Fiz meu caminho por entre a multidão procurando algum sinal de Lissa. A quantidade de pessoas na festa só aumentava, o som super alto me impedia de chamar por ela e as coisas estava começando a ficar bem selvagens. Eu olhei em todos os cômodos do andar térreo e não vi nenhum sinal de Lissa.

Caminhei até a porta que levava para o quintal quando fui empurrada contra a parede por um corpo maciço e ouvi o barulho de algo se quebrando. Um idiota no topo das escadas tinha se desequilibrado enquanto segurava uma enorme bacia de ponche e ela havia caído e se espatifado no ponto exato em que eu estava a segundos atrás.

Olhei para o rosto de quem havia me empurrado e para minha surpresa me deparei com Dimitri e seus fortes braços enrolados sobre mim protetoramente.

- Você, está bem? – Ele perguntou, enquanto lançava um olhar assassino para o cara em cima da escada.

- Sim, eu to legal. – Falei, respirando pesadamente. O fato era que: eu estava imprensada contra a parede pelo meu mentor super gato e que eu tenho uma queda super grande. Eu fiquei ali pelo que pareceu uma eternidade encarando seus olhos escuros e esperando que ele se afastasse. Para minha surpresa ele demorou vários segundos para se afastar, mas quando fez, manteve seu olhar no meu.

Um grupo de atletas passou por nós levando várias melancias e isso me fez acordar do transe esquisito em que eu estava.

- Valeu. Se não fosse por você eu teria que ir direto para o hospital. – Eu agradeci.

- Não foi nada. – Dimitri disse como se o que ele tivesse feito fosse uma coisas simples, como me trazer um copo d'água ou achar minhas chaves perdidas e não evitar que minha cabeça rachasse.

- Escuta, eu to procurando a minha amiga Lissa, você a viu por aí? Alta, loira, está vestindo um vestido preto. – Eu perguntei para ele.

- Eu sei quem é, mas eu não a vi.

- Bom, eu tenho que achá-la. – Falei, preparando-me para entrar no meio da multidão novamente. Dimitri me impediu me puxando pelo pulso. Ele pareceu dividido entre a idéia de não me deixar ir ou não se meter em meus assuntos. Suspirando ele largou meu pulso.

- Eu vou procurar perto da piscina, tem um monte de gente da sua idade lá.

Fiquei tentada a perguntar o que ele quis dizer com "gente da sua idade", mas Dimitri já havia dado meia volta e saído pela porta que levava para o quintal.

- Gente da minha idade – Eu murmurei irritada. Não é possível que ele me achasse tão mais nova assim, afinal, nós estávamos na mesma festa, não estávamos?

Continuei procurando por vários minutos.

Várias atividades pareciam estar acontecendo ao mesmo tempo. Tinha muita gente dançando ao som de 3HO!3, outros se refugiaram em cantos mais tranqüilos da casa para jogar Verdade ou Consequência, também havia umas pessoas sentadas no chão com aparência de que estavam passando muito mal.

Estava andando por um corredor quando Jesse me puxou para um canto.

- Hey, Rose. Foi mal por eu não ter podido te dar atenção mais cedo. – Ele falou perto do meu ouvido.

- Yeah, não esquenta. Eu realmente não posso falar agora Jesse, estou procurando a Lissa. Você a viu por aí?

Jesse pareceu pensar por segundos.

- É, eu a vi a algum tempo. Ela tava legal.

- É? Aonde?

- Não me lembro, mas ela tava numa boa Rose, não se preocupe. – Jesse falou sorrindo e passando seus braços em volta de mim. - Então, o que você acha de a gente ficar um pouco mais a vontade? – Jesse sussurrou em meu ouvido apontando para o andar de cima. Eu dei uma olhada ao redor mas novamente não tive nenhum sinal de Lissa. Era uma casa enorme, com um monte de quartos, e ela poderia estar em qualquer lugar, logo, dar uma olhada no andar de cima não era uma má idéia, e se no processo eu me perdesse um pouquinho para me agarrar com o gostoso do Jesse não haveria problema.

- Ok. – Eu respondi dando-lhe o meu "sorriso devorador de homens". Jesse me puxou pela mão em direção as escadas enquanto eu tentava não ser esmagada pela multidão. Nós subimos as escadas e seguimos por um longo corredor até chegar a uma porta. Jesse a abriu e eu entrei. A sala estava quase totalmente escura iluminada somente pela luz da lua que entrava pela janela. Parecia ser algum tipo de sala de televisão, pois havia uma estante cheia de DVDs e vários sofás.

- Que estranho essa sala estar vazia. – Eu comentei.

- É. – Ele concordou, não parecendo achar estranho. Jesse me guiou até um sofá perto da janela e eu sentei ao seu lado me recostando no braço do sofá. A lua iluminava justamente o ponto em que eu estava meio sentada, meio deitada no sofá e eu estava ciente de que minha posição favorecia maravilhosamente meus seios, o que não passou despercebido por Jesse, que me olhava com um tipo de calor extremamente excitante.

- Então... O que você estava falando com a Camille, lá embaixo? – Eu disse, não querendo ir direto ao ponto.

- Com ciúmes, Rose? – ele perguntou sorridente, se aproximando de mim. – Ela estava me enchendo o saco com coisas sobre a festa beneficente. – Ele falou como se aquilo fosse a coisa mais chata do mundo. – Você sabe como ela é, totalmente louca e neurótica.

- É... – De repente eu tive uma idéia. Jesse fazia parte do Grupo Juvenil de Descendentes dos Fundadores, um membro importante até. – Todos nós sabemos que Camille é meio... exagerada. – Eu falei usando todo o meu charme, o que fez Jesse ficar totalmente ligado no que eu estava falando. – Mas sabe quem faria um ótimo trabalho? – Continuei, passando os dedos suavemente pelo braço de Jesse que estava apoiado no encosto do sofá – Lissa. Ela iria organizar uma festa elegante, divertida, pela metade dos custos e que não seria o desastre da Festa de Outono. – A última festa que Camille tinha organizado havia sido um desastre, culminando no roubo de uma estátua de gelo de uma árvore seca e algumas pessoas presas.

Jesse pareceu pensar na minha proposta por alguns instantes. Ele era um dos membros mais velhos e bem relacionados do Grupo, se ele quisesse poderia fazer com que Lissa fosse a organizadora da festa.

- Eu vou ver o que posso fazer. – Jesse falou mostrando que já tinha perdido o interesse naquela conversa. – Você está gostando da festa? – Ele perguntou suavemente.

Aqui vamos nós.

- Yeah, a festa tá legal lá embaixo – Eu disse me aproximando dele. – Mas vai ficar ainda melhor aqui em cima. – Eu falei sorrindo de um jeito sexy e puxando-o para mim. Nossos lábios se encontraram enquanto eu envolvia os braços ao redor de seu pescoço. Jesse me beijou ansioso ao se colocar por cima de mim e eu senti meu corpo se esquentar quando nossas línguas se encontram.

As mãos de Jesse viajaram ao longo do meu corpo, demorando em meus seios e parando em minha coxa. Nós nos beijamos "castamente" por alguns minutos, até que a coisa foi ficando mais quente. Jesse fez seu caminho aos beijos por meu pescoço, depois por clavícula até chegar ao início dos meus seios que apareciam pelo decote. Sua mão puxou nervosamente a blusa para fora da saia e eu o ajudei a tirá-la, sentindo o frio acariciar minha pele e ficando só com meu sutiã de zebra.

- Hum... – Aprovou Jesse, colocando a mão em meus quadris e voltando a me beijar. Eu fiz uma pequena exploração por minha conta, sentindo os bíceps dele, definidos pela natação. Sem hesitar ele puxou sua camisa e suéter por cima da cabeça, revelando um abdômen de tanquinho. Eu passei minha mão por seu peito até chegar ao seu pescoço, puxando-o de novo para mim. O contato de sua pele quente em comparação com a sala fria era muito agradável, até que sua mão começou a procurar o fecho do sutiã.

- Eu não vou transar. – Eu o avisei.

- É... tá, bom. – Ele falou sorrindo sarcasticamente e continuando a tentar tirar o sutiã.

- Eu tô falando sério. Eu não vou transar. – Avisei novamente afastando-o um pouco e olhando-o séria para ver se ele tinha entendido. Eu, de jeito nenhum, ia perder minha virgindade em uma sala desconhecida, numa festa descontrolada.

- Ah qual é, Rose. Você não precisa se fazer de difícil pra mim. – Ele falou voltando a beijar meu pescoço.

- Como é? – Eu o empurrei de novo.

- Ah, eu sei que você tá afim. E não é como se você não tivesse feito isso antes. – Ele falou, sorrindo como um idiota.

- Ok, eu posso fingir que você não falou isso e a gente pode se divertir, sem sexo. Ou então eu vou embora agora mesmo. – Falei ao me levantar a ameaçar colocar a blusa.

- Nem vem. – Jesse falou rispidamente ao puxar a minha blusa e jogar longe. – Eu não paguei cinqüenta pratas pra usar a sala, e a gente não vai fazer nada. Vamos lá, Rose. Se comporta direitinho. – Ele disse ao tentar voltar a me beijar. Eu o empurrei de novo.

- Pra gente não fazer nada? Eu não vou transar com você, Jesse. – Eu o empurrei, mas dessa vez ele não deixou eu me afastar, ele me prendeu contra o sofá e tentou tirar meu sutiã.

- Ah... Vai sim.

- Me larga. – Eu gritei tentando me soltar e o empurrando novamente, mas ele era forte e eu estava numa posição desfavorecida.

- Fica quieta.

- Me deixa em paz. – Eu gritei ainda mais alto.

Eu estava me preparando para usar um dos golpes que havia aprendido nas aulas de combate quando de repente a porta se escancarou e ninguém menos que Dimitri Belikov entrou na sala. Ele cruzou a sala em segundos, agarrou Jesse pelo pescoço e o empurrou para longe de mim.

- Ei, cara, não se mete nos assunto dos outros. – Jesse começou a reclamar mas parou ao ver o rosto cravado em raiva de Dimitri. Ele parecia a fúria em pessoa, poderoso e letal, quase um deus.

- Ela falou pra você a deixar em paz. – Dimitri disse com os destes cerrados, e eu pude perceber que o seu acento estava ainda mais evidente. Ele pegou as roupas de Jesse e jogou na cara dele. – Some daqui.

Jesse pensou em reclamar novamente mas mudou de idéia ao ver o russo de quase dois metros de altura o triturar com o olhar. Ele saiu correndo sem camisa e desapareceu pela porta.

Dimitri virou-se para mim e estava a ponto de dar um sermão quando parou de repente. Seus olhos me fitaram fixamente e depois viajaram pelo meu corpo, me checando. Eu deveria ter me sentido envergonhada, primeiro por ter sido pega naquela situação pelo meu treinado, segundo por ter sido pega naquela situação pelo meu treinado pelo meu treinado GATO, e terceiro por meu treinador gato estar me checando descaradamente.

Eu senti sim algo, mas foi calor, viajando por todo o meu corpo de uma maneira que eu nunca tinha sentido antes. Só de pensar na possibilidade de Dimitri me achar atraente me deixou feliz e excitada de um jeito que Jesse nem em outra vida ia conseguir deixar. Quer dizer, eu sabia que eu era atraente, só não achava que alguém como Dimitri poderia me achar assim.

- Você vê alguma coisa de que gosta? - Eu perguntei. *

(* Deixei essa frase e esse momento parecidos porque eu acho eles TDB! Não achei que valia a pena mudar, né?)

Assim que falei sua expressão endureceu e Dimitri desviou o olhar. – Vista-se. - Ele me jogou minha blusa perdida. – Jeito legal de procurar sua amiga. – Dimitri falou sem emoção em sua voz, assim que eu acabei de me vestir. E então eu senti vergonha. Eu tinha prometido a André que não deixaria nada acontecer com Lissa. E no final eu tinha perdido Lissa e acabei me agarrando com um pervertido.

Mas em vez de admitir que eu tinha feito algo errado eu escondi minha vergonha com raiva.

- Você não deveria ter aparecido, eu tinha tudo sobre controle. – Eu falei com raiva.

- É... Eu pude ver. – Ele falou desdenhoso.

- Eu tinha. Ele não ia fazer nada comigo.

- Por isso que você estava gritando? Foi muita burrice acabar nessa situação. – Ele perguntou e eu pude sentir raiva vinda dele também, o que me surpreendeu porque Dimitri raramente mostrava suas emoções.

- Isso não é assunto seu afinal. – Disse um pouco alto demais.

- Ah, desculpa. Da próxima fez eu deixo você ser molestada. – Ele falou sarcasticamente.

- Hey. – Alguém falou do lado de fora do quarto – Se vocês dois vão usar o quarto é melhor irem pagando.

Do nada um estrondo enorme veio de detrás da casa.

- Ah meu Deus, Lissa! – Saí correndo para fora do quarto só para dar de encontro com um cara enorme.

- Hey, gracinha, tá procurando companhia? – Um cara mais velho que eu e com aparência de membro de uma equipe de luta falou, me impedindo de descer as escadas.

- Não, valeu, só me dá licença? – Eu disse tentando me esquivar dele.

- Ah, você já tá indo, bonitinha? – Um amigo do lutador apareceu de trás dele.

- Roy, deixa ela passar. – Eu ouvi Dimitri falar atrás de mim. O cara grandão passou o olhar de mim para Dimitri e se afastou.

- Ok, Belikov. – O lutador respondeu.

Eu me virei para dar a Dimitri um olhar questionador quando houve outro estrondo. Deixada a minha curiosidade de lado sobre como Dimitri conhecia o cara grandão eu corri escada abaixo olhando ao redor desesperada. Para minha surpresa Dimitri estava logo atrás de mim e pareceu sentir meu desespero. Nossos olhares se encontraram e sem que eu tivesse que pedir nada ele falou:

- Eu vou olhar lá fora, você vê se ela está aqui dentro. – Ele disse. – Não precisa olhar lá em cima, eu já olhei. – Ele adicionou e eu senti algo aquecer meu peito. Ele já tinha procurado por Lissa mesmo sem eu ter pedido. Eu acenei concordando.

- Me encontra do lado de fora da casa. – Eu gritei e me voltei para escanear a sala a procura de Lissa. Ela não parecia estar em lugar nenhum e ninguém para quem eu perguntava a tinha visto. Depois de passados quase dez minutos de procura por todos os milhares de cômodos do primeiro andar eu fui até o jardim da casa, longe do amontoado de pessoas, e rezando para que Dimitri tivesse achado ela.

Depois de cinco minutos intermináveis de espera Lissa apareceu correndo em minha direção com Dimitri logo atrás dela, quase como um segurança.

- Onde inferno você estava? - Eu gritei para ela abraçando-a.

- Eu estava lá atrás, perto do deque do lago. – Lissa falou um pouco assustada. De repente outro estrondo veio do fundo da casa.

- Mas que diabos é isso? – Eu gritei.

- Hey, vamos parar com os xingamentos satânicos. – Lissa sorriu docemente.

- Uns caras decidiram brincar com fogos de artifício. – Dimitri me informou sério. Eu me virei para olhá-lo. Eu deveria agradecer por ele ter achado Lissa, mesmo não sendo problema dele, mas a única coisa que eu conseguia pensar era no que tinha acontecido na sala de televisão.

- Obrigada por me ajudar a achá-la, Dimitri. – Eu falei sinceramente, me voltando para olhar Lissa que tremia de frio. – Vamos embora daqui. Você viu seu irmão por aí?

Lissa negou com a cabeça.

- Da última vez que eu o vi, ele estava lá em cima, meio ocupado... Hum... com uma garota. – Dimitri me informou.

- Uhg! Ótimo, agora nós vamos ter que esperar o André acabar de se divertir pra ir pra casa! – Eu disse com raiva.

- Eu posso levar vocês. – Dimitri se ofereceu, e eu o olhei surpresa. De novo, não era como se nós fossemos problema dele.

- Mesmo? – Eu perguntei.

- Sim, eu levo vocês. – Ele respondeu, usando sua máscara totalmente profissional.

- Ok, eu só vou buscar nossos casacos. Me esperem aqui. – Falei para eles e caminhei de volta pra a confusão que era a casa. Tive que desviar de algumas pessoas e empurrar outras mas finalmente eu cheguei no armário de casacos. Depois de revirar a pilha de pano eu achei nossos casacos. Estava quase atravessando a porta de entrada quando encontrei Greg Dashkov.

- Hey, Rose! Não sabia que você estava por aqui. – Ele falou me cumprimentando. – Olha só como a Rosie cresceu. – Ele falou ao passar os braços em volta de mim. Eu pude sentir o seu hálito de álcool. – Tá aproveitando a festa? Posso te servir alguma coisa?

- Não, valeu Greg, mas eu preciso de um favor.

- É o que eu to pensando? – Ele perguntou chegando mais perto e sorrindo brilhantemente.

- Eu acho que não. Quando você encontrar com o André, pode avisar que eu levei Lissa pra casa?

- Ah, esse tipo de favor. Yeah, eu posso fazer isso. – Ele falou com um mínimo de desapontamento.

- Você vai lembrar? Pode fazer isso por mim?

- Claro... - Ele respondeu perdendo o interesse pela conversa e se virando para pegar mais uma cerveja.

Ok, então. Eu precisava que ele se lembrasse disso. Eu o puxei pra mim e beijei seus lábios levemente.

- Valeu Greg, você é um doce. – Subitamente seu interesse estava de volta na conversa. Mas antes que ele tentasse outra coisa eu saí porta afora.

- E você é uma delícia. – Eu o ouvi gritar.

Lissa e Dimitri estavam parados no mesmo lugar em que eu os havia deixado e aparentemente não haviam trocado muitas palavras.

- Aqui. – Eu estendi o casaco para Lissa e depois vesti o meu.

- Vamos. – Dimitri acenou para que nós o seguíssemos. Caminhamos ao longo da rua até chegarmos a uma caminhonete Chevy azul escura de aparência antiga, porém bem cuidada. Eu nunca tinha me perguntado que tipo de carro Dimitri dirigia mas aquela caminhonete combinava bem com ele. Ela estava limpa e seu interior parecia organizado, assim como tudo que Dimitri faz, ela também parecia forte e robusta, pronta para qualquer situação, do jeito que Dimitri luta.

Assim que chegamos Lissa entrou no banco de trás, deixando somente duas opções para mim: Sentar ao lado de Dimitri, ou deixá-lo como motorista. A segunda opção era bem antipática, por isso eu entrei no banco do passageiro.

Dimitri ligou o carro e começou a dirigir pela estrada particular da casa, indo em direção a cidade. O silêncio caiu sobre nós e eu senti a necessidade de quebrá-lo.

- Eu acho que não apresentei vocês dois. Lissa, esse é o meu treinador da aula de combate, Dimitri Belikov, e Dimitri, essa é minha melhor amiga Lissa Dragomir.

- Prazer. – Lissa falou simpaticamente.

- O mesmo. – Dimitri respondeu sorrindo levemente e segundos depois voltou a sua forma séria. – Para onde vamos?

- Ah, é mesmo. – Eu olhei para Lissa esperando que ela indicasse as direções de sua casa, mas ela somente olhou para mim em espera. Foi então que eu percebi que seu cabelo já não estava mais preso em um rabo de cavalo, e sim caía desgrenhado por suas costas. Suas roupas também estavam bagunçadas como se Lissa tivesse feito alguma atividade física ou se mexido demais. Lissa mesmo parecia estar meio confusa e olhava perdida para nada em particular. Amaldiçoei-me por não ter cuidado melhor dela.

Eu dei as direções para Dimitri. – É meio longe, me desculpe. Se você quiser pode nos deixar na minha casa e lá eu pego meu carro. – Eu sabia que a casa de Lissa era fora do caminho para Dimitri, e que demoraríamos quase meia hora, como na ida.

- Não tem necessidade, eu levo vocês. – Dimitri falou ainda sério.

- Mas é fora do seu caminho, não queremos te aborrecer fazendo você ir quase aos limites da cidade.

Dimitri desviou os olhos da direção por alguns segundos e me analisou. Do nada seu olha se suavizou, mas logo voltou a encarar a estrada.

- Não vai me aborrecer. – Ele falou suavemente.

Virei-me para olhar Lissa. Ela encarava o lado de fora da janela desligada de qualquer coisa que acontecia no carro. Perguntei-me o que teria deixado ela tão aérea, mas agradeci por isso. O fato de Lissa não estar dando a mínima para nossa presença fez com que aquele momento parecesse algo entre Dimitri e eu, algo íntimo. Eu desejei que a casa de Lissa ficasse a horas daqui, só para que Dimitri tivesse que me levar até lá.