Capítulo 8

Depois daquela conversa entre Victoria e Albert as coisas tinham melhorado substancialmente entre eles.Albert tinha escrito a Ernest e esperava uma resposta. Enquanto isso, para se mostrar compreensivo, e uma vez que estava na expectativa da resposta do irmão, ele não voltara a insistir na necessidade de consumarem o casamento. Quanto a Victoria, acreditava no que Albert dissera: que ele podia dar-lhe tempo para ela se adaptar à nova vida de casada e que ele podia tolerar o seu relacionamento com Lord M.

Para favorecer a paz entre eles, Victoria começou a integrar Albert nas coisas que ela fazia. Secar as assinaturas dela com um mata-borrão era algo que ele podia fazer! Para ela isso não tinha qualquer interferência nas suas decisões. Para ele isso era uma tarefa fastidiosa e uma função um pouco humilhante. Mas era muito melhor que Victoria já deixasse que ele se sentasse à secretária com ela, do que estar afastado a tocar piano numa sala a vários metros de distância.

Melbourne não voltou ao palácio nos dias seguintes. Não eram dias de reunião. E Victoria não voltara a convidá-lo para jantar. Ela sabia que ele não aceitaria. Se bem que agora Albert tinha mostrado abertura para que ela se relacionasse mais à vontade com ele. Talvez ela voltasse a insistir daqui a alguns dias…

Naquele dia no Brooks's (o clube de cavalheiros de maioria Whig) Melbourne ouviu Palmerston chamar nas suas costas:

"William!"

Ele virou-se dizendo:

"Henry"!

"A vossa irmã pediu-me para que, se eu vos encontrasse, eu vos convidasse para vir connosco à ópera hoje à noite."

"Ah, obrigada, mas diga à Emily que eu não vou!"

"Porque não, homem? Eu gostaria de saber o que é que você faz em casa sozinho todas as noites! Antigamente você nunca estava disponível porque estava sempre ao serviço da Rainha, mas agora você está mais livre…"

"Tenho muitas coisas para ler e para escrever…"

"Isso pode esperar! Venha connosco!" Palmerston insistiu.

Perante a insistência, Melbourne acabou por concordar. De facto, o que é que ele fazia em casa sozinho todas as noites? Ele pensava nela! Ele não tinha nenhuma vontade de sair de casa e de ir à ópera e de ter de fazer conversa fiada, mas se ficasse em casa ele só pensaria nela. E se fosse à ópera estaria a pensar nela na mesma, mas o ambiente seria menos melancólico do que o da sua biblioteca.

O átrio do Her Majesty's Theatre estava cheio de gente que entrava e que se aglomerava para o espetáculo.

Melbourne também estava no átrio, de costas para a porta, a conversar com Palmerston.

A certa altura ele sentiu uma agitação diferente atrás de si. A movimentação concentrada das pessoas e vozes surpresas.

Melbourne virou-se para ver o que se passava.

Era ela! A Rainha! Ela estava a entrar à porta do teatro.

A agitação das pessoas ocorrera enquanto tinham formando duas alas, deixando um corredor central para que a Rainha pudesse atravessar o átrio.

Ela bateu com os olhos nele. Primeiro de costas, depois de frente quando ele se virou. Mesmo nas costas dele, ela tê-lo-ia distinguido no meio de qualquer multidão. Ele era inconfundível! O formato da cabeça, a aparência do cabelo, a largura dos ombros, a retidão das costas, a forma como posicionava os braços ao longo do corpo…De frente ele era o sol! E ele tirava-lhe a respiração…

Ele estava no topo do corredor aberto pelas pessoas presentes, de frente para ela. Todas as pessoas em ambas as alas faziam uma vénia à passagem da Rainha.

Ele permaneceu direito até que ela chegasse junto dele, estupefacto pela visão, surpreendente e esplendorosa, e só segundos depois se lembrou que devia curvar a cabeça.

"Lord M!" Ela exclamou radiante pela surpresa de encontrá-lo ali, enquanto lhe estendia a mão direita para que ele a beijasse.

Só então Melbourne se consciencializou, de facto, que Albert estava do lado esquerdo dela!

Ele beijou a mão dela enquanto Victoria dizia:

"Que surpresa poder encontrá-lo aqui!"

Ele levantou as sobrancelhas e observou:

"Posso dizer o mesmo, Senhora!" E depois virando-se para o Príncipe cumprimentou-o: "Vossa Alteza!"

"Lord Melbourne! De facto também não esperava encontrar-vos na ópera…" Albert observou.

"Foi Lord Palmerston que insistiu para que eu viesse!" Melbourne explicou olhando para Palmerston à direita dele.

Nesse momento Victoria e Albert reparam que Palmerston estava ali e também o cumprimentaram.

"Vai fazer-nos companhia no camarote real!" Victoria exclamou entusiasmada olhando fixamente para Melbourne. E depois virando-se para o marido perguntou: "Não é Albert?"

Albert foi apanhado desprevenido pela pergunta. Ele tinha vontade de dizer que não, mas fazia parte do acordo tácito ele concordar.

"Sim, claro!" Ele respondeu olhando para Victoria. E depois fez um gesto com a mão direita para que o Primeiro-Ministro os acompanhasse enquanto lhe dizia: "Lord Melbourne…"

"Oh! Agradeço a vossa gentileza, mas eu vim com Lord Palmerston e com a minha irmã e devo acompanhá-los ou Emily não me perdoará…" Melbourne respondeu tentando ser gentil, desejando fundamentar bem a recusa e imprimindo um tom humorado nas palavras.

Victoria levantou as sobrancelhas perante a resposta. Ele conseguia ser convincente. Era triste que ele não lhes fizesse companhia, mas tê-lo encontrado ali já era muito bom e ela ainda podia tentar conseguir mais algum tempo da presença dele. Ela perguntou:

"E onde está a vossa irmã?"

Melbourne olhou em redor e não vendo Emily respondeu:

"Algures por aí, Senhora! Ela conhece Londres inteira e há sempre alguém com quem ficar a conversar…"

"Então no intervalo eu gostaria que levasse a sua irmã ao camarote real para que eu a possa conhecer pessoalmente." Victoria declarou em postura régia, sabendo que seria impossível para ele recusar.

"Claro, Senhora, será uma honra!"

Victoria avançou para se dirigir para o camarote real juntamente com Albert e seguida por alguns membros da Casa Real que os acompanhavam, entre eles Harriet e George Sutherland.

Melbourne e Palmerston curvaram-se.

Antes de a ópera começar, a orquestra do Her Majesty's Theatre tocou o God Save the Queen que o casal real ouviu de pé no camarote.

Depois Victoria sentou-se com Albert a seu lado.

Victoria tinha ido à ópera porque gostava e porque a relação com Albert estava muito mais harmoniosa. Além disso, era preciso fazer parecer à família e aos súbditos que tudo estava bem entre eles. Todavia, os olhos dela percorriam todos os camarotes no seu ângulo de visão à procura de Lord M. Com sorte, ele estaria num camarote que ela pudesse ver do sítio onde estava. Passados uns minutos de busca ela encontrou-o num dos camarotes do outro lado da sala. Ele estava localizado!

Durante a primeira parte da peça, Victoria observou disfarçadamente Lord M, através dos seus binóculos. Por sorte, o local onde ele estava não a obrigava a desviar-se muito do ângulo de visão que lhe direcionava os olhos para o palco. De outro modo seria muito estranho ter o palco num local e a Rainha com os olhos postos noutro…

Ele sabia que ela estava a observá-lo. Ele não queria olhar para ela, mas a tentação era forte e, de vez em quando, ele tinha de olhar. Ele devia ter ficado em casa! Se ela ali não estivesse ele estaria a pensar nela, de igual forma, mas agora ela estava ali e isso tornava as coisas ainda mais prementes. Ele não ouvia nada do que se passava no palco…

Finalmente chegou o intervalo.

Victoria levantou-se e esperou pelo momento em que Lord M chegaria com a irmã dele. Ela conversava com as damas que a tinham acompanhado quando Lord M chegou.

Albert falava com o duque de Sutherland.

Melbourne pediu licença para entrar:

"Dá-nos licença Senhora?"

"Claro!" Ela respondeu ansiosa deixando as suas damas e dirigindo-se para o par que entrava no camarote.

Melbourne e Emily entraram no camarote real.

A presença que interessava a Victoria era a de Lord M, não tanto a de Emily…

Ele notou como Victoria estava brilhando em diamantes. Desde a tiara que suportava na cabeça, até ao colar que lhe adornava o peito, passando pelos brincos que lhe pendiam das orelhas. Introduziu, então, Emily dizendo:

"Vossa Majestade, como solicitado, eu apresento a minha irmã Emily!"

Emily curvou-se numa vénia e exclamou:

"É uma honra poder conhecer pessoalmente Vossa Majestade!"

Victoria acenou afirmativamente com a cabeça e disse:

"Eu estava curiosa para conhecer a irmã de quem Lord M sempre me fala tão carinhosamente."

"Obrigada, Vossa Majestade!" Emily agradeceu sorrindo. E depois acrescentou olhando para o irmão: "Eu gosto muito de William! Preocupo-me muito com ele e ele sabe disso!"

"Que bom, quando podemos contar com irmãos dedicados. Infelizmente os meus irmãos estão longe e eu sinto a falta deles, sobretudo de Feodora." Victoria explicou.

"Eu peço desculpa se William não fez companhia a Vossa Majestade no balcão real por minha causa…" Emily pediu.

"Oh, não! Não tem importância, eu compreendo…"

"Eu convidei-o para vir connosco à ópera porque acho que ele precisa de atender mais a eventos sociais. Ele passa demasiado tempo sozinho naquela casa."

Victoria sentiu-se concordar com estas palavras de Emily.

Melbourne achou que a irmã começava a falar dele como se ele não estivesse ali…

Emily continuou:

"Há muito tempo que eu acho que ele deve voltar a casar…"

Victoria ficou entorpecida. O quê? Casar? A irmã dele estava a colocar a hipótese de que Lord M pudesse casar? Casar com alguém…Com alguma mulher…Isso nunca podia acontecer!

Que exigência absurda que ela estava a sentir interiormente! Ela não tinha casado com Albert? E Lord M não era viúvo? Ele podia voltar a casar. Mas contra todas as leis da lógica Victoria não podia imaginar que ele pudesse algum dia fazer tal coisa! Ele não podia!

Melbourne sentiu-se atingido pelo conteúdo da observação feita por Emily diretamente à Rainha. Como é que a irmãzinha dele achava que ela podia dar conselhos sobre a vida privada dele? E como é que ela ainda vinha falar deste assunto sensível com Victoria? Por isso, ele exclamou num tom que dava a entender que queria que ela se calasse:

"Emily!"

Todavia, Emily não só não se calou como continuou:

"Ora William, Sua Majestade até deve concordar comigo! Há tantas mulheres interessadas em si!"

Emily calou-se, então, e ficou à espera de uma reação da Rainha.

Para ser simpática com Emily, e se ela sentisse por Lord M aquilo que uma Rainha devia sentir pelo seu Primeiro-Ministro, Victoria devia concordar. Para ser honesta com o seu coração ela tinha de discordar. Ela posicionou-se no meio-termo, sabendo que com isso também estava a ajudar Lord M naquela situação um pouco embaraçosa:

"Eu acho que Lord M é quem sabe o que deseja fazer com a vida dele."

Melbourne movimentou a cabeça afirmativamente, como quem agradece a resposta e, agarrando o braço esquerdo de Emily acima do cotovelo, disse:

"Bem Emily, se Sua Majestade nos der licença, eu acho que nós devemos regressar ao nosso camarote. Você já fez o que tinha a fazer aqui…"

Victoria fez um movimento afirmativo com a cabeça e Emily fez uma vénia e despediu-se:

"Foi um prazer Majestade!"

Victoria não conseguiu voltar a falar e por isso limitou-se a esforçar-se para sorrir.

Melbourne pediu:

"Com licença, Senhora."

E depois saiu arrastando Emily com ele.

Enquanto caminhavam juntos no corredor Melbourne informou Emily:

"Eu nunca mais venho à ópera consigo novamente!"

"Porque não? O que é que eu fiz?" Ela perguntou, não entendendo o desespero dele.

"Como sempre, você fala demais!"

Victoria e Albert voltaram a sentar-se para assistir à continuação da ópera.

"Seria uma boa ideia se Lord Melbourne voltasse a casar." Albert declarou.

"Porquê?" Victoria perguntou olhando para ele com ar estupefacto.

"Você, como amiga de Lord Melbourne, não acha que isso podia ser bom para ele? Ele sempre me pareceu um homem muito solitário. E ele não tem filhos…"

"Sim! Eu sou amiga dele. No entanto, por isso mesmo, acho que ele não deve ceder à pressão das pessoas para casar. Ele é que sabe se sente ou não essa vontade."

A conversa sobre o possível casamento de Lord M acabou ali, mas Victoria ficou aflita! Ela só desejava que a ópera terminasse depressa para poder ir para casa, ficar sozinha na sua cama e chorar. Oh, isto não estava a acontecer! Que fantasma era este agora? E se ele seguisse a sugestão da irmã e resolvesse casar? Ela continuava a vê-lo através dos seus binóculos, mas o coração estava agora muito apertado!

Quando a ópera terminou Victoria teve esperança de voltar a cruzar-se com Lord M no átrio, mas isso não aconteceu. Talvez ele tivesse saído antes ou talvez só saísse depois. Ela tinha de regressar ao palácio agora.

Naturalmente, hoje, como nas últimas noites, Victoria e Albert despediram-se calmamente e cada um seguiu para os seus aposentos. Agora ele tinha o hábito de se despedir dela sempre com um beijo na testa e ela habituara-se a isso. Assim, as coisas podiam funcionar entre eles.

Quando se encontrou na cama sozinha, no escuro e em silêncio, Victoria recapitulou o que Emily tinha dito. Ela dissera que havia muitas mulheres interessadas em Lord M… Quem eram essas mulheres? E ele estaria interessado em alguma dessas mulheres? Porque é que ela tinha casado com Albert? Mas mesmo que ela não tivesse casado, Lord M tinha deixado bem claro no baile de máscaras que eles não estavam em posição de poder casar…Mas eles poderiam ter sido como Elizabeth e Robert Dudley?

Pelo que ele tinha visto na ópera, Melbourne achou que a relação entre Victoria e Albert estava melhor. Eles pareciam mais harmoniosos.

Porque é que Emily se lembrara daquele assunto do casamento? Ele não pretendia voltar a casar! Racionalmente, não deveria causar nenhum incómodo se isso era dito na frente da rainha, mas, por alguma razão profunda, ele não queria que Emily falasse desse assunto na frente de Victoria…

Ela era, de facto, maravilhosa! Com certeza o Príncipe desfrutava dela! Os serviçais do palácio não sabiam nada! Eles deviam estar lá agora os dois, após a ópera, na mesma cama…Ele não devia martirizar-se desta forma! Mas era impossível não pensar nela quando ele estava sozinho, sobretudo à noite…Ele daria a vida para tê-la uma única vez! Se isso não a prejudicasse, claro! Um escândalo que a envolvesse e de que ele fosse culpado era absolutamente impensável! Antes do casamento dela, quando ela era só dele, ele costumava imaginar, quase todas as noites, que fazia muitas coisas com ela…Gostava de imaginar o que poderia estar para lá do espartilho, por baixo da saia do vestido…E qual seria a sensação de deslizar os dedos dele pela pele dela? E como é que ela reagiria ao toque das mãos dele? Mas depois que ela casara esse hábito cessara…Agora era como se ele fosse, de novo, uma espécie de marido traído, como se ela fosse uma espécie de esposa adúltera, como se ela se tivesse tornado impura…Ele amava-a! Deus! Como ele a amava! Mas agora ela era diferente…E depois do casamento ele nunca mais tinha conseguido imaginá-la dessa forma. Isso seria partilhar Victoria com Albert. Mas hoje… Agora…Talvez ele pudesse esquecer que Albert existia. Ele ia imaginar novamente que ela era só dele, e que ela era dele mais do que alguma vez tinha sido, mais do que ela alguma vez seria e…A imaginação podia produzir grande satisfação! Só na imaginação ele podia recolher satisfação…

Victoria e Albert trabalhavam agora um pouco mais juntos. Pelo menos ela permitia que ele ficasse a ler um livro ao lado dela e que, por vezes, ele lesse algumas das petições que lhe chegavam. De facto, ele tinha conhecimentos sobre muitas coisas que ela não sabia. E isso, às vezes, era útil. Ele interessava-se pela indústria, pelos transportes, pelo comércio…

"Estou impressionado com Peel!" Comentou Albert.

Victoria revirou os olhos, sem que ele visse, e disse em tom irónico:

"Oh, sim, não há nada comparado com o esforço que ele faz para parecer encantador!"

Albert não ligou ao comentário depreciativo e continuou:

"Ele é como eu, um homem que apoia a inovação e um aficcionado da ferrovia!"

"Não me fale sobre a ferrovia!" Victoria pediu e acrescentou: "Metade das pessoas com petições nesta caixa estão a reclamar contra a invasão das suas propriedades pela ferrovia!"

"Você, como Rainha, deve apoiar a evolução!" Albert opinou de forma determinada.

Victoria não retaliou a ingerência de Albert, para evitar uma desavença, mas ela ficou a pensar no que ele tinha dito.

Ela sentia-se tão sozinha, só ela sabia o que não se passava na sua vida íntima. E Albert, claro, mas ele não contava. Ela precisava de dizer aquilo a alguém. Lord M era a pessoa mais indicada, mas, no entanto…

E agora havia aquela sombra da possibilidade de, talvez, ele poder pensar em casar…Se havia muitas mulheres interessadas nele talvez alguma lhe pudesse agradar mais particularmente. E então, nesse caso, tudo estaria perdido…

Melbourne seguia no corredor, ao encontro da Rainha, quando ele se cruzou com Emma.

"William!"

"Emma!"

Ela parou bem junto dele e disse em voz baixa:

"Eu peço desculpa, William…quando eu digo aquelas coisas que eu digo sobre a Rainha. Eu não quero deixar-vos preocupado…Eu só quero que você esteja preparado…"

"Eu sei Emma e eu agradeço as suas informações."

"A última vez que você jantou aqui no palácio…Dizem que no final da noite a Rainha e o Príncipe tiveram uma discussão."

"Uma discussão? E qual foi o motivo, você sabe?" Ele perguntou curioso.

"Não! Quem ouviu do corredor diz que não percebeu qual era o motivo…ou não quis dizer…"

"Entendo…"

"Mas parece que as discussões já eram frequentes antes…"

Ele fez uma expressão de dúvida e disse:

"Algum assunto está a dividi-los…"

"Mas desde essa noite nunca mais houve discussões e agora a Rainha e o Príncipe mostram-se muito mais próximos. Ela até já permite que ele lhe faça companhia enquanto ela trabalha…"

Melbourne fez uma expressão de surpresa.

Ele devia ficar contente com as últimas duas coisas que Emma tinha dito: Victoria e Albert já não discutiam e trabalhavam juntos. Mas o que ele sentiu foi o coração afundar perante essa realidade.

"Obrigado Emma! Agora eu tenho de ir! A Rainha espera-me!"

Ela sorriu e ficou a vê-lo afastar-se ao longo do corredor.

Durante a reunião de trabalho Victoria estava distraída dos assuntos em cima da mesa, apenas concentrada na pergunta que ela precisava de fazer. Aliás, várias perguntas…

Ele notou que ela estava alheada do que discutiam em conjunto.

Com ambos já de pé, antes que ele saísse, ela começou a formular a questão crucial:

"Lord M…" Ela hesitou.

"Sim, Senhora?"

"Você está a pensar em voltar a casar?" Ela completou.

Ele ficou a olhar para ela, surpreendido pela pergunta direta. Então era isso. Melbourne lembrou-se imediatamente do que Emily tinha dito naquela noite no camarote real do teatro. Porque é que Emily dizia aquelas coisas? Ele demorou um pouco para responder. Não, ele não queria voltar a casar! Mas sim, se a noiva fosse ela!

"Não, Senhora!" Ele respondeu finalmente.

Pelo menos isso! Victoria sentiu-se aliviada! Mas ela precisava de aprofundar aquele assunto.

"Porquê?" Ela perguntou.

Porque eu amo a Rainha de Inglaterra! Ele pensou.

Melbourne abriu ligeiramente a boca, hesitando enquanto ganhava tempo, suspirou e respondeu:

"Eu já tive problemas suficientes com mulheres na minha vida, Senhora! Não pretendo arranjar mais…"

Victoria analisou o que ele tinha dito. Ele não queria mais problemas por causa de mulheres! Então era isso que ela seria! Se ela contasse o que ela não tinha feito com Albert por causa dele, ela arranjar-lhe-ia mais um problema. Mas ela ainda precisava de mais pormenores. Então ela recordou:

"Emily disse que havia muitas mulheres interessadas em si…"

Ele fez uma expressão de dúvida e disse:

"Emily é muito exagerada…"

Mas aquele assunto deixava-a muito angustiada e ela tinha de perguntar diretamente:

"Quem são essas mulheres?"

Claramente, ela estava com ciúme! A Rainha casada estava com ciúme dele…Ele sorriu e num tom de voz que pretendia mostrar a desvalorização daquele assunto respondeu:

"Só as que estão na lista imaginária de Emily!"

Victoria sorriu. Uma resposta agradável.

Melbourne pensou que essas mulheres existiam, de facto, mas ele não podia nunca dizer isso a Victoria.

Agora ela precisava de avançar mais naquela conversa. Então ela perguntou:

"Você pretende ficar sozinho para sempre?"

Ele hesitou antes de responder. Isso não era o que ele desejava, mas era o que ele queria, dadas as circunstâncias. Ele respondeu:

"Eu pretendo, Senhora…"

"Você não se sente só?" Victoria perguntou num tom de voz consternado, porque era assim que ela se sentia.

Ele suspirou de forma audível e respondeu:

"Por vezes…"

"Eu também me sinto só!" Ela confessou angustiada.

Isso, ele já tinha deduzido, mas ele tinha de continuar a empurrá-la para Albert. Por isso ele lembrou:

"Mas você tem o seu marido, Senhora."

"Mas desde que eu sou Rainha eu nunca me senti tão só…"

Ele percebeu o que ela estava a dizer. Ele estivera com ela desde que ela se tornara Rainha e, durante anos, ela tinha-se sentido acompanhada por ele. Então, depois que ela casara, ele afastara-se, e o casamento, que era uma condição em que era suposto que ela encontrasse companhia para vida, pelo contrário, por falta de afinidade com o Príncipe, só lhe trouxera solidão.

Victoria continuou:

"Albert não me conhece, não me entende, não me apoia e não me acalma…"

Ela parou. Mas depois ela olhou para ele mais profundamente e concluiu enquanto apertava as mãos uma na outra:

"E você fazia tudo isso!"

Ele aproximou-se dela, olhou-a ternamente e pegou-lhe nas mãos. Com a mão direita dele na mão esquerda dela e a mão esquerda dele na mão direita dela. Segurando os dedos dela entre o polegar e os restantes dedos.

"Eu estou aqui, Senhora! E eu posso continuar a fazer tudo isso." Ele garantiu com profundidade.

Ela sentiu-se acompanhada e protegida.

"Mas eu não posso substituir o Príncipe." Ele declarou depois.

Ela mostrou um rosto emocionado à beira das lágrimas.

Ele pediu interiormente para que ela não chorasse ou ele não saberia o que fazer. Ele sabia. Mas ele não devia.

Ele não podia substituir o Príncipe, nem formalmente, como marido, nem emocionalmente naquilo que eram as supostas funções de um marido, um homem que devia estar lá para tudo.

"Obrigada, Lord M!" Ela agradeceu, esforçando-se para não chorar.

"Agora eu posso ir?" Ele perguntou.

Ela acenou afirmativamente com a cabeça, embora ele pudesse ver a tristeza no rosto dela.

Ele largou as mãos dela continuando a olhá-la com ternura.

Ela sentiu a perda do toque e do calor.

"Desejo vê-la mais feliz da próxima vez que eu voltar." Disse ele fazendo-a sentir-se mais elevada emocionalmente.

Ela voltou a movimentar a cabeça afirmativamente.

Ele baixou a cabeça numa vénia e saiu.

Nota: Olá Elizabeth! Obrigada pelo seu comentário. Fico feliz que você goste desta história! Como você não está inscrita nesta plataforma, eu não consigo escrever uma mensagem de resposta para você. Continue a ler e a comentar!