A vida de Regina nunca fora fácil. Às vezes parecia que a felicidade era mantida a distância. Ela sabia que existia, mas vivenciar já era outra história. Cada vez que ela lutava por sua felicidade mais ela parecia se distanciar. Era uma espécie de ciclo vicioso. Via tudo tão próximo de si e apenas um passo a frente tudo se distanciava. E cada vez que lutava por seu final feliz mais ela era quebrada.
Era uma dor que parecia que nunca teria um fim. Regina acabou sucumbindo à sua escuridão mais por falta de opção do que qualquer outra coisa. Usando a magia do mal que parecia ser a única coisa certa a se fazer. Era a forma que tinha arranjado de nunca mais se machucar. E com isso seu coração se enegrecia cada vez mais se enegrecia e voltar a sua essência parecia cada vez mais difícil.
Mas, o que nunca fora informado a Regina era que havia uma forma de um coração escuro ficar puro novamente. Um amor verdadeiro.
Regina se encontrava tão empenhada em procurar por sua mãe que ela nem havia se dado conta de que pela primeira vez em muito tempo tinha deixado de lado toda a magia negra que sempre esteve tão presente em sua vida. Em vez de usar aquele tipo de magia que tanto escurecia seu coração ela optara por uma que usaria mais a sua percepção e intuição.
Quem diria que Regina Mills usaria magia branca, depois de tanto tempo perdida em estradas tortuosas? A própria morena se surpreendera quando vira um feixe de luz dourada sair de sua mão. Por um momento, ela apenas agarrara sua mão e a levou próxima ao seu peito e enquanto uma única lágrima escorria por seu rosto.
– Seria magia branca? – sussurrara para si mesma com a voz embargada. Ela nunca havia sido capaz de usar esse tipo de magia, já que desde sempre aprendera apenas a magia negra. – Eu não entendo. – começou a pensar em todas as motivações que a levaram fazer este tipo de magia. Que era a mais verdadeira de todas.
Regina, por mais que tentasse negar ao seu coração, chegou à conclusão de que estava pensando em Emma. Nela e em Henry. Que eram as pessoas com que ela mais se importava. Enquanto isso, imagens de seus últimos dias voltavam em sua cabeça. Por um momento levou suas mãos aos lábios, se recordando do beijo que havia trocado com Emma.
E com isso, cada vez mais uma certeza se firmava em sua cabeça. Convencia-se de que tudo isso era obra de sua mãe. E dessa vez, Regina lutaria com todas suas forças para encontrar o seu final feliz.
Nessas horas Emma Swan se martirizava por saber que possuía magia, mas que não tinha ideia de como faria para encontrar sua magia. Tentou se concentrar. E nada. Nenhum lampejo mágico irradiava por sua pele. Nada que permitiria encontrar Regina. Para que possuir magia do amor verdadeiro? Já que quando mais precisava dela não conseguia acessá-la. No que será que ela pensava quando olhou as malditas memórias do Pongo?
Foi quando um estalo imediatamente veio à sua cabeça. E se lembrou dos sonhos que constantemente tinha com Regina. Foi quando Emma chegou à conclusão que seus sonhos eram conectados por tudo o que Regina vivenciava.
Não tinha mais nada que ela pudesse fazer. Se ela quisesse saber alguma coisa sobre o paradeiro de Regina ela tinha dormir, mas devido a sua ansiedade ela não conseguia nem trinta minutos de sono. Revirava de um lado para o outro em sua cama. E seus olhos não conseguiam se fechar.
Henry tentava assistir TV, mas toda sua atenção também estava bastante dispersa. Ele tinha em suas mãos um controle remoto, e ele não permanecia num mesmo canal nem por trinta segundos. E ao olhar para o rosto de seu filho ela enxergava apenas uma pessoa. Regina Mills. A preocupação que Henry sentia era evidente e Emma sentia-se impotente ao perceber que não sabia o que fazer para localizar Regina.
Onde será que Regina estava? Naquele momento de reflexão, ao olhar seu filho angustiado e querendo saber se sua mãe ficaria bem, Emma fez uma promessa para si mesma. Encontraria Regina nem que fosse a última coisa que fizesse em sua vida.
Abruptamente, Emma se levantou de sua cama e se dirigiu até a porta. Rumpelstiltskin seria a única pessoa que poderia lhe dar todas as respostas que precisava. Mas, antes de sair ela precisava alertar Henry sobre tudo o que acontecia.
– Garoto, venha até aqui, por favor. – disse Emma. Henry desligou a TV e aproximou-se da loira. – Eu precisarei dar uma saída e eu quero que você fique aqui e não saia em hipótese nenhuma.
– Emma, onde você está indo? – questionou Mary Margareth saindo da cozinha onde ela havia começado a preparar o almoço de sua família. – Você sabe que não é seguro sair com Regina a solta por aí. Pode ser perigoso.
– Eu preciso investigar algumas coisas e se eu estiver certa, Regina não tem nada haver com a morte de Archie. – respondeu para Mary Margareth. – Henry, eu preciso que você fique aqui com a sua... – Emma quase se referiu a Mary como vó de Henry, mas como ela não estava habituada ainda com tudo, ela preferiu corrigir-se. – Com Mary. Eu não quero que dê uma de super herói quando não sabemos direito o que está acontecendo na cidade. Vou ver se descubro onde sua mãe está. Mas, para fazer isso preciso saber que ficará em segurança. Eu não quero que abra essa porta para ninguém. Nem para mim. – resolveu alertar Henry e Mary, pois sabia que pelo que acontecia, alguém pela cidade estava tomando a forma de outras pessoas. – Eu irei levar minha chave.
– E onde você está indo? – questionou Henry com preocupação em sua voz.
– Rumpelstiltskin. – fora apenas o que Emma respondera para seu filho antes de sair pela porta.
Regina ainda estava de pé no mesmo lugar onde tinha feito magia branca pela primeira vez em sua vida. E seu olhar era de pura determinação. Havia enfiado em sua cabeça que encontraria Cora e com isso poderia provar sua inocência a todos aqueles malditos habitantes. Os moradores de Storybrooke não mereciam nada daquilo que ela fazia, mas Henry tinha o direito de saber que pelo menos daquela vez sua mãe era inocente do crime que ela havia sido acusada.
Emma e Henry precisavam saber que ela não tinha feito nada. E ela provaria para os dois que dessa vez ela não tinha feito nada de errado. Regina precisava se concentrar, pois dessa vez ela tentaria achar sua mãe usando suas percepções, e tentaria com isso canalizar todos os seus dons para localizar Cora. Poderia correr um grande risco de tudo dar errado, já que fazia muito tempo que não via Cora.
Regina ajoelhou-se no chão e tirou sua luva. Logo em seguida, depositou sua mão no chão da rua se concentrando principalmente na localização de Cora. Segundos mais tardes uma luz clara irradiou da mão de Regina e fixou-se por um longo caminho. Que só significava uma coisa. Era a localização de sua mãe.
– Gold, o que você sabe sobre o que está acontecendo na cidade? – perguntou Emma para o proprietário da loja de penhores assim que colocou os pés em seu estabelecimento. Ela não tinha tempo para os jogos que o homem adorava fazer. Ela precisava encontrar Regina.
– Hoje os habitantes da cidade tiraram o dia para fazer visitas em minha humilde loja. – disse Rumpel destilando todo o seu sarcasmo.
– O que está querendo dizer com isso? Vamos deixar de joguinhos desnecessários e trocar nossas conclusões. – disse Emma olhando duramente para Gold. – O que de estranho está acontecendo em Storybrooke?
– Impressionante. – disse Gold.
– O que é impressionante? Eu não estou com tempo para os seus enigmas.
– Você falou a mesma frase que ela me disse. – comentou sem rodeios. – Regina veio em minha loja essa manhã... – começou Gold, mas foi interrompido por Emma.
– Ela está bem? Como ela está? – perguntou Emma sem se preocupar em demonstrar a preocupação que sentia por Regina.
– Ela está bem, mas eu não sei por quanto tempo. – honestamente Gold comentou. – Desconfiamos que Cora esteja na cidade e ela saiu sozinha a sua procura. Cora está disposta a ter poder e se ela tiver que passar por sua filha para conseguir o que ela quer ela fará.
– Ela saiu sozinha a procura de Cora. O que Regina tem na cabeça?
– Henry. Ela quer proteger o filho e saiu daqui disposta a isso. – complementou o homem. – E eu sei que sua magia está lhe preocupando. Lembre-se apenas que magia é emoção Swan. – disse enquanto observou Emma sair correndo de sua loja.
Seguindo os rastros de sua magia, Regina chegou às docas e viu apenas a imensidão azul do mar. Não havia mais nada ali. Mas, sua magia não se enganava nunca. Cora estava por ali.
Feitiço de ocultação. Foi o que veio imediatamente à tona. Cora deve estar escondida. Provavelmente ela estaria ocultando o seu destino.
Regina concentrou-se até quando viu um navio surgir onde segundos atrás não existia nada. E não era um navio qualquer. Era o Jolly Roger. Cora não estava sozinha. Hook estava com ela também.
Quando finalmente já estava no navio, Regina começou a olhar por todos os compartimentos que podia. Escutou alguns gemidos abafados.
– Tem alguém preso neste navio. – disse Regina para si mesma. Se ela quisesse descobrir quem era o prisioneiro ela teria que agir com cautela.
Momentos depois Regina deparou-se com um alçapão que se encontrava trancado. Com sua magia, rapidamente esse alçapão fora destrancado. Assim que ela desceu, pela sombra ela reparou que se tratava de um homem com uma mordaça em sua boca. Assim que chegou perto, Regina quase caiu para trás quando percebeu que se tratava de Archie.
– Archie! – exclamou surpresa. – Você não está morto. – disse tirando a mordaça da boca do terapeuta.
– Sua... Mãe... – começou o terapeuta, mas devido a sua fraqueza acabou desmaiando logo em seguida.
– Archie... Acorda! – disse a morena tentando fazer o homem recobrar sua consciência. Enquanto se dava conta de que tudo realmente tinha sido obra de sua mãe.
Regina estava tão distraída com Archie que nem reparou que Cora se aproximava. Quando deu por si, Regina tentou se mexer e não conseguia. E sua mãe logo apareceu em sua frente.
– Regina, quando você perceberá que o amor é uma fraqueza. – destilou Cora com sua voz não demonstrando um pingo de emoção. – Sabia que você me procuraria, mas não imaginava que estaria tão impregnada com o amor. Você acha que Emma te ama de verdade? Não. Ela está te iludindo e você está sendo uma tola a acreditar em tudo isso.
– O que você fez comigo Cora? – disse Regina tentando se mexer, mas sem sucesso não conseguia mover um músculo de seu corpo.
– Ah, você não está conseguindo se mexer porque eu te paralisei com tinta de lula. Você terá muito tempo para pensar em sua cela. Que com certeza estará encantada e com sua magia não será possível abri-la. – disse Cora enquanto prendeu Regina dentro de uma cela ao lado de Archie. – Faça um bom proveito de sua casa. – ironicamente Cora comentou enquanto deixou sua filha sozinha.
