Disclaimer: I do not own Relic Hunter – Relic Hunter e suas personagens pertencem a Fireworks Entertainment. Esta fic não possui fins lucrativos.
Summary: Sydney bate a cabeça em um acidente, e eis que ocorre um dos básicos clichês do mundo fanfic (essa é para quem gosta de fics sem morte, mutilação ou tortura do nosso inglês do coração... Santa Sacarose que me ajude, sou péssima com fluffy!).
_Sweet 16_
Parte VIII (dia seguinte)
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Nigel estava espalhado no sofá-cama, quando um barulho na cozinha o fez despertar. Ele sentou-se rápido, ainda com os olhos entreabertos, e viu Jenny na entrada da cozinha. Ela tinha uma tigela nas mãos onde estava batendo algo com uma colher.
― Bom dia, Nigel. Desculpe pelo barulho, Randal é desastrado – disse a loira sorrindo.
― Bom dia, Jenny – ele esfregou os olhos. Não havia sinal de Sydney no sofá. ― Que horas são?
― Nove da manhã.
Ele saltou das cobertas. ― Meu Deus, eu tenho que trabalhar! – começou a enfiar os sapatos.
― Pensei que passaria o dia com Sydney.
― Claudia está sozinha no escritório, Sydney tem aulas hoje, preciso avisar o substituto – ele alcançou seu celular que havia deixado sobre a mesinha de centro antes de dormir. Digitou o número do escritório enquanto vestia a camisa que havia deixado sobre a poltrona.
― Estudos Antigos, posso ajudar?
― Claudia, sou eu.
― Bom dia, Nigel! Como foi a noite na casa de Syd?
― Foi... boa. Como você sabe que dormi na casa dela?
― Você não chegou às oito horas, então liguei e o senhor Randal atendeu. Ele disse que vocês dois estavam dormindo abraçados no sofá! – e ela deu uma risadinha.
Nigel pigarreou. ― Claudia, eu preciso que fale com o substituto...
Ela o interrompeu. ― Já está tudo acertado. Matthew vai continuar com as aulas até Syd se recuperar e vocês dois puderem vir para o escritório. Falei com o reitor e ele deseja melhoras.
― Nossa! Você já cuidou de tudo! – comentou Nigel admirado. Ele diminuiu o ritmo com que estava indo para o lavabo perto da escada.
― É claro que sim, eu sou incrível. Não esqueça de trazer Syd para o escritório mais tarde, vários alunos trouxeram flores e recados.
― Certo. Obrigado, Claudia.
― Disponha.
Nigel desligou o aparelho e respirou aliviado. Colocou o celular no bolso e entrou no banheiro.
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Jenny e Randal estavam terminando de preparar a mesa quando Nigel entrou na cozinha, já não tão escabelado e com o rosto barbeado. Ele já havia vestido suas roupas de volta.
― Bom dia, Senhor Fox.
― Bom dia, Nigel. Já disse para me chamar de Randal.
― Sim, senhor. Onde está Syd?
Randal abraçou Jenny, que estava lhe oferecendo uma xícara de café. ― Iria lhe fazer a mesma pergunta. Ela foi para o quarto assim que acordou e não desceu até agora.
― Pode chamá-la, Nigel, o café vai esfriar – pediu Jenny.
― Claro.
O inglês passou pela sala e subiu as escadas. Bateu duas vezes na porta dela.
― Sydney, você está bem? Jenny está chamando para o café da manhã.
Ele bateu novamente e a porta se escancarou.
― Bom dia, Nige.
― Bom dia. O que está fazendo aqui trancada?
Sydney estava vestindo um roupão por cima do pijama. Ela se afastou, dando espaço para ele entrar e voltou para onde estava antes, na frente da cômoda. O inglês observou o quarto de pernas para o ar. A mulher começou a remexer nas gavetas entreabertas do móvel e guardou um envelope grande de papel pardo.
― Você... destruiu o seu quarto!
― Eu precisava encontrar o envelope.
― Do que está falando?
― O envelope do meu sonho. Mas eu já encontrei, não havia nada importante.
O homem analisou as roupas, livros e pequenos objetos espalhados pelo chão.
― Você deve ter tido um sonho e tanto.
― Foi, mas está tudo bem agora.
Ele pareceu desconfiado com o fraco sorriso que ela ofereceu e se aproximou, mas ela virou o rosto e recuou um pouco.
Nigel não insistiu. Ele ofereceu o mesmo meio-sorriso desanimado que ela havia feito. ― Jenny pediu para chamá-la. Ela fez panquecas.
Sydney concordou. ― Vou me vestir – e tirou o roupão de cima do pijama. Sem pestanejar, ela começou a retirar as outras peças de roupa, como se ele não estivesse ali.
O homem arregalou os olhos. ― E-eu vou sair do quarto.
― Ora, Nigel, não é como se já não tivesse visto.
Ele ficou vermelho e se virou para a porta.
Ela vestiu uma blusa branca, uma calça escura, um casaco marrom e suas botas.
― Vamos tomar nosso café, Podge! – disse ela, e saiu do quarto, deixando o inglês e seu olhar de ultraje para trás.
A morena chegou primeiro à cozinha. Cumprimentou Jenny, deu um beijo em seu pai e sentou-se à mesa.
― Vejo que está cheia de energia, querida!
― Tive alguns sonhos muito reveladores – respondeu a morena, servindo-se de café.
Nigel chegou e sentou-se ao lado da caçadora. Randal e Jenny já estavam acomodados do outro lado da mesa.
Durante a refeição, os quatro conversaram animadamente. Sydney estava mais agitada, era como se seu velho eu estivesse de volta. A mulher revelou alguns detalhes de suas lembranças, que lhe surgiram em seus sonhos e também durante o pequeno período que passara em seu quarto pela manhã. Parecia ter voltado a lembrar de tudo ou quase tudo que havia esquecido sobre os últimos anos.
― Nigel, depois do café iremos à faculdade. O seguro trouxe um carro novo pela manhã e quero testá-lo.
Ele largou a xícara já vazia sobre a mesa. ― É claro.
― Já está dando ordens novamente. Essa é a minha garota! – comentou Randal.
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Depois de algum tempo, os dois caçadores se despediram de Randal e Jenny e entraram no veículo para irem à faculdade. Sydney não quis dirigir, apenas acomodou-se no banco do carona e permaneceu pensativa.
Nigel pôs o carro em movimento.
Já estavam na metade do caminho, e o inglês insistia em observá-la de soslaio de tempos em tempos.
― O que foi, Nigel?
― Nada. É que você parece... normal.
Ela apenas fez aquele olhar de sempre que dizia "não me diga!".
― Estou querendo dizer que a sua memória parece ter retornado – explicou ele.
Ela sorriu simpaticamente.
― Você lembra de tudo? – ele insistiu.
― Está falando do escritório, das caçadas e dos vários anos que trabalhamos juntos?
― Sim.
Ela virou o rosto para frente. ― Basicamente.
Ele a espiou novamente. ― E... você lembra da noite de natal?
― Sim.
―... E lembra da nossa conversa naquela noite?
― Lembro.
Os dois ficaram em silêncio. Nigel parou no sinal vermelho, tilintou os dedos no volante, e aguardou. Sydney continuou quieta. Ele voltou-se para ela.
― E você não vai me dizer o motivo?
― Quero conferir algo no escritório primeiro – respondeu ela, ainda misteriosa.
― Por quê?
― Pode envolver uma relíquia.
― Hmm. Que relíquia?
― Vamos conversar no escritório.
Ele virou para frente. O sinal abriu e ele arrancou. ― É, parece que sua memória retornou mesmo. É uma pena.
Sydney o mirou perplexa. ― Como assim?
Ele continuou. ― Pensei que ficaria mais tempo acreditando que eu era incrível.
― Você é incrível, Nige.
― É mesmo? Em poucas horas você lembrou de tudo e já está me evitando novamente. Não pense que eu esqueci o que você fez ontem à noite!
Ela arregalou os olhos e virou para frente. Pigarreou uma vez. ― Eu sei...
― E?
― E... eu preciso resolver isso no escritório.
Ele fez cara de contrariado. Ela lhe lançou um olhar de desculpas. ― Sinto muito, Nige, prometo que vou lhe contar no escritório. Agora dirija.
Ele suspirou e voltou a atenção para a estrada, ainda de cara feia.
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