Capitulo oito
-... Com você... Nevada Gamblers Trio! – Charlie
desceu do palco.
No fundo escutou uma cortina consistente e uma
trombeta aguda, um trombone, um contrabaixo pulsando fortemente e uma
bateria.
Quando a música terminou o trompetista acrescentou no microfone.
-Boa noite. Primeiro quero aclamar que somos o trio mais extraordinário do mundo... porque não somos um trio. – Escutou os pratos da bateria. – Viram? Temos um baterista. – Escutou novamente os pratos. – Na verdade hoje tínhamos preparado um estupendo repertório, mas de última hora nos avisaram que temos uma visita ilustre... artista excepcional. Por isso, queremos convidar para subir no palco conosco.
O foco da luz parou na mesa de Grissom e Sara. Ela ria e ele se escondia por debaixo da mesa se fosse possível.
- Senhoras e senhores... Sara Sidle! – Sara estava a ponto de aplaudir quando escutou seu nome; sua alegria se transformou em assombração e terror, mas não deixou de sorrir. Olhou para Grissom com ódio e entre os dentes – mantendo seu falso sorriso – sussurrou.
- Vou te matar, Gilbert Grissom!
Ele não se atreveu a olhar, mas debaixo da aba do chapéu era possível prever uma gargalhada lutando para sair de sua boca. Pegou Sara pelo braço.
- Está bem, mate-me, mas somente após o show. – Tentando acalmá-la acrescentou. – Não se preocupe que eu vou te acompanhar.
Caminharam juntos para o palco, enquanto a luz os seguia.
Acalorados aplausos do público fizeram animar Sara. Grissom a
deixou em frente ao microfone, tirou o chapéu ante ela e os
músicos para logo ir. Sara sentiu um temor. O
que
Grissom
está pensando?! Jamais cantei em público. Aonde ele
vai?
Grissom se dirigiu ao fundo do palco. Sentou-se em frente ao piano e olhou para Sara. Sugestivamente. Te disse que acompanharia. Tocou um par de notas rápidas.
Nossa agora ele também sabe tocar piano!
Sara estava feliz. Tudo era como sempre sonhou: as luzes, o ambiente, as pessoas. Decidiu atuar como fosse. Cantaria sem se importar com nada. Divertira-se, passaria um bom tempo e... o que vamos cantar?
Mas justo nesse instante, o piano começou a tocar. Grissom olhava as teclas do piano, não porque não podia tocar sem vê-las, mas sim para não encarar Sara e o público. Ele não sabia se ela ia reconhecer a canção, ou pior, se ela saberia. Mas algo dizia a ele que sim.
Sara sorriu. Dirigiu seu olhar aos músicos, que também reconheciam a melodia. Ela levou uma mão ao rosto para colocar uma mecha de cabelo para trás da orelha, em gesto de nervosismo. Começou com um pouco de timidez.
"In this world… of ordinary people" – O público aplaudiu e assobiou com entusiasmo. Ela começou a ganhar confiança.
"Extraordinary people" virou-se para olhar Grissom, mas ele continuava com o olhar fixo para o piano. "I'm glad there is you" - Ela pode ver o sorriso dele por um breve segundo. Ela enfrentou o público com mais naturalidade e orgulho. Este é o meu momento.
"In this world… of overrated pleasures… of underrated treasures… I'm glad there is you" – Sara não podia pensar em outra canção que expressasse melhor o que sentia. Sobre tudo no trabalho. A vida de uma investigadora não era fácil, mesmo nesses tempos saturados de violência gratuita. Somente o feito de poder trabalhar junto dele no laboratório, fazia sua vida um pouco menos rotineira. Algumas vezes, não podia negar, seu chefe a colocava em casos complicados, mas isso não a desanimava, valia a pena! Este momento compensava tudo.
"I live to love… I love to live with you… beside me" – Grissom levantou a cabeça para escutar a frase. O piano dele completava com a voz dela. Era como um jogo: perseguiam-se, brigavam e logo fugiam.
"This role so new… I'll muddle through with you… to guide me" – Seus olhos se encontraram. O olhar dele brilhava desde a escuridão. Ela não sabia se Grissom ia chorar ou ri.
A orquestra interveio discretamente. Foi o único instante que Sara se deu conta que havia sido ele e ela que tinham interpretado a canção até aquele minuto.
"In this world… where many, many play at love… and hardly any stay in love… I'm glad there is you" – o piano vez um pequeno solo, magistral. Grissom já não relutava contra o contato visual. Ao contrario a intensidade do olhar dele fazia ela se sentir deliciosamente vulnerável.
"More than ever… I'm glad there is you." – Os espectadores ovacionaram com gritos alegres, enquanto a orquestra estendia o final da canção. Ao terminar os aplausos não se detiveram. Sara podia crer. Este é definitivamente a melhor surpresa que já me deram na vida.
Grissom
levantou de seu acento e pegou na mão de Sara. A olhou nos
olhos com seu semblante sério de sempre e se inclinou para uma
referencia. Sara o imitou. Os aplausos aumentaram com energia e as
pessoas estavam exaltadas. Ele sentiu que seu peito enchia de orgulho
e ternura por ela. Não pode evitar um suspiro que se
dissimulou como nervosismo.
O sorriso estúpido estava
novamente eu seu rosto.
De surpresa pegou Sara pela cintura, colocou seu outro braço sobre suas costas e a girou a empurrando de maneira que o torso dela estava agora inclinado em frete ao dele. Suas bocas estavam a poucos centímetros. Tirou o chapéu e colocou diante seus rostos. O público reagiu com uma exclamação de surpresa e logo com assobios agudos. Atrás do chapéu Grissom riu e disse:
- Cantasse maravilhosamente bem, minha querida Sara. – Deu uma piscada. – Você sempre quer me matar? – Ela um pouco atordoada com aquela demonstração respondeu que não.
Ele a levantou e ofereceu seu braço, na qual ela pegou. Ambos deixaram o palco.
O trompetista voltou para sua apresentação, para sossegar o animo da audiência que já pedia mais.
- Ali estava Sara Sidle, damas e cavaleiros. Damos graças também a Gilbert Chilly G.!
Até quando que vão me colocar nomes?!
Sara viu como a cara de Grissom começava a ficar vermelha. Quis dizer para ele o que sentia neste exato momento, antes de sentarem novamente na mesa.
- Grissom?
- Sim?
Sara o olhou por um segundo nos olhos e renunciando suas inseguranças o abraçou com doçura.
- Obrigada, Griss. Obrigada por tudo. Creio que não posso deixar de dizer que este foi o momento mais feliz da minha vida. – Fechou os olhos e sorriu genuinamente. O apertou suavemente com carinho.
-Fico feliz de ter compartilhado isso com você. –Respondeu esboçando um sorriso e a envolvendo com afeição entre seus braços. Acariciou seu cabelo com delicadeza, mas só levemente. Soltaram-se e ambos sorriram, dessa vez sem vergonha e nem timidez.
Voltaram para a mesa, a qual, já estava servido a comida.
TBC
A música se chama: I'm Glad There Is You, pode ser encontrada em várias versões. De Frank Sinatra e a mais recente com Jamie Cullum.
