Capítulo 6 - A outra metade
(Miguel's POV)
{Os pensamentos do Miguel estão em negrito.}
Inacreditável.
Os olhos. O cheiro. A voz. Os pensamentos.
Tudo na minha cabeça, misturado, me deixando sem ação. Levantar o pé me parecia difícil demais. Até piscar estava sendo pesado. Eu conseguia escutar meu coração batendo loucamente, como num fundo musical à confusão que tomara conta de mim. E eu só conseguia pensar em um nome.
Claudia.
Esse não parece ser o seu nome., ela brincou, divertida.
Pisquei, tentando recuperar o controle de meus movimentos.
Não é o seu?
Ah, não. Eu sou Eveline.
Eveline. Era esse o nome dela. Meu coração acelerou ainda mais.
E você, como se chama?
Você devia saber, já que estava me procurando.
Eu disse que estava te procurando, não que sabia o seu nome. São duas coisas completamente diferentes.
Eu ri, e a risada saiu um pouco como um latido. Já sentia que era dono de meus movimentos novamente.
Ok, desculpe. Eu sou Miguel.
Eu realmente estou sem palavras de estar aqui na sua frente, Miguel. Você literalmente virou minha vida de pernas pro ar, e agora..., pausou um pouco, como se tentasse pensar em algo mas fácil, ou tivesse falado demais, Se importa em voltar á forma humana?
Não, nem um pouco.
Caminhei até a árvore mais próxima, voltei à forma humana e vesti o jeans que estava usando. A camiseta e os tênis estavam perdidos. Não que isso importasse, Koko e Blanche eram simplesmente compulsivas por compras e eu tinha quase uma centena de pares de tênis. Nervoso, voltei ao local onde estávamos antes. Meu coração saltou para a boca ao vê-la humana. O cabelo louro um pouco bagunçado, na altuta dos ombros, preso em um rabo-de-cavalo frouxo. Usava uma camiseta verde larga, e jeans surradas e aparentemente confortáveis, e, nos pés, um all star verde e velho. Ela estava sentada ao pé de uma árvore, e ergueu os olhos azuis ao me ver. Aquela sim era a verdadeira Claudia, aquele sim era o sorriso de Claudia. Nada cheirandoà drogas, nenhum movimento fingido, apenas a verdade. Apenas Claudia. A minha parte de Claudia.
"Eu...", ela começou "Desculpe se eu te assustei.", Eveline se pôs de pé.
Para uma loba, ela era bem pequena. Do tamanho de uma humana normal. E nem um pouco musculosa. Parou assim que chegou perto de mim, com um sorriso envergonhado no rosto.
"Você deve estar me achando uma louca!", sorriu "Mas eu sou normal. Juro. Quero dizer, eu pelo menos tento ser..."
Sorrimos juntos, um para o outro, e o rosto dela ficou um pouco vermelho.
"Você não me assustou.", ela ergueu uma sobrancelha, não acreditando no que eu disse. Dei-me por vencido. "Certo, só um pouco. Mas é que eu já estava confuso antes, entende? E aí vem você e aparece... Não era uma coisa que eu esperava. Eu já não tinha esperanças. Nunca imaginei...", parei de falar, fazendo um gesto vago e mordendo o lábio inferior.
Ela se aproximou de mim. "Nunca imaginou o quê, Miguel?"
Meu nome dito por aquela voz que eu nunca esqueci fez cócegas no meu ouvido. Eveline era como uma visão. Eu tinha medo de fazer um movimento muito brusco, e ela acabasse se dissolvendo.
"Nunca imaginei que encontraria você de novo."
Eveline ergueu a sobrancelha e sua boca fez um discreto O. "Então você me conheceu? Quero dizer, conheceu quem eu era?"
Assenti com a cabeça, dando de ombros.
"Eu acho... Que tenho lembranças de quem eu era.", ela se explicou, olhando fixamente pra mim "Desde que me entendo por gente, sonho com você. Eu o vejo através do fogo. É como... Se eu estivesse no fogo, entende? Queimando. E você está lá, do lado de fora, desesperado, e não me vê.", a boca dela começou a tremer, e tive vontade de abraçá-la "É... Terrível. Como se eu nunca tivesse te merecido, e ainda te fizesse sofrer com a minha morte...", levantou os olhos, olhando nos meus "Eu fiz alguma coisa ruim com você, Miguel?"
Ri amargamente. "Não."
Esticando a mão, ela segurou o meu braço. Sua pele era de um branco encantador, e contrastou com a minha. "Me fale a verdade. Eu já gostava de você sem saber quem era! Preciso saber o que aconteceu! Conversei com tanta gente... Tanta! Mas eles me disseram que só você saberia quem eu era.", fez uma pausa, esperando alguma resposta "Quem eu era, Miguel?"
"Você era Claudia.", respondi, fechando os olhos, e não conseguindo evitar que as lágrimas rolassem feito cascata de meus olhos.
"Claudia?", ela me incentivou.
"Minha impressão.", continuei de olhos fechados, mas respondi, e a mão dela fez um carinho em meu braço, como se me consolasse "Você era uma vampira."
A mão parou de me acariciar. "Uma vampira?"
Abri os olhos, a tempo de ver a expressão chocada no rosto dela. Abri um sorriso fraco, mostrando-a que não era ruim.
"Uma vampira diferente. Você não caçava humanos. Nem você, nem os outros do seu clã, ou melhor, da sua família."
"Eu tinha um clã?"
Assenti. "Os Oleander. Eles eram a sua família. Eles te amavam, Eveline, como se fossem da sua família."
"Eles ainda existem?"
"Eu moro com eles agora."
"Wow."
"É."
Enquanto ela absorvia as informações, eu apenas a olhava, deliciado com a visão da garota à minha frente. Eveline tinha um cheiro de menta, refrescante e conhecido, e olhos tão límpidos que era quase possível ler o que estava dentro deles. Ela novamente ergueu os olhos pra mim.
"Mas o que eu te fiz?", perguntou 'Quero dizer, a Claudia fez alguma coisa, ela me passou esse arrependimento, essa culpa! Você sofreu por ela, não?"
Suspirei, sentando-me no chão coberto por folhas. Eveline fez o mesmo, sentando na minha frente e olhando em meus olhos. Pensei bastante antes de começar a falar. Saber que Claudia tinha morrido se culpando por minha tristeza era algo desprezível, intolerável. Até mesmo na hora da morte eu a havia atrapalhado.
"Não foi culpa dela. Claudia não teve escolha, ela... É uma longa história, ela teve um companheiro vampiro, Hugo, que morreu, mas prometeu voltar para ela e reencarnou num humano, o Henri, que hoje é vampiro, e ela se apaixonou por ele, enfrentaram várias coisas e bla bla bla.", resumi a história, que ela escutava atentamente "Depois disso tudo acontecer, eu apareci e tive a impressão com ela. Mas ela escolheu o Henri. E morreu, logo depois, numa batalha contra lobos que queriam matar Moory, o bando dela."
"O bando dela? Ela não era uma vampira?"
"Era, mas era especial.", expliquei, sorrindo "Moory e Claudia tinham uma ligação inexplicável. A Moory é lobisomem, e podia ouvir os pensamentos da Claudia quando estava transformada, enquanto a Claudia ouvia os pensamentos da Moory todo o tempo."
Ri da expressão de Eveline. Ela estava boquiaberta.
"Inacreditável."
"Põe inacreditável nisso."
Ficamos quietos. E tomei coragem para perguntar sobre ela. Eu já sabia muito sobre a Claudia antiga, e também sobre sua versão mimada e paty em Liz Zwecker. Mas Eveline me intrigava.
"Agora eu quero saber sobre você."
Ela fez uma cara descrente. "Mesmo? Minha vida é tão monótona."
"É, dá pra perceber.", brinquei "Você é lobisomem, sabe que é a reencarnação de alguém, sonha com um cara que não conhece, vai atrás dele, escuta ele falando coisas estranhas sobre sua vida antiga e aceita numa boa. Monótoníssima."
Ela gargalhou, jogando a cabeça levemente para trás. Eu nunca tinha visto Claudia tão feliz. Não antes de Eveline. E vê-la feliz me fez ficar feliz também, como se minha alegria dependesse da dela.
"Certo, você ganhou. Mas vou resumir, é tudo muito chato.", e começou a contar "Eu sou Eveline Archos, nasci no Alaska, tenho dezenove anos, meus pais, que eram pesquisadores da vida das focas, morreram em um acidente de trenó quando eu tinha dois anos, fui criada pelo meu avô, que é o Alpha do meu antigo bando de lobos, e a quem contei primeiro sobre você, e sobre os sentimentos que não eram meus. Pelo menos não meus nessa vida.", explicou com um sorriso "E ele me encorajou a procurar vários amigos seus, médius, estudantes dessa áres, que, por sua vez, me encorajaram a procurar você. Deixei meu bando com catorze anos, me formei no ensino médio à distância, e desde então rodei a América do Norte atrás de você, porque não tinha, e não tenho, grana pra sair daqui. Por sorte, te encontrei. E não me arrependo de nenhum desses anos. É como se eu tivesse encontrado a parte que faltava. Você completa, sabe.", suas bochechas rapidamente ficaram vermelhas, e ela abaixou a cabeça.
O silêncio se tornou incômodo para nós dois.
"Tem mais uma coisa que você devia saber sobre Claudia.", lembrei.
"O quê? Ela também tinha visão de raio laser?", brincou, abrindo um sorriso encantador.
"Não, mas bem que seria possível, vindo dela.", entrei na brincadeira, e também sorri. "É que aconteceu uma coisa estranha."
As sobrancelhas dela se levantaram juntas. 'Mais uma?"
"É.", suspirei "Claudia voltou em dois corpos?"
Parou no ato de colocar a mão em cima da minha. Me xinguei mentalmente por ter falado aquilo antes dela completar seu intento.
"Como assim?"
"Em você, certo?", ela assentiu, séria "E também em Elizabeth, humana, e atual namorada do Henri."
Ela arregalou os olhos. E sorriu ligeiramente. "Quero conhecê-la."
N/A: Owwwn, desculpa pela demora! *...*
mas to em ano de vestiba, as provas tão aí, tenho cursinho, escola, moro sozinha e to numa confusão interna que por pouco não explodo, mas to conseguindo me organizar e JURO que toda semana posto um cap aqui. De verdade.
Não vai dar pra responder as reviews, tenho que fazer um trabalho de Química Orgânica, a ruína da minha vida. ¬¬°
entãão, deixem reviews, por favor. sei que não to em condições de pedir, mas tentem me entender, tá?
Salut!
