Obs: Como sugerido pela Rainha, uni o capitulos 8 e 9 em um só. Obrigada pelo conselho, eles realmente ficam melhores assim.


8

Uma luz quente, cegante, inundou todo o armário.

Em desespero, a bacante condensou-se. Em um ímpeto esvoaçou para longe. Um risco vermelho sobre um céu escuro.

Incandescente, a luz da vestal atravessou as paredes. Irradiou-se por toda a vizinhança.

No choque de luz e sombra, o tempo pareceu dilatar.

Não só as paredes do closet esvaeceram. Todo o resto da construção desaparecera. Os três pareciam flutuar no espaço metros acima do chão.

O mesmo acontecia pelas redondezas.

Pelo brilho da vestal todo aquele pequeno universo transbordava em energia. Cada ser vivo em contato com a luz respondia, irradiava sua própria vida.

Mas, nenhuma fonte equiparava-se a da vestal. Pois, de todas era a mais brilhante e, estranhamente, confortadora.

Samuel sentia o ombro formigar além de outras partes do corpo.

E, no limiar de sombras, a bacante definhava.

Súbito, como uma lâmpada antes de queimar, uma explosão de energia inundou o espaço. Tamanha era a intensidade que, por um segundo, era como se somente a vestal existisse. E, em menos tempo do que isso, toda a luz retrocedeu.

Em seu rastro, como o de um buraco negro, um gás avermelhado era puxado.

O demônio era arrastado em direção ao centro.

Acima da porta, o ramo de parreira crepitava, uma folha de papel sobre o fogo.

De boca e olhos abertos, Elisa absorveu a bacante, um vapor rosado quase sem vida agora, ao mesmo tempo em que a luz desapareceu.

Arfou.

Exausta, desmaiou sobre os braços do amante.

Quando finalmente acordou, a tarde avançava rápido.

Deitada de bruços, abriu os olhos devagar. Observou o ambiente por algum tempo sonolenta.

Não estava em seu quarto. Nem em um armário, pensou aliviada.

As paredes eram verdes. Do outro lado, uma cama, desarrumada.

A janela estava aberta. Uma brisa balançava o cortinado entre as camas. Apesar do céu claro, não podia ver o sol da sua posição.

Um ruído baixo, quase como o de um rádio, chegava a seus ouvidos.

"...bombeiros isolaram área... causas do incidente não reveladas. Ainda desaparecida..."

- Bom dia- sussurrou ao voltar em direção ao som. Encolheu as pernas.

Sentado à beirada da cama, o mais jovem dos Winchesters assistia a televisão.

- Oi- disse ao desligar o receptor- Dormiu bem?

Parecia preocupado.

- Como uma pedra. Que horas são?

A garota virou-se na cama.

- 2:30.

- Acho melhor levantar.

De barriga pra cima, espreguiçou um pouco.

Samuel voltou o rosto ao chão.

- Onde estão minhas roupas? – envergonhada ajeitou o lençol sobre o corpo. Sentou-se à beira da cama.

- Meu irmão foi buscá-las.

- Legal.

Um silêncio constrangedor.

- Ta com fome?

- Um pouco- nervosa, Elisa mordia os lábios ao mirar a janela- Sabe se ele vai demorar muito?

- Não.

- Hmm... O seu braço ainda ta doendo?

Sem jeito, encararam-se. Elisa, tensa, comprimia uma das mãos sobre o colchão.

- Não... muito.

A garota sorriu um pouco mais aliviada.

– É melhor tomar um banho- dirigiu-se ao banheiro. Arrastava como uma cauda as sobras do lençol.

Quando bateu a porta, Samuel respirou fundo. Sozinho, permaneceu sentado por mais algum tempo