Autor: Lady Bogard
Título: Close to you
Sinopse: Um guitarrista, um ator, um tatuador e um estudante universitário. Pessoas tão diferentes, com um ponto em comum: o sonho de liberdade.
Banda: the GazettE, Miyavi, outros
Ship: MxK, AxUxA
Beta: Eri-Chan
Orientação: Yaoi
Classificação: 18 anos (só porque é yaoi)
Gênero: comédia romântica, drama (leve)
Observação: Universo Alternativo, plot baseado no filme "Eurotrip", mas não é tão non sense quanto o filme, título inspirado em uma Love Song da banda The Carpenters.
Close to you
Lady Bogard
Parte VIII
... a vergonha afrouxa.
Assim que a porta se abriu o ar fresco de fim de tarde invadiu o baú do caminhão, diminuindo a sensação de cláusula e abafamento. Foi um grande alívio.
– Ei, vocês estão bem aí? – a voz do caminhoneiro parecia cansada.
Como ninguém entendeu a pergunta, o homem não teve resposta. Ele nem tentou esconder a surpresa quando os 'caroneiros' começaram a procurar alguma coisa no chão. Os pés dos sapatos que haviam sido jogados contra Miyavi. Uruha teve que procurar o par.
Só depois de devidamente calçados, puderam sair do caminhão, arrastando as mochilas.
Kai saltou primeiro. Aproximou-se do mexicano e reverenciou de leve:
– Arigatou gozaimashita. – foi todo solene.
O desconhecido abriu um sorriso enorme, exibindo os dentes ruins e apontou para o moreninho:
– Ah, isso aí eu entendi! Ha, ha, ha! – gargalhou. Respirou fundo e indicou a direita deles – Sigam por ali. Eu não posso me aproximar da cidade. Polícia, sabe? Vou seguir a rodovia, mas é só ir em frente. Não tem erro.
Kai franziu as sobrancelhas. Pelo mínimo que entendera (das mímicas) supôs que deviam seguir pro lado que o cara apontava. E surpreendentemente era uma praia, com algumas pessoas aproveitando o pôr-do-sol.
Civilização, finalmente.
O dono do caminhão levou a mão à aba do boné encardido a guisa de despedida e ia se afastar quando Uruha o chamou:
– Ei, mister! – arriscou num inglês deplorável. Pelo menos funcionou. O homem virou-se pra ele, reparando que o loiro já estava com uma câmera nas mãos. – Picture. Please?
– "Bater" uma foto de vocês? Claro! – foi até o loiro que lhe estendeu a máquina e mostrou o botão que devia ser pressionado.
Pegando a câmera, o caminhoneiro esperou pacientemente que os japoneses se arrumassem numa pose. Depois tirou uma foto. Empolgado, sinalizou para que mudassem de posição e tirou uma segunda.
– Vocês são fotogênicos! – o homem afirmou ao devolver a máquina fotográfica. Apontou para Uruha: – Mas você parece uma mulher! He!
Acenou pros japoneses e entrou no caminhão, indo embora.
– Tiozinho simpático. – Uruha disse. Todos concordaram com ele.
Kai virou-se para Miyavi, olhando-o preocupado:
– Está tudo bem, Miyavi? Você está tão quieto...
O tatuado largou a mochila no chão e sentou-se sobre ela. Sentia-se cansando, apesar de ter cochilado grande parte da viagem. Aoi e Uruha acabaram sentando-se ao lado dele.
– Acho que a gente precisa de uma noite bem dormida. – Aoi falou. Passou a mão pelo tórax que ainda estava dolorido.
– E de comida. – Miyavi completou.
– Isso que sentem é uma reação normal. – Kai informou – É que estamos há muito tempo sem comer. Então o corpo reage com hipoglicemia e... – calou-se ao ver que os três amigos olhavam pra ele agudamente – Nani?
– Kai-chan... – Miyavi cantarolou – Eu já te chamei de nerd hoje?
O moreninho rolou os olhos: – Ie.
– Nerd! – e riu.
– Ne, ne... – Uruha indicou uma grande placa com o queixo – Deve ser o nome da cidade. Não que eu entenda do idioma, mas não parece exatamente "Cidade do México".
Só então os outros prestaram atenção. Kai franziu as sobrancelhas:
– "Bem vindos a Acapulco". – digeriu a informação – Estamos em ACAPULCO?!
– E onde é isso? – Aoi perguntou.
– Ainda é no México? – Miyavi completou a pergunta coçando a nuca.
– É... – o estudante respondeu. Depois de passado o primeiro choque Kai percebeu que as coisas não eram tão ruins assim. – Acapulco é uma cidade turística. Podemos ir daqui para o Brasil!
– Que ótimo! – Aoi levantou-se. – Espero que não seja alta temporada. E que os hotéis não estejam lotados.
– Vamos achar uma vaga, com certeza.
– É. – Uruha levantou-se e esticou o corpo – Precisamos de uma noite de descanso.
Miyavi ficou em pé, aproximou-se de Aoi e deu-lhe cotoveladinhas de leve:
– Eu acho que nenhum dos dois vai descansar essa noite...
– Miyavi... – Kai advertiu. Não queria uma nova briga. Mas Uruha sorriu safado e concordou:
– Nem adianta, Miyavi. Dessa festinha você não fará parte. Aoi e eu... ei... Kai disse Acapulco?!
O moreninho confirmou com a cabeça. Surpreendentemente Uruha sorriu ainda mais safado e esfregou uma mão na outra:
– Ne, eu já ouvi falar desse lugar nas aulas de teatro!
– O que disseram? – Aoi ficou curioso, assim como Kai e Miyavi que pregaram os olhos no loiro.
Uruha levantou os dois braços, vibrando:
– Que aqui tem uma praia nudista ótima!
Silêncio.
– Nós podíamos ir, o que acham?
Silêncio.
– Vai ser demais! – o loiro já fazia planos pra desfilar toda sua beleza natural pela tal praia nudista. Aoi moveu os braços fazendo um X:
– IE! De jeito nenhum! – quase espumou só de imaginar a cena.
Kai não estava acreditando na proposta de Uruha. O ator devia estar doido de pedra. Ou talvez tivesse perdido a noção das coisas. Imagina se ele ia pra praia nudista... Principalmente com Miyavi, tarado daquele jeito. Sem que se desse conta do fato, acabou virando o rosto e olhando para o tatuado.
Miyavi sentiu que era observado. Sorriu de lado ao ver o moreninho viajando por seu corpo, olhando-o de cima a baixo, meio distraído. Ora... Talvez a praia nudista não fosse uma idéia tão ruim assim...
– NUNCA! – Aoi continuava relutante.
– Dooshite? Yuu-chan! – Uruha insistia com um biquinho manhoso – Não seja tímido!
– Não sou. – o tatuador estava irredutível.
– Você não quer me ver sem roupas? – Uruha provocou.
– Claro que quero! Mas não quero que eles também te vejam! – apontou os outros dois. – Ne, Yutaka! O que acha desse absurdo?
Kai balançou a cabeça:
– Bom também... – respondeu sem desviar os olhos de Miyavi.
– BOM TAMBÉM? – Aoi surtou com o que ouviu – Você vai ficar pelado no meio de um monte de gente que nunca viu na vida?
Kai despertou do transe:
– Nani? Pelado? – perguntou confuso.
– Praia nudista... – Miyavi riu da confusão do moreninho, satisfeito por ser o motivo da distração.
– Não! – o sangue gelou nas veias de Kai – Eu não estava prestando atenção! Eu não vou à praia nudista nenhuma!
– Podemos tirar a roupa no motel, oras. – Miyavi não perdeu a deixa.
– Exato. – o estudante concordou sem pensar direito. Ao notar a gafe olhou feio pro rapaz de cabelos azuis – Não! Nada de motel também, Miyavi!
Uruha e Miyavi riram muito. Os morenos eram mesmo adoráveis. No fim das contas o loiro deu de ombros, desistindo da idéia:
– Ne, deixa pra lá. Eu posso viver sem a praia nudista. Vamos procurar um motel? Digo, hotel?
Imensamente aliviado Aoi concordou. Kai ia abrir a boca para falar alguma coisa quando ouviu o som de seu bip. Sob olhares indagadores dos três amigos tirou a mochila das costas e procurou o pequeno aparelho.
– Meu pai... – estranhou o fato. Tirou o celular do bolso e discou pra casa. Foi atendido no segundo toque. – Otoosan. Ah, tudo bem... Nani? Fora da área nacional de cobertura...? – olhou significativamente para os japoneses. – O senhor sabe como essas coisas são. Eu tô no meio do nada agora... Ie... Tudo bem... Não se preocupe. Wakkata.
Desligou o celular com um suspiro. Coçou a cabeça desanimado:
– Se ele desconfiar...
– Manda a polícia internacional atrás do filhinho. – Miyavi debochou – Então que ele não desconfie. Iko, iko...
Os quatro começaram a caminhar pelas areias da praia. Poucas pessoas repararam nos japoneses cansados e totalmente vestidos que passavam por ali. Em silêncio perceberam o cenário mudando rapidamente, prédios já podiam ser vistos à distância.
– Mitte! – Uruha, mestre em enxergar as placas, apontou – Hotel.
Sorriu feliz por reconhecer a palavra, de significado internacional. Não que fosse grande coisa, mas se animaram tanto que a visão lhes deu força para apertar o passo e entrar no local. Não era nenhuma construção cinco estrelas, mas parecia confortável o suficiente para uma boa noite de sono.
Chegando a recepção Kai sorriu para a mocinha, cheio de esperança:
– Tem quatro quartos vagos? – lançou no inglês sofrível.
Experiente em atender turistas, a funcionária digitou algo no computador e respondeu em inglês compreensível:
– Temos dois quartos duplos. Os de solteiro estão todos ocupados.
– Por mim tudo bem, Kai-chan. – Miyavi afirmou. Só queria tomar banho e deitar numa cama limpa para uma longa noite de sono.
– Pergunta se tem um quarto de casal. – Uruha pediu afoito.
Aoi puxou o namorado pelo braço, mantendo-o próximo a si:
– Relaxa. Nós juntamos as camas.
Uruha concordou balançando a cabeça rapidamente. Fariam como o futuro amante havia proposto.
Kai voltou-se para a recepcionista:
– A gente fica com os dois. – tirou a carteira do bolso e mostrou o cartão de crédito internacional para os amigos – Vamos descontar tudo o que pudermos daqui. Meu pai que paga a conta mesmo. Ele só vai descobrir quando receber a fatura.
– Mas Kai... – Aoi ia protestar.
– Ie. – o estudante sorriu – Será uma... Indenização por papai me obrigar a cursar uma faculdade que eu detesto.
A conversa foi interrompida pela funcionária do hotel que pediu os documentos para conferência e entregou fichas de registro para que fossem preenchidas.
Após os procedimentos legais, a moça indicou que os quartos já haviam sido vistoriados e eles podiam entrar. Entregou as chaves dos quartos 317 e 319:
– São no quarto andar, um de frente para o outro. O hotel fornece café da manhã incluso nas diárias a partir das oito horas. Jantar a partir das dezenove horas. Tenham uma boa estadia.
Kai agradeceu. Juntos seguiram para o elevador. Levavam as próprias mochilas por que o hotel pequeno não oferecia o serviço de carregador. Não que precisassem, pois não traziam muita coisa.
Dentro do cubículo apertado, Uruha pressionou o botão do quarto andar.
– Ne... – suspirou distraído – Ainda bem que eu trouxe camisinha... Demo... Não trouxe lubrificante...
Kai corou com a afirmação. Aoi ficou em choque. Miyavi só deu uma risadinha. Imediatamente o loiro virou-se pro mais alto:
– Você tem pra me emprestar? – fez uma carinha tão pedinte que ninguém nunca associaria a expressão infantil ao pedido safado.
A porta do elevador fechou-se ao mesmo tempo em que o tatuado dava de ombros.
– Ie. Gomen, gomen. Só tenho camisinhas também.
– Tudo bem. A gente dá um jeito. – sorriu olhando para Aoi que sorriu de volta. Estava tão aliviado pelo loiro não insistir com a praia nudista que aceitaria qualquer outra situação. Kai que estava bem desconfortável.
Querendo apimentar e por mais lenha na fogueira, Miyavi levou a mão ao queixo e fitou rapidamente Uruha e Aoi:
– Queria saber qual dos dois...
A porta do elevador se abriu cortando a frase do rapaz de cabelos azuis. Os japoneses saíram e começaram a procurar os quartos pelo corredor estreito e deserto. Foi fácil achar. Miyavi e Kai pararam em frente do 317. Aoi e Uruha ficaram com o 319.
– A gente se vê no jantar. – Kai se despediu com um sorriso.
– Acho que não, Kai-chan... – Uruha foi bem misterioso na afirmativa.
– Ne, Uruha. – Miyavi chamou, seu rosto parecia pensativo e distante – O L ta invertido nesse caso, não acha?
– He, he, he... – o ator segurou um longo suspiro – Eu acho que não... – e aproximou-se pra cochichar algo no ouvido de Miyavi. Aoi e Kai não compreenderam nada da conversa.
– Wakkata. – Miyavi bateu continência de brincadeira para Uruha. – Você tem meu respeito, Kou.
– Do que estão falando? – Aoi se intrometeu mal humorado em ser deixado de lado – Que história é essa de L?
Os dois mais altos trocaram um olhar recheado de significado. Miyavi acertou um tapinha camarada nas costas de Aoi:
– Não conhece o L? Tsc, tsc, tsc. Isso é coisa de seme, Aoi-chan... Se você não sacou, então já sei quem será o passivo da relação. Oyasumi!
Fez o sinal da vitória e sumiu pela porta que Kai havia aberto. Uruha pegou a mão de seu namorado e, após se despedir de Yutaka, puxou-o para dentro do 319.
O estudante ficou mais alguns segundos com o olhar perdido na porta de madeira escura do quarto dos amigos. Ele acompanhara tudo em silêncio, e acabara ficando incomodado com a parte final.
Kai não fazia a menor idéia do que poderia ser a tal história do L...
Continua...
N/A: Lemon ficou pro próximo capítulo! Gomen pela falha da semana passada, mas encontrar com a Eri-Chan, a Tamy e o Chibi Ale foi demais! Um dos melhores dias do ano!
A partir desse capítulo a Eri-Chan vai betar a fic pra mim! ARIGATOU, moça!
Pronto: o Kai já começou a prestar mais atenção no Miyavi! Huahauhauahau!
AHA! Vocês desconfiaram do tiozinho humilde do caminhão... Tadinho, e ele foi tão gente boa! #foge#
