Dark Angel

"Um homem sem razão para viver é um homem disposto a matar e morrer"

By Asuka Maxwell

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Agradecimentos:

A Blanxe por revisar esse capitulo. Muito obrigada Blanxita valeu demais \o/.

E a Joice (sem juizo), uma japinha muito gente boa, por ter traduzido essa musica linda do Glay que é a trilha sonora desse capitulo.

Obrigada também a todos que deixaram review.

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Capitulo 06:

O castelo de areia e nevoa.

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Um rapaz de cabelos negros, presos num curto rabo de cavalo, trajando roupas brancas, que lembravam os antigos trajes chineses, caminhava tranqüilamente pela escura rua da cidade de Primas. Uma cidade extremamente violenta e perigosa ainda mais naquela hora da noite, mas o jovem parecia não se importar com esse fato e continuava seu trajeto tranqüilo, levando sua mochila nas costas.

Em um bar da cidade de Primas, freqüentado por mutantes, bandidos, assassinos de aluguel, prostitutas e mendigos que não tinham outro lugar para ir beber, uma jovem de olhos claros tentava arrancar informações do barman.

-Você tem certeza que não sabe onde encontrar esse tal de Shenlong? – a jovem insistia, batendo as mãos no balcão do bar.

-Eu já disse, moça. Às vezes ele simplesmente aparece aqui e às vezes não. Eu não o conheço, ele nunca fala com ninguém a não ser o estritamente necessário. É muito misterioso. A única coisa que eu sei, é que ele é o mais temido matador que existe, todos o temem, humanos e mutantes.

-Mas você não tem nenhuma pista do paradeiro dele? Já faz cinco noites que eu o estou procurando. – a jovem se virou na cadeira, ficando de costas para o barman a fim de observar o movimento do local.

O homem, que fazia alguns coquetéis, se apoiou sobre os cotovelos no balcão.

-E por acaso eu posso saber por que a moça bonita quer tanto encontrar o tal Shenlong?

A moça se virou para o barman com um sorriso cínico nos lábios.

-Isso não é da sua conta. Afinal já está obvio. Por que você acha que alguém procuraria um assassino de aluguel?

-Ah! Então a mocinha está querendo eliminar alguém muito importante ou muito forte para estar procurando o temível Dragão Negro.

-Dragão Negro? – a jovem arqueou uma sobrancelha.

-Shenlong, Dragão Negro, mascarado, vingador e até mesmo justiceiro e outros apelidos bizarros. Todos se referem ao tal assassino, isso porque ninguém nunca viu o rosto dele, ele está sempre usando uma mascara negra.

-Interessante! Desse detalhe eu não sabia.

-E parece que a mocinha está com sorte!

-Hã!? – a jovem olhou na direção em que o barman apontou. -É ele... – ela sorriu.

Um rapaz com uma máscara negra cobrindo totalmente o rosto, trajando roupas brancas, entrou no bar e sua presença foi notada por todos. Alguns se encolheram em seus cantos tremendo, outros não deram importância e muitos rapidamente abriram caminho para a passagem do mascarado, que permanecia na porta observando o movimento.

-Boa sorte, garota! – o barman desejou.

A jovem praticamente saltou em cima dos mutantes a sua frente, tentando chegar até o homem.

-Você vai precisar... – infelizmente a jovem não ouviu a voz do barman.

A garota tentava manter os olhos grudados a todos os movimentos do mascarado, que se movia rapidamente entre a multidão, mas estava impossível para ela, já que sua estatura era bem inferior a dos grandalhões a sua frente. Ela empurrava, se debatia, mas não teve jeito. Perdeu o alvo de vista e olhou incansavelmente em todas as direções tentando achar algum vestígio dele, até que por sorte ou ironia do destino, se virou a tempo de mirar o vulto de roupas brancas, acabar de subir as escadas que davam para o andar superior do bar.

Sem perder tempo correu para as escadas quando chegou foi barrada por dois brutamontes.

-Desculpe-me, garota, mas o andar superior é restrito a convidados.

-Mas é que você não entende. Eu preciso falar com o Dragão Negro, eu o vi subir as escadas.

-O Sr. Shenlong pediu que não fosse incomodado por ninguém.

-Mas é que eu preciso dos serviços dele.

-Ordens são ordens, então à mocinha não pode subir.

A garota de olhos azuis bateu o pé e saiu a contragosto do bar. Pelo visto teria que procurar outro matador, mas onde iria achar outro tão bom quanto Shenlong? Relena certamente a mataria se a missão não fosse cumprida com perfeição.

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Nanifu jiyuu nonai kurashi dana
Dakedo nanikami tachirenu
Sonna yorumo aru darou
Sonna yorumo aru darou
Nani wo osorete irunokamo
Wakarazu machiwo tobidashita
Hisshide tsuka mouto shiteiru
Eikouwa ookina imiwo

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Vivo uma vida abastada

Porém, sinto-me um tanto quanto insatisfeito.

Há noites assim, há noites assim, não?

Talvez eu esteja temendo algo.

Sem entender, saí para a cidade

Tentando com todas as forças, encontrar

O verdadeiro significado da glória.


-Então, Rashid. Quem é o tal soldado que vai me ajudar em minha fuga? Tenho que saber quem é, pois pretendo fugir amanhã, durante as comemorações do aniversario da Cúpula de Sandrock. – Quatre nervoso, andava de um lado para o outro do quarto.

-Sim, mestre Quatre. O senhor vai conhecê-lo hoje. Não se aprece, temos que fazer tudo com calma para que nada saia errado. Íria já sabe de sua fuga e prometeu nos ajudar. Hoje a noite deixe a porta de seu quarto destrancada, entendeu? – o jovem loiro fez um sinal positivo com a cabeça. – Até a noite.

Rashid saiu do quarto do jovem príncipe.

Na cozinha do palácio real, uma jovem ruiva de olhos claros, picava algumas verduras sobre a mesa de madeira, quando um jovem de olhos verdes, com farda de oficial, entrou pela porta da cozinha.

-Trowa, o que faz aqui? – a jovem se levantou assustada. –Está maluco? Você é um oficial. Não tem permissão para ficar passeando pelo palácio!

-Eu sei, Catherine, mas preciso falar com Rashid.

-Eu não acredito que você, meu irmão, continua com essa idéia maluca de ajudar o príncipe em sua fuga.

-Shhh! Fale baixo, Catherine. Já imaginou se alguém escuta você falar disso? Vai tudo por água abaixo.

-Pois eu não me importaria. Não concordo com essa sua idéia maluca de fugir com o príncipe. Será que você ainda não percebeu que ele é o PRINCIPE e você é apenas um mero oficial do exercito! Ponha-se no seu lugar!– a garota gesticulava se esmerando.

-Eu sei muito bem qual é o meu lugar, Catherine. Eu não fugirei com o príncipe para me casar com ele!

-Se o Conselho suspeitar disso, você é um homem morto, Trowa. – a garota avisou displicente.

-Eu sei, minha irmã, mas eu não devo lealdade ao conselho e sim ao príncipe.

-Hum Hum! - uma mulher loira de olhos claros tentou chamar a atenção para si.

Ambos estavam tão intertidos na discussão, que não haviam notado a presença da mulher.

-Princesa Íria. – Catherine fez uma reverencia.

-Desculpe-me atrapalhá-los, mas, Oficial Barton, Rashid o espera na biblioteca, pode me acompanhar, por favor!

-Claro.

Trowa olhou para a irmã antes de acompanhar a princesa. Passaram pelo enorme hall de entrada do palácio e sumiram no corredor até que Íria parou diante de uma enorme porta bem trabalhada.

-É aqui, Oficial. – Íria apontou.

-Obrigado.

-Vou deixá-los a sós.

Trowa entrou na biblioteca, onde Rashid já o esperava.

-Trowa, como esta? – Rashid o cumprimentou.

-Bem, Rashid.

-Chamei-o aqui para repassarmos os últimos detalhes da fuga. Hoje à noite você repassara o plano com o mestre Quatre. Ele vai deixar a porta do quarto destrancada para facilitar sua entrada, enquanto eu distrairei qualquer pessoa que ameace entrar.

-Tudo bem. Hoje à noite estarei aqui.

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-Eu odeio essa cidade! –Duo afirmou, olhando para Heero que caminhava ao seu lado.

-Então por que não vamos embora? – Heero falou, sem olhar para Duo.

-Eu tenho que resolver algumas coisinhas aqui. Além disso, preciso de dinheiro para pagar o pedágio para aqueles desgraçados que monopolizam o tráfego no túnel que nos liga até a Europa.

-Então pára de reclamar. – Heero disse friamente.

-Também não precisa ser grosso comigo. Eu achei que você estava tentando ser mais gentil comigo, sabia? – Duo parou na frente de Heero e o obrigando a parar, encarou o forasteiro.

-Pensou errado. Anda vamos logo encontrar um lugar para passar a noite.

Heero agarrou o braço de Duo, arrastando o garoto pelo meio da multidão de mutantes e humanos que passavam de lá para cá. Não se importou com os olhares que lhes eram lançados devido aos gritos e ao escândalo que Duo fazia.

-Pára! Me solta! – Duo se desvencilhou. –Este lugar já está bom. – Duo apontou para uma pensão. –É só por uma noite e tem que ser um lugar barato!

Entraram no lugar e Duo foi até a recepção pedir um quarto. Heero ficou em um canto observando o americano de longe. Apesar de tudo, o garoto era adorável. Ele estava berrando com o dono da pensão e ficava encantador quando estava nervoso. Heero nunca havia admirado alguém, como admirava o humano agora, a vida era tão calma e agradável ao lado dele que Heero não queria partir jamais.

-Você acredita nisso? Aquele monstro consegue ser mais grosseiro que você! – Duo falava gesticulando para o forasteiro. –Se não fosse pela hospedagem ser a mais barata, eu iria embora agora.

"Como esse garoto consegue ser irritantemente adorável?" - Heero pensava com seus botões, ao ver Duo fazer um novo escândalo.

-Ai! – Duo bateu a mão estalada na testa. –Eu quase ia me esquecendo! Tenho que ir visitar um velho conhecido. Você vem comigo ou fica aqui, Heero?

-Vou com você.

"Não me arriscaria a deixá-lo sozinho nessa cidade" - completou em pensamento.

Saíram da pensão. Duo guiou todo o caminho, que seguiram a pé. Heero se irritava com alguns olhares de cobiça e luxuria que eram dirigidos a Duo, que nem percebia. Duo parou em frente a um beco escuro e se voltou para Heero.

-Heero, eu quero que fique aqui e me espere. A pessoa com quem eu vou falar é desconfiada, ainda mais em forasteiros como você. Eu tenho que entrar lá sozinho. – Duo apontava para o chão.

-Não. Eu vou com você. – Heero segurou o braço de Duo.

-Não. Desta vez, não. Por favor, fique aqui. Não te conhecem e não vão deixar você entrar.

Duo bateu em uma pequena porta e um par de olhos abriu uma fresta e pediu uma senha para a entrada. Duo falou umas palavras quase incompreensíveis e entrou no lugar sumindo das vistas de Heero, deixando o forasteiro preocupado.

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Ashita ni nagekaketa toshitemo
Nozumanai ketsumatsu moaru
Kurikaesu kurashino naka de
Sakerarenu meidai wo ima sewotte
Mayotte mogaite mayonaka
Deguchi wo sagashiteiru tesaguride

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Mesmo deixando tudo para o amanhã

Há resultados indesejáveis.

Dentro desses dias repetitivos

Viro as costas para essa missão inevitável.

Sentindo-me perdido

Sozinho na madrugada

Sempre procurando uma saída

Minuciosamente.


A Cúpula de Sandrock estava em festa. Comemoravam o aniversário de construção da Cúpula como uma "vitória" sobre os mutantes. Sandrock era uma imensa cidade humana, protegida por um enorme campo de força que impedia a entrada de mutantes e protegia os humanos de qualquer ataque em potencial. Haviam Cúpulas menores, acopladas a Sandrock espalhadas por todo o planeta Terra, mas nenhuma delas tão grande e tão poderosa quanto Sandrock.

O palácio real do governo ficava de frente para a praça central da Cúpula, onde era realizado desfiles e festivais em comemoração. Havia uma enorme mesa montada na praça central, repleta de fartura como frutas, vinhos e varias comidas típicas da antiga cultura árabe. O povo vestia fantasias e máscaras, dançavam caminhando pelas ruas da cidade, enquanto outros ficavam debruçados nas sacadas assistindo a folia.

Na sacada principal do palácio real, tinha sido montado um banquete exclusivo para os membros do conselho de Anciões, os membros da família real, alguns oficiais de alta patente e alguns líderes de Cúpulas menores.

Quatre Raberba Winner, o príncipe herdeiro do trono, estava debruçado em um canto isolado da sacada principal, observando a alegria de todos, mas seus olhos estavam tristes e perdidos. Logo estaria fora das grades de Sandrock. A sua vida inteira tinha sido manipulada pelo conselho de anciões, mas ele só havia percebido isso ao conhecer um jovem andarilho chamado Duo Maxwell.

Nunca havia se dado conta de que até seus pensamentos eram controlados, vivendo atrás daquelas grades onde só servia de fantoche nas mãos do Conselho, para manipular a sociedade numa batalha interminável contra os mutantes, onde muitos humanos estavam morrendo. Absorto em seus pensamentos, Quatre nem percebeu a aproximação de sua irmã.

-Meu irmão, por que está tão triste? Hoje é dia de festa para a Cúpula. – Íria aproximou-se tocando o ombro do irmão.

-Festa? Não temos o que comemorar, Íria. O mundo está tomado pela guerra e a discórdia. Enquanto comemoramos o aniversário da Cúpula, milhares de pessoas, humanas e mutantes, estão morrendo a mingua.

-Eu sei, Quatre, mas... Nada podemos fazer agora.

-Será justo, minha irmã? Tanta fartura para os afortunados que podem pagar pela proteção da Cúpula, enquanto tantos estão entregues a fatalidade. Não deveriam vir me saudar, eu jamais fiz algum grande feito. Íria, olhe para estas pessoas, elas estão sendo enganadas. Não sabem nem da metade das atrocidades que acontecem fora dessa Cúpula. Se eu pudesse mudar a realidade do mundo...

-Mas você pode. Daqui a menos de um ano você será rei, ocupara o lugar que nosso pai te deixou como herança e então você vai poder governar Sandrock com toda a bondade que eu sei que você possui. Você vai poder mudar o mundo. – Íria acariciou a face rosada do irmão.

-Infelizmente, Iria, quando eu subi ao trono nada vai mudar. Mas... Anseio que Alah te ouça.

-Quatre, você precisa mesmo partir?

-Já conversamos sobre isso, Íria. Duo já salvou a minha vida inúmeras vezes e eu devo muito a ele. Isso é o mínimo

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Heero estava tão perdido, pensando na segurança do humano, que não percebeu quando um grupo de seis mutantes mal encarados aproximava-se dele.

-Ora, ora. Vejam só o que encontramos aqui! – um mutante com um pedaço de metal nas mãos e um tapa-olho no olho esquerdo, chamou a atenção de Heero.

O mutante com um pedaço de metal nas mãos ficou na frente de Heero, enquanto os outros cinco o cercaram formando um círculo. Para escapar o japonês teria que enfrentá-los.

-Não deveria andar sozinho, a essa hora da noite, numa cidade tão violenta quanto Primas. – o mutante sorria sarcasticamente. –Agora, senão quiser apanhar muito, me diga onde está o garoto de trança que andava com você a tarde.

-O que você quer com ele? - Heero estranhou a pergunta. Não tinha percebido que estavam sendo seguidos desde que entraram em Primas.

-Não é da sua conta. Anda diga logo.

-Acho que você mexeu com a pessoa errada. – Heero estava com a face inexpressiva.

Ele colocou-se em posição de ataque. Os mutantes o subjugaram pela aparência acharam que estavam lidando com um humano qualquer. Mal sabiam eles que Heero era o mais perigoso dos mutantes. Deram o primeiro passo, Heero se defendeu com facilidade, derrubou os dois mutantes que o atacou sem precisar usar nenhuma de suas armas. O mutante que parecia ser o chefe do grupo ficou enraivecido.

-Não pense que me impressiona só porque sabe alguns golpes de luta e se defende muito bem.

-Então porque ao invés de ficar mandando os seus capachos me atacarem você mesmo não o faz? – Heero provocou.

-Não pense que vai consegui me irritar! Eu sou Miller, o mais poderoso mutante de Primas. – Miller levantou o pedaço de metal em suas mãos e atacou Heero. Formou um sorriso em seus lábios, por pouco tempo ao ver que Heero segurava o metal e não deixou que ele o atingisse. O forasteiro facilmente amassou o metal e o retirou bruscamente das mãos de Miller.

-Vamos ver se você é tão corajoso assim sem aquele metal em suas mãos. – Heero olhava para Miller o desafiando.

Miller elevou sua mão direita na direção em que o japonês jogou o metal, que começou a balançar no chão e voou até as mãos de Miller, que sorriu olhando para Heero.

-Eu sou um mutante magnético, controlo qualquer tipo de metal. – Miller sorriu. –Segurem-no! - ordenou para dois de seus subordinados. Um deles era enorme e aparentava ser bem forte, o outro tinha a face esquerda deformada, era magro e alto, mas não menos perigoso que o outro. Os dois agarraram os braços de Heero, o mantendo impossibilitado de se mover. –Agora me diga onde esta o garoto. – Miller acertou com uma força esmerada o estômago de Heero, que arqueou de dor.

-Eu não sei de quem você esta falando. – Heero insistiu em não revelar o paradeiro de Duo.

-É uma pena que não queira falar, porque você vai continuar sofrendo até decidir parar de proteger o seu amiguinho. – Miller acertou a face esquerda de Heero com força.

"Eu não vou dizer onde Duo está. Não vou deixar que o machuquem. Eu não sei o que esses mutantes querem com ele e não me importo em continuar apanhando contando que ele esteja bem e a salvo."

Miller continuava a deferir vários golpes em Heero, que insistia negando dizer onde Duo estava. A face de Heero estava sangrando e seu corpo inteiro doía, uma dor suportável porque desde pequeno já se habituara a torturas e espancamentos, faziam parte de seu treinamento. "Por que eu estou protegendo aquele garoto? Eu deveria matá-lo. Então por que eu me importo tanto assim com ele? Por quê?"

Duo deixou sorridente a taberna onde há algumas horas tinha entrado. Caminhava alheio a tudo que ocorria com Heero e estranhou não encontrá-lo na porta o esperando. Presumiu que tivesse se cansado e ido para a pensão. Despreocupado continuou andando pelo beco, até perceber a movimentação do outro lado da rua, onde um jovem era espancado por um grupo de seis mutantes.

Duo se aproximou com cautela, mas sentiu o pânico tomar conta de si ao pensar que a vitima de tal barbárie poderia ser Heero. Até que seus olhos se chocaram com a realidade e ele viu o forasteiro ser duramente golpeado com uma barra de metal. Sentiu uma enorme angustia e tristeza, além da raiva por não estar do lado dele o ajudando.

Heero sentiu um cheiro fresco, com notas amadeiradas combinadas com ervas raras trazidos pelo vento. Era o cheiro de Duo, ele estava por perto. Vasculhou o local em volta com os olhos e focalizou-o e este estava com os olhos arregalados e chocados com a cena brutal que presenciava.

Heero queria mandá-lo fugir dali, queria que Duo corresse para longe para não ser ferido. Sentiu algo estranho invadir seu corpo, um desespero que não sabia explicar, mas sabia muito bem o motivo desse sentimento. Não queria ver Duo ferido. Mas como impedir? Se gritasse chamaria a atenção dos mutantes para Duo. Não sabia para quem estava pedindo, mas mentalmente desejava que Duo fugisse. Ao ver que suas preces não iriam ser atendidas, já que Duo corria em sua direção, não teria outra alternativa a não ser matar os mutantes.

-PAREM COM ISSO! - Duo gritou chamando a atenção para si.

-Finalmente você resolveu aparecer. Achei que teria que matar o seu amiguinho. – Miller sorriu ao ver Duo. –Agora me entregue a chave.

-Do que você está falando? Que chave? Solte o Heero.

-Não finja que não sabe do que eu estou falando. – Miller agarrou a gola da camisa de Duo e o elevou do chão. –Eu já perdi a paciência com o seu amiguinho não me faça perder o controle com você também.

-Não toque... – Heero tentou pronunciar algo, mas estava fraco com a cabeça baixa só se mantinha de pé porque era amparado pelos dois mutantes que o seguravam.

-Não acredito que você ainda insiste em falar mesmo depois de ter apanhado tanto. Matem-no! Não preciso mais dele, já tenho o que quero em minhas mãos. – Miller olhou para Duo sorrindo sarcasticamente.

-Não toque nele... – Heero advertiu, com um tom totalmente frio em sua voz.

Miller apenas sorriu e jogou Duo contra a parede.

-Ops! Desculpe-me, ele escorregou da minha mão. – disse sarcástico.

-Ahhhh!

Com apenas um grito Heero formou uma ventania ao seu redor derrubando os mutantes que o seguravam, mas como estava fraco pelos vários golpes que recebera caiu no chão também.

-Heero... – Duo tentou alcançá-lo, mas foi impedido por Miller que o segurou e o imprensou contra a parede.

-Onde esta a chave? – vociferou.

-Que chave?

-A chave que abre o olho de Deus. Aquele crucifixo que você carrega. Onde ele está?

-Eu te avisei para não tocá-lo... – Heero tentava se colocar de pé ao ver Miller imprensando Duo.

-Como você ainda esta vivo! Rápido! Eu mandei vocês matá-lo. – Miller ordenou aos outros mutantes.

Os cinco mutantes atacaram Heero ao mesmo tempo. O forasteiro desembainhou sua espada e deferiu golpes rápidos e mortais. Assim que terminou sua arma pingava sangue e os mutantes a sua volta estavam todos caídos no chão agonizando.

-Solte-o. – Heero ordenou.

-O que é você? Um monstro? – Miller soltou Duo. –Guarde bem as minhas palavras, eu voltarei e terei o que quero e vou te matar seu monstro. – com seu poder magnético Miller atraiu um círculo de metal e subiu nele usando seu poder para movê-lo rápido e fugir.

-Você está bem? – Heero se aproximou de Duo.

-Estou. – Duo levantou-se. –Às vezes você me assusta. – Duo olhou confuso para o forasteiro.

-Você está com medo de mim?

-Sim. Às vezes eu tenho muito medo de você.

-Não tenha. Eu jamais iria feri-lo. – Heero não sabia como fazer o humano não temê-lo. Ele não queria assustá-lo. Queria apenas protegê-lo, mas não sabia fazer as escolhas certas. Havia banhado a sua espada com sangue na frente de Duo e ele tinha todo o direito e razão de sentir medo. Heero não sabia ser gentil. Ele só queria abraçar o humano e dizer para não temer, mas algo o impedia de fazer isso.

-Será mesmo, Heero? Será que um dia você não me machucará?

Heero não sabia como responderia aquela pergunta. Ele tinha vindo para o passado para matá-lo e agora que o conhecia, tudo que queria e pensava era em protegê-lo, em estar perto de Duo. Odiava os humanos, odiava os mutantes, odiava o mundo, mas... Por que não conseguia odiar Duo? Ele que era o Shinigami, seu principal inimigo, por que não conseguia odiá-lo? Por que tudo era tão confuso e complicado?

-Vamos embora, Heero. Você está muito ferido, tenho que cuidar desses machucados. – Duo abraçou Heero.

-N... Não se preocupe comigo, não estou ferido.

O coração de Heero batia descompassado. Não entendia como Duo podia simplesmente abraçá-lo e querer cuidar dele, mesmo depois de presenciar as mortes causadas por ele.

-Como assim não está ferido? Eu vi aqueles homens baterem em você. – Duo continuava abraçado a Heero.

-Meu corpo se recupera rápido de qualquer ferimento. Não se preocupe.

-Como? Heero quem você é de verdade? – Duo o encarou.

-Talvez um dia eu te diga.

Heero não queria estragar aquele momento, não queria perder a afeição de Duo. Não agora. Do lado do humano se sentia bem, sentia-se em paz. Se ele descobrisse quem realmente era, passaria a odiá-lo e, neste momento, Heero percebeu que, se o humano chegasse a isso, seria pior que a morte. Ele encarava Duo com uma sombra nos olhos, algo que o humano não conseguia identificar, parecia que os olhos de Heero transmitiam tristeza, mas foi apenas uma leve impressão, logo os viu se tornarem inexpressivos e frios novamente.

-Vamos embora, Heero.

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Saiwo furu tokiwa otozure jinsei no kironi tatazumu
Tomoni mita kazukazuno yume wo
Oikake asewo nagasu nakamamo itana
Koewo agekakeru shounen wo
Furi kaeruyo yuusuranaku
Suri kireta wakasano nokori bi oh
Kono muneniku suburaseteiru oh
Imada yo akewa tooku

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Chegou à hora de jogar o dado

E parar na encruzilhada da vida.

Comigo, houve muitos amigos que perseguiram

Os vários sonhos que tivemos um dia.

O jovem que estava erguendo a voz

Mal tinha tempo de olhar para trás.

Esgotamos nossa energia da juventude

Dizendo com o peito estagnado
"Ainda estou longe da alvorada"


O estouro dos primeiros fogos de artifício no céu anunciava que, o inicio das festividades na cúpula de Sandrock, estava perto. Quatre já estava inquieto em seus quarto, repassando mentalmente todos os passos do plano de fuga. Tinha que sair perfeito, pois só teria essa chance para escapar, se falhasse, certamente não teria outra oportunidade.

Estava tão perdido em seus pensamentos, que nem percebeu que batiam a sua porta.

-Quatre? Você está aí? – era a voz de sua irmã Íria.

O árabe foi até a porta e a destrancou.

-Desculpe-me, irmã, estava tão perdido em pensamentos que nem te ouvi bater.

-Todos já estão procurando por você. Venha logo para a comemoração. – Íria olhava para o irmão, que ainda nem tinha vestido os trajes festivos.

-Já estou indo, só vou terminar de vestir isso. – Quatre apontou para a túnica verde, especialmente confeccionada para que ele a usasse na noite de comemoração.

-Quer ajuda? – Íria ofereceu.

-Seria bem vinda. – o loiro brincou ao perceber que não sabia muito bem como vestir aquela roupa complicada.

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-Trowa, você tem mesmo certeza do que vai fazer? – já era a quarta vez que Catherine perguntava isso ao irmão.

-Já está decidido, Catherine.

Trowa fazia os últimos retoques em sua nave de guerra, Heavy Arms. Ele era um ótimo engenheiro mecânico e havia disfarçado sua nave de guerra de uma nave comum como a que qualquer comerciante usa, assim, seria mais fácil passar pelos portões da Cúpula sem levantar suspeitas.

O estouro dos primeiros fogos de artifício no céu era o sinal que Trowa estava esperando. Iria se misturar aos guardas que faziam a segurança durante o festival, não levantaria suspeita já que realmente havia sido escalado para fazer a segurança da família real durante a festa.

-Cuide-se, por favor, Catherine. – deu um último abraço na irmã, provavelmente não a veria por muito tempo.

Queria chorar, mas não podia se passar por fraca na frente do irmão. Partir era a escolha dele, não iria mais insistir para que ele ficasse, sabia muito bem quais eram seus motivos. Trowa sempre fora um revolucionário com idéias de liberdade e igualdade, mas esse não era o principal motivo de estar ajudando o príncipe.

-Não se esqueça, irmão, você é apenas um soldado e ele é o Príncipe. – foi o último aviso de Catherine, antes de soltar o irmão de seu abraço.

Viu o irmão lhe dar as costas e partir sem mais despedidas.


Ikiteyuku tameno kashikosawo
Ima hitotsu motezuni iruno to
Darekaga fuini boyaitemo
Sorewa minna onaji darou
Sasayaka nayoro kobino tameni
Ikubakukano jouwo suteta toki
Yumewo daiji nishiroyo nante
Itsukara kai enaku natteita

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Já me disseram que agora perdi toda a esperteza de viver

E que acabei me tornando distraído

Porém, todos nós somos assim, não?

Por uma alegria ínfima

Acabei por jogar fora meus sentimentos

Desde quando parei de dizer a mim mesmo

Para dar valor a todos os meus sonhos?


Estavam todos os membros do conselho e a família real, que se resumia a Quatre e Íria, na sacada principal do palácio, de onde acompanhavam o desfile de comemoração. O loiro estava visivelmente nervoso e ansioso. Ficava o tempo inteiro procurando por alguém no meio da multidão ou então olhando no relógio. Hali, o conselheiro chefe, já havia percebido o nervosismo do árabe e estava meio desconfiado.

-Quatre, você quer, por favor, agir naturalmente. – Iria, que estava sentada ao lado do irmão, o advertiu, forçando um sorriso e fingindo estar comentando alguma futilidade da festa. –Hali já percebeu que você esta preocupado com algo, quer por tudo a perder?

-Desculpe, Íria, mas é que eu estou muito nervoso. – Quatre também forçou um sorriso.

-Isso dá pra notar de longe, finja que não está. – Íria bebeu um gole da bebida que segurava, enquanto fingia prestar atenção ao desfile e via de canto de olho o jeito desconfiado como Hali encarava Quatre.

-Está bem.

Quatre deu mais uma olhada para os guardas que faziam à segurança do palácio, quando viu algo que o tranqüilizou. Trowa estava entre os guardas e lhe lançou um sorriso quando foi encarado pelo loiro. Quatre não havia percebido, mas Hali seguira a linha de seu olhar e viu quando o príncipe sorriu para o soldado. Isso não era nada bom - pensou conselheiro chefe - um príncipe apaixonado por um simples soldado.

Quatre seguiu o conselho da irmã e tentou fingir a noite toda, mas, às vezes, cometia o deslize de olhar para Trowa, não conseguia evitar, a presença do soldado o tranqüilizava. Nenhum desses deslizes passara despercebido pelo conselheiro chefe.

Em uma hora mais avançada da festa, quase todos os membros do conselho se retiraram para uma reunião, apenas a família real, os guardas e Rashid, o guardião do príncipe, estavam acompanhando as festividades. Era hora de o teatro começar. Quatre levantou-se massageando sua têmpora fingindo estar com alguma dor.

-Já vai nos abandonar, Príncipe. – um dos anciões do conselho que havia ficado para acompanhar as festividades e ficar de olho em Quatre, por ordem de Hali, foi o primeiro a se manifestar.

-Sim, já vou me retirar, não estou me sentindo muito bem. Minha cabeça dói. – o loiro fez cara de quem realmente sentia dor.

-Eu o acompanho até seu quarto, meu irmão. – Íria se ofereceu prontamente, fazendo cara de preocupada.

-Jovem mestre, vou pegar algo para sua enxaqueca. – Rashid também se prontificou a ajudar o loiro.

-Precisa de alguma coisa, alteza, quer que eu avise o conselho. – o ancião perguntou meio desconfiado da repentina dor de cabeça do príncipe.

-Não precisa, não quero que perca as festividades por minha causa. – o Príncipe se adiantou. –É apenas uma dor de cabeça, amanhã de manhã estarei melhor.

Quatre se desculpou mais uma vez e se retirou, sendo apoiado pela irmã e seguido imediatamente por Rashid. Trowa já havia deixado o local antes mesmo que o ancião percebesse a sua ausência. Iria esperar pelo príncipe no jardim dos fundos do palácio.


Hitori niwa naritaku naito
Naki nureta yorumo attana...
Ano hibino futari ga nazeni
Konnanimo itoshiku mieru
Zuibun tookuhe zutto tookuhe
Futari katawo narabete ayunda keredo

-

Houve noites que passei em claro,

Chorando, porque não queria estar só.

Por que me lembro de nós dois naqueles dias

Com lembranças tão românticas?

Porém, faz muito, muito tempo

Que andamos lado a lado.


Quatre foi para o quarto, enquanto Íria se fazia de preocupada e o acompanhava. Rashid para não levantar suspeitas, foi pegar um remédio para a suposta enxaqueca do príncipe.

-Vou verificar o jardim dos fundos. Você fica aqui e espera meu sinal, Quatre. – Íria deixou o irmão no quarto.

-Está bem. – o loiro concordou.

As mãos de Quatre tremiam de tão nervoso que estava. Nunca havia tido coragem para fazer nada igual, apenas seguia as ordens do conselho sem nunca questioná-las, mas agora era diferente, pela primeira vez em sua vida fazia algo por sua própria vontade.

Estava estranhando a demora da irmã. Já fazia quase uma hora que ela deixara seu quarto e não voltava com noticias. Rashid também ainda não retornara com o remédio para sua falsa dor de cabeça. Isso estava deixando o loiro preocupado. Será que haviam sido descobertos? Resolveu dar uma espiada no que podia estar acontecendo. Deixou o quarto cautelosamente, caminhando pelos vários corredores onde ficavam os incontáveis quartos daquele palácio.

Estranhou a movimentação e a luz acesa no quarto de Hali. Até onde sabia, o conselheiro chefe estava em uma reunião informal que acontecia provavelmente na biblioteca ou no salão de reuniões. Desconfiado, o loiro se aproximou cauteloso para não ser percebido. A porta estava entreaberta, Quatre aproveitou a pequena fresta da porta para espiar o que acontecia nos aposentos do conselheiro. Viu Hali e outro conselheiro e um homem que conhecia como sendo o chefe de segurança da Cúpula. Esforçava-se para ouvir o que diziam, mas os sons que viam do quarto não passavam de sussurros abafados.

-Não dá mais para esperar, temos que agir. – o chefe de segurança se manifestou um pouco mais agitado.

-Fale baixo ou alguém pode te ouvir. – Hali o repreendeu. – O príncipe não é tão idiota quanto pensamos, mas será fácil manipulá-lo. O povo acreditara em qualquer besteira que seu adorado príncipe disser.

Quatre não sabia se escutava direito. Hali havia dito que era fácil manipulá-lo? Para que o conselho iria querer manipulá-lo? Para enganar o povo? Mas por quê?

-Sim, disso eu sei, mas temos que fazer esse atentado parecer que foram os rebeldes que fizeram. Não podemos arriscar que desconfiem que os rebeldes não nos atacaram. – o chefe de segurança contra argumentou.

-Vamos erradicar essa raça vergonhosa da face da Terra, e os humanos que se opuseram a nossa superioridade também sucumbiram. – o outro conselheiro se manifestou com os olhos cheios de ódio.

Quatre não podia acreditar no que seus ouvidos acabaram de escutar. Então tudo não passava de uma armação do Conselho? Eles iriam passar por cima da vida de pessoas inocentes como se elas não fossem nada? Não, não iria compactuar com isso, agora tinha certeza de que estava tomando a decisão certa ao fugir dali. Poderia avisar aos rebeldes e refugiados dos planos terrível do Conselho e lhes garantir que o povo da Cúpula de Sandrock em geral não tinha nada a ver com esses atos insanos.

-Príncipe? O que faz aqui? – Quatre ouviu uma voz lhe sussurrar.

-Eu... – o loiro se assustou por ser flagrado espionando Hali e acabou por falar alto demais.

-Shhhhhh. Fique quieto. – Trowa tapou a boca de Quatre e o arrastou para o quarto em frente ao de Hali. Felizmente a porta estava destrancada e pode entrar antes de ser visto por Hali e os outros, que haviam ouvido a voz de Quatre e abriram a porta para verificar quem estava os espionando.

-O que foi isso? – o chefe de segurança questionou.

-Eu não sei, deixe-me ver. – Hali abriu a porta e olhou o corredor não havia ninguém, estava vazio e silencioso. –Não há ninguém aqui. – voltou para o quarto e trancou a porta dessa vez. Não deixou nenhuma fresta aberta para que algum curioso pudesse ouvi-los ou vê-los.


Aiwa aino mamajya irarezu
Itsuka katachiwo kaeru darou
Tomoni ikiru kazoku koibito yo
Bokuwa umaku aisete iruno darouka
Yoku dekita kaitou no hateni
Nayami nuku yononakawa naze?
Heibonde teakano tsuita kotoba demo
Aishiteru to tsutaete hoshii oh

-

O amor não permanece o mesmo, um dia ele muda sua forma.

Será que conseguirei amar meus próximos?

Amar minha família e namorado?

Além da resposta às minhas dúvidas

Haverá um mundo sem preocupações?

Mesmo nesse cotidiano tranqüilo

Só quero ouvir uma palavra

Apenas diga que me ama...


O coração de Quatre batia descompassado pela proximidade que estava do oficial Trowa. Este o havia surpreendido espionando o conselheiro chefe e quando o loiro se assustou e falou alto, o oficial não pensou duas vezes, segurou o Príncipe por trás, tapou sua boca e o arrastou ate o quarto mais próximo para que não fossem vistos por Hali. O quarto estava totalmente escuro e vazio, parecia que algo estava conspirando a seu favor. Ainda permaneciam assim, próximos, Trowa tapando a boca de Quatre com uma de suas mãos, talvez para ter certeza de que o loiro não soltaria nenhum ruído que os denunciasse.

Trowa tinha ido ate os aposentos do Príncipe buscá-lo para poderem fugir, já que Íria distraia alguns guardas que faziam ronda no jardim dos fundos e Rashid a estava ajudando a despistar. Quando chegou ao quarto e não encontrou o loiro, o pânico percorreu topo seu corpo. Saiu desesperado a procura do Príncipe e o encontrou espionando uma conversa no quarto do conselheiro chefe.

-Acho que é seguro sairmos agora. – Trowa disse soltando Quatre.

-E... – Quatre falou com uma voz meio rouca e sufocada, agradecia muito pelo quarto estar escuro, caso o contrario o oficial veria o quanto suas bochechas estavam vermelhas.

-O que você fazia parado lá? – Trowa sabia que não devia questionar Quatre, afinal ele era um príncipe, e fazia o que bem entendesse na hora que bem entendesse, mas não pode controlar sua curiosidade e a pergunta simplesmente acabou escapando de seus lábios.

-Hali é cruel... Tenho que fazer algo para detê-lo. – Quatre pronunciava coisas incoerentes para Trowa.

-Vamos sair daqui, alteza... Temos pouco tempo para a fuga. – o oficial achou melhor não questionar mais ainda o Príncipe, esse direito não lhe cabia.

Quatre se encolheu um pouco ao ser chamado de alteza, não gostava desses títulos e formalidade, e isso só serviu para lembrá-lo da enorme distância que havia entre ele e Trowa. Pertenciam a mundos diferentes, por mais que o loiro quisesse ignorar esse fato. Não queria admitir, nem mesmo pra si, mas estava se apaixonando pelo oficial.


Anatano kotobamo kikoe naku naruhodo
Tooku ni kimashita
Osanai korono komori utawo teni Wow

Yoakemae hitoride kousoku wo hashitta
Sugiyuku keshiki kisetsu
Omoi kidoori subete wo koete mitakute Wow

-

Não mais consigo ouvir as palavras de meus pais

De tão distante que cheguei

Porém, em minhas mãos

Ainda levo aquela canção de ninar.

À noite, correndo solitário pela avenida

A paisagem passa, junto com as estações do ano.

Queria superar todas essas lembranças.


Seguiram para o jardim como o combinado. Íria e Rashid faziam uma cena entretendo atenção dos guardas para que estes não percebessem que Quatre havia deixado o palácio juntamente com um oficial do exército. O plano estava correndo bem, Trowa e Quatre conseguiram deixar o palácio sem maiores problemas.

O oficial conhecia aquele palácio como a palma de sua mão, afinal, havia sido criado ali. Sempre trabalhara para a família real desde menino, conhecia todas as artimanhas para escapar dali, por isso, havia sido relativamente levar Quatre consigo. Ao chegarem ao local onde Trowa havia deixado sua Heavy Arms, o loiro ficou surpreso com a veracidade pela qual a nave se passava por uma nave de comerciantes. Mas por dentro continuava a mesma nave inabalável, uma das melhores do exercito. Entraram na nave e rapidamente Trowa deu a partida rumo à saída da Cúpula.

-Vista isso, Príncipe. – Trowa entregou algumas roupas ao loiro. –Temos que nos disfarçar, afinal, não vão acreditar que somos comerciantes com essas roupas.

-Por favor, me chame de Quatre. – o loiro se sentia muito incomodado quanto Trowa o chamava por títulos. -Onde posso me trocar?

-Venha. – o oficial levou Quatre até um dos pequenos quartos da nave. –Este será o seu quarto, enquanto viajamos nessa nave alte... Quatre. – Trowa se esforçou para chamar o príncipe pelo nome.

-Obrigado. – Quatre lhe lançou um sorriso.

Quatre vestiu suas novas roupas. A partir de agora não era mais um príncipe e, por alguma razão estranha, se sentia imensamente feliz por isso. O quarto onde estava não lembrava nem de longe os aposentos ao qual estava acostumado, era pequeno e abafado, mas não se importava, pois de alguma forma estranha aquilo tudo lhe trazia um sentimento de paz.

Olhou através da janela para o palácio, que ficava cada vez mais longe à medida que se moviam. Essa seria a primeira vez que faria algo por sua conta e risco, sentia muito por estar fazendo as escondidas, mas tinha que se libertar. Sabia que seus atos teriam conseqüências, mas estava disposto a se arriscar, estava disposto a sair de seu mundo perfeito, pois a realidade não era tão perfeita assim. Talvez não conseguisse salvar o mundo, mas ficaria feliz por salvar nem que fosse uma única vida fora daquela Cúpula.

Assim que a nave atravessou os portões da cúpula de Sandrock, Quatre só pode ver a silhueta do palácio embaçada e distante... Sentiu-se aliviado por estar longe daquele castelo de areia e nevoa...

Saiwo furu tokiwa otozure jinsei no kironi tatazumu
Ima iru jibun wo sasaete kureta hito
Kono utagaki koeteru darouka?
Inoru youna mainichino naka de
Motto tsuyoku ikite yuketo
Sukoshi dake yowakina jibun wo hagemasu
Mou modorenu anohino sora oh

Hito no yasashisani fureta toki
Nazeka omoidasu kotoga aru
Hajimete hitori aruki dashita
Osanai boku wo mitsumeru sono ai

-

Chegou a hora de jogar o dado

E parar na encruzilhada da vida.

A pessoa que me apoiou e me ajudou a tornar-me o que sou hoje...

Estará ouvindo essa música?

Como uma oração no dia a dia

Procuro viver com mais força

Tento confortar essa minha fraqueza

Porém, o céu daquele dia não mais voltará.

-

Quando me deparo com a bondade das pessoas

Isso me faz relembrar de algo

Desse amor que me acompanhou quando jovem

Assim que comecei a caminhar por mim mesmo...

Continua...

-

Cantinho da Autora:

Ola, me desculpem pela demora, por favor, comentem!! Ate mais

Beijos da Asu-chan

Trilha sonora: porGlay "Pure Soul"