Disclaimer: Naruto não me pertence.

Capitulo 8

A menina que tinha a morte como companhia

''Esquecer é uma necessidade. A vida é uma lousa, em que o destino, para escrever um novo caso, precisa de apagar o caso escrito''

- Machado de Assis

Já teve a sensação que alguém está te perseguindo? Já sentiu tanto medo de olhar para trás que o pânico mais puro e bruto te dominou? Você provavelmente não olhou para a origem dos seus medos nesse dia. Mas ela olhou quando se sentiu assim, e esse foi seu pior erro.

Talvez se ela não parasse para olhar, sua vida seria melhor agora.

Talvez.

Se não tivesse pego o olhar de ódio lançado a si pela sua mãe, durante o ultimo segundo de vida daquela mulher as coisas seriam diferentes. Aquele olhar acusador de uma Satsu à beira da morte. Olhar que a culpava de tudo que dera errado até tal ponto. Olhar que dizia que se ela não tivesse demorado a acordar, talvez elas escapariam dos assaltantes. Olhar que dizia que se ela não tivesse nascido tudo seria melhor. Era isso que os olhos da mais velha gritavam enquanto tinha seu peito perfurado.

Dizem que se você para e olha demais para o passado, acaba se prendendo nele e se torna cego para o futuro. Naquele dia ela tentou seu máximo olhar para frente. Naquele dia ela tinha tomado sua irmã nos braços e corrido com toda sua força. Ela tinha tentado olhar para frente, mas ela se cegara ao parar para ver sua mãe sendo pintada de carmim. Pouco tempo depois ela percebeu como fora tola ao pensar que conseguiria salvar Hanabi.

Agora, enquanto corria, a sensação de estar sendo perseguida e de carregar a vida de alguém em suas mãos voltara. A adrenalina alta em seu sangue a deixava ciente do mão grande e firme de seu pai na sua e a fazia recordar sua primeira corrida pela vida. A voz de Satsu ecoava em sua mente freneticamente.

''Pegue Hanabi e corra!''

''Pegue Hanabi e corra!''

- Pegue... e corra! - alguém gritava.

- Pegue Hinata e corra! - o amigo de seu pi gritou e ela entendeu.

Era como um Déjà vu.

Havia um carro. Havia um assalto a mão armada feito por uma quadrilha de assaltantes. Havia uma clareira. Haviam três vítimas. Só havia um detalhe que destoava e era justamente este que rondava a mente da Hyuuga mais nova. Se na primeira vez era inverno, agora era verão, isso significava que a situação se inverteria? Seria a vez da pessoa com a idade intermediária morrer só e deixar os outros? Quando o som oco de um tiro passou arranhando pelo seu ouvido e ela viu os respingos de sangue ela viu que o provável era a inversão das mortes. Hinata assistiu em puro terror o corpo de Hiashi cair no chão de terra orvalhada. Satsu ajoelhada ao lado dele observando-o com aqueles olhos sem alma a enojara. Ela recuou, mas não desviou o olhar. Foi a hora que ela reparou o olhar que seu pai lhe direcionava.

Era amor. Do mais puro e primitivo amor fraternal.

- Hi- nata... Corra! - ele murmurou.

A voz rasgada dele cortou-lhe a alma. A imagem de Satsu ao lado de Hiashi lhe enviou raiva. Por que ela sempre sobrevivia? A pequena, frágil e doente Hyuuga sempre sobrevivia enquanto assistia todos que amava morrem um a um. O corpo dela explodiu em realização quando se lembrou que ela vivia para mais alguém. Neji. Ela ainda o tinha e ele a tinha. Ao contrario de antes ela sabia que agora tinha alguém esperando por ela em casa, antes ela não sabia do amor de seu pai e por isso se deixou cair na neve. Ao olhar o rosto pálido de seu pai ela soube que se ela tinha pra quem voltar, ela iria voltar. Ela não olharia para trás novamente.

Então ela correu e se recusou a olhar para a clareira que tinha deixado.

Sim, os pés dela queimavam de dor enquanto ela corria. Sim as pernas dela latejavam e fraquejavam. Sim, ela sentia tanta dor que seus olhos pesavam em direção a inconsciência. Não, ela não ouviu os tiros que foram disparados na sua direção ou os gritos dirigidos a ela, ouvia apenas o som do próprio sangue correndo perto do ouvido e o som dos seus próprios pés quebrando galhos. Não, ela já não tinha fôlego. Não, ela não pensava em parar e descansar. Não, ela não estava mais sendo perseguida. E não, ela não viu Satsu com ela durante toda sua corrida em direção a um certo condomínio que ela conhecia muito bem.

Seus joelhos cederam ao ver o porteiro. O homem na casa dos 30 anos correu na sua direção enquanto gritava varias coisas e a segurou. Ela ouviu um monte de vozes surgirem pouco a pouco e se viu respondendo automaticamente. Tudo se tornou escuro e ela ja não sabia se estava com os olhos abertos ou fechados. Ela não sabia o que eles diziam e não sabia o que estava respondendo. No meio da gritaria uma vz se destacou e vinha em um timbre calmo e suave perto de um de seus ouvidos, ela não sabia dizer qual dos, mas sabia quem era o dono da voz.

- Neji... - ela se ouviu dizer com a voz seca e engasgou.

- Nós vamos salvar Hiashi-sama e o amigo dele, mas principalmente Hinata, saiba que você está segura e está em casa.

Seu coração desacelerou e ela tomou fôlego de uma vez. Um sorriso tomou conta dos seus lábios quando sentiu a mão dele envolver a sua. Ela conseguiu. Ela voltou para ele. Para o garoto arrogante e bipolar que morava na sua casa e que a amava.


Esse é DEFINITIVAMENTE o capítulo que mais amei escrever. A hina voltando pro Nii-san T.T Ai Dios mio.

Capítulo cuuurto.

Enfim, eu sei que o próximo capítulo é - pra mim - o mais fofinho, mas sei lá, tem algo nesse que me deixa mais eufórica. Acho que é o fato de que e gosto de matar personagens.

HimeBuck, eu quase chorei de felicidade com suas reviews. Você captou a essência do amor deles - sem toda carga sexual geralmente atribuída aos personagens - que eu quis passar e não sabia se ia funcionar. E quanto a imaginar o pior cenário que seria o Neji morrendo e ela também, eu penso muito nisso e vou mexer meus pauzinhos. Mas conforme você vai ver no próximo capítulo, Neji não é tão santo assim e os traumas alteram as pessoas profundamente, ou seja, ja pensou que eu posso fugir da linha de formas de matar meus personagens, que são geralmente acasos do destino, e que, talvez, e só talvez, a forma deles se amarem seja um pouco mais doentia do que a demonstrada até agora? Hehehehe reflita um pouco sobre isso. Mas a arte não tem fronteiras, se ela é ilimitada imagine a criatividade, então as opções são inúmeras e o futuro deles é um jogo de sorte. O que me lembra um pouco a Ópera O Fortuna. *-* Obrigada pelas múltiplas reviews, continue comentando sempre e me faça feliz :D

Desculpem demorar a postar de novo, mas, bem, como alguns sabem, meus muitos médicos faltam me matar se eu passar muito tempo o computador e acabar tendo que dar uma voltinha no P.S. do hospital, hehehe.

Até a próxima e eu estou aberta a reviews de todos os tipos.

Tenham uma boa semana!