, não era a melhor pessoa do mundo! – Respondeu uma voz feminina, um pouco grave e cansada.

Sara assustou-se, com aquela intromissão. Virou-se e deu de cara com uma mulher meio cheinha, de seus 45 anos, loira, de olhos claros.

- Sou Mary Brown, a camareira. Aquele rapaz de cabelo espetado disse que a senhora queria falar comigo.

- Sim! Por favor! – Fez um gesto para a mulher entrar completamente. – Eu a conheço, Sra. Brown? A sua fisionomia me é familiar...

- Antes de tudo, chame-me Mary, que é como todo mundo me chama. E depois, pareço familiar, porque ficou vendo fotos de minha sobrinha e somos mesmo parecidas.

- Sua sobrinha? Então vocês eram parentes?

- Sim, embora isso não fosse motivo de orgulho, pra nenhuma das duas! – Retrucou com voz amarga.

"Eis aí, outra ressentida, com Letitia!", pensou Sara. "Desse jeito a lista de suspeitos, caberá no catálogo telefônico!". Mary prosseguiu:

- Ela era uma mocinha esperta, muito esforçada e com um grande talento. A família não tinha muitas posses, mas fazia questão das aulas de balé. Até que o pai morreu, num assalto e a mãe, que já tinha problemas de saúde, morreu, depois de pouco tempo, deixando Letitia e a irmã, duas crianças ainda, para eu cuidar.

Sara percebeu que aquela conversa, seria longa, então desencostou duas cadeiras da bancada, fez Mary sentar-se numa e pegou a outra, pra si.

- O sobrenome dela de solteira, era Brown: eu era "a irmã do pai que não se casou", no entanto, fui eu que cuidei das duas quando os pais morreram. Nada lhes faltou, inclusive as aulas de balé de Letitia. Não me arrependo, pois Letitia, realmente, tinha talento. Mais tarde minha vida sofreu um revés, e ela arrumou para eu e a irmã dela, trabalharmos aqui.

- A irmã dela trabalha aqui? – Espantou-se Sara.

- Sim, no momento é figurinista, Lenora Brown, mas ela começou como uma simples costureirinha Ninguém aqui, sabe do nosso parentesco, a não ser Dick Shawn – e Mary fez um gesto querendo dizer que a opinião dele, pouco valia. – Letitia não queria, acho que se envergonhava de nós.

- Falando em marido... Ele está em alguma fotografia?