Capítulo 8
"A história das três espadas! A promessa entre Zoro e Kuina!"
Agora… deixa eu perguntar isso de novo…
PORQUE RAIOS É QUE ME MANDARAM PARA O POSTO DE GUARDA?
EU TENHO MEDO DE ALTURA!
Eu. Vou. Matar. O. Zoro.
Foi ele que me pôs aqui… principalmente por causa daquela peça que eu preguei nele sair pela culatra…
A propósito… PORQUE É QUE EU ESTOU AMARRADO AQUI?
"EI! Me tirem daqui! Eu tenho acrofobia! É sério! Me tirem daqui!", enquanto tentava me soltar das cordas.
"De jeito nenhum! Vai ficar aí sentado de vigia! Da próxima vez que tentar isso de novo eu te corto em pedacinhos!"
O Luffy viu tudo aquilo se acabando de rir…
"NÃO RIA!", o Zoro gritou, p… de raiva.
Nami: "Além do mais… é a sua vez de ser o nosso vigia. Toma, pega essa luneta e veja se acha alguma ilha ou inimigos por perto."
Então eu vi uma luneta vindo e batendo na minha testa. Ai!
"Ok! Eu desisto. Mas caso você ainda não tenha notado, eu ainda estou amarrado! Alguém tira essas cordas de mim para eu poder vigiar o navio direito!"
O Zoro estava ocupado demais perseguindo o Luffy que ainda ria daquilo tudo, então a Nami chamou o Usopp para me desamarrar.
"Ah! Finalmente… Valeu, Usopp…"
Ele deu um sorrisinho e desceu.
"Pô… O Zoro tem que aprender a levar as coisas na esportiva!", eu disse do alto do mastro.
Pouco tempo depois, provavelmente cansada de ver o Zoro correndo atrás do Luffy, ela deu um cascudo nos dois e eles se aquietaram.
Depois, ela me perguntou:
"Ei, Dan-san, é verdade que você tem medo de altura?"
Eu: "Tem certeza que quer que eu responda?"
Ela: "Se não for incômodo…"
Eu: "Eu explico… Quando eu era pequeno e ainda me aventurava com meus amigos de infância, houve uma situação em que tínhamos que cruzar uma ponte. Quando estávamos cruzando, a ponte cedeu e nos atirou direto num rio que tinha uma correnteza forte. Tentamos nos segurar na ponte, mas acabamos por desistir, já que a ponte ia bater nas rochas. Eu achei que ia morrer, ou pelo choque com a água ou pela força da correnteza ou pela queda d'água que se seguia. Sorte a nossa que, antes de cairmos de uma cachoeira e morrermos de vez, um senhor, que estava pescando na área, foi rápido e nos tirou da água. Eu sei disso porque foi ele que nos contou, já que àquela altura, eu já tinha perdido a consciência."
Ela: "Se quiser eu chamo algum dos outros para ir aí no teu lugar."
Eu: "Não… não é preciso… Já que só o Zoro e o Usopp fazem isso, então eu quero ajudar e poupar-lhes o trabalho.
Ela: "Você é que sabe…"
Então, eu fiquei aqui, no posto de vigia no mastro do navio… sozinho… Bem, eu não queria estar aqui porque tenho acrofobia aguda! Mas também não quero deixar o revezamento só para os dois e ficar sem fazer nada de útil para o navio e para o grupo!
Mas mesmo assim… tédio…. téeeeedio… nada aparece na frente… esse trabalho não é para mim…
"Gente, almoço!"… tenho que arranjar algo para… hein? Almoço? Yahoo! Finalmente vou poder sair daqui! E preciso pegar meu caderno de desenho para quando voltar…
Quando me levantei, estava sentado, cansado de tanto olhar e só ver oceano na minha frente, percebi: Legal. Como é que que eu vou descer daqui?
Tá bom, a queda não é tão grande, as velas estão abaixadas, então eu vou sair por elas.
"Dan-san, vem almoçar!", ouvi me chamarem, pela voz, parecia ser a Nami…
"Peraí, que eu tenho que arranjar um modo… de sair… daqui!", dizia enquanto saía do mastro.
Até peguei um deslizar nas velas, mas o resto… foi queda livre mesmo! Tou…! Felizmente (ou não), aterrissei nos meus dois pés, fiz pose com os braços esticados para os lados. Depois sei que não senti minhas pernas por alguns segundos…
Nami: "Dan-san… você está bem…?"
Eu: "Sim… estou… mas… fale comigo após minhas pernas pararem de estar dormentes…"
Então houve um silêncio, ouviu-se o vento e o som das ondas e então:
"Pronto! Eu estou inteiro! Minhas pernas ainda doem um pouco, mas eu estou bem…"
Usopp: "Podia se agarrar ao mastro e deslizar por ele! Assim não ficava com as pernas doendo…"
Eu: "Podia ter dito isso antes…", enquanto deixava cair uma gota de suor, mas depois: "Mas fica a informação! Faço isso para a próxima."
E fomos almoçar. Quer dizer, pensei que íamos almoçar, mas como sempre o Luffy se estica para roubar a comida dos outros. Eu já tinha uma carta na manga…
"Luffy! Terra à vista!", disse.
"Sério? Onde? Onde?", ele, procurando.
"Haha! Caiu! O seu prato é meu!", disse enquanto roubava o prato dele.
"Ei! Você me enganou! Devolve o meu prato!", ele disse.
"Nananinanão! Você também roubou o meu prato, agora aguenta o troco! Bobeou, dançou!", eu disse enquanto me esquivava dos braços dele.
Almoçamos… então fui ler um livro… para esperar a comida ser digerida. Eu só leio em voz alta. Não gosto, nem sei, ler em silêncio. Acabo cochilando quando faço isso, e às vezes, até mesmo, se a história for chata ou estiver em núcleos que não o principal, quando leio em voz alta! Mesmo eu gostando de ler, não há boa história que me faça ficar acordado. Ler sempre me dá sono. Cedo ou tarde, acabo dormindo com o livro na cara, ou bocejando… com o livro na cara.
"'É uma pergunta estúpida, meu caro. E você sabe porquê?' – disse Hughes.
'Porquê' – Johnson perguntou, intrigado.
'Porque a resposta é mais do que óbvia… e se você tivesse a minha perspicácia, já a descobriria sem pestanejar.' – Disse Hughes com um sorriso no rosto.
'Pois… o problema é que eu não tenho… e não sou você…", parei quando vi Zoro dormindo… de novo.
Resolvi parar de ler, chegar perto e fazer um retrato dele. É uma mania minha chegar e desenhar retratos de pessoas sem elas saberem… Eu podia entrar para a Marinha e ser o cara dos retratos falados! Eu sempre me perguntei como é que eles conseguem as fotos dos piratas para publicar nos pôsteres…
"O que está fazendo?", ouvi ele perguntar.
Giku… ele me viu…
"Ah… nada… só estava fazendo o teu retrato, mas agora que você se mexeu…", eu disse.
Depois houve um silêncio…
E então, como quem não quer nada, eu disse:
"Desculpe pela peça."
Ele nem se importou, dizendo:
"Esquece isso…"
Eu: "Tem que levar mais na esportiva…"
Ele: "Espadachins como eu não são bons nisso."
Mais um momento de silêncio, então perguntei, mudando de assunto:
"Né? O Luffy disse que te encontrou aprisionado numa base da Marinha de uma cidade. Como é que você foi parar lá?"
Ele: "Ah? Aquilo? Tudo começou com um homem… ele é considerado o melhor espadachim do mundo. Eu soube dele e comecei a procurá-lo…, mas me perdi e não soube voltar para casa…"
Eu: "Perdeu-se?", pensando: "Que tolo…", depois perguntei: "Presumo que o seu sonho de ser o melhor do mundo passa por lutar com ele e derrotá-lo, acertei?"
Ele: "Sim. E também é uma promessa que fiz há muito tempo com uma amiga. Ela se chamava Kuina… era uma colega do dojo onde eu treinava na vila Shimotsuki. Lembro até hoje do dia em que comecei… eu desafiei o melhor guerreiro do dojo para uma batalha, que no caso era ela. Se eu ganhasse, tomava o emblema do dojo. Mas perdi e como "punição", tive que passar a ser um dos alunos do dojo. Então trabalhei duro para poder lutar com ela e derrotá-la. Mesmo assim, lutamos duas mil vezes e ela ganhou duas mil vezes."
Eu, impressionado: "Duas mil vezes? Como é que lutaram tanto assim? E mais incrível ainda, você não venceu nenhuma?"
Ele, normalmente: "Nenhuma. Mas todas as lutas foram com shinai (espada de bambu). Na segunda milésima primeira luta, eu a desafiei em particular com espadas reais. Mesmo assim, e mesmo comigo usando duas espadas, ela ganhou. Mas, embora ela tenha ganho, ela me confidenciou que não acreditava ser a melhor espadachim do mundo porque era mulher. Nós tínhamos o mesmo sonho mas ela pensava saber que era impossível para ela o realizar… porque era mulher… e até porque o pai dela havia dito que mulheres nunca podiam ser verdadeiras mestras das espadas, e ela dizia que quando crescesse, o seu potencial de luta diminuiria."
Eu: "Mas isso é estúpido…"
Pois… esse mundo ainda é muito machista… vê-se poucas mulheres piratas, espadachins, vê-se poucas mulheres a entrar em coisas que normalmente os homens fazem. Não defendo que o façam, mas também não reprimo as que fazem.
Ele: "Assino em baixo… eu fiquei zangado. Como é que ela foi capaz de dizer isso depois de me derrotar duas mil e uma vezes… Tá bem, eu era mais novo, mas sou homem. Então fizemos um pacto. Eu lhe disse que um dia, a derrotaria não porque era homem, mas porque era mais habilidoso. Junto disso, fizemos uma promessa. Que um dia, um de nós dois seria o ou a melhor espadachim do mundo. Mas…"
Eu: "Mas…?"
Ele: "No dia seguinte, ela caiu das escadarias do dojo e morreu."
Eu: "Não… ironia do destino…"
Ele: "Mas, mesmo com a morte dela, eu mantenho a minha promessa. E vou cumpri-la pelo bem de nós dois! Recebi essa espada, a Wadou Ichimonji, que pertencia a ela. O seu espírito ainda reside nela. E com ela, desenvolvi o meu estilo de luta: O Santouryuu."
Eu: "Mas desde que você soube desse melhor espadachim do mundo e foi procurá-lo, como é que sobreviveu todo aquele tempo?"
Ele: "Porque é que acha que eu sou chamado de 'Caçador de Piratas'?"
Eu: "Porque… porque… não sei."
Ele: "Hmph… Porque eu era um andarilho que usava as recompensas dos piratas que eu caçava para me alimentar e consertar as minhas espadas. Até porque lutar é a única coisa que eu sei fazer… E a vida seguiu assim até aquele dia em que fui aprisionado e conheci o Luffy…"
Eu, pensando comigo: "Também não o vejo se encaixar em nenhum emprego ou part-time… E o dinheiro das recompensas dura muito mais do que um salário…"
Fui tirado da conversa por um som de canhão.
Hem? Navios piratas por perto?
"Hem? Eu errei?", ouvi o Luffy dizer.
"Ah! Luffy, que pontaria, né?", ouvi uma voz dizer… era o Usopp.
Fui ao convés da frente e vi o Usopp e o Luffy fazerem testes num novo canhão.
"O que vocês estão fazendo?", disse o Zoro.
"Ei gente! Não me assustem desse jeito! Eu pensei que estávamos sendo atacados…", disse… se bem que era melhor que estivéssemos sendo atacados… Não aparecem inimigos para a gente lutar não, hein?
"Ah? Nós só estávamos testando esse novo canhão aqui… mas é mais difícil do que eu pensei…", disse o Luffy.
"Já disse! Deixa eu mostrar como é que se faz!", disse o Usopp.
Então voltou a mirar numa rocha que se via ao longe.
O Usopp preparou mais uma bala de canhão, acendeu o pavio e tapou os ouvidos.
O canhão disparou e acertou na rocha.
"No alvo!", eu disse.
"Legal! Acertou de primeira!", disse o Luffy, impressionado.
O Usopp estava imóvel, acho que admirado com o que acabou de fazer. Então deu por si e comemorou, todo orgulhoso:
"Hahaha! Bem dito, Luffy! Quando o assunto é pontaria, deixa com o Usopp aqui! Acredita, agora?"
"Usopp, agora eu te nomeio o atirador do nosso navio!", disse o Luffy.
"Ué? Não é para eu ser o capitão?", disse o Usopp.
Luffy: "O capitão sou eu!"
Eu e o Zoro rimos daquilo e então, eu disse:
"Se continuarem discutindo sobre isso, vamos acabar sem saber quem é o nosso capitão!"
Rimos mais um pouco e fomos todos para a cabine de cima.
Luffy, Usopp e Nami estavam sentados nas cadeiras, conversando. Eu cuidava do leme e o Zoro estava sentado no chão.
Usopp: "Eu te deixo ficar com o cargo de capitão por enquanto. Mas se você fizer besteira, eu vou te substituir, viu?"
Luffy: "Pois é… antes de irmos para a Grande Linha, temos que encontrar mais um camarada!"
Nami: "Ah, sim… Temos uma cozinha bem boazinha… Se me pagarem, eu cuido disso."
Eu: "Eu sei cozinhar um pouco mas faço melhor! Não cobro nada… Mas mesmo assim ainda precisamos de um camarada a mais…"
Zoro: "É preciso para viagens tão longas, afinal de contas."
Luffy: "Isso! É alguém que precisamos ter em um navio pirata!… Um músico!"
Silêncio…
Zoro: "Você é idiota ou o quê?"
Nami: "Que raios você pensa que navegar significa?"
Usopp: "E eu pensando que você ia dizer algo de construtivo…"
Luffy: "Mas piratas têm que cantar…"
Eu: "Não vamos poder cantar se ficarmos sem comida ou com comida mas sem ninguém que a prepare!"
Luffy: "Ah… pois é."
Então a nossa conversa foi interrompida por um barulho que vinha de fora da cabine.
"APAREÇAM, PIRATAS DE UMA FIGA!", gritava alguém.
O Luffy abriu a porta e disse: "Que foi? Quem é você?"
A voz: "Cale a boca! Quem eu sou não é da sua conta!"
E houve outro barulho.
O Zoro perguntou: "Quantos são?"
Nami, olhando pela janela: "É só… um…"
Eu: "Ah… então deixa isso com o Luffy que ele resolve…"
A voz: "Eu matei um número incontável de piratas. Mas como um pirralho desconhecido como você ousa matar o meu parceiro?"
Ouvi o Zoro dizer: "Parceiro? Essa voz… Será?"
Eu: "Conhece?"
Ele se levantou e foi ver o que acontecia. Nós saímos e vimos, além de faltar um pedaço ao parapeito da cabine, um homem encostado à parede.
Zoro, quando viu o homem, disse:
"Ei? Não me diga… Não me diga que você é o Johnny?"
Ele: "Quem ousa falar o meu nome sem qualquer respeito?"
Quando viu o Zoro, se sentou e disse:
"Mas não é… Irmãozão Zoro!"
Zoro: "Então é o Johnny!"
Johnny: "Por que diabos você está aqui? Irmão Zoro!"
Zoro: "O que foi feito do Yosaku? Vocês não estavam juntos?"
Eu, pensando: "Eles se conhecem?"… parece ser o caso…
Com este capítulo, damos fim à saga de observação do passado. Daqui em diante, é olhar para a frente e esperar pelas novidades! A começar pelo próximo capítulo que terá o nosso grupo visitando um restaurante marinho que é comandado por cozinheiros totalmente fora do comum! O Capítulo 9 espera por você! Não perca!
