-Ai minha cabeça... – Resmungou Ino largada em meu sofá, com um copo de água na mão.
Eu terminava de limpar o raque que antes estava completamente sujo de gelatina de cereja, juro que nunca mais deixo Karin trazer gelatina na minha casa.
Naquela manhã acordei dentro do banheiro, assustada com as fortes batidas na porta e com os berros de Naruto que dizia desesperado "Se não abrir essa porta, juro que vou mijar na pia da cozinha!". Após todos acordarem, dei uma aspirina para cada um, pois reclamavam de dor de cabeça – ressaca é um problema – e praticamente os expulsei de minha casa. O estado do meu apartamento era deplorável, gelatina de cereja para todos os lados, garrafas de uísque pelo chão, cigarro e batata palha espalhado por cada canto da cozinha, sem falar no mau cheiro que predominava, uma mistura de uísque, cigarro e vomito de bêbado. Eca.
-Quem mandou beber tanto? – Murmurei enquanto passava o pano úmido sobre o móvel – Afinal, o que aconteceu quando eu sai? – Perguntei voltando meus olhos para a loira que estava praticamente morrendo no meu sofá.
Ino massageava as têmporas, os olhos fechados, tentando aliviar a de cabeça, causada pela ressaca.
-Liguei o som, começou a tocar Hey Brother, todos começaram a dançar e a beber, Karin começou a ficar louca e fez dança sexy, esfregando gelatina de cereja em todo mundo – Abriu os olhos – Tenten subiu na mesa e começou a fazer street tease junto com Neji, tivemos que trancá-los no quarto porque estavam quase transando em cima da sua mesa – Fez uma careta – Naruto bebeu muito e comeu toda a comida que sobrou da ceia, viu a Hinata toda lambuzada de gelatina e começou a lamber a pobrezinha – Balançou a cabeça negativamente como se lamentasse o ocorrido – Sai veio só para terminar comigo, fiquei revoltada e o expulsei de sua casa a gelatinada, o Gaara era o único mais ou menos que podia ouvir minhas mágoas, fui me lamentar com ele, que me ouviu até o fim e me deu apoio – Suspirou – Depois começamos a beber e eu comecei a esfregar gelatina nele... – Olhou para o teto, tentando lembrar de alguma coisa – Só Kami sabe o que aconteceu depois... A última coisa de que me lembro foi do Suigetsu lançando sua árvore de natal pela janela – Deu de ombros.
Arregalei os olhos e levantei do sofá num pulo.
-QUÊ!? – Gritei correndo para o local onde a minha árvore de natal estava – Isso só pode ser brincadeira... Eu vou matar aquele cara de peixe de liquidação de feira de domingo! – Esbravejei indo até a janela, olhando para baixo, para ver se encontrava minha árvore, eis que vi um pontinho verde, devia ser ela.
Não perdi tempo, corri porta a fora sendo seguida por Ino que estava a ponto de se espatifar no chão. Descemos de elevador até o térreo, deixei Ino para trás e contornei o prédio, deparando-me com minha árvore sobre a neve que cobria o chão.
-Tanto trabalho... – Murmurei tristonha.
Ino agachou-se ao meu lado, acariciando meu cabelo.
-Eu sinto muito amiga – Sussurrou.
Suspirei pesadamente.
-Está tudo bem – Garanti.
-Ah Kami... – Sussurrou.
Ino parou de acariciar meu cabelo, olhei para ela, seus olhos estavam arregalados.
-Ino? – Abanei minha mão na frente de seu rosto – O que foi?
Ela apontou para um local ao lado da árvore, fiquei de pé novamente, notando que pertinho da árvore tinha uma pequena mancha vermelha sobre a neve branquinha. Era sangue.
-Ah meu Kami! – Exclamei apavorada.
-De quem é esse sangue?! – Indagou Ino, se aproximando.
-Eu vou lá saber! – Gritei nervosa – Alguém deve ter sido atingido pela árvore... Ah meu Kami... Somos assassinas! Não, o Suigetsu que é, ele que vai preso! Eu não sabia de nada! – Peguei meu celular no bolso do casaco – Vou ligar para o meu advogado! – Exclamei.
Ino aproximou-se da mancha, fitando por alguns segundos, em seguida tocando-a.
– O que você está fazendo? Não pode tocar em sangue desconhecido sem nenhuma proteção! – Gritei apavorada.
E sem mais nem menos, Ino caiu na gargalhada.
-Do que você está rindo, sua porca!? – Perguntei entredentes.
A loira respirou fundo, tentando se controlar.
-Não é sangue – Disse em meio ao riso – É gelatina!
Maldita seja a gelatina de Karin.
29 de dezembro
Estendi uma receita com alguns nomes de medicamentos que o paciente a minha frente deveria tomar.
-Siga o tratamento direitinho e tudo vai ficar bem – Eu disse a ele com um sorriso simpático – Não se esqueça de trazer o resultado da biópsia assim que pegar, leve o material em algum laboratório, você pode marcar na secretaria da saúde, é bem rápido. – Estendi outro papel, era o pedido de exame – Aqui, leve esse pedido, fale com a assistente social, ela que marca os exames, diga que a Doutora Haruno que pediu.
Ele assentiu, sorrindo de volta, estendeu sua mão para que eu apertasse.
-Obrigado doutora – Agradeceu, logo dando as costas e saindo da minha sala.
Após a saída do paciente, relaxei em minha poltrona, aquele era o último do período matutino, eu só precisava esperar a hora do meu almoço. Olhei no relógio em meu pulso direito, faltavam oito minutos.
-SAKURA-CHAN! – Berrou Naruto escancarando a porta da minha sala.
Levantei da poltrona assustada, vendo o loiro correr em minha direção.
-O Sasuke! – Exclamou pegando em minha mão e me puxando em direção à porta.
Arregalei os olhos, tentando acompanhar os passos do loiro.
-O que aconteceu?! – Perguntei já sentindo a respiração pesar.
-Ele lembrou de mim! – Disse me olhando sobre o ombro – E ainda me xingou! – Abriu um largo sorriso.
Subimos dois lances de escada até o terceiro andar, mesmo eu achando bem mais rápido ter pego o elevador, Naruto não quis nem saber, me puxou em direção a escada, tive que saltar alguns degraus para poder acompanhá-lo. Continuamos a andar apressadamente pelo corredor, chamando a atenção de algumas pessoas que ali passavam. Chegando em frente à porta 75, apoiei minhas mãos nos joelhos e abaixei a cabeça, esperando meu coração desacelerar e minha respiração voltar ao normal.
Naruto abriu a porta e entrou no quarto.
-Voltei teme! – Gritou Naruto.
Ouvi um resmungo, em seguida uma voz grossa se fez presente.
-Para de gritar, caralho. – Disse Sasuke, carrancudo.
A cama de Sasuke estava com a parte superior erguida, ele estava praticamente sentado. Karin estava próxima à janela, anotava algumas coisas na prancheta em mãos.
Endireitei-me, entrei no quarto e fechei a porta. Sasuke olhou para mim, completamente indiferente.
-Olá Sasuke – O cumprimentei, sorrindo docemente.
-Hn. – Sasuke fez cara de tédio, pouco se importando com a minha presença.
Meu sorriso se desfez.
-Como se sente? – Perguntei parando ao lado da cama.
-Como acha que eu me sinto? – Perguntou-me arqueando as sobrancelhas – De certo é ótimo estar em um hospital. – Disse sarcástico.
Olhei para Karin que revirou os orbes rubis, como se já estivesse acostumada com aquele mau humor de Sasuke. Ela era a enfermeira responsável por Sasuke e deixava bem claro que adorava cuidar do moreno, alegando não existir homem no mundo mais lindo do que ele.
-Karin, já o examinou? – Perguntei voltando meus olhos para a ruiva.
-Tsunade já o fez – Respondeu ela – Ela veio aqui mais cedo.
Assenti e voltei a olhar Sasuke, que estava emburrado.
-Por quanto tempo terei que ficar aqui? – Perguntou-me com um tom irritado.
-Alguns dias, até que esteja bem o suficiente para ir para sua casa – Eu disse tentando manter um tom simpático – Vou ter que prendê-lo só por mais algum tempo.
Sasuke me encarou por alguns instantes.
-Acha mesmo que vai me prender aqui? – Perguntou esboçando um sorriso desafiador e devo dizer que era extremamente sensual, não que isso importasse, mas era um detalhe a mais.
-Não acho, eu vou prendê-lo – Respondi – Karin – Voltei meus olhos para a ruiva – Aplique o sedativo, ele precisa descansar um pouco mais – Sorri.
Karin preparou a seringa, Sasuke me encarava com ódio e eu não me intimidei, encarava-o da mesma maneira. Naruto notando o clima, se pôs entre mim e Sasuke, sorrindo nervoso.
-Ér... Calma gente, estamos em um hospital e... – Disse ele tentando apaziguar.
-Cala a boca Naruto – Sasuke e eu dissemos em uníssom.
Naruto encolheu-se, Karin preparou-se para aplicar o sedativo no soro de Sasuke, mas antes que pudesse aplicar o medicamento, Sasuke simplesmente retirou o tubo do soro de seu braço. Arqueei as sobrancelhas.
-Colabore Sasuke – Pedi.
-Nunca – Resmungou.
Olhei para Karin, que imediatamente enfiou a agulha da seringa no braço de Sasuke, injetando o sedativo diretamente nele.
-Vagabunda! – Esbravejou ele.
Eu sorri vitoriosa.
-Durma um pouco Uchiha – Eu disse.
Sasuke sorriu fraco e murmurou algo do tipo "Vou fazer da sua vida um inferno", em seguida balbuciou algumas palavras sem nexo tentando manter-se acordado, mas não demorou muito, logo adormeceu.
-Existe algum homem mais difícil de lidar do que o Sasuke? – Indagou Karin, aproximando-se.
Naruto e eu nos entreolhamos.
-Acho que não – Respondi em meio ao riso.
Estacionei meu carro em sua devida vaga no enorme estacionamento do prédio em que eu morava, peguei minha bolsa no banco do passageiro e sai do veículo, batendo a porta e acionando o alarme. Entrei no elevador e subi até o último andar, onde meu apartamento ficava, estava exausta, meu único pensamento era chegar em casa e cair na cama. Ao sair do elevador, caminhei lentamente até a porta do meu apartamento, franzi o cenho ao ver que estava entreaberta, antes de sair para o trabalho me certificava de ter deixado- a bem fechada. Empurrei a porta e entrei em meu apartamento lentamente, fazendo o mínimo de barulho possível. Deixei a porta aberta para caso eu precisasse fugir e retirei os saltos para facilitar a minha fuga. Caminhei em direção a sala, não sem antes ter pego o taco de beisebol – Presente do meu pai – que ficava atrás da porta. Respirei fundo e segui para a sala, segurando a base do taco, pronta para tacar longe a cabeça do indivíduo que aparecesse na minha frente.
No sofá, de costas para mim, alguém estava sentado, como estava escuro, não dava para identificar se era um homem ou mulher.
-Bem vinda de volta ao lar, Sakura – Disse a pessoa notando a minha aproximação.
Senti meu corpo gelar, aquela voz... Em qualquer lugar do mundo em que eu ouvisse, eu a reconheceria.
-Deidara – Murmurei.
