Capítulo 7
Rin acordou em um quarto branco. Tentou falar algo, mas havia um tubo preso em sua boca. Olhou em volta com a visão ainda um pouco embaçada, e as cores berrantes de dois balões em formato de coração chamaram sua atenção. Tentou ler o que estava escrito neles, mas não teve sucesso. Esforçou-se para se sentar e se arrependeu do movimento imediatamente, já que sua cabeça começou a latejar dolorosamente. Estava ciente de que aquele local era um hospital, mas não tinha ideia de como havia ido parar ali, e nem o motivo. Tentou remover alguns dos fios que estavam presos aos seus braços e novamente se arrependeu, quando uma máquina à sua direita começou a apitar loucamente, fazendo sua cabeça latejar mais ainda.
Kagome entrou correndo no quarto junto com uma enfermeira, e a expressão de alivio no rosto dela fez Rin tentar esboçar um sorriso. O tubo foi removido de sua boca por suas próprias mãos, e agora ela sabia como era o gosto de plástico hospitalar.
- Pelos deuses, me diga que eu não estou desacordada há meses. – Rin resmungou, enquanto a enfermeira a forçava a se deitar novamente.
- Uma semana, na verdade. – Kagome se sentou na cadeira ao lado da cama. – Feliz aniversário atrasado gatinha.
- Ótimo jeito de passar o aniversário. Nem me senti mais velha. – Rin fez uma careta de dor e tocou em um curativo grande abaixo do ombro direito. – O que aconteceu?
- Alguns loucos atiraram contra a faculdade, e você foi a única azarada a ficar hospitalizada. – Kagome suspirou pesadamente. – Sesshoumaru e Inuyasha estavam bem na linha de frente, mas aparentemente seu namorado teve reflexo o suficiente para salvar os dois.
- Eles estão bem? – Rin tentou se sentar novamente, mas foi delicadamente empurrada para sua posição inicial pela enfermeira. – Eles não se machucaram?
- Sesshoumaru levou um tiro no braço, mas não foi nada grave. Teve alta no mesmo dia. – Kagome apontou para a quantidade absurda de flores que estavam em volta da cama e espalhadas pelo quarto – Agora, nós descobrimos que você tem uma quantidade absurda de admiradores. Claro que uma boa parte delas foi Sesshoumaru que trouxe pessoalmente. Ah, e sua mãe surtou, devo mencionar.
- Ela veio? – Rin estava distraída olhando para um dos balões, que agora ela podia ler "Fique bem logo" escrito em dourado no meio. – Quer dizer, ela deve ter pirado. Espero que não tenha passado mal.
- Tá brincando? Sua mãe virou uma onça protetora da filhotinha ferida. Só me deixou chegar perto porque disse que dividia o quarto com você. Aquela mulher ficou longe de passar mal. Aliás, ela é bem simpática quando não está rosnando.
- Mamãe urso sempre foi super protetora. – Rin deu uma risadinha ao imaginar a mãe rosnando para seus amigos. – Alguém mais esteve aqui?
- Eu deveria fazer uma lista! Até alguns professores vieram. E aquelas flores ali são de Kohaku. Oh, e Kagura trouxe bombons, mas como o médico disse que você não poderia comê-los, eu e Inuyasha fizemos esse esforço por você.
- Imagino o quanto deve ter sido terrível come-los. – Rin se sentia melhor só com o falatório de Kagome. Resolveu que se prenderia à conversa casual, não queria saber se estivera entre a vida e a morte.
- Rin! – A voz masculina veio da porta e os passos se apressaram até chegar na beirada da cama da garota. A cachoeira de fios prateados a cegou momentaneamente quando um beijo carinhoso tocou sua testa. – Porque ninguém me avisou que você acordou?
- Ora, porque ela acabou de acordar! – Kagome fez um bico, resmungando. – Maldito namorado super protetor.
- Sesshoumaru, eu... Não esperava te ver por aqui.
- Temos que aturar ele, já que é seu namorado e salvou a vida do Inuyasha. – Kagome colocou uma mecha do cabelo de trás da orelha e levantou. – Acredito que os dois tenham algumas coisas pra conversar, e uma semana agitada não se conta em uns minutos. Com licença, vou ligar para a sua mãe. – E se retirou do quarto apressadamente, sendo seguida pela enfermeira.
- Vocês se resolveram sobre aquele assunto ou é só uma trégua temporária por minha causa? – Rin perguntou olhando para um ponto interessantemente branco do lençol.
- Acredito que os dois. – Sesshoumaru agora puxava a cadeira para se sentar mais próximo de Rin. – Você nos assustou. Achei que não te veria mais.
- Reconfortante. – Rin fez uma careta de dor novamente. – Prefiro não saber o quão perto da morte eu estive, obrigada.
- Rin, não foi tão simples assim. Eu tive realmente medo de ter perder. Sabe a quanto tempo eu não sinto medo de algo? – Segurou a mão da jovem entre as suas. – Não me mate de susto outra vez, por favor.
- Não posso dizer que controlo isso. Sou um imã de problemas. – Rin deu uma risadinha e corou ao sentir o calor das mãos dele segurando a sua. – Mas vou tentar me manter longe da mira de armas de fogo. Como está seu braço?
- Não foi nada. Você devia estar mais preocupada com você do que comigo.
- Sesshoumaru, eu... Eu não sei o que está acontecendo. – Suspirou pesadamente, retirando sua mão das dele. – Inuyasha e Kagome me falaram algumas coisas sobre você que eu nem me atrevo a repetir, os dois torciam a cara só de ouvir seu nome, e agora a Kagome estava falando que você é meu namorado...
- Acredito que uma boa parte das coisas que falaram de mim não sejam inverdades, mas resolvemos o mal entendido, e a sua situação acabou fazendo-os ceder um pouco mais. Mentiram que eu era seu namorado para que eu pudesse te visitar mais facilmente.
- Como se você não fosse usar a força para entrar aqui de qualquer forma.
- Não que eu tenha muita força sobrando esses dias. – Apontou para o braço ferido. – Ele é o que eu mais uso, e ainda dói, sabe? Não acredito que me permiti ficar vulnerável por um tempo para salvar aquele imbecil.
- Porque ele é seu irmão, e lá no fundo você se importa. – Rin deu de ombros. – O importante é que todos estão vivos.
- Não por muito tempo. Quem é Kohaku, aliás? Ele estava irritantemente te mandando mensagens e flores, e tentou entrar aqui uma porção de vezes. Foi devidamente barrado pela sua mãe, obviamente. Senhora simpática, quando não está rosnando.
- Mamãe anda rosnando muito ultimamente, pelo visto. Kohaku é um amigo da faculdade.
- Oh? Sabe que podemos nos livrar dele se estiver incomodando. – Sesshoumaru deu um leve sorriso maligno. – Eu ficaria feliz com isso.
- Ora, pare de ser ciumento! Nós nem temos nada de verdade. – Rin deu um tapa no braço machucado de Sesshoumaru, que resmungou de dor. – E mesmo se tivéssemos, não quero que saia dando sumiço nos meus amigos assim!
Sesshoumaru se permitiu rir depois de passada a dor do tapa, e acabaram tendo uma leve conversa agradável até a mãe de Rin chegar e encher a filha de beijos e cuidados. Rin tinha certeza que seria muito mimada durante um tempo. Logo Inuyasha e Kagome se juntaram aos três, e Rin pôde acreditar por algumas horas que tudo melhoraria dali pra frente. Mal sabia o quanto estava enganada.
oOo
A semana que Rin passou no hospital após acordar foi bem mais agitada do que ela mesma esperava. Várias pessoas apareceram para visita-la e levar presentes. Sesshoumaru e Kagome não saiam de perto dela, e ela só ansiava por um pouco de privacidade em seu próprio quarto. Não que estar perto de Sesshoumaru fosse ruim, mas ela ainda se sentia incomodada, como se algo naquilo tudo não fizesse sentido. Eles precisavam ter uma conversa séria.
O dia que recebeu alta foi comemorado alegremente, e ela logo se viu livre daquele quarto branco enjoativo e dos passeios acompanhada pelas alas do hospital. Se ela pudesse escolher, escolheria nunca mais precisar passar mais do que algumas horas em um hospital novamente, principalmente se ela própria fosse a paciente.
Agora que ela podia se ver livre da vigília constante da mãe e de Kagome, que tinha virado uma incrível guarda-costas para a própria surpresa de Rin, ela acreditava que teria algum tempo livre a sós com Sesshoumaru para conversarem sobre assuntos desagradáveis e inacabados. Ela não conseguiria dormir em paz enquanto não acalmasse seus pensamentos quanto às coisas que tinha ouvido de Inuyasha.
- Ahm, Sesshoumaru. – Rin murmurou com o celular grudado ao ouvido. – Precisamos conversar.
Ela já estava de volta ao dormitório da faculdade, mas Kagome montara guarda para que ninguém a incomodasse de forma alguma. Chegou ao extremo de trancar a porta do quarto ao sair, coisa que nunca fazia normalmente. Podia ouvir os resmungos de Kagura e as reclamações de Kagome no final do corredor, mas sabia a amiga bateria o pé para que fosse deixada em paz.
- Sim, hoje está bom. O que? Já? Você está montando guarda aqui fora, ou algo assim? – Rin deu um sorriso largo e pegou seu fino casaco que estava pendurado em uma cadeira. Não precisava dele lá dentro mais, aparentemente o aquecedor fora consertado no tempo que esteve no hospital.
Passou sorrateiramente pelas escadas, evitaria o elevador o máximo possível na esperança de evitar Kagura e Kagome em sua discussão que agora estava voraz, desceu os 12 lances em passos rápidos e deu uma corridinha até alcançar o portão do prédio principal. Os vidros das janelas foram substituídos, mas os tijolos vermelhos ainda tinham alguns furos. Sesshoumaru estava encostado na parede da lanchonete em frente, olhando para os lados e aparentando nervosismo. Mal notara Rin se aproximando.
- Onde está seu carro? – Perguntou Rin, olhando para os lados também. – Aconteceu alguma coisa?
- Além de ele ter virado uma peneira? – Sesshoumaru passou um braço em volta da cintura de Rin e a puxou para mais perto. – Eu arrumei algo menor e com mais estilo agora.
Sesshoumaru apontou com a cabeça para uma moto preta que estava estacionada não muito longe deles. Ela era maior que as motos normais que Rin vira com alguns alunos da faculdade, e aparentava ter sido bem mais cara também. Se havia alguma coisa que aquela moto não era, era discreta. Parecia ter sido feita especialmente para Sesshoumaru.
- Customizada? – Rin estava ainda um pouco desacreditada. Como poderia Sesshoumaru gostar daquele tipo de coisa? Era perigoso!
- Obviamente. Como falei, com estilo. – Sesshoumaru balançou as chaves para a menina. – E agora você vai aceitar dar uma volta comigo?
- Eu acabei de receber alta de um hospital, fiquei uma semana desacordada depois de levar um tiro, e você quer me levar pra andar... Nisso.
- Não fale assim, vai ferir os sentimentos da Arthemis! – Sesshoumaru foi até a moto e ajeitou um dos espelhos – Ela não quis dizer isso, neném.
- E agora tem até nome. – Rin revirou os olhos. Como um homem podia mudar tanto perto de uma moto? – Tudo bem, mas você não pode ir muito rápido! – pegou um dos capacetes de cima da moto e estremeceu ao ver o sorriso irônico nos lábios de Sesshoumaru.
- Não ir rápido? Claro, senhorita.
Rin nunca temera tanto por sua vida quanto naquele momento. Nem mesmo quando sentiu a dor da perfuração no peito e vira suas roupas se encharcarem de vermelho, a duas semanas atrás. Agarrava freneticamente a cintura de Sesshoumaru a cada acelerada, a cada curva, e a cada freada também. Ela não saberia dizer exatamente quanto tempo levaram em cima daquela moto, já que para ela parecia ter sido uma eternidade. Pulou para fora e respirou aliviada arrancando o capacete quando ouviu a voz de Sesshoumaru a mandando abrir os olhos e anunciando que chegaram. Estavam em um píer, provavelmente o próximo do local onde jantaram juntos.
- Você gosta desse lugar. – Não fora uma pergunta, parecia que Sesshoumaru a levava para lá sempre que possível.
- Aqui é seguro. Relativamente seguro, pelo menos. – Desceu da moto e tirou o próprio capacete. – Na verdade qualquer lugar que você vá comigo por agora não é seguro.
- O que quer dizer?
- Aqueles tiros na escola, eu era o alvo. – Caminhou até a ponta do píer e se debruçou preguiçosamente sobre uma pequena pilastra de madeira que batia na altura de sua cintura. – Já aconteceu antes. Não tão descaradamente, mas aconteceu.
- O que? Estão tentando te matar? – Rin sufocou o desespero crescente. Como ele podia falar aquilo tão calmamente?
- Sim. Ainda não sei quem, mas planejo descobrir. – Sesshoumaru se virou para a jovem que estava parada a uns 3 metros dele, a cor parecia ter deixado seu rosto. – Rin? Está passando mal? – Estendeu a mão para que ela se aproximasse. – Devo lhe levar ao hospital?
- Está brincando comigo? – Rin deu uns passos e estendeu a mão para pegar a do jovem. – Como você pode estar tão calmo com isso? Querem te matar! – Sentia que ia surtar a qualquer momento. Um pequeno flash de Sesshoumaru morto passou por sua mente e ela engasgou um soluço. Sua mente criativa às vezes era um problema.
- E você parece desnecessariamente transtornada com isso. Rin, eu estou irritado, estou verdadeiramente irritado, mas porque agora envolveram você nisso. Você poderia ter morrido, e eu seria o culpado. Diabos, até Inuyasha poderia ter morrido.
- E você devia estar se preocupando com você! – Rin sentiu as lágrimas começarem a se acumular nos olhos. A essa altura o assunto anterior estava sendo esquecido. – Você não pode morrer, droga.
- E porque diabos você acha que alguém seria capaz de me matar? Eu, o grande Sesshoumaru. – Puxou a menina para um abraço ao perceber que esta estava com cara de choro. Normalmente lágrimas não o abalavam, mas não imaginava como reagiria às lágrimas dela. – Pare de fazer piadas, pirralha. É com você e com aquele idiota que eu tenho que me preocupar por hora.
- Mas se tem gente atrás de você, porque esse lugar é seguro? – Rin perguntou se afastando um pouco do abraço possessivo e olhando em volta. Parecia um píer normal para ela.
- Ora, volte aqui. – A puxou novamente. Não era como se quisesse deixar de sentir o calor do corpo dela tão rápido. – Estamos em uma cidade vizinha, como você deve saber. Um amigo do meu pai controla as coisas por aqui, ele é confiável e tem muitos contatos. Não acredito que vão me atacar deliberadamente no território dele.
- Então... É verdade? Toda aquela coisa de máfia...
- Não vou esconder que levo uma vida perigosa e glamurosa. – Deu de ombros, como se aquilo não fosse importante. – Pra mim não é algo que deva lhe preocupar ou incomodar.
- O que? – Rin se afastou rápido o suficiente para que não fosse puxada de volta no mesmo instante. – Está me dizendo que ser um bandido não deve ser levado em consideração?
- Não sou um bandido, não me chame disso. – Sesshoumaru fechou a cara, sua expressão leve e calma fora substituída por uma severa. – Eu só tenho um controle maior sobre algumas questões do que vocês, pessoas comuns.
- Belo jeito de dizer que você manda em uma parte do país. – Rin apontou o dedo na direção do peito dele. – Eu vivi minha vida presa dentro de casa por sua culpa, e você sabe disso.
- Na verdade isso é coisa do meu pai, os tempos dele eram bem violentos. – Passou uma das mãos pelos longos fios prateados, os jogando para trás. Estava ficando nervoso. – Tanta coisa pra se preocupar, e você liga para isso? Você sabe, eu posso te dar uma vida extremamente confortável.
- E eu pareço uma garotinha fútil para você? Não serei subornada, Sr. Grande Sesshoumaru – O nome foi pronunciado na melhor forma irônica que ela podia. Ela tinha um irritante senso de justiça na opinião de Sesshoumaru. – Eu não quero ser coberta de mimos e luxos, eu quero poder ter a certeza de que meu namorado não vai ser morto ou preso a qualquer minuto!
- Eu não sou seu namorado de verdade, você sabe.
- Ora, detalhes! – O tom vermelho tomou conta de seu rosto. – Estávamos, ou estamos, bem perto disso de qualquer forma. – Se deu uns segundos para respirar e retornar seu tom de voz para o normal. - E eu não quero saber que você matou alguém.
- Só por legitima defesa. – Mentiu. – De qualquer forma, não é como se eu não quisesse carregar o título de namorado. – Puxou novamente a menina para seus braços, dessa vez colando seus lábios em um rápido beijo.
- Sutil. – Rin revirou os olhos. – Precisava me arrastar para longe para me pedir em namoro?
- É, acho que sim. Sua faculdade não é o cenário romântico ideal que eu espero, e de qualquer forma eu não vou mais poder andar por lá. Sabe como é, ameaça de morte, colocando a sua vida em risco, e essas coisas realmente chatas.
- Porque você faz isso soar tão cotidiano? – Rin envolveu os braços em volta do pescoço dele. Era incrível como uns segundos olhando naqueles olhos a fazia esquecer uma boa parte dos problemas, inclusive ele ser bem longe do homem ideal que ela imaginava. – É como se todo dia apontassem uma arma pro seu rosto.
- É porque eu rio na cara do perigo. – Deu um sorriso de lado e mordeu de leve o lábio inferior dela. – Eu só temo que tenha que me mudar, meu apartamento não é nada seguro no momento. Você tinha que escolher uma faculdade tão longe e em uma das poucas cidades que não tem controle da minha família, não é?
- E justo eu facilitaria as coisas para você? Obvio que não. – Riu e acomodou a testa na curva do pescoço dele. – Não sei se estou confortável com isso ainda. Vai contra tudo que eu acredito, basicamente.
- Vamos só dizer então que você está vivendo no conto da Bela e a Fera.
- Isso torna a situação mais bonita. – Concordou e teve seus lábios capturados em um suave beijo. – Só espero que o final seja o mesmo também.
- Você quer que eu morra? Isso é horrível, você sabe. – Com uma mão ainda mantendo o corpo de Rin colado ao seu pela cintura, segurou uma mecha de cabelo da jovem e ficou passando entre os dedos. Era um carinho bem suave, vindo de quem era, pensou Rin.
- No final ele não morre, ele volta a ser o príncipe bonzinho, eles se casam e vivem felizes para sempre no castelo.
- Eu não tenho um castelo e não faço ideia de onde posso arrumar um, mas se você realmente quiser manter esses planos eu posso mandar construir. Só vai levar um pouco de tempo, se você tiver paciência. Pode ser numa cidade ou devo arrumar um terreno isolado numa floresta da Europa? – A expressão incrédula de Rin fez Sesshoumaru ter vontade de continuar com a piada. – E, bom, eu não sou oficialmente um príncipe, mas posso dar um jeito de lhe nomear princesa do castelo Taisho. Parece bom o suficiente ou precisa de um titulo real?
- É, acho que vai servir. – Rin deu uma risada ao perceber que ele estava brincando com ela. – 5000 convidados para o nosso casamento, ou eu te largo no altar.
- A senhorita está muito exigente, mas como uma boa Fera eu vou acatar. Não se acostume com isso.
- Como não? Me mime, sou uma princesa! – Riu com gosto, como não ria há muito tempo. Aquela risada iluminou os olhos de Sesshoumaru.
- É, é a minha princesa. – Sesshoumaru beijou a testa da jovem que ainda tinha um largo sorriso no rosto. Não conseguia lembrar qual fora a última vez que tivera uma conversa descontraída assim com alguém.
- Ora, pare, vai me deixar com vergonha. – Suas bochechas estavam voltando ao tom avermelhado. – Eu deveria voltar para a faculdade agora, antes que Kagome termine de brigar com Kagura e perceba que eu sumi.
- É só falar que eu te sequestrei e você não teve escolha. – Deu de ombros. Ele realmente não entendia o motivo de Kagome ser tão protetora.
Apesar disso, os dois sabiam que não podiam ficar juntos por muito mais tempo. Quanto mais Rin fosse vista com ele, mais perigo ela correria. Com esse pensamento Sesshoumaru tomou os lábios da jovem em um beijo longo e carinhoso, ele não estava disposto a vê-la fugir entre seus dedos, mas também não a colocaria em risco. Passou alguns longos segundos com o rosto bem próximo do dela, sentindo sua respiração levemente ofegante e acariciando a macia pele de sua nuca.
Ela sabia que havia um acordo silencioso ali, um que eles não deveriam se ver com frequência. Sabia que sentiria saudade, mas também sabia que era para a segurança deles. Sesshoumaru deveria voltar para perto do pai agora e permanecer até descobrirem quem o queria morto. Isso poderia demorar uma quantidade de tempo agoniante, na opinião de Rin. Quando foi que se apaixonara dessa forma por aquele perigoso homem de cabelos prateados nem ela mesma sabia dizer, mas agora não havia mais volta. No fundo do seu coração havia a esperança de que ele largaria tudo aquilo por ela.
- Onde diabos você se meteu? – Foi recebida de volta no quarto por uma Kagome que berrava segurando dois celulares. – E nem levou seu celular! Queria me matar do coração?
- Estava com Sesshoumaru, precisávamos conversar. – Rin deu de ombros e pegou seu celular da mão da amiga.
- Oh, sim. – Kagome pareceu se acalmar subitamente e se sentou na própria cama. – E o que aconteceu?
- Bom, em teoria ele vai mandar construir um castelo grande o suficiente para acomodar os 5000 convidados do nosso casamento em uma floresta da Europa, e eu vou virar princesa. – Kagome não sabia como reagir aquilo, já que foi dito com um tom de seriedade. Resolveu ficar perplexa abrindo e fechando a boca como um peixe, sem saber o que falar. – E na prática posso dizer que estamos namorando. De verdade.
- Você ficou louca? – Kagome cerrou os dentes. – Acabamos de te tirar do hospital e você corre pros braços do homem mais perigoso que pode existir? Olha, tentaram matar ele e acertaram em você! Na próxima vez pode ser que você não dê tanta sorte de sair inteira.
- Mais ou menos inteira. – Rin se sentou em sua cama e deixou o corpo cair pra trás. – Olha, eu sei que é perigoso, e ele também sabe, por isso não vamos nos ver de novo nem tão cedo. Quer dizer, ele disse que ia ficar longe até descobrir quem quer a cabeça dele.
- Quanta consideração! – O tom de voz de Kagome era acidamente sarcástico. – Ele vai embora se esconder, mas tem que monopolizar você de alguma forma.
- Eu não tenho interesse em outras pessoas mesmo. – Rin deu de ombros. – Não é como se fosse mudar alguma coisa na minha vida, sabe? Talvez eu passe um pouco mais de tempo no telefone, mas nada além disso.
- É, mas quando vocês puderem ficar próximos, ainda não vai mudar o fato de que está namorando um bandido. – Kagome se levantou e saiu batendo a porta com força.
Rin agarrou seu travesseiro e o colocou na frente do rosto. Ela sabia daquilo, sabia muito bem, só não imaginava como fugiria daquela realidade até conseguir convencer Sesshoumaru de que o certo era abandonar tudo para levar uma vida normal com ela. Ela sabia que seria uma tarefa difícil, mas estava determinada.
Continua...
Não atrasei dessa vez, viram? u_u
Bom, explicando agora um detalhe por fora, eu comecei a ler Harry Potter a pouco tempo (eu tinha preconceito antes pq achava que era modinha D: ), então não pude evitar incorporar as personalidades das casas nos personagens. ç_ç
Eu coloquei a Kagome claramente com a personalidade de alguém que iria para Grifinória, totalmente voraz e leal aos amigos.
Inuyasha também seria Grifinório, e apesar de ser um pouco rancoroso, não gosta de vinganças. Não puxou quase nada da família do pai.
Sesshoumaru, obviamente, tem traços de Sonserina, por mais que Rin não tenha visto isso totalmente ainda. Acostumado a ter tudo que quer, trabalha sempre por debaixo dos panos, e é bastante vingativo.
Por fim Rin seria... Lufa Lufa. Sim, exatamente. Toda essa inocência, companheirismo, simpatia, coração bondoso, e sempre acredita que as pessoas merecem uma segunda chance. Ela é a menina bobinha que acredita no melhor lado das pessoas. E, claro, por causa disso Kagome vira uma mamãe leoa perto dela.
Eu estou pensando em escrever alguma fic de Harry Potter quando terminar essa, mas ainda não é certeza. Preciso terminar todos os livros antes, e não me sobra muito tempo para leituras recreativas atualmente. ): Sei que pode parecer meio viagem, mas eu adorei ligar as personalidades deles às casas. E não me matem por não ter ninguém da Corvinal, ok? Só que não tem muito espaço para nerds na minha historia, pq as coisas estão indo tão enroladas que eu não sei como vou conseguir encaixar mais alguém aí. Até mesmo Kohaku e Kagura que eu queria que tivessem uma participação maior estão totalmente apagados. Vou acabar enrolando um pouco mais, mas vocês vão ter que me perdoar, eu PRECISO dar um pouco de destaque pra minha diva de olhos vermelhos.
Ah, logo teremos um salto no tempo, provavelmente no próximo capítulo mesmo.
Agora, respondendo aos reviews. (Me senti abandonada pela Sophie, se eu atrasar o próximo capítulo a culpa é dela, falo mesmo. ): )
barbara rettoree
"TO NO CHÃO CHENTEM ! SEM-OR ! Vc quer me matar do corassaum querida ? Como voce faz isso com a Rin-chan , e ainda por cima tenta matar meu Sesshy D: . Boa sorte com seu novo livro , espero poder ler ele tambem , e que ele seja um secesso . Amo essa fic ja disse isso né ? Mas é sempre bom repetir *-* espero que o proximo capitulo saia bem rapiidinho pq eu ja to comendo os cotocos dos dedos de curiosidade , preciiiisooo saber o que vai acontecer . Então please ! Não demora . Bjs bjs"
Eu admito que esse capítulo não teve tanta emoção quanto o anterior, mas as coisas vão ficar mais agitadas mais pra frente.
Obvio que eu não ia matar a Rin nem o Sesshy, né gentem? Esse tipo de coisa a gente deixa pro último capítulo. AHSIOAHSAOSAo (Não é spoiler, é uma leve ameaça, pq sim)
Não coma os cotocos dos dedos, mulher! Aqui está o capítulo 7! xD
Teh Chan O.o
"Nãããão!
Pqp! O.o Sem or!
Na melhor partee!
Pelo menos os dois fizeram parte das pazes!
A Rin foi atingida!.? Eh isso mesmo produção!
Não demora pela mor.
Ahhh te devo desculpas por não ter comentado capítulo passado... Ando na correria ultimamente!
Vai escrever sobre mitologia? Que tipo? Amoo mitologia! Vou querer saber o título!
flor, obrigada mesmo por atualizar viu!
Bjs"
Sabe como é, eu gosto de uma boa dose de sangue nas minhas fanfics. xD
No meu livro (que ainda está sem título, pq eu sou uma bosta pra escolher títulos) vai ter um pouco de mitologia egípcia e grega. Basicamente a história vai rodar em volta de uma ave Fênix. *-* (às vezes eu me surpreendo com a minha criatividade). Se eu pudesse contaria mais, mas não posso sair por ai jogando meu projeto aos 4 ventos sem antes patentear. xD
Ah, e o casal principal vai ser homossexual. Dois homens. Yaoi do amor pra fazer as fangirls sangrarem pelo nariz, pq sim! AHOSIHAIOSHIAOSA
Desculpas aceitas, me sinto amada de novo. xD
Espero que goste desse novo capítulo. \o/
