And it's whispered that soon if we all call the
tune
Then the piper will lead us to reason.
And a new day
will dawn for those who stand long
And the forests will echo with laughter.
Led
Zeppelin — Stairway to Heaven
Capítulo 8 — O Verão dos Problemas
— Andie! — Suspirei, tentei me esforçar com minhas caixas, desejando ter trazido um elfo doméstico ou ao menos um guarda-chuva em minha pressa para deixar a casa. Em vez disso eu parecia ter me jogado à mercê da última pessoa que queria encontrar com meus cabelos emplastrados em meu rosto e minhas roupas ensopadas. Mas antes que pudesse protestar, eu estava na porta da loja mais próxima e aliviada de minhas sacolas.
— E ai, Andie? O que uma garota legal como você está fazendo numa tempestade dessas? — Tonks me examinou minuciosamente com olhos castanhos divertidos.
Por um momento fiquei surpresa por vê-lo sozinho: ele estava sempre ao menos com Frank e Alice, freqüentemente junto de um grupinho de pessoas irritantemente grande para um sangue ruim arrogante.
— Na boa, você está um trapo — ele sorriu de orelha a orelha e eu me senti confusa, irritação subindo a meu peito. Os outros garotos pareciam ser atraídos por minha beleza, mas Ted Tonks a ignorava completamente. Uma vez, na aula de Aritmancia, eu tinha (o que eu vigorosamente disse a mim mesma que tinha sido vontade da ciência) desabotoado os botões superiores de minha blusa e posto a mão em minhas costas arqueadas de um jeito que meus seios se sobressaíam como Narcissa tinha me ensinado. Tonks tinha só olhado levemente alarmado e divertido ao mesmo tempo e murmurado suavemente algo como eu estar tentando amaldiçoá-lo. Eu também objetei por minha aparência estar sendo criticada por alguém que usava jeans trouxas desbotadas e um suéter remendado.
— Na boa, Tonks, você está me perseguindo ou algo do tipo? — vociferei e saí da frente da porta assim que um grupo de pessoas passou correndo espirrando água enlameada nas minhas roupas. Tonks parecia estar fazendo uma força enorme para não rir e pegou minha mão, me puxando para a rua.
— Na boa, Andie, você está querendo ficar com hipotermia ou algo do tipo? — disse ele energético, revirando os olhos, e continuando a me puxar.
— Com licença, mas eu não preciso de um cavaleiro numa armadura brilhante, muito menos se for você! — respondi bruscamente e o empurrei quando um raio de luz estalou agourento atrás de mim.
— Cacete! Vem, Andie! — ele gritou enquanto o grupo de pessoas corria para a porta e eu corri para acompanhá-lo.
É estranho olhar para trás e ver que antigamente as coisas costumavam ser mais intensas. Os verões eram sempre mais quentes e longos, e os invernos eram sempre mais frios e selvagens. O verão anterior ao meu décimo quinto aniversário parecia que nunca ia acabar. O ar daquele verão exalava problemas. Nas varandas dos cafés do Beco Diagonal o calor se aproximava e a conversa acalorada se encaminhava para política. As manchetes do Profeta Diário resplandeciam em grandes letras agourentas e estávamos em Grimmauld Place denovo enquanto a tempestade desabava à nossa volta. O Departamento de Controle dos Artefatos Trouxas, em conseqüência da queda da economia e do aumento de ataques aos trouxas, estava tentando implementar um novo "Projeto de Lei de Proteção aos Trouxas", separando dolorosamente o Ministério da Magia e toda a comunidade bruxa em dois. Todos esperavam que os Cavaleiros de Walpurgis agissem; a questão que parecia pairar no ar constantemente era como agir.
Mas, como Narcissa tinha dito com uma fungada, "política é política, homens e seus pequenos divertimentos. Por que isso nos afetaria?". Além disso, o verão dos problemas trouxe novos empecilhos: como se desencadeado pela tensão do ar, o mundo parecia ter emergido em tecnicolor. Os jovens e idealistas escreviam artigos, davam festas políticas, se reuniam publicamente nas ruas. No calor as pessoas começaram a encurtar suas roupas como trouxas, fazendo a imprensa mais conservadora fazer predições apocalípticas sobre o início do fim. As primeiras bandas bruxas estavam aparecendo: os Hobgoblings faziam as garotas gritarem e Sirius se trancava em seu quarto com uma panela e nossas varinhas numa tentativa de imitar o vocalista Stubby Boardman. Embora ainda fossemos fãs de coração dos Beatles, apreciávamos a recém-descoberta liberdade.
Rodolphus ficava do outro lado da rua tacando pedras na janela e fazendo uma Bella risonha pôr a cabeça para fora da janela e chamar com uma voz falsa "Romeu! Oh, Romeu!" e ai trepava na calha e destrancava a porta da frente, fazendo-a ceder, apesar do sistema de segurança da família. Íamos para O Coven, a casa noturna bruxa que tinha aberto há uns meses atrás e era o novo centro de diversões dos ricos e jovens; íamos lá às vezes, apesar de sermos menores de idade. Os garotos nos levavam furtivamente para dentro com seus braços em torno dos nossos, embora parecêssemos mais velhas com nossos olhos realçados de preto. Meu vestido era curto e de seda vermelha com uma anágua justa, de malha preta, que se sacudia quando eu dançava. As noites se mesclavam formando uma só enquanto dançávamos, riamos, fumávamos, bebíamos e beijávamos, embora só Bella fizesse os três últimos, terminando em milhões de cantinhos com milhões de garotos diferentes, escapando por pouco de ser pega pelo i TheQuibbler /i em posições indignas. Ela parecia quase faminta em seus beijos frenéticos — contudo, para quê? Narcissa ficava quieta e a segurava enquanto ela vomitava. Rodolphus ria, para ele Bella era só um joguinho bonitinho a ser ganho. Quando Sirius ouvia sobre isso ficava anormalmente mal-humorado. Nós chegávamos em casa e caíamos na cama, mal dormíamos e descíamos as escadas para sermos boas garotas para os amigos de nossos pais. Entornávamos o chá e nos espreitávamos nas sombras como Narcissa, que estava confiante que seria a debutante mais celebrada no próximo inverno, era escrutinada. E então a conversa se voltava para política e éramos mandadas embora, trancando-nos na velha enfermaria. Eu me deitava na cama e observava Narcissa ensinar Reggie a dançar, valsando lentamente ao som de "Twist and Shout". Bella se deitava na cama e lia livros de Artes das Trevas, marcando seus feitiços favoritos com pétalas de rosa carmesins enquanto balançava os pés. Tio Alphard mandara um Atlas e Sirius dizia nomes a toda hora quando os via...
— Transilvânia?
Bella contava o dinheiro na caixinha de jóias.
— Muito frio.
— Burma.
— Muito caro.
— Tio Alphard disse que lá tem gente com pescoços que nem de girafas... Você não pode penhorar alguma coisa?
— E viver à custa da família? — Bella bufou com um estremecimento. — Posso também estar casada.
E então o verão passou como um sonho.
Bella estava impaciente naquele verão. Tinha catorze anos, era morena e bonita, e as cabeças se viravam quando ela passava. Eu sentia isso quando ela dormia ao meu lado, e via em seus olhos quando ela dançava. Quando a conversa dos garotos se voltava invariavelmente para o que chamavam de "Liga de Proteção aos Trouxas", ela, ao contrário de Narcissa, que estremecia e torcia o nariz ("Ah, Lucius, não seja nojento"), se juntava a eles rindo e repuxando o cabelo em volta de si.
Eu acho que ela quase teria sido mais feliz se tivéssemos arriscado mais sermos pegas em nossos passeios noturnos. Bella sempre gostou de os postes serem altos, mas nossos pais eram preocupados demais. Meu pai, que de qualquer jeito mal nos notava, raramente estava em casa, e quando ele e tio Órion apareceram para as refeições, a mesa de jantar virou um campo de discursos. Parecia que metade das companhias de jantar de nossos pais tinham se tornado obscenidades a serem discutidas venenosamente por cima da porcelana fina. Mesmo depois de recorrer a examinar o Profeta Diário, não entendíamos como Barty Crouch, um oficial do Ministério e antigo par de dança de minha mãe, tinha atraído a fúria de meu pai.
— Ele seria um tanto precipitado se não fosse o cara mais chato do mundo.
Era a última semana do verão e o céu tinha finalmente se anuviado, ensopando a terra ressecada e escorrendo pelas janelas. Estávamos sentados nas escadas, meio que escutando um caloroso debate entre meu pai e tio Rookwood. Bella estava com a cabeça apoiada no meu colo entoando encantamentos de um livro grosso e empoeirado enquanto lançava olhares sórdidos para Sirius, que estava lendo sua pilha de cartas usual e rindo esporadicamente. Pela cara de Reggie, ele parecia achar que o papel trouxa no qual metade das cartas estava escrita ia explodir a qualquer momento.
— Bella, querida... Tenha modos — disse Narcissa sem muita convicção e com um leve sorriso.
— O que você acha que ele fez, então? — perguntei.
— Talvez seja um novo liberal do sangue novo, como os Longbottom.
— Talvez você seja um grande enchedor de saco, Reggie — Sirius rolou os olhos. Seu irmão mais novo tinha passado a maior parte do verão antes de ir para Hogwarts lendo em voz alta grandes partes de "Uma Genealogia dos Bruxos" e imitando meu pai. — Eu estou cansado para cacete.
Bella deu uma gargalhada.
— Os Longbottom não são sangue novo de verdade — disse ela e Narcissa e eu trocamos um sorriso. Até a mãe de Frank, depois de ver Bella com champanhe demais na cabeça na festa de ano novo, tinha assinalado em voz alta: "Pode-se dizer que os elfos domésticos têm comentado sobre eles, não é? Aquela lá pelo menos vai terminar mal". Bella não tinha se juntado a mim em meus gemidos sobre Frank. A perspectiva de "terminar mal" a deliciara.
Ouvimos uma porta batendo e o som de passos pelo saguão.
— Quietos! Mamãe! — Narcissa exclamou e nos levantamos, mas uma gargalhada de Bella nos disse que os passos eram de outra pessoa.
Eu me recuperei primeiro, me levantando e subjugando Bella e Sirius com o olhar.
— Sr. Crouch, acho que meu pai está no escritório. Vou mandar Kreacher avisá-lo que o senhor está aqui. — Crouch acenou bruscamente, desamassando uma dobra invisível em sua roupa.
— Obrigado, Bellatrix, eu vou esperar... Ah, Black!
— Andrômeda — sussurrei.
— Crouch! — a voz de meu pai era como veludo farpado. Ele mal reparou em nós, mas o olhar de tio Augustus compensou a indiferença. Eu nunca tinha gostado muito do irmão mais velho de minha mãe, e seu mau-humor tinha piorado desde que tia Aurora finalmente sucumbira à sua doença, mesmo isto levando Evie a finalmente se casar, escolhendo criar vínculos com o medíocre Marcus Parkinson. Ele tinha se tornado uma fixação na casa, deixando uma trilha de má vontade que penetrava nas paredes como a podridão seca e deixando meu pai ocupado no escritório por horas.
— Bem, não vamos discutir isto na frente das crianças, cavalheiro — disse ele venenosamente. — Vamos entrar?
— Sim — Crouch se virou para o garotinho de cabelos cor de areia que reconheci como seu filho. — Barty, fique aqui e... — ele olhou de relance para Sirius e Bella que estavam cochichando. — Não toque em nada.
Claro que atrás de nós, no escritório, história estava sendo feita — se eu soubesse, talvez tivesse prestado mais atenção. Mas não sou uma historiadora, e essa é uma história confusa e parcial. Como se fosse, no momento em que Crouch desapareceu, Bella, depois de um aceno de Sirius, deslizou num átimo até a porta, pressionando o ouvido contra o mogno, nos silenciando violentamente numa tentativa de ouvir a conversa.
Barty Crouch Jr. ficou horrorizado.
— Meu pai disse que não é para a gente escutar às escondidas — ele chiou praticamente perdendo o equilíbrio e fazendo Sirius olhar para Regulus com uma alusão de estima nos olhos. Ele era um loirinho pequeno e nervoso que era semelhante ao pai somente no olhar de desgosto que tinha lançado às feições sombrias de Bella.
— Por Mérlin! — ela exclamou mordazmente e recuou de leve da porta. — Você não faz tudo o que o seu papai diz, ou faz? — Sirius riu apreciativo, seu tédio aparentemente sumido. Bella parecia satisfeita. Ela devia ter rolado os olhos para Sirius e seus amigos grifinórios com desgosto, e devia ter brigado e atormentado-o o verão inteiro, mas ainda assim faria qualquer coisa para entretê-lo.
— Não! — Barty protestou meio fraco demais.
— Aposto que faz, e aposto que você é o fofuchinho do papai! — ela gritou chicoteando os cabelos em deleite, passando a língua nos lábios como uma leoa fitando sua presa. — Ah, que merda de casa! Não dá para ouvir nada!
— Ouvindo às escondidas, Bella? — uma voz suave e fria ecoou pelo saguão de entrada, soltando um arrepio de frio pelo ar morno.
— Lord Voldemort! — Narcissa se levantou e estendeu a mão, sua voz só traindo uma centelha de sarcasmo no "Lord". — Que surpresa agradável! Bella, vá procurar Kreacher e...
— Procure você, Cis. Eu quero escutar isso. — Bella encostou-se à porta e se concentrou franzindo levemente a testa. Voldemort olhou de relance para Sirius, que estava abrindo um pacote de Bombas de Bosta, que eu esperava que não encontrassem seu destino no salão comunal da Sonserina, e pegou uma.
Lenta e precisamente ele a rolou até a porta onde ela atirou como um estilingue, quase acertando Crouch Junior. Bella se esquivou da porta e olhou para ela maravilhada. A expressão de Sirius mudou de hesitação para admiração.
— Não aconteceu nada. Como você...? — disse ele.
— Muito bom, Sirius. Uma pequena travessura que eu aprendi numa de minhas viagens — Voldemort sorriu. Ele era bonito por baixo de seu capuz escuro, usando a sombra como máscara. Se ele realmente era da linhagem dos Marvolo, devia ser mais velho do que aparentava, mas sua pele pálida e feições sombrias tinham uma qualidade eterna. Se não soubesse eu diria que ele era quase inumano, mas isso era... impossível?
Bella inexplicavelmente olhou de relance para Sirius.
— É tudo muito legal, mas ainda não sabemos o que está acontecendo lá — ela sentou-se num degrau.
Voldemort deu o menor dos sorrisos e disse:
— É muito simples, Bella — ele sentou-se ao lado dela de modo que suas roupas roçaram levemente nas dela, mas ela não se mexeu. Eu subitamente me perguntei como esse... homem... poderia ser amigo de Evan Rosier. Evan, que estava sempre rindo e se divertindo. Evan, que me chamava de "Miss Bonitinha".
— Seu pai — ele continuou — e certos outros querem cuidar eles mesmos da situação dos trouxas, e o Sr. Crouch e certos outros querem negociar com o Ministério — ele falou conosco como nenhum outro adulto já tinha feito e eu pude entender um flash nos olhos de Bella, porém seu tom casual e razoável mandou um arrepio irracional por minha espinha.
— E se eles continuarem a discordar? — a voz de Narcissa estava mais áspera que o normal.
— Ai vai acontecer uma separação dos caminhos, uma separação nos Cavaleiros de Walpurgis — disse ele e a face dela perdeu a mais leve partícula de cor. Eu observei Voldemort para ver sua reação, mas ele pareceu despreocupado quando encontrou meu olhar.
— E a outra Black, você que é normalmente tão cheia de perguntas?
— Uma separação dos caminhos? — perguntei apreensiva. — O que isso significa?
Ele olhou diretamente para mim como se estivesse tentando ler minha alma, e captei o menor franzimento de sobrancelhas, como se ele não tivesse gostado do que encontrou, antes de ele sorrir denovo tão caloroso quanto antes.
— Nada — disse ele — com o que sua linda cabecinha deva se preocupar... Ah, Phillius, você tem crianças extremamente perceptivas.
— Completamente — disse meu pai da porta do escritório. Crouch saiu do lado dele, o rosto branco de raiva.
— Barty... Estamos indo embora — seu filho pulou de onde estava escutando Voldemort com uma atenção arrebatada, como se ele fosse um criminoso capturado por um dos aurores de seu pai e se apressou atrás dele. Meu pai assistiu os dois saírem, sua face rígida.
— Bem, Riddle — latiu ele. — Aconteceu, é melhor você entrar. — A expressão de Voldemort de repente ficou grave e ele se levantou. Porém, quando se dirigia à porta, ele virou-se para mim e deu um sorriso completamente diferente, um sorriso frio, satisfeito e examinador. Ele planejou isso, pensei e imediatamente tirei o pensamento de minha cabeça de tão ridículo que era. De repente uma urgência de correr tomou conta de mim, de ir embora, sair daquela casa.
— Vocês viram aquele negócio que ele fez com a Bomba de Bosta? — Sirius exclamou.
— Sim, ele é muito encantador para um mestiço — Narcissa disse com uma voz meio fria de repúdio.
— Rodolphus o acha maravilhoso — Bella passou as mãos em volta das pernas, os olhos ilegíveis.
— Sim — Narcissa franziu o cenho. — Lucius também. Meda, aonde você vai?
— Comprar coisas para a escola — eu disse vestindo minha capa.
— Não seja besta, olhe lá fora. A gente manda um elfo amanhã.
— Eu vou ficar bem, acho que preciso de um pouco de ar fresco — eu disse me dirigindo para a porta.
— Uma separação dos caminhos — ouvi Sirius dizer enquanto andava pelo corredor. — Me pergunto o que significa isso.
— Bem, isso não pode nos afetar, pode? — a voz de Narcissa se dispersou no vento quando eu fechei a porta.
Uma hora depois, sentada numa barraca na Florean Forstecue e tremendo sobre uma xícara de café quente, eu estava com frio demais para me importar se estava tendo que passar tempo fora da escola com pessoas como Ted Tonks.
— Então, Andie...
— Para a sua informação, Tonks, eu não estou com a mínima vontade de conversar com você. Só estou aqui porque não quero que meu rímel saia. Então eu adoraria se só ficássemos em silêncio até parar de chover. E não me chame de Andie.
— Drommie? — ele perguntou com um sorriso sub-reptício.
— Não — eu disse.
— Meaddie? Meda Moo?
— Não — eu disse sorrindo levemente. — Todos esses apelidos são imaturos e ofensivos.
— Sangue ruim também é — ele disse com uma sobrancelha erguida.
— Eu não te chamo mais assim — eu disse tranqüila.
— Aham! Por quê?
— Se quer saber, é por causa do Sirius. Ele me olha toda vez que eu falo isso, ele está...
— Caidinho pela Lily? Ele é um garoto inacreditavelmente... sutil, seu primo. Acho que a escola inteira deve saber.
Bella tinha atormentado Sirius o verão inteiro por causa da "namoradinhazinha sangue ruim" dele. Ele tinha recebido um berrador de meu pai, que resolvera que já era hora de retificar o comportamento do herdeiro da linhagem dos Black, colocando uma Azaração para Rebater Bicho-Papão em Bella, que foi apanhada de surpresa. Depois, ela, para a surpresa de ninguém a não ser dela mesma, destrancou a porta do sótão onde ele estava trancado e apareceu depois corada e com as roupas amarrotadas. Para Bella não havia o meio termo, o mundo estava separado em aqueles que ela amava com paixão (eu, Narcissa, Rodolphus) e aqueles que ela detestava e de quem se vingaria (mamãe, tia Eugênia, Dorcas Meadowes e a maioria do corpo docente de Hogwarts). Sirius era sempre a exceção de todas as regras; ela o adorava com todas as fibras de seu corpo e o detestava com o mesmo fervor, normalmente ao mesmo tempo. Não era surpresa que esses sentimentos freqüentemente se tornassem físicos.
— Bem, melhor ele esquecer dela logo.
— Por quê? Espere, deixe-me adivinhar... Ela não é boa o suficiente para o sangue tão puro dele?
— Não, não acho que eles liguem para com quem nós brincamos desde que brinquemos. Mas Sirius não é só o garoto mais popular de seu ano, ele é o herdeiro da fortuna dos Black. Não tenho nada contra Evans, mas ela não é material casável.
— Você é uma pessoa inacreditavelmente romântica, não acha?
— Só estou dizendo a verdade, é assim que são as regras.
— E você acha que Sirius vai burlar as regras?
Eu sorri.
— Você sabe como ele é. Ele vai ficar um inferno esse ano agora que sabe que eu sou monitora. Você também é, não é? — eu disse e de repente me lembrei de uma conversa que tinha tido com meu pai.
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Meu pai tinha me chamado à biblioteca no meio das férias para me dar as notícias.
— Então — disse ele malignamente, depois de me entregar meu distintivo e as instruções que vieram junto. — Seu diretor amante de trouxas maluco se superou esse ano. Nunca vi tantos mestiços numa fornada só de monitores. — Pelo barulho do porta guarda-chuva eu tinha total certeza de que Bella tinha acabado de subir as escadas para escutar às escondidas.
— Não, pai? — eu disse me perguntando quanto tempo isto duraria. Lá em cima eu estava totalmente mergulhada em Aritmancia Avançada e estava desejando voltar para lá. Ele me ignorou, reprovando a lista em suas mãos.
— Nott... bem, é alguma coisa. Os Longbottom são uns intrometidos, mas pelo menos são sangue puro. Os De Winter são uma boa família... não da nossa classe, é claro. Prewett? — ele cuspiu.
— Gideon — eu disse. — Ele é da Grifinória e joga quadribol — como estava sendo caridosa, eu não mencionei que ele tinha uma queda óbvia por mim. O humor de meu pai não precisava ficar pior.
— Ele é um mestiço. Weasley... essa família vulgar não faz outra coisa que não se reproduzir? E quem, em nome de Mérlin, é esse Tonks? — ele gritou.
— Ele é nascido trouxa — suspirei, decida de que era inútil dar qualquer informação.
— Sim, eu sei disso, garota — meu pai disse numa vozinha perigosa. — Tenho tentado persuadir> o governo para reverter essa decisão desde que me mandaram a lista. Mas parece que o próprio Dumbledore quer fazer do menino um monitor.
— Pai, ele é só um sangue ruim... Nem vale a pena perder tempo. — Independente de o quanto Tonks me irritava, eu estava certa de que ele não merecia a fúria da família em cima de sua insuspeita cabeça cacheada. Além disso, disse a mim mesma, eu precisava de alguém com quem competir.
— Ainda assim, garota, espero que você fique de olho nesse... garoto. — Me perguntei por um momento se ele tinha se esquecido do meu nome.
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— Os seus pais estão satisfeitos? — perguntei para o garoto em quem eu devia ficar de olho, decidida a não dar a ele a satisfação de saber o quanto ele aborrecia a família, muito menos de saber a interpretação horrível de Sirius de "ficar de olho". Os outros, tendo ouvido a conversa inteira de Bella, tinham adorado eu ser monitora e tinham me atacado pedindo uma festa improvisada no momento em que subi as escadas. Quando abrimos as cervejas amanteigadas, e Bella e Sirius ficaram tão bêbados com firewhisky que ela não conseguia andar em linha reta, Sirius tinha assinalado brincando que eu podia começar a competir pela posição dele de "desgraça para o antigo e nobre nome dos Black". Ninguém da família tinha sido monitor desde que a escola parara de aceitar subornos, desde que Dumbledore tinha se tornado diretor.
Tonks deu de ombros.
— Não tenho certeza de que eles realmente entendam o sistema. Suponho que os seus estejam deleitados.
— É claro — eu disse meio rápido. Na verdade eu não tinha idéia de como eles se sentiam, se é que sentiam alguma coisa, mas eu não seria acusada de ser uma "pobre garotinha rica" por Tonks, que mais especificamente tinha uma família grande, irritante, alegre e insolente, na qual todos tinham sorrisos extremamente atraentes e a habilidade de fazer os outros rirem sem motivo. — Nenhuma mulher é monitora desde a tia Nymphadora em 18...
Tonks derrubou sua xícara de café com um estrépito.
— Desculpe, tia quem? — disse ele. — Porque eu podia jurar que você acabou de dizer que Nymphadora é um nome.
— E é, ele está na família há anos. Ah, pelas barbas de Mérlin, não é nem um pouco engraçado.
— Não... não — Tonks disse entre risadas. — É fatalmente sério, porque em algum lugar realmente há pais que fariam isso com uma criança desamparada.
— Sim... os meus. É o nome do meio de Bella.
— Uau, agora eu tenho respeito por sua irmã — Tonks parou de rir. — Tem certeza de que eles não colocaram o nome dela de brincadeira?
— É óbvio que você não conhece meus pais — eu disse com um sorriso torto.
— Seu pai é o Black no papel, certo?
— Suponho que sim. Eu tento evitar política — eu disse sombria.
Tonks parou de rir.
— Ah é, nosso sistema político maravilhosamente incorrupto. Me diga, qual é a daquele Voldemort agora? — Subitamente a luz que eu vinha sentindo desde que saíra de casa desapareceu.
— Desde quando você se interessa por política bruxa? — perguntei mantendo minha voz fervorosa.
— Desde que a política bruxa começou a se interessar por mim. Você ouviu o que ele disse sobre nascidos trouxas, não ouviu? — ele parecia anormalmente sério.
Procurei em minha mente uns poucos comentários válidos.
— Sim, ele mencionou algumas vezes. Mas nem é grande coisa, é?
— Para você é fácil dizer. Suponho que você o ache maravilhoso.
— Não, Tonks! — vociferei brava batendo minha xícara de café na mesa. — Não o acho maravilhoso. Pelas barbas de Mérlin, você não consegue dizer nada decente que não sejam comentários sobre o tempo?
— Eu só supus que... — ele disse com a voz fraca.
— Supôs errado! — vociferei.
— Bem, parou de chover e... Desculpe. Especialmente quando estávamos tendo uma conversa civilizada antes disso.
— Infelizmente — eu disse fria. — Contudo, por sorte isso não quer dizer que temos que nos tornar amigos.
— Bem, graças a Deus por isso. Então nós definitivamente não somos amigos? — ele disse quando deixávamos o café.
— Não.
— Só parceiros de Aritmancia.
— Sim.
— Certo. Te vejo na escola, Andrô.
— Andrô — mordi o lábio e fiz minha cara mais irritada. — Soa como marca de produto de limpeza.
— Não é tão ruim quanto Nymphadora, que parece mais doença sexual. Tchau, Andie! — disse ele com outra gargalhada, antes de seguir na direção oposta. Fiquei parada por um momento, assistindo os arco-íris formados nas poças antes de gritar:
— Andrômeda!
O
que tem num nome? Aquilo que chamamos de rosa por qualquer outro nome teria
cheiro doce.
Romeu e Julieta –
Shakespeare
