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Chapter 8

No início do outro mês, enquanto as garotas dividiam o sofá e discutiam sobre assistir o documentário sobre antropologia e um filme policial, Angela abria as correspondências atrasadas. Separava as contas e correspondências de Richard, entre os cartões que o mesmo recebia, quando encontrou um envelope branco com o símbolo da academia de polícia de Boston. Passou os olhos pelo fundo do papel e encontrou o nome de Jane, causando-lhe má intuição. Sabendo que estaria invadindo a privacidade de sua filha, Angela abriu o envelope e leu o anuncio com mãos trêmulas e visão embaçada.


A discussão durava mais de meia hora. Maura torcia as mãos, nervosa com a sensação de impotência. Richard manteve-se de fora. Mesmo que Angela e Jane fizessem parte de sua família agora, não estava perto o suficiente da garota e julgava que aquele caso apenas as duas poderiam resolver.

"Pai..." – Maura murmurou, indecisa. Não se sentia totalmente a vontade com Richard, mas a situação estava angustiante.

"Não, Maura." – Richard deu-lhe um olhar duro, o qual ela já estava acostumada a receber.

A pequena balançou a cabeça e resolveu afastar-se, caminhando até o quarto de Jane. Não havia sido planejado, mas pelo menos ali a garota poderia se sentir perto, sem ouvir os insultos e gritarias em italiano entre Angela e sua nova – e única – amiga.

Duas horas mais tarde, uma Jane com o rosto vermelho e olhos inchados adentrou o quarto sem se incomodar em fazer barulho. O entanto, antes mesmo que pudesse fechar a porta com força, parou os movimentos ao encontrar a figura de Maura deitada e encolhida em sua cama, dormindo profundamente. O riso fraco rasgou sua garganta; Balançou a cabeça negativamente e fechou a porta com cuidado em seguida. Suspirou, encostando a testa por ali e, após alguns instantes, caminhou até a cama a fim de sentar-se ali. Encarou o rosto da menor e passou os dedos por entre o cabelo, prendendo uma mecha atrás da orelha como sempre fazia. Sorriu num ar triste, cansado. Suspirou mais alto, já que ainda podia lembrar das palavras trocadas com sua Ma há poucos minutos atrás. Encarou suas mãos que estavam sem luvas. Havia se livrado delas durante a briga. Escorregou a palma pelo rosto da pequena, sentindo-a pela primeira vez, e sentiu o rosto queimar sabendo que estava a ponto de desabar mais uma vez. Fechou os olhos com força buscando o resto do controle dentro de si até sentir a mão da outra sobre a sua, que ainda descansava sobre a bochecha de Maura. Não se afastou, nem se assustou. Apenas encarou os olhos intensos que lhe fitavam com compaixão. Jane sentiu seu lábio inferior tremer, trancou a mandíbula e balançou a cabeça negativamente, voltando a fechar os olhos mais uma vez. As lembranças de Hoyt misturadas com a voz de sua mãe acusando-a piscaram em sua mente e Maura puxou-a para baixo, abraçando-a com força. Se seguraram uma na outra com uma urgência indescritível. Jane baixou suas guardas e se permitiu ter um apoio que naquele momento era incondicional. As mãos de Maura deslizavam lentamente pelas costas da outra, enquanto seus lábios sussurravam um "shhh" carinhoso e íntimo.

Não sabem exatamente quando, mas durante o abraço, ambas, exaustas emocionalmente, se permitiram dormir.