Disclainer: já que eu acho desnecessário, não vou mais colocar. Gente, tá na cara que eu não inventei inuyasha, né? Nem japonês eu sei falar!

Hello, minna! Ainda de luto pela gata sumida, e só vou deixar o luto quando a) Ela voltar; oooou b) Eu arrumar outro gatinho!

É que eu tou com uma coleirinha linda, tem até plaquinha de identificação, e não tenho em quem colocar ¬¬

Bom, aqui vai mais um capítulo de O Filho da Lua (esses dias esqueci do título da minha própria fic...) fresquinho pra vocês! Fiz o possível pra fazer ele bem... maior? Melhor? Hmm...

Bom, desculpem a demora. Eu tava pensando em acordar cedo pra digitar ele e postar antes do almoço, mas... a cama tava tão boa...

Capítulo 8 – Chuva de Pedras

Kagome sentiu o frio correr-lhe a espinha. Se antes Inuyasha já era incrivelmente assustador vestindo simples roupas de um asceta então agora, trajando roupas de um oficial do exército rebelde de Shikano...

Kagome ainda mantinha os olhos fixos em Inuyasha quando um outro homem se aproximou. "Meus parabéns, rapaz! Mais uma vez nos fazendo orgulhosos!" Falou o homem de aproximadamente uns 40 anos. "Quem diria que colocaríamos as mãos na Princesa Higurashi sem precisarmos preparar uma guerra?"

Todas as pessoas presentes, homens, mulheres e até mesmo crianças e idosos, riram de alegria. Kagome sabia do remorso que o povo de Shikano sentia. Pouco antes da morte do Rei Higurashi eles haviam sido expulsos do reino de forma desonrosa e vergonhosa. Todos saíram do reino sob uma chuva de pedras e as vaias do povo de Shikon, acusados de traição contra o reino e assassinato.

Kagome ainda era muito pequena quando tudo isso aconteceu e ela pouco lembrava dessa época de sua vida. Mas ainda hoje o povo de Shikon comentava a traição, era difícil ignorar.

O homem pediu silêncio para as pessoas presentes. Inuyasha se levantou brevemente, abaixando até a altura de Kagome no chão. "Peço para que não leve isso para o lado pessoal." Sussurrou, de modo que apenas ela poderia ouvi-lo. Ele logo voltou a se sentar, enquanto que o outro homem começava um discurso.

Já estava escurecendo e algumas mulheres mais entusiasmadas se preocupavam em acender algumas luzes no local. Kagome estava com muito frio, o que era fácil de se notar, vendo os ombros nus tremendo a cada sopro de vento que passava no local. Claro que ninguém deu a menor importância. Sua mente funcionava a mil, ao mesmo tempo em que não conseguia pensar em nada. Levantou a cabeça e viu Inuyasha ainda sentado, mantendo-se sério e atento a qualquer coisa que não fosse ela. Ele estava evitando sequer olhá-la. Ela virou o corpo para poder ver as pessoas que a observavam e se arrependeu na hora: vários olhos enfurecidos brilhavam, ansiosos pelos próximos minutos.

Minutos. Ela não duraria mais do que isso.

"...E agora, finalmente, teremos nossa justiça." Falou o homem, chegando ao fim do discurso. Ele se virou para Inuyasha como se pedisse por permissão, mas Inuyasha apenas deu de ombros. O homem sorriu e se virou para Kagome. "Faremos você passar por toda vergonha e humilhação pela qual passamos, graças ao seu pai, o verdadeiro traidor." Ele concluiu, se afastando dela. Kagome se virou para olhar a multidão, finalmente sentindo lágrimas molharem sua face. Todos seguravam pedras; pequenas, mas ao montes. Alguns homens estavam com os bolsos cheios delas e crianças disputavam no chão pelas que ali se encontravam, enchendo os braços com elas e correndo até suas mães, que esperavam pelos filhos com um grande sorriso no rosto.

Kagome até entendia a vontade desse povo de vê-la morta; entendia, principalmente, o motivo pessoal da vingança de Inuyasha, apesar de não aceitar. Mas todo esse ódio que o povo de Shikano demonstrava não poderia ser resposta apenas ao fato de terem sido expulsos. Isso era demais. O que seu pai teria feito de tão ruim a esse povo?

"Inuyasha, rapaz?" pediu o homem, apenas esperando a ordem. Claro, a 'presa' ainda era de Inuyasha.

Inuyasha olhou finalmente para Kagome, mas não demorou a se ocupar observando qualquer outra coisa. "Deixe o Shippou começar, eu prometi isso a ele." Ele falou, chamando pelo mesmo. Uma mulher ajudou a criança a subir no pequeno relevo onde eles estavam, e Kagome pôde ver que a criança não devia ter mais do que 10 anos – mais novo que o irmãozinho da Sango...

O menino ficou frente à frente com Kagome, a olhando profundamente. A pequena mãozinha apertava firme a pedra que o homem lhe dera. "Pode ir, Shippou." Inuyasha falou atrás dele.

Kagome agora não conseguia parar de chorar, o desespero aumentando ainda mais com a conseqüente falta de ar. Mesmo com a vista embaçada pelas lágrimas ela pôde ver claramente o menino à sua frente. Apesar de estar com cara de raiva, Kagome não sentia nenhum ódio vindo do menino. Ela sentiu apenas tristeza e... rancor.

Shippou mordeu o lábio, se forçando a parecer forte, não chorando de raiva ali, na frente de todos, e ergueu a mão com a pedra. Kagome fechou os olhos, fazendo o possível para se proteger. Sentiu os soluços alcançarem a garganta, mas se terem como sair. Sentiu uma sensação de areia nos olhos, sem poder limpá-los. Apesar do desespero em se proteger da pedrada e do fato de que era uma criança quem a lançaria, Kagome sentia como se até mesmo o vento a machucaria, caso soprasse mais forte em seus ombros.

Todos começaram a gritar para que Shippou atirasse, e Kagome se encolheu ainda mais.

Ela sentiu uma pedra cair ao seu lado e pequenos passos saírem correndo dali.

"Hei, Shippou! Aonde você vai?" Kagome ouviu Inuyasha gritar.

Abriu os olhos, sentindo um pouco de alívio, mas logo se arrependeu: uma pedra voou certeira em sua direção, abrindo um pequeno corte em sua sobrancelha. "Esquece o Shippou, ele é um covarde!" gritou um rapaz, que deveria ser um pouco mais jovem do que ela mesma.

As outras crianças gritaram concordando com ele e começaram a lançar as pedras. A maioria errava o alvo, mas logo as mulheres e homens se uniram à vaia de pedras, e a situação ficou cada vez pior. Várias pedras começaram a atingir seu rosto, e kagome deu as costas para eles, na esperança de se proteger melhor, o que em parte não ajudou muito já que agora as pedras atingiam seus ombros nus.

Homens começaram a discutir a melhor hora para começarem as chibatadas e algumas mulheres tentavam se decidir se seria bom jogarem sakê depois disso ou não. Algumas crianças, vez ou outra, subiam até onde ela estava para jogarem terra, ou para terem certeza de que acertaria as pedradas, e velhos berravam profanidades para ela.

Kagome precisava cerrar bem os olhos para suportar a dor das pedradas e para evitar que sangue entrasse em seus olhos; mas ela se forçou a abri-los e olhou fixamente para Inuyasha. A vaia já durava meia hora, e ela já estava acabada.

Se os olhos realmente fossem as janelas para a alma, inuyasha poderia ver claramente que os dela pediam desesperados por piedade. Mas ou eles não eram, ou Inuyasha resolveu ignorar o sofrimento da menina. Ele olhava para qualquer coisa, menos para ela. Covarde...

Kagome desistiu de tentar causar qualquer tipo de comoção naquele homem. Fechou os olhos, rezando para que aquilo acabasse logo. Preferia morrer a continuar sofrendo daquele jeito. Sentiu um líquido quente escorrer pelo seu rosto e já não sabia mais dizer se era sangue ou mais lágrimas.

Ouviu os homens se prepararem para começar as chibatadas – seriam 60, dez para cada ano de exilo. Mordeu levemente a mordaça, se preparando para o que viesse.

Inuyasha resolveu ignorar o que acontecia com a garota. Ele não era à favor de torturá-la por sua vingança, mas a questão aqui era todo a povo de Shikano. Se fosse só por ele, ela já estaria morta; mas toda a vila merecia sua chance de dar o troco. Por isso, ele apenas deixou que fizessem o que achassem certo.

Os homens já iam começar as chibatadas quando viram haver alguma agitação no meio das mulheres que assistiam. Inuyasha se levantou para ver melhor o que era, e constatou, irritado, a aproximação da velha Kaede. "Ah, droga..."

"Inuyasha! Mande já pararem com isso!" gritou a senhora, que atravessava com facilidade pela multidão, que abria espaço para ela passar.

Inuyasha apenas virou o rosto, fingindo não ouvir a senhora. Fazia isso mais por hábito que qualquer outra coisa. Kaede pegou uma pedra da mão de uma das crianças e atirou em Inuyasha, acertando-o na cabeça. Na mosca. "Velhota Kaede, por que fez isso!?" ele reclamou, passando a mão na cabeça dolorida.

"Queria ver se a sua cabeça era tão dura quanto parece." Ela falou, se aproximando de Kagome. As pessoas já haviam parado de atirar as pedras desde que a senhora Kaede apareceu, e embora tenham ficado irritados com a interrupção, ninguém ousou argumentar. Kaede olhou para a menina, já cheia de cortes e hematomas. Soltou um suspiro penoso, se virando para a multidão. "Tomem vergonha nessa cara... conseguiram se rebaixar a esse ponto? Vocês não são melhores do que eles." Falou Kaede, se abaixando até a menina, procurando por qualquer ferimento mais grave. "Senhor, é essa a sua neta?" ela perguntou em direção à multidão. O Conselheiro saiu do meio do povo, procurando abrir espaço como podia, enquanto que o homem barbudo que o chamou no bar o guiava. O Conselheiro quase surtou ao ver a neta.

"Kagome!"

Kagome já não tinha forças para se mexer. Apenas abriu os olhos, esperando ver o avô à sua frente, mostrando que ainda chorava. O Conselheiro correu até ela, se abaixando ao lado de Kaede. O rosto de Kagome estava todo cortado e um fio de sangue escorria de sua cabeça, passando por um de seus olhos e percorrendo o rosto. Suas costas e pernas se encontravam e situação semelhante. O Conselheiro não sabia se abraçava a neta, feliz por vê-la viva, ou se evitava isso, para não machucá-la ainda mais. "Perdoe-me, Kagome... não imaginei que isso fosse acontecer..." falou o velho, correndo os olhos pela neta, preocupado que houvesse algum machucado mais grave. Acreditava fielmente que Inuyasha não chegaria a esse ponto, e em conseqüência não se apressou muito em encontrar a neta. "Perdoe-me, Kagome..."

Kaede encarou Inuyasha. Apesar de tentar se manter superior, vez ou outra, Inuyasha desviava os olhos do olhar pesado de Kaede, parecendo uma criança pega fazendo arte.

"Solte-a, Inuyasha." Mais pediu do que ordenou.

Inuyasha a encarou duramente. "Sabe muito bem que não vou fazer isso, velhota Kaede." Ele respondeu, recebendo olhares de aprovação do povo que se reunia atrás. "Essa mulher deve morrer para ao menos trazer justiça ao povo de Shikano, já que a honra nunca mais teremos de volta." Ele falou, apontando para Kagome. Ela apenas olhava para o chão, evitando ver até mesmo o próprio avô, tamanha era a vergonha que sentia.

"Inuyasha..." Kaede suspirou, parcialmente frustrada. "Asano, poderia soltá-la, sim?" perguntou a senhora, se voltando para o homem barbudo. Ignorando os protestos, Asano soltou um suspiro aliviado, indo em direção a Kagome.

Inuyasha se irritou e se colocou em frente ao homem, apontando-lhe a espada. Asano parou, mostrando o mesmo olhar frustrado de Kaede. "Abaixe isso, Inuyasha... deixe-a ir embora com o avô, eles não são capazes de fazer mais mal algum a ninguém."

Ele apenas se virou, erguendo a espada e cortando a corda que a prendia à estaca. Se abaixou, pegando a menina e colocando-a nos ombros. "Velha Kaede, não me interessa sua opinião sobre o assunto. Eu vou matá-la pela honra de meus pais, nem que para isso eu tenha que matar a senhora também, caso ouse interferir. Estou falando sério!" ele falou, caminhando para fora dali.

Vários gritos de alegria foram ouvidos do povo de Shikano, enquanto que o Conselheiro e Kaede ficaram alarmados. "Inuyasha, espere aí!" gritou a velha. Asano e os dois homens que o acompanhavam já ia avançar em direção à Inuyasha, quando o Conselheiro correu à frente de Inuyasha, que parou ao ver o senhor à sua frente. Apesar das dores quer sentia devido à idade, o Conselheiro largou a bengala, se ajoelhando e se curvando à frente de Inuyasha, de forma humilde.

"Por favor, poupe a minha neta! Ela nunca fez nada para merecer tudo isso, é uma boa menina!", pediu o velho, com as mãos lançadas ao chão e a cabeça baixa. "Ela sempre... sempre se preocupou com todos, protegeu quem ela podia. Cuidava da nossa nação justamente! Mesmo depois de ter sido maltratada pelo rei Naraku ela pensava em voltar pelo povo! O senhor acha que uma pessoa como ela mereça morrer assim!?" o senhor falava, controlando a voz chorosa, para se fazer ouvir. "Deixe-a ir, deixe-a viver a vida dela, deixe-a ser feliz, pois isso é tudo que ela merece... Por favor, senhor Inuyasha... ela não fez nada para merecer isso... Eu... Eu entendo a dor do seu povo, sei que esse é o único meio de amenizar sua cólera, então eu imploro: poupe minha netinha e me aceite em lugar dela!", pediu o homem, gritando desesperado para que Inuyasha ouvisse.

Kagome certamente ouviu. Do ombro de Inuyasha ela não reagiu, mas ouviu bem o que o avô falou, e pensou se valeria a pena viver depois de tudo isso sabendo que devia a vida ao avô. Como ela, ficando praticamente sem família no mundo, poderia viver? Que tipo de orgulho ela poderia levar à memória de seu avô? Sem o reino, sem um nome de família, sem dotes para arrumar um bom marido... que perspectivas de futuro lhe sobravam? Ela não era como Sango, que poderia viver bem nesse mundo em prol do irmão, sem a necessidade de um título de nobreza ou um marido, nem era como Ayame, que poderia conseguir o marido que quisesse, apesar dos pesares.

Como queria pedir ao avô para desistir de salvá-la... salvar sua vida agora seria o mesmo que prolongá-la apenas um mês.

Já o avô pensava diferente. Não só por já ser velho é que ele queria trocar de lugar com a neta; não, ele valorizava muito a própria vida. Mas, desde a morte da nora e do filho, Kagome se tornou a sua vida.

Inuyasha olhou para o homem à sua frente. Ele sempre teve o maior respeito pelos mais velhos – culpa por ter sido criado pela 'velhota' Kaede – e mesmo esse homem à sua frente sendo o pai da pessoa que ele mais repudiava nesse mundo, Inuyasha simplesmente não conseguia odiá-lo tanto quanto odiava o filho e a neta.

Ele simplesmente caminhou para o lado, voltando a sair dali, andando. "Um pai não deve ser culpado pelo mal que o filho fez. O senhor... é apenas pai de Shirosaki Higurashi, e não do Rei Higurashi. Não tenho nada contra a sua família, apenas contra a família real de Shikon." ele falou, voltando a sair logo em seguida. Estava atordoado com o pedido do avô de Kagome, e sabia que se continuasse muito mais tempo ali, remoendo o que escutara sobre a jovem, ele desistiria da idéia.

O Conselheiro arrumou a postura, permanecendo ajoelhado, mas ainda de cabeça baixa. Soltou um murmúrio para si mesmo, mas que Inuyasha ouviu bem. "Mas Kagome é minha família...".

Kaede suspirou, pedindo para Asano e os dois homens ajudarem o velho Conselheiro e o acomodarem em um dos quartos da hospedaria. Ela caminhou apressadamente até ficar lado a lado com Inuyasha, que ia à frente em direção à hospedaria. Olhou para a menina, que já havia desmaiado à essa altura.

"Vai mesmo matar essa criança...?"

"..." Inuyasha ficou calado por um instante. "Não hoje... quero... pensar um pouco sobre isso, e lhe perguntar uma coisa antes."

Kaede soltou outro suspiro, meio aliviado. Ela olhou para o jovem ao seu lado. "Sabe, Inuyasha, assim como um pai nem sempre tem culpa pelo filho que tem, o filho jamais terá culpa pelos pais que teve..."

Inuyasha virou a cara, irritado. "Que seja...!"

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Kagome virou o rosto, sentindo uma luz forte bater em seus olhos. Se moveu, tentando ficar mais confortável, mas acabou deitando sobre as próprias costas. Abriu rapidamente os olhos, sentindo uma ardência nas costas. "Aaaaaaiii... aiaiai!!!" gemeu, voltando a ficar de bruços. Ao virar, viu os olhos redondos de um menino olharem assustados para ela.

O menino deu um passo para trás, esbarrando um uma mesa de canto e deixando cair no chão os lençóis limpos que carregava. Saiu correndo do nada. "Ahh!! Vovó Kaede, Vovó Kaede, ela acordou!" Kagome ouviu ele gritar, se afastando apressado.

Kagome tentou se levantar, sentindo dores por todo o corpo. Olhou em volta, tentando entender onde estava. "Eu não morri...?" Ela olhou para os lados, vendo um quarto simples, quase sem decoração. Estava deitada sobre um futon estendido, e coberta com um lençol.

"Vejo que já está melhor..." falou a voz da senhora Kaede, entrando no quarto. O menino que saiu correndo à pouco estava grudado às pernas da senhora, olhando feio para Kagome. "Shippou, você deixou cair os lençóis..."

Kagome se sentou, baixando a cabeça ao ver a senhora. Estava começando a se lembrar do que aconteceu. "Onde... onde eu estou?"

Kaede arrumava as ervas que trouxe como podia, tendo um pouco de dificuldades por causa do menininho que não desgrudava. Kagome ficou confusa com a situação, mas não conseguia deixar de achar graça do menino.

"Inuyasha decidiu conversar com você antes, se é isso o que te preocupa." Falou a senhora, amassando algumas ervas.

"Ah, sim..."

"Você teve um pouco de febre noite passada, dormiu um dia inteiro por isso... mas fico feliz em ver que está melhor." Falou a senhora. Kagome permaneceu de cabeça abaixada. Tinha muitas coisas em mente para perguntar, principalmente quanto ao bem-estar de seu avô, mas decidiu ficar quieta. Estava preocupada, e não tinha certeza se realmente queria saber o que aconteceu. Kaede olhou para ela. "Seu avô está bem, se é o que quer saber."

"Ele...-"

"Ele está hospedado em um dos quartos daqui. Passou a noite toda com você." Falou a senhora, molhando um pano na infusão de ervas. "Vire-se, preciso passar isso para não infeccionar."

Kagome se virou sem reclamar; não se considerava em posição de reclamar. "Shippou, recolha os lençóis e os coloque para lavar, se estiverem sujos."

O menino soltou a senhora, correndo até os lençóis e pegando-os. Assim que saiu, Kaede ajudou Kagome a se despir. "Você está com um machucado bastante feio aqui, recomendo que durma de bruços por um tempo."

"S-sim..." Kagome falou, de costas para a senhora.

Teriam passado os minutos em silêncio, não fossem os gemidos de dor de Kagome. Ela não sabia como conversar com a senhora naquele momento, mesmo que tivesse muito o que falar. Já a senhora parecia não ver necessidade alguma de conversar.

Franzia a testa sempre que pensava em perguntar alguma coisa, sentindo os cortes do rosto doerem sempre que fazia isso. Estava realmente nervosa com o silêncio. "Ahn, a senhora é..."

"Kaede. Sou a dona desse lugar." Respondeu a velha.

"Ah sim..." calou-se novamente. Queria saber o que aconteceria agora, mas isso ela não iria perguntar mesmo. Também queria saber onde estava o carras... Inuyasha, mas também não queria se estressar perguntando disso.

"Não se preocupe... acredito que... Inuyasha não lhe fará mal algum." Falou a senhora, sentindo o nervosismo da moça. "Ele pode parecer um idiota cabeça-dura, mas é um bom rapaz."

Kagome não fez nenhum comentário, e ficaram as duas caladas até a senhora terminar de tratar de Kagome. "Descanse um pouco. Depois Shippou lhe trará algo para comer."

"Tá..."

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Inuyasha entrou na hospedaria, cumprimentando alguns homens que estavam ao bar. Estava especialmente irritado essa manhã, com todos perguntando quando seria a execução, ou se eles poderiam terminar o que estavam fazendo ainda noutra noite. E estava ainda mais irritado vendo que Kagome não acordava, atrasando ainda mais toda a ação.

Entrou na cozinha do lugar, procurando por qualquer um dos empregados, e ficou satisfeito ao ver Kaede. "Velhota, como ela está?" perguntou, mais interessado em saber se poderia logo ir falar com ela do que em saber se ela passava bem.

"Já acordou." Kaede falou, entregando uma bandeja com comida para Shippou. "Diga a ela que está quente, e que não é para comer tudo muito rápido, mesmo se estiver com fome."

O menino fechou a cara, fazendo um bico irritado, mas consentiu com a cabeça.

"Ei ei, aquilo é pra ela!?" Inuyasha perguntou irritado, vendo o menino correr com a bandeja de comida. "Por acaso ela está hospedada aqui também, é??"

"Para de se doer, Inuyasha. O avô disse que pagará todas as despesas dela." Falou Kaede, ignorando o rapaz, que já estava com vontade de fazer birra.

Inuyasha fechou a cara, se fazendo de maduro. "Que seja!"

"Você fala muito isso..." Kaede falou, irritando ainda mais o rapaz.

"Que... aahhhh! Quando que eu vou poder falar com ela!?"

"Não é você quem 'manda' aqui? Pode ir, depois que ela comer." Falou a senhora, começando a preparar o almoço dos hóspedes e dos clientes do restaurante. Inuyasha não entendeu se era pra ele se decidir ou obedecer a senhora.

Algumas moças da que ali trabalhavam entraram para ajudar.

"Ah! Senhor Inuyasha!!" gritaram em uníssono, correndo até o jovem que massageava as têmporas irritado. "Nós adoramos ver como o senhor agiu naquela noite, pena que teve que terminar..." falou uma loira, agarrada a um de seus braços. Inuyasha não teve reação, principalmente porque a morena logo fez o mesmo.

"Ficamos chateadas quando não o vimos ontem... onde esteve o dia todo?" perguntou a morena, fazendo cara de chateada.

Kaede raramente dava bola para esses ataques de emoção das empregadas, mas hoje estavam incrivelmente atrasados. "Andem logo com isso, temos muito a fazer hoje."

As duas morderam o lábio, soltando de Inuyasha e começando a trabalhar, irritadas.

Inuyasha estava ainda estressado e queria ir logo falar com a moça, mas resolveu obedecer Kaede e ir fazer outra coisa até lá.

Kaede olhou por cima do ombro, vendo o rapaz saindo da cozinha. "Onde você esteve on-" ia perguntar.

"Treinando..." respondeu curto e grosso.

"Certo..." Kaede sabia que era mentira.

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Kagome estava deitada de bruços, pensando no que fazer agora. Queria muito sair dali e ir até o avô, mas sentia que precisaria da permissão da senhora Kaede para isso. Resolveu ficar ali até sua comida chegar. Realmente, estava faminta.

Nessa hora Shippou entrou, trazendo a bandeja com comida nos braços, e empurrando a porta com as costas. "A vovó Kaede mandou isso aqui..." falou o menino, torcendo o nariz. "Ela falou que está quente, e que não é pra comer rápido..."

Kagome reconheceu o menino, da noite da chuva de pedras. Se sentou, aceitando a bandeja que ele trouxe. Shippou permaneceu sentado ali. Tinha aprendido que, nessas ocasiões, ele só poderia se retirar quando a moça terminasse e lhe entregasse a bandeja para devolver para a cozinha, ou se Kagome pedisse para ele sair dali. Era tudo educação da hospedaria, aprendera com os mais velhos, e mesmo não querendo ficar ali, ele faria o que era certo.

Kagome notou que o menino estava irritado de estar ali, e até imaginava porquê. "Você é o Shippou, estou certa?" perguntou, puxando assunto. Só queria aliviar um pouco a tensão do lugar.

Shippou apenas virou a cara. Kagome não se sentiu ofendida, sabia que isso devia ter algum motivo. "Então... você também não gosta de mim?" perguntou direta. Não queria tratar o menino como uma criança porque tinha a impressão de que o menino entendia muito bem a situação.

"Nem um pouco..." ele falou, ainda de rosto virado.

Kagome ignorou a dor que sentiu ao ouvir isso. Era muito ruim ser odiada. Principalmente por uma criança. "Ah sim... você... poderia me dizer por quê?"

Shippou olhou para ela, com a cara fechada. Kagome olhava para ele curiosa, isso seria mais uma informação valiosa para ela. Quem sabe ela não poderia concertar a situação, mesmo que fosse com uma única criança.

Shippou estava com os olhos brilhantes fixados nela, até que ele olhou para o teto, mudando a expressão do rosto. Estava confuso. "Bem... eu não..." ele olhou para ela. "... eu... não tenho muita certeza..." ele falou num fio de voz, parecendo constrangido.

Kagome, que estava bebendo um pouco de água olhou para ele. Os dois se encararam por uns segundos, até Shippou sorrir constrangido. Kagome cuspiu a água que já ia beber e começou a rir.

Shippou só olhou assustado. A moça ria graciosamente, e ele não pôde deixar de notar isso. Ela não estava rindo da idiotice dele de fazer algo tão bobo como... odiá-la por nada, ou quase nada, mas ria por alguma outra coisa. Ele começou a se envolver na risada da moça, rindo com ela.

Kagome, que já estava diminuindo as risadas, viu o menino rindo e riu junto.

"Você ta rindo do quê!?" Shippou perguntou, tentando se fazer de sério mas ainda em meio a risos. "Pára de rir da minha cara!"

"Eu não estou rindo de você, é que..." ela falou, ainda rindo um pouco. "É que você foi tão fofinho falando daquele jeito!"

Shippou corou ao ouvir isso. "Sua boba..."

"Mas... como você pode me odiar tanto se não sabe nem por que?" ela perguntou, já voltando ao normal. Na verdade, ria internamente, vendo a cara do menino irritado.

"Foi por sua culpa..." ele falou, voltando a ficar quieto. Kagome sabia que ele só estava evitando falar sobre o assunto. Ela já havia feito isso com Sango várias vezes, na esperança de conseguir alguma compaixão. O menino, ao contrário, parecia mais querer se proteger ao não falar com ela.

"Minha culpa...?" ela perguntou.

"Shippou, que que você ainda ta fazendo aqui?" Inuyasha perguntou, da porta.

Shippou ergue a cabeça e se virou, vendo o rapaz de cabelos prateados. "Tava esperando ela terminar." Ele falou, curto e grosso, parecendo uma mini-versão do Inuyasha.

"Pelo jeito ia se demorar aqui." Inuyasha comentou, ao ver que Kagome ainda não havia comido nada. "Deixa de folga e vai ajudar a velhota, antes que ela comece a reclamar..." ele falou, dando passagem para o rapazinho sair do quarto.

Shippou andou até a porta fazendo pose, e quando alcançou a porta, se virou para Kagome, meio ruborizado. "Tchau..." falou e saiu correndo.

Kagome sorriu, vendo que o menino realmente não a odiava. Devia ser o 'algo mais' que ela sentiu naquela noite. Rancor.

Inuyasha se aproximou dela, se sentando ao lado de sua cama. "Precisamos conversar." Ele falou.

Kagome se sentiu irritada com a presença do rapaz ali. Na presença de Kaede ela se sentia como se devesse algo á senhora. Mas com Inuyasha era diferente, e ela teve que controlar a língua para não xingar aquele homem ali. Ela, infelizmente, não se encontrava em posição de reclamar.

Inuyasha notou que a menina havia ficado quieta, começando a comer calmamente. "Não precisa se fazer de nobre aqui, eu ainda não vou te matar." Ele falou.

Kagome olhou para ele, vendo que ele realmente sequer veio armado – se bem que ele poderia ainda tentar estrangulá-la – e resolveu aceitar o pedido para conversa. "O que você quer de mim?"

Inuyasha sorriu. "Eu conversei com seu avô sobre sua situação e tudo mais... e ele me falou sobre o que se passa em Shikon." Kagome deixou que ele continuasse. Inuyasha queria acelerar logo a conversa. "Quanto à esse Naraku, eu acho que nós podemos fazer algo sobre isso..."

Kagome se iluminou. "Sério!?"

"Somente alguém da família real pode tomar o trono, e Naraku, apesar desse acordo idiota que você fez, não em tanto direito de permanecer lá." Kagome já ia argumentar, mas Inuyasha continuou. "Eu quero ajudar o povo de Shikon tanto quanto você, então proponho um acordo."

Kagome estava receosa disso. Ultimamente ela não estava tomando muitas boas decisões. "Diga..."

"Alguns generais de Shikano concordaram que essa era uma boa idéia. Eu não a matarei por enquanto. Irei ajudá-la a tomar o trono novamente, e você irá declarar o povo de Shikano novamente parte de Shikon, nos inocentando de toda e qualquer acusação que tenhamos no reino."

Kagome sabia que isso era bom demais para ser verdade. "E por que exatamente vocês precisam de mim? Não podem simplesmente tomar o reino para vocês?" ela perguntou irritada. A força militar de Shikano, apesar de ser apenas uma 'vila' era muito eficiente. Shikano, os exilados no geral, haviam sido parte do principal exército de Shikon alguns anos atrás.

"Nós precisamos de você por ser a única herdeira do trono. Seja sincera, acha que nossa reputação melhoraria se simplesmente a limpássemos à força?" ele perguntou, com um sorriso irônico. "Se você nos inocentar, isso bastará pra nós. Além do mais, o povo de Shikon só respeitaria um governador de direito, e esse alguém seria você."

"E..." Kagome estava quase convencida. Precisava saber apenas mais duas coisas. "... o que meu avô disse a respeito?"

"Ele disse que concorda." Falou Inuyasha, fazendo pouco caso.

Kagome fingiu acreditar. "E qual o porém dessa história?"

"Como assim?"

"Vocês não iriam fazer tudo isso sem um 'porém', certo? Vocês estariam me dando tudo o que eu queria, que é proteger meu povo, e francamente eu não acho que vocês queiram que eu me saia bem dessa..." ela falou, desviando o olhar. Detestava lembrar como era odiada ali.

"Ah, sim. Quanto a isso, eles não querem nada de você, fora a declaração de inocência do povo de Shikano." Inuyasha resumiu.

"Sério?" Kagome sorriu para ele. "Só preciso fazer isso?"

Inuyasha sorriu de volta. "Pra eles sim. Ao final de tudo isso, 'porém'..." ele continuou, irônico. "... sua cabeça será minha."

Continua...

Cansei -.-'

Bom, eu termino por aqui, que acho que já tem gente querendo ler xD (eu olho os hits que a fic recebe, e eles têm aumentado nas últimas horas... acho que tem gente esperando a atualização). O próximo capítulo deve sair semana que vem, mas eu vou falar que o prazo, dessa vez, será no domingo, porque não sei se conseguirei digitar tanto até sábado :)

Reviews...

Kagome Juju-san, sou má mesmo xD nossa, vocês não fazem idéia de como era pra ser pior... eu que tenho que escrever a fic de forma 'leve' pra todo mundo poder ler! E sim, meu Inu-kun é du mal! E eu queria que ele fosse mais mauvado, mas num consigoooo!! -.- Sabe o Sessy? Eu queria um homem mau que nem ele! Mas o Inu naum se encaixa -.-''

Mira-san... só notei agora que as reviews anteriores não foram apagadas, hehe. Antigamente o apagava as reviews se eu apagasse o capítulo. Desculpinhaaa! E quanto á barreira anti-meninos, acredite, uma hora você vai ter orgulho de dizer: eu tenho! Minhas amigas todas sofrem com namoro, eu só sofro com o assédio! (faz pose de convencida). A Sango, desde a primeira vez que eu a vi, é minha ídola feminista. Numa época como aquela, se recusar a ficar com um homem logo de cara... essa mulher pode!!! hauahuabauahau!!... ahem...

Eu num desisto do 'meu' Delle naum... a Delle pode voltar sim, num sei xD Eu bem queria, ela faz tanta falta...

Agome-san, só porque sua review me comoveu... vou tentar fazer um final feliz! (mentira) ou quem sabe naum (dúvida xD). Eu vou fazer o possível para agradar você, prometo!

Lah-san, eu sei que o kiss naum foi nada romantico, era essa a idéia, hehe. Tipo, a fic pode até ter romance lá (nem sei se tá classificada como romance) mas meus romances são bem realistas. ADORARIA deixar o primeiro beijo da Kagome-chan pra algo mais... romantico, algo especial... mas -ane-se! Ele roubo mesmo e num foi legal! E não se preocupe! Eu não perdi as esperanças! (ainda) Se eu tivesse perdido, num tava a mais de 8 anos esperando meu Sony voltar, ou a mais de 5 esperando o Flan (irmão da Delle) voltar. Ou esperando uma máquina do tempo me levar de volta à época em que a Lanolina (mami da Delle) e o Pink (irmão da Delle) morreram, só pra eu poder protegê-los o.ó

perdi o mio da feada... ah é! Pode continuar com os pedidos, são todos bem vindos! E... quanto ao vovô ser profeta... sabia que você me deixou na dúvida? A fic é minha mas eu pensei: é, pode ser... xD E se preocupa não. Vai ter romance mais pela frente, mas eu não sou do tipo melosa... tipo, eu dei risada quando li Amor de Perdição (você já leu??) morreu tanta gente que no final eu tava me engasgando de rir...

E eu li até o final, tá? xD

Manu-san... ainda bem que você achou engraçado xDDD sério, eu tava rindo que nem idiota quando escrevi aquilo (to rindo agora meo...). Você não faz idéia de como foi constrangedor escrever aquilo!! Tou pensando até em arrumar alguém pra escrever as partes romanticas pra mim, porque eu acho que não consigo. (tava tentando escrever/pensar em uns capítulos futuros e eu num paro de rir, parecendo uma adolescente vendo a amiga beijar um rapaz, tentando escrever isso... me sinto tão boba -.-')

Desculpa por demorar pra postar isso, era pra estar aqui já postado desde manhã! Soooo sorry!!!

Bom, é isso gente! Me pergunto só onde está a Samy-san o.o Tava tão assustada com o atraso, achei que ela diria alguma coisa xD