Mais um recesso de natal chegara e dessa vez Bellatrix contava os dias para se ver em casa novamente. Estava rindo de novo, sua felicidade parecia interminável. Mas a razão de toda essa felicidade tinha nome: Rodolphus Lestrange.

Bellatrix fora pedida em casamento na frente de todos no Três Vassouras – inclusive na frente de Sirius, o que a deixou ainda mais satisfeita com a surpresa. Ela queria esquecê-lo de uma vez por todas. Queria poder olhar para ele e dizer que tudo o que acontecera entre eles não tinha importância. O problema disso tudo era que ela ainda tinha medo. Lembrava-se muito bem do que ocorreu na última vez em que estiveram a sós e ela cedera. Então ela achou que era melhor deixar tudo de lado e esperar que ele compreendesse que quem não queria mais nada com ele era ela.

E assim os dias foram passando: as garotas da Grifinória voltaram a rodeá-lo e, pelo que pareceu a Bellatrix, a notícia da fuga do garoto se espalhou. Mas para o seu alívio ele não disse a verdade. Ele dissera que foi embora porque não agüentava mais sua família lhe julgando por não ter ido para a Sonserina, e então foi para a casa do tal Potter. A princípio ela achou meio estranho a história contada, mas depois se tocou que ele ainda gostava dela, mas, de alguma forma, chegar a essa conclusão a fez sentir ais desprezo pelo primo.

Mas uma coisa estava óbvia: os três amigos dele – James, Remo e Pedro – pareciam saber a verdade, pois quando estavam no Salão Principal olhavam para ela a cada instante desde que os boatos começaram.

- Esquece ele, Bella – disse Andrômeda, sentada ao seu lado na mesa, olhando na mesma direção.

- Eu já o esqueci, Andie – respondeu. – O problema é ele fazer o mesmo.

No dia seguinte estavam fazendo as malas para voltarem para casa. Bellatrix e Andrômeda estavam sozinhas no dormitório feminino porque as outras garotas resolveram aproveitar mais um pouco o dia e deixar as malas para depois – isso sem contar que algumas delas iriam ficar na escola.

- Sabe, Bella – começou Andrômeda, fazendo um movimento com a varinha e pondo seus pertences de volta na mala – acho que no fim das contas você já sabia que ia ficar com o Lestrange.

Bellatrix ainda estava procurando a sua varinha; quando a encontrou, sentou-se na cama e fez os seus pertences se arrumarem na mala, assim como a irmã fizera. Depois disso deu um suspiro e olhou para a irmã, que ainda estava esperando uma resposta.

- Talvez – disse simplesmente.

- Bella! Eu me lembro muito bem de quando havia festas aqui. Geralmente era a turma dele que fazia e você sempre era a primeira convidada dele – e ao ouvir isso, Bellatrix sorriu.

- E no fim da noite estávamos todos bêbados – completou. As duas caíram na gargalhada.

- Está vendo? Eu me lembro disso – então desviou o olhar. – Assim como também me lembro de que depois que todos bebiam vocês dois sumiam e só voltavam no finzinho da festa – e seus lábios se moveram num sorriso maldoso.

- Eu ia ao banheiro, ué.

- Com o Rodolphus?

- Às vezes ele ia.

Um ou dois segundos em silêncio e elas tornaram a rir novamente. Depois que conseguiram se conter, Andrômeda disse:

- Você gostava dele e não sabia – e ao ouvir isso, Bellatrix levantou a cabeça dando um sorriso breve.

As malas já estavam prontas. Todos partiram para as suas respectivas casas e foi quando chegou a sua, foi que Bellatrix se deu conta de que Sirius não morava mais lá. Foi estranho de início, mas ela não se preocupou mais porque seus pais já vinham correndo em sua direção para dar os parabéns pelo noivado, dizendo-lhe que a festa seria na noite seguinte.

Foi quando Bellatrix fez cara de espanto com o aviso que sua mãe disse:

- Não queremos ficar esperando, querida. Os Lestrange chegarão amanhã bem cedo.

Bellatrix subiu até o seu quarto, ansiosa. Dessa vez não haveria mais Sirius para ficar olhando para eles com raiva. Mesmo se ainda tivesse, ela não se importaria. Não havia mais nada entre eles e isto já estava certo – pelo menos para ela.

Ela olhou para sua cama e viu os lençóis trocados. Sentou-se e sentiu o cheiro de novo neles e sorriu por saber que agora não tinha mais uma lembrança sequer dele – pelo menos não ali, em seu quarto.

Aquele dia voou. Quando Bellatrix percebeu amanhecera – mas não por causa dos pássaros, mas porque alguém bateu na sua porta chamando pelo seu nome.

Seu estômago revirou. Conhecia aquela voz – e não era do Sirius. Mas já era tarde para se arrumar quando ele entrou e ela ainda estava de camisola na cama. Rodolphus entrou no quarto sorrindo e Bellatrix corou tanto que quase ficou da cor de um tomate.

- Eu não queria te acordar – disse ele, se aproximando.

- Não tem problema – respondeu, abrindo um sorriso. Rodolphus parou, encostando-se na cama, estendendo sua mão.

- Vem cá – disse ele; e ela o obedeceu, segurou sua mão e se levantou. – Eu adoro ver o seu cabelo desarrumado – sussurrou. Bellatrix soltou um muxoxo e pôs a cabeça no ombro dele, o fazendo rir. – Isso me deixa excitado, sabia? – eles tornaram a rir e, entre os risos, Bellatrix disse:

- Cretino!

Rodolphus a puxou pela cintura e depositou em seus lábios um beijo. Bellatrix sentiu o seu corpo arder em fogo, como se ele a estivesse queimando, e se agarrou mais forte a ele, deixando as línguas brincarem.

Mas alguém abriu a porta e os dois se separaram.

- Ah, me desculpem! – disse Druella, entregando a filha um pacote grande e leve. – Interrompi alguma coisa?

- O que você acha, mamãe? – perguntou Bellatrix, recebendo o pacote, tentando ver o que era. Rodolphus parecia meio sem graça. – O que é isso?

- Seu vestido, querida – respondeu, se dirigindo à porta. – Podem voltar ao que estavam fazendo.

Ela fechou a porta e os dois ficaram sozinhos novamente.

- Onde foi que a gente parou mesmo? – perguntou Bellatrix, caminhando lentamente até Rodolphus.

- Acho que me lembro.

E ao dizer isso, ele a puxou pela cintura e a beijou novamente.

A noite caiu. Bellatrix colocara seu vestido verde-escuro decotado. Deixara seus cabelos caírem em cascata pelas suas costas. Estava pronta para a festa.

Todos pareciam felizes no jardim. Narcisa convidara Lucius para lhe fazer companhia, mas Andrômeda estava sozinha – não poderia levar Ted porque ele não era sangue-puro e ninguém iria aceitá-lo na festa. Mas o que chamou a atenção de Bellatrix foi que sua irmã estava acompanhada de alguém que ela menos queria ver na festa: Sirius estava conversando animadamente com ela.

Sem pensar duas vezes, Bellatrix marchou até lá. Andrômeda percebeu a fúria no rosto da irmã e olhou para Sirius, meio receosa.

- O que você está fazendo aqui? – perguntou Bellatrix. Parecia estar soltando fogo pelo nariz.

- Fui convidado – disse Sirius, empinando o nariz.

- Veio ver a sua derrota de camarote, foi?

Sirius abriu a boca para responder, mas alguém chegou e agarrou Bellatrix por trás, dando-lhe um beijo no seu pescoço, fazendo-a fechar os olhos e acariciar aqueles cabelos rebeldes de Rodolphus. Ele trazia um par de taças com champanhe e entregou uma a ela.

- Já quer me deixar bêbada? – perguntou ela, com um tom malicioso na voz.

- Aos velhos tempos – disse ele, levantando sua taça.

- Aos velhos tempos.

Eles brindaram e viraram suas taças. Ela sentiu a bebida descer, queimando sua garganta, e o puxou para um beijo. Não sabia se estava fazendo aquilo porque deu vontade ou porque queria mostrar ao primo que não queria mais nada com ele. Bellatrix geralmente era fraca para bebidas.

Depois de algumas horas, já estavam bêbados demais, rindo sem parar. Bellatrix perdera as contas de quantas doses de whisky de fogo já tomara.

- Mais uma! – gritava Bellatrix.

Os convidados iam embora e ela bebia mais ainda com Rodolphus. Viravam uma dose e caiam na gargalhada.

- Ouvi dizer que você vai dormir aqui – sussurrou Bellatrix.

- Quem disse?

- Eu.

Ele sorriu maldosamente para ela e comprimiu suas mãos nas costas da bruxa, beijando-a. Suas mãos percorreram o vestido dela, levantando um pouco a saia, mostrando sua real intenção.

Os dois entraram na casa aos beijos e subiram até o quarto dela.

Não tardaram a despir suas roupas. Rodolphus a segurou pelas pernas e se encaixou entre elas, encostando-a na parede. Ela gemeu e puxou os cabelos dele com mais força quando o sentiu penetrar. Ele beijava ainda mais seu pescoço e ela enterrava suas unhas na nuca dele, suplicando para não deixá-la.

Ela não queria que ele a deixasse, assim como fez Sirius. Mas seu coração bateu aliviado no dia seguinte quando ela acordou e deu de cara com Rodolphus deitado ao seu lado, sorrindo para ela.

- Faz tempo que está acordado? – perguntou ela.

- Uns dez minutos. Se você não acordasse agora, eu ia te beijar até você acordar.

Bellatrix deu uma risada breve e ele selou os lábios nos dela.

- Promete que não vai me deixar?

- Prometo.