N.A.- Hum… Era pra ter terminado semana passada, mas… Não consegui. Enfim, não tem um mês ainda desde a última atualização... Não foi uma espera tão grande assim ;P
Espero que gostem!
P.s. - Reviews no lj até domingo (espero x.x).
Until Death
Capítulo 7
Zou tian yuan le
Yesterday was far
Ming tian hai chang
Tomorrow is still long
Hui yi mu hu dan ju da
The memories are vague but huge
Zhe yang de shen ye yan lei yao zen yang bu liu xia
How to stop the late night tears from falling?
SHE - Zui Jin Hai Hao Ma
Kagome não deixou o quarto pelos próximos dias. Sabia que Miroku a acompanharia como sempre se pedisse, mas simplesmente não tinha mais coragem de deixar a pequena e falsa segurança daquele quarto.
O perturbador sonho voltou a se repetir, mas sem a aterrorizante alteração daquela noite. Tudo terminava quando as chamas tocavam Souta, e ela acordava sozinha no quarto escuro. De alguma estranha forma isso parecia confortá-la, daria tudo para não voltar a ver a acusação nos olhos de sua família.
Ela sabia que Sangô continuava a observá-la, muitas vezes ela quase podia ouvir as perguntas que a outra garota gostaria de lhe fazer, mas ela simplesmente a ignorava, como tudo a sua volta.
Os treinos pareciam ter cessado, e esse era o único detalhe que realmente atraia sua atenção. InuYasha parecia ter desaparecido desde o incidente daquela noite. Não voltara sequer para apanhar a espada que esquecera durante sua estranha fuga. Kagome apenas observava a arma pousada sobre a cadeira, a cada noite, até adormecer. Era a última e primeira coisa que via todos os dias.
Vê-lo parecia ter se tornado uma necessidade que ela não podia satisfazer. O hanyou parecia estar realmente se esforçando para não voltar a encontrá-la, e por algum tempo ela chegou a pensar que ele não voltaria. Afastara tal pensamento, dizendo a si mesma que se havia um intruso naquela casa era ela e não InuYasha, portanto ele certamente voltaria.
Assim como a falsa sensação de segurança que a cercava, ela sabia, que enquanto estivesse com sua espada, ele não poderia partir.
oOo.oOo.oOo.oOo.oOo
Sangô bateu na porta antes de entrar. Sentia-se tola por aquele gesto, afinal aquela era sua casa, mas desde que Kagome parecera ter desistido de sair do cômodo, ela não conseguia simplesmente entrar. Era quase como se sua presença estivesse danificando algo do local.
Abriu a porta depois de esperar em vão por alguma resposta, entrou e deixou a bandeja sobre a penteadeira, pegando a que deixara na hora do almoço, a comida no prato parecia quase que intocada. Lançou um rápido olhar na direção da garota, e viu que ela estava parada ao lado da janela, olhando para o exterior sem vê-lo realmente, como fizera nos últimos dois dias. A única fonte de luz eram os últimos raios de sol que penetravam pela janela. Conteve um suspiro e virou-se para deixar o quarto, parou ao pousar a mão na maçaneta e voltou-se para Kagome novamente.
- Você sabe que é inútil, não sabe? - Sangô esperou que a garota ao menos olhasse em sua direção, mesmo que não respondesse.
Não houve qualquer reação e Sangô continuou parada por alguns minutos, dizendo a si mesma que devia sair. Era totalmente inútil esperar que a garota despertasse e lhe desse qualquer tipo de atenção. Se antes ela se escondia atrás de sorrisos conseguidos com muito esforço, agora ela parecia simplesmente ter desistido.
Sangô virou a cabeça, fitando o corredor vazio, tentando decidir o que fazer.Uma parte sua lhe dizia que devia seguir o conselho de InuYasha e dar tempo para que Kagome se recuperasse, mas a outra a forçava a tomar uma reação.
Não demorou muito tempo para que uma das partes vencesse, e Sangô se viu caminhando na direção da garota. Pegou a espada de InuYasha e depositou-a no chão ao lado da janela e sentou-se a seguir, fitando Kagome em silêncio. Normalmente mover a espada chamaria a atenção da garota, mas ao que parecia nem isso funcionara daquela vez.
Suspirou, sabendo que se arrependeria daquilo mais tarde, e estendeu a mão para o ombro de Kagome. Isso conseguiu despertá-la e os olhos azuis a fitaram assustados nos próximos segundos.
- Se está esperando InuYasha voltar, é inútil.
- Ele não vai voltar? – A voz de Kagome soou vazia enquanto ela fitava a garota a sua frente. – Você falou com ele? Aconteceu alguma coisa? Ele—
- Nada aconteceu. – Sangô falou apenas para cortar o que parecia uma lista interminável de perguntas naquela voz vazia e sem emoção. Mais do que qualquer coisa que já lhe acontecera, ouvir aquilo a deixava com medo. – InuYasha é assim. – Forçou-se a continuar, tentando soar despreocupada. – Ele não vai voltar só porque existe alguém preocupado com sua segurança.
- Ele...
- Está preocupada com aquele cabeça dura, não está?
Kagome pareceu ter dificuldade em responder a pergunta simples, apesar da verdade estar estampada em seu rosto. Sangô mordeu a língua antes de abrir a boca, pronta para continuar, mas a voz da garota soou, sobressaltando-a.
- Ele está ferido.
- Eu disse que você não precisa se preocupar com isso.
- Eu o feri.
- A culpa foi dele. – Sangô disse com firmeza. – Apenas um corte, nós limpamos seu quarto no dia seguinte, lembra? – Tentou sorrir, tocando a mão da garota. – Acredite, ele já se recuperou de coisas piores.
- Não é isso... – Kagome pareceu confusa, e isso tranqüilizou Sangô. Ao menos aquele som desprovido de emoção parecia estar desaparecendo. – Não são os cortes.
Sangô fitou Kagome em silêncio, esperando que ela continuasse. Agora que a garota começara a falar realmente não fazia sentido que ela tivesse conseguido se livrar tão facilmente de InuYasha naquela noite. Por mais que ela o tivesse pego desprevenido, não teria forças o suficiente para conseguir atirá-lo para fora da cama.
- Como você o machucou? – Perguntou baixinho, com medo que isso a fizesse parar de falar.
- Eu não sei. – Kagome balançou a cabeça, fechando os olhos. – Eu me lembro de ter acordado, e por alguns segundos não o reconheci... Apenas o empurrei e ele caiu.
- O máximo que feriu com isso foi seu orgulho. – Sangô disse.
- Mas eu o feri antes, eu sei. – Kagome franziu o cenho, tentando lembrar de algo que fizesse suas palavras fazerem sentido. – Eu o vi se encolher quando estendi a mão para ajudá-lo a levantar.
- Só está confusa, ainda devia estar sonhando. – Sangô falou, tentando entender a cena que Kagome descrevia. – E o quarto estava escuro, não conseguiria ver—
- Sim, eu podia. Estava bem perto. – Kagome insistiu.
- Pare de se torturar com lembranças dispersas. – Sangô levantou rapidamente, atraindo a atenção da garota. – Você não poderia machucá-lo a não ser que fosse uma... – Riu com a idéia antes de proferi-la, balançando a cabeça. – Impossível, elas estão extintas.
- Eu não poderia feri-lo a não ser que fosse o que?
- Uma sacerdotisa. – Sangô falou, ainda rindo com a idéia tola.
- Mas sacerdotisas não têm poderes para ferir. Elas apenas podem localizar yokais.
- Na verdade, localizar é apenas parte do que podem fazer. Como iriam se defender quando encontrassem os yokais se apenas conseguissem localizá-los? – Sangô suspirou – Mas elas não existem mais. Naraku... – Parou no meio da frase e fitou a garota. – se certificou de que isso acontecesse.
- Mas eu sempre pensei—
- É isso que você é. – Sangô falou lentamente, e mesmo assim foi o bastante para calar a outra garota que só então percebeu que falara demais. – Por isso Naraku a tinha como prisioneira.
- Eu não—
- Onde ele está? – Sangô a agarrou pelos braços. – Diga onde ele está.
- Eu não sei. – Kagome respondeu assustada. – Estava desacordada quando me trouxeram. Posso reconhecer a casa de Naraku se—
- InuYasha. – Sangô a corrigiu. – Você pode senti-lo, onde ele está?
Os olhos da garota pareceram se apagar e ela baixou a cabeça, ignorando como as mãos de Sangô apertavam seus braços com mais força.
- Eu não sei... – Respondeu em um fio de voz. – Eu sei que ele estava ferido porque senti, mas hoje sua presença pareceu cada vez mais fraca... Agora... – Kagome baixou a cabeça, sem tentar se libertar das mãos da garota que apertavam seus braços com força. – Agora é como se ele tivesse desaparecido por completo.
oOo.oOo.oOo.oOo.oOo
InuYasha se encolheu em seu esconderijo, os ferimentos em seu peito incomodando-o muito mais agora do que no momento em que haviam sido feitos. Sentia-se indefeso pela primeira vez em muito tempo, principalmente por ter deixado sua espada no quarto de Kagome quando fugira antes que Sangô entrasse.
Estava cansado, com dor e faminto. Pelo visto não pensara em todos os detalhes quando resolvera se esconder até que seus ferimentos curassem. Kagome parecia não saber a extensão de seus poderes ou do que era capaz de fazer com eles. Isso não o surpreendia, Naraku deixara de confiar em sacerdotisas depois que Kikyou se voltara contra ele. Apenas as capturava antes que descobrissem todo o potencial de seus poderes e as limitava a simples rastreadoras de yokais até que nem isso fossem capazes de fazer.
Ajeitou-se contra a parede rochosa e respirou fundo, o simples movimento de seu peito causando ainda mais dor. Ele fechou os olhos com força, amaldiçoando-se por não ter se lembrado que noite era aquela até que fosse tarde demais. Havia retirado a camisa no dia anterior ao perceber que o tecido estava grudando nas queimaduras e apenas causando mais dando, e agora sentia a brisa fria sobre a pele, apenas piorando ainda mais a dor.
Tocou o próprio peito cuidadosamente, sentindo a umidade no local ferido. Provavelmente infeccionado. Essa seria a noite mais longa que se lembrava de ter vivido. Precisava se manter acordado até o amanhecer.
'Só até o amanhecer, e tudo voltará ao normal.'
oOo.oOo.oOo.oOo.oOo
Sangô respirou fundo, tentando não ceder ao medo que ameaçava paralisá-la. Foi difícil, mas ela conseguiu soltar Kagome e se afastar.
- Como... – Ela parou novamente quando ouviu a própria voz tremer e falhar. Respirou fundo mais uma vez e recomeçou. – Como você o encontrou antes?
- Dor...
Sangô piscou, fitando a garota, confusa. Seus lábios se abriram instintivamente, e ela estava a ponto de perguntar se ela estava ferida quando ouviu sua voz novamente, completamente desprovida de vida.
- Solidão... – Kagome continuou, sua voz extremamente baixa. - Culpa...
Sangô a fitou em silêncio, esperando que continuasse, finalmente entendendo que Kagome não falava de si mesma e sim de InuYasha.
- Eu procurei por alguém como ele... Um hanyou, por muito tempo. – Kagome piscou, parecendo tentar se livrar daquelas lembranças, mas à medida que cada palavra era pronunciada, ela parecia se ligar mais à elas. – Eu precisava de ajuda. Humanos não acreditariam em mim, Yokais tentariam me matar sem me ouvir, um hanyou... – Sua voz falhou, e Sangô a viu balançar a cabeça, tentando focar seus pensamentos. – Um hanyou me entenderia. Porque ele saberia o que é fugir dos dois lados.
Kagome levantou lentamente, dando as costas à janela que agora era quase como um quadro totalmente negro. Caminhou até a cama, guiando-se com a luz que entrava pela porta entreaberta.
- Foi tão difícil quando eu finalmente o encontrei. – Kagome suspirou. – A dor dele era maior que a minha, era quase impossível suportar.
- Ele ficou muito ferido.
- Não esse tipo de dor. – Kagome riu sem humor. – Ele se sente culpado pelo que aconteceu. Essa dor é forte demais.
Sangô se encolheu como se pudesse sentir o que a garota falava. Fora tola em acreditar que InuYasha havia se recuperado facilmente da perda de Kikyou.
- Você não consegue encontrá-lo assim?
- É por isso que não tem ressentimentos pelo que aconteceu. – Kagome completou, parecendo não ter ouvido a voz da outra garota. – Ele pensa que é um bom castigo por não ter cumprido a promessa que fez a Kikyou... Por não ter conseguido impedir sua morte.
- O que... – Sangô ergueu a cabeça, e fitou Kagome com atenção. Seus olhos pareciam sem foco novamente. - O que você disse? – Mas a garota havia se calado e a encarava confusa.
- Ele se sente culpado, é essa dor que estou falando. – Kagome franziu o cenho. – Nunca descobri pelo que ele se culpava.
- Você acabou de falar que ele se sente culpado pela morte de Kikyou.
Kagome a fitou em silêncio por alguns segundos, obviamente pensando que Sangô havia enlouquecido.
- Quem é Kikyou?
Sangô estreitou os olhos, irritada e confusa. Kagome parecia sincera, e ela pensou se não estava novamente ligada a InuYasha, mesmo que não percebesse. Respirou fundo, resolvendo que tentaria descobrir mais depois, quando não houvesse outras coisas em sua mente.
- Acha que pode encontrá-lo agora?
- Eu já disse que não, ele parece ter desaparecido. – Kagome se encolheu, deixando-se cair na cama. – Eu tentei, quando percebi que a presença dele estava ficando muito fraca, mas agora...
- Está tentando se conectar a coisa errada. – Sangô respirou fundo, percebendo que se quisesse encontrar InuYasha teria que compartilhar alguns segredos com a garota. – Está procurando um hanyou, precisa encontrar um humano.
Kagome a fitou confusa.
- Esta noite você não vai conseguir encontrar um hanyou – Sangô apontou para a janela. – É lua nova. Esta noite ele é humano.
- Eu... – Kagome arregalou os olhos, fitando o céu escuro sem lua. – Eu não posso localizar humanos.
- Mas pode localizar InuYasha. – Sangô sentou ao lado da garota na cama. – Sabe o que procurar.
- Eu não sei...
- Você precisa encontrá-lo agora.
- Eu não posso! Sacerdotisas só podem encontrar yokais. – Kagome balançou a cabeça, frustrada. – Tem idéia de como foi difícil encontrá-lo? Ou qualquer hanyou? – Afastou-se quando a outra garota tentou tocá-la. – A energia que eu posso localizar é diferente, humanos não—
- Você não está mais procurando às cegas, está procurando InuYasha! – Sangô insistiu. – Sabe como ele se sente, seus pensamentos, pode encontrá-lo.
Kagome a fitou em silêncio, tentando não repetir que tal coisa era impossível. Naraku lhe dissera, há muito tempo atrás, sacerdotisas apenas conseguiam localizar yokais.
- InuYasha é diferente para você. – Sangô repetiu, parecendo ouvir seus pensamentos. – Aceito o fato de que você não possa encontrar humanos, mas você pode encontrar InuYasha. Sabe quem ele é, como ele é, o que sente.
Kagome continuou em silêncio, analisando o que a garota lhe dizia. Talvez Sangô estivesse certa, humano ou hanyou, ela sabia o que ele sentia. Fora àquilo que se ligara para encontrá-lo desde o início.
- Eu não tenho certeza... Os sentimentos de InuYasha eram demais para que eu pudesse suportar. Principalmente desde que cheguei aqui. – Kagome mordeu o lábio. – Eu quero encontrá-lo, mas parte de mim sabe que as emoções dele são demais para que eu possa suportar sozinha.
- Você não está sozinha.
Kagome piscou quando a garota apertou sua mão. Tentou sorrir.
- Vou tentar. – Ela finalmente disse, tentando parecer confiante. – Vou tentar ver onde ele está, mas duvido que consiga acompanhá-la se for preciso.
Sangô a fitou confusa.
- Deixar que essa conexão se complete sempre me deixa fraca, por isso eu aprendi a bloqueá-la. – Kagome se afastou de Sangô, recostando-se à cabeceira da cama. – Farei o que puder, direi o que vir, mas no final, você e Miroku terão que encontrá-lo sem mim.
- E deixar você sozinha?
- Não vai precisar se preocupar comigo. – Kagome sorriu – Não poderei traí-la se tudo de certo. Fico bastante inútil quando permito que isso aconteça comigo.
- Você... – Sangô começou quando a viu fechar os olhos e respirar fundo. – Você vai ficar bem?
- Ninguém nunca me perguntou isso antes. – Kagome pareceu calma, e quase feliz, pela primeira vez desde que chegara ali. – Não se preocupe, ficarei bem. – Voltou a fechar os olhos. – Eu sempre volto ao normal depois de algum tempo.
Sangô concordou com um aceno que a outra garota não chegou a ver. Ficou feliz por Kagome estar com os olhos fechados e assim não poder ver a preocupação em seu rosto que ela não conseguiu esconder. Sabia o que aconteceria com Kagome porque vira o mesmo acontecer com Kikyou, períodos cada vez mais longos para se recuperar, até que pouco restara de sua força ou poderes.
Endireitou o corpo, apertando as próprias mãos, sem conseguir apagar as dúvidas que a consumiam. Estaria certa em arriscar a saúde da garota quando InuYasha se arriscara tanto para protegê-la?
(Continua...)
