No capítulo anterior...

Morrendo de medo de a Srta. Tross achar que ela estava querendo mais problemas, Bella começou a trabalhar com seu ancinho em volta do pedestal da estátua. Ela tentou tirar o que parecia uma pilha interminável de folhas molhadas.

Três minutos depois, seus braços a estavam matando. Definitivamente não estava vestida adequadamente para aquele tipo de trabalho sujo braçal. Bella nunca fora mandada para o castigo na Dover mas, pelo que já tinha escutado, lá ele resumia-se a preencher uma folha de papel com "Nunca mais vou copiar trabalhos da Internet" algumas centenas de vezes.

Aquilo era um absurdo. Especialmente quando tudo que fizera fora esbarrar acidentalmente em Jessica na lanchonete. Ela estava tentando não julgar ninguém ali rápido de mais, mas tirar lama dos túmulos de gente que estava morta há mais de um século? Bella totalmente odiava sua vido naquele momento.

Então uma fresta de luz do sol finalmente atravessou a copa das árvores e de repente havia cor no cemitério. Bella se viu instantaneamente melhor. Ela podia enxergar a mais de três metros adiante. Podia enxergar Edward... trabalhando ao lado de Jessica.

O coração de Bella parou. A sensação de leveza desapareceu.

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Bella olhou para Alice, que lhe lançou um olhar de simpatia, mas continuou trabalhando.

– Ei – Bella sussurrou alto.

Alice pôs um dedo nos lábios, mas chamou Bella para subir ao lado dela.

Com muito menos graça e agilidade do que Alice, Bella agarrou o braço da estatua e balançou-se para cima do pedestal. Quando percebeu que não ia se esborrachar, sussurrou:

– Então... Edward é amigo de Jessica?

Alice bufou.

– Não, de jeito nenhum, eles se odeiam – respondeu rapidamente, e então parou. – Por que está perguntando?

Bella apontou para os dois, não se esforçando nem um pouco para tirar folhas de cima de sua sepultura. Estavam perto um do outro, apoiados em seus ancinhos, entretidos numa conversa que Bella desesperadamente queria poder ouvir.

– Eles parecem amigos para mim.

– É o castigo – explicou Alice secamente. – Somos obrigados a fazer duplas. Por acaso acha que Laurent e o tarado do banheiro são amigos? – Ela apontou para Laurent e Jacob. Eles pareciam estar discutindo sobre a melhor forma de dividir o trabalho na estátua dos amantes. – Amigos do castigo não significam amigos na vida real.

Alice olhou de volta para Bella, que podia sentir seu rosto denunciar a frustração, apesar de se esforçar muito para parecer neutra.

– Olha, Bella, eu não quis dizer... – A voz sumiu. – Tirando o fato de que você me fez perder uns bons vinte minutos da minha manha, não tenho nada contra você. Na verdade, acho que é meio interessante. Meio natural. Quer dizer, não sei o que você estava esperando em termos de amiguinhos para sempre aqui na Sword & Cross. Mas deixe-me ser a primeira a explicar: simplesmente não é tão fácil assim. As pessoas estão aqui porque têm bagagem. Estou falando de gente que precisa pagar pelo excesso de bagagem no check-in. Sacou?

Bella deu de ombros, se sentindo envergonhada.

– Foi só uma pergunta.

Alice deu um risinho silencioso.

– Está sempre tão na defensiva? Que diabos aprontou para vir pra cá, afinal?

Bella não estava com vontade de falar no assunto. Talvez Alice tivesse razão; era melhor não ficar tentando fazer amigos. Bella desceu e voltou a atacar o musgo na base da estátua.

Infelizmente, Alice ficou intrigada. Ela pulou e colocou o ancinho em cima do de Bella, prendendo-o no lugar.

– Ah, me conta me conta me conta – provocou.

O rosto de Alice estava tão perto do de Bella. Fez Bella se lembrar do dia anterior, agachando-se sobre Alice depois da convulsão. Elas dividiam algo ali, não? E parte de Bella queria muito poder conversar com alguém. Tinha sido um verão tão longo e sufocante sé com seus pais... Ela suspirou, descansando a testa no cabo do seu ancinho.

Uma sensação salgada e nervosa encheu sua boca, mas ela não conseguia engolir. A última vez que havia revelado esses detalhes tinha sido por causa de um mandato judicial. Bella poderia esquecer aquilo rapidamente mas, quanto mais Alice a encarava, mais claramente as palavras voltavam, e mais perto ela ficava de contar a verdade.

– Eu estava com um amigo um noite – começou a explicar, respirando longa e profundamente. – E uma coisa horrível aconteceu. – Ela fechou os olhos, rezando para que a cena não se repetisse por baixo suas pálpebras. – Houve um incêndio. Eu consegui fugir... mas ele não.

Alice bocejou, muito menos horrorizada pela história do que Bella.

– De qualquer maneira – Bella continuou –, depois eu não conseguia lembrar os detalhes, como aquilo tinha acontecido. O que eu consegui lembrar, o que contei para o juiz, de qualquer forma, acho que pensaram que eu era louca. – Bella tentou sorrir, mas pareceu forçado.

Para a surpresa de Bella, Alice apertou seu ombro. E, por um segundo, seu rosto pareceu realmente sincero. Então voltou a exibir o velho sorrisinho irônico.

– Somos todas tão incompreendidas, não somos? – Ela cutucou a barriga de Bella. – Sabe, Laurent e eu estávamos comentando outro dia mesmo que não temos nenhum amigo piromaníaco. E todo mundo sabe que é preciso um bom piro para aprontar uma brincadeira de reformatório boa o suficiente para valer o esforço. – Ela já estava tramando. – Laurent pensou que talvez o garoto novo, Eric, fosse servir, mas eu prefiro apostar em você. Temos que pensar em algo juntos, um dia desses.

Bella engoliu em seco. Não era piromaníaca. Mas já estava cansada de falar de seu passado; não tinha nem vontade de tentar se defender.

– Ah, espere só até o Laurent ficar sabendo – disse Alice, largando o ancinho no chão. – Você é, tipo, um sonho virando realidade.

Bella abriu a boca para protestar, mas Alice já tinha saído de perto. Perfeito, pensou Bella , ouvindo o barulho dos sapatos de Alice esguichando na lama. Agora era uma questão de minutos até a história chegar aos ouvidos de Edward.

Sozinha mais uma vez, ela levantou os olhos para a estátua nua. Apesar de já ter tirado uma enorme pilha de musgo e folhas, o anjo parecia mais sujo do que nunca. Essa tarefa parecia tão sem sentido... Ela duvidava que qualquer um dos outros alunos de castigo ainda estivessem trabalhando.

Seu olhar por acaso encontrou Edward, que estava trabalhando. Eficientemente usava uma escova para esfregar o mofo de uma inscrição em bronze num dos túmulos. Ele tinha até enrolado as mangas do suéter, e Bella podia ver os músculos se tensionando enquanto Edward trabalhava. Ela suspirou e – não pôde evitar – apoiou seu cotovelo no anjo de pedra para observá-lo.

Ele sempre trabalhou tão duro.

Bella rapidamente balançou a cabeça. De onde aquilo tinha vindo? Ela não fazia ideia do que significava. E, ainda assim, aquele pensamento acontecera. Era o tipo de frase que às vezes se formava em sua cabeça um pouco antes de cair no sono. Besteiras sem sentido que ela nunca conseguia relacionar com nada fora de seus olhos. Mas ali estava ela, completamente acordada.

Precisava se controlar com essa historia de Edward. Conhecia ele há um dia e já se encaminhara para um lugar muito estranho e pouco familiar.

– Provavelmente é melhor ficar longe dele – uma voz fria disse às suas costas.

Bella se virou e deu de cara com Jessica, na mesma pose em que a vira ontem: mãos nos quadris, as narinas com piercings se abrindo. Ang tinha lhe explicado que a surpreendente regra da Sword & Cross que permitia piercings faciais vinha da relutância dom próprio diretor em tirar o brinco de diamantes da orelha.

– De quem? – perguntou a Jessica, sabendo que parecia uma idiota.

Jessica revirou os olhos.

– Apenas confie em mim quando digo que se apaixonar por Edward seria uma ideia muito, muito ruim.

Antes que Bella pudesse responder, Jessica já não estava mais ali. Mas Edward – quase como se tivesse escutado seu nome – estava olhando diretamente na sua direção. E em seguida estava andando pra lá.

Ela sabia que o sol se escondera atrás de uma nuvem. Se conseguisse desviar os olhos dele, poderia olhar para o alto e ver por si mesma. Mas não podia levantar os olhos, não podia desviar o olhar e, por algum motivo, tinha que apertar os olhos para vê-lo. Era quase como se Edward estivesse emanando sua própria luz, como se a estivesse cegando. Um zumbido oco encheu seus ouvidos e os joelhos começaram a tremer.

Bella queria pegar seu ancinho e fingir que não tinha visto que Edward estava vindo. Mas já era tarde demais para dar uma de despreocupada.

– O que ela disse pra você? – perguntou ele.

– Hum – ela enrolou, procurando em seu cérebro uma mentira viável. Não achou nada, estão estalou os dedos.

Edward segurou suas mãos.

– Odeio quando faz isso.

Bella se afastou instintivamente. O toque de suas mãos tinha sido tão fugaz e ainda sentiu o rosto corar. Ele quis dizer que aquilo o irritava, que qualquer pessoa estalando os dedos o implicava, certo? Porque dizer que odiava quando ela fazia aquilo implicava que já a vira fazendo aquilo antes. E isso era impossível. Ela mal a conhecia.

Então por que isso parecia uma discussão que já havia acontecido antes?

– Jessica me disse para ficar longe de você – respondeu ela finalmente.

Edward inclinou a cabeça de um lado para o outro, parecendo estar pensando no assunto.

– Ela provavelmente esta certa.

Bella estremeceu. Uma sombra deslizou por cima deles, escurecendo o rosto do anjo por tempo suficiente para preocupar Bella. Ela fechou os olhos e tentou respirar, rezando para que Edward não notasse que havia algo de estranho.

Mas o pânico estava crescendo dentro dela. Sua vontade era sair correndo, mas não podia. E se se perdesse no cemitério?

Edward seguiu a direção de seu olhar até o céu.

– O que foi?

– Nada.

– E então, você vai fazer isso? – perguntou ele, cruzando os braços sobre o peito, desafiando-a.

– O quê? – confundiu-se ela. Correr?

Edward deu um passo à frente. Agora estava menos de trinta centímetros de distância. Bella prendeu a respiração e manteve seu corpo completamente imóvel. E esperou.

– Vai ficar longe de mim?

Quase parecia um flerte.

Mas Bella estava completamente sem fala. Sua testa estava molhada de suor e ela apertou as têmporas, tentando retomar o controle de seu corpo, tentando retomá-lo do controle dele. Bella estava totalmente despreparada para flertar de volta. Isto é, se o que ele estava fazendo era realmente isso.

Ela deu um passo para trás.

– Acho que sim.

– Não ouvi – sussurrou ele, erguendo uma sobrancelha e dando mais um passo para a frente.

Bella recuou de novo, para mais longe dessa vez. Ela praticamente colidiu com a base da estátua e pôde sentir o pé de pedra do anjo arranhando suas costas. Uma segunda sombra, mais escura e mais fria, voou sobre suas cabeças. Podia jurar que Edward estremeceu junto com ela.

E então o rosnar alto de algo pesado assustou a ambos. Bella sobressaltou quando o topo da

Estátua de mármore oscilou acima deles, como um galho de arvore balançando ao vento. Por um segundo, parecia estar suspensa no ar.

Bella e Edward ficaram parados, olhando o anjo. Ambos sabiam que estava caindo. A cabeça baixou lentamente em direção a eles, como se estivesse rezando – e então toda a estátua ganhou velocidade enquanto tombava para o chão. Bella sentiu a mão de Edward envolvendo sua cintura no mesmo instante, com força, como se soubesse exatamente onde ela começava e onde terminava. A outra mão cobriu sua cabeça e forçou-se a se abaixar bem na hora que a estátua tombou por cima deles, caindo onde estavam parados. Ela caiu com um som alto e oco – a cabeça na lama e os pés em cima do pedestal, deixando um pequeno triângulo vazio, onde Edward e Bella estavam agachados.

Os dois arfavam, nariz com nariz, Edward com os olhos assustados. Entre seus corpos a estátua havia talvez apenas alguns centímetros de espaço.

– Bella? – ele sussurrou.

Tudo o que ela conseguiu foi assentir.

Os olhos dele se estreitaram.

– O que você viu?

Então a mão de alguém apareceu e puxou Bella do espaço sob a estátua. Ela sentiu um arranhão nas costas e então uma lufada de ar alcançou seu rosto. Viu a vacilante luz do sol novamente. Os alunos do castigo estavam todos boquiabertos em volta, exceto pela Srta. Tross, que os olhava com raiva, e Jacob, que ajudou Bella a se levantar.

– Você está bem? – perguntou, analisando-a em busca de arranhões e machucados e tirando um pouco de terra de seus ombros. – Vi a estátua desabando e corri para tentar impedi-la, mas já era... Você deve estar tão assustada.

Bella não respondeu. Assustada era apenas um décimo de como se sentia.

Edward já em pé, nem olhou para trás para ver se ela estava bem ou não. Apenas saiu andando.

Bella ficou de boca aberta ao vê-lo ir embora, ao perceber que ninguém mais parecia se importar que ele tivesse simplesmente dado o fora.

– O que você fez? – perguntou s Srta. Tross.

– Não sei. Num minuto, estávamos paradas ali – Bella olhou de relance para a Srta. Tross –, hum, trabalhando. E logo depois a estatua... caiu.

Albatroz se abaixou para examinar o anjo despedaçado. A cabeça tinha se partido bem no meio. Ela começou a resmungar alguma coisa sobre as forças da natureza e pedras antigas.

Mas foi uma voz no ouvido de Bella que permaneceu com ela, mesmo depois de todo mundo ter voltado ao trabalho. Foi Jessica, apenas centímetros atrás de seus ombros, que sussurrou:

– Pelo visto alguém devia começar a ouvir meus conselhos.


Hello!

Vim mais rápido do que esperavam, não? Eu fiz uma cirúgia e amanhã vou ter que viajar, entao resolvi adiantar o post e vez de adiar. Mas cadê os meus comentarios?

Por falar nisso, muito obrigada Moni Cullen por suas dezenas de reivews. Adorei. Mesmo.

Mas eu tambem quero saber o que todos os outros 106 leitores estão achando. Triste, nao? 107 visitantes e só a Moni comentando... ( nao que eu esteja subestimando os seus comentarioa, amiga! Eu amei cada um deles.)

;(

Entao, espero voces.

REVIEWS, ok?