Esperança
Pansy casou primeiro. Talvez porque, ao fugir do altar, já soubesse exatamente com quem queria ou não passar sua vida. Talvez porque, depois de um erro, quisesse acertar. Talvez porque isso fosse fazer das fofocas menos piores. Mas, principalmente, porque realmente amava Blaise.
Astoria achava engraçado. Menos de um ano atrás, sua irmã tinha ajudado Pansy a organizar seu casamento com Draco. Menos de um ano atrás, elas mal se falavam, e agora isso parecia extremamente estranho. Estavam sempre juntas, as três, firmes e fortes em suas opiniões.
Não que concordassem em tudo, certamente não era o caso. Mas ninguém poderia discordar de que Pansy e Blaise tinham sido feitos um para o outro. Os olhares, os sorrisos, a animação e a sensação de que nada de mais importante existia no mundo eram claras o suficiente para qualquer um ver.
Como boa dama de honra, Astoria ajudou a amiga a colocar o véu. Como boa menina, andou graciosamente na direção do altar, deixando cair flores no caminho pelo qual a noiva passaria. Como boa jovem, deu risinhos ao ver-se ao lado do carrancudo Theodore Nott no altar. Como boa mulher, chorou enquanto assistia os votos sendo trocados, a honestidade das palavras e o carinho do beijo.
Observou com o coração apertado de desejo enquanto eles dançavam juntos, nos braços um do outro, quase parando. O universo inteiro parecia ter parado para que eles ficassem juntos na pista, sozinhos, com todos a ver as coisas maravilhosas que o amor é capaz de produzir. Os olhos de Pansy, semicerrados, entregavam seu deleite de estar ali. Os olhos de Blaise estavam abertos, como se quisesse absorver toda a cena de uma só vez. E Astoria, em seu coração, sentiu inveja e se perguntou se um dia teria algo parecido com tudo aquilo.
Houve bebidas, conversas, danças, comida, e muita fofoca, mas eles mal pareciam notar. Os dedos entrelaçados, as alianças brilhantes, os sorrisos que jamais poderiam ser fingidos, todos falavam de uma alegria além da razão, além da expectativa, além do comum. Como se fosse uma novela barata ou um ballet clássico, ela poderia observá-los a noite inteira, em um misto de felicidade e melancolia, uma saudade de algo que nunca tivera – e provavelmente nunca teria.
Mas o tempo não para, nem mesmo para um jovem casal apaixonado. Logo era a hora que todas as solteiras esperavam. Rindo como a menina que ainda era, Astoria entrou no meio do grupo, esperando pelo buquê e conformada que ele não viria para ela. Suas mãos sentiram o peso súbito, e ela riu estranhando o momento. Pansy, no entanto, piscou para ela.
A noite estava quase no fim quando conseguiu se aproximar da garota, que imediatamente pediu licença para ir, urgentemente, ao toillet. Astoria tinha toda intenção de segui-la, mas os dedos de Blaise se fecharam firmemente em torno do braço dela, enquanto ele dizia, em sua voz suave e felina:
"Conhece Astoria, Draco? É a mais nova das Greengrass."
O loiro sorriu para ela, negando, e sentiu seu coração parar.
Quem sabe?
