Título: O caçador e seu amor
Autor: Fabianadat
Co-autoria: Topaz Autumn Sprout
Betagem: Uma doida corrigindo a outra
Pares: Harry & Draco
Classificação: NC-17
Gênero: Romance/Drama/M-preg
Disclaimer: Os personagens e situações pertencem à JK Rowling, esta fic não infringe direitos autorais nem gera lucro.
****** A fic é SLASH/Lemon, ou seja, trata do relacionamento entre dois homens, e vai rolar pegação explícita. Se não é tua praia, NÃO LEIA!
I'll reach out my hand to you
I'll have faith in all you do
Just call my name
And I'll be there, I'll be there
And, ohhhhh
I'll be there to comfort you
Build my world of dreams around you
I'm so glad that I found you
I'll be there with a love that's strong
I'll be your strength; I'll keep holdin' on
I´ll be there - Jackson 5
Tradução:
Eu vou estender minha mão para você
Eu vou ter fé em tudo o que fizeres
Apenas chame meu nome
E eu estarei lá, eu estarei lá
Eu estarei lá para te confortar
Construir meu mundo de sonhos ao teu redor
Estou tão feliz porque te encontrei
Eu estarei lá com um amor que é forte
Eu serei a tua força; e vou segurar a barra....
8. REENCONTRO
Depois do porre memorável, veio a ressaca que ele gostaria esquecer.
Mesmo com a super dose da poção cura-ressaca, acordou no meio da tarde sentindo-se um lixo. Depois de uma ducha demorada, ele literalmente arrastou-se até a cozinha para tomar alguma coisa que tirasse aquele gosto ruim da boca.
Foram dois dias de estômago embrulhado, três de uma enxaqueca de rachar o crânio e passou-se quase uma semana até ele estar em forma novamente.
Ao visitar os amigos, todos perguntavam que azaração ele tinha sofrido para estar com um aspecto tão alquebrado, e quando contou a Hermione sobre sua crise de estupidez, levou um sermão daqueles. Mas a amiga parecia realmente preocupada e fez um pequeno check-up de saúde nele. Harry notou que ela parecia intrigada com alguma coisa e acabou perguntando:
-Mione, o que você achou de errado? Eu nunca vi uma varredura de varinha tão longa!
- É a sua aura mágica! Eu achei que ela estaria flutuando ou com alguns pontos enfraquecidos pela besteira que você fez, mas é surpreendente! Ela está mais forte, aliás, é a aura mais potente que eu já vi. Por acaso seus poderes andaram aumentando? Você não andou tomando nenhuma poção maluca ou se enfeitiçando com alguma coisa daquela biblioteca da casa de Sirius, por favor, me diga que não!
- Claro que não! Nos últimos dias só foi à poção para ressaca e uma bem comum para dor de cabeça. De resto só sopinhas, chás e purês. Monstro tem me tratado como um bebê, aliás, segundo ele, um bebê birrento e burro.
Ele tomou fôlego e continuou:
- E você tem razão, minhas habilidades vem aumentando, os feitiços não verbais não requerem mais muito esforço, não preciso nem dos movimentos da varinha, e os meus feitiços de cura estão bem passáveis também.
Chegando em casa, ele se acomodou na biblioteca para ler e começou a pensar na conversa com Mione. Desde a batalha final seus poderes vinham num crescendo, e nos últimos meses os feitiços não verbais pareciam brincadeira de criança, o que será que estava acontecendo com ele? Depois de um tempo seus olhos começaram a pesar, e no cochilo ele repassou o estranho sonho com Fawkes. Acordou meio sobressaltado, com a sensação de que aquilo fora mais que um sonho. Pegando um pergaminho e pena, resolveu escrever o que conseguia lembrar da estranha canção e guardou a folha junto com seus estudos de feitiços.
No dia seguinte, já acordado no horário habitual, ele lia um jornal trouxa em busca de mais uma caçada, e uma notícia de rodapé lhe pareceu uma boa pista. Mortes inexplicáveis de animais na Cornualha faziam o povo cogitar sobre que animal seria capaz de fazer a vítima literalmente em pedaços. Para Harry cheirava a Lobisomem, e valia a investigação.
Com uma mochila recheada e sua mais nova aquisição, uma pistola de pressão magicamente modificada que disparava dardos de prata recheados com tranqüilizante de uso veterinário, ele partiu para mais uma caçada.
Onze dias depois, ele voltou para Grimmauld Place número 12, exausto, dolorido, doido por um banho e uma bela noite de sono numa cama confortável. Dormir ao relento não era divertido, especialmente naquele clima úmido e sem poder descuidar dos arredores; lobisomens podiam ser traiçoeiros e devido ao faro apurado conseguiam rastrear cheiros a uma longa distância. A máxima de Olho-Tonto "Vigilância Constante" foi o que o manteve a salvo. E felizmente conseguiu capturar a dupla fora da lua cheia.
Desta vez ele havia levado pessoalmente os dois prisioneiros até o Ministério, certificando-se de que seriam transportados em segurança até a prisão e seu cofre ficou ainda mais cheio.
No silêncio de sua casa, ele dormiu um sono pesado e acordou com o cheiro de pão quentinho e café recém passado, sinal de que Monstro estava em casa. De banho tomado e barbeado, desceu para a cozinha a fim de comer decentemente, coisa que não fazia desde a sua partida.
Bem alimentado, começou a folhear os jornais trouxas e por último pegou o Profeta Diário. A manchete da capa o fez arregalar os olhos e reter a respiração:
"Lúcius e Narcissa Malfoy serão sepultados hoje."
Imediatamente foi para a página central do jornal, lendo o cabeçalho da reportagem:
"O casal Malfoy, vítima de um atentado terrorista, possivelmente perpetrado pelos seguidores ainda fiéis a Vocês-Sabem-Quem, será sepultado hoje, às dezessete horas no jazigo particular da família, localizado junto da mansão senhorial de Wiltshire."
Harry teve a sensação de tomar um murro no peito. Soltando o ar que ele nem sabia que estava segurando, respirou profundamente e sua mente começou a trabalhar em alta velocidade.
- Então a cerimônia será na Mansão Malfoy. Desta vez não posso escapar. Eram seus únicos parentes e ele sempre foi muito ligado na mãe, Malfoy está sozinho e os baba-ovos da "digníssima" sociedade bruxa devem estar em volta, provavelmente querendo aparecer na coluna social do jornal ou sendo super solícitos pensando em obter vantagens.
Aparatando nos portões da Mansão, ele caminhou pela alameda bem cuidada e chegando até a porta, respirou fundo numa tentativa de se recompor, checando pela milésima vez a veste preta, as abotoaduras nos punhos da camisa e o nó da gravata.
A porta foi aberta por um mordomo muito espigado, que o reconheceu de imediato e o acompanhou até o salão, onde estavam presentes os expoentes da sociedade bruxa, inclusive o Ministro Kingsley recentemente reeleito.
Eram realmente poucos os que vieram se despedir do casal, a vasta maioria veio pelo status da família e muito provavelmente tentando cair nas boas graças do filho, que assumiria o controle dos negócios. A filosofia dos Césares romanos continuava em vigor: "O rei morreu! Viva o novo Rei!"
Caminhando pela multidão ele avistou o novo dono da casa. Foram treze meses de correspondências trocadas, treze meses tentando escapar pela tangente, treze meses sufocando sentimentos, tentando minimizar a importância dele em sua vida. Policiando-se para manter a expressão do rosto neutra, ele avançava pelo cômodo procurando pelo loiro. E agora ele estava ali, ao alcance das mãos, parecendo muito triste; o peso da tragédia transparecendo nos gestos, nos belos traços aristocráticos, na tensão dos ombros e o fazendo mais pálido, mas perfeitamente composto e recebendo as condolências educadamente, sempre de olhos baixos.
Caminhando pelo salão, ele aproximou-se do rapaz que automaticamente estendeu a mão para receber mais um cumprimento de pesar absolutamente sem sentido. Tomando a mão que lhe foi oferecida e sentindo um arrepio percorrer seu braço, ele levantou os olhos e se deparou com um par de conhecidas esmeraldas, que espelhavam pesar verdadeiro e preocupação para com ele. Um ensaio de sorriso surgiu no rosto dele que falou:
-Você veio!
-Claro Malfoy, amigos são para estas horas.
Eles se encararam e o tempo parecia ter ficado em suspenso. Ainda de mãos unidas, Draco notou a mudança no rosto do outro, que parecia mais velho e mais austero, mas o calor e a bondade ainda estavam ali, no brilho daquele olhar.
A súbita elevação no volume das vozes os trouxe de volta à realidade. O fato de Harry Potter comparecer ao funeral do casal Malfoy vestido formalmente e cumprimentar o herdeiro como amigo, foi à novidade do dia. A notícia espalhou-se mais rápido que fogo em palha e as línguas de trapo já estavam trabalhando a toda velocidade.
Soltando a mão do loiro Harry avisou:
- Atenda seus convidados, não estou com pressa, conversaremos depois que o pessoal for embora.
E com um aceno de cabeça foi até a mesa de bebidas pegar um refresco, sendo imediatamente assediado por várias pessoas. Afinal, ver O Escolhido em pessoa era uma honra. Desvencilhando-se dos admiradores, ele procurava um rosto conhecido e se deparou com Kingsley. O homem o cumprimentou efusivamente e engataram uma conversa agradável. Não se viam fazia três anos, só trocavam correspondência, mas o Ministro ainda não desistira dele, oferecendo-lhe um alto cargo no Ministério.
Harry recusou a oferta polidamente e dando por finalizada a conversa, ao andar pelo lugar foi abordado várias vezes.
Discretamente ele procurava a cabeça dourada de Draco na multidão, mantendo sempre a expressão facial absolutamente despida de emoções. Demorou um bom tempo até que ele conseguisse dominar a arte de não expressar fisicamente suas emoções, uma habilidade vantajosa para a profissão que escolhera e muito útil nesta situação em particular, quando todo seu ser gritava pela proximidade do outro.
Sua mente traiçoeira conjurava imagens nada castas de um encontro particular dele com Malfoy, imagens cheias de sensualidade e paixão onde bailavam ele e Draco enroscados e nus sobre uma cama, fazendo tudo o que ele tão diligentemente lera em vários livros durante suas andanças pelas bibliotecas, e então se censurou energicamente: - Pensando besteira numa hora como esta Potter? Ele perdeu os pais, está fragilizado e você fica pensando naquilo? Contenha-se!
Sua decisão já estava tomada, ele veio prestar solidariedade a Malfoy, seria o ombro amigo e nada mais. Perdido em pensamentos, ele não havia notado que o mordomo sinalizou para que os presentes se dirigissem para os jardins, seguindo em cortejo até o jazigo da família.
Passaram por ornamentados passeios até uma parte mais afastada, onde se erguia uma bela construção coberta de mármore branco em estilo neoclássico que refulgia ao sol poente como uma jóia; fazendo um interessante contraste com o colorido das flores e combinando perfeitamente com os pavões albinos que passeavam por ali. Não havia como negar, Lúcius Malfoy tinha bom gosto, um tanto excêntrico sem dúvida, mas absolutamente impecável.
O serviço fúnebre teve início e Harry se manteve um pouco afastado da aglomeração, mas num ponto estratégico de onde podia ver Draco, muito elegante em sua veste negra. Divagando, ele se deu conta de que esta devia ser a cor preferida dele, pois na maioria das vezes que o vira ele sempre se trajava de preto. Voltando à cerimônia, observou os esquifes do casal Malfoy. Eram primorosamente trabalhados em madeira nobre e metal polido, o melhor que o dinheiro poderia comprar, afinal, eles tinham uma reputação a zelar e desta forma, Draco também mostrava seu apreço pelos pais.
A cerimônia foi curta, e logo as pessoas começaram a se despedir e seguir em direção à saída da propriedade. Andando devagar, ele estava chegando perto da casa quando foi novamente interpelado por Kingsley, que reiterou o convite para que ele aceitasse um cargo no Ministério. Dizendo que iria pensar com calma na oferta, ele despediu-se do homem e dirigiu-se para a porta principal da Mansão, despertando a curiosidade dos poucos ainda presentes.
Harry viu os olhares especulativos e pensou:
- Qual será a manchete de amanhã do Profeta? Algo no estilo "Potter e Malfoy, amigos ou inimigos?" Bem, seria esperar para ler o que os fofoqueiros de plantão iriam despejar para os repórteres bastante imaginativos do jornaleco, que foram terminantemente proibidos de passar dos portões ou tentar fotografar qualquer cena do funeral.
Ao chegar à entrada da casa, se deparou com Draco que estava de braços cruzados na soleira da porta e com um gesto de cabeça o convidou para entrar. As portas fecharam-se silenciosamente atrás deles ao entrarem no átrio principal.
- Merlin! Pensava Harry. - Os elfos daqui são fantásticos, este salão nem parece que foi usado! Tudo já estava de volta em seu respectivo lugar e o chão brilhava como um espelho. Olhando para cima, ele viu o enorme lustre de cristal que Dobby havia soltado para facilitar a fuga deles, viu o canto onde Hermione foi torturada por Bellatriz e várias pequenas coisas que o lembraram daquele triste episódio. - Este lugar me dá arrepios! Agora chega de pensar no passado, agora preciso ter forças para consolar Malfoy sem me deixar levar pelos sentimentos.
Com isto em mente, ele seguiu o loiro até uma porta lateral, e lá entrando viu-se num confortável estúdio que ele presumiu ser de Lúcius, mobiliado de maneira clássica com sofás e poltronas convidativos.
Draco sentou-se numa poltrona e com um gesto indicou que ele escolhesse onde sentaria. Tentando manter sua decisão em mente, ele escolheu uma enorme poltrona Berger à meia distância do loiro, que mostrava sinais de esgotamento: olheiras pronunciadas, o cabelo levemente bagunçado, os punhos da camisa desabotoados e o nó da gravata afrouxado. Draco passava as mãos no rosto como se quisesse sumir com as emoções que ameaçavam transbordar.
Finalmente ele falou em voz baixa:
- Sempre achei que os funerais deveriam ser presenciados somente pela família, mas nossa posição na sociedade nos obriga à exposição nestes momentos, e temos de receber condolências vazias de gente que nem conhecemos. Pelos Deuses! Estou cansado de tanta hipocrisia, tão cansado de tudo... Para o pessoal do lado trouxa eu tive de dizer que eles já haviam sido cremados e as cinzas espalhadas conforme a vontade deles. Tem gente boa daquele lado, mas não posso misturar as coisas.
Então Harry viu uma lágrima solitária escapar dos olhos cinzentos e teve de enterrar os dedos nos braços da poltrona para se impedir de levantar e abraçar o loiro.
Suspirando alto e tentando conter as emoções, Draco fitou o moreno que retribuiu o olhar. E neste momento ele se deu conta da falta imensa que sentira dele, até mesmo das discussões ridículas dos dois.
Aqueles olhos verdes prometiam carinho e compreensão, fazendo suas emoções virem novamente à tona e rompendo sua resistência.
Harry nem viu direito o que aconteceu. Num minuto estavam se olhando e instantes depois se viu com o loiro em seu colo, abraçando seus ombros e chorando desconsoladamente.
Ele chorou todas suas mágoas, a dor da perda, as angústias e todas as lágrimas represadas pela vida toda. Entremeando gemidos de uma dor que lhe rasgava a alma e soluços sentidos, ele abriu as comportas da emoção e chorou sem parar.
Harry fez a única coisa cabível no momento: acarinhava as costas do loiro e murmurava palavras de consolo.
Quando o relógio de carrilhão badalou nove horas da noite, Draco finalmente dormiu, aconchegado nos braços do moreno.
Sabendo que Malfoy precisava descansar, Harry o pegou no colo e para maior conforto conjurou o feitiço de diminuição da gravidade. Com Draco ainda firmemente abraçado nele, subiu as escadarias e num palpite abriu a porta decorada com entalhes de dragões. A luz da lua crescente iluminava de forma suave o aposento, e ele caminhou até a cama de casal, acomodando o loiro. Quando estava prestes a se afastar da cama, a mão de Draco instintivamente fechou-se sobre a sua num aperto forte, entendendo que ele precisava de apoio, Harry conjurou uma poltrona e sentou, preparando-se para uma noite de vigília.
Draco teve uma noite agitada, embora continuasse dormindo, gemia e soluçava de quando em quando. Nas duas vezes em que chorou, Harry acariciou suavemente seus cabelos à guiza de consolo. Perto da madrugada, ambos dormiram e quando o moreno acordou se deparou com duas contas prateadas o encarando.
- Muito obrigado por ficar Potter!
As palavras acertaram direto o coração de Harry que mantendo a expressão neutra, deu um pequeno sorriso e comentou:
- Verdadeiros amigos encaram as barras juntos Malfoy. Mas está na hora de me despedir, já invadi sua privacidade o suficiente.
- Fica, por favor! Merlin sabe que estou precisando de companhia agradável. Com você eu posso conversar sem precisar medir as palavras com medo de que possam parar num artigo de jornal. Eu não tenho com quem conversar livremente no nosso mundo. O pessoal trouxa é legal, mas às vezes fico meio sem assunto, e sempre me cuido para não cometer gafes.
Ele o estava cercando direitinho.
- E também estou retribuindo minha estadia na sua casa, você me poupou de sofrer uma dura retaliação de meu pai. Imagine o que eu teria de ouvir se houvesse chegado aqui todo machucado e enrolado numa colcha? Está decidido: você fica.
Malfoy o fitava com uma expressão esperançosa, e Harry se deu por vencido, não conseguiu recusar o pedido feito de forma tão... Malfoy. Com uma pontinha de arrogância que lembrava o rival de Hogwarts, e a sinceridade do Draco adulto.
Abrindo uma conexão de flú com a Mansão Black, Harry chamou Monstro e o instruiu a fazer uma pequena mala de roupas e objetos pessoais, para ser entregue na Mansão Malfoy.
Os dois passaram o dia conversando. Na verdade, Draco falava e Harry ouvia, aparteando de vez em quando para fazer alguma pergunta ou concordar com as idéias do outro.
Harry ficou sabendo muitas coisas sobre o loiro, que a infância dele não havia sido um mar de rosas, pois Lúcius exigia comportamento exemplar, o proibira de chorar aos quatro anos e começaram as lições sobre a superioridade dos sangue-puro. O que amenizava a dureza eram os mimos que sua mãe lhe dava, longe dos olhos do pai.
Sua adolescência fora um inferno. As exigências aumentaram, Lúcius não queria um filho e sim um clone flexível e obediente, pronto para ser mais um fiel servidor do Lorde das Trevas, com as notas mais altas de Hogwarts, campeão de quadribol e com talento para gerir os negócios da família.
Amizade verdadeira era uma coisa inexistente.
Crabbe e Goyle eram seus guarda-costas, acompanhantes e capachos. Andavam sempre juntos pela longa ligação entre as famílias, mas nunca existiu um laço verdadeiro, somente interesses, além do mais, que grandes assuntos o loiro conversaria com aqueles dois? Eles tinham cérebros do tamanho de amendoins!
Depois da morte de Crabbe, Goyle havia se afastado dos Malfoy e Draco não tinha nem mesmo ele para conversar.
No caso de Pansy a coisa foi mais difícil, as famílias haviam feito um acordo de casamento entre os dois, e ela toda a vida tinha certeza de que seria a nova senhora Malfoy. Sentimentos não estavam incluídos no pacote, e embora a garota perecesse gostar dele, depois do fim da guerra Draco fez tudo ao seu alcance para desfazer o tal contrato. Como os Malfoy haviam saído com a reputação enxovalhada e tiveram bens tomados pelo Ministério da Magia, os pais de Pansy concordaram em romper o contrato, mas a garota havia ficado inconsolável e sumido completamente da vida dele.
Depois ele se embrenhou no mundo dos negócios e mais tarde as novas candidatas ao posto de Madame Malfoy, não passaram disso: candidatas.
Com um sorriso saudoso ele falou de Pauline, que apesar do pouco tempo juntos ele considerava uma amiga.
Notou que Potter torceu a cara ao ouvir as aventuras dos dois, e Draco se regozijava internamente:
- Então ele não gostou de ouvir sobre a minha fracesinha? Quem sabe ele não é tão hetero assim?
O dia passou depressa e depois da janta voltaram ao escritório de para um drinque antes de dormir. A conversa foi morrendo e eles ficaram num silêncio confortável, ouvindo somente o crepitar do fogo na lareira. Quando o relógio de carrilhão badalou dez horas da noite, Draco começou a chorar e Harry instintivamente sentou ao seu lado, passando um braço em volta dos ombros dele para consolá-lo. Mas do mesmo modo que na noite anterior, o moreno subitamente se viu com Malfoy no colo, chorando sem parar.
Repetindo as ações, ele levou Draco até o quarto, o acomodou na cama e sentou-se na poltrona para mais uma noite de vigília.
Seu auto-controle era muito bom, mas ele não era feito de pedra. Estava cada vez mais difícil ignorar o clamor de todo seu ser por Malfoy, e aquela convivência tão próxima estava testando seus limites.
Quando o loiro tateou as cobertas à procura de sua mão e entrelaçou os dedos nos dele, Harry respirou fundo juntando o pouco de forças que lhe restava.
