Masami Kurumada

8. A Recepção.

Na mansão de Saori, todos já estavam presentes para recepcionar as garotas. Hyoga viera quase que arrastado por Seiya, já que não sentia a mínima vontade de sair de casa ... Ha muito tempo que seu único desejo era ficar trancado em seu apartamento e suas únicas alegrias eram seus estudos e seus projetos. Muito em breve Hyoga abandonaria os amigos, a idéia de ir embora não saía de sua cabeça, e por mais que os outros pedissem para ele desistir, nada surtia efeito. Cisne estava decidido a trabalhar em outro país, nada mais o prendia ali, as lutas haviam acabado e ninguém precisava mais do cavaleiro. Seiya e os outros buscavam formas de convencer o amigo a ficar, diziam que as coisas não seriam mais as mesmas sem ele, que eles formavam uma família e não podiam se separar ... no fundo todos sabiam que Hyoga não seria feliz vivendo sozinho. Entretanto, o cavaleiro queria ir embora para fugir daquela vida infernal que viveu, esquecer das tristezas, afastar-se desse passado que só trazia más recordações. Cisne sentia o coração mais gelado do que nunca e isso estava destruindo sua alma, sentia que precisava fugir, fugir para bem longe, aonde pudesse esconder suas feridas, esconder o verdadeiro Hyoga...

Do outro lado do salão de festas estavam Ikki e Pandora. O descontentamento de Fênix era visível, quando estava perto daquela garota não conseguia disfarçar o grande incômodo que sentia, todos percebiam sua falta de paciência com o jeito vazio de Pandora. Ikki estava se segurando para não sair correndo dali. Sentia raiva de si mesmo por ter que suportar a companhia de Pandora. Precisava urgentemente tirá-la definitivamente de sua vida. Pensava no que Shun havia dito sobre dar outra chance a garota, mas sabia que isso era impossível. Não gostava de Pandora, não sentia se quer carinho por ela. Talvez por ser tão diferente de Esmeralda, a garota não conseguia amolecer o coração endurecido de Fênix. O cavaleiro fechava os olhos e tentava imaginar que ali ao seu lado estava uma outra mulher, que não era nada parecida com Pandora. Sentiu um grande alívio quando Saori veio em sua direção e convidou sua namorada para ajudá-la a organizar a mesa de jantar. Insistiu ou implorou para que a garota fosse e avistou Hyoga em um canto da sala, bebendo algo e beliscando alguma coisa. Foi ao encontro do amigo e logo iniciaram uma conversa muito agradável, ou pelo menos mais agradável do que a companhia de Pandora.

Saori e Seiya estavam ambos muito estranhos. Desde que o cavaleiro chegou a Deusa não disse uma palavra sequer ao "amigo". Era a primeira vez que se encontravam depois do que havia ocorrido no apartamento de Seiya. Não sabiam o que dizer, tinham medo um do outro, medo da reação que podiam ter... O coração dos dois jovens apaixonados parecia querer pular para fora do peito, o amor que sentiam não cabia mais em seus corpos e por mais que tentassem não conseguiam disfarçar o brilho nos olhos quando se olhavam. Aquela situação tão incômoda atingia os ânimos dos dois e Seyka logo percebeu que aquela tristeza visível em seu irmão era por causa de Saori. Tomou a decisão de falar com a amiga, seu coração de irmã super protetora não permitiria que aquela situação continuasse e, sem que Seiya percebesse, foi até a sala de jantar e chamou Saori para uma conversa.

Será que poderíamos conversar Saori? (disse Seyka com uma expressão muito séria na face).

Claro, Seyka. (Saori parecia já saber o que a amiga ia dizer, certamente era sobre Seiya).

Acho que já deve imaginar o que quero dizer, é sobre meu irmão. Sei que não devo me intrometer mas também não posso fingir que não sei de nada, que não estou percebendo a situação de vocês dois

Ah Seyka, eu e o Seiya ... a gente ... bom ... nem sei o que dizer!

Não precisa dizer nada Saori, o sentimento de vocês dois está bem a mostra! Não adianta tentar esconder que vocês se amam. O que quero dizer é que já são bem maduros para resolverem essa situação. Quer dizer, não tenho certeza se meu irmão amadureceu mas, em todo caso, acredito que devem conversar sobre o assunto.

Eu sei que precisamos conversar, mas não tenho certeza do que dizer. Sei que amo o Seiya e também acho que esse sentimento é recíproco. Mas, algo me impede de ficar com ele, sinto como se fosse algo proibido. Será que você consegue me entender?

Eu entendo que esse sentimento de algo proibido é devido ao fato de você ser a Deusa Atena e ele, seu cavaleiro protetor. Mas as batalhas aparentemente chegaram ao fim e nada mais impede vocês de ficarem juntos. Não devem sacrificar esse sentimento tão belo por causa de tabus tão inúteis como esse. Vocês podem e devem se entregar a esse amor. Não vale a pena vocês sofrerem por acreditar nessa distancia entre vocês. Prometa que vai pensar sobre os assunto e depois conversar com meu irmão. Ele está ansioso por falar com você, eu sei bem disso.

Tudo bem, eu prometo. Quero que saiba que o que sinto por seu irmão é verdadeiro e não quero faze-lo sofrer...

A conversa foi interrompida quando Tatsume anunciou a chegada das meninas e todos foram para o salão de festas a fim de recebê-las. Quando June, Shunrei e Eire viram a maravilhosa recepção que haviam organizado para elas, ficaram emocionadas. Todas estavam realmente muito felizes por estarem ali. Mas, mais felizes ainda estavam Shun e Shiryu, que não conseguiam disfarçar a grande alegria que sentiam por estarem novamente perto da mulher que amavam.

Shun acompanhou June enquanto ela cumprimentava todos os presentes. Quando June se aproximou de Ikki, Shun percebeu um olhar diferente no irmão, aquele olhar que Ikki sempre fazia quando estava pronto para aprontar alguma coisa. Imaginou logo que seu irmão iria dizer alguma coisa que provavelmente o deixaria sem jeito perto de June. Tentou impedir a garota de encontrar o cavaleiro de Fênix, mas foi inútil.

Não vai me cumprimentar, June? – disse Ikki já se preparando para insinuar alguma coisa.

Claro. Como vai Ikki?

Bem, e você?

Muito bem, obrigada.

Meu irmão estava ansioso pelo seu retorno. Ele sempre falou muito sobre você. Agora que você está aqui, parece até que ele está muito mais feliz ... Acho que isso é amor, hein!

Ikki seu... – respondeu Shun completamente vermelho e cheio de raiva – O meu irmão sempre foi assim, muito brincalhão, não é Niisan!

O quê? Por que ficou vermelho? Eu não disse nenhuma mentira, disse!

Ah, tudo bem Shun – June também estava ficando sem graça com aquela situação pois sentia uma forte alegria por ouvir aquelas palavras de Ikki, mas não podia revelar isso logo agora, seria constrangedor para ela e para Shun – Eu vou até a Saori, ver como ela está e se precisa de ajuda com o jantar!

Muito obrigado Ikki...

Por nada, irmãozinho... Afinal de contas, alguém precisava dar um empurrãozinho nessa história, você não acha? E te conhecendo bem, sei que você jamais daria um primeiro passo!

Eu nem precisei, você fez isso por mim, né! – Shun tentava falar sério, mas era impossível. Acabou dando sorrisos que denunciaram sua completa paixão por June – Ela está linda, não está? Nem acredito que ela está aqui, do meu lado...

Não perca essa mulher, meu irmão. – Ikki agora falava sério – Com o amor não se brinca. E também não se esqueça que o amor não pode esperar! – deu um tapa no ombro do irmão e saiu rapidamente quando avistou Pandora vindo em sua direção.

Após cumprimentar todos os amigos, Shunrei resolveu apresentar Eire para cada um deles. Começou por Seiya, que como já esperava, fez mil brincadeiras com a garota e a fez sentir-se em casa. Ikki a cumprimentou com um simples "Olá", já que estava fugindo desesperadamente de Pandora. Shun, que já a havia conhecido no aeroporto, pediu desculpas pela falta de atenção do irmão. Contou a ela o motivo da fuga de Ikki, o que a fez dar boas risadas. Ao encontrar Hyoga, porém, seus olhos brilharam. Nunca havia visto um homem tão belo e ao mesmo tempo tão encantador como ele. Cisne, por sua vez, ficou perplexo com a beleza pura e doce de Eire. Seus olhos azuis tornavam seu semblante muito mais singelo, e sua voz soava como tons delicados de um bela canção. Quando Shiryu viu que Eire e Hyoga estavam frente a frente, deu uma desculpa para puxar Shunrei para um canto e deixá-los sozinhos para que se conhecessem.

E então, Eire, fez uma boa viagem? – Hyoga demonstrava um certo nervosismo na voz e sentia que sua pela já estava ficando avermelhada.

Ah, sim. A viagem foi muito boa, apesar de cansativa. Não vejo a hora de ir para o apartamento e descansar um pouco. Também estou ansiosa para ver o apartamento que recebi da herança de meus pais.

Shiryu me contou sobre o acidente de seus pais ... Eu sinto muito ... Acho que posso dizer que sei o que está sentindo, também perdi meus pais e sei o quão ruim isso é.

É verdade ... – Eire agora estava com lágrimas nos olhos – Perder meus pais foi a pior coisa que me aconteceu. Me sinto só e desamparada. Quando penso que estou sozinha no mundo, sem eles, eu me desespero.

Não fique assim – Hyoga colocou as mão sobre seus ombros num gesto de consolo – Aqui todos somos órfãos e todos sabemos o que está passando. Por isso, não se sinta só. Nós somos como uma família e você pode fazer parte dela se quiser. Estaremos prontos para ajudar, sempre que precisar...

Não contendo as lágrimas, Eire acabou deixando que elas rolassem por sua face rosada. Recebeu de Hyoga um abraço bem carinhoso que a fez se sentir protegida. O cavaleiro tinha braços fortes, mas delicados, e aquele abraço era tudo o que a garota precisava. Hyoga não sabia o que estava fazendo, se deu conta daquela cena e se sentiu envergonhado. Mau conhecia Eire e seu coração já se comportava de um jeito diferente. Sentiu o perfume da garota envolver todo o seu corpo e por um instante desejou que aquele abraço não terminasse. Quando se soltaram, estavam ambos sem jeito. Eire agradeceu pelo apoio do cavaleiro e pediu desculpas pelas lágrima derramadas. Hyoga ia dizer alguma coisa quando Saori chamou todos para jantar.

Eire foi na frente, deixando o cavaleiro de Cisne observando-a se afastar e pensando que tudo aquilo que aconteceu fez seu corpo se sentir revivido. Por alguma razão, Hyoga se sentia feliz, mas não sabia ao certo porque.

(continua ...)