Capítulo 8 – Sentimento além da amizade

- Vamos Traci, responda a minha pergunta! O que você fazia escondida atrás da porta? – Jensen perguntou novamente visivelmente irritado.

A morena pensou por alguns segundos. Não queria comentar com o amigo sobre suas suspeitas. Conhecia-o. Sabia que ele se recusaria a admitir que nutria sentimentos além de amizade por alguém. Ele não era adepto a romances. Guardaria suas desconfianças consigo e no momento certo teria uma conversa com ele.

- Jensen, por que a irritação? Você não imaginou que os outros e eu estivéssemos preocupados com o garoto? – Falou firme fingindo indignação.

O loiro a olhou desconfiado, perguntando em seguida:

- Traci, me fale a verdade! Por que você não bateu na porta e pediu para entrar? Desde quando você está escondida?

Como uma criança pega de surpresa pela sua mentira, a mulher ficou sem reação, então resolveu admitir parcialmente a verdade.

- Tudo bem, eu confesso. Estava sim escondida porque eu queria ajudar a tomar conta do Jared. Caramba Jen! Será que você não entende que o que acontece a vocês me preocupa?

Ela não mentiu ao dizer tais palavras. Realmente a morena cuidava dos seus amigos com instinto maternal. Kane, Steve, Jason e o próprio Jensen, respeitavam e admiravam esse lado dela. Com Jared não seria diferente.

Jensen a ouviu com atenção. Deu um longo suspiro, olhou para o garoto adormecido na cama a sua frente, antes de se voltar para a amiga e falar:

- Desculpe-me. Eu não quis ser egoísta, mas ao vê-lo tão frágil, eu fiquei muito preocupado, não pensei na preocupação de vocês. Sabe Traci, o Jay já passou por muitas coisas ruins. Não quero vê-lo sofrendo mais. Eu vou ajudá-lo a superar sua doença. Quero ajudá-lo.

- Não precisa pedir desculpas, meu anjo! Você sabe que eu te amo e para mim vocês dois e os outros sempre serão os irmãos que não tive. – Disse de maneira carinhosa, abraçando-o. Após soltá-lo do abraço, segurou em suas mão, olhou em seus olhos e falou com calma:

- Faça-mos assim: você vai tomar um bom banho e escova os seus dentes. Depois vai tomar o café da manhã.

Ela viu que ele ia protestar e concluiu sem chances para negativas:

- Jen! Quando o Jay acordar vai precisar de você e se não se alimentar ficará fraco, então ele não poderá ficar sob os seus cuidados.

O loiro se deu por vencido. Traci tinha razão. Encaminhou-se ao guarda-roupas, pegou sua toalha, roupas limpas e utensílios para higiene pessoal. Foi para o banheiro em silêncio, envolvido em suas preocupações. A morena observava-o com atenção. Quando ele fechou a porta atrás de si, ela olhou para Jared e com um sorriso comentou baixinho:

- É garoto, você conquistou um grande sentimento do meu melhor amigo e esse feito ninguém havia conseguido antes.

Aproximadamente quinze minutos depois, o loiro retornou ao quarto. Puxou uma poltrona e sentou ao lado do jovem. Sua amiga tentou novamente convencê-lo a descer e comer alguma coisa, mas ele foi irredutível em afirmar que não estava com fome. Ficaria no quarto e cuidaria de Jared. A mulher se deu por vencida. Levantou da cadeira em que estava, abriu a porta e antes de sair do quarto, avisou que a chamasse caso precisasse de alguma coisa.

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Jensen o observava dormir. Vê-lo assim com o semblante relaxado, alheio a qualquer problema, trazia-lhe uma sensação de paz, como se estivesse cuidando de uma parte sua. Pensava em como em menos de uma semana, aquele garoto com olhos de filhotinho, havia conquistado seus amigos e ele. O homem não entendia que tipo de amizade era essa que sentia, mas acreditava que isso acontecia por Jared ser uma criatura doce e gentil. Em partes, ele tinha razão. O que não imaginava era que desde a primeira vez em que mergulhou em seu olhar, encontrou uma parte de si que estava perdida.

Deixou-se envolver pela contemplação ao amigo. Segurou em sua mão direita e aproximando mais a poltrona da cama do jovem continuava velando seu sono. Vencido pela sonolência, graças ao silêncio daquela manhã, adormeceu segurando a mão do seu protegido.

Sentiu uma leve pressão em sua mão. Como não tinha o sono pesado, acordou e abriu os olhos devagar. O moreno o olhava com tranquilidade e sorria de maneira que evidenciava as covinhas em suas bochechas. Distraiu-se, envolvido em admiração àquele sorriso antes de assustar-se com alguém batendo à porta. Soltou a mão do outro, ajeitando-se melhor na poltrona antes de perguntar quem era.

Traci havia pedido a Hellen que preparasse suco de laranja com hortelã e biscoitos caseiros. Estava preocupada com Jensen e Jared pois ambos não tinham se alimentado. Quase uma hora depois de tê-los deixado a sós, subiu novamente e bateu na porta. Quando o amigo perguntou quem era, respondeu calma e em seguida entrou. Sorriu ao ver o garoto acordado.

- Você nos deixou muito preocupados, sabia? – Falou a mulher.

- Desculpe-me! Não foi a minha intenção. – Nesse momento tentou levantar. Jensen o ajudou, encostando-o na cabeceira da cama.

- Não se desculpe! Apenas não esqueça de tomar os remédios e seguir a alimentação que o médico prescreveu. – Disse o loiro de maneira firme, mas em seu olhar havia preocupação.

- Sim mamãe! Pode deixar! – Jared sorriu abertamente, fazendo os dois amigos rirem também.

- Jay, sei que às vezes eu sou chato, mas nós nos preocupamos com você, cara!

- Você não é chato, Jen. E eu fico muito feliz por você e seus amigos cuidarem de mim. – Falou o jovem olhando para Jensen e Traci.

- Bem, agora que o nosso grandão está melhor, os dois já para baixo! Eu pedi que Hellen lhes preparasse suco e biscoitos. Vocês não vão ficar em jejum. E Jay, suas refeições seguirão o padrão de sua dieta.

O jovem fez uma careta de descontentamento. Não gostava disso. Queria voltar a comer suas comidas favoritas e beber vez ou outra uma cerveja gelada, mas sabia que esse era um luxo que tão cedo não teria. Mas não reclamava. Fora acolhido por pessoas confiáveis e que cuidavam dele. E isso fazia a diferença.

Na cozinha, havia uma grande mesa redonda, feita em madeira mogno, contornada por doze cadeiras do mesmo material. Kane, Steven, Jason, Jim e Hellen, sentaram junto com Traci, Jensen e Jared e enquanto os dois tomavam o café da manhã, seus amigos bombardeavam o moreno com perguntas sobre o seu estado de saúde, ambos sendo repreendidos por Traci.

Após o desjejum, Jensen convidou o garoto para irem ao sótão. Lá era o local em que a morena e os rapazes se reuniam para festejar sempre o aniversário de um deles desde que se conheceram. O gesto se repetiu por oito anos consecutivos, mas os seus trabalhos e a rotina do dia-a-dia, os fizeram abandonar essa confraternização entre amigos por alguns anos até Jared aparecer e surgir a ideia do fim de semana na casa de campo.

Mais uma vez Traci observava atentamente a sintonia entre os dois. Quando o loiro chamou o moreno para o sótão, achou que seria uma nova oportunidade para estarem a sós e quem sabe rolar alguma coisa. Com esse pensamento, arrumou um pretexto para os outros rapazes acompanhá-la à casa do senhor Beaver e deixou instruções para que Hellen não os incomoda-se. A mulher não fez perguntas. Conhecia a sua menina e quando ela agia assim, alguma coisa estava acontecendo.

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A escada que levava ao sótão, era circular e começava após o quarto de Traci, no mesmo corredor. Jensen abriu a porta dando espaço para o jovem entrar, entrando em seguida. O lugar media seis metros de largura por seis de comprimento. Havia uma janela transparente de frente para a porta de entrada e um pequeno lustre de cristal no teto. O lugar não possuía móveis, mas era mantido limpo e arejado pela senhora Harvely.

Jared se acomodou no chão enquanto o loiro abria a janela. Depois, sentou de frente para o outro e perguntou sorrindo:

- E então? O que achou desse lugar?

- Incrível, cara! Quer dizer que aqui vocês organizavam seus planos mirabolantes? – Sorriram alto com a pergunta do moreno.

- Isso mesmo, Jay. E cuidado! Você pode ser o próximo alvo. – Falou entrando na brincadeira do amigo.

- E eu devo me preocupar com isso, meu senhor? – Falou o garoto imitando um tom de medo.

- Não! Geralmente os meus alvos são acolhidos em meu coração.

Foi como se o tempo ficasse suspenso por alguns segundos. Os dois desfizeram aos poucos o sorriso e se olharam fixamente. Não sabiam dizer o que sentiam naquele momento, até o contato ser quebrado pelo vento forte que adentrara a janela e tocou em seus rostos, fazendo-os um convite mudo para que juntos observassem as belezas além daquele lugar.

Jensen sorriu sem jeito e passou a mão pelos cabelos arrepiados. Levantou e estendeu a mão para ajudar o amigo. Ouviram o convite da natureza. Ficaram próximos à janela observando ao longe as montanhas com pastos verdejantes e um grande rio que corria entre as colinas durante todo o ano.

- Harley e Sadie iriam adorar esse lugar! – Comentou o garoto olhando fixo para o horizonte.

- Quem são Harley e Sadie? Perguntou Jensen assustado com o comentário do outro.

- Os dois cachorros vira-latas que eu sonho em ter desde os dez anos de idade. – Falou olhando para o loiro.

- Quer dizer que você gosta de cachorros, Jay? Por que você não os tem?

- Meus pais não gostavam de animais. Aos dezoito anos fui morar sozinho, mas ficava muito ocupado com o trabalho. Quando fui morar com Erick, achei que finalmente os teria, mas ele não gostava de animais, então deixei para lá.

- Não se deve abandonar um sonho por alguém. – Jensen desde o início da conversa, havia desviado o foco de sua visão para Jared.

- Mas quando você julga ter encontrado o seu maior sonho, você é capaz de fazer isso. E eu achei que ele era o amor da minha vida.

Jensen ficou pensativo com o comentário que ouviu e falou sorridente:

- Você é especial Jay. Também é muito diferente das pessoas que eu já conheci.

O moreno, olhou curioso para o amigo. Sabia que seu jeito de ser era diferente de outras pessoas e que muitos lhe diziam ser qualidades inerentes a sua personalidade, mas nunca em seus vinte e três anos, alguém tinha dito que ele era especial e principalmente com tanta sinceridade. Acreditava nisso porque havia brilho nos olhos do homem a sua frente. Sorriu abertamente e mais uma vez suas covinhas se fizeram presentes. Abraçou Jensen com carinho, tendo o seu abraço retribuído de mediato.

Ao soltarem-se do abraço, convidou o loiro:

- Jen, eu tive uma ideia. Por que não vamos explorar essa beleza ai fora, em uma cavalgada? O que me diz? Eu já estou melhor.

- Nem pensar! Por hoje o senhor não sai de casa. Você precisa de repouso. Além do mais está muito frio para alguém doente.

- Não conhecia esse seu lado mandão! Mas não se preocupe, eu estou bem, juro! – Ao girar o corpo para sair daquele lugar, sentiu quando o mais velho segurou em seu pulso e o puxou para aperto de onde ele estava. Não o machucou, mas essa atitude o deixou admirado. Jensen percebeu e explicou novamente com mais calma.

- Sei que pareço mandão, mas você não está bem para andar a cavalo sob essa temperatura. Você é meu melhor amigo. Será que é tão difícil entender que eu me preocupo com seu estado de saúde?

O jovem assentiu e esboçou um sorriso sem graça. Entendia o outro, mas sua atitude o pegou desprevenido.

Jensen o puxou dessa vez pela mão. Trouxe-o junto consigo ao sentar no chão. Encostou suas costas na parede fria e trouxe Jared contra o seu peito, o abraçando com carinho. Permaneceram abraçados, enquanto falava:

- Eu jamais o machucaria. Sei que minha atitude foi possessiva, mas eu só quero protegê-lo. Caso você resolvesse sair, eu o colocaria nos ombros, levaria-o para o quarto que dividimos e pedia a Hellen para nos trancar lá, até você criar juízo. Você ainda sairia lucrando por ter a minha companhia.

Jared gargalhou e em seus pensamentos, reconhecia que aquele sujeito que conhecera, sem dúvidas era uma pessoa rara. Cuidava dos seus protegidos, até deles mesmos. Não tinha como se zangar com alguém assim, mas o jovem não pode evitar um arrepio no corpo ao imaginar sendo carregado por aqueles braços fortes para um quarto em que os dois estariam a sós.

O que sentia por Jensen? O que estava acontecendo com os seus sentimentos? Desde a primeira vez que viu aqueles olhos vívidos quando foi amparado na praça, uma sensação de segurança se apossou de seu ser. Ao lado daquele homem, sentia-se calmo e em paz. Por mais que o abandono de Eric ainda doesse, sentia que ao lado do loiro era o lugar certo para estar, como se houvesse encontrado o seu lar, o seu lugar para amar. Mergulhava em suas indagações, abraçado e protegido, pelo mais velho de todo e qualquer mal que tentasse se aproximar dele.

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Dizem que quando fazemos algo que gostamos as horas passam e não percebemos. Jared e Jensen ficaram naquele abraço. Conversaram, sorriram e brincaram um com um outro. A sintonia foi quebrada apenas quando Hellen bateu na porta os chamando para almoçar. Passava do meio dia.

Sentados à mesa, com todos reunidos, os amigos de Jensen e o senhor e senhora Beaver, perguntavam constantemente sobre a saúde do garoto, ambos se certificando se o mal estar da manhã não se fazia mais presente. Traci no entanto, era a única que não dizia uma única palavra, mas os seus olhos diziam muito. Ela olhava o loiro e o moreno sentados próximos e mesmo durante o almoço, conversavam àss vezes com as palavras, às vezes com o olhar. Havia brilho quando se olhavam e uma vida que não notara antes existir nos olhos de seu amigo. Talvez não devesse esperar tanto. Amanhã mesmo conversaria com Jensen.

A tarde passou rápida. Como Jensen foi unânime em não deixar Jared sair de casa, ambos os amigos se reuniram na sala de estar e cantaram músicas românticas junto com Jason. Ele dedilhava com maestria o seu violão. À noite a lareira foi acesa e após o jantar, reuniram-se novamente na sala. A conversa fluiu animada, mas como em todo interior, o sono os alcançou cedo. Foram para ao seus quartos e em menos de meia hora, toda a casa estava fechada, escura e silenciosa.

Ao deitar, o jovem moreno rapidamente adormeceu. Sem dúvidas ele era o mais cansado por conta do stress emocional vivido no período da manhã. Jensen antes de deitar, checou a temperatura e pulsação dele e constatando que estavam normais, deitou em sua cama. Não demorou para mergulhar em um sono profundo.

"O brilho da lua cheia adentrava o grande quarto, iluminando os corpos nus. A janela aberta trazia consigo a brisa fria da madrugada. Ela soprava em sua pele quente como uma leve carícia, arrepiando-o ainda mais. O mais velho deslizava suas mãos fortes por cada parte do seu corpo. O moreno gemia e arfava sentindo também os beijos dele em seu pescoço, entorpecido por tamanho prazer. Sentia-se febril. Inclinava a cabeça para trás e sussurrava o nome daquele que o possuía com desejo, carinho, amor... – Jen!"


Respondendo aos rewies:

Oli Maria - Obrigada por atender o meu pedido querida. Você acha mesmo a linguagem que eu uso, um elogio a parte? Muito obrigada! Amei o seu rewie e gostaria de tê-lo nos próximos capítulos. Beijos!

Malukita - Obrigada pelos elogios, amiga! Gostou do romântismo? Eu também amei escrever cena do lago. E você tem razão quanto a Traci. Com certeza ela quer ver esses dois felizes e juntos. Muitos Beijos!

Patrícia Rodrigues - Sabe Paty, acho que os dois só precisam de um empurrãozinho para se tocarem do amor que compartilham. Não acha? Mas fala sério, eles são lindos juntos, não são? Um beijo e obrigada por sempre estar presente com seus rewies.

Sol Padackles - Sabe que quando eu converso com você pelo MSN, eu me animo mais como escritora? É que seus elogios a Sweet August me deixam tod boba Sol e esse carinho que você tem por algo que eu criei, não tem preço. Agora, vamos ver como os nossos meninos lidarão com seus sentimentos quando se tocarem. Beijos!

Zilliam sup e Victória Winchester, obrigada por sempre participarem com seus preciosos rewies em minhas fics. Beijos para vocês.


1- Vocês sabem que os rewies animam os escritores, não é? Então deixem um rewie e eu ficari muito feliz. Caso você seja anônimo, clic no balão a baixo da história e deixe sua mensagem comentando o que achou.

2- Eu não tenho beta, então todos os erros são meus. Desculpem-me por ter deixado passar algum.

3- O dia de postar a fic Sweet August é toda quinta e a partir da semana que vem, postarei a fic "Almas acorrentadas ". É uma Wincest. Começarei a partir dessa segunda, ok?

Beijos!