No Good For Me

Capítulo 8 - Gone

"Bom dia." A voz de Saga ecoava na arena logo cedo. Ou nem tão cedo assim, afinal de contas já havia cavaleiros treinando há pelo menos uma hora.

"Bom dia." Máscara da Morte terminava uma sequência de golpes fortes e só então voltou os olhos para Saga. Não era possível aquilo... "Que diabos pensa que está fazendo? Ficou louco?"

"Quanto a que?" Saga chegara à arena acompanhado de Camus de Aquário.

De mãos dadas com Camus de Aquário.

Gêmeos deu um beijo nos lábios do ruivo, como se simplesmente fosse assim desde o início dos tempos afastando-se um tanto para prender os cabelos e tirar o abrigo esportivo que usava por cima da camiseta sem mangas de treino. Estava bem ciente de que muitos olhavam para os dois e riu de maneira irônica para o cavaleiro de câncer. "Algo o incomoda?" Sabia que alguns arranhões estavam aparentes, bem aparentes. E sabia que Máscara da Morte tinha experiência suficiente para saber a causa.

"Eu não acredito. Está procurando encrenca, Saga! Sabe disso." Máscara da Morte desviou o olhar para Camus e examinou-o de cima até embaixo. "O que deu em você, Camus? Brigou com um gato? Ou deveria dizer um gêmeo? Acham que ele não vai notar? Vocês enlouqueceram?" Podia não parecer, mas os cavaleiros sabiam muito bem qual era o temperamento de Milo de Escorpião e estavam muito cientes dos ciúmes que ele sentia quanto a Camus desde... Sempre?

"Quem não vai notar? Alguém em mente, Máscara da Morte?" Saga era bem direto, mas escolhera um pouco de sarcasmo. Um certo rabudo precisava de mais uma lição. Se estava sendo cruel? Não, estava resgatando o orgulho de Camus que Milo de Escorpião triturara.

"Ora, não é da minha conta." O canceriano respondeu.

"Muito bem dito." Um sorriso tranquilo. Saga não tinha nenhuma dúvida sobre sua influência, ou poder.

Oculto logo ali perto, um escorpiano de profundos olhos azuis tentava não dar sua presença a perceber. Tentava não enlouquecer e colocar o mundo abaixo. Na cara de todos! Com beijo na boca? Nunca vira Camus tão... Solto. E que ar de paz era aquele no aquariano? Não podia sondá-lo com o cosmo. Que ia fazer? Ir até lá e furar Saga com todas as suas agulhas era uma hipótese interessante. Droga, não gostava de shows, mas estava quase dando um.

"Saga, vamos começar?" Camus também prendera os cabelos e verificava com cuidado a roupa ajustada totalmente azul escura que usava. Cada pedaço dela acentuava os músculos perfeitos, cada abertura dela deixava à mostra partes do corpo do aquariano com alguns arranhões, alguns hematomas. O pescoço de Camus tinha marcas indiscretas. Ele e Saga eram bem menos que calmos na cama e o geminiano era intenso, e como era.

"Resolveu assumir seu lado gay, foi Camus? E logo com o homem mais volúvel do Santuário? Ele vai largá-lo assim que se cansar." Afrodite de Peixes estava com uma ponta de inveja da cara de pau de ambos. E ressentido. Já fora amante de Saga e por ele fora deixado.

Saga riu baixo e posicionou-se para lutar com Camus.

Movimentos de ataque e contra-ataque perfeitos. Parecia uma dança. Improvisaram diversos tipos de lutas. Terminaram com um kata conjunto de karatê, numa fluidez e harmonia muito interessantes.

Hora de treinos mais específicos.

Máscara da Morte e Aiolos treinavam um tanto de um lado da arena. Afrodite prestava atenção em Camus sem nem disfarçar. Praticamente estavam todos por ali, menos Milo, Dohko, Shion, Shaka, Shura e Aldebaran.

Só que Milo, na verdade, estava... Bufando de raiva, observando tudo aquilo, todos agindo como se nada houvesse acontecido. Ele estava zangado!

Saga observou a distância entre todos os cavaleiros e amazonas que estavam por ali. Mensurou bem o quanto de energia usaria e moveu as mãos, o cosmo pulsando, os olhos azul-esverdeados num mundo infinito de poder e glória.

"Explosão Galáctica!" Sem um erro sequer, sem um milímetro a mais ou a menos, destruiu tudo, tudo que havia em sua zona de mira. Fendas fundas, terra revolvida, ondas de poeira e cosmo.

"Está revoltado com alguma coisa, Saga?" Mu de Áries observara a potência do ataque de Saga. Ele não era nem um pouco delicado, e muito perigoso.

"Eu? Nem um pouco. Acordei muito bem disposto hoje, por sinal. Calmíssimo. Tive uma ótima noite. Que acha de consertar um pouco do meu estrago, Camus?"

"Acho que consigo algo próximo de precisão cirúrgica." Camus imediatamente girou nos calcanhares e concentrou-se. Olhos azuis e expressão sem vida. Congelou, transformou em gelo polido, cada fragmento, juntando tudo em um verdadeiro piso gelado e escorregadio, preenchendo as fendas, reorganizando moléculas, refazendo os pedaços, amainando a temperatura fervente e olhando para Saga com ar de pouco caso. "Que tal assim?"

"Como eu disse, combinamos muito bem." Saga arrumou um tanto os cabelos e foi para junto de Camus com um belo sorriso. "Sabe, se não o conhecesse tão bem ultimamente, diria que você é muito gelado, só que agora penso que é bem quente."

Camus apenas deu um meio sorriso. Uma coisa incrível! Ele nunca sorria! Estava feliz e o cosmo dele dizia isso com todas as letras.

"Meu Zeus, chamem Atena, o mundo vai acabar." Afrodite não estava acreditando. "Saga, o que você fez, drogou o Camus?"

Milo tremia. De raiva e frustração. Pareciam tão afinados e bem um com o outro. Tão bem entrosados. Talvez não devesse se intrometer. O que fizera? Como pudera ser tão tolo? Tinha que fazer alguma coisa. Voltou a prestar atenção pensando na melhor maneira de ir lá e dizer o que tinha para dizer. Era um homem inteligente, astuto, adulto e...

Agora sentia-se inseguro e inadequado. Quem no universo poderia competir com Saga? Aiolos talvez... Suspirou, completamente frustrado.

Camus não disse nada em resposta a Afrodite, apenas passou a mão pela face do grego loiro e, dessa vez, sorriu. Abertamente.

E o sorriso de Camus fez Milo entrar em parafuso. Rasgou Milo por dentro como se golpes poderosos houvessem cortado sua carne, mas haviam era cortado sua alma.

Assim também já era demais. O sorriso de Camus era como um presente precioso, uma coisa com tanto valor quanto uma declaração de amor, quanto uma aliança de compromisso. Muito raramente Camus sorria. Quase nunca ele arqueava os lábios bonitos e, que Milo se lembrasse, de todas as poucas vezes que o tinham visto sorrir, ele, Milo, era a causa.

O sorriso de Camus era dele! Saga não podia tirar isso dele. Queria Camus de volta, mas como faria? Era o mestre da estratégia, tinha que haver um jeito, mas seu coração estava doendo. Saga e Camus estavam juntos mas era ele quem deveria estar com Camus!

Feeling like this could only mean/I'm sinking.

Feeling like this could only mean/I'm sinking.

Well, I'm sinking/Pull me up

Sentindo como se isso só pudesse significar

Eu estou afundando

Sentindo como se isso só pudesse significar

Eu estou afundando

Bem, eu estou afundando

Traga-me de volta

Uma oscilação vibrante de cosmo. Um calor poderoso e perigoso. Ódio puro emanando por qualquer poro. Um rosto transtornado e um andar pesado, um marchar.

Milo de Escorpião.

"Bom dia, Milo." Por instinto, Saga chegou ainda mais perto de Camus como se a protegê-lo, não de algum ataque físico, era suporte emocional que Camus precisava, não de um leão de chácara. Deu-lhe a mão, entrelaçando os dedos.

Shaina, que estava um tanto longe dali pensava se iria ou não falar com Milo, mas bastou um olhar e soube que era melhor, bem mais seguro, não chegar perto. De jeito algum.

Camus apertou a mão de Saga com alguma força. Estava com medo de perder Milo para sempre e, ao mesmo tempo, precisava recuperar sua sensação de que era um homem e não um lixo qualquer espanado para debaixo de algum tapete. Milo o machucara. Muito. Muitos ali o haviam humilhado.

O escorpiano não disse uma palavra. Os longos fios loiros soltos, escorrendo pelo corpo moldado, a camiseta de alças preta, a calça camuflada um tanto solta no corpo, os pés em sapatilhas de treino. O olhar mortal. Uma presença e tanto.

"Bom dia, Milo. Desaprendeu algo chamando educação? Saga deu-lhe bom dia." A voz de Camus tinha tanto sentimento quanto uma parede de aço escovado. Camus tinha a vida inteira de treino. Não havia nada ali. Nenhuma nesga de carinho ou amizade.

Um olhar muito azul contra um olhar mais azul ainda. Milo entreabriu os lábios para dizer algo. Qualquer coisa. Se declarar a Camus no meio da Arena cheia de gente e que se danassem todos. Gritar com ele, dizer que ele era dele, que o amava.

Qualquer coisa...

"Ei, Saga, você e Camus estão mesmo namorando?" Afrodite tinha os olhos um tanto maliciosos fixados em Milo, nas reações do escorpiano. Saga tinha experiência demais para cair em seus jogos emocionais e Camus não moveria um milímetro de sua face nem transpareceria sentimento algum.

O grego escorpiano olhou para Saga e Camus. Eles estavam mesmo namorando? Havia algumas coisas que Milo respeitava, e bastante. A mulher dos outros, por exemplo. E agora? Tinha que respeitar o que? O homem do outro? Sua noção de oportunidade tinha se perdido? Viu-se sem forças, de uma hora para outra. Como ia agarrar o homem de outro? Meu Zeus, o homem de outro? Camus não era só um homem, era tudo, tudo que tinha.

Era o seu homem e o atirara nos braços de Saga como se ele não valesse nada para si.

Every time I see your clothes scattered out on the floor,

I say I thought you would be home

You said you never would be gone

Every time I see the light not burning on the porch,

I say I thought you would be home.

You said you never would be gone,

But you are/You are

Toda vez que vejo suas roupas largadas no chão

Eu digo que achava que você estaria em casa

Você disse que nunca iria embora

Toda vez que vejo a luz apagada na varanda

Eu digo que achava que você estaria em casa

Você disse que nunca iria embora

Mas você foi/Você foi

"Temos algo, se quer saber." Saga tinha o semblante mais calmo do mundo. "De comum acordo. Por que, Afrodite? Interessado? Se estiver, vai ter que ser melhor que uma mera aparição do nada com uma pergunta. Camus me disse que ele não trai, eu tampouco, então... Não há lugar para você entre nós. É o que costuma acontecer quando se tem compromisso e responsabilidade para com os sentimentos do outro. Além de respeito." Uma manipulação de palavras com alvo certeiro. Saga observava cada reação de Milo.

Oh, não, Milo não estava lidando com uma garota saída da adolescência e que não pensava antes de agir. Não estava disputando Camus com qualquer um.

Saga fora o Grande Mestre, adulto muito antes deles todos, traidor para muitos, perigoso de qualquer ângulo que se olhasse.

Camus estava quase em transe. Estava mesmo fazendo aquilo? Observando o amor de sua vida ali tão perto sem fazer nada? Sem dizer nada? Apertou ainda com mais força a mão de Saga. Não ia conseguir. Estava sentindo o olhar doloroso de Milo sobre si e aquilo estava minando seu poderoso controle de si mesmo. Queria correr para ele e dizer que o amava acima de qualquer pessoa. Amaria para sempre, mas precisava que lhe fosse dado o merecido valor. Ele não ia mendigar pelo amor de Milo. Pelo amor de ninguém.

Afrodite olhou para Camus e Milo. Ambos se encaravam de uma maneira esquisita. Camus nem parecia estar ali. Novidade... E Milo? Era o mais fácil de atingir. Era hora de um joguinho. Criou uma bela rosa negra e chegou mais perto de Milo.

"Sabe, Milo, a julgar pela sua maravilhosa reação ontem, ou eu deveria dizer falta de reação, creio que essa sua cara de idiota se deve a que agora vai ter que romper relações com Camus, afinal de contas, ele é um tremendo dum viado e, do jeito que Saga é bom na cama, acho que mesmo que você quisesse, além de se proclamar hétero e ter vacilado, não ia conseguir nem chegar perto. Não é não, Camus? Conte-me, Saga é um furacão na cama, não é? Ou ainda estão na fase dos beijinhos? Duvido muito. Saga não é indeciso como uns e outros. Acreditem-me, eu sei." Afrodite riu com o belo rosto transmitindo maldade. Cruel. Letal. Afrodite era tão bonito quanto era mortal.

"Cale a boca, Afrodite. Deixe Camus em paz." Saga sentiu um leve tremor na mão de Camus na sua. Talvez devessem ir embora. Aquela situação estava exigindo demais do aquariano.

Milo não acreditava naquilo. Saga defendia Camus com tanta autoridade que parecia... Parecia... Ora, o que pensava? Parecia namorado dele.

"Por que deveria calar a boca? Só por que eu disse a verdade? Qual o problema em perguntar se você já o jogou na cama, talvez na parede, na banheira ou sei lá onde, subiu em cima dele e o fez gemer seu nome? Você é bom nisso, Saga. Desde muito jovem você é muito bom nisso! Usa e joga fora. Domina e se diverte e depois abandona. Cuidado, Camus de Aquário ou ele vai partir seu coração em pedaços pequenos demais para serem unidos novamente. Ou talvez você goste de sofrer, Camus. Gosta de ser usado e jogado fora?" Peixes soube que tinha cometido um erro de avaliação assim que um golpe mortal quase acertou seu pescoço. Milo parou a milímetros dele, a mão rija. Um golpe na traqueia e Afrodite morreria. Um olhar penetrante, o ódio vibrante.

"Ei, quer se acalmar?" Afrodite suspirou. "Bateu a dor de corno, Milo? Opa, impossível, você não tem nada com o Camus... Hum, por que não vai brigar com o Saga que é quem tá comendo o Camus? Tenho nada com isso, não desconte em mim." Afrodite invocou rosas piranhas com um sorriso sedutor. Se era para lutar... "Quer mesmo me enfrentar, Milo? Por causa de Camus? Vai defender a honra dele? Ou muito me engano ou deveria ter feito isso ontem, não?"

Venenoso... Afrodite era insidioso e ótimo com jogos emocionais.

"Afrodite! Olha como fala." Saga também não estava gostando. Aquilo tudo estava indo longe demais. Não calculara o que outros cavaleiros poderiam fazer e esquecera, sobretudo, de considerar o quão traiçoeiro o pisciano era.

"Afaste-se de mim." Milo deu alguns passos para trás e olhou de maneira furiosa para Camus. Um sorriso um tanto sádico apareceu em seu rosto, o cosmo inflando às alturas, uma corrente de energia, uma corrente de luxúria. Milo ondeou os ombros e entreabriu os lábios num quase gemido, a unha escarlate afiada e perigosa, os fios loiros em ondas de força e disparou.

Agulhas venenosas que podiam destroçar a alma e o corpo.

Agulhas venenosas que podiam dilacerar vontades e que eram torturas insuportáveis.

Uma muralha de pedra a alguma distância que foi marcada com a constelação de escorpião sendo desenhada em furos precisos e perigosos.

"Mi-Milo?" Shaina sentia o ódio vindo dele, sentia toda a raiva contida e, pior ainda, via o jeito como ele olhava... Para Camus! A dor profunda nos olhos azuis de Milo vibrava!

"Antares!"

O coração do escorpião.

E a muralha de pedra se desfez em poeira. Assim como Milo sentia o seu coração em ruínas...

Feeling overwhelmed, I take a dive

To a once overfilled but now empty place to hide.

The day you turned on me is the day I died,

And I've forgotten what it's like,

And how it feels to be alive

Me sentindo sobrecarregado, eu me jogo de uma vez

Para um lugar antes cheio, mas agora vazio, em que eu me escondo

O dia em que você se virou contra mim foi o dia em que eu morri

E esqueci como é

E como você se sente ao estar vivo

"Milo?" Shaina estava... Apavorada. O que era aquela cena? Aproximara-se um tanto mais de onde estavam os outros. Milo passava sua unha afiada em seu próprio rosto como se estivesse... Louco? Milo olhava para Camus num mudo desafio. Milo estava... Ensandecido. Sem controle. Ele era um general e estava com ódio. E descontrolado.

Ele adorava estar no controle, comandar, mandar, planejar e estava...

Descontrolado.

"Talvez devamos ir embora." A voz de Saga soou bem calma.

"Ele não me incomoda, podemos continuar o treino, se assim o desejar." Camus era perito nisso. Era perfeito nisso. Podia estar desmoronando ao ver Milo ali tão perto, ao ver a dor nos olhos dele, ao saber que ele estava atacando porque estava ferido, mas ninguém ia notar, ninguém. A face sem movimento algum, olhos azuis de vidro bonito.

"Ninguém o faz alterar-se, não é... Camus..." A voz de Milo era belicosa. Estava entrecortada, como se lhe custasse muito dizer qualquer coisa. "Só que parece que Saga conseguiu transformá-lo em seu novo brinquedinho." Tão evidente quanto o sol que brilhava, Milo de Escorpião estava perdendo rapidamente as estribeiras. O cosmo alto, a face afogueada e o olhar...

Assassino. Ele parecia o assassino treinado que podia ser.

"Hei, Shaina, o que deu nele?" June de Camaleão recolheu seu chicote e aproximou-se da amiga.

"E eu quem sei?" Shaina observara cada movimento, cada olhar. Não era aquilo que pensava, era? Ciúme? Milo não podia estar com ciúme... Não podia. Podia?

Era sabido por qualquer um que ninguém deveria provocar o ciúme de um escorpião. Estava escrito nas estrelas que aquilo era como ativar uma bomba atômica.

Saga reagiu à sua maneira. Um sorriso aberto e um olhar de desafio e ironia. Milo queria Camus? Ora, ora, ia ter que lutar. E não seria pouco. "Camus não é um brinquedo, Milo. De ninguém. Para ninguém. Ele está comigo porque ele quer. Isso o incomoda?"

"Acordou irritado hoje, Milo? Esses furinhos podem doer um bocado, acredite, eu senti bem suas agulhadas. Podia fazer isso sentindo menos tesão, pelo menos? Você e Radamanthys são bem parecidos, pelo que vejo. Nunca vi! Wyvern adorava matar e causar sofrimento. Você também gosta? Ah, bom dia irmãozinho, cunhadinho." Kanon de Dragão Marinho, ao seu estilo surgindo do nada, como se tivesse brotado da terra, aproximou-se de Saga e deu-lhe um selinho, fazendo o mesmo com um aturdido aquariano.

"Cuide de sua vida." Milo deu meia volta indo em direção às arquibancadas para beber água. Sua boca estava seca. Seu coração também. De que Kanon chamara Camus? De cunhadinho? Filho da puta desgraçado! Tinha que pensar no que iria fazer. E depressa. Por que Camus não falava com ele, por quê? Expusera-se demais, demonstrara seu ciúme e não obtivera nenhuma resposta. Nem Saga parecia impressionado. Muito menos Camus.

Every time I see your clothes scattered out on the floor,

I say I thought you would be home.

You said you never would be gone.

Every time I see the light not burning on the porch,

I say I thought you would be home.

You said you never would be gone

Toda vez que vejo suas roupas largadas no chão

Eu digo que achava que você estaria em casa

Você disse que nunca iria embora

Toda vez que vejo a luz apagada na varanda

Eu digo que achava que você estaria em casa

Você disse que nunca iria embora

Kanon riu disfarçadamente. Escutara todo o diálogo. Estava visitando Saga e já soubera tudo que precisava. Panorama interessante de amores. Ao seu modo, achava era pouco tudo aquilo. Ah, mas Milo não conhecia Saga... Ia se arrepender de ter nascido. Apesar do jeitão um tanto afável e por vezes parecendo tão deprimido, Saga gostava muito de Camus. Muito mesmo. Milo descobriria o quanto. Saga demonstraria de todas as maneiras o grande homem que Camus era e o quanto ele, Saga, o valorizava. Milo devia preparar todos os calmantes que pudesse. Saga estava apenas começando e Kanon sabia disso.

"Podem me dizer o motivo disso tudo?" Mu de Áries suspirou. Cavaleiros, testosterona, poderes infinitos e excesso, ou falta, de sexo...

"Milo está com crise de ciúme. O amorzinho dele está namorando o duas caras. Já sabia que você era ciumento, mas não que sentia tanto ciúme assim de Camus. Ele é mesmo seu amorzinho, não? Oops, mas ele é homem! Então não pode ser, não é Milo? Ou pode? Não sabia que você era gay! Você é viado, Milo?" Máscara da Morte começou seus exercícios físicos com o porte perigoso e o corpo perfeito que tinha. Teve que interromper um movimento com uma tremenda dor fina em sua perna. Uma agulha. Caiu no chão sentindo dor. "Milo, seu filho de um corno!"

Milo estava parado, a boca entreaberta, o cosmo fulgurante em puro ódio. A unha ainda rebrilhava do golpe recém-disparado, sua pele arrepiada, o olhar sem desviar de Máscara da Morte, esperando o contra-ataque. "Quer brigar? Não dura cinco segundos..." Passou a unha afiada pela língua e rosnou de uma maneira que poucos conheciam.

Saga conhecia.

Quando Milo fora destruir a Ilha de Andrômeda ele vira aquele olhar e aquele jeito. Milo estava completamente atiçado e pronto para matar. Isso era bem perigoso.

"Agora chega." Uma parede que parecia de vidro. Um cosmo calmo e ameaçador na mesma proporção. Uma presença suave, mas que inspirava respeito.

Mu de Áries.

"Isso não era minimamente necessário. Se alguém aqui tem descontroles emocionais, sugiro um psiquiatra, conheço alguns ótimos." Saga de Gêmeos decidiu que era hora de irem e fez sinal a Camus. Encaminharam-se para as escadarias. Já fizera o que viera fazer: dar uma lição em Milo.

"Vai tomar no..." Milo mordeu os lábios, furioso. Não conseguia desviar os olhos de Camus. A postura perfeita dele, o ar de quem não se abalava. Camus não dissera uma palavra, seu cosmo não oscilara um milímetro, não se ouvira a voz dele, não se sentira o cosmo dele. Parecia um morto vivo! Enquanto ele... Milo... Estava em farrapos. Estava sentindo-se infantil e idiota. Estava desesperado. Não conseguira nenhuma... Nenhuma reação! Nem um mero olhar de desaprovação! Perdera Camus. Perdera tudo.

Reach up to the sky.

When nothing seems to go right,

When nothing seems to go right for me

Rumo ao céu

Quando nada parece dar certo

Quando nada parece dar certo para mim

Saga estacou imediatamente e soltou-se de Camus, um meio sorriso até mesmo cruel, toda a imponência que podia ter. Saga era perigoso, tão ou mais quanto Milo, principalmente se estivesse com muita vontade de arranjar confusão. A sorte de Milo é que Camus estava por perto e que Saga considerava que o aquariano amava aquele grego também loiro, mas um tanto menos prudente.

"Saga, por favor." Camus falou baixo. Sua vontade era correr para Milo e beijá-lo, dizer que o perdoava e que o queria de volta. Sim, estava com Saga, mas amava Milo. Não conseguia não amar e aquilo doía. Só que seria injusto com Saga. E fora o geminiano quem o tratara com cuidado e deferência. Tinha dito a Saga, não era porque Milo tinha uma crise que ia sair correndo abanando o rabo como um cachorrinho. Ainda estava magoado. Ia passar. Mas não em um prazo tão curto.

"Não se preocupe. Jamais magoaria você, mas já não posso dizer o mesmo quanto a Milo." Saga respondeu quase inaudivelmente e deu-lhe um suave beijo nos lábios preocupados.

Milo não cabia em si de tanta raiva. Viu Shion chegar, Shura logo atrás e pensou que se pudesse, explodiria tudo e todos.

"Não vou a nenhum lugar que eu não queira, Milo. Aliás, se eu quisesse ir fazer o que você quase disse, pode ter certeza de que haveria vários candidatos e que eu ia aproveitar bastante. Sou bom na cama, aliás, muito bom, se lhe interessa. Não é mesmo Máscara da Morte? Afrodite? Ah, esqueceram que já se deitaram comigo? E, a que devemos o tipo de comentário mesquinho, baixo e ridículo que fizeram sobre Camus ontem? Não podem falar nada dele, nem de ninguém. Camus está comigo e qualquer palavra contra ele é ofensa pessoal a mim. Por que eu sou amigo dele, no mínimo. Não é isso que amigos fazem, Milo? Defendem um ao outro?" A ironia fina nos lábios bonitos de Saga era óbvia.

"Ora, seu..." Milo mordeu os lábios, com raiva. E ainda era metido! Grego desgraçado!

"Não terminei." Saga enlaçou Camus pela cintura e o puxou para si, num abraço terno. "Não dou a mínima para ser chamado de viado, bicha, fag, faggot, maricon, filho da puta, babaca ou o que seja. O que me importa é minha opinião sobre mim mesmo. O que me importa é que sou um Cavaleiro de Atena e que cumpro meus deveres. O que faço na minha cama, com quem faço, ou deixo de fazer, é problema meu. Aliás, não apenas na cama, sou bem criativo. Não concorda, Camus?" O olhar de Saga era puro desprezo para Milo. Que o escorpião aprendesse, da pior maneira, o quanto Camus valia à pena. Ia ensinar a ele. Ia fazer com que Milo aprendesse.

"Pega leve, irmãozinho." Kanon cruzou os braços com um sorriso maravilhoso ocultando seus sentidos em alerta. Ah, se fossem partir para a briga, estaria ali, do lado de Saga, sempre.

"Nem se preocupe, não pretendo gastar energia com situações ridículas. Por favor, que ninguém se intrometa." A voz tonitruante era um aviso. Saga sabia lidar com seus próprios problemas. Não queria mais ninguém envolvido.

"Ei, isso aqui dói, sabiam?" Máscara da Morte ergueu-se e olhou com raiva para Milo que não tirava, de jeito nenhum, os olhos de Camus.

Milo não prestava a menor atenção ao canceriano. Saga o atiçara, mas ele não olhava para o geminiano, não conseguia. Tudo que via era Camus. Tudo que vira fora o beijo na boca, o abraço gentil e o ar de absurda empatia que podia ler no ruivo. Estava a ponto de explodir. De chorar. "Olha aqui, Saga..." Milo começou a arquitetar uma luta sangrenta em sua mente, quando percebeu um cosmo bem forte quase impedi-lo. E ouviu um zunido.

Shura.

Uma fenda bem entre Milo e Saga. Um aviso. Excalibur.

"Sinto se pareço não atender ao seu pedido, Saga. Não estou me intrometendo, apenas treinando..." Shura, que chegara havia pouco tempo, olhou com atenção para o geminiano. Saga estava com Camus? Deu um meio suspiro. Diabo de insegurança e frieza capricorniana em algumas coisas. Bem, era seu amigo de uma maneira ou de outra.

"Shura, seu senso de oportunidade é espantoso. Iam partir para a porrada e você estragou tudo. Nem parece que é tão indeciso em outras coisas..." Afrodite sorriu convidativamente para o espanhol.

Shura apenas olhou de soslaio para o sueco. O pisciniano estava paquerando-o, tinha certeza, mas Afrodite não lhe inspirava confiança. Não era importante, na verdade. Ou talvez fosse. Afrodite não era sincero. Conhecia apenas uma pessoa que era páreo para a sinceridade de Camus. Bem, na verdade duas, porque Aiolos era até cruelmente sincero, mas a sinceridade de Saga também era incrível. Sentia os cosmos exaltados e num movimento muito natural, foi para o lado direito de Saga, tal como no meikai. Camus estava do outro lado.

"Algum problema, Saga? Sabe que, se precisar de mim, estou à disposição. Sou seu amigo, não esqueço meus amigos." A voz baixa, neutra e profunda de Shura.

A atitude do capricorniano fez Milo socar uma rocha e destruí-la. Aquilo! Aquilo que ele, Milo, deveria ter feito no dia anterior. Odiou Shura com todas as suas forças!

"Eu disse a você que ele era um grande homem, Camus." Saga deu um pequeno sorriso para o espanhol. "Obrigado."

"Hunf, como se não me conhecesse..." Shura sorriu de volta, levemente. "Namorado novo?" A voz não era belicosa, era apenas uma conversa.

"Não é nada disso, Shura." Camus respondeu baixo também, eram os três, novamente. "Saga gosta de outra pessoa. Eu também gosto de outra pessoa. Apenas... " Não sabia o que dizer. Nem como explicar. Era confuso demais. Doía demais.

"Não me devem satisfação. Conversamos depois, se quiserem." Shura inspirou o ar com cuidado, estava começando a pensar que se não fizesse alguma coisa, bem rápido, talvez perdesse uma boa chance de ser feliz. "Não estou namorando Afrodite, Saga."

"Eu não perguntei nada." Saga ia continuar, especialmente quanto a Shura já ter namorado algumas amazonas sem compromisso, mas viu Milo se aproximar rapidamente, o ar furioso do escorpiano poderia intimidar a muitos, não a ele.

"Só me falta Aiolia aqui para nos digladiarmos, novamente. Adora bancar o traidor, não é Saga? Ambivalente, insidioso, falso. Bem você, mesmo." Milo perdera o controle, totalmente.

"Milo de Escorpião, controle-se, você não é uma criança mimada que tem o que quiser, quando quiser, somente para sua diversão. As pessoas possuem almas, corações e vida. Devia ter aprendido isso faz muito tempo. Se rótulos o incomodam, talvez você precise descobrir que as pessoas nos atingem quando deixamos que nos atinjam. E, apenas para constar, estou pouco me lixando se alguém tem algo contra eu estar com Camus. Eu gosto dele e assumo o que sinto. Ele me quis, eu o quero. Então, se ninguém tem mais nenhuma crise infantil a ter, nós dois temos trabalho a fazer na Fundação."

"Ambivalente? Não foi você quem usou essa palavra uma vez, Milo?" Camus fez com que um vento mais frio bagunçasse os cabelos de Saga, carinhosamente. "Ele me parece bem mais seguro que muitos, muito mais verdadeiro, e eu aprecio a verdade, mas creio que ainda se lembra disso. Vamos?" O francês virou-se para ir embora, sem sentimento algum nos olhos, nos gestos, na voz, no porte. No entanto, em seu coração, pensou que ele não fora totalmente sincero com Milo até o dia daquele infeliz beijo no meio da rua.

"Camus..." Milo se acabou com aquelas palavras. Camus simplesmente... Dera-lhe as costas? Milo ficou parado, no meio da arena. Shaina correu para ele e abraçou-o.

Every time I see your clothes scattered out on the floor.

I say I thought you would be home.

You said you never would be gone.

Everytime I see the light not burning on the porch,

I say I thought you would be home.

You never would be gone.

I thought you would be home.

You said you never would be gone,

But you are

Toda vez que vejo suas roupas largadas no chão

Eu digo que achava que você estaria em casa

Você disse que nunca iria embora

Toda vez que vejo a luz apagada na varanda

Eu digo que achava que você estaria em casa

Você disse que nunca iria embora

Achava que você estaria em casa

Você disse que nunca iria embora

Mas você foi

Saga suspirou e olhou para Camus que continuava se afastando. Milo era um idiota. Sentiu seu braço ser seguro por Shura e olhou-o com um franzir no cenho.

"Vai à festa hoje à noite?" Shura perguntou como se estivessem todos num belo dia sem conflitos. A frieza dos capricornianos era bem conhecida.

"Não. Pretendo apenas jantar com Camus. Se quiser, está convidado e pode trazer Afrodite." Oh, não, Saga não era tão simples também não.

"Ele vai comigo sim, podemos nos divertir igual aquele outro dia, não é Shura?" Afrodite invocara dúzias de rosas que perfumavam o ambiente e olhava com ar de desafio para Saga. "Ou você não se satisfaz com apenas um, Saga?"

"Bom dia a todos. Estaremos na fundação." Saga virou-se, não ia fazer shows, nem pensar. Talvez, quem sabe, pudesse conversar com Shura depois. Bem depois. Alcançou Camus com facilidade. "Camus?"

Os olhos do aquariano estavam cheios de lágrimas. Ele sentira o cosmo de Milo quebrar em dor. Ouvira o chamado dele. Por que não conseguia correr para ele e dizer que o amava? Por que sempre fugia de questões emocionais? Podia ser temperamental, mas também muito intransigente. Precisava esquecer aquela mágoa, precisava conversar com Milo! Com urgência!

"Isso foi desnecessário, Afrodite. E, nem pense em ir comigo." Shura suspirou. Estava uma pequena confusão aquele mar de sentimentos. E agora Saga estava com Camus. Mesmo que não fossem namorados, fosse lá o que fossem, para Shura havia algo entre Saga e Camus e era o suficiente para que seu código de honra o impedisse de sequer pensar em fazer algo a respeito. Queria fazer algo a respeito? Droga, Saga deixava sua mente num rodopio intenso. Geminiano perigoso...

"E você vai para um jantar chato ao invés de sair comigo? Bebeu, Shura?"

"Afrodite, por favor."

"Você quem sabe. Não faço a menor questão mesmo. Se prefere bancar a vela ao invés de fazer sexo incrível, aí é com você." Afrodite se afastou e convidou Máscara da Morte para sair.

"Nunca fizemos sexo." Foi a resposta gélida do espanhol. Afastou-se sem mais palavras.

Enquanto isso, o francês apenas sintonizara o cosmo do geminiano e sentiu quando ele se aproximou, estendeu a mão para trás sem se voltar e entrelaçou os dedos, gostou da sensação de paz que vinha do geminiano. Camus sequer dirigira o olhar a Milo. Estava... Impressionado. Saga era incrível! Nunca vira Milo ficar tão na defensiva em sua vida, nunca vira nada igual! Saga dissera tudo em poucas palavras, Saga assumira que estavam juntos sem titubear, Saga fazia parecer algo absurdamente comum, normal e simples.

Quem sabe pudesse gostar um tanto de Saga? Não, sabia que não devia e que não conseguiria ser totalmente sincero. Saga fora muito digno na noite anterior. Estavam juntos, mas Saga não o amava. Camus também não o amava porque não conseguia deixar de amar Milo. Ao menos era um bom relacionamento. Camus sabia o que esperar e sabia perfeitamente que não devia, nem podia, se apaixonar pelo geminiano. Amava Milo, mesmo que o escorpiano não fosse bom para ele.

Ora, Saga estava apaixonado por Shura. Apenas que o capricorniano não parecia ter muita certeza do que queria e Saga não ia ficar correndo pelo Santuário em lágrimas como se fosse uma pobre donzela abandonada. Sim, Camus tinha muito o que aprender com Saga. Sobre ser homossexual, ou bissexual, ou qual fosse o nome que a sociedade quisesse dar.

Sobre ser uma pessoa mais segura, melhor.

Sobre ser um homem. Não um jovem, não mais. Um homem.

Camus seguiu, de mãos dadas, com seu agora assumido romance. O que sentia por Milo? Não mudara nada. Apenas que seria prático como Saga estava sendo. Passariam um tempo juntos. Quem sabe apenas pudessem ter um pouco de paz e felicidade? Coisas que não tivera com Milo. Que não sabia se algum teria na vida.

"Milo, você está bem?" Shaina estava absurdamente preocupada. Milo parecia ter morrido.

"Pode me dizer por que atacou Máscara da Morte, Milo? Ele disse algo que você não gostou ou que você não queria ouvir?" Mu de Áries observava tudo atentamente enquanto esperava que Shaka chegasse. "E você quase se meteu numa boa encrenca com Saga. Sabe muito bem o quanto ele pode ser destrutivo."

"Ora, Mu, Máscara disse que o Milo era gay. Isso é ofensivo, não é? Se Milo fosse, mas não é." Shaina suspirou.

"Eu creio que o problema não é ter sido uma ofensa, não é mesmo Milo?" Kanon continuava por ali, agora mordia com gosto uma maçã.

"Kanon..." Mu olhou para Milo que... Acompanhava com o olhar cada movimento do aquariano?

"Se disserem mais alguma palavra sobre isso, eu juro que vão realmente me ver zangado. E eu garanto que a experiência não será agradável." Milo pensou rapidamente que Saga já o destruíra. Totalmente. Não esperava aquilo de Camus, tampouco. Aquela era a demonstração do amor de Camus? Não. Era o ódio do francês. Distância e frieza.

"Milo?" Marin não podia acreditar. Milo estava completamente transtornado. Totalmente fora de si, de uma maneira que ela nunca havia visto. Cutucou Aiolia que estava com o cenho franzido.

"Eu vou para minha casa. E se alguém for louco o bastante para ir me perturbar, tenha certeza de que eu não estou de bom humor." Milo soltou seu braço do de Shaina e num último movimento, destruiu em milésimos de segundo não uma árvore ou parede, mas toda a lateral da Arena, sem falar em quantas árvores derrubou com golpes perfeitos, cruéis, desprovidos de cuidado. Sem nem olhar para trás, subiu em silêncio deixando a amazona de cobra de boca aberta, sem entender nada mais.

"Marin, o que... O que eu faço?" Shaina estava atônita.

"Creio que não há muito que você possa fazer, Shaina." Mu de Áries tinha lá algumas convicções sobre o que estava havendo.

"Minha cara amazona de cobra, devia procurar um homem." Kanon riu. Um riso cínico, um riso livre, Milo acabara de conhecer o modo Saga de ensinar lições e tinha certeza que, dessa lição, Milo não mais esqueceria.

"Ora, cale-se. Milo é um homem." Shaina suspirou.

"Ah, claro que ele é, apenas talvez não o tipo que você gostaria."

"Do que está falando, Kanon?" Shaina arregalou os olhos.

"Eu? De nada. Enxergue se puder, ou permaneça na escuridão. Nem eu faria melhor, nem eu... Grande Saga. Se me derem licença, tenho que visitar uns amigos."

Nota: Quem conhecia a primeira versão deve estar se perguntando o que foi isso... Sim, o capítulo está enorme agora. Muito maior. Cresceu umas 1500 palavras, por baixo. Mudei o foco de algumas cenas, melhorei o Afrodite como eu o imagino e acrescentei mais pensamentos para Milo e para Camus. Espero que tenham gostado. A quem está comentando, muito obrigada, faz toda diferença saber como esta nova versão está indo. Para quem não comenta, obrigada por ler, embora gostasse de saber como se sentiram. Próxima atualização? Bem... Se eu não aumentar o próximo capítulo em 3000 palavras não deve demorar LOL Abraços! Ah, a música se chama Gone, de Daughtry, é fantástica e também foi acrescentada para a nova versão.

Para as meninas do grupo Meninas Fãs de CDZ: estou amando o surto de vocês no grupo, muito obrigada!