Aparições e Surpresas
Ao final da noite daquele mesmo dia, Lily des cobrira quanto podia ser difícil e embaraçoso "desaparecer" com Arya Potter no comando da situação. Notando com alívio que a temperamental morena estava agora adormecida, ela tornou a se acomodar em sua própria poltrona no avião. Tendo se passado apenas uma hora desde a decolagem com destino a Londres, ela já estava sentindo os efeitos de sua fuga: seus nervos estavam em frangalhos e sen tia-se exausta. Ainda assim, Arya planejara a partida de ambas da Hacienda de Oro com notável eficiência.
Enquanto Lily escrevera uma carta a James para explicar sobre a transferencia de dinheiro que Lilian prometera fazer a Dumbledore, ainda sem revelar sua farsa, a criada de Arya arrumara suas coisas e tirara sua mala da casa. Fora condu zida, em seguida, a uma saída nos fundos. Houvera um grande automóvel à espera, com Arya sentada no banco de trás.
— Lily, sente-se logo na direção antes que alguém nos veja! — exclamara ela em tom de urgência.
Fora quando Lily descobrira por que havia sido tão essencial aos planos de Arya. Ela vira sua carteira de motorista em sua bolsa.
— É claro que eu nunca dirijo — respondera a morena com altivez quando ela manifestara sua surpresa. — Há sempre um chofer à minha disposição, mas se eu pedir a um dos em pregados que me leve ao aeroporto, James descobrirá muito antes de eu ter chegado lá!
Lily achara o longo percurso um pesadelo. Nunca dirigira um carro tão grande antes, nem de um lado diferente da estrada. Depois, houvera os horrores do tráfego congestionado da Cidade da Guatemala, os desvios errados que fizera, os outros motoristas que haviam buzinado furiosamente em sua direção. Estivera com os nervos em frangalhos quando, enfim, haviam chegado ao aeroporto. Mas o pior ainda estivera por vir...
Mesmo duas horas depois, Lily ainda corava ao se lembrar das cenas constrangedoras da morena, exigindo tratamento diferenciado da companhia aérea por ser uma Potter, mesmo em detrimento a outros passageiros. Não se surpreendia mais com o fato de James ter agido como um severo irmão mais velho com sua mimada irmã. Arya era imatura, incontrolável quando sofria a menor contrariedade e inescrupulosa. Parecia-se mais como uma adolescente problemática do que como uma mulher adulta, pensou Lily. Riqueza e indul gência demais tinham-na deixado daquele jeito? James es tivera tentando endireitar a irmã?
— Gosto realmente de você — confiara-lhe ela antes de ter adormecido. — Quando eu tiver montado meu próprio aparta mento em Londres, poderá ir me visitar se quiser.
Lily não entendia por que, de repente, sentia-se tão respon sável pela outra jovem. Mas parecia-lhe que, apesar de sua beleza estonteante e aparente sofisticação, Arya ainda não estava preparada para a independência e a liberdade pelas quais ansiava.
A cada minuto de vôo que a afastava da Guatemala e de James, Lily sentia-se mais preocupada. O que Lilain acharia de seu retorno sem ter-lhe resolvido os problemas da maneira que esperara? James ficaria ainda mais furioso com o fato de ter partido levando sua temperamental irmã consigo. Parecia que, não importando o que fizesse, nunca agia da maneira certa...
— Telefonarei para você quando tiver tempo — prometeu Arya enquanto suas malas eram colocadas no táxi que Lily lhe providenciara na saída do Aeroporto de Heathrow. — Mas não espere um contato meu tão cedo. Estarei ocupada demais socialmente.
Lily rumou direto para o apartamento da irmã em Dock-lands. Lilian ficou perplexa em vê-la à porta, mas, enfim, abra çou-a com alívio.
— Que bom que você voltou! Resolveu tudo?
— Não exatamente...
— Você não assinou aquele acordo, certo?
Lily sacudiu a cabeça e explicou a situação que deixara para trás. Enquanto se ocupava em fazer um chá para a irmã, Lilian ouvia ansiosamente e, então, começou a parecer aturdida.
— Por que você fica dizendo o nome dele dessa maneira?
— O nome do quem?
— James.
Lily corou.
— Não o estou dizendo de nenhuma maneira específica. Ele é a parte central de toda essa situação, apenas isso.
A irmã não se deixou convencer.
— Não me diga que perdeu a cabeça por causa do sujeito que está tentando arruinar minha vida?
— Com um pouco de sorte, isso não acontecerá, se você resolver esse assunto com o pai de Ryan de uma vez por todas.
— Resolverei. Falei com um advogado ontem e ele cuidará de tudo. Mas, no momento, é em ouvir o que aconteceu com você que estou mais interessada.
— Eu apenas quero esquecer que estive na Guatemala — disse Lily com sinceridade.
O silêncio prolongou-se por um momento ou dois. Lilian, então, deu de ombros.
— Bem, se Potter vier até aqui a fim de causar mais problemas, não me encontrará. Fui contratada como maquiadora por uma produtora de filmes que começará a gravar na Escócia neste fim de semana e tenho que estar nos estúdios dentro de uma hora!
— Parece divertido... — Lily ocultou seu desapontamento com o fato de a irmã estar de partida logo após sua chegada.
— Mas isso significa que não estarei aqui para ajudar você a tirar suas coisas de seu apartamento. O comprador quer se mudar para lá o mais rápido possível. E quanto mais depressa ficar com o apartamento, mais depressa Dumbledore receberá seu dinheiro. Apenas ainda não decidi o que vou dizer a Roger.
— Sabe... eu achei que você ficaria furiosa comigo por eu ter voltado.
Lilian fez uma careta, as faces corando.
— Arya me colocou no meu devido lugar com o que me disse ao telefone. Por que você deveria enfrentar tudo no meu lugar? Lamento muito ter colocado você nessa confusão, para início de conversa — admitiu. — Meus pecados voltaram para me assombrar e terei que lidar com tudo isso da melhor mnneira que puder.
Lily apenas meneou a cabeça, ainda ansiosa pelo desfecho daquela situação e, trinta minutos depois, sentada no táxi que a levaria ao pequeno apartamento em que morara com a mãe, soltou um profundo suspiro. As apinhadas ruas da cidade e o clima frio de inverno pareceram-lhe um desolador contraste com a beleza exuberante de um país colorido como a Guatemala...
Duas atarefadas semanas depois, Lily mudou-se para o apartamento da irmã. Lilian ainda estava ausente. Terminara o trabalho com a equipe de filmagem, mas retornara da Escócia diretamente para Oxford, encontrando-se lá no momento, na casa dos pais de Roger, para onde ele regressaria da Alemanha, O casamento de ambos seria dali a apenas três dias em Londres e, graças à eficiência da futura sogra, que fizera questão de organizar tudo, Lilian nem sequer teria detalhes de último minuto para resolver.
Enquanto abria as caixas com seus pertences no quarto de hóspedes e os arrumava, esperava não ter que prolongar sua estada demais ali. Conseguira encontrar um emprego temporário numa loja de brinquedos durante a época de Natal e começaria a tra balhar no dia seguinte ao casamento da irmã, mas ainda precisava arranjar trabalho definitivo e seu próprio lugar para viver.
Notando que precisava de uma pausa para descansar du rante a arrumação, acabou adormecendo. Quando acordou, fi cou exasperada consigo mesma. Por que se sentia tão cansada o tempo todo? E, além daquilo, andava um tanto nauseada e com ligeiras tonturas. Tivera alguma infecção que ainda não vencera por completo? Dois dias antes estivera em seu médico apenas por precaução e fizera a bateria de exames que ele recomendara. Deveria telefonar para a clínica mais tarde e obter os resultados, lembrou a si mesma.
O interfone tocou, enquanto acabava de colocar suas roupas no armário.
— Sim? — disse ao atendê-lo no corredor.
— Abra a porta para eu subir — ordenou James Potter em seu tom mais intimidante.
Lily gelou.
— M-Mas...
— Agora, Lily!
Atordoada, ela apertou o botão do interfone. Não havia como conter a onda de euforia que a tomou. Ele estava ali em Lon dres! Certo, o homem não parecia estar com um humor dos melhores, mas, numa questão de segundos, iria vê-lo! Adian tou-se até a porta e abriu-a, mas foi tomada de repente por um acesso de culpa.
Tornar a vê-lo significaria regredir ao primeiro estágio de sua recuperação. Não que estivesse fazendo muito progresso, admitiu, pois ainda não conseguia tirá-lo dos pensamentos. Mas, gostasse ou não, James não se sentia da mesma maneira a seu respeito e o melhor a fazer era tentar esquecê-lo.
Enquanto o elevador se abria no corredor, começou a fechar a porta do apartamento.
— Desculpe, mas acho que isto não é uma boa idéia. Telefone-me se quiser e...
James surpreendeu-a adentrando pelo apartamento ape sar de suas palavras.
— Onde está Arya? — perguntou com impaciência.
Desconcertada por aquela atitude agressiva, ela apenas o encarou. James parecia ter passado maus bocados desde a última vez em que o vira. Havia sombras escuras sobre os olhos verdes e uma visível tensão em seu rosto.
Arya! Lily ficou desapontada e achou que deveria ter se preparado melhor para lidar com aquilo. Era natural que ele estivesse furioso com o fato de a irmã tê-lo contrariado saindo de casa. Ainda assim, não pôde evitar a dor da rejeição em saber que aquela visita nada tinha a ver consigo mesma.
— Acho que não posso lhe dizer onde sua irmã está sem a permissão dela...
— Ou você diz a mim, ou dirá à polícia!
— A p-polícia? — repetiu Lily, pálida.
— Estou furioso com o seu comportamento! Como pôde aju dar Arya a fugir de casa! Ela me deixou uma carta, dizendo que estava voltando para a escola. Tolo como sou, fiquei tão aliviado que nem sequer verifiquei a veracidade da história! Assim, esperei uma semana para deixar a poeira baixar antes de tentar telefonar para ela.
— Para a escola? — repetiu Lily, perplexa.
Mas James continuou falando, seu olhar cheio de condenação.
— Quando descobri que ela não havia voltado para a escola, presumi que estava com você. Este apartamento está sendo vigiado desde então. Estive esperando você retornar.
— Para a escola? — disse Lily uma segunda vez em cres cente aturdimento. — Por que está falando sobre Arya ter voltado para a escola?
— Onde mais uma garota de dezesseis anos deveria estar? — retrucou James, irado.
— Uma garota de dezesseis anos? Ela não pode ter... não, não é possível que tenha apenas dezesseis anos! — protestou Lily, fitando-o com incredulidade.
— Onde, diabos, ela está?
O choque e a culpa tomavam Lily de assalto. Fora enganada por uma adolescente assumindo um papel desempenhado facil mente por uma jovem criada com tanto luxo e indulgência. Ciente de que Lily se deixara levar por sua encenação, Arya certi ficara-se de que continuasse equivocada. Quando ela, enfim, per guntara-lhe a idade a caminho do aeroporto, a morena mentira, dizendo que tinha vinte e um anos. Mas por que, tendo testemunhado quanto a garota era imatura e exigente, não somara dois mais dois e ao menos não desconfiara da verdade?
— Eu não sabia a idade dela. Oh, céus, que idiota eu fui!
Visivelmente ansioso e preocupado com a irmã, James segurou-a pelos ombros.
— Tudo o que eu preciso saber é onde minha irmã está. Muito será perdoado se estiver sã e salva.
— Ela me telefona com frequência. — Lily afastou as lá grimas dos olhos. — Ontem mesmo, Arya passou a maior parte do dia comigo! Disse-me que estava num hotel, mas não comentou onde e nem pensei em perguntar. Parecia um tanto solitária, e eu a teria convidado a ficar aqui comigo, mas...
— Mas isso poderia ter atrapalhado o seu... dia-a-dia? — interrompeu-a James, mordaz.
Lily empalideceu. Mas não podia explicar que o apartamento não era seu sem confessar que não era Lilian Dumbledore e, no momento, havia coisas mais importantes com que se preo cupar. Agitada pelo que acabara de saber e sentindo-se res ponsável, afundou pesadamente numa poltrona da sala.
— Você tem um número de contato com minha irmã?
— Não. Foi sempre ela quem me ligou. Ouça, eu juro que não fazia idéia a respeito da verdadeira idade dela!
Mas James não estava mais ouvindo. Falava ao celular num ansioso espanhol. Enquanto o observava, foi inevitável para Lily pensar em quanto sentira sua falta, apesar de todo o óbvio ressentimento daquele homem por ela.
— Que número de telefone minha irmã usará para falar com você... o daqui? — perguntou ele depois que encerrou a ligação.
— Não. — Lily respirou fundo para explicar, um súbito rubor afastando-lhe a palidez anterior do rosto. — Ontem foi meu ani versário e ela me deu um telefone celular de presente. Disse que estava farta de não conseguir me encontrar no exato instante em que queria falar comigo. Mas ainda não me ligou nesse celular.
— Então, você e o seu celular podem ir comigo até a minha casa em Londres agora mesmo! Oh, e nem se atreva a tentar discutir comigo! — avisou-a um impiedoso James ao ver-lhe a expressão mortificada no rosto. — Não vou tirar os olhos de você até ter encontrado minha irmã. É a única pista que tenho!
Sentindo-se culpada por uma situação que ajudara a criar, Lily levantou-se sem argumentar. Adiantou-se depressa até o quarto da irmã, onde pegou emprestado uma saia preta de comprimento acima dos joelhos, uma blusa justa de lã azul-clara e sapatos de salto alto.
Quando voltou à sala, ficou com a respiração em suspenso e o rosto corado ao deparar com aqueles arrogantes olhos ver des. James observava-a, avaliando a maneira como a fina lã moldava-lhe os seios e a saia expunha-lhe as pernas.
Uma limusine os aguardava diante do prédio.
— Você tem sorte por eu não ter envolvido a polícia nisto — declarou James, lançando-lhe um olhar hostil que a fez deslizar até a extremidade oposta do confortável assento. — Minha irmã é uma jovem muito rica. Se você não a tivesse acompanhado até Londres, eu teria temido um sequestro quan do soube que não apareceu na escola. Mas, embora eu não tenha muita fé nos seus princípios morais, não acreditei que coloraria Arya em perigo.
— Pela última vez, eu não me dei conta de que ela tinha apenas dezesseis anos! — exclamou Lily, irritada. — A pro pósito, Arya comentou que vocês só são irmãos por parte de pai. A mãe dela está aqui com você?
— Não, Beatriz não se interessa pelo que a filha adolescente faz.
— Ora, por quê?
— Beatriz foi a segunda esposa de meu pai e muito mais jovem do que ele — disse James secamente. — Quando ele morreu, tornou minha irmã sua herdeira, assim como eu, mas em seu testamento, decretou que Beatriz perderia boa parte de sua renda se tornasse a se casar.
— E foi o que aconteceu?
— Sim. Beatriz e o novo marido tiveram, na época, a respon sabilidade de cuidar do fundo deixado para minha irmã. Porém, irregularidades financeiras levaram os representantes legais a adotarem outras medidas para a administração do fundo, quando Arya tinha nove anos de idade. Quando Beatriz perdeu a chance de roubar a filha sem o menor drama de consciência, decidiu enviá-la a uma escola interna britânica e praticamente se esqueceu dela. Ressentiu-se do fato de ter uma filha tão mais rica do que ela. — James não fez esforço para ocultar seu desprezo. — Ainda assim, o atual marido possui uma grande e bem-sucedida construtora e estão muito bem financeiramente.
— Você teve bastante contato com sua irmã enquanto ela cresceu?
— Não o suficiente para estabelecer o relacionamento que a mãe de Arya estava determinada a desencorajar. Mas quando a escola de minha irmã a suspendeu como punição...
— O que ela fez?
— Escapuliu para ir a um clube noturno e sua foto saiu em todos os tablóides. Beatriz alegou que não conseguia mais lidar com a filha e a enviou a mim. Quando a suspensão ter minou, Arya recusou-se a voltar à escola.
— Então, esse era o motivo das discussões entre vocês dois, certo? — disse Lily com um suspiro. — Interpretei mal a situação.
O motorista abriu-lhe a porta, e ela desceu um tanto desorientada. Estivera tão absorta na conversa que nem se dera conta de que a limusine parara diante de uma imponente mansão georgiana, numa tranquila e nobre área residencial londrina.
O espaçoso vestíbulo era magnífico, revestido de mármore e decorado com objetos de arte e algumas elegantes peças de mobília. O mordomo abriu a porta que dava para uma sala de estar não menos luxuosa.
— Onde está o celular que Arya lhe deu?
Lily tirou um minúsculo aparelho da bolsa, e James co locou-o na mesa de centro.
— Você sabe que não pode dizer à minha irmã que estou aqui quando ela telefonar, não é?
— Claro.
— Que tem que descobrir onde está hospedada e combinar um encontro? Não quero que ela desparecera outra vez.
Lily meneou a cabeça, estudando-lhe o semblante frio e dis tante, sabendo que, na opinião de James, aquela noite de paixão entre ambos na Hacienda de Oro não passara de um erro. E agora, mais de duas semanas depois? Pela maneira como ele se comportava era como se aquela noite nem sequer tivesse existido!
E por que aquilo devia aborrecê-la?, perguntou-se, recrimi nando a si mesma. Aquele era o homem que sugerira que talvez quisesse uma casual aventura de uma noite em seus braços quando estivesse em Londres. Devia odiá-lo!
— Onde você esteve nas últimas duas semanas? — perguntou ele com ar grave.
— Eu lhe disse em minha carta... no pequeno apartamento, o que você falou que não existia. Foi vendido e teve que ser desocupado logo para o novo dono.
— Nenhuma propriedade como essa que você descreve apa receu na lista de seus bens.
— Alguém devo ter cometido um deslize...
— É o que parece.
Lily não conseguia manter o antagonismo que gostaria. James a fitava agora com uma intensidade que a descon certava. Estendeu a mão inesperadamente para tocar seu rosto, um calor instantâneo percorrendo-a. Havia uma incrível tensão no ar e um anseio tão forte dominando-a que lhe roubava por completo a razão, o bom senso.
A mão bronzeada continuou afagando-lhe o rosto, os olhos verdes estudando-a longamente.
— Faz idéia de como foi difícil colocar você na sua própria cama naquela manhã? Não gostei daquilo... Não gostei de estar tão louco de desejo. Nem de ansiar por mais uma chance de ter você se contorcendo de prazer nos meus braços...
— Não? — Foi um mero sussurro que escapou dos lábios de Lily, pois estava numa espécie de transe com o que ouvia.
— Não. Apenas um fraco deixa o desejo tirar-lhe a razão. Mas duas semanas foram o bastante para me fazerem entender que não há como escapar do inevitável.
— Você sentiu minha falta...
— A cada minuto do dia... — James deslizou as mãos até os quadris dela, puxando-a para si. — Tomei mais banhos frios do que pude suportar. Mas sei agora o que é que me atrai tanto. É como se você tivesse dupla personalidade. Fico fasci nado. Como poderia evitar?
Beijou-a, então, invadindo-lhe a maciez da boca com sua língua cálida, estimulando-lhe os lábios com seu toque sensual. Lily estremeceu, sucumbindo, não encontrando forças para lutar, enquanto o fogo que a consumia se alastrava.
— É claro, eu sei como você é, sei exatamente do que é capaz — murmurou-lhe ele, enfim. — Mas aperfeiçoou sua habilidade de dissimular ao nível de uma forma de arte.
— Não sei do que está falando...
Segurando-a, James sentou-se num sofá próximo, mantendo-a em seu colo e percorrendo-lhe o pescoço com lábios experientes.
— Não mesmo? Você é como um camaleão e bastante esperta. Dá a qualquer homem o que ele quer. Na verdade, você se torna o que ele quer.
— M-Mas...
— Esse é o segredo do seu sucesso, doçura. Onde aprendeu sobre ruínas maias só para me impressionar? Na minha própria biblioteca? E aquele seu mergulho sensual na lagoa da floresta, sabendo que eu estava seguindo você...
— Não, está enganado!
— E aquela noite, na minha cama, você se fez passar pela virgem tímida mas cheia de paixão com a qual todo latino-americano fantasia. Foi uma ilusão, naturalmente, mas foi uma brilhante performance.
Lily estava trêmula de excitação enquanto as mãos dele percorriam seu corpo, mas, ao mesmo tempo, estava abalada com a convicção com que James falava, como se a julgasse mesmo capaz de ter planejado tudo o que acontecera entre ambos a fim de atraí-lo.
— Se eu não a enlouquecesse tanto de desejo, você estaria pálida de choque com minhas palavras — previu ele com um brilho divertido no olhar. — Esqueci de mencionar que você pode continuar se moldando exatamente no que eu quero com meu total apoio?
— Está me acusando de farsante! — protestou Lily e, então, gelou, dando-se conta de que era exatamente aquilo.
— Veja só... olhos cheios de mágoa, ameaça de lágrimas... E, embora eu saiba que isso não passa de uma excelente en cenação, não consigo deixar de me sentir como um canalha por estar ferindo seus sentimentos.
— Solte-me!
— Não... — sussurrou James, tomando-lhe os lábios com um beijo tão carregado de paixão que a surpreendeu.
Ela pensara em empurrá-lo pelos ombros, mas, quando os tocou, esqueceu-se de sua intenção, o momento de resistência se dissipando. Seu desejo... e seu amor... por aquele homem eram tão intensos que sobrepujavam a tudo mais. Numa ques tão de segundos, correspondia ao beijo com todo seu ardor.
— Céus, você me enlouquece com apenas um beijo — sus surrou-lhe James ao ouvido, interrompendo o beijo apenas por um instante para deitá-la abaixo de si no sofá.
Inebriada de paixão, Lily continuou a beijá-lo, então, pu xando-o mais para si até que, de repente, ouviu vagamente o que lhe pareceu um telefone celular tocando.
De imediato, James soltou-a e levantou-se do sofá. Apa nhou o celular da mesa de centro e entregou-o a ela.
— Deve ser... Arya. Faça com que as mentiras... sejam convincentes — disse, ofegante.
Mas Lily acabou não tendo que dizer uma só mentira. Du rante a breve conversa, descobriu que Arya tivera a carteira roubada de sua bolsa numa loja e estava aos prantos.
— Fiquei sem nenhum dinheiro... o que eu faço? — pergun tou-lhe soluçante.
— Estaremos aí logo, sim? — prometeu ela, tranquilizando-a.
A caminho da limusine, James disse num tom de pura incredulidade:
— Você falou apenas quatro palavras e, ainda assim, de nunciou a minha presença...
— Ela está agitada demais para se preocupar a quem me referi — retrucou Lily, trêmula, ainda em choque com seu próprio comportamento... e com o dele, suas emoções num turbilhão.
Arya apenas empalideceu por um segundo quando viu o irmão se aproximando com Lily. Apesar de seu alívio em vê-la, deixou evidente que a chegada de um homem forte e seguro naquelas circunstâncias foi ainda mais bem-vinda de pois do choque que havia sofrido. Arya recorreu instintivamente ao irmão mais velho em busca de apoio.
Uma vez que havia pouca esperança de que a carteira fosse recuperada, James sugeriu que o roubo fosse comunicado à polícia, os cartões de crédito cancelados e que, mais tarde, fossem direto ao hotel de Arya para buscarem suas malas.
— Pode vir comigo, Lily — disse a jovem um pouco mais animada.
— Eu gostaria, mas receio ter um compromisso nesta tarde — respondeu Lily, precisando se distanciar o máximo que pudesse de James. Nem sequer conseguira fitá-lo nos olhos ainda depois do que acabara de acontecer em sua casa.
— Sim, venha conosco e, depois, fique para o jantar em nossa casa — acrescentou James num tom persuasivo.
— Obrigada, mas tenho mesmo que voltar agora — recusou Lily com firmeza. Já era tempo de cortar qualquer ligação com os Potter. Afinal, mesmo desconhecendo os fatos, James já não a considerava uma farsante? Era perspicaz e, mesmo sem saber de sua farsa, já percebera, de algum modo, que, no fundo, ela não era exatamente o que aparentava ser. Era evidente que só queria usá-la a seu bel-prazer. Além do mais, teria convidado até um chimpanzé para jantar em sua casa se tivesse achado que aquilo alegraria a temperamental irmã, pensou ela com amargura.
E, considerando suas próprias reações ao homem, a despeito de tudo, o melhor era não tornar a vê-lo. Lilian encarregara um advogado de quaisquer comunicações posteriores com James a respeito da devolução do dinheiro a Dumbledore. Não havia mais a necessidade de Lily se passar por ela, nem de que esclarecesse que era, na verdade, a irmã de Lilian Dumbledore. De qualquer modo, cedo ou tarde, a própria Arya informaria o irmão do fato.
Contrariada, Arya despediu-se com certa frieza, e o olhar de censura que James lhe lançou foi igualmente reservado. Fazendo questão de se encaminhar até o ponto de ônibus mais próximo, Lily desculpou-se, murmurando algo sobre estar com pressa e afastou-se. Pegou seu ônibus e foi comprar algumas coisas no mercado. Em sua caminhada de volta ao apartamento, deu-se conta de que passava a poucos metros do consultório de seu médico e decidiu entrar para saber os resultados dos exames pessoalmente.
A recepcionista verificou a ficha, à qual fora anexada um papel com uma anotação.
— Você precisa marcar outra consulta.
— Outra? — perguntou Lily, ansiosa. — Isso significa que meus exames acusaram algo?
— Acredito que tudo esteja normal para uma primeira gra videz — disse a mulher jovialmente. — Vou verificar com o doutor agora mesmo. Nunca consigo entender a letra dele.
Vamos aos comentários:
Sassah Potter: Quem bom que você está gostando, só não se esqueça que eu não escrevo, apenas adapto a história.
Maga do 4: Te surpreendi né? Hahahahah... Não se preocupe, tenho total intenção de terminar essa adaptação.
Carol Mamoru: Oba! Mais uma surpresa pela minha volta, não se preocupe vou postar com freqüência sim, continue a acompanhar.
Joan: Não se preocupe ele logo vai descobrir como esta errado...
Grace Black: Também adoro adaptações... e quanto a incoerência você tem razão, quando comecei a adaptar essa fic coloquei Espanha, e fazia tanto tempo que não lembrei... mas assim que eu tiver um tempinho eu corrijo os primeiros capítulos... valeu pelo toque flor!
N/A: Meninas muito obrigado pelos coments e por continuarem a acompanhar, fiquei muito feliz. Eu também queria pedir desculpas por que eu disse que postaria segunda passada e não postei, mas eu posso explicar! Eu estava em semana de provas na facul e não sobro tempo, então o próximo cap vou TENTAR postar semana que vem.
Bjos!
