See You Later
Quando o dia voltou a aparecer no Japão e os raios de sol, pouco prováveis no inverno, tocaram suas pálpebras, a garota de cabelos negros levantou-se de sua cama. Espreguiçou-se e ainda com a sua camisola resolveu dar uma volta pela casa antes de tomar café.
Ela passou pelas mesmas portas, corredores e trancas até chegar ao laboratório.
Continuou caminhando, passando ainda pelas cápsulas que continham os "bebes demônio", batendo as mãos contra os vidros, como se quisesse acorda-los ou provoca-los.
Parou então diante da cápsula maior, ao centro do laboratório, olhando bem para o seu interior.
-Você logo irá acordar mamãe.-Murmurou, colocando sua testa no vidro.- Eu posso sentir sabe?
Deu uma pequena pausa, um meio riso cínico e se afastou um pouco.
-Eu também sinto sua presença senhor Wilson...-
Slade saiu de trás de uma das cápsulas um pouco surpreso. No geral, as pessoas só reparavam em sua presença quando ele permitia tal coisa.
-Se quiser saber sobre mim... É só perguntar você sabe. –Ela começou, caminhando em direção à ele.
-Você não tem medo de nada não é garotinha?
-E Eu deveria ter?-Ela arqueou a sobrancelha.- Já te disse que sou muito mais poderosa do que pareço...
-Revelar coisas assim pode ser um erro muito grande sabia?
Eles se ameaçavam mutuamente. Slade, com uma forma polida e olho estreito, continuava com sua tentativa de impor respeito e medo na garota. Yuki por sua vez, mantinha suas falas irônicas e uma confiança acima do normal para alguém de sua idade.
Aliais, tudo nela era diferente.
-Quero saber que tecnologia vocês usaram para reviver a minha aprendiz.
-Ah!-suspirou insatisfeita.-Milhares de perguntas que você poderia fazer sobre mim... E quer saber da sem-sal da sua aprendiz?- Ela mordeu o polegar de sua mão direita colocando a mão esquerda na cintura e balançando o quadril para o lado.- Que grosseria a sua rejeitar uma garota como eu.
Slade permaneceu imóvel. Era ridiculamente estressante aquela "ceninha de ciúmes".
-Homens sempre preferem as loiras... Tudo bem.- Balançou os ombros e adotou uma postura mais séria. – Eu te conto, mas antes de falar sobre aquela loira, temos de falar sobre ninguém mais, ninguém menos que a minha mãe... A sra. Tennyo.
-Então... A peça contava a lenda sobre mulheres chamadas Tennyos?- Mutano perguntou,entre uma mordida e outra em sua panqueca.
-Sim, Sim!- Estelar respondeu.- Era uma peça gloriosa, e romântica e... um pouco confusa também...
Os Titans estavam novamente reunidos pela sua fome matinal, sentados á mesa do Hotel para poder desfrutar do tão variado café da manhã. Todos continuavam ainda entusiasmados com o festival do dia anterior. Estelar lhes recontava a peça parte por parte, traduzindo para os seus amigos que não sabiam falar a língua nativa.
Um Titan, no entanto, estava completamente alheio ao ambiente familiar e a quantidade e variedade de alimentos à sua frente.
E dessa vez, para espanto da maioria, não era Ravena.
-Jericho, ta tudo bem com você cara?- Arauto perguntou, diante do olhar desolado do amigo.
O garoto forçou um sorriso tentando tranqüilizar os demais e fez gestos com as mãos.
-Ele disse que só estava prestando atenção na estória que a Estelar estava contando.- Ravena traduziu,embora ela mesma não acreditasse naquela frase.
- Como eu estava contando...-Estelar sorria enquanto falava.- A Lenda é sobre mulheres gloriosas que vinham do céu até a terra... Elas eram na verdade... hum.. como eu diria.. algo como fantasmas... er.. não –atrapalhou-se um pouco até encontrar a palavra.- Espíritos, sim espíritos... Que tomavam a forma humana ao retirarem seus kimonos, conhecidos como Harudukomos...
-Ra... o que?- Mutano perguntou.
-Harudukomos!- Estelar reforçou.- Quando estavam com eles, eram espíritos e podiam passar para o céu: quando os tiravam transformavam-se em gloriosas mulheres com incríveis poderes!
-Nossa, que demais!- Mutano exclamou agitado.
-Sim, e essas mulheres ensinaram várias coisas aos japoneses...- Ela continuou, levantando o dedo indicador.- Como plantar arroz!
-Aaa...- Mutano novamente, só que dessa vez cruzando os braços decepcionado.- Que sem graça.
-Não vai achar sem graça quando eu contar o resto das histórias!- Estelar falou animada.
- Apenas...fingindo que essa história absurda seja verdade... O que isso tem a ver com a minha aprendiz?
Slade perguntou em um tom de voz um pouco irritado. Sentia que estava sendo feito de idiota.
-Ué... Você mais do que ninguém deveria acreditar na minha história!- Yuki falou divertidamente.- Viu o próprio demônio cara a cara e não acredita em seres como as Tennyos? Você é daqueles que acredita que só o mal toma forma?
Ele nada pronunciou, apenas permaneceu em pé de braços cruzados, em uma pose imponente.
-Aliais... vendo a minha Oka-sam aqui... você deveria ter provas mais que o suficientes para...
-Apenas me explique. -Ele cortou zangado.- O que isso tem a ver com a minha aprendiz?
- Não é obvio?- Yuki bufou indignada.- Achei que você fosse mais inteligente! Mas não passa de um lacaio burro...
-Chega!- Ele levantou a mão para esbofetea-la mas conteve-se,vendo-a dar um sorriso que o deixou ainda mas zangado.
Respirou e continuou sua fala.
- Estou a um passo de torcer o seu pescoço agora... Quando seu pai voltasse de viagem, nem saberia o que aconteceu a você.
Ela riu ainda mais histericamente, deixando cair-se no chão com a gargalhada.
-Você me matar? Que piada! –Disse, quando finalmente conseguiu se recompor.- Eu precisaria de uma alma para morrer, coisa que eu não tenho. Pode ferir meu corpo se quiser... Mas meu espírito permanecerá nele a menos que eu queira deixa-lo ir embora...
Ela então se aproximou dele,voltando a por as mãos em seu tórax e cochichar em seu ouvido.
- E se meu espírito sair, pode ter certeza que eu voltaria para puxar seu pé a noite... E você não iria gostar...
Ele a empurrou e a encarou por um tempo.
-Esse é história mais absurda que eu já ouvi na vida.- Ele respondeu.
-Ah é? Se não acredita então tenta me matar agora!- Ela desafiou, entre um riso cínico e outro abrindo os braços desafiadoramente.
-E Então você não me daria as respostas que eu quero, não é isso?
-Ah... é isso que o impede? – Ela perguntou, andando lentamente em volta dele.- Isso é simples: usamos o Harudukomo da minha oka-sam em sua aprendiz: ele fez com que o corpo dela voltasse ao normal, e antes que ele pudesse transformar-la em espírito por completo, apenas o retiramos.
Ela parou em frente a ele uma vez mais, encarando-o nos olhos.
-Me mata agora se tiver coragem!
Slade estreitou os olhos, era uma oferta tentadora. Acabar com aquela mosquinha arrogante... Nada de armas, apenas as mãos... Mas antes mesmo que estivesse pronto para tomar qualquer decisão,o chão abaixo de seus pés começou a tremer, e pedaços das paredes e do teto começaram a ceder.
-Acho que sua aprendiz acordou.-Ela advertiu sem se preocupar com o teto desmoronando sobre si..- Melhor ir vê-la.
Slade assentiu com a cabeça e deu as costas para a garota,indo em direção ao quarto de Tara.
Antes de fazer o mesmo,Yuki parou, virou-se algum tempo para a mulher adormecida analisando-a.
- Não se preocupe, eu volto logo: quando acordar eu serei a primeira visão que você terá!
Olhou então para os "Bebês-demônio" .
- O mesmo vale para vocês maninhos...
Dito essas últimas palavras, caminhou calmamente atrás de Slade, com pedaços do laboratório caindo ao redor e atrás de si.
- Eu achei bem interessante as histórias que os japoneses inventam para explicar a cultura deles. – Robin comentou.
Ainda discutiam sobre as lendas contadas pela alien, com uma e um interesse animação tão grande por elas, que era como se eles fizessem parte dessas lendas, como se fizessem parte daquele país.
-É um povo bem místico...- Ravena completou.
Queria acrescentar mais um comentário, mas logo reparou na expressão estranha nas feições de seu amigo.
-Jericho?- Ela chamou e ele logo voltou sua atenção para ela.- Quer sair pra meditar ou...?
-Não.- Ele fez com as mãos e levantou-se da mesa.- Só... não-estou-mais-com-fome.- Virou-se para os amigos.- Licença.
A feiticeira acompanhou-o com os olhos por um tempo,reuniu um pouco de coragem e foi atrás dele. Devia isso à ele.
Mas mais do que o dever, queria estar com ele naquele que parecia ser um momento difícil.
-Jericho?- Ela chamou mais uma vez.
Ele parou. Virou-se devagar e a contemplou por alguns segundos, antes de aproximar-se dela e lhe dar um sorriso quente.
Como alguém... pode ter um sorriso desses?- Ela pensou.
Ele a abraçou rapidamente e lhe deu um beijo na testa, como em uma despedida.
-Vou-sair,preciso-ficar-sozinho-por-um-tempo...-Mas-eu-te-vejo-mais-tarde.
-Até mais tarde...-Ela respondeu.
Os dois fluiam a bondade
Começam a mudar como flor e o amor
O vento na baixa altitude espera o vento no silencio
já não consigo mais escutar nada
Ele acenou afastando-se dela aos poucos e logo passou pela porta do Hotel.
-Por favor não demore.- Murmurou para si, dando as costas e voltando para onde estavam os demais Titans.
-Terra, pare com isso agora!-
Slade ordenou, empurrando a porta do quarto com força. Para sua surpresa, porem, ela não parecia estar acordada:usava seus poderes inconcientemente deitada na cama.
-Ela está tendo um pesadelo?- Yuki perguntou aproximando-se.
-Talvez...-Slade aproximou-se de Terra,pegou uma seringa na cômoda do lado da cama e injetou no braço da garota.- Que trabalho você está me dando aprendiz...
-Tá dopando ela? E o que vai fazer depois?- Yuki perguntou, como se insinuasse algo.
-Estou tentando evitar que ela destrua a mansão.-Ele respondeu irritado.- Embora não seria uma má idéia um pedaço de telha caindo na sua cabeça.
Slade se afastou da garota adormecida, que aos poucos foi cedendo a droga até voltar a um sono mais tranqüilo.
-Vou sair agora, tenho assuntos à tratar. Quero que fique de olho nela.-Slade ordenou.
-E Eu tenho cara de babá?- Yuki questionou, cruzando os braços.
-Faça isso se quiser ganhar o seu presente de aniversário.
Ela calou-se por um tempo iritada. Mas logo voltou a sorrir.
-Tomarei conta dela direitinho!-Respondeu com alegria.
E AI PESSOAS? Não sei se vou ter tempo de dizer isso depois então:
FELIZ ANO NOVO PRA TODO MUNDO!!!!
próximo capítulo: A grande revelação n.n
(c tiver comentários n.n)
