Yooo!!! o/

Só queria agradecer às pessoas que deixaram reviews e sugestões ((ou simplesmente àquelas que estão lendo xD)) Agora, voltarei a minha triste realidade, estudar física T-T. Então com vocês, o capítulo oito!!!

- duh - fala normal

- duh - pensamentos

- duh - flashback

- duh - música

((duh)) - comentários inúteis


Jiyuu e no Shoutai

Capítulo 8

Já completava uma semana do show do "The Stealers", e Edward ainda mal falava com o caçula. Enquanto isso, uma nova manhã nascia em Rizembool, mas uma figura feminina não se encontrava dormida. Winry estava sentada em frente à janela, um cotovelo mantinha-se apoiado na borda dessa e seu queixo repousava em uma mão. Tinha os olhos fixos no horizonte, via como o Sol começava a aparecer além das colinas, iluminando a pequena camada de orvalho que cobria a grama rala. Não havia vento, tudo indicava que aquele seria mais um dia de onda de calor. Sentia-se só, seus melhores amigos haviam ido embora e seu noivo demoraria mais alguns dias para retornar a cidade, apesar de Nelly ser uma boa companhia, não se sentia à vontade suficientemente para contar seus medos e problemas, a avó continuava com a mesma postura fria, desde a partida de Edward, intensificando sua solidão. Soltou um largo suspiro, parecia ser a criatura mais infeliz do mundo. Ouviu passos no corredor que baixavam as escadas, vovó Pinako já tinha acordado e agora prepararia o café. A loira trocou-se e também desceu, desejou um bom dia a anciã, que enchia uma chaleira com água, mas em troca recebeu um simples "bom", aumentando a dor no seu peito.

- Tem um pacote pra você, na sala. Como chegou ontem a noite não quis incomodá-la. – disse a velha.

- Obrigada. – respondeu um pouco mais feliz. Na sala encontrou uma grande caixa, contendo um bilhete, reconhecia aquela letra, pertencia à senhora Kaede, o leu. "Querida Winry! Não quis lhe entregar isto antes para não estragar a surpresa, seu vestido já estava pronto há meses, mas sempre desfrutei de sua amigável companhia, é a filha que nunca tive. Espero que esteja do seu agrado, com amor e desejando-lhe sorte: Kaede".Algumas lágrimas formaram-se nos olhos da loira. Sentia-se patética, até poucos meses considerava Kaede uma velha rabugenta e insistente, mas após sua morte começou a dar-lhe maior consideração. Retirou a tampa, e o viu, em meio àqueles papeis, seu vestido de noiva. Um sorriso formou-se, juntando-se às lágrimas, uma mescla de sentimentos a invadia. Da entrada da cozinha a avó a observava sem expressão alguma em sua face.

- Os ensaios para o casamento deverão começar logo, suponho. – disse ela, tirando Winry de seu estado emotivo.

- Só estou esperando Seta voltar. – respondeu virando-se com um enorme sorriso molhado.

- Como quiser. – falou indiferente.

- Pelo que eu sei a senhora ainda não comprou a roupa, até quando vai esperar? –

- Não tenho pressa alguma perante isso, mas não se preocupe, não irei envergonhá-la na frente de seus convidados. –

- Eu não disse isso... –

- Tome logo seu café há muito trabalho e não tolero atrasos. –

A loira bufou, tamanha a arrogância da avó, pos o vestido de volta na caixa, fechando-a para levar até seu quarto, sabia que quando se tratava de trabalho Pinako era uma fera, desjejuou o mais rápido que pode para iniciar a construção de automails.

No meio da tarde o telefone tocou, a loira se prestou a atender, mas a anciã o fez antes.

- Automails Rockbell, Pinako na linha. –

- Ohayo Pinako-obaa-chan! –

- Alphonse? É você? –

- Sim, como vão as coisas por aí? – perguntou docemente.

- Estamos como sempre, apenas em função de trabalho, apenas Winry começa a se preocupar com sua festa de casamento. –

- É mesmo! É em dois meses, estou correto? –

- Pois bem, infelizmente, sim. Já comprou um terno? –

- Eu havia esquecido completamente do casamento de Winry nem o nii-san comenta sobre isso, acredito que ainda se sinta mal pelo ocorrido com Seta... –

- Quando vocês vêm? -

Neste exato momento Edward entrou pela porta da frente, encarando o mais novo ao telefone.

- Errr...só um minuto vovó Pinako. – cobriu o fone com uma das mãos, para falar com o loiro que mantinha o olhar fixo sobre ele. – Quer falar com a vovó, nii-san? –

- Alphonse está aí? –

- Nii-san...? –

O maior bufou, tomando o telefone das mãos do caçula, lançou-lhe um olhar cortante que fez o menor estremecer.

- Fala aí velha Pinako, o que você quer? –

- É você chibi? O que fez com seu irmão? –

- Grrrr... – cerrando os punhos, pelo comentário feito a respeito de sua altura. – Ele me passou o telefone. – grunhiu.

- Tudo isso era vontade de falar comigo? – perguntou irônica, enfurecendo mais o ambarino.

- Fala logo o que quer! –

- Calma aí, pequeno polegar...Quando voltam para cá? –

-...-

- Nanico? -

-...-

- Chibi? –

-...-

- Edward? Tem alguém aí? –

- Eu não vou voltar... – respondeu.

- Está tudo bem aí? Demorou pra responder... –

- Apenas Al irá ao casamento da sua neta, creio que não sou bem vindo. –

- Até quando irão continuar com essa birra, parecem duas crianças que não sabem o que querem, não sei quem é o pior, você ou Winry, ambos cabeças duras. –

- Eu não sou cabeça dura! – exclamou exaltado, assustando mais o irmão que se via curioso em saber o que os dois conversavam.

- Faça o que quiser, mas sabe que aqui você é sim, bem vindo, pelo menos por mim. –

- Obrigada pelo consolo, velha, mas, já estou decidido, seria total falta de cordialidade de minha parte aparecer em uma festa onde os anfitriões me odeiam. – riu de maneira irônica.

- Já não tenho mais nada a dizer... Al ainda está aí? –

- É... creio que está ansioso para lhe falar. Até mais, hamster de óculos. –

- Cuide-se chibi. –

- Toma, ela quer falar com você. – Edward entregou o fone ao caçula e dirigiu-se ao quarto, ainda era cedo e tinha que voltar a compor novas canções.

Alphonse o mirou perplexo, um estranho sorriso se formava na face de Edward, e isso que ele não tinha motivo algum para sorrir, voltou a si quando ouviu que a anciã lhe chamava do outro lado da linha.

- Errr...desculpe vovó...o meu irmão está agindo de maneira estranha ultimamente... –

- Ele tem se envolvido em confusão? – perguntou de maneira pícara.

-... – Al emudeceu diante da pergunta feita.

- Sim? – retornou a perguntar.

- Bem... – engoliu seco. -... ele nos esconde algumas coisas... –

- Então ele está normal, não vejo diferença alguma. – falou tranqüila.

- Hã? –

- Alphonse, todos nós sabemos como Edward é, desde a época em que seus pais ainda eram vivos, a maneira como ele escondia o que fazia, o pouco afeto que demonstrava perante os outros, se ele faz isso é para apenas proteger aqueles que ama, não com o que se preocupar. –

- Vo...vó? –

- Trate de apoiá-lo seja lá com o que, tenha plena confiança no que o seu irmão faz, trate de ser um bom irmão caçula, sim? –

O castanho sentia como se estivessem o tratando como um garotinho de cinco, sete anos, que não entendia o significado da palavra confiança. Isso o fez irritar-se um pouco.

- Eu sei disso. – respondeu seco.

- Sabe mesmo? – retrucou com ferocidade.

-... – o rapaz refletiu por uns instantes, retornando a cena de quando acusou o primogênito de assassino, comparando-o com um animal selvagem. -...tenho que ir. – respondeu.

- Cuidem-se. E...Al...pense no que eu disse. –

- Já disse que sei! – voltou a se irritar. – Até logo e mande um abraço a Winry. – finalizou disposto a acabar com a conversa.

- Não pergunta da Nelly? –

- Falei com ela antes de ligar para vocês...passar bem. –

- Ok...- não teve tempo de falar mais nada, pois o menor havia depositado o fone no gancho. – Ainda é uma criança... – disse para si mesma, não percebendo que uma feliz Winry se aproximava.

- Quem era? –

- Alphonse, queria saber quando é seu casamento. – respondeu a velha sem encarar a neta.

- Então eles vêm... – disse um tanto alegre e aborrecida ao mesmo tempo.

- Apenas Al, Edward não se sente bem vindo e com cara para este tipo de ocasião. – respondeu a anciã, jogando um balde de água fria na loira.

Para ela isto realmente tinha sido um choque, por mais irritada que estivesse com o ambarino, ele ainda era seu padrinho, mas ao que parecia ele havia esquecido completamente deste detalhe destroçando seu interior. Algo dizia que desejava vê-lo, uma força muito maior que a sua razão.

- É...é..acho... é melhor assim. – respondeu, recompondo o orgulho ferido. – Preciso sair mais tarde, o almoço está pronto? –

- Não tive tempo ainda, se quiser pode esperar uma meia hora... –

- NÃO! – exaltou-se. – Não...eu como alguma coisa na rua... – sorriu tímida.

- Faça como quiser. – disse Pinako.

Winry saiu cabisbaixa, a notícia de que o mais velho dos irmãos Elric não viria ao seu casamento, a surpreendeu de tal maneira, que mal conseguia conciliar as idéias. Caminhou alguns metros, quando seu corpo se chocou contra um individuo que vinha na direção contrária.

- Etto...me desculpe. – falou a loira ao perceber que a pessoa tinha deixado alguns papéis caírem no solo.

- Sem problemas, ando muito rápido e mal percebo por quem passo. – falou o rapaz que juntava seus pertences.

- Tomoyo? –

- É meu nome. – respondeu ele, ainda sem levantar a cabeça para perceber com quem falava.

- Não, não. – corrigiu-o. – Tomoyo! Você é a minha salvação! – exclamou alegre, atirando-se nos braços do rapaz.

- Como é q...Winry-chan? – ruborizado pelo ato da loira. -... –

- Quero que seja meu padrinho! E não aceito uma resposta negativa. – disse enquanto separava-se dele.

- Bom...é..que eu.. –

- Ótimo! Eu sabia que aceitaria. –

-...- gota.

- Não se esqueça, daqui dois meses, terno, ensaio e tudo mais que manda o figurino. – falava com tamanha emoção e felicidade que chegava a assustar o pobre.

- Win... – tentou retrucar.

- Até logo! Hahahahhahahahahha. – sumindo com uma velocidade impressionante.

-... Eu nem sabia que você ia casar... T.T –

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Alguns dias haviam se passado depois do ocorrido, mas as coisas na Central ainda não haviam se acalmado, o caso do General Tasukihiro continuava em aberto, porém seus andamentos não andavam muito bem das pernas. Edward ia e voltava do Quartel Central, eram inúmeras as horas que passava naquele lugar, de interrogatórios a interrogatórios. Por outro lado o Coronel Mustang se afastava mais e mais, ainda era um forte suspeito do assassinato de seu antigo superior, e se negava a dar qualquer tipo de informação a respeito do que fazia na noite do crime, mantinha a versão de havia doado seu casaco a um morador de rua, enquanto a luva tinha se rasgado durante uma inspeção no horário de trabalho, tais versões, transformavam seu casamento em um verdadeiro inferno, Riza mal lhe dirigia a palavra, cada vez mais desconfiava do caráter de seu esposo.

Alguns boatos surgiram de que o General tinha muitos inimigos dentro de seu próprio império, o braço direito de suas negociações, King Bradley era agora apontado como mais um na lista de suspeitos. Testemunhas afirmaram que o senhor Tasukihiro e seu sócio Bradley discutiram dias antes de seu assassinato, palavras como: dinheiro, morte, traidor, tinham sido ouvidas claramente pelas pessoas que testemunharam. King Bradley era um homem respeitado, antigo colega e amigo de Tasukihiro desde os tempos de Escola Militar, seguiu os passos de seus antepassados, trabalhando em grandes construções, com o passar dos anos uma de suas empresas foi a falência, foi nesta mesma época que o General lhe propôs sociedade, que foi imediatamente aceita por Bradley. Um tempo depois Tasukihiro transformou o amigo em um dos conselheiros da empresa, ganhando cargo de vice-presidente de finanças, a corporação Tasukihiro cresceu, ganhou mercado, tornando-se líder absoluta no país.

Porém, nas últimas semanas, a relação dos sócios não ia nada bem, segundo os fatos, testemunhas relataram que o senhor Akashi havia transformado Bradley em um mero empregado, o deixando de fora de reuniões importantes, agora ele servia cafezinho para as visitas e agendava encontros com novos compradores, enfurecendo o sócio, daí a razão da discussão entre os dois. A par dos fatos o exército pôs se a trabalhar, havia boatos de que a notícia de ser o possível assassino chegara cedo aos ouvidos do senhor Bradley, tudo indicava que pretendia deixar a cidade juntamente com a família o mais rápido possível. Na manhã do dia seguinte, soldados montaram um cordão isolante em frente a propriedade dos Bradley, a estratégia era, manter-se escondidos, até que a família saísse. Durante uma hora, movimento algum se via presente na moradia, ordens superiores fizeram com que os subordinados arrombassem a porta, encontrando a casa vazia, as autoridades foram imediatamente avisadas, estações tiveram sua vigilância redobrada, assim como portos e fronteiras, por mais longe que o suspeito estivesse não poderia fugir.

- Coronel Archer! As tropas já foram movidas, em pouco tempo King Bradley estará preso. – informou o soldado.

- Assim espero. – respondeu o homem com um semblante sério e ao mesmo tempo sarcástico. – O que está esperando? Uma promoção? –

- E-q-nã-sen.. – gaguejou.

- Saia logo daqui! – ordenou furioso, sendo obedecido milésimos depois. – Logo, logo isso estará resolvido e eu me tornarei herói, quanto a você, Mustang, terá seu nome sujo na lama. – pensou malignamente enquanto um sorriso se formava no seu rosto.

Mustang permanecia em casa, trancado no seu escritório, não possuía nenhuma vontade de sair da "toca", ali, trancafiado entre seus relatórios e livros sentia-se seguro, mesmo com os grandes problemas que o cercavam, ali ninguém poderia tomar sua paz. Via como as crianças brincavam em frente a residência, corriam felizes, o fazia lembrar de sua infância, quando os pais se orgulhavam cegamente pelo filho que tinham, como Riza se orgulhava dele, pelo menos a poucos dias isso ainda ele achava, seu casamento estava em ruínas, justo agora que pretendiam ter filhos, seus filhos, a quem eles um dia se orgulhariam do pai, e o teriam como herói, filhos que um dia ele viria a se orgulhar de seus feitos, por menores que fossem. Aos poucos tudo o que tinha construído despencava de um dia para o outro e tudo justamente...Uma campanhia irritante atrapalhou seus pensamentos, o telefone na mesa tocava impaciente, uma, duas, três vezes, Roy apenas girou os olhos para este, não queria ser incomodado, não agora. Mas o aparelho permanecia irritante, por certo quem estava do outro lado da linha deveria ter algo de grande importância para contar, deu-se por vencido retirando o fone do gancho.

- Mustang falando, quem é? – perguntou impaciente.

- Co-Coronel? É você? – a voz do outro lado soava muito baixa.

- Quem fala? –

- Sou eu senhor, Havoc. –

- Tenente? Por quê está falando assim? O que quer? –

- É sobre o caso Tasukihiro... Um novo nome foi encaixado na lista de suspeitos... Achei que gostaria de saber. – disse ele, ainda no mesmo tom.

- Nome? Que nome? Seja breve, Tenente! –

- King Bradley. – disse.

O homem do outro lado não emitiu som algum, apenas estreitou os olhos.

- Obrigada. Tenha uma boa noite. – desligou sem esperar a última frase que este tinha.

Levantou-se imediatamente, tomou o quepe e o casaco, dirigiu-se a janela onde viu os guardas que escoltavam o lugar, deixou o aposento onde do seu quarto saiu pela janela que dava diretamente para o telhado, podia observar muito bem os dois embaixo parados, conversando, era sua oportunidade. Com cautela chegou até uma das laterais, onde mirou o chão, o lugar era relativamente alto, os canos eram a única alternativa, na tentativa de fuga acabara resvalando e sem ação posterior, caiu de costas na grama úmida, grunhiu ao contato com o solo, mas para sua sorte os dois brutamontes não tinham a audição aguçada. Sabia muito bem onde tinha que ir.

Era óbvio que Bradley não ficaria em casa, por isso dirigiu-se ao lugar que ele julgava ser para o suspeito o local mais seguro, as antigas instalações da empresa da família, não muito afastadas do Centro.

Al andava cabisbaixo durante horas, desde o telefonema de Pinako sentia sua cabeça pesada, aquelas palavras ditas pela anciã permaneciam fixas não o deixando pensar em alguma outra coisa. Quando deu por si já estava muito longe de casa, parou para verificar as horas, retirou o relógio de seu bolso, mas este não movia os ponteiros, nervoso, começou a sacudi-lo impacientemente, acabando por fazê-lo parar muito longe de seu alcance, uma antiga instalação comercial. O local encontrava-se abandonado e muito pouca iluminada era a rua, o portão não possuía sinais de arrombamento, porém estava muito mal trancado, entrou sem problemas, caminhando com cuidado, qualquer descuido e pisaria no artefato, por sorte o encontrou rapidamente próximo a uma das saídas, pôde ouvir claramente algumas vozes, tratou de recuar, mas a curiosidade o venceu. Andou alguns metros em direção ao estacionamento fechado, ali duas figuras conversavam, conseguia observar apenas suas sombras, aproximar-se mais poderia delatá-lo.

Enquanto isso, em casa, Noa chamava por Edward, que há horas não saía do quarto.

- Ed! Vamos jantar, já está pronto. – o quarto se via muito silencioso, algo incomum para o maior dos Elric. – Ed? Está tudo bem? – novamente não obteve resposta. – Eu vou entrar! – ameaçou e recebeu o sinal de positivo ao perceber que o loiro não lhe respondia. – O que vo... Ed? – o quarto estava vazio, enquanto a janela permanecia aberta, na mesa no canto pode ler claramente os recortes de jornal. – Na-não é possível... – disse espantada.

De volta ao prédio abandonado...

-...Eles estão atrás de mim, e a culpa é sua, foi você quem entregou meu nome, não foi? Diga! – disse o primeiro.

- Mentiu pra mim Bradley, disse que ia fazer o que lhe pedi, mas em vez disso...ha...seu grande imbecil. –

- Escute aqui, eu nunca concordei com isso, você me obrigou, tudo por uma besta vingança... –

- Está tentando me ameaçar? – impôs o segundo, andando até o outro.

- Foi você? –

- Ninguém conhece minha verdadeira face, todos crêem que sou um anjo, eu não sou assim e você sabe não sabe? É muito pouco que nos conhecemos, mas creio que não seria tolo de fazer qualquer besteira, ou...seria? –

- Está louco... – falou enquanto recuava.

Essa voz...o castanho conhecia muito bem essa voz. – Não pode ser... - seu olhar demonstrava grande perplexidade, não esperou para ouvir o resto, tratou de correr ao primeiro telefone e avisar o exército de onde estava o suspeito, esta história se esclareceria muito rápido. Ficou ali por mais alguns minutos, pode observar bem, como o "visitante" se ia, enquanto Bradley corria para tentar alcançá-lo em vão, não tardou e os soldados o cercaram com seus carros, sua reação foi imediata, ajoelhou-se e pediu por clemência, parecia muito alterado, Alphonse viu como o levaram, já não havia mais nada para fazer aí, tratou de voltar para casa a passos rápidos aquela noite, não dormiria em paz consigo mesmo.

- Senhor! Senhor! Prendemos King Bradley! – anunciou o soldado que entrava arfante no escritório de Archer.

- Ótimo! Levem-me até ele. –

Archer sabia que se Bradley ficasse preso dentro do Quartel seria um alvo chamativo demais para a concretização de seus planos. O enviou para um dos apartamentos utilizados por alunos na Escola Militar, onde pela noite, encontrava-se praticamente vazio.

- DEIXE-ME SAIR! DEIXE-ME SAIR!- gritava o suspeito de dentro do quarto.

- Só vai sair quando o Coronel Frank Archer chegar, trate de se aquietar. – disse um dos soldados que escoltavam a porta do aposento.

- Frank Archer? – sussurrou. – EU SEI QUEM MATOU O GENERAL TASUKIHIRO, EU SEI, SOLTE-ME, DEIXE-ME SAIR, E CONTAREI TUDO QUE QUISEREM! – suplicava enquanto batia na porta.

- Já disse que falará apenas quando o Coronel chegar. –

- Mas então ele irá me libertar? – perguntou, acalmando-se um pouco.

- Sim, sim, ele vai te soltar. – disse já sem paciência.

Do outro lado o homem sorriu, sairia ileso dessa situação.

- O Coronel vai mesmo soltá-lo? – perguntou o outro.

- Conhece Frank Archer, só está no exército por benefício próprio, ou seja, este homem aqui preso somente faz parte de seus planos, sendo assim, por ele saber demais será executado no fim da noite. – explicou ironicamente o segundo.

Do outro lado King Bradley permanecia estático, seu sorriso se borrara, seus punhos e pernas começaram a tremer, temia a morte mais que tudo, não conseguia pensar em nada, nem em sua família, que agora devia estar muito longe da cidade. Afastou-se lentamente da porta, caminhando de costas para perto da única janela dali. Ao perceber que esbarrara em algo deu a volta e analisou atentamente a saída que havia. Abriu-a e notou a presença de uma escada a alguns metros de onde estava, era o único jeito. Olhou uma última vez para porta, certificando-se de que os guardas não percebiam seus movimentos, apoiou-se na parede seguindo para sua estimada "liberdade". Por sorte não caiu, não reconhecia o lugar, quando o trouxeram estava encapuzado, mas agora podia ver claramente o quão alto estava, chegou até a escada, tratando de descer o mais rápido possível, chegando ao primeiro andar puxou-a, via-se um tanto enferrujada, mas não podia desistir agora, cautelosamente desceu, ouviu quando esta começou a ranger, enfim podia encontrar um lugar seguro.

Por alguma estranha razão, seu coração estava inquieto, mesmo depois de ter saído de seu cativeiro. A rua detrás do prédio era muito mal iluminada, muitos mendigos aí dormiam, cães e gatos catavam restos dentro das lixeiras, enquanto o temor do homem crescia mais e mais. Faltava muito pouco para chegar a esquina com a outra rua, ali já teria mais iluminação, porém seu coração só acelerava, parou pouco antes de chegar ao poste, a luz começava a piscar de maneira em que ameaçava se apagar, podia sentir o coração na garganta e em seu pulso, parecia querer saltar pela boca, suas pernas mantinham-se paralisadas e tremiam ao compasso das batidas cardíacas, seus olhos arregalaram-se e permaneciam perplexos, um frio lhe recorreu a espinha, sentindo como suava frio, a garganta estava seca e sua audição parecia mais apurada. Podia sentir aquele frio que emanava do indivíduo parado as suas costas.

- É muito perigoso andar por aí, esta hora da noite. – falou ele.

- O-o-o qu-quevocêquer? – balbuciou o mais rápido que pôde.

- Olha só! Um rato acuado, até parece que vai mijar nas calças. – riu ele com tamanho sarcasmo.

- Fa-fale logo! – não tinha coragem suficiente para se deparar com aquela figura.

- Então pretendia me entregar? – perguntou irônico, um pequeno sorriso se formava no canto de seus lábios.

-... –

- He! Então achou mesmo que eles te deixariam sair ileso? Eles nunca deixam ninguém ileso, eu sei muito bem disso, você também deveria. –

- Ele ia me soltar! – indagou.

- É mesmo? Então por quê está aqui? – perguntou mais irônico ainda, aproximando-se do homem à frente. – Por um acaso, quis se redimir? – falou muito próximo ao ouvido do outro.

- Afaste-se de mim! – ordenou, enquanto saia de perto do encapuzado, encarando-o de frente.

- Não está colaborando em nada, Bradley, minha paciência está se esgotando. – na voz notava-se um certo pesar, mesmo sabendo que este era artificial.

King passou a andar de costas, seu corpo não lhe obedecia, era incrível como esta pessoa lhe amedrontava, tropeçou nos próprios pés, caindo sentado no asfalto úmido, enquanto o enegrecido aproximava-se lentamente, retirando seu instrumento de trabalho.

- O-o-o que vai...fazer...? – tragava saliva com dificuldade.

- Temos que dar um corretivo aos falsos amigos. – falou ele enquanto tomava o homem pelo colarinho, sentia sua respiração arfante em seu rosto, sorriu perante isso, gostava de sentir o medo que suas vítimas emanavam, não importava se fosse pela transpiração, hálito, pulso, para ele era prazeroso. Incitado por isso tudo lhe cravou a faca um pouco abaixo do umbigo, próximo a região do púbis. Bradley gemeu de dor, chamando a atenção de alguns cadetes que voltavam do Quartel.

- Isso não se faz com um amigo. – disse o assassino um pouco incomodado com o fato de ter chamado a atenção. Voltou a cravar-lhe na carne a lâmina, agora um corte mais profundo no peito, porém a vítima não dava resquícios de entregar-se tão fácil. Juntou suas últimas forçar soqueando o matador, que foi pego de surpresa, deixando o capuz e a faca caírem. Limpou o pequeno filete de sangue que saía do canto de sua boca. – Até que você não é tão estúpido. – riu.

- É lá embaixo! – informou um soldado de dentro do prédio.

- Fim de jogo pra você. – Bradley sorriu fraco, com sorte não morreria ali.

- Acha mesmo que isso acaba assim? – perguntou retornando a ironia na sua voz. Levantou-se e deu alguns passos para trás, deixando King pasmo. Retirou uma pistola do casaco, rapidamente virou-se para o caído, mirando a testa, um único disparo, com o mínimo de sujeira, e nenhum resquício de sangue em suas vestes, o homem caiu por inércia, seus olhos permaneciam abertos, o vermelho tingia a face. O assassino olhou para suas próprias roupas, a pequena mancha que havia sido criada, facilmente sairia. – Acho que já disse que não éramos bons amigos. – falou enquanto tomava a mão do falecido para nesta, colocar a arma do crime. – Devia ter fugido quando teve chance. – deu as costas ao corpo, caminhando lentamente, os guardas não o alcançariam, estariam ocupados demais limpando a cena do delito.

Alphonse escancarou a porta da sala chamando a atenção de Noa, a única pessoa que permanecia acordada na casa. Subiu rapidamente as escadas entrando em seu quarto de maneira explosiva, acordando Fletcher, com quem dividia o quarto.

- Hmm...Al...? É vo...uahhh..cê? – perguntou, sonolento.

O castanho não respondeu, se preocupava mais em esvaziar suas gavetas, expondo todos pertences sobre sua cama enquanto buscava uma mala.

- Al? O que houve? – perguntou a morena, da porta.

- Não posso ficar aqui, tenho que pensar, sair e pensar. – respondeu jogando o mais rápido que pôde as roupas para dentro da maleta marrom.

- Sair? Pensar? Vai pra onde? – voltou a questionar, enquanto o menor passava por ela apressado.

- Não sei, qualquer lugar... – respondeu evasivo aproximando-se da saída.

- E quanto ao Ed? Ele já sabe? – perguntou uma última vez.

Automaticamente Alphonse parou, depositava a mão sobre a maçaneta, não se virou em momento algum.

- Tchau Noa. – ela nada fez para impedi-lo, apenas estranhou aquela atitude do caçula dos Elric, chegava a imaginar que os dois haviam discutido novamente.

- Vamos logo! Em breve terei minha promoção. – sorriu malignamente, Archer, enquanto entrava no carro.

- Coronel! Coronel! – corria o oficial até o automóvel.

- O que foi agora? – perguntou irritado.

- Um telefonema, do alojamento militar, disseram que King Bradley fugiu, e foi encontrado morto a alguns metros do prédio. –

- Como é? – estreitou os olhos.

- Parece que o assassino atacou novamente. –

- Só me faltava essa. – murmurou. – Uma equipe já foi mandada para lá? –

- Não senhor. –

- E o que faz aqui ainda parado? – perguntou mais irritado.

- Err...já estou indo. –

- E você? O que ainda estamos fazendo aqui, parados? Dirija! – ordenou ao motorista que o olhava apavorado.

Chegando a cena do crime, Archer, empurrou os peritos para ver se realmente quem ali estava era King Bradley, rangeu os dentes ao comprovar o que temia.

- Quem fez isso? – perguntou irritado.

- Nosso assassino. – respondeu um.

- Não me diga! – exclamou irônico. – E quem é o nosso assassino, seu idiota? – perguntou, obtendo o silêncio como resposta. – E os outros suspeitos? –

- Dois de nossos homens estão na casa do Coronel Roy Mustang, enquanto a Edward Elric nossos informantes garantiram que não saiu em nenhum momento. – informou um perito.

- E vocês têm certeza disso? Ligaram para confirmar? –

- Bem...não, senhor... – baixou a cabeça.

- E está esperando o que? – perguntou baixando a voz ameaçadoramente, tendo sua ordem cumprida segundos depois. – Há mais alguma coisa que eu deva saber? –

- Dessa vez a morte não foi esquartejamento... –

- Oh sim! E então? –

- Um tiro certeiro na cabeça, atingindo o córtex central.

- Quer dizer então que temos um especialista? – franziu o cenho, sorrindo em seguida.

- Bem...tudo nos leva a crer que sim. – respondeu sem jeito.

- Interessante... –

- Senhor! Acabo de ter confirmação das residências do Coronel Mustang e Edward Elric. – anunciou o soldado que voltava correndo do prédio, Archer apenas o olhou interrogativamente. – Nossos homens não encontraram Mustang e... uma amiga do nosso segundo suspeito afirmou que este não está em casa desde as nove horas, não tem idéia de onde possa estar. –

- Também encontramos Seta Tasukihiro. – informou um outro. – E além disso, encaixamos um novo nome na lista de suspeitos. –

- E seria? –

-Zolf J. Kimbley, funcionário de King Bradley. –

- Muito bem, mandem o Junior para minha sala, e vão a busca do bastardo Kimbley, quanto aos outros dois...Vigilância dia e noite, e de preferência... sem falhas. – todos os presentes fizeram a reverência militar e Archer deu a volta, entrando no carro, olhou uma última vez para o corpo, isso estava se tornando perigoso.

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Winry permanecia acordada, sentada em sua cama, apenas fitando o anel em seu dedo. Desde a última semana sua cabeça estava cheia de dúvidas, não sabia em que e quem acreditar, não podia negar que sentia um certo temor em relação ao futuro com Seta, tinha medo de aquele "conto de fadas" se estragasse no dia posterior ao casamento, seu interior permanecia em dúvida, não queria magoá-lo demonstrando o que não sentia, sabia que ele a amava muito mais, sempre um dos dois ama mais, sendo assim podia destruir esse tempo todo que passaram juntos, em tranqüilidade, sem medos ou frustrações, sem...Edwards, sem aquele loiro de olhos âmbar que insistia em invadir seus pensamentos, tomá-la da realidade, incomodá-la em sonhos, que teimava em persegui-la onde quer que fosse. Amaldiçoava a conversa que tivera com Nelly, havia a feito refletir sobre coisas que acreditava ter enterrado e esquecido. Agora estava ali, sem saber o que fazer, mentir para si mesma e o futuro esposo e largar tudo e jogar-se em uma aventura em que com certeza se machucaria ainda mais. Deixar um futuro talvez próspero, porém sem amor ou aventurar-se em uma paixão que poderia não ser correspondida, abrindo uma ferida que jamais cicatrizaria, tinha que decidir logo, seu coração devia tomar uma decisão logo, independentemente qual fosse, aceitaria, mesmo que se arrependesse eternamente. Adormeceu com estes pensamentos, dali dois dias teria a resposta, já que Seta voltaria para acertarem os últimos detalhes da cerimônia.

Não muito distante do quarto da loira, estava Pinako, quem escrevia algo, se encontrava muito concentrada, parecia não querer deixar nenhum detalhe de fora daquela pequena folha de papel. Durante a tarde havia saído, disse à neta que ia visitar uma amiga que não via há décadas, e que agora estava muito doente. Entretanto acabou parando na cidade, outra pessoa a aguardava na biblioteca, ficara lá até o entardecer, voltou perdida em pensamentos, parecia refletir, o semblante sério acompanhava suas feições, quando chegou, disse estar sem fome, entrando diretamente em sua oficina, acrescentou ainda que trabalharia a noite inteira, havia encomendas atrasadas, sendo assim, Winry não importunou.

No dia seguinte a loira foi a primeira a se levantar, ainda sentia o peso de seus pensamentos, tratou de esquecer o assunto assim que entrou na cozinha para desjejuar, mas para sua grande surpresa, a avó ali não estava.

- Será que aconteceu alguma coisa? – perguntou a si mesma, em um tom temeroso, correu até o quarto da anciã, mas encontrou a cama feita. – Ela não pode ter saído... –

Deu alguns passos até a oficina, a porta estava entreaberta, abriu-a com cuidado, e ali dormindo sobre algumas ferramentas estava ela, Pinako Rockbell. Winry sorriu, era a primeira vez que via a avó tão... serena. Nem parecia ser a rabugenta de sempre com seu inseparável cachimbo.

- Deve ter trabalhado a noite inteira, devia estar muito cansada para dormir aqui e nessa posição. – deixou a velha em paz, tratou de tomar café sozinha, assim tinha mais tranqüilidade para pensar.

Quando terminou, retirou a louça suja e a lavou, deixou um bilhete em cima da mesa, avisando que sairia, ia dar uma volta pelo campo, não tardaria a voltar, pois sabia que tinha suas obrigações. Nesse meio tempo a anciã acordou, percebendo a situação em que se encontrava se apavorou, pois temia que Winry tivesse encontrado sua carta, colocou rapidamente os óculos, certificando-se que o papel seguia no seu colo, a neta parecia não ter percebido. Foi ao banheiro, lavou o rosto e trocou-se de roupa, ao descer não encontrou a loira, mas sim seu bilhete, suspirou aliviada, tinha tempo de esconder a carta que escrevera na noite anterior. Colocou-a entre alguns livros na estante da sala, com certeza, ali, ninguém a encontraria, a revelaria somente na hora certa.

A loira chegou apenas na metade da manhã, parecia cansada, nesta hora, Pinako lavava a louça do café.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou ela.

- Não... apenas precisava tomar ar puro. – sorriu tímida. – E você, vovó? Como foi que dormiu daquele jeito? –

- Quis adiantar alguns automails e deu nisso, pelo menos agora tenho alguma folga, já não posso dizer o mesmo de você, ontem praticamente não trabalhou, o que está acontecendo, Winry? – perguntou em um tom meio agressivo.

- Nada... é só... – baixou o olhar, desconcertada.

- É ainda sobre o Seta e o Edward? – perguntou ríspida.

Novamente aquele nome que não queria ouvir nunca mais, ou será que...

- Na..não é nada disso, só...estou em dúvida na decoração... – mentiu nada convincente.

- Decoração? –

- É... – assentiu sem jeito.

- E você acha mesmo que consegue me enganar? Nunca foi boa em mentir. –

-... – Winry sentiu as bochechas arderem.

- Não me diga que está em dúvida se casa ou não... –

-... – ela apenas se encolheu.

- Seta chega amanhã, tem certeza do que vai fazer? –

- Eu não tenho mais certeza de nada. – respondeu chorosa.

A velha sentiu-se culpada pelo tom que usara com a neta, sabia que no fundo ela não tinha culpa de nada.

- Seja qual for a sua decisão, tenha certeza que eu a apoiarei. – falou sorrindo, levando conforto a neta, que ficou estática perante o comentário.

- Vo..vó! –

- Que tal agora lavar este rosto? Não é nada bom trabalhar de aparência horrível, traz má sorte. – disse divertida, recebendo um sorriso em troca, e assentimento.

Subiu em direção ao banheiro, um pouco de paz formou-se em seu interior, sentia-se mais aliviada com o fato da avó ter retomado o tom natural e divertido em sua fala e modo de ser, a grande preocupação que a cercava tinha sido abolida em parte.


Continua...