Capítulo VIII

-SxD-

Dean estava dando voltas pela casa de Bobby a esmo, fuçando nos papéis do velho caçador sem nenhum objetivo, tentando apenas se distrair das horas que não passavam. Decidindo que não era cedo demais para uma cerveja virou-se para ir à cozinha e paralisou.

Sob o batente do vão de entrada do escritório Sam igualmente paralisado, a boca meio aberta e o olhar incrédulo.

Dean!

Sam gritou e se precipitou para os braços do irmão envolvendo Dean num abraço de quebrar costelas.

–Dean, você tá bem? Você tá vivo! Como? Eu pensei...oh Deus...Bobby!

Sam empurrou Dean para o lado com a expressão ainda totalmente descrente e avançou para cima de Bobby envolvendo-o na sua versão de abraço de urso.

–Bobby! Você tá vivo também!

Bobby franziu as sobrancelhas e respondeu meio incerto.

–É! Estou...

Sam virou novamente pra Dean.

–Dean... nem acredito que você escapou! Você tá vivo! –e partiu para cima dele de novo dando-lhe mais um abraço apertado. Dean não pode deixar de rir.

–Hey, calma! Desse jeito não vou ficar vivo por muito tempo, tá esmagando minhas costelas mano!

Dean conseguiu se livrar do abraço ainda sorrindo, e questionou como Sam estava se sentindo, Sam respondeu que estava ótimo.

–Tô morrendo de fome na verdade!

Passaram as próximas horas conversando, Dean tentou explicar para Sam tudo que tinha acontecido no velho cemitério quando confrontaram Lúcifer. Explicou como a cela tinha se fechado quando Sam caiu para dentro dela levando Lúcifer e Michael com ele, e como Castiel e Bobby foram trazidos de volta à vida de uma maneira que não sabiam explicar.

Sam ficou preocupado com o fato de Dean ter feito um acordo com A Morte para resgatá-lo da cela de Lúcifer, mas aceitou sua palavra quando ele afirmou que não tinha pacto nenhum, que o Cavaleiro apenas disse que faria isso e que em troca eles deveriam continuar fuçando por aí por que estavam prestes a desvendar algo importante. Explicou tudo o que pode sobre o resgate de Sam, distorcendo alguns fatos e omitindo outros, inclusive o fato de que ele esteve andando por aí a mais de um ano sem alma e sem nenhum tipo de escrúpulo, e principalmente omitindo o envolvimento deles durante parte desse tempo.

No que dizia respeito a Dean, Sam não precisava saber de nada que tinha acontecido nesse período, ele não se lembrava de nada e Dean se esforçou por encaixar as peças da melhor maneira.

A Morte havia sido bastante taxativa quando disse que ele não deveria forçar a barreira, não deveria forçar as lembranças pois aquilo poderia abrir as comportas da sua mente e essa enxurrada de memórias poderia destruir sua vida.

Bobby não concordava com essa omissão, achava que seria pior quando ele descobrisse tudo, pois tinha certeza absoluta que Sam iria descobrir tudo que Dean estava se empenhando tanto em esconder e quando isso acontecesse, as coisas iriam realmente ficar feias. Principalmente quando ele descobrisse sobre eles.

–O que você quer que eu faça, hein? Chegue pra ele e conte tudo? Fale sobre ele andar por aí sem alma, fale sobre nós? Não! Ele não lembra de nada e quer saber, pra mim isso é uma benção, um recomeço, uma oportunidade de voltar atrás! Você não vê? É uma nova chance para mim Bobby, de desfazer essa loucura!

–Não dá para desfazer nada Dean! Pelo amor de Deus, isso não existe! Não se muda o passado, você só aceita e e...resolve! Pra depois seguir! O que você esconde volta pra te assombrar garoto! Sempre volta!

–No que me diz respeito isso nunca aconteceu! Fim!

Bobby permaneceu parado mirando Dean com o olhar duro e critico.

–O que? –Dean perguntou zangado.

–Você acredita mesmo nessa baboseira? Recomeço? Olha, não é só sobre o que ele fez comigo tá? É sobre tudo, ele não tem memória Dean, mas você tem! Você acha que consegue aguentar isso? Como você acha que vai conseguir conviver com ele, sentindo o que você sente? Você acha que dá pra enterrar tudo e só tocar a vida como se nada tivesse acontecido? Vai simplesmente enterrar tudo bem ai dentro? Você é mesmo um idiota se pensa assim!

–Não importa, eu aguento... eu só...não vou arriscar a sanidade dele, ok? É cavalo dado Bobby, é pegar ou largar...eu fico com o que temos!

Bobby fungou coçando a barba, depois abanou a cabeça em concordância.

–Eu sei Dean! Eu só to dizendo que não vai ser assim tão simples ...só fingir que nada aconteceu...não vai ser assim...e Dean...uma hora ele descobre, e aí só Deus sabe o que pode acontecer! Só to dizendo pra você pensar direito nisso, por que quando ele descobrir ...

–Ele não vai descobrir...nunca!

Bobby abaixou a cabeça contrariado.

–Ele não pode descobrir Bobby!

Não havia nada que Bobby pudesse fazer, o desespero na voz dele o calou. Bobby se resignou ao fato de que não estava em suas mãos tomar aquela decisão. Ainda achava que Dean estava cometendo um erro, não podiam contar com a sorte, não era assim que as coisas funcionavam pra eles e correr o risco de Sam descobrir tudo sozinho e principalmente descobrir sobre o relacionamento deles ia ser muito pior e disso Bobby tinha certeza.

-SxD-

Sam estava sentado na sala de Bobby no velho sofá cheio de molas fuçando na mochila. Puxou uma peça de roupa e esticou, jogou a peça no sofá e puxou outra, uma camisa, fez o mesmo processo várias vezes até ter tirado a última peça de lá de dentro.

Bobby que observava tudo da sua poltrona preferida não proferiu nenhum comentário, apenas apertou os lábios antecipando os próximos acontecimentos.

–Dean?

–Hum?

Dean respondeu sem despregar os olhos da TV.

–De quem são essas roupas?

Dean virou para olhar do que ele estava falando, viu a mochila vazia, as roupas espalhadas pelo sofá e o olhar questionador de Sam sobre elas.

–São suas! Que pergunta...

–Não, não são! Essas não são minhas roupas, não...bom...nada disso é meu, ou era meu...eu não me lembro de ter nada disso, e eu acho que não tem um shopping no inferno onde eu possa ter feito compras ! De quem são essas roupas?

–Ahan...eu...

–E não diz que você comprou agora pra mim por que elas estão bem usadas. Alguém andou por aí usando essas roupas! E não fui eu por que eu não estava aqui, certo?

Sam mirou Dean com olhar questionador exigindo uma explicação.

Dean engoliu em seco relanceando os olhos para Bobby em busca de socorro, Bobby apenas ergueu as sobrancelhas num claro "eu te disse!"

–Ah, sei lá...estavam por aí, são suas sim, suas antigas...roupas, que ficaram aqui né, Bobby? Você só não se lembra! Seu cérebro ainda tá meio sacudido cara, só isso! –Dean respondeu pra Sam sorrindo amarelo.

–Hum...

Sam guardou as roupas de volta na mochila com expressão intrigada.

-SxD-

Sam estava se sentindo bem melhor, descansado e ansioso para por o pé na estrada e Dean não pode demovê-lo da ideia de seguir as pistas daquele novo caso.

Bobby ainda não estava muito confortável na sua presença, não conseguia esquecer que a alguns dias atrás Sam simplesmente esteve a um passo de enfiar um punhal no seu coração e quando Sam insistiu que estava pronto para voltar a caçar, Dean se resignou com um certo alívio. Por alguma distância entre ele e Bobby talvez ajudasse o velho caçador a superar aquele episódio.

Voltar a conviver apenas com Sam partilhando o mesmo espaço dia e noite não ajudava muito ao próprio Dean.

Dean se esforçava para retomar o relacionamento deles na base que estavam antes de Sam cair, mas era difícil conviver com sua presença desconcertante.

Tinha esquecido como era ter Sam todo braços e pernas se jogando no sofá ao seu lado de um jeito totalmente despreocupado, despido de intenções, só buscando descanso. Espaçoso e folgado, encostando ombros e coxas inocentemente contra Dean que entrava em pânico com o calor da pele dele junto a sua, o corpo todo cheio de lembranças e desejos.

Nessas ocasiões Dean pulava do lugar fugindo de Sam, pondo o máximo de distância entre eles e Sam começou a perceber que havia algo errado com o irmão.

-SxD-

Sam estudava alguns livros antigos sobre lendas e vez ou outra dava uma olhada no diário de John em busca de alguma pista sobre o que estavam investigando, ergueu os olhos das páginas gastas e amarrotadas do diário e fez um questionamento que gelou o sangue do irmão nas veias.

–Dean?

–Hum...?

–Você conhece alguém, lembra de alguém chamado Tommy?

Dean que cochilava sobre a cama se sentou rápido sentindo o estômago despencar de susto, por um momento não conseguiu articular palavra, apenas permaneceu com os olhos arregalados pregados em Sam.

–O-oque?

–Tommy?

–Hein? Tommy...não! Ninguém...não conheço ninguém. Por que?

Dean perguntou apavorado, se surpreendendo com a reação de Sam, que imediatamente desviou os olhos. Uma vermelhidão pouco natural tomou conta do rosto do irmão, suas bochechas inflamaram e ele se levantou da cama ao lado fugindo do seu olhar. Dean percebeu que ele estava completamente nervoso e embaraçado. Em seu próprio estado de ansiedade não pensou que deixar Sam fugir do assunto como ele tentava era o melhor a fazer no momento.

–Po-por que Sammy?

Sam engoliu em seco sem resposta por um momento, sentindo-se completamente transparente em suas emoções virou de costas para o irmão antes de responder, mas seu corpo todo gritava de embaraço e Dean que o conhecia melhor do que a si mesmo, teve certeza de que aquilo estava ligado a algo intimo e perturbador para ele.

Sam no momento se parecia muito com aquele moleque pego com as calças arriadas em pleno ato de masturbação. Não tinha como ele parecer mais constrangido e culpado do que parecia.

–Por que? –insistiu.

–Nada. – Sam respondeu evasivo. – Só uma coisa que eu pensei ...

Dean se levantou da cama e foi até ele sem se dar conta de que se o comportamento de Sam não era nada natural, o seu era menos ainda.

–Pensou o que Sam?

Sam se afastou dele tentando fugir, voltando para a cama e para o diário de John fingindo analisar alguma coisa ali, seu rosto completamente coberto por um borrão vermelho vivo, a cara tão culpada quanto a de um filhote de cachorro que fez xixi no tapete.

–Desembucha Sam! – Dean insistiu novamente, o medo fazendo-o agressivo.

–Sei lá cara, só um sonho estranho, tá? ...não foi nada... só...um sonho...

Dean ficou parado observando-o, Sam finalmente notou a postura tensa dele, percebendo-o na defensiva. Os punhos cerrados, os lábios apertados um contra o outro, sua curiosidade venceu seu embaraço.

–Você conhece Dean? Alguém chamado Tommy?

Dean fez que não com a cabeça.

–Tem certeza? – Sam franziu as sobrancelhas num esforço para se lembrar. – Alto, louro...sei lá... meio assim...parecido...meio que com seu jeito, mas bem jovem...bem garoto mesmo...

Já falei que não, caralho! – Dean quase gritou de volta.

Sam teve certeza que ele estava mentindo.

-SxD-

Sam estava sozinho no quarto de motel que alugaram enquanto tentava solucionar o caso das jovens desaparecidas, Dean tinha ido, seguindo as orientações de Bobby, visitar uma expert em dragões. Por mais inusitado que parecesse, todas as pistas indicavam ser exatamente isso o que perseguiam nessa caçada.

Dragões.

Tentara falar com Bobby mais cedo, mas o caçador parecia extremamente evasivo e ou Sam estava muito enganado ou Bobby realmente se esforçara para se livrar dele o mais rapidamente possível, isso somado ao comportamento estranho de Dean colocavam uma pulga bem grande atrás da orelha do caçador mais jovem.

Dean estava estranho, tenso como uma corda esticada ao limite, qualquer gesto ou palavra de Sam o colocava nervoso e irritado. Sam tinha certeza que tinha algo sério acontecendo e não tinha dúvida de que fosse lá o que fosse, estava diretamente ligado a ele e ao mistério que cercava os meses que ele havia passado na cela de Lúcifer.

Isso sem contar com os sonhos pra lá de estranhos que ele vinha tendo.

Sonhos embaraçosos, completamente impróprios envolvendo ele e pessoas estranhas, homens e mulheres dos quais ele não se lembrava, em atos libidinosos que ele não se julgava capaz.

Ele com garotas, assim no plural, ou ainda ele e outro homem.

Ou outros homens.

E os mais perturbadores de todos.

Ele e Dean.

Estava enlouquecendo com esses sonhos e não sabia o que pensar.

-SxD-

–Você descobriu?

–Acho que sim, o que equivalem a cavernas nessa nossa era moderna?

–Sei lá Sam! Fala logo de uma vez.

–Esgotos! Tem toda uma rede desativada aqui e aqui. – Sam apontava no mapa – Acho que vamos encontrar alguma coisa nesses túneis.

–Ah que ótimo! Adorei!

Sam deu de ombros.

–Não fui eu que escrevi as lendas...

–Que seja, vamos logo!

-SxD-

Sam e Dean conseguiram encontrar o esconderijo dos dragões e muito mais. Um verdadeiro tesouro em joias e peças de ouro, além de descobrirem que não havia um, mas dois dragões. O que no seu ramo de negócio indicava que em algum lugar por aí deveriam haver mais daquelas criaturas e o pior é que não conseguiram destruí-los, apenas os afugentaram com a espada cedida pela amiga de Bobby.

A luta não foi fácil e Sam se feriu, ficando com a palma da mão bastante queimada. Dean cuidava dele enfaixando sua mão para proteger a pele que já se levantava em bolhas.

–Estranho!

–O que Sam? – Dean perguntou sem desviar a atenção do curativo que fazia na sua mão.

–Isso...

–Oque?

–Minha mão machucada...

–Que tem? – Dean questionou enquanto prendia a ponta da faixa com uma tira de esparadrapo.

–Eu lembro disso, só que não era eu, era você! Você machucou a mão... mas eu não lembro...como.

Sam forçou o olhar sobre Dean tentando puxar pela memória, fez uma careta, abriu a boca mas não disse nada, torceu a cara em frustração.

–Eu...não sei...não lembro, mas...você se machucou...alguma coisa ...o que foi, você lembra?

Dean se afastou dele, fingindo estar concentrado remexendo no kit de primeiros socorros.

–Eu não, você que vive se machucando!

–Não cara, é sério... eu lembro, sei lá...sua mão machucada e você muito chateado comigo...a gente andou brigando?

–Não! A gente não brigou e esse negócio de ficar chateado é coisa sua...você que é todo fresco! Eu não fico chateado...olha, sua cabeça ficou mexida, a gente não sabe o que se passou lá embaixo então eu acho que você não deve ficar remexendo nisso tá legal?

Sam não respondeu, mas alguma coisa definitivamente não estava certa. Dean estava mentindo, ele sabia disso. Só não sabia sobre o que ele mentia, mas estava decidido a descobrir.

–Tá com fome?

Sam fez que sim com a cabeça.

–Tá, vou buscar alguma coisa pra comer, não demoro.

Quando Dean voltou Sam não estava no quarto.

Sua mochila tinha desaparecido, juntamente com suas roupas e itens de higiene pessoal.

Sam tinha partido sem dizer nada.

-SxD-

Dean saíra a sua procura quase que imediatamente, mas mesmo com uma vantagem de menos de duas horas não conseguiu encontrar seu rastro.

Enquanto dirigia por ruas escuras procurando por ele chegou a duas possíveis conclusões; ou Sam tinha sumido por livre e espontânea vontade e sendo assim não seria nada fácil encontrá-lo ou ele havia sido levado.

O quarto estava em ordem, não havia sinal de luta, nada desarrumado, suas roupas penduradas no pequeno armário, perfeitamente arrumadas afastadas para o lado como a dar melhor acesso aos cabides onde Sam pendurara seu par de calças extra e o terno que usava eventualmente, agora vazios.

Fosse lá o que tivesse acontecido, Sam não tinha sido forçado a partir, pelo menos não fisicamente.

Dean tentou novamente falar com ele pelo celular, mas não teve sucesso.

Cada vez mais apavorado procurou por ruas secundárias, circulando pelos bairros mais afastados, perguntando por ele em cada espelunca que avistava.

Quase ao raiar da manhã resolveu ligar para Bobby e pedir ajuda.

–Bobby, sou eu. Preciso de ajuda, o Sam desapareceu!

–Como desapareceu?

–Desapareceu Bobby, sumiu! Sei lá!

–Ele sumiu ou ele...

–Ele o que pelo amor de Deus?

–Foi embora?

–Bobby!

–Dean, se acalma. Quais os fatos, o que você tem?

Dean ficou em silêncio por um tempo remoendo os últimos acontecimentos.

–Pode ser que ele tenha se lembrado de alguma coisa. Ele...ele me fez perguntas...sobre coisas que aconteceram...

–Oh bolas! Eu te disse!

–Nós não sabemos Bobby, pode ser isso, mas pode não ser! Eu tenho que encontrá-lo!

–Certo, vou dar uns telefonemas. Pedir pra ficarem de olho.

–Obrigado!

–Mas Dean, acho melhor se preparar pro pior e o pior nesse caso você sabe bem o que é, né?

–Não! Ele não pode se lembrar...não por mim Bobby! É por ele...pelo bem dele!

Bobby resmungou do outro lado da linha.

–É garoto, eu sei!

Dean seguiu no encalço se Sam por vários dias, mas sem nunca conseguir alcançá-lo, parecia que ele seguia aleatoriamente indo de cidade em cidade, Dean não conseguia reconhecer nenhum padrão até que começou a identificar na rota do irmão, alguns lugares onde tinham estado juntos, motéis, bares, casas velhas e abandonadas. Sam refazia de maneira confusa os passos dos dois nos últimos meses e isso apavorou Dean ainda mais.

De alguma forma Sam estava se lembrando dos lugares onde estiveram, num desses lugares chegou a se hospedar por algumas horas no mesmo quarto quando estiveram juntos.

Dean se perguntava se as lembranças de Sam ao entrar naquele quarto eram tão vividas quanto as suas próprias.

O que ele viu ali?

Os dois deitados nus, Dean gemendo e se requebrando embaixo dele?

Dean escorregou as costas pela parede até cair sentado no chão.

Escondeu o rosto contra os joelhos em completo desespero.

–Meu Deus, e agora o que eu faço? – perguntou para o quarto vazio.

-SxD-

–Dean, melhor você vir pra cá.

–Oque? Porque?

–Dean... – a voz de Bobby veio seca e firme pelo aparelho, tão próxima como se o velho caçador estivesse sentado no banco ao lado. – Vem pra cá agora!

Seu sangue gelou nas veias.

–Ele está aí? Ele está bem?

–Vou tentar segurá-lo aqui , mas não sei...vem logo!

–Oh Deus! O que aconteceu?

–O que você acha? O que eu te falei? E Dean...se prepara por que a coisa vai ser feia!

Dean dirigiu feito louco dia e noite atravessando estados até estacionar o impala em frente à porta de Bobby, o dia mal amanhecia, desceu do carro sentindo as pernas rijas de as costas doloridas das horas tensas atrás do volante, mas nada se comparava em sofrimento à dor que ia no seu peito.

Parou em frente à porta com a mão estendida sem coragem para virar a maçaneta.

A porta se abriu suavemente e Bobby estava parado sob o batente com a expressão cansada e tensa.

–Onde ele está?

Bobby indicou com a cabeça em direção ao escritório, Dean andou até lá sem ter realmente consciência do que estava fazendo. Sam estava sentado numa cadeira junto à janela observando o pátio dos fundos do ferro velho.

Tinha fundas olheiras escuras, seus olhos estavam injetados e vermelhos, sua aparência era desleixada, os cabelos despenteados e a barba por fazer. O maxilar estava travado e ele rilhava os dentes a ponto de Dean ouvi-los ranger. Sua pele estava pálida e ele parecia seriamente doente.

–Sammy?

-SxD-

Continua...

Nota: Um leitor me chamou a atenção para o fato de que no caso da Lampreia no capítulo VI o jovem Charles Olson sendo filho de um mostro provavelmente vai se tornar um também quando a idade adulta chegar. Eu deveria ter feito alguma referência ao fato, ou dado alguma explicação para os irmãos deixarem o garoto em paz e nem considerarem a possibilidade de terem de enfrentá-lo no futuro. Olha o furo! Eu disse que não era boa em casos sobrenaturais. Então fiz uma alteraçãozinha quando Dean liga para o Sam dizendo que estavam enganados sobre a identidade do monstro, era assim:

"–Hey, nada lá, estávamos errados.

É, eu sei!"

Ficou assim:

"–Hey, nada lá, estávamos errados. O garoto é humano! Cem por cento homo sapiens!

É, eu sei!"

DWS, obrigada pela dica!

Respostas às reviews off line:

Luluzinha:Tá me surpreendendo isso de alguns leitores ficarem tão putos com o Dean quanto com o Sam! Dean tá meio frouxo mesmo, mas eu acho que quando se trata do Sam ele não tem as mesmas atitudes que tem com o resto dos mortais! Agora quanto a sua curiosidade gastronômica não tenho como responder...kkkk só perguntando mesmo pra quem já experimentou! Kkkkk

(E aí Dean? Algo a declarar? Kkkkkkk)

Muito obrigada por ler e comentar!

Marcos: É ótimo quando dizem isso sobre algo que eu escrevo, que o leitor sente como se estivesse vendo tudo claramente. Sempre digo que isso é o máximo em elogio que um escritor pode querer receber, nada é mais significativo e gratificante. Obrigada por isso!

Sabe que me surpreendeu que você fique assim tão raivoso com o Dean, não esperava essa reação. Imaginei sim que iam ficar indignados com a falta de reação dele e tal, mas que o auge da revolta fosse contra o Sam e não contra o Dean e seu comportamento passivo!

Não tenho como defender meu personagem nem suas atitudes, só posso dizer que no meu ponto de vista, Dean está perdido, se culpando e por consequência se sentindo merecedor desse tratamento. Acho até que a gente vê muito disso na série, ele sendo tratado como se fosse um monte de lixo por Sam (principalmente) e aceitando tudo! Tipo, como ele aceitou que Sam passasse um ano brincando de casinha enquanto ele lutava pela vida no purgatório e depois aceitou o cara de volta como se nada tivesse acontecido? Como ele aceitou que Sam não mexeu um dedo para tentar encontrá-lo? E como depois dum abandono desse tamanho ele ainda ama tanto o cara que se oferece de prêmio para o primeiro anjo que ajudar Sam?! Será que ele não acha que merece mais que isso da parte do Sam? Isso pesou bastante na composição do personagem, me arriscando a dar um spoiler agora; tem até uma situação no último episódio da 9ª temporada em que o Dean relembra um fato da adolescência em que John o deixou numa determinada situação como punição por ele ter cometido um erro (to tentando não entregar o ouro do episódio), eu achei um absurdo e muita gente deve ter achado também, mas o Dean defende o pai para o Sam na cena dizendo que ele tinha mesmo errado, tinha dado mancada, portanto mereceu aquilo! Quer dizer, ele tá meio que acostumado a ser maltratado e achar que merece! Então o que eu fiz na fic foi pegar esse sentimento dele e exacerbar.

E também, bom... tenho que dizer: ele ama o cara demais! Não sei se dá pra definir esse amor por pontos de vista masculino ou feminino, mas eu sei que tem um monte de gente por aí que se deixa levar por situações impensáveis por conta de um louco amor!

Acho que o Dean aqui é uma mistura de tudo isso, baixa autoestima, uma personalidade confusa, um amor incondicional... óh eu! Disse que não tinha como defender o personagem e to aqui escrevendo um monólogo! Kkkkk eu falo demais...nossa!

Bom, de certa forma ele deu uma virada no jogo embora não seja exatamente o que você esperava...

Obrigada por expor seu ponto de vista e obrigada por ler e comentar!

Diana Campos:Que o Sam só tem cara de bom moço sou obrigada a concordar com você! Inclusive sobre o fato dele ser dominador, mas como vai daqui pra frente não vou te dizer! Kkkkk

Obrigada por ler e comentar!

Review Cap VII:

Luluzinha:Com certeza os dois são loucos de pedra! Acho que do jeito que eles foram criados e tendo passado por tudo que passaram não tem como eles serem o modelo de sanidade que aparentam na série! E o Bobby deve sim em algum momento se cobrar pelo que fez ou deixou de fazer por eles principalmente agora que percebeu que esteve o tempo todo certo!

Obrigada por ler e comentar!