Capítulo 8
Os hormônios estavam em ebulição total, a libido nas alturas. Sawyer ouviu falar uma vez sobre a teoria de que assim como os outros animais, o ser humano também era capaz de produzir feromônios. Nunca acreditou muito nisso, mas agora com o corpo de Ana-Lucia deliciosamente enroscado ao seu enquanto eles trocavam beijos para lá de quentes praticamente deitados em cima do capô da Ferrari dele, mudou de opinião.
Que outra explicação poderia ter aquela atração fatal entre eles, afinal? Desde o primeiro momento Sawyer havia sentido isso. Ana-Lucia mexia com ele como nenhuma outra mulher jamais fizera, e ele tinha larga experiência no assunto. Farrista, e um namorador incorrigível, Sawyer conhecera muitas garotas, principalmente em Los Canales. Mas nenhuma absolutamente nenhuma era igual à americana de descendência cubana que agora se encontrava em seus braços. Com ou sem feromônios, a garota o atraía como um imã, seu magnetismo era predador.
- Me leva pra sua casa...- ela sussurrou com sua voz rouca e macia no ouvido dele. – Quero saber onde você mora.
- Isso é sério?- ele perguntou se afastando um pouco dela para deixá-la respirar, suas mãos, porém não a deixavam, permanecendo espalmadas em ambos os lados do voluptuoso quadril made in Cuba.
- Aham!- ela respondeu docemente e em seguida deu uma risada, que deixava bem claro seu estado de embriaguez. Ana-Lucia não tinha o hábito de beber, já bastava o alcoolismo incurável de sua mãe, seu irmãozinho Toni não precisava de duas alcoólatras dentro de casa. Mas naquela noite, porém, sentiu necessidade de beber até perder o juízo. Sentia-se muito mal por estar com Sawyer em um bar e não poder flertar com ele. O homem era o seu salvador e ela se sentia inevitavelmente atraída, mesmo acreditando dentro de seu ser que ele era um canalha aproveitador.
Por isso, quando chegaram ao bar, começou a tomar uma dose de tequila e tônica atrás da outra, para ver se o tempo passava mais rápido, mas o álcool a deixou desinibida e com a língua solta. Inexplicavelmente, Ana se sentia feliz, muito feliz ,e tudo o que queria era estar nos braços de Sawyer. Seu corpo inteiro formigava com um desejo louco que ela jamais tinha experimentara.
- Você vai me levar pra sua casa?- ela perguntou de novo, sentindo que ele lhe beijava o pescoço. Fechou os olhos àquela carícia gostosa.
- Se você quiser...- ele respondeu, enterrando o nariz nos cabelos dela e suspirando ao cheiro bom que eles tinham.
Ana-Lucia segurou o rosto dele entre as mãos e disse:
- E nós vamos fazer amor?
Sawyer sentiu uma pontada direta na virilha quando escutou aquilo e respondeu com a voz afetada pelo desejo:
- Se você quiser...nós só vamos fazer o que você quiser...
Ana-Lucia mordeu o lábio inferior.
- Eu quero!- disse por fim e Sawyer abriu um lindo sorriso, antes de sussurrar no ouvido dela.
- Não vai se arrepender, baby, eu vou fazer bem gostoso com você, a noite inteira. Vamos, ou então não vou me controlar mais e as coisas podem acontecer aqui mesmo!
Ana riu. Sawyer se levantou do capô e contou até cinco internamente para segurar a excitação até em casa, mas duvidava que conseguisse passar da sala com ela. Quando ele se levantou, Ana-Lucia permaneceu deitada no capô e o provocou entreabrindo as pernas, o que deu a Sawyer uma boa visão da calcinha branca que ela usava por baixo da mini-saia jeans.
- Calma aí, Sharon Stone! Não me provoque! Esse não é o roteiro de Instinto Selvagem. – ele a ergueu pela cintura e segurou sua mão. – Vamos entrar no bar, nos despedir do pessoal e depois iremos pra minha casa, certo?
- Cer-to!- ela respondeu soletrando, com a voz entorpecida, caminhou ao lado de Sawyer um tanto cambaleante e ele a segurou firme para que ela não caísse.
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Dentro do bar, Jack tamborilava os dedos, entediado. Paulo e Nikki cantavam em dueto "My Endless Love". Kate ria dos dois, mas dava para perceber nitidamente que ela estava preocupada com Ana-Lucia. Jack se perguntava se Sawyer não estava fazendo uma grande besteira naquele momento.
- Eles estão demorando não é?- ela comentou com Jack quando Nikki gritou o refrão da música com uma voz terrivelmente esganiçada.
- Devem estar conversando.- respondeu Jack, tentando contornar a situação.
Kate tomou um gole de seu drink e colocou a mão direita sobre a mesa. Jack colocou sua mão sobre a dela e Kate a afastou imediatamente. Mas antes que Jack pudesse dizer qualquer coisa sobre isso, Sawyer voltou ao bar de mãos dadas com Ana-Lucia. Kate se levantou de imediato da cadeira e perguntou a Ana:
- Amiga, você está bem?
- Yeah!- respondeu Ana, abraçando Sawyer.
- Nós já estamos indo.- disse ele, mas não se incomodem com a gente. Aproveitem o karaokê.
- Vocês vão pra onde?- Kate não resistiu perguntar.
- Pra casa dele.- respondeu Ana, rindo. – Nós vamos fazer amor gostoso.
O queixo de Kate caiu naquele exato momento.
- O quê?
- È...Sawyer, você está indo levar a Ana pra casa né? Eu acho que ela já está cansada.- disse Jack, tentando contornar a situação.
- Eu...- começou a dizer Sawyer, mas Ana-Lucia o interrompeu.
- Eu já disse que nós vamos pra casa dele transar.
- Ai meu Deus!- exclamou Kate. – Amiga, você bebeu demais!
- Ela passou um pouco da conta. – concordou Sawyer. – Mas eu vou tomar conta dela direitinho, não se preocupe sardenta.
O sangue de Kate ferveu naquele momento, Sawyer era realmente um abusado e pretendia se aproveitar da bebedeira de Ana-Lucia para se dar bem.
- Seu pilantra! Salafrário!- Kate gritou batendo com sua bolsa no braço de Sawyer.
- Hey, calma!- exclamou Jack quando Kate fez isso.
- Não bate nele!- gritou Ana-Lucia. – Eu já disse que quero ir pra casa dele!
- Mas Ana...- protestou Kate.
- Vamos Sawyer...- Ana pediu fazendo voz dengosa.
- Boa noite pra vocês. Até segunda-feira Kate, eu ligo pra você depois Jack.
- Sem problemas.- respondeu Jack.
Sawyer passou o braço pelos ombros de Ana, ela ajeitou sua bolsa no próprio ombro e eles deixaram o bar. Quando saíram, Kate perguntou a Jack:
- Você sabe o que ele vai fazer com ela, não sabe? Ana está bêbada, não sabe o que está fazendo. Ela vai se arrepender, eu sei que vai! O Sawyer tem uma noiva, isso é tão horrível! Por que não faz alguma coisa?
- Kate, eles são adultos, o que você quer que eu faça?- retrucou Jack.
Paulo e Nikki voltaram nesse instante.
- Ué, o Sawyer e a Ana já foram?- indagou o brasileiro.
- Já!- respondeu Kate, monossilabicamente.
- Juntos?- questionou Nikki. – Isso é estranho! O Sawyer não é noivo da Shannon? Aliás, achei esquisito ele não a ter convidado para vir aqui no karaokê.
- Isso não é da conta de vocês nem de ninguém!- disse Kate, acabando de vez com os comentários. – Eu vou indo. Boa noite pra vocês e até segunda-feira.
- Boa-noite.- responderam Paulo e Nikki em uníssono.
- Eu te levo em casa.- ofereceu Jack.
- Pode deixar que eu pego um táxi!- respondeu Kate, mal-humorada.
- Nada disso, eu vou te levar!- ele insistiu. Despediu-se de Paulo e Nikki e seguiu Kate para fora do bar.
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- Eu estou com tanto calor!- comentou Ana-Lucia quando Sawyer parou no primeiro sinal vermelho depois que eles deixaram o bar.
- Eu vou ligar o ar-condicionado.- respondeu ele, nervoso, vendo que ela abria alguns botões da blusa preta, deixando que ele entrevisse um pouco da renda do sutiã branco.
- Eu não sei por que está esquentando tanto...- disse ela, abanando-se.
- Eu sei por quê. - respondeu Sawyer, sarcasticamente avançando o sinal quando este se tornou verde.
- Não tem música nesse carro não?- perguntou Ana procurando pelo som, até que o encontrou e ligou o volume no máximo.
Trilha sonora: Wonderful(Dirty)/Ja Rule featuring R Kely and Ashanti.
- Dios, me encanta esta canción! (Deus, eu adoro essa música!).- exclamou Ana-Lucia.
"If it wasn't for the Money, cars and movie stars and jewels, and all these things I got, I wonder, hey…"
Ela começou a movimentar os quadris, sentada, e a jogar a cabeça para trás no banco do carro, mexendo nos cabelos num gesto muito sensual, acompanhando o ritmo da música. Sawyer estava suando, sua casa nunca lhe pareceu tão longe, quisera poder dirigir como Vin Diesel em Velozes e Furiosos agora.
- Cante Sawyer, cante!- ela pediu com entusiasmo.
- Would still want me? (Você ainda iria me querer?)- ele cantarolou, tinha uma bela voz.
- Want you…(Quero você!)- Ana o acompanhou no refrão.
- Would still be calling me? (Você ainda ligaria para mim?)
- Still calling you (Ainda ligaria pra você)
- You be loving me? (Você estaria me amando?)
- I'll be loving you...
Era muito irônico estar ali em seu carro último modelo cantando aquela música com aquela bela mulher ao seu lado. Sawyer já passara por aquela situação tantas vezes, tantas belas garotas em Los Canales que o queriam apenas por seu dinheiro. Seria Ana-Lucia diferente ou estaria fazendo um jogo com ele desde o começo, fazê-lo enlouquecer até que pudesse sugar tudo o que ele tinha?
No entanto, Sawyer parou de raciocinar quando Ana-Lucia se acercou dele e beijou seu pescoço, mordiscou sua orelha e suas mãos passearam perigosamente pela coxa dele, apertando. O coração dele deu um salto dentro do peito e a vista ficou turva por alguns segundos.
- Baby, não faça isso, estou dirigindo!
Ela riu e voltou a se ajeitar no seu lugar, ainda se balançando ao som da música.
- Ai, esse calor não passa! Quero tirar essa roupa!- ela tocou a saia, fazendo menção de tirá-la, mas Sawyer a impediu.
- Não amor, aqui não.- disse ele, carinhoso. – Quando chegarmos à minha casa, eu mesmo vou tirar tudinho, morena!
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Jack dirigia em silêncio e Kate ao seu lado também não falava, só conseguia pensar em Ana e na loucura que ela iria cometer aquela noite.
- Por que você não fez nada?- ela voltou a indagar a Jack.
- Porque eles são adultos.- Jack repetiu. – Ela queria ir com ele, o que eu poderia fazer?
- Ela estava bêbada Jack, não tinha a menor noção do que estava fazendo.
- Kate, não fique tão preocupada. O Sawyer não vai violentar a sua amiga, se é isso que está pensando. Ele jamais faria isso.
- E quem disse que ele irá precisar violentá-la?- retrucou Kate. – Do jeito que ela estava vai dizer sim pra tudo o que ele quiser sem pestanejar.
Nesse momento, eles chegaram ao edifício onde Kate morava. Não era suntuoso, mas com certeza era de muito bom gosto em um dos bairros de classe média de Los Angeles. Jack estacionou em frente ao prédio e disse a Kate:
- Não se preocupe com sua amiga, acredito que ela ficará bem, o Sawyer não é nenhum psicopata então acho que devemos deixar que eles decidam por si mesmos o que farão. Ao invés de ficarmos nos preocupando com eles, acho que poderíamos falar de você.
- De mim?- Kate ergueu uma sobrancelha.
- È, de você. Olha, eu tenho que te contar uma coisa. Fiquei louco por você desde a primeira vez que a vi, foi no dia seguinte ao meu retorno para LA. Eu estava comprando uma câmera, sabe, eu gosto de filmar e fotografar. Então fui testar a câmera e a primeira coisa que eu foquei foi seu rosto. Você estava conversando com alguém do outro lado da rua e eu pensei que jamais tinha visto rosto mais perfeito. Num impulso, eu cheguei a correr e tentar te alcançar, mas não consegui.
Kate abriu a boca para falar, mas Jack fez um sinal para que ela deixasse ele continuar.
- Não parei de pensar em você, daí o Sawyer, meu melhor amigo me convidou para ir a uma festa em Los Canales, lugar que eu há muito não freqüentava e eu encontrei você outra vez. Desde então, não tirei mais você da cabeça, me matriculei nas aulas de dança porque tudo o que eu quero é estar perto de você. Então, quando te chamo pra sair e você finalmente aceita, passa a noite inteira me evitando como se não me suportasse, por isso, quero que você me diga agora Kate, estou incomodando você? Quer que eu suma da sua vida?
Kate fitou os olhos castanho-esverdeados dele e viu sinceridade naquele olhar. Ele parecia realmente atarantado e aborrecido com o comportamento esquivo dela, isso era tão adorável. Não conseguiu responder nada porque no momento seguinte seus lábios encontraram os dele, ansiosos.
Jack quase teve uma vertigem quando sentiu os lábios doces de Kate sobre o seu. Lábios açucarados, ele pensou. Instintivamente, a mão dele tocou os cabelos dela e se enveredou para a nuca puxando-a mais para perto. Ele queria aprofundar o beijo, inserir sua língua dentro daquela boca adorável, mas não conseguiu. Kate manteve o beijo casto e terno e finalmente se afastou dele antes que Jack pudesse fazer alguma coisa a respeito.
- Boa noite, Jack. – foi tudo o que ela disse, com um pequeno sorriso nos lábios antes de deixar o carro e seguir em direção ao portão de seu prédio.
O beijo tinha sido simples, quase infantil, mas Jack queria gritar de tanta felicidade porque tinha conseguido uma vitória e mal podia esperar para o próximo passo, beijá-la de verdade. Não se enganara, Kate também gostava dele.
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Shannon estava em uma sala, repleta de livros de todos os tamanhos. O lugar era bonito, aconchegante e ela se sentia muito bem. Caminhava pelo lugar como se pertencesse a ele, parecia ansiosa por algo.
Ouviu passos atrás dela e sentiu um arrepio gostoso pelo corpo.
- Shannon...- disse o dono dos passos se aproximando dela. Sua voz era máscula, com um sotaque carregado que fez o corpo dela pulsar.
- Eu estou aqui, amor.- ela respondeu calmamente quando sentiu os braços dele lhe envolverem a cintura fina, apertando-a de encontro ao seu corpo. – Sayid!- ela gemeu e acordou de súbito do sonho, se remexendo na cama de um lado para o outro.
Acendeu o abajur no criado-mudo e passou as mãos pelos cabelos. Por que tivera aquele sonho? Havia ficado tão impressionada assim com o desconhecido que lhe ajudara alguns dias atrás. Era estranho, mas sempre que se lembrava dele narrando aquele poema tão lindo com seu sotaque sexy, o coração de Shannon acelerava.
Aquilo era loucura, estava comprometida e não deveria pensar em outro homem.
- Eu amo o Sawyer!- disse a si mesma.
Pegou o telefone e ligou para o noivo. Chamou, chamou e ninguém atendeu.
- Como sempre!- ela resmungou, se levantando da cama, decidida a pegar seu carro e ir passar a noite com o noivo no apartamento dele.
Desistiu, porém, e continuou deitada na cama. Sawyer tinha dito que trabalharia até tarde, devia estar muito cansado, dormindo. Ela falaria com ele no dia seguinte. Fechou os olhos e mentalizou seu homem, nada de sonhar mais com desconhecidos aquela noite.
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Sawyer entrou rapidamente com Ana-Lucia em seu prédio, sem se dar ao trabalho de cumprimentar o porteiro. Pegou o elevador e ficou se agarrando com ela até chegar à sua cobertura chiquérrima no último andar.
- Oh, você é rico!- ela ironizou quando eles entraram no apartamento dele.
O apartamento de Sawyer era maravilhoso. A sala era ampla, com móveis modernos e pinturas impressionistas na parede. O sofá vermelho de couro macio era convidativo e Ana-Lucia se jogou nele com vontade. Ficou observando por alguns segundos os vários retratos na mesinha de centro. Sawyer ainda adolescente com seus pais, fotos dele com amigos, entre eles Jack, uma foto enorme de Shannon na parede central, vestida de bailarina, dançando o lago dos cisnes.
- Ela é muito bonita!- Ana comentou observando a fotografia de Shannon.
"Oops!"- pensou Sawyer, aquele comentário poderia pôr tudo a perder e ele tratou logo de fazê-la esquecer do pequeno detalhe de que era um homem comprometido.
- Baby, gostaria de um drink?
- O que você tem aí?- indagou Ana.
- Tudo o que você quiser.- respondeu ele puxando-a pela mão.
Pegou um controle remoto e apontou para a parede, de onde surgiu um bar completo com todo o tipo de bebidas caras. Ana-Lucia alargou os olhos e disse:
- Eu quero vodka com suco de limão.
Sawyer preparou um drink para ela e outro para ele. Sentaram no sofá e começaram a beber.
- Você nasceu em Cuba?- perguntou quando ela sentou em seu colo e beijou-lhe levemente a boca.
- Sim, mas minha família veio para os Estados Unidos quando eu era muito pequena, na verdade, minha mãe veio atrás do meu pai, ele nos deixou em Havana dizendo que vinha pra Los Angeles trabalhar, mas nunca nos mandou um centavo e mama não agüentou mais esperar. Mas quando chegamos aqui, papa tinha outra família e nos deixou na pior. Mama teve que trabalhar muito para cuidar de mim e do meu irmão, começou a beber, eu tive que assumir a casa porque ela não quis mais saber de nada...
- Sinto muito.- disse ele com sinceridade acariciando o rosto dela.
- Não quero falar disso. Quiero besarte Sawyer, besame...besame...
Sawyer cobriu-lhe a boca com a sua, saboreando os lábios apimentados de Ana-Lucia. Caíram no sofá, rindo, deixando os copos de vodka de lado. Ana levantou-se do sofá e disse:
- Yo quiero bailar!- correu até o novíssimo estéreo de Sawyer e sintonizou em uma rádio qualquer.
Trilha sonora: Gasolina/ Daddy Yankee.
A batida sensual da música começou a tocar, Sawyer se ajeitou no sofá confortavelmente. Sua morena ia dançar para ele, um show particular. Ana-Lucia começou a requebrar e a passar as mãos pelo próprio corpo, provocando-o. Sawyer estava adorando tudo aquilo. Ela dançou chegando bem perto dele e virou de costas indo até o chão, para tornar a voltar rebolando na frente dele. Virou de frente e desabotoou bem devagar o restante dos botões da blusa.
- Me gusta la gasolina...dame mais gasolina...- cantou, fazendo-o sorrir. Terminou de tirar a blusa e jogou no sofá.
- Você é tão linda!- ele murmurou enchendo os olhos com a visão da lingerie branca dela. O sutiã meia-taça de renda, cuja transparência do tecido permitia que ele pudesse ver os mamilos escuros e empinados de Ana. – Seus seios são lindos!- disse ele quando ela se inclinou dando uma visão ainda mais real de seu corpo.
Ana se afastou dele dançando e o chamou com o dedo indicador. Sawyer se levantou e a seguiu como um cachorrinho bem treinado. Dançou com ela, mas de um modo bem diferente do que costumavam fazer na academia. Os passos não eram nada inocentes. Sawyer a segurava pelos quadris e descia com ela. Ana virou de costas para ele e Sawyer enlaçou seus braços na cintura dela enquanto ela requebrava.
Sawyer cheirou-lhe os cabelos e mordeu-lhe o pescoço, suas mãos passeavam pelas coxas dela, atrevidas.
- Onde você quer pôr a mão?- ela perguntou, rindo.
- Preciso responder?- rebateu ele, virando-a de frente. Afastou seus cabelos e beijou e sugou em seu pescoço.
- Isso é bom...- ela gemeu, envolvendo os braços ao redor do pescoço dele. Um de seus joelhos subiu e esbarrou propositadamente na parte mais íntima do corpo de Sawyer. Ele deixou escapar um pequeno gemido.
O clima entre eles estava cada vez mais quente. A rádio começou a tocar outra música, de batida mais suave e romântica. Sawyer a abraçou, dançando com ela naquele novo ritmo.
Trilha sonora: Chicken/Big Love/Blue Crush soundtrack.
Eles se beijaram como se não existisse mais ninguém no mundo além deles. O momento era mágico para ambos, por alguma razão que jamais saberiam de verdade. Dançaram a música toda abraçados, trocando beijos cheios de paixão. Ao final da canção, Sawyer tirou a mini-saia dela deixando-a só de lingerie e botas. Suspirou diante da beleza dela e a carregou para o quarto.
O quarto era ainda mais suntuoso que a sala. Ana-Lucia sussurrou, ainda no colo dele:
- Meu príncipe! Você que me salvou daquele homem tão mau. - seu cérebro estava no limite da embriaguez.
- Não sou um príncipe, baby...
- È sim, meu príncipe!
Sawyer a colocou delicadamente na cama. O comportamento de Ana estava sendo ousado desde que tinha subido ao palco no bar de karaokê. Mas ao mesmo tempo, ela era tão doce e romântica, tão diferente das outras garotas de Los Canales que ele conhecera.
- Se sou o seu príncipe, você é a minha princesa!- disse ele, retirando as botas dela, uma por uma.
Ana sorriu, mas levou a mão à cabeça, como se estivesse se sentindo mal.
- Você está bem, baby?
- Só um pouco tonta.- ela respondeu.
- Ainda quer fazer amor?- ele indagou, beijando a mão dela.
- Sim. .- respondeu.
Sawyer tirou a camisa e os sapatos, voltando a beijá-la. Ana-Lucia deitou na cama e olhou para ele de um jeito que fez seu coração comprimir dentro do peito, ela parecia ansiosa.
- O que foi meu dengo?- perguntou ele, tirando a calça e deitando devagar em cima dela, usando apenas a cueca de seda preta.
- Eu...- ela balbuciou. – Eu não...
- Você não o quê, princesa?
- Eu nunca fiz isso antes, eu...- o efeito da bebida começava a dar uma trégua, mas a mente se mantinha confusa.
- Como é que é? Você é virgem?- ele questionou, muito surpreso.
- Sim...- ela respondeu. – Você vai ser gentil?
- Oh Deus Ana, nós não precisamos...
- Eu quero, eu quero!- disse ela. – Mas estou com medo.
"25 anos e ainda virgem?"- gritou o cérebro de Sawyer. Estava seduzindo uma menina inocente, tirando vantagem da bebedeira dela? Que espécie de canalha era ele.
- Ana, eu acho melhor nós não fazermos nada tá bom?
- Mas você quer...
- Eu quero, mas talvez você não esteja pronta, disse que está com medo.
- Mas você pode fazer o medo passar, eu gosto de você Sawyer.
- Meu anjo, eu também gosto de você, mas eu acho que não mereço tanto. Não vou tirar a sua inocência, você merece alguém que a ame e eu...
- Eu sei, você não me ama e não quer fazer amor comigo!
Os olhos dela se encheram de lágrimas e Sawyer quase teve um troço, não estava preparado para aquela situação.
- Hey baby, não chore, hã? Eu gosto muito de você e é por isso que não quero me aproveitar de você, da sua inexperiência. Me perdoe por trazê-la aqui, eu vou te levar pra casa, tá bom?- ele disse carinhoso, enxugando as lágrimas dela.
- Não, eu não quero ir pra casa, quero ficar com você.- disse ela. – Quero dormir com você, quero fazer amor, me abraça!
Sawyer a aninhou em seu peito e beijou seus cabelos.
- È tão gostoso quando você me abraça assim. Pode tirar minha roupa se quiser e me tocar...- ela autorizou colocando uma das mãos dele em seu seio.
Ele ficou agoniado, mas controlou-se. Não ia deflorar um anjo para depois abandoná-la. Ana-Lucia era especial, Jack estava certo, ela não era como as outras garotas de Los Canales.
- Estou com tanto sono...
- Durma meu anjo, durma...- disse Sawyer, sua voz soando quase como uma canção de ninar.
Ana-Lucia adormeceu nos braços dele, confortável e satisfeita. Mas ele, ao contrário dela, não teria uma noite muito fácil. Passar a noite inteira com seu objeto de desejo nos braços, a doce e sensual garota das presilhas coloridas e não poder tocá-la era demais para ele. Mas não era nenhum pervertido, se fosse para acontecer algo entre eles, era preferível que Ana-Lucia estivesse acordada e sóbria.
Ouviu-a ressonar suavemente em seu peito e acariciou seus cabelos. Que mal haveria em tocar seus cabelos, pensou? Mas dos cabelos, desceu para o rosto, contornou a boca que tinha beijado e mordiscado tantas vezes aquela noite. Dos lábios tocou o pescoço e suas mãos desceram para o colo macio, os dedos traçando o contorno dos seios.
Afastou-se momentaneamente, precisava parar a si mesmo.
- Um Mississipi, dois Mississipi, três Mississipi, quatro Mississipi...- como por vontade própria a mão dele foi parar nas coxas dela, acariciando levemente. Ana deu um pequeno gemido em seu sono e a mão dele tremeu, mas não deixou de tocar a coxa dela. – Anjo, você está dormindo?- ele começou a reconsiderar, estava louco de desejo e a tinha em sua cama, completamente entregue a ele. Poderia começar a tocá-la bem devagar, excitá-la até que ela estivesse bem desperta e ele pudesse...
- Hummmmm...- ela gemeu e virou de bruços na cama, a visão que Sawyer teve do corpo dela nesse momento foi desesperadora. Ela ficou esparramada sob o colchão, com os cabelos negros espalhados e a lingerie branca mal cobrindo o contorno do bumbum.
Sawyer levantou-se de um salto da cama e correu para o banheiro, não iria abusar dela, de jeito nenhum. Depois de um banho frio poderia finalmente dormir ao lado de Ana-Lucia e se comportar como um cavalheiro.
Continua...
