Nota: Aqui estou eu, um dia antes do previsto :D

Espero que gostem desse capítulo porque eu não estou muito segura em relação a ele.


I never thought I'd feel this (Eu nunca achei que sentiria isso)
Guilty and unbroken down inside (Culpado e quebrado por dentro)
Living with myself, nothing but lies (Vivendo comigo mesmo, nada mas mentiras)

Regulus caminhava ansioso por Hogwarts. Ele sabia que algo aconteceria hoje, sua mãe mandou uma carta avisando para ele ficar dentro do castelo. Obviamente, ela não disse por que, mas foi o suficiente para Regulus adivinhar que tinha haver com os comensais. Ele estava nervoso por causa disso, mas sabia que ficaria bem. O problema era - como sempre - Marlene. Chegava a ser ridículo que com pessoas morrendo lá fora, ele pensasse nela. Mas Marlene era assim, ela possuía um magnetismo que fazia todos voltarem para ela.

Regulus nunca pensou que fosse se sentir culpado e quebrado por dentro, mas era como se sentia agora. Ele estava culpado de terminar – de novo – com a menina, mas não aguentava mais se sentir a assim. Ele parecia um brinquedo para ela. E Regulus odiava isso, odiava sentir que não tinha controle sobre si, odiava depender de uma pessoa para ser feliz. Mas ele dependia, e agora que tinha tentado acabar isso, o resultado fora que ficara quebrado. Ele não tinha mais nada que realmente fosse importante para ele.

Decidiu que o único lugar que poderia o acalmar agora era Slytherin e foi para lá, sorrido aliviado quando encontrou Augusto e Raya. Eles eram as pessoas que Regulus mais confiava no mundo inteiro, e mesmo assim, ele não confiava neles completamente. Era de Slytherin e um Black, afinal.

"Tudo bem, Reg?" Perguntou Raya preocupada para ele.

"Eu estou ótimo." Mentiu como sempre. Regulus vivia mentindo, tinha achado engraçado ouvir uma vez de uma menina que ela se sentia culpada quando mentia, Regulus não via nada de errado em mentir. Mentir era uma arte, e ele era um artista nisso. Seu pai sempre disse que só tinha problema mentir, se a pessoa fosse pega. Bem, Regulus não era pego. Agora, ele tinha limites. Ele sabia quando era a hora de parar, apesar de muitas vezes não fazê-lo.

I always thought I'd make it (Sempre pensei que fosse conseguir)
But never knew I'd let it get so bad (Mas nunca pensei que conseguiria ficar tão mal)
Living with myself is all I have (Viver comigo mesmo é tudo que eu tenho)

"Eu estou sentindo que algo está acontecendo lá fora" Raya murmurou, ansiosa.

Augusto a encarou.

"Você não sabe?" Perguntou, perplexo.

"Não sei o quê?" Perguntou Raya inocentemente e Regulus teve vontade de rir. Ela era tudo menos inocente. A garota era a pessoa mais esperta que ele conhecia.

"Raya, relaxe, nós sabemos o que está acontecendo lá fora. Não precisa dizer coisas em códigos para ver se entendemos." Disse Regulus com um sorriso divertido e a garota relaxou.

"Desculpa, tive que checar."

"Eu sou um Rookwood, você acha que ninguém da minha família me avisou?" rebateu o outro implicante.

Regulus normalmente relaxaria com os amigos, mas agora ele não conseguia. Sentia-se distante, como se não estivesse lá. Ele nunca achou que seu namoro com Marlene fosse acabar, a garota parecia perfeita. Nunca achou que a relação deles chegaria aquele ponto triste, era ridículo o que eles tinham se tornado. Ele odiava Marlene, mesmo a amando e sabia que ela sentia o mesmo. Ele se sentia triste, se sentia sozinho, mesmo tendo os amigos. Havia um vazio dentro dele, mais que o normal.

I feel numb (Me sinto entorpecido)
I can't come to life (Não consigo vir à vida)
I feel like I'm frozen in time (Sinto como se tivesse congelado no tempo)

Regulus sabia que era para estar preocupado com os colegas que estavam lutando lá fora, pelos comensais, que eram seus aliados. Sabia que devia estar preocupado até com o horrível irmão dele, porque ele não duvidava nem por um segundo que Sirius lutaria contra os comensais. Mas não podia. Parecia que outra pessoa estava no seu lugar, que ele tinha sido tirado da própria vida, e ele não podia voltar. E ele nem tinha certeza que queria isso, porque isso significaria voltar a dor.

Living in a world so cold, wasting away (Vivendo em um mundo tão frio, me definhando)
Living in a shell with no soul, since you've gone away (Vivendo em uma casca sem alma, desde que você se foi!)
Living in a world so cold, counting the days (Vivendo em um mundo tão frio, contando os dias)
Since you've gone away, you've gone away. (Desde que você se foi, você se foi!)

Porque morrer era fácil, o difícil era viver. O mundo era um lugar horrível, Regulus sabia bem disso, e era complicado viver sem destruir nada e sem ser destruído, o mundo eram cheio de mentiras, segredos, traições... Sangue por tudo lado. Regulus não entendia que algumas pessoas conseguiam simplesmente felizes sem machucar ninguém. Principalmente agora, com o coração partido por Marlene o ter deixado depois de tudo que ele fez para ela.

Do you ever feel me? (Você alguma vez me sente?)
Do you ever look deep down inside (Você alguma vez olha bem lá dentro)
Staring at yourself, paralyzed (Encarando-se, paralisada)

E o que mais irritava Regulus a respeito de Marlene, era que ela não era uma pessoa boa, mas ela não sabia disso. Ela sempre criticava as ações dele, mas ele via o jeito que ela agia. Ela não se importava com as pessoas. Para ela era, as pessoas eram todas algo que podia ser manipulado, que não passavam de meios ou obstáculos para conseguir o que queria. Ela não tinha consciência que ela podia ser um monstro. De como poderia acabar com as pessoas. Para se vingar, ela procurava um meio de devolver para a pessoa exatamente o dobro da dor que ela tinha sentido, não se importando o que tivesse que fazer para isso.

I feel numb (Me sinto entorpecido)
I can't come to life (Não consigo vir à vida)
I feel like I'm frozen in time (Sinto como se tivesse congelado no tempo)

"Regulus!" Chamou uma voz irritada e Regulus piscou. Tinha se esquecido que os amigos estavam ali.

"Oi?" Perguntou hesitante, e Augusto revirou os olhos.

"Estávamos falando do que está acontecendo hoje, de quem achamos que vai se ferrar..." Riu Augusto, friamente. Regulus sabia que devia odiar esse tipo de altitude 'desprezível', mas, sinceramente, achava divertido.

"Todos os Gryffindors, aposto" riu Regulus, ignorando o fato que o seu 'irmão' fazia parte desse grupo.

"Ainda acho que os Hufflepuffs vão primeiro" completou Raya.

Regulus refletiu por um instante. Era difícil decidir qual dos grupos teria mais mortos. Provavelmente os hufflepuffs de tão apavorados como iam ficar (Regulus tinham certeza) teriam a decência de se esconder, mas os gryffindor iriam querer ser nobres e lutar contra os comensais. Estúpidos.

Regulus se divertiu por um momento com Raya e Augusto, mas mesmo assim não estava se sentindo ali. Faltava algo.

I'm too young, I'm too young (Sou muito jovem, sou muito jovem)

To lose my soul (Para perder a minha alma)
I'm too young, I'm too young (Sou muito jovem, sou muito jovem)

To feel this old (Para sentir essa velice)
So alone, so alone (Tão sozinho, tão sozinho)
I'm left behind (Fui deixado para trás)
I feel like I'm losing my mind (Sinto que estou perdendo a cabeça)

Regulus respirou fundo, se acalmando, tentando manter a conversa normal para os amigos não perceberem nada, mas ele não se sentia bem, se sentia tão tão velho. Sentia que estava perdendo a cabeça, que daqui a pouco iria pirar e se sentia mais sozinho que jamais sentira antes. Estava cansando de ficar assim. Ele só queria ser feliz.

I'm too young (I'm too young)

I'm too young (I'm too young)

"Eu vou subir um pouco" Augusto anunciou. Raya e Regulus somente acenaram com a cabeça, sem se incomodaram em falar.

"Então, Regulus..." a menina deu um sorriso preocupado e Regulus sabia que não viria nada de bom. "Conte-me o que a McKinnon fez dessa vez."

Regulus a encarou surpreso.

"Fracamente, vocês devem gostar de achar que eu sou burra." Resmungou, referindo-se aos amigos. "Regulus, só tem duas pessoas que podem te deixar assim: o seu irmão" Regulus fez uma cara de desgosto. Não era verdade, ele não se importava com Sirius. "Não minta, eu sei que ele pode... E Marlene..." Parou observando a expressão de Regulus. "E como eu duvido que tenha ido conversar com o seu irmão, só sobrou Marlene."

Regulus encarou Raya chocada.

"Você é muito especial, sabia?" Riu Regulus por fim. "É muito inteligente."

Raya sorriu carinhosamente para ele.

"Obrigada, isso é bom de ouvir."

Regulus nunca tinha notado como a amiga era bonita. Quer dizer, ele sabia, mas nunca tinha notado antes. Raya era linda, mais até que Marlene. Ela tinha cabelos castanhos escuros totalmente lisos, olhos verdes claros e rosto perfeitamente simétrico. E seu corpo era perfeitamente equilibrado, nada de mais, nada de menos. Quando ela sorria, apareciam covinhas em seu rosto. Vários meninos correriam atrás dela, o tempo todo.

"Você que é muito boa para mim." Regulus sorriu, flertando antes de pensar sobre isso.

"Você está jogando charme para mim, Reg?" Raya riu.

Raya sorriu, mas logo revirou os olhos.

"Não seja igual a todos os estúpidos que vem atrás de mim, Reg." Falou seriamente.

"Desculpe." Pediu Regulus. "Eu não você ser. Só estou confuso" falou sem acrescentar o óbvio: com tudo que Marlene fez.

"Eu sei que não vai." Falou com um tom enigmático.

Regulus sempre achava fascinante quando a amiga ficava assim. Ele não tinha ideia do que ela estava pensando e jamais poderia, mesmo assumindo – esquecendo a modéstia – que era a pessoa que a mais conhecia mais no mundo inteiro, era incapaz de dizer o que Raya estava pensando.

"Obrigado, eu acho..." replicou, hesitante.

Ela sorriu.

"Só seja meu amigo por enquanto, ok?"

"Ok."

Regulus podia concordar porque, apesar de amar a amiga, não era apaixonado por ela. Ainda amava Marlene, muito, e não achava que isso fosse mudar tão cedo. E jamais iria querer estragar a amizade que tinha com Raya. Ela era especial demais para ele para isso.