Saint Seiya não me pertence. Eu só escrevo para ganhar o meu dia e, eventualmente, o de outras pessoas também.
A intenção desta fanfic é destacar o afeto entre os protagonistas: dois caras. Não gosta, é contra e tem pavor? Que bom que não escrevi para você. Pode sair daqui, ninguém vai te obrigar a ler, não. No hard feelings, sério.
Continuo EXTREMAMENTE grata pelos retornos que os leitores têm me dado! Fico muito animada com eles! Espero estar correspondendo às expectativas a cada capítulo!
Adianto que este, em particular, parece mais reflexivo do que os anteriores.
Enjoy your flight!
Ele abriu os olhos – logo percebeu que ainda não amanhecera.
Havia muito tempo desde a última vez que falara com Máscara da Morte na casa de Áries. Havia anos desde a última vez que o chamara pelo seu verdadeiro nome, e no entanto, acabara de sonhar com aquela época tão doce, tão cheia de vida. Aqueles sonhos, ele os vinha tendo já há alguns dias.
Shura estava largado em cima da cama como se fosse mais um dos seus travesseiros amassados. Só. Largado. Tinha feito muito daquilo ultimamente, ficar deitado na cama sem fazer nada por horas madrugada adentro, insone. Desde... que aquilo acontecera, tinha começado a fazer coisas que não eram bem do seu feitio. Tinha se afastado de todos os cavaleiros, entre outras coisas bastante lamentáveis que, infelizmente, ele não pôde evitar.
- Carlo – Shura murmurou para o travesseiro, antes de esconder o rosto nele e praguejar em espanhol. Dizer o nome do amigo em voz alta agora lhe soava tão estranho quanto constrangedor. Shura associava aquele nome aos tempos pacíficos no Santuário, e pronunciá-lo agora, numa época sombria em que já não falava mais com o italiano ou com qualquer outro cavaleiro se pudesse evitar, trazia à tona essas lembranças que pareciam pertencer a outra pessoa. Ele se sentiu muito, muito velho de repente. Deveria estar parecendo o Mestre ancião, dos Cinco Picos antigos.
Estivera em Rozan alguns meses atrás cumprindo ordens do Santuário. Estava apenas de passagem: haviam-no mandado investigar uma série de eventos 'paranormais' que eclodiram em um pequeno vilarejo na Indonésia, e antes disso tudo, tivera de passar por Jamiel, onde se encontrou com o cavaleiro de Áries, que há tempos não via. Eram incontáveis os lugares por onde passara nos últimos anos, mas Shura não se sentia nem um pouco cansado. Muito pelo contrário, todas aquelas viagens que fazia em nome do Grande Mestre lhe traziam um alívio profundo.
Desde a morte de Aiolos, muitas coisas haviam mudado no Santuário. O Grande Mestre frequentemente dizia aos cavaleiros de ouro que o mal voltara a macular o planeta e que todos deveriam se preparar para uma batalha iminente. Não se celebravam mais tantas festas como antes, mas também não parecia haver muita gente interessada em participar delas, de qualquer forma. Os guardiões mais poderosos de Atena agora a serviam sem vestígios de sorrisos ou alegria: parecia que, junto com Aiolos, a vivacidade que antes caracterizava o Santuário também fora exterminada.
Milo e Aiolia deixaram de perturbar os companheiros aos altos brados, como costumavam fazer. Na verdade, se Shura não os conhecesse, poderia jurar que eram pessoas completamente diferentes daquelas que ajudara a recepcionar anos antes, quando era apenas mais um supervisor do Santuário. Os dois jovens gregos agora sequer trocavam cumprimentos quando se encontravam. Pairava entre eles uma atmosfera de rancor muito grande. Desde a partida de Camus para a Sibéria, Milo se tornara ainda mais intransigente, principalmente com Aiolia. O leão, por sua vez, amargara semanas sombrias na qualidade de irmão do traidor de Atena. Não podia conceber a idéia de que seu honrado irmão fosse capaz de um ato tão perverso contra a deusa. Por se recusar a reconhecer a decisão do Grande Mestre, Aiolia foi punido com a suspensão do seu direito de portar a armadura sagrada de leão por tempo indeterminado.
Shaka, o cavaleiro mais próximo de Deus, não pareceu se abalar com a súbita mudança de ares nas doze casas zodiacais. Era um dos poucos cavaleiros de ouro, além de Dohko, Camus e Mu, que haviam se responsabilizado pelo treinamento de futuros discípulos, e essa atividade demandava toda a sua atenção. Mu, por sua vez, pedira permissão para se afastar do Santuário em vista do seu ofício em Jamiel como o único reparador de armaduras sagradas em exercício no mundo. Aldebaran comentara certa vez que o ariano se mostrara desgostoso com a severa punição infligida a Aiolia pelo Mestre, e que resolvera voltar para sua terra natal temporariamente por achar que não compreendia mais as prioridades do Santuário.
Afrodite não era visto com muita freqüência desde então, mas às vezes era flagrado percorrendo as escadarias dos templos sozinho, e não falava com ninguém. Seu semblante exprimia um misto de apatia e resignação perante a situação em que passaram a viver. Saga desaparecera misteriosamente e havia semanas desde a última vez que fora visto. Alguns diziam que seu equilíbrio emocional fora seriamente abalado com a traição de Aiolos e que o cavaleiro fugira, gradualmente se deixando dominar pela loucura. Não era como se não esperassem alguma atitude anormal do geminiano: ele vinha se mostrando fraco em várias ocasiões e, apesar de serem desconhecidas as razões de suas recaídas, muitos acreditavam que era mesmo apenas questão de tempo até que o cavaleiro perdesse a compostura.
O fato é que o Santuário perdera vários de seus preciosos guardiões. Aquele lugar se esvaziara, seus habitantes remanescentes pouco interagiam e não faziam mais do que obedecer às ordens do Grande Mestre que, na opinião de Shura, a cada dia parecia mais e mais irascível. Foi por essas razões que Shura se sentiu aliviado em participar de tantas missões e cumprir tantas tarefas quanto fosse humanamente possível para um cavaleiro de Atena. Teria feito qualquer coisa para sair do Santuário e deixar para trás a nuvem de angústia que teimava em atormentar seus inquilinos.
- Você deveria relaxar um pouco – Dohko lhe dissera, na ocasião em que se encontraram em Rozan. O velho guardião estava sentado de costas para Shura, e não pode ver a expressão de desdém no rosto do espanhol ao ouvir seu conselho – Um cavaleiro exausto é um cavaleiro vulnerável, e você não parece muito descansado.
- Muito pelo contrário, mestre – Shura baixara o olhar até a bolsa, de onde retirava um envelope cintilante com o selo do Santuário – Mas se não se incomoda, prefiro falar sobre assuntos mais urgentes. O Grande Mestre solicita que o senhor preste seus serviços ao Santuário, reportando o que souber sobre os 'Titãs'. Ele também pede que o senhor relate o andamento da sua presente missão.
Shura entregou o envelope ao Mestre Ancião, que fitou o pequeno pedaço de papel intensamente por alguns segundos. Shura gostaria muito de saber que missão era aquela que Saga uma vez comentara consigo, mas achava que seria pouco educado de sua parte perguntar ao Mestre Ancião. Estava claro que ele não iria contar nada a respeito de sua tarefa para ninguém.
- Por que você veio me entregar isso? – perguntou o velho, guardando o envelope nas vestes, parecendo divertido – Um mensageiro do Santuário poderia ter feito o mesmo serviço, sem que você precisasse se desgastar vindo até aqui.
Shura pigarreou, olhando para os lados, antes de responder:
- Como estou de passagem, achei que podia fazer esse favor aos servos do Santuário – o espanhol não gostava do tom defensivo da própria voz, mas continuou mesmo assim – Não importa, na verdade. Não foi um desvio tão grande no meu itinerário.
Se havia algo que o intimidava era receber um daqueles olhares demorados e penetrantes do Mestre Ancião. Ele podia ser velho, mas seus olhos brilhavam como os de um jovem que sabe exatamente o que se passa na cabeça das outras pessoas.
- Isso vai custar pelo menos mais uma semana na sua jornada até seu retorno ao Santuário – o Mestre disse, voltando a encarar a cachoeira a sua frente – É muito tempo pra ficar longe de casa.
"O senhor está longe de casa há muito mais tempo", Shura pensou, sacudindo a cabeça logo em seguida. Aquilo realmente não era da conta dele, certo?
- Posso não compreender muito bem suas razões para fugir do Santuário – o velho surpreendeu Shura, ao falar novamente com sua voz retumbante e sábia – Mas você deveria voltar para onde as pessoas precisam de você. Para onde está Atena.
A boca de Shura se abrira – por que o Mestre pensava que ele estava fugindo do Santuário? – mas o espanhol percebeu que não sabia o que dizer. Ele se limitou a fazer uma reverência silenciosa enquanto murmurava palavras de despedida antes de desaparecer, deixando o velho sozinho com suas próprias conclusões.
Shura se levantara. Aquele monte de lembranças aleatórias não poderia fazer bem a ninguém que estivesse com o sono atrasado, e o garoto não tinha uma boa noite de sono havia dias. Lentamente, ele se dirigiu ao banheiro, atirando as roupas em cima da cama: arrumaria seu quarto mais tarde. Passou pelo espelho sem se dar ao trabalho de girá-lo para a posição original, da qual o tirara desde que chegara há três dias. Nem podia se lembrar de quando fora a última vez em que fitara o próprio reflexo pela manhã.
Ele ligou o chuveiro e sentiu a água fria escorrer pelo seu corpo. A temperatura das primeiras gotas sobre si fez sua pele se arrepiar, e Shura contraiu os ombros levemente. Ainda assim, não conseguiu impedir que os pensamentos continuassem a fluir velozes pela cabeça. Lembrara-se da sua visita a Jamiel, quando fora entregar ao cavaleiro de Áries um memento semelhante ao que entregaria ao Mestre Ancião dias mais tarde.
- Vejo que você continua sendo o guardião mais fiel do Santuário – Mu dissera dando-lhe as costas para apanhar um estojo de ferramentas, apenas uma nota de ironia em sua voz.
- Ah – fez Shura, baixando o olhar. Era sempre difícil para ele encarar os demais companheiros depois de tudo o que acontecera, ainda mais quando insinuavam sua lealdade ao Grande Mestre. Ele preferia encarar aquilo como um elogio, já que a alternativa era ter de revirar as próprias emoções novamente – Talvez. Prefiro não pensar nessas coisas...
Mu se voltou para o seu convidado, parecendo definitivamente irritado. O que era surpreendente, pois Mu era o tipo de pessoa que se imagina ser incapaz de expressar esse tipo de sentimento negativo.
- Acho que é o que você tem feito ultimamente. Não tem pensado 'nessas coisas' – disse ele, os olhos verdes faiscando na direção de Shura – Pelo menos parece estar te fazendo algum bem. Está cheio de missões importantes pra cumprir.
Shura ficou momentamente sem palavras. Nunca levantara a voz para este cavaleiro, aliás, eles nunca haviam sequer discutido antes. Ser a pessoa que tinha de ouvir aquelas palavras duras do ariano era bastante desconfortável.
- Quer dizer – Mu completou, rindo-se, sem conseguir parar agora que tinha a chance de dar voz aos seus pensamentos – Desde que você executou Aiolos – Shura fez um movimento involuntário com a cabeça – Desculpe, eu não sei o quanto isso o perturbou, eu não conhecia o Aiolos muito bem. Mas desde que aquilo aconteceu, as coisas pioraram no Santuário. Muitas coisas injustas aconteceram. O que é esse Santuário onde se pune os cavaleiros antes de saber por que são culpados?
Shura recuou um passo, meneando a cabeça sem olhar nos olhos de Mu.
- Você viu o que eles fizeram com Aiolia – Mu acrescentou, num tom muito mais brando – Aquilo foi injusto, Shura. Ele não merecia. Você sabe que ele não merecia. Mas nunca disse nada.
Shura achou que ainda estavam falando de Aiolos e se sentiu momentaneamente perdido. Mu tocara no assunto tão de repente, que Shura tivera a impressão de que acabara de ter o coração brutalmente arrancado do corpo. Ele teve de fechar as mãos em punhos para tentar impedir que continuassem a tremer.
- Eu tentei – Shura disse entre dentes, forçando-se a permanecer lógico e confiante, mas encontrando sérias dificuldades em fazê-lo – Eu tentei, mas Aiolia não queria me ouvir. Não queria me ver. Eu não pude fazer nada por ele.
Mu o encarou por uns instantes e suspirou.
- Você deveria voltar para o Santuário, Shura – ele sugeriu, colocando-se atrás de um balcão repleto de pedaços de armaduras velhas – Se não fizer por você, faça pelo Aiolia. Chega de missões pelo mundo. Ele precisa que você se desculpe com ele.
- Você volta para o Santuário tanto quanto eu – Shura disse, ainda sem encarar o amigo. O que não era mentira, já que ambos haviam pisado no Santuário apenas uma vez naquele ano – Como pode saber como ele está?
- Só porque você perdeu o contato com os outros cavaleiros não quer dizer que eu tenha feito o mesmo – veio a resposta como um punhal atravessando o peito de Shura – Além disso, eu tenho muito mais razões do que você para ficar por tanto tempo fora da minha própria casa.
Mu começou a martelar um dos pedaços inertes de armadura, faíscas prateadas saltando do contato entre o pedaço de metal e a estaca dourada. Já dissera tudo o que gostaria de ter dito há muito tempo, mas não parecia muito satisfeito com o jeito que o fizera. Quando levantou os olhos, seu visitante já não estava mais lá.
Shura soltou um suspiro cheio de pesar, apoiando as mãos espalmadas na superfície lisa da parede do Box a sua frente. Ouvira tanto as palavras "volte para o Santuário, Shura" nos últimos meses, que resolveu que já era hora de fazer tais comentários cessarem. Só que não estava sendo fácil, pelos motivos que Shura menos podia esperar.
É certo que algumas coisas aconteceram exatamente como ele previra em sua volta. Ele já imaginara que o Grande Mestre o receberia como a um filho pródigo, por mais que a idéia o perturbasse. Imaginara que seus servos, leais e generosos, se alegrariam com sua volta, a ponto de encabeçar a organização de uma pequena festa com os demais servos como forma de celebrar. Imaginara que seria invadido por um sentimento de comiseração quando Aiolia passasse ao seu lado, sem demonstrar ter reconhecido sua presença. Também sabia que voltaria a se afundar em um misto de mágoa e tristeza apenas por estar no mesmo lugar em que vivera junto ao seu melhor amigo.
Havia outras coisas que ele não esperava, no entanto.
Pensava que teria uma recepção hostil por parte dos seus antigos companheiros – a exemplo do seu breve encontro com Mu em Jamiel – mas a maioria parecia razoavelmente satisfeita em vê-lo novamente, claro, com a óbvia exceção de Aiolia. Era como se tivessem tentado apagar da mente tudo o que havia acontecido, e isso deixava Shura profundamente frustrado. Aparentemente, o fato de ele ter se livrado do 'traidor' passou a ser visto quase como um ato heróico pelos servos das doze casas, e seus companheiros cavaleiros não mencionavam o assunto.
O que menos esperava, no entanto, era sentir o coração acelerar ao imaginar que, uma vez no Santuário, poderia encontrar com um certo italiano sempre que quisesse. E que deixaria de se sentir aflito quando estivesse fora da Grécia, toda vez que pensasse naquele cavaleiro. Acima de tudo, surpreendia-o notar o seu próprio alívio ante a possibilidade de encontrar Carlo com mais freqüência do que gostaria de admitir para si mesmo a partir de então. Talvez fosse por que o italiano sempre lhe transmitira a sensação de segurança, de que nada mudaria se estivesse perto dele.
Os olhos fechados, Shura mordeu o lábio inferior, como se lembrasse de algo. A primeira vez que voltara para o Santuário após uma longa jornada ausente dele, já pudera notar algumas transformações sutis no comportamento do cavaleiro de câncer. Naquela época, o luto de Shura o impedira de questionar tais mudanças – e ele se arrependeria mais tarde de não tê-lo feito. Com o passar dos anos, nas breves ocasiões em que voltava para casa e segundo o que lhe contavam os servos quando o fazia, Carlo havia se tornado ainda mais soturno, mais cruel e violento.
Dizia-se que a quarta casa zodiacal emanava uma aura permanente de morte desde que seu defensor voltara de suas primeiras missões após a morte de Aiolos. Os servos de câncer, em sua maioria assustadiços e esquivos, às vezes comentavam que servir seu mestre estava se tornando cada vez mais assustador. De acordo com eles, Carlo adquirira o hábito de trazer para casa recordações de suas vitórias nas missões a que o enviava o Santuário. Em geral, essas recordações consistiam em partes dos corpos de seus adversários em lutas, normalmente, suas cabeças.
Como se repentinamente pungido por uma dor aguda, Shura levou uma mão à testa, afastando os cabelos molhados vigorosamente. Por que, por que, por quê? O que estava acontecendo com Carlo? Por que lhe assustava a idéia de que não fosse mais capaz de compreender o amigo, como o fazia antigamente? O que havia mudado nesses anos em que estivera distante do Santuário?
Shura fechou a torneira, as gotas d'água escorrendo pelo seu corpo. Ele deixou escapar uma risada silenciosa e um pouco melancólica – parecia que toda vez que pensava em Carlo, era para se perguntar quais eram os motivos que o levava a se portar da maneira que se portava. "Mas cabeças?", ele estranhava, sentindo um arrepio percorrer as costas. Decidiu que averiguaria essas informações mais tarde.
Depois de se trocar, o cavaleiro passou vinte minutos revisando um relatório sobre a situação na Indonésia, que deveria entregar naquele dia. Ele checou o horário e percebeu, frustrado, que as atividades no Santuário se iniciariam apenas dali duas horas. Ainda era muito cedo, mesmo para os cavaleiros de ouro (pelo menos aqueles com hábitos diurnos, como ele próprio). Shura alongou o corpo depois de assinar o documento que acabara de ler e voltou para seu quarto, onde apanhou seu uniforme de treino – há tempos que não o vestia – e começou a se arrumar para sair da casa.
Mataria o tempo treinando. Aquilo sempre lhe distraía quando achava que tinha coisas demais na cabeça. Reconhecia, enfim, as recomendações de Dohko e de Mu para que regressasse. Envergonhado, finalmente podia admitir para si mesmo que estivera com medo de retornar. Passara anos temendo o dia em que teria de confrontar a morte de Aiolos, a culpa diante de Aiolia e a saudade que sentia de seu irmão, mas era preciso voltar a ser quem era. Era preciso voltar a ser aquele cavaleiro confiante que deixara de ser por tanto tempo.
Não era como se de repente pudesse esquecer tudo. Não era como se agora ele conseguisse se perdoar, tampouco. Mas Shura começou a compreender que estava passando da hora de colocar a vida nos eixos novamente. De uma forma ou de outra, teria de aceitar a morte do seu melhor amigo. Ele ainda não sabia como começar a fazê-lo, mas teria que descobrir um jeito.
"Não deve mais chorar por isso, Shura".
Ele estremeceu por um instante ao se lembrar daquele conselho, mas logo voltou a centralizar as idéias. Deixou o seu templo, rumo à antiga arena de combates.
Já era hora, hein, Shura?
Mu não é tãão agressivo assim. Ele só está inconformado com a punição que deram pro Aiolia. Quando as coisas se acertarem, ele e o Shura vão ficar bem de novo.
Próximo capítulo talvez saia amanhã.
Até lá!
