8. Conforto e Alegria
'Severus, meu amor,
Eu nunca pensei que teria medo de falar com você algum dia. Afinal, nós prometemos um ao outro nunca mais deixarmos acontecer um mal entendido entre nós.
Mas agora estou com tanto medo do que você vai dizer, que pensei que seria melhor escrever uma carta para…'
Quando Laurel acordou assustada, ainda segurava o pergaminho em sua mão. Em algum momento após a meia-noite ela decidira que escrever uma carta para Severus seria um ato de covardia. Ela falaria com ele assim que ele voltasse para seus aposentos. Ela se sentara em uma cadeira perto do fogo, mas, de alguma forma, devia ter adormecido… A porta do quarto estava aberta e mesmo com a luz fraca ela pôde ver que a cama de quatro colunas não tinha sido tocada. Franzindo a testa ela amassou a carta e a jogou nas chamas.
Agora, isso estava se tornando ridículo! Como eles se enredaram em uma situação daquelas? Ela na sala, Severus do outro lado do corredor no laboratório de Poções - e ainda assim, parecendo estar a milhas de distância? Quando eles tinham parado de se falar?
Determinada, ela se levantou da cadeira e cuidadosamente abriu a porta do quarto para checar Jonah. O menino dormia como um anjo, os cílios longos lançando sombras sobre suas bochechas rosadas a cada movimento de sua respiração. Ela puxou o cobertor até o queixo dele e gentilmente acariciou seu cabelo, afastando-o da testa.
Então, deixando a porta aberta, endireitou os ombros e atravessou o corredor.
Severus estava de pé junto à bancada, franzindo a testa, concentrado, enquanto media um pó fino de uma colher, colocando-o em uma minúscula escala de prata. No fogo, um caldeirão fervia. Cheiros fortes estavam no ar, canela, baunilha e alguma coisa a mais que Laurel não conseguia distinguir.
Nervosa, pigarreou.
O Mestre de Poções olhou para cima, franziu a testa e levantou a mão sem uma palavra, seu gesto indicando que ela devia esperar um minuto. Quando ele terminou de pesar a quantidade exata do pó, ele o colocou no caldeirão. Então ele baixou sua varinha e encarou a mulher que ele amava.
"Laurel…"
"Eu esperei por você." ela disse simplesmente, e pelo modo como ela mordeu o lábio, ele soube que ela só estava calma na aparência.
"Eu deixei um bilhete dizendo que ia trabalhar a noite toda." ele disse. "No seu travesseiro."
"Oh." Ela sacudiu a cabeça, cansada. "Eu não fui para a cama."
Eles ficaram se olhando, os dois sem saber o que dizer.
Laurel foi a primeira a falar, mas quando o fez, sua voz tremia perigosamente. "Eu fiz alguma coisa errada, Severus?"
Ele jogou a cabeça para trás, surpreso. "Não. Não, claro que não."
"Você lamenta o fato de termos adotado Jonah?"
Ele respirou fundo e balançou a cabeça.
A frustração inundou Laurel. "Então o que é? Por que você está me evitando? Por que você trata Jonah como se ele fosse uma criatura perigosa? Ele adora você, Severus! E você o afasta todas as vezes que ele se aproxima de você!"
Todo o sangue deixou o rosto dele. A garganta de Laurel chegou a doer com as palavras de conforto que conteve para esperar a resposta dele.
"Eu sinto muito."
A voz dele não traía nenhuma emoção, e ela sentiu o coração se acelerar com uma raiva crescente. Ela não iria permitir que ele se escondesse atrás de uma posição de fria cortesia.
"Você sente muito? Por quê?" ela sibilou. "Por me deixar dormir sozinha há semanas? Por salvar a vida de Jonah?"
Severus andou para trás, deixando a bancada entre eles, como se fosse uma zona de segurança. Por que ela insistia em tornar as coisas mais difíceis para ele do que já eram?
"Eu sinto muito por não conseguir lidar com a situação." ele explicou desajeitado.
"A situação?" Laurel estreitou os olhos. "Que situação?"
Ele virou de costas e olhou para o fogo. A poção no caldeirão fervia e estava provavelmente estragada, mas ele não se importava.
"Eu sempre vou ser grato por ter tido a chance de salvar Jonah." ele disse tão suavemente que Laurel quase não ouviu.
"Então o que é, Severus?" O tom teimoso na voz dela deixava claro que ela não aceitaria que ele fugisse sem dar uma explicação. "É porque ele não é seu filho biológico?"
Ela viu como ele retesou as costas. "Eu disse a você há muito tempo atrás que não acredito em sangue."
"Então o que é?"
"Você ama Jonah. Eu sabia que isso aconteceria quando nós tivéssemos um filho." ele disse. O fogo tremeluziu e fez as sombras se movimentarem, como se fossem dançarinas escuras. Severus segurou a beira da bancada com tanta força que ela quase quebrou. "Ele é tão… vulnerável, e precisa de todo amor que puder receber. Eu sei disso melhor do que ninguém. Você nunca deixaria seu filho e você sempre vai amá-lo. Eu não acho que deveria ser de outra forma." Ele se virou e a encarou, sua expressão ainda estava dura e distante. "Quando eu disse que sinto muito, eu quis dizer que sinto muito porque é difícil para mim…"
Laurel deu a volta na bancada e segurou o braço dele. Ele estremeceu e levantou a mão para detê-la enquanto ele falava.
"Há dois anos atrás eu vivia sem amor, e não sentia falta disso. Eu nunca havia notado como o mundo era frio. Então você chegou, e me envolveu em um cobertor. E agora que estou sem isso novamente, estou congelando. Mas eu vou conseguir. Apenas leva tempo."
"Severus?" Laurel franziu a testa e dessa vez ela não ia permitir que ele se escondesse mais. "Você está pensando, de alguma maneira, que eu não amo mais você?"
Ele evitou o olhar chocado dela. "Está tudo bem. Eu só peço a você um pouco de paciência para eu me adaptar."
"Não!" ela exclamou. "Droga, Severus, você é um dos bruxos mais inteligentes que eu conheço e ainda assim você pode ser tão estúpido às vezes!"
A boca dele era uma linha dura e seus olhos penetraram nos dela.
Laurel tocou o rosto dele com muita ternura. "Severus," ela sussurrou, "o amor não é um recurso limitado. Você não precisa abrir mão de sua parte por Jonah. E você realmente pensa que eu deixaria de amar você só porque nós temos um filho agora?"
Um tremor passou pelo corpo dele e ele relaxou gradualmente.
Ela continuou, exaltada: "É justo o oposto. O amor cresce a cada momento. E não é só do meu amor que você pode ter certeza. Jonah adora você, Severus. Olhe para o rosto dele quando você entra. Para ele você é um herói que não faz nada de errado. O bruxo que faz as vassouras voarem e acende a luz apenas agitando a varinha."
"Mas eu não sei o que fazer com ele! Eu posso machucá-lo." Severus suspirou. "E eu … eu não quero que ele tenha medo de mim como eu tinha medo de meu pai."
"Você acabou de dizer que você não acredita em sangue. Não há nada de seu pai em você, meu amor. Nada."
"Jonah é tão pequeno, e eu nunca tive contato com bebês, como você pode imaginar."
Ela sorriu pelo óbvio embaraço dele. "Apenas siga seu coração, Severus. Você vai fazer a coisa certa."
"Eu entenderia se você…" ele começou, apenas para sentir Laurel cobrir sua boca com a mão dela.
"Mas eu não! Estou certa quando penso que você evitou minha cama para…"
"Para aprender a viver sem você novamente." Ele fechou os olhos. "Foi muito mais difícil do que resistir aos chamados de Voldemort, acredite."
Ele sorriu, e de repente a tensão entre eles mudou dramaticamente sem diminuir nem um pouco.
A respiração de Laurel ficou acelerada quando ela tocou o peito dele com as duas mãos. "Mas agora que nós esclarecemos isso … eu vou ter que chamar você?"
Ele a beijou, quase fora de si. Foi tão inesperado e durou por um momento que pareceu uma eternidade. Então ele a carregou e quando ele falou, sua voz era como um rugido baixo. "Na bancada ou no quarto?"
Laurel ofegou quando ele a beijou novamente, e quase chorou de alívio por tê-lo de volta. "Vamos começar aqui mesmo e continuar pelo caminho até chegarmos ao quarto, passo a passo."
No primeiro momento Serene se recusou a deixar que a batida na janela perturbasse seu sono, mas quando o barulho não parou, ela abriu os olhos. Ainda estava escuro lá fora, e mesmo com o dia amanhecendo tarde tão perto do solstício, deveria ser cinco ou seis horas da manhã.
Ela murmurou um feitiço para acender sua varinha e viu que o barulho vinha de uma coruja no batente da janela. Pulando para fora da cama, ela deixou o pássaro cansado entrar, e enquanto a mensageira se aquecia perto da lareira, Serene se enfiou debaixo das cobertas novamente e abriu o pergaminho selado, apenas para sentir outra carta menor cair em seu colo.
A carta grande era de Claire, e era uma mistura de amizade, repreensão, conselhos e gentilezas.
Serene pensou que suas cartas tinham se cruzado. Mas as chances de ter uma árvore de Natal com todos os seus enfeites eram muito boas…
Com um grande sorriso em seu rosto Serene terminou a carta de Claire – apenas para sentir a alegria se esvair quando compreendeu as últimas frases. Com dedos trêmulos ela abriu o segundo rolo de pergaminho.
Laurel ainda não tinha acordado quando ouviu um choro distante. Sonolenta, saiu da cama. Enquanto seus pés procuravam pelos chinelos, ela se abaixou para o outro lado da cama e beijou o bruxo adormecido com um sorriso indulgente. Como ele parecia jovem quando dormia, como parecia inocente, não tocado pelo mal e pelos sofrimentos da vida…
O choro vinha do quarto de Jonah, e enquanto Jonah tinha estado muito bem a noite inteira - como se ele tivesse sabido que seus pais precisavam de algumas horas de trégua - ele parecia estar tendo pesadelos agora.
Laurel sabia que às vezes ele apenas gemia e chorava um pouco e então voltava a dormir. Então ela foi até lá na ponta dos pés até o quarto dele apenas para vê-lo se debater e se virar. Se ele acordasse gritando, ela estaria por perto para consolá-lo. Quando ela estava pensando em acordá-lo antes que ele ficasse realmente mal, ouviu outro som, uma leve batida na porta.
Ela olhou para o relógio. Não eram nem sete horas, e essa era a manhã de Natal, então todos em Hogwarts deviam estar dormindo. Quando ela abriu a porta, encontrou Dobby olhando para ela, orgulhoso, entregando um rolo de pergaminho e um pequeno pacote, embrulhado em um papel colorido.
"Eu trouxe minha correspondência!" Dobby falou com um traço de excitação em sua voz.
"Que bom, Dobby!" Laurel controlou um grande bocejo. Ela não havia dormido muito a noite passada, lembrou, e o bocejo se transformou em um sorriso satisfeito. "Você quer que eu leia para você?"
"Não!" O elfo franziu a testa, uma expressão que os elfos faziam quando estavam confusos ou espantados. "Dobby sabe ler. Dobby aprendeu na escola de Srta. Claire. Dobby até escreve o nome dele, ele escreve!"
Laurel sorriu pedindo desculpas. "Sinto muito, Dobby. Eu tinha esquecido!"
A maioria dos elfos de Hogwarts podia ler e escrever muito bem, já que eram cercados por livros. O Diretor Dumbledore os encorajava a sentar nas salas de leitura quando tinham tempo livre – uma coisa que os elfos nunca iam admitir, uma vez que a leitura não era uma atividade decente para um elfo… De qualquer forma - Dobby, que não tinha crescido em Hogwarts, mas na casa de Malfoy, aparentemente havia aprendido o suficiente, na escola de Claire Winterstorm, para ler uma carta.
"Então é um cartão de Natal?" Ficar de pé no corredor tão cedo de manhã, estava acabando com a paciência de Laurel. "Harry mandou um cartão de Natal para você?"
Dobby sacudiu a cabeça, exaltado. "Harry Potter deu a Dobby um cartão pessoalmente! A carta veio de Srta. Serene."
Os olhos de Laurel se abriram com a surpresa. "Serene? Você recebeu uma carta de Serene? O que ela escreveu?"
"Ela disse Feliz Natal para Dobby." falou o elfo e abanou as orelhas. "E ela colocou outra carta na de Dobby."
Ele entregou a ela um pergaminho meio amassado e o presente, curvou a cabeça e desapareceu no corredor ainda balançando sua carta. Tremendo de curiosidade, Laurel abriu o pergaminho e leu depressa a carta de Serene. Remus tinha garantido a ela que sua amiga estava bem, embora um pouco cansada, mas só agora, lendo as palavras da própria Serene ela estava se sentindo tranqüila. Em poucas horas o estado de espírito de Laurel tinha se elevado consideravelmente. Os medos em seu coração tinham desaparecido – com nada mais do que algumas palavras. Severus ainda a amava… e sua amiga estava em segurança. Ela só podia esperar que Serene tivesse um Natal tão bonito como o dela.
Laurel guardou a carta e sacudiu a caixa com curiosidade. Devia ser um presente de Serene para Jonah…
Ela estacou, de repente petrificada quando se tornou ciente de… nada.
Silêncio.
Não havia nenhum som - e seu pequeno menino não deveria estar chorando desesperadamente? Ela o havia deixado soluçando em seu sono, há apenas alguns minutos. Agora ele já deveria estar chorando. Mas não havia nada, e quando ela correu ao quarto dele encontrou apenas o berço vazio.
Por um momento ela não conseguiu respirar, se mover ou pensar. O pânico frio ameaçava sufocá-la.
Alguém tinha levado Jonah. Alguém conseguira quebrar todas as barreiras mágicas em volta de Hogwarts, e tinha seqüestrado o menino para entregá-lo a Voldemort. Foi preciso toda a sua força para não perder o controle ao pensar no que aconteceria a seu filho se ele fosse entregue nas mãos de Peter Pettigrew.
Severus! Ela precisava acordar Severus! Ele saberia o que fazer, como encontrar Jonah…
Ela entrou no quarto como um furacão, tremendo de ansiedade, apenas para parar como se tivesse batido em uma parede invisível. Algumas batidas de coração depois, ela conseguiu compreender a cena diante de seus olhos.
Severus estava deitado espalhado na cama, Jonah seguramente apertado na curva do braço dele. A mão pequenina do menino agarrando o cabelo escuro do bruxo.
Quando Laurel se aproximou, Severus instintivamente puxou o menino mais para perto. Jonah babava no peito do pai, e Laurel teve que lutar para controlar as lágrimas. Então ela sacudiu a cabeça. Havia alguém com menos razão no mundo para chorar do que ela?
Devagar e muito delicadamente, ela levantou o edredom e escorregou para a cama pelo outro lado de Jonah. Severus, sentindo a presença dela mesmo adormecido, suspirou e procurou por ela.
"Ele chorou." o Mestre de Poções murmurou. "Eu não sabia o que fazer com ele."
Laurel piscou para afastar outro fluxo de lágrimas e roçou um beijo nos lábios dele. "Você fez a coisa certa. Eu acho."
A chuva da noite anterior tinha se transformado em neve, e quando os Lupins estavam tomando café da manhã na cozinha, a neve parecia um cobertor fino sobre o jardim e sobre a floresta.
Serene tentou protestar quando Abby encheu seu prato com uma pilha de panquecas, mas se lembrou das palavras de Remus e começou a comer.
"Remy nunca me contou que tinha irmãs." ela disse quando Jerome passou a ela uma grande tigela com café au lait.
"Remus foi nosso primeiro filho." explicou Abby e se sentou perto do marido. "Nós sempre quisemos muitos filhos. Mas então Rem foi mordido…" A voz dela tremeu um pouco. Jerome colocou a mão sobre a dela para confortá-la. "Ele estava com cinco anos de idade, e os médicos nos disseram que ele não tinha chances de sobreviver à infecção."
"Abby não aceitou aquilo." disse Jerome e Serene percebeu nas palavras dele o orgulho que ele sentia da determinação da esposa. "Nós consultamos curandeiros, feiticeiros, até veterinários Trouxas. Por dois anos, nós vivemos dia a dia, sempre esperando o pior. Mas Remus era um menino muito corajoso."
Abby tomou um gole de café e olhou para a neve que caía. "A dor da transformação é tão horrível que normalmente a criança morre um mês depois da mordida, assim que a primeira lua cheia provoca o…" ela engoliu em seco. "o lobo."
Serene estremeceu quando lembrou das numerosas cicatrizes no corpo de Remus.
Jerome bateu com o garfo de leve no prato dela. "Coma!" ele ordenou. "Ou Abby não vai contar mais nada a você."
Enquanto Serene mastigava obedientemente, Abby descreveu as várias curas que eles tentaram em Remus. "Ele gritava com medo." a mulher mais velha lembrou. "Ele não entendia o que havia de errado com ele. E uma vez transformado em lobo, nós não conseguíamos detê-lo, mesmo como o filhotinho que ele era na época."
"Nós vivíamos em uma fazenda perto de Toulouse." disse Jerome. "O prédio era muito antigo e tinha um porão romano bem profundo. Nós acolchoamos as paredes de pedra com palha, e era para onde Remus ia quando a lua o chamava."
"Em uma jaula…" Serene disse suavemente.
Abby olhou para cima, franzindo a testa. "Uma jaula? Nós nunca colocaríamos nosso filho em uma jaula!" ela protestou veementemente.
Serene corou. "Eu … Eu uma vez sonhei com Remus, há muito tempo atrás. Ele estava em uma jaula, no sonho."
Jerome sacudiu a cabeça. "Não em nossa casa. E certamente não em Hogwarts. Albus Dumbledore também não acredita em jaulas."
Ela concordou devagar. "Quando ele melhorou? Quando vocês souberam que ele ia sobreviver?"
A mãe de Remus respirou fundo, como se ainda estivesse sentindo o alívio. "Melhorou da noite para o dia. Como mágica, realmente. Quando ele estava com sete anos, de repente, ele parou de chorar todo o tempo. Ele tinha crescido um pouco, ganhado algum peso, ele voltou a sorrir novamente. E de repente, ele passou a ter uma certa…" ela levantou a cabeça e olhou para seu marido para pedir ajuda.
Jerome acenou concordando. "Uma certa autoconfiança. Mesmo quando as crianças naquele vilarejo na França não brincavam com ele."
"A escola de gramática não o aceitou quando descobriram que ele era um lobisomem. As crianças jogavam pedras nele." Abby deu de ombros, e impulsivamente Serene colocou a mão no braço dela. "Eles gritavam 'Loup garoux' para ele… Eu ainda posso ouvi-los."
"Então o FPCM me ofereceu o cargo em Sherwood." disse Jerome. "Nós nos mudamos e como o vilarejo de Littlejohn é muito pequeno para ter sua própria escola, Abby e eu ensinamos Remus."
"Assim que Remus melhorou," Abby sorriu. "eu fiquei grávida. Como se as meninas tivessem esperado até que seu irmão estivesse bem para elas virem."
"Então elas são bem mais jovens que Remus." Serene concordou. "E claro que ele foi para Hogwarts logo depois de vocês se mudarem parar Sherwood."
"Julia, nossa caçula, nasceu quando Remus fez dez anos." confirmou Abby. "Nós tínhamos planejado enviar Rem para Beauxbatons, já que Jerome é Francês. Mas eles não aceitariam um lobisomem, e nenhuma outra escola entre a Grécia e a Irlanda. Hogwarts foi a segunda instituição em que nós o inscrevemos, mas eles se recusaram a receber nosso filho, também."
"Mas..."
Jerome riu. "Mas aí nós recebemos uma carta … quando foi, Abby? Uma semana antes das aulas começarem? Albus Dumbledore se apresentara como o novo Diretor, e sua primeira tarefa na diretoria foi permitir que Remus fosse para Hogwarts." Ele se levantou da cadeira e riu ao ver o prato de Serene vazio. "Boa menina! Agora, chega dessas histórias antigas. Abby, nós temos um par de botas decentes para Serene? Nós temos que sair para encontrar a nossa árvore de Natal."
Claire olhou para Harry e para o convidado deles.
"Bem, Feliz Natal para todos nós!"
Ela levantou a taça com suco de abóbora e ambos, Harry e Castor Black seguiram o exemplo dela.
Eles estavam sentados perto do fogo em um salão do sul e esperavam que Koko tocasse o sino que os chamaria para o almoço. Como todos os anos, os elfos tinham feito os preparativos para a festa, e os deliciosos aromas que se espalhavam pela mansão eram tentadores.
Ainda assim, Harry estava com a cabeça baixa e tinha passado a última hora lendo da mesma página de uma revista de Quadribol.
Claire pegou a mão dele. "Harry? O que houve?"
Ele empurrou os óculos para cima e deu a ela um sorriso sem graça. "Nada. É só que eu…"
Ela sorriu, encorajando-o.
"Você deve lembrar que eu não fiquei muito … satisfeito quando você e Sirius se casaram." Harry franziu a testa e Claire mexeu de leve no cabelo dele.
"Mas então você foi tão…" ele corou um pouco. "tão simpática. E eu pensei que nós podíamos ser uma família, apesar de não sermos parentes."
"Mas nós somos, Harry." Claire tentou consolá-lo. "Nós somos uma família."
"Eu sei. O problema é que eu queria que tivéssemos um Natal de verdade esse ano."
"Um Natal de verdade?" perguntou Castor.
"Bem, como nos livros, você sabe." Harry explicou sem jeito." Quando a família inteira está reunida, e todos se falam e comem juntos. Só que…"
"Só que Sirius não está conosco." concluiu Claire. Algumas vezes o Feitiço Fidelius, apesar de ser necessário para salvar vidas, era cruel, especialmente para com os amigos mais chegados de Sirius.
"Eu sei, eu sou um péssimo substituto para o meu irmão." Castor sorriu. "Ainda assim, foi muito simpático de sua parte me convidar, Claire."
Ela sacudiu a cabeça. "Você também é da família. Nós devíamos nos encontrar mais vezes. E o Natal é a ocasião certa para que nos conheçamos. Então – conte-me todos os segredos de família." Ela piscou para ele. "Você devia ter trazido sua… namorada."
Castor sorriu. "Não tenho nenhuma no momento. A última que tive decidiu que não podia tolerar mais os meus defeitos."
"Então você tem defeitos? Então você não pode ser irmão de Sirius." Claire brincou e se levantou desajeitadamente. "Os Black não tem defeitos!"
Ele riu. "Bem, esse aqui tem, aparentemente. Tímido. Arrogante. Preguiçoso."
"Deveria ter ficado com aquela musicista que você gostava tanto, então." disse uma voz seca vinda da porta.
Harry pulou da cadeira. "Sirius!"
"Feliz Natal, novamente, Harry." Claire disse, sorrindo, e observou deleitada como o menino abraçava seu marido.
Castor olhou para o irmão com uma mistura de alegria e alarme. "Siri! Apesar de eu estar feliz de ver você…"
"Eu sei. Eu deveria me esconder em algum lugar… blá blá blá." Sirius deu um abraço apertado no irmão mais jovem. "Você não pode esquecer que é um Auror até depois do almoço?"
Castor sorriu e apontou para seu colarinho branco. "Eu estou de folga até a noite de Ano Novo."
Quando o sino anunciou que os elfos estavam chamando para a sala de jantar, Claire bateu as mãos. "Almoço! Eu estou com muita fome!" Ela se virou e fingiu endireitar um quadro na parede. "Vão em frente, vou estar com vocês em um segundo."
Enquanto Harry e Castor saíam, Sirius e Claire ficaram no salão por mais um minuto.
"Por que você está chorando?" perguntou Sirius preocupado.
Ela sacudiu a cabeça e fungou. "Eu estou apenas sendo sentimental. Este não é apenas o melhor Natal que Harry já teve, mas também…"
"Feliz Natal então, Sra. Black." Sirius sussurrou, quando enterrou o rosto no cabelo dela e gentilmente acariciou a barriga dela debaixo das vestes. "E para você, minha filhinha."
No final da tarde, Abby de repente parou de encher formas de torta com abóbora e creme e baixou o rolo de pastel.
"São as meninas!" ela anunciou contente e riu diante do olhar espantado de Serene. "Não, eu não sou sensitiva. Mas sou mãe!"
E realmente – em poucos minutos a sala de estar e a cozinha estavam cheias de gente, todos se abraçando e beijando quem estivesse perto. As crianças reclamavam por ser ignoradas, homens riam, mulheres implicavam com os cabelos umas das outras, enquanto Serene ficava na porta da cozinha, se sentindo subitamente tímida e sem coragem de falar.
Finalmente Jerome teve pena dela e pegou a mão dela para colocá-lo no centro do grupo.
"Pessoal, essa é nossa convidada, Serene. Ela é amiga de Remus…" ele riu e deu uma piscada para ela. "... uma amiga muito querida."
Serene corou. Jerome começou a apresentá-la aos recém chegados. – Nossas filhas: Helena e Lívia, e seus maridos, Louis e Peregrine. Helena ensina Astrologia em Beauxbatons, então vocês vão ter um bocado de assuntos para conversar. Este…" ele apontou para um menino pequeno. "é Alex, o filho mais velho de Lívia, e lá atrás, dormindo na cadeira está Maxime."
Livia sorriu, pedindo desculpas. "A viagem sobre o canal foi um pouco cansativa."
Jerome continuou. "As meninas, todas três, são de Helena. Delphine, Marguerite e Noelle."
A menina menor, uma imagem em miniatura da avó, foi até Serene e tocou a manga da roupa dela. "Eu gosto do seu vestido." ela disse com um leve sotaque francês.
"Eu também!" Uma bruxa loura entrou na sala de estar, quase caindo com o peso da capa, uma grande caixa de alaúde e várias outras peças de bagagem. Ela largou as malas, mas colocou o alaúde no sofá. "Que vergonha você não fazer nada a respeito do jeito horrível de Rem se vestir!"
"Esta," riu Jerome do grito extasiado de Abby. "é nossa filha Julia, a musicista."
"O concerto em Londres foi adiado até o final de dezembro." Julia explicou, quase sufocada pelos beijos da mãe. "Então decidi me reunir à família para o Natal."
Enquanto os membros femininos da família Lupin levavam as crianças para cima para tirarem um cochilo, os bruxos carregavam a bagagem para dentro da casa. Peregrine, um fazendeiro pelo que tinham dito a Serene, sorriu para ela.
"Elas podem ser bem opressivas de vez em quando," ele disse. "mas você acaba se acostumando!"
"Bem, eu acho que Remus vai se atrasar." comentou Jerome uma hora depois quando eles terminaram o chá. "Por que não vamos nos vestir e dirigimos até o vilarejo? Ele nos alcançará."
Serene colocou os pratos que estava lavando de lado, e lançou um feitiço para acabar de limpar a mesa e os balcões. Magia doméstica não era realmente o campo dela, mas como ela não tinha que cozinhar, isso serviria. A dor fria em seu coração se tornou mais forte quando ela teve que admitir que a sua súbita fascinação por tarefas domésticas tinha sido apenas para passar o tempo. Mas Remus não tinha voltado, e mesmo lavando todas as xícaras com suas mãos não mudaria o fato de que…
Um barulho suave na porta dos fundos a fez se virar. A porta aberta deixou entrar um pouco de ar frio. Remus estava na porta da cozinha, seu cabelo marcado de cinza respingado de neve.
Por um momento o tempo parou. Serene foi pega entre duas batidas de coração, e seus sentidos captaram todos os pequenos detalhes. Pequenos pingentes de gelo estavam derretendo nas pontas dos cílios compridos de Remus... O capuz cuidadosamente remendado da capa dele… A luz morna em seus olhos castanhos…
"Hey, Sally."
A voz dele era uma carícia, baixa e quebrou o encanto.
"Você… voltou..." Serene sacudiu a cabeça, se esquivou dele e correu da cozinha.
"Serene! Droga! O que houve?"
Remus suspirou confuso antes de segui-la até o jardim.
Nevava novamente, e as macieiras no pomar pareciam estar florescendo em pleno inverno. Serene ficou na neve e pelo tremor em seus ombros Remus pôde ver que ela estava à beira das lágrimas.
"Por que você não confia em mim?" ele perguntou suavemente.
Quando ela não respondeu, ele delicadamente pegou o ombro dela e a fez se virar para ele. Os olhos dele se estreitaram quando viu o rosto dela. "Você me magoa quando não confia em mim."
Serene piscou, afastando as lágrimas. Então ela respirou fundo, de maneira dolorosa. Ele tinha o direito de saber, mas isso não tornava tudo mais fácil...
"Meus pais…" ela começou meio atrapalhada.
Remus esperou pacientemente.
"Eu menti. Eles não estão mortos." As lágrimas provaram ser mais fortes do que a vontade dela manter algum respeito por si mesma.
Remus franziu a testa. "Mas por quê…"
"Eles não voltaram." Serene olhou para as árvores cobertas de neve, e a dor familiar da criança abandonada percorreu seu corpo como uma onda fria. "Eles prometeram que iam voltar. Mas não puderam lidar com o fato de… eu ser anormal." Soluços começaram a sacudi-la. "Eles me deixaram na clínica e nunca vieram me pegar."
"Oh, Serene!" Remus sussurrou e a puxou para seus braços. Ele a deixou enterrar o rosto no pescoço dele, e acariciou suas costas, em um gesto de consolo. "Eu sinto muito, ma coeur. Não importa o que venha a acontecer, eu sempre voltarei para você. Eu prometo. Você precisa acreditar em mim." Isso apenas fez com que ela chorasse mais alto, e Remus ficou seriamente preocupado. "Por favor, pare de chorar, meu amor. Eu não agüento isso."
Ele a abraçou por um longo tempo, até que o choro foi cessando.
"Eu sei que você não acredita no laço entre nós." ele falou suavemente. "Mas eu preciso que você entenda que eu sempre a amarei. Nada que você faça ou diga vai mudar isso. E se você não conseguir me amar, você não poderia, ao menos, tentar confiar em mim?"
Ela acenou concordando sem palavras, ainda escondendo o rosto no ombro dele.
Beijando suas pálpebras molhadas e seus lábios trêmulos, ele sussurrou no ouvido dela. "Minha família vai achar que dei uma torradeira mágica de Natal para você quando eles ouvirem você chorar desse jeito."
Serene sorriu e secou as lágrimas com as costas da mão. "Eu nem tenho um presente para você." ela fungou. "Eu não tive tempo…"
Remus deu de ombros, sorrindo, secretamente aliviado por ela ter superado o momento de desespero. Como alguém podia abandonar uma menina estava além da compreensão dele. Que idade ela teria quando fora admitida no hospital para doentes mentais para – curar – seus dons mágicos? Doze, treze? Remus se lembrava muito bem sua gratidão por um dos seus pais sempre ter estado com ele nas piores fases de sua doença.
"Eu também não tenho um presente para você." ele sorriu. "Mas acho que um beijo serve. Pelo menos no meu caso."
"Você uma vez me deu um bracelete de prata." Serene disse. Sua voz rouca de tanto chorar.
Remus estremeceu levemente com a lembrança da prata queimando sua pele.
Ela pegou a mão dele e beijou a sua palma. "Eu não pensei." ela sussurrou. "Eu sinto muito."
Ele sacudiu a cabeça. "Eu queria que você o tivesse. Fica lindo em você."
Serene pressionou a mão dele contra o seio dela, para que ele sentisse as batidas de seu coração. "Nada mais de prata." ela sussurrou. "Apenas beijos."
"Eu acho que vamos ter que adiar a entrega dos presentes." Remus suspirou, quando viu Julia acenar da cozinha. "A família Lupin quer ir para a festa e eles são um time com o qual você não deve brigar." Ele olhou para ela. Os olhos dela estavam vermelhos e inchados, mas bonitos, como sempre. "Ou você prefere não ir?"
"E perder minha primeira festa de Natal?" Serene sacudiu a cabeça e os cachos vermelhos voaram, selvagens. "Quando eu teria uma chance dessas, dançar com o solteiro mais cobiçado de Littlejohn?"
Remus zombou. "Não fique convencida, Srta. Kennedy. Eu posso ser o único solteiro entre dezesseis e sessenta anos em Littlejohn. Mas também sou pobre, um professor e um lobisomem. O que não me faz tão cobiçado afinal de contas..."
Serene roçou um beijo rápido no nariz dele. "É bom o suficiente para mim."
Segurando a mão dele, puxou-o de volta para a casa, onde Julia esperava na porta aberta da cozinha.
"Nós estamos prontos quando vocês estiverem." A bruxa loura olhou para o irmão. "Hey, Rem, vejo que você não perdeu seu toque mágico com as bruxas. Serene só teve que olhar para você e sair correndo chorando!"
Remus riu e brincou com o cabelo da irmã. "Quem é você para falar, Srta.-Eu-não-tenho-namorado-um-bruxo-decente-em-anos?"
Julia riu, cutucou-o nas costelas e empurrou os dois, Remus e Serene, para dentro da cozinha, onde o resto da família esperava por eles.
Em frente à casa esperava um enorme trenó com Falada já com as rédeas e, para o deleite de Serene, o grande cavalo usava um cordão com centenas de pequenos sinos. Jerome montava Falada, enquanto Abby verificava as crianças, genros, netos e convidados. Quando finalmente todos tinham encontrado um lugar mais ou menos confortável, Jerome se virou para Serene e deu um grande sorriso para ela.
"Como eles falam no mundo Trouxa, ma chere?" Ele segurou a grande crina de Falada e riu. "Ho Ho Ho?"
E todos os sinos soaram e o trenó escorregou na direção do vilarejo de Littlejohn.
Em seu escritório em Hogwarts, Albus Dumbledore estava sentado lendo a carta de Serene. Atrás dele, os antigos Diretores nos quadros lhe deram as costas. Eles se recusavam a falar com ele, apenas Frodric, o Ingênuo botava a língua para ele de vez em quando.
Dumbledore não ousava pensar na reação de seus colegas vivos quando ele anunciasse sua decisão, quanto mais a dos estudantes.
"Talvez eu tenha que esperar mais alguns meses." ele refletiu. "Talvez exista outra solução."
Perto da cadeira ao lado da lareira estavam meias de várias cores e materiais empilhadas. O Diretor sorriu tristemente. Levava um certo tempo plantar um pensamento na mente das pessoas. Por décadas ele tinha falado com as pessoas a respeito de meias de lã para aquecerem os pés - e nunca havia recebido nenhuma. Este ano parecia que vinte de seus amigos tinham tido a mesma idéia… Bem, um bruxo nunca teria meias suficientes, teria?
Além disso, era bem provável que ele não ganhasse nenhum presente no próximo ano.
Suspirando, ele procurou por uma pena e um pergaminho, e começou a escrever uma resposta para Serene. Laeticia de Malheur? Bem, aquele nome realmente significava alguma coisa para ele…
No caminho de volta da festa Serene sentou bem perto de Remus. O trenó estava cheio de crianças adormecidas, adultos cantando, e vários itens que eles tinham coletado no cortejo. Abby ganhou um peru vivo, pela melhor torta de abóbora, e o pobre pássaro estava sentado aos pés dela no trenó. Julia balançava seu alaúde e a pequena Noelle em seu colo, e Jerome deixava seu neto Max dirigir Falada com ele, no caso do menino passar mal novamente pela combinação de muito algodão doce, castanhas assadas e cerveja amanteigada.
Finalmente Remus se levantou e puxou uma das grandes rédeas do cavalo. "Papai, Serene e eu vamos caminhar!"
O trenó parou, e Louis ajudou Serene a pular por cima de pernas e cobertores. Ela pulou do trenó e ficou até os joelhos na neve macia.
"Remus!" ela protestou. "Você não pode estar falando sério!"
Mas enquanto ela ainda reclamava pela neve que entrava em suas botas, o trenó partiu com um último aceno dos Lupins.
Remus sorriu para ela. "Enfim sós!" ele suspirou de forma teatral. "Você foi um sucesso na festa, ma coeur."
Serene jogou sua trança para trás. "Eles apenas tentaram ser educados. Assim que perceberam que não posso cozinhar como sua mãe, nem cantar como Julia, nem conjurar fogos de artifício como Peregrine, tiveram pena de mim e…"
"E fizeram fila para dançar com você doze vezes seguidas. Eu entendo." Ele piscou para ela. "Não é de se espantar que eu tenha ficado desesperado para ficar sozinho com você."
Ela bateu os pés. "Eu aprecio seu gesto romântico, Remus, mas é uma longa caminhada até sua casa. Uma caminhada muito longa!"
Começou a nevar novamente, mas a luz da varinha de Remus era suficiente para mostrar que eles estavam na trilha deixada pelo trenó, com enormes árvores de ambos os lados.
"Eu conheço um atalho." sugeriu Remus. "Eu quero que você veja a Floresta à noite. Existem pequenas fadas de gelo que só saem perto do solstício de inverno. Você pode vê-las dançando no gelo do lago perto do grande carvalho."
"O grande carvalho?" Serene gemeu. "Remy, isto fica a milhas daqui! E é um ponto turístico, não é? Aposto que eles têm cantores de hinos lá, todos vestidos como homens de Robin Hood!"
Remus riu com vontade. "Aposto que sim." Ele ficou sério novamente. "Mas estou falando do grande carvalho real, não do que os Trouxas podem ver." Ele enrolou a capa bem apertada em volta dos ombros dela e com cuidado colocou o capuz para cobrir a cabeça dela, um gesto que Serene achou estranhamente tocante. "O Departamento de História da Magia colocou repelente contra Trouxas no verdadeiro carvalho. Você sabe como eles podem ser descuidados, especialmente quando eles vem de..." ele procurou pela expressão correta… "zônibus?" (1)
"Ônibus." Serene corrigiu sorrindo. "Eu gostaria muito de ver o carvalho real, Remus. Mas a neve está muito alta e duvido que consigamos andar mais do que poucos metros."
"Então Papai não mostrou a você como lidamos com a neve em Sherwood?"
Ela deu de ombros. "Ele apenas me disse para andar nas trilhas. Mas a neve estava apenas na altura do meu tornozelo naquele dia, e agora está atingindo meus joelhos!"
Remus procurou em sua capa e retirou um saco de papel com castanhas quentes. Ele pegou uma, a levantou e assobiou baixinho e a jogou na neve profunda da floresta. De repente a neve imaculada tremeu e diante dos olhos incrédulos de Serene uma trilha se abriu através da neve.
Remus sorriu. "Pelúcios Polares. Papai os salvou quando algum zoo em Glasgow faliu. Eles são loucos por coisas quentes."
Então eles seguiram seu caminho através da floresta silenciosa. De vez em quando Remus jogava uma castanha para frente, e algumas vezes Serene via um relance do Polar Pelúcio, cavando animado por outra castanha quente.
No carvalho de Robin eles encontraram um genuíno ballet de pequenas fadas. Remus puxou Serene para trás quando ela tentou tocar uma das pequenas criaturas.
"Elas mordem." ele avisou. "E podem ser muito malvadas, não deixe a beleza delas enganar você. Os Trouxas chamam isso de frostbite (ulceração pelo frio), mas fairybite (mordida de fada) seria mais apropriado."
Mesmo assim, a dança era uma das cenas mais encantadoras que Serene havia testemunhado. Eles ficaram abrigados sob o enorme carvalho, ouvindo a árvore cantar uma antiga canção sobre os invernos que ela já tinha visto, e então andaram de volta para o chalé de mãos dadas.
Abby tinha deixado a porta dos fundos do chalé aberta para eles e eles subiram a escada rindo como crianças. Uma vela de chama oscilante iluminava o hall de entrada.
Remus empurrou para trás o capuz da capa de Serene. As mãos dele envolveram o rosto dela, e ela quase não conseguia respirar de tanta alegria quando olhou nos olhos dele.
"Eu posso cobrar meu presente de Natal agora?" ele sussurrou.
Os lábios de Serene roçaram o canto da boca dele. "Você vai ter que desembrulhar primeiro." ela provocou delicadamente.
Ele sorriu, abriu o fecho da capa dela e a carregou para a cama dela no quarto de hóspedes. "Acho que posso lidar com isso. Sou muito habilidoso."
Continua...
(1) No original era um trocadilho entre buzzers (cigarras) e buses (ônibus).
NT: Bem, extremamente cansada hoje. Por incrível que pareça, férias também podem ser bem estressantes (principalmente quando se está procurando emprego). Por isso não vai ter agradecimentos especiais, nem respostas aos comentários maravilhosos. Antes isso do que atrasar mais ainda pra postar o capítulo, né?
Mas agradeço ainda assim a todas que me deixaram review... E como toda a série de traduções já ultrapassou 1000 hits (e o de Remus já passou longe a marca de 500), vou deixar um preview de coisinhas que estarão por vir nos próximos capítulos... Até certo ponto, depois do capítulo 11 fica complicado escolher trechos significativos sem dar nenhum spoiler.
"Eu amo você."
A voz de Remus era apenas um murmúrio, mas as palavras dele fizeram o coração dela flutuar. As mãos dele pegaram o rosto dela. Então foi ela que fechou os olhos, concentrando-se apenas no doce toque dos lábios dele. As mãos dele passeavam pela pele dela, tocando, provocando, tomando o que era dele por direito.
Com um ultimo esforço, ele a soltou, até que Serene ficasse de pé, com os joelhos trêmulos, confusa com a súbita mudança de humor dele.
Um tremor percorreu o corpo dele, como se fosse uma febre. Com um gemido de dor, ele esticou a mão e o gemido se tornou um uivo baixo, profundo o suficiente para fazer os cabelos da nuca de Serene se arrepiarem.
Ela olhou para a mão dele, em choque, sem conseguir falar. Os joelhos dela fraquejaram e ela teve que se segurar na porta.
Os ossos tinham se arrastado por baixo da pele dele, mudando o formato da palma. As unhas viraram garras. Pelo escuro… pelo escuro…
Remus fechou os olhos para controlar as lágrimas. Ele não podia encará-la. Não desse jeito.
Ben franziu a testa, irritado. Ele odiava quando ela divagava, quando a mente dela se tornava confusa e indecifrável.
"O mal que há em mim atraiu o lobo."
"E daí? Você é uma de nós. Você não tem que se envergonhar por ser má."
"Eu pensei…" Ela conteve um soluço. "Eu esperei… que a luz que há em mim tivesse atraído Remus. Mas foi justamente o oposto."
"Harry?" Sirius franziu a testa. "O que houve?"
"Claire." Harry ofegou, finalmente encontrando a voz novamente. "Ela… o bebê está chegando."
No próximo capítulo: O Concerto / Parte 1
