Capítulo 8 - Desejo

"Foi um odor que ficou e para sempre na mente ecoou…"

Segunda-feira. O regresso à normalidade depois de um fim-de-semana trancada em casa a chorar. O começo da minha vida sem Mamoru… Ou assim pensava…

Encaminhava-me para a faculdade, com um ar completamente miserável; profundas olheiras encobriam-me os olhos, a minha pele estava pálida, o cabelo não estava preso nos habituais odangos, mas sim num carrapito desleixado. Ia tão perdida nos meus pensamentos que nem reparei que alguém vinha na minha direcção. Só reparei tarde demais, quando fui contra ele. Desequilibrei-me e teria caído se uma mão forte não me segurasse.

- Peço desculpa, eu não vi… - comecei a desculpar-me, mas olhei para cima e emudeci.

Ali, logo ali, estavam aqueles olhos azuis que tanto me atormentavam. Deus! Era preciso muita sorte, mesmo! Maldito destino! Com tanta gente neste mundo, tinha logo que atropelar o Mamoru Chiba. Isto só a mim!

- Usako – ele começou, mas eu cortei-o friamente.

- Não me chames isso!!!

- Por favor, ouve-me! Deixa-me explicar, deixa-me tentar – implorava

- Explicar o quê? Explicar que andaste estes meses todos a brincar comigo? A usar-me como um simples objecto? Não, obrigada, não quero ouvir as tuas desculpas.

- Usako, por favor! Se ainda te resta algo daquilo que sentias por mim…

- Sentimentos por ti? Depois do que me fizeste? Lamento desiludir o teu ego, Chiba, mas a única coisa que sinto por ti é ódio. Ódio, percebes? Esquece que um dia te amei, porque eu faço questão de esquecer que tu existes! E NÃO ME CHAMES USAKO! – a esta altura eu já gritava.

Ele ficou parado, em choque por eu ter usado o sobrenome dele. Parecia incapaz de articular uma palavra, e pareceu-me ver lágrimas nos seus olhos.

Deve ser só imaginação minha… Ou então é o reflexo dos meus olhos…

- Agora, se não te importas, já estou atrasada para a minha aula.

E comecei a correr, deixando-o para trás, plantado no meio da rua, ainda em choque.

Quando as minhas pernas já não aguentavam mais o ritmo da corrida, parei e deixei as lágrimas invadirem-me. Não conseguia perceber. Porque é que Mamoru continuava com aquilo? Porque simplesmente não me deixava e se ia divertir com a namorada? Porque não arranjava um novo brinquedo?

O meu coração deu um pulo com tal pensamento, e senti uma tristeza enorme invadir-me. Ainda era difícil pensar que o Mamoru me tinha feito algo assim. Que para ele eu era apenas uma qualquer… Mais uma…

Olhei para o relógio e reparei que já estava atrasadíssima. Comecei a correr feita louca até à sala. Entrei, pedi desculpas ao professor e sentei-me ao lado de Seya. O professor continuou com a aula, mas eu não ouvia o que ele dizia. O meu pensamento estava bem longe dali…

Reparei que o Seya me olhava preocupado. Claro que o meu amigo tinha reparado que eu não estava bem. Sorri para ele tentado tranquilizá-lo e num sussurro disse que falávamos no final da aula. Ele apenas assentiu, voltando a sua atenção novamente para o professor.

A aula acabou e nós saímos da sala. Fomos até uns bancos escondidos, onde poderíamos conversar sem sermos incomodados. Seya não disse nada. Apenas deitou a minha cabeça no seu ombro enquanto eu começava novamente num pranto. Ficámos bastante tempo assim, eu a chorar e Seya a acariciar-me o cabelo, murmurando palavras de consolo. Aos poucos e poucos os soluços acalmaram e as lágrimas foram parando de cair. Quando finalmente parei de chorar, Seya virou-me de frente para ele e, com todo o carinho do mundo, limpou as últimas lágrimas dos meus olhos.

- Não precisas de me contar o que se passou. Não precisas de dizer nada. Apenas quero que saibas que estou aqui para o que precisares, ok? Quando te sentires preparada, quando quiseres falar… eu vou estar sempre aqui, disponível para te ouvir, disponível para secar as tuas lágrimas – disse ternamente, olhando-me bem no fundo dos olhos, bem no fundo da alma…

- Obrigada Seya. Obrigada por tudo! Obrigada pelo teu carinho, obrigada pela tua amizade, obrigada por gostares tanto de mim…

- Algum dia duvidaste?

Olhei para ele sem entender

- Algum dia duvidaste que eu gosto de ti? – perguntou sério, sem desviar os olhos dos meus.

Fitei-o algo confusa. Aquilo tinha sido uma declaração? Será que o Seya gostava mesmo de mim? Sim, é verdade que muitos dos meus amigos me diziam que o que ele sentia por mim era muito mais do que amizade. Eu apenas ria deles, sem acreditar. Mas agora, aquelas palavras… ditas daquela maneira… Será?

- Também gosto muito de ti, Seya. És um grande amigo, dos melhores que podia ter – desconversei, abraçando-o. Vi de relance o olhar dele, um olhar triste. Deus! A última coisa que queria era magoar o Seya. Ele era tão especial para mim… Porque não podia corresponder aos seus sentimentos? Porque não podia gostar dele, em vez de amar Mamoru, que tanto me fazia sofrer?

Ficámos abraçados durante uma eternidade. Cada um mergulhado nos seus pensamentos. Estávamos tão absortos nos nossos problemas, que nem reparámos que alguém nos observava desconsolado… E que pesadas lágrimas corriam pelo seu rosto.

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Era de noite. Eu e Mina passeávamos pelas ruas depois de termos ido jantar fora. Ela achou que eu precisava mesmo de arejar as ideias depois dos últimos acontecimentos, principalmente depois da conversa com Seya. Passávamos pelo parque quando vimos um vulto caído no meio da relva. Aproximámo-nos rapidamente e quando vi quem era, levei as mãos à boca, para abafar o gritinho de horror que escapou da minha garganta.

- Mamoru!

Baixei-me rapidamente e o cheiro a álcool invadiu-me as narinas. Ele tinha bebido!

- Mina, por favor, vai buscar o carro! Precisamos de o levar para casa! Rápido!

Mina nem precisou que eu repetisse aquelas palavras. Desatou a correr, em direcção ao carro. Nem me passou pela cabeça levá-lo para o hospital. Sabia que Mamoru tinha um trauma enorme com hospitais desde que os pais tinham morrido num acidente de carro e ele acordara no hospital, onde lhe deram a notícia. Só iria piorar tudo se chamasse uma ambulância.

Deitei cuidadosamente a cabeça dele no meu colo e comecei a dar-lhe pequenas palmadas no rosto.

- Mamoru! Mamoru! Por favor, acorda! Por favor… - falei com voz chorosa… Não iria aguentar se lhe acontecesse alguma coisa.

Ele abriu os olhos lentamente

- Usako – falou debilmente – és mesmo tu, ou é uma ilusão? Não, não pode ser… A minha doce Usako odeia-me. Ela não quer mais saber de mim... – disse com voz arrastada fechando novamente os olhos.

- Não! Mamo-chan! Por favor, não feches os olhos… Não voltes a dormir! – gritei angustiada

- Mamo-chan? É mesmo um sonho… Nunca voltarei a ouvir a minha Usako a chamar-me isso. Fui um idiota… Não devia ter mentido… Devia ter contado tudo desde o início… Mas tinha tanto medo que ela me deixasse… Tinha tanto medo de a perder…

- Usagi! – Mina apareceu de repente ao meu lado – vamos, já tenho ali o carro.

Juntas levantámos Mamoru, e levámo-lo para o carro. Sentei-me no banco de trás, com a cabeça dele no meu colo enquanto Mina se sentava no lugar do condutor. Arrancámos em direcção a casa dele. Chegados lá, tirei as chaves do seu bolso e abri a porta do apartamento.

Fomos até ao chuveiro, e metemo-lo debaixo da água fria, eu molhando-me também porque o segurava. Depois do banho, carregámos Mamoru até ao quarto e deitámo-lo na cama, e eu comecei a tirar-lhe aquela roupa molhada. Mina sentiu-se algo incomodada e saiu do quarto, indo esperar por mim no carro.

Ficámos sozinhos naquele quarto. Tirei-lhe a camisa e parei, a admirar o tronco nu dele. Deus! Como era perfeito! Como era lindo, cada pedaço daquele peito era perfeito. Sacudi a cabeça. Não! Tinha que parar de pensar naquilo…

- Usako – murmurou. Olhei para ele e vi que tinha os olhos abertos, fitando-me intensamente… o cabelo molhado caindo sobre o rosto, dando-lhe um ar ainda mais sexy. Tive que usar todo o meu auto-controle para não o agarrar… Não podia, sabia que aquilo não era certo…

- Gosto mesmo de ti, Usako – disse aproximando-se perigosamente de mim. Com todo o cuidado do mundo, tirou uma mecha de cabelo que me caia sobre o rosto, olhando-me sempre nos olhos. Não consegui desviar o olhar. Estava completa presa ao olhar dele. Nem reparei quando ele acabou com o espaço que ainda restava entre nós…

Beijamo-nos. Um beijo selvagem, cheio de saudade. As nossas bocas procuravam-se impacientemente, procurando matar aquela sede… Reparei nas mãos dele no meu peito, tentando desapertar a minha blusa, e não fiz nada para o impedir. Naquele momento já nada mais importava… Apenas eu e ele… E o desejo de sentir a sua pele contra a minha… De sentir os nossos corpos unidos…

A intensidade das carícias foi aumentando, enquanto as roupas iam diminuindo, espalhando-se pelo chão do quarto… Não parávamos de nos beijar, não conseguíamos parar de nos tocar… Não conseguia ter nenhum pensamento coerente, apenas sabia que o queria dentro de mim, que queria que ele acabasse com aquela angústia… Ele deitou-se sobre mim e começou a beijar-me o pescoço… Sentia que a qualquer momento poderia enlouquecer…

- Ah! Como senti a tua falta, Usako! – disse, de encontro ao meu pescoço.

Paralisei. Aquelas palavras trouxeram-me de volta as lembranças do que se tinha passado… o porquê de termos estado separados.

Empurrei-o para o lado e saí da cama, começando a reunir as minhas roupas. Ele olhava-me surpreso.

- O que se passa? Porque estás a fazer isso?

Eu olhei para o seu rosto e depois para o seu corpo nu e senti nojo de mim própria. Como podia ter feito aquilo? Como podia ter caído em tentação? Deus! Como me sentia suja!

- E-eu… Eu não posso! Não posso fazer isto! – disse, saindo disparada do quarto. Desci as escadas o mais depressa que pude, e entrei no carro completamente desesperada. Mina assustou-se com o meu estado.

- Usagi! Que aconteceu? Porque estás assim?

- Não consigo, Mina! Não consigo resistir-lhe! Ainda o amo! Amo-o tanto! Sou tão má pessoa! – solucei, recomeçando a chorar no seu colo.

Não sabia mais o que fazer… Só queria arrancar o coração e tirar de lá aquele sentimento… Só queria arrancar aquele sentimento de culpa que invadia todo o meu corpo… só queria esquecer que algum dia tinha conhecido Mamoru…

Continua...


Bem, aqui fica um novo capítulo, o maior até agora Oo! Espero que gostem dele :D Qualquer coisa, já sabem... o botão de review está disponível para vocês \O/

Não tenho muito tempo, por isso não vou poder responder às reviews! Gomen, gomen TT Agradeço a todos os que leêm, mesmo que não comentem. E um agradecimento especial aos que comentam! Fico mesmo muito feliz sempre que chego à caixa de correio e vejo que tenho uma review :) OBRIGADA! \O/

O próximo capítulo só chega lá para o fim do mês... Peço desculpa, mas ando completamente cheia de trabalhos e exames... Ainda só consegui escrever metade do próximo capítulo :S

Então, até lá

Ja ne!