Essa história não me pertence, e nem os personagens de Inuyasha


O súbito ruído de máquina quebrou a concentração de Inuyasha no sábado à tarde.

Diante de seu laptop, olhou pela janela do quarto e avistou Kagome com um cortador de grama nos fundos da casa. Ela usava um chapéu de palha, um top acanhado e um short bem curto. Linda.

Ele tentou se concentrar no trabalho de novo, mas não conseguiu. Sua libido havia superado seu cérebro. Mais uma vez. A semana inteira tinha sido um desafio para Inuyasha. Kagome de fato merecia o sucesso que fizera no jan tar dos executivos. Era bela, inteligente e eficiente. E produtiva. Por outro lado, era para ele uma imensa dis tração. Por fim, cedeu à tentação. Fechou o laptop, saiu da cadeira e desceu as escadas, avançando pela porta dos fundos. Foi surpreendido pelo forte calor assim que pôs os pés no pátio. Seguindo o ruído, caminhou até encontrá-la, segurando com uma das mãos a máquina de cortar grama.

Os músculos dele travaram, e seus olhos se deliciaram. Inuyasha sentiu sua pele queimar — e não era por causa do sol. Foi invadido por uma enorme vontade de acariciar aquelas curvas, aquela pele clara.

Kagome apanhou uma bola amarela, endireitou-a e então a jogou sobre o muro que separava o seu jardim do quintal da casa vizinha. E então, retomou o trabalho, flexionando a cada passo os músculos longos das pernas bem-torneadas.

— Kagome. — Ela não o escutou ou então o estava ignorando-o. — Kagome — Inuyasha gritou.

Ela se virou tão rapidamente que o motor barulhento morreu.

— O quê?

Quanto mais perto ficava dela, mais seca sua boca se tomava. O sutiã envolvia e levantava seus seios como suas mãos fariam, e seu short de brim era tão velho e desbotado que a costura deveria ter rasgado no momen to em que Kagome se curvou. Pensando bem, não teria rasgado porque era largo demais e mal se prendia à cintura dela. O cós abria uma brecha para revelar-lhe o umbigo. Bastaria um puxão e os fios do brim de Kagome virariam farrapos. Os dedos de Inuyasha se contraíram.

— Por que não contrata alguém para fazer isso? — A atração indesejada o irritou, e ele manifestou sua insatis fação através das suas palavras cortadas.

Kagome deu de ombros, tirou o chapéu e esfregou a testa com o antebraço.

Muito caro.

— Não com o salário que lhe pago.

— O dinheiro que me paga será destinado a outra coisa.

— O quê?

Kagome se moveu, e o short deslizou mais um pouco. Aca bariam na grama se ela sacudisse mais uma vez os qua dris. Será que ela estava usando calcinha? Será que ficar zanzando ali fora em trajes minúsculos fazia parte de seu plano para garantir um futuro marido? Como se tivesse adivinhado os pensamentos de Inuyasha, Kagome suspendeu a calcinha.

— A maior parte desse dinheiro servirá para quitar dí vidas com os médicos que tratei de minha mãe. Se eu não acertar logo as contas com eles, minha casa terá de ser penhorada.

— A casa que sua mãe lhe pediu que mantivesse.

— Sim.

— Afinal, seu pai poderia voltar para procurá-las — ele disse, repetindo a ridícula história que lhe fora contada. — Que tipo de mulher ama um homem que abandona a família?

— O tipo que prometeu amar, honrar e estimar até que a morte os separe. Nós nunca tivemos prova alguma de que meu pai tenha morrido. Mamãe manteve sua promessa.

Assim como minha mãe, ocorreu a Inuyasha. O pensamen to sensato o surpreendeu. Sua mãe havia amado aquele imbecil com quem escolhera se casar, apesar de ter sido traída por Inuno inúmeras vezes.

Kagome suspirou.

— Inuyasha, precisa de mim para alguma coisa? Não me leve a mal, mas tenho de terminar isso antes que caia o temporal que está por vir.

Nesse instante, trovões ribombaram ao longe, como que confirmando as palavras de Kagome. O suor colou o tecido dacamisa pólo de Inuyasha ao seu torso.

— Vou contratar uma equipe de paisagistas e mandarei que venham aqui na segunda de manhã. Você não tem de fazer isso.

Ela balançou a cabeça.

— Sim, eu tenho de fazer. Minha mãe e eu sempre tra balhamos no jardim juntas, a vida inteira. Eu preciso fazer isso. Por ela. E por mim também.

Droga. Outro momento "chore-suas-dores". Já não bas tavam aquelas fotografias espalhadas pela casa — fotos de um tipo feliz de infância, algo que nem Inuyasha nem seus irmãos haviam conhecido. Fotos que retratavam o tipo de vida que Kagome lhe dissera que desejava ter, cinco anos an tes. Com ele.

Encare os fatos. Ela mentiu quando afirmou que o ama va, e você caiu como um tolo. Supere isso e siga em frente!

Inuyasha disparou em sua mente todas as pragas que co nhecia e mais algumas que acabara de inventar. Os seus instintos em peso lhe disseram para entrar na casa e vol tar ao trabalho. Contra a sua vontade, ela o arrastara para aquele subúrbio e o prendera a um relacionamento. Ele não queria compartilhar com Kagome aquela casa, nem a droga das tarefas, muito menos uma vida. Mas não toleraria ficar dentro de casa, trabalhando com conforto e desfru tando de ar-condicionado, enquanto ela derretia do lado de fora sob um sol inclemente. Não faria isso, pois não era um parasita.

Além do mais, não estava mesmo pagando sua estada com sexo...

Inferno. Inuyasha não estava aborrecido com Kagome por não tê-lo procurado mais desde a noite em que ela fizera ex plodir... sua mente. Não queria ser seu gigolô.

— Como posso ajudar? — As palavras saíram da boca de Inuyasha como que involuntariamente.

Inclinando a cabeça; ela refletiu por alguns momentos.

— Se você cortar a grama, eu lidarei com a erva daninha.

Inuyasha examinou a máquina. Não entendia nada a res peito de cortadores de grama. Em Taisho Manor, sua fa mília sempre havia contado com uma equipe de jardineiros. Desde que se mudam da casa da família, há dez anos, vivera num apartamento, num prédio de muitos andares, cercado de concreto. Se havia alguma planta dentro do condomínio, ele não percebera.

Contudo, Inuyasha passara um verão inteiro trabalhando na sala de máquinas de um navio de cruzeiro de 160 mil toneladas. Ele seria capaz de empurrar um brinquedo de cortar grama.

O olhar de Kagome foi atraído para a camisa e a calça ca qui de Inuyasha. Ela fazia isso com freqüência — examiná-lo rapidamente da cabeça aos pés. E o corpo dele reagia de modo previsível. Todas as vezes. Kagome o manipulava como se ele fosse uma marionete, e fazia isso com facilidade. Tal fato o abalava, pois mulher alguma conseguira fazer Inuyasha seguir por um caminho que não fosse o dele, traçado por ele.

— Precisa trocar de roupa primeiro. Vai derreter den tro dessa calça. — Sem esperar por uma resposta, ela se afastou.

Inuyasha foi ao seu quarto, trocou-se e voltou ao quintal. Tentou ligar a máquina de cortar, mas o motor engas gou. Uma, duas vezes. Irritado e com muito calor, Inuyasha começou a praguejar. Uma perna esbelta entrou em seu campo de visão. Inuyasha percorreu com os olhos aquela sua ve e levemente bronzeada pele, e, subindo sempre, chegou a uma coxa bem-torneada, depois à curva dos quadris e finalmente às colinas maravilhosas que eram os seios de Kagome. Ela ficou de pé ao lado dele, carregando um apara-dor de erva daninha. Usava óculos de proteção.

— Já usou antes um cortador de grama, Inuyasha?

— Não, mas posso dar conta disso.

Kagome sorriu, percebendo que teria de ajudá-lo. E lhe ex plicou como proceder.

— Agora é só puxar o cordão, Inuyasha.

E ele puxou, consciente da proximidade do corpo feminino e daqueles olhos azuis que o acompanhavam em cada movimento. Dessa vez, o motor rugiu com força. Inuyasha se preparou para o trabalho. Kagome fez um sinal de aprovação com a cabeça e se inclinou para a frente, na ponta dos pés, até que seu seio tocasse o cotovelo de Inuyasha e os lábios dela lhe tocassem a orelha. Ele conteve um gemido de prazer. Sua mão escorregou, o que fez o motor morrer novamente, e o silêncio voltou a reinar.

Ela colocou de novo os pés no chão.

— Corte a grama e fique longe dos canteiros de flores.

Então, Kagome começou a se distanciar dele, requebrando em seu deslocamento, deixando-o lidar com a máquina. Ela ligou o aparador de erva daninha.

Inuyasha ficou encantado com os movimentos que os múscu los realizavam sob a pele enquanto ela seguia seu caminho. Aqueles músculos não estavam lá cinco anos antes. Sabia disso porque esquadrinhara cada milímetro do corpo de Kagome — usando as mãos, os lábios, a língua. Por fim, ele piscou a fim de parar de olhar para ela como se estivesse hipnotizado. Tornou a ligar a máquina e a empurrou, concentrando-se em cortar em linha reta o grosso carpete de grama. Se não pres tasse atenção, na certa cortaria fora o próprio pé. As contra dições no comportamento de Kagome o importunaram enquanto ele trabalhava. Ela ainda dirigia o mesmo carro que possuía na época em que tinham um caso. Usava roupas velhas, que mais pareciam sacos de panos, cuidava ela mesma do jardim e pagava as dívidas da mãe.

Olhou mais uma vez para a mulher que o havia obriga do a morar em sua casa e a ser seu amante. E se estivesse enganado a respeito das atitudes de Kagome no passado?

Não, diabos. Ele a vira sair do quarto de Inuno com um chupão no pescoço, o rosto vermelho e a roupaem desalinho. Nenhumamentira que Kagome contasse poderia convencer alguém, nem mesmo uma criança, de que não tinha dormido com seu pai.

Além do mais, ela só aceitou a oferta de trabalho de Inuyasha depois que ele lhe ofereceu um salário quatro ve zes maior do que o praticado no mercado. E depois que concordou em morar com ela. Sem dúvida Kagome planejava algo — mas o que seria?

— Bom dia, Inuyasha.

Kagome flagrou uma quase imperceptível indecisão no passo de Inuyasha, e uma leve expressão de surpresa em seus olhos ao ver Kagome ali tão cedo.

— Você chegou antes do horário.

— Sim. Bom, não é?

Inuyasha ficara enfurnado em seu quarto praticamente du rante todo o fim de semana. Kagome não o havia visto, exceto na ocasião em que ele saíra para cortar a grama. Se as coisas continuassem desse modo, seria impossível cons truírem um relacionamento.

Ele usava um terno cinza-escuro e camisa azul, e pare cia delicioso. Um bronzeado vistoso, conseguido duran te o trabalho no jardim, escurecera-lhe o rosto magro. A lembrança de sua figura sem camisa e suado fez a tempe ratura de Kagome subir.

Ela se levantou. O passo de Inuyasha vacilou de novo quan do seus olhos castanhos pousaram no novo vestido dela.

Ela amava o modo como o tecido fúcsia abraçava-lhe os seios e a cintura, e flutuava bem acima de seus Joelhos. Mas amara muito mais a reação embasbacada dele.

Sem responder, ele esticou a cabeça para a frente e se moveu silenciosamente rumo ao seu santuário sagrado, mas não sem que Kagome notasse o interesse nos olhos dele. Sentindo-se encorajada, ela apanhou seu bloco de notas e o seguiu.

— Temos uma infinidade de coisas para terminar an tes de sairmos para o cruzeiro na sexta-feira. Os registros financeiros mais recentes da marca estão sobre sua mesa, e o presidente e a vice-presidente são esperados para as oito e meia.

Mais quatro noites e teria Inuyasha todinho só para ela... Jun to com 2.800 pessoas no navio, claro. Kagome ficou tão feliz que quase saiu dançando com seus novos sapatos d'Òrsay.

Inuyasha parou tão bruscamente que Kagome quase colidiu con tra as suas costas. Foi envolvida pelo aroma e pelo calor dele, más se endireitou e alisou o local onde sua caneta havia tocado o paletó, para verificar se havia alguma man cha. Nenhuma. Muito bom.

— O que é isso? — perguntou, rígido como um poste. Kagome seguiu-lhe o olhar e disse o óbvio.

— Uma cafeteira. Quando você não a estiver usando a porta giratória irá ocultá-la.

— De onde isso veio? E por que está aqui?

— Comprei-a esta manhã em sua cafeteria favorita, junto com um quilo de grãos moídos na hora. Ela tem um timer. Eu a ajustei para que seu café esteja pronto toda manhã quando você chegar. E já que insiste em sair de casa sem café da manhã, cuidei para que o restaurante da TCL entregue seu desjejum toda manhã às oito, porque você fica mal-humorado quando está com fome.

Em resposta a esse aviso, uma carranca sombria se es tampou no rosto de Inuyasha.

— Eu escolhi o menu dessa semana, mas esteja à vonta de para fazer ajustes. Aqui estão as sugestões do chef para a semana seguinte à do nosso retorno do cruzeiro. Claro que eu não disse a ele por que motivo nos ausentaríamos do escritório, para não frustrar o propósito de viajar in cógnitos para uma inspeção.

Kagome estendeu-lhe a lista de sugestões, mas Inuyasha não fez menção de apanhá-la. Quando se deu conta de que ele não pegaria a lista, ela colocou o papel na mesa dele.

— Kagome...

— Não há de quê — ela interrompeu. Aprendera com os resmungos de desaprovação de Inuyasha que ele não gos tava que lhe fizesse coisas como lavar suas roupas ou preparar-lhe refeições e deixá-las na geladeira. Mas Kagome tinha de cozinhar e lavar para si própria. Então, fazer isso para apenas mais uma pessoa não seria problema. Na verdade, após um longo ano de silêncio e solidão, ela até gostaria de ter alguém de quem pudesse cuidar. — Já cuidei da maior parte de seus e-mails, mas tenho de pedir um minuto de sua atenção. Precisa de mais alguma coisa antes de começar a conferir os documentos que chegaram?

Kagome quase podia ouvi-lo ranger os dentes enquanto abria a bolsa e retirava o computador.

— Não.

— Eu servirei seu café da manhã assim que estiver pron to e vou avisá-lo quando a primeira equipe de administra dores chegar. — Kagome girou nos calcanhares e bateu em re tirada para seu escritório.

— Kagome, isso não vai funcionar.

Ela se voltou e examinou-lhe o rosto impassível.

— O que não vai funcionar?

— Não adianta ficar me bajulando. Ela franziu o cenho.

Bajular você implicaria querer algo em troca.

Com duas longas passadas, Inuyasha venceu a distância que os separava, e não parou até que estivesse tão perto que ela pudesse ver o brilho de sua barba recém-aparada e apreciar a fragrância de sua colônia, e até mesmo sentir um pouco do cheiro de hortelã proveniente de sua pasta de dentes.

— Está atrás de um anel de casamento.

Kagome teve um sobressalto e de repente ficou ofegante. Esforçou-se para não deixar que a indignação se apode rasse dela e a levasse a uma reação desesperada. Ele não podia ter certeza do que dizia — estava apenas especu lando. Pois o que faria se ela confirmasse suas suspeitas? Não poderia demiti-la sem comprometer a parte que lhe cabia do testamento. Mas Inuyasha poderia fortalecer ainda mais os muros que erguera em tomo de seu coração, e Kagome assim terminaria com uma terrível batalha nas mãos.

— Estou atrás de um relacionamento voltado para a mútua satisfação. É isso que quero. — E essa era a verda de. Cinco anos atrás, ele havia sido seu companheiro de festas e seu amante. Kagome desejava ter isso de volta. Contu do, queria mais, muito mais.

O olhar intenso dele quase a deixou constrangida. Mas Kagome tinha dito a verdade, a mais pura verdade.

— Não acredito em você.

— Bem... pelo menos está sendo honesto. Minha mãe costumava dizer que a verdade se constrói por meio de ações, não de palavras. Sendo assim, acho que terei de lhe provar que não quero de você nada do que não esteja dis posto a me dar.

A armadilha era convencê-lo a ter vontade de dar.

Na semana que havia passado, Kagome concedera espaço a Inuyasha, que o usou para evitá-la. Agora, ela não voltaria a cometer tal erro.

Kagome não cabia em si de contentamento. Alegria e excitação a invadiram em doses cavalares, e ela mal podia esperar para que começasse sua aventura de três noites no mar com ele — com Inuyasha. Três noites e quatro dias compartilhando uma cabine — e uma cama.

Realmente não fora nada fácil esperar pelo grande mo mento. A viagem de Miami às Bahamas era nada mais, nada menos que seu primeiro cruzeiro, e também a pri meira oportunidade de férias que tinha em seis anos. Eram bons motivos para a alegria que sentia. Mas a razão principal, o motivo que a levava a quase explodir de felicida de — esse era um lugar de honra que pertencia ao homem a sua frente. Ela desejava que Inuyasha relaxasse ao seu lado, que deixasse para trás aquele mundo de trabalho, ternos e gravatas apertadas. A roupa descontraída e esportiva que ele usava agora era um bom começo.

Kagome o seguiu para dentro da cabine reservada aos dois. Inuyasha inspecionou o guarda-roupa e o pequeno banheiro, dentro do qual havia uma pia, instalações sanitárias e um compartimento para banho. Definitivamente, não era grande o suficiente para duas pessoas.

Reservar uma cabine média — que não era a mais ba rata, mas também não era a mais luxuosa — parecia a melhor maneira de se misturar aos demais passageiros. O aposento era menor do que Kagome esperava. Mas, afinal de contas, o que sabia de cruzeiros? Nada. E o tamanho li mitado das cabines poderia até representar uma vantagem para ela. Ah não havia literalmente lugar algum no qual Inuyasha pudesse se esconder.

Ao lado da cama havia um sofá para duas pessoas, duas pequenas mesas de cabeceira e uma mesinha de centro, bem como um armário embutido com gavetas, um frigobar e uma televisão ligada num canal em que se ensinava o modo correto de usar um colete salva-vidas.

Inuyasha deixou seu boné sobre uma prateleira, desligou a TV e examinou o estreito espaço retangular com as mãos nos quadris. Ele atravessou o tapete e abriu a porta de vi dro. Ar quente com cheiro de mar encheu o aposento com ar-condicionado. Kagome juntou-se a ele na sacada privativa, que tinha o tamanho de uma cama de solteiro, e verificou a grade. Havia barcos menores pendurados nas laterais do navio, bem abaixo da sacada deles. A música-tema de Titanic se insinuou na mente dela, mas nem mesmo essa sinistra invasão esfriou seu entusiasmo. Kagome estava tão entusiasmada que tinha vontade de saltar e de rir. Em vez disso, arrastou Inuyasha de volta para dentro da cabine. Ele não parecia contente.

— Alguma coisa errada?

O olhar dele recaiu sobre a cama que os dois em breve compartilhariam, antes de voltar para casa e para as suas respectivas camas.

— O aposento é claro, organizado e bem-equipado, de acordo com o preço. Os tecidos podem ser mais frescos.

Inuyasha parecia mais tenso que de costume, apesar de seu traje casual.

— Está preocupado porque ficaremos longe do escritó rio? A assistente de Sesshomaru assegurou-me que seu irmão to mará conta de tudo até terça-feira, quando retomaremos.

— Sem dúvida que Sesshomaru tomará.

— Inuyasha? Você está bem?

Por que eu não estaria?

— Diga-me você. — Ela inclinou a cabeça, e os novos pingentes dourados em suas orelhas tocaram o ponto sen sível em seu pescoço, aquele que Inuyasha costumava mordiscar, levando-a à loucura. Mal podia esperar para que fizesse essa incrível carícia de novo, e, se os planos para a viajem corressem bem, ele faria, e muitas vezes.

Kagome havia sonhado com tantas coisas... Passear de mãos dadas de dia, caminhar pelo convés sob a luz do luar, jantares tranqüilos, dividir a cama com ele.

No último encontro íntimo entre os dois, ela deu prazer a Inuyasha; desde então, nada mais acontecera. Na semana que passara, em vez de usarem seu tempo juntos para algo de proveitoso, os dois tiveram uma interminável série de encontros com a equipe de executivos durante o dia, e ele passava as noites no quarto com o laptop, trabalhando. A verdade é que desde segunda-feira de manhã os dois mal conversaram. O que não significava que ela não estivera plenamente consciente da presença dele, em casa e no trabalho.

— Eu nunca havia feito um cruzeiro antes. Mal posso espera para que você me mostre as cordas.

Viajar num cruzeiro não seria a primeira coisa que com partilharia com Inuyasha. Mas dizer a ele — um homem com fobia a compromisso — que ela era virgem antes de irem para a cama não parecera uma boa ideia na ocasião. Kagome não tinha a menor dúvida de que tal revelação acabaria não apenas com a sua primeira noite juntos, mas também com o relacionamento deles.

Os olhos de Inuyasha se estreitaram.

— Não era você que dizia, cheia de orgulho, que os descontos especiais tornavam os cruzeiros acessíveis?

— Bem, não havia ninguém para me acompanhar. — Exceto ele. — Minha mãe tinha medo do mar, e Sango não estava interessada. — Kagome retirou os apetrechos do cruzeiro. — Precisamos nos inscrever para nossas excur sões pelas praias.

A carranca de Inuyasha ficou ainda pior.

— Estou aqui para trabalhar, não para brincar. E você veio comigo para servir de camuflagem. Você está por sua própria conta, exceto pelos jantares nos quais nós dois deveremos estar presentes como casal. Faça o que quiser. Desembarque e passeie em terra. Useo spa. A TCL co brirá suas despesas. Despesas razoáveis. Nada de joias ou roupas de grife.

Surpreendida pelo rápido desmantelamento de seus planos, Kagome lutou para se reorganizar. Se não conseguisse mudar a disposição de Inuyasha, sua fuga romântica acabaria se transformando em férias frustradas. Já ficara sozinha demais desde a morte da mãe.

— Mas... como você descobrirá por que as vendas de bilhetes estão baixas se não participar da experiência total de realizar o cruzeiro?

— Eu sei o que procurar.

— Eu posso ajudar.

— Este é seu primeiro cruzeiro, você acabou de dizer. Não seria capaz de reconhecer problemas.

Nisso Inuyasha estava certo.

— Você pode me ajudar.

— Kagome...

— E quanto à festa de boas-vindas?

— Eu preciso checar o navio, e a aglomeração da festa é o melhor momento.

O olhar duro de Inuyasha a manteve parada no lugar. Ela procurava desesperada-mente um motivo para ficar ao lado dele.

— Quer mesmo revelar suas intenções e deixá-los sa ber que você está aqui em seu primeiro dia? Isto é, eu per cebi que a funcionária que cuidou do registro de chegada viu seu nome, mas você tinha colocado boné, e seu passa porte ainda traz um endereço da Califórnia. Não acredito que ela tenha reconhecido você ou feito alguma conexão com a TCL. Nós devemos ficar juntos. Você mesmo dis se que atrairemos menos atenção se nos comportarmos como um casal.

A irritação o fez comprimir os lábios.

— Tudo bem. Mas nós não vamos bancar os recém-casados por aí durante o cruzeiro. Não espere isso de mim.

Recém-casados... A menção dessa palavra fez a tem peratura de Kagome subir até o céu. Dirigiu os olhos para a cama, e depois voltou a encarar Inuyasha. O olhar caloroso com que a fitou a fez estremecer. Era óbvio que a dese java. Kagome umedeceu os lábios secos. Em breve o teria exatamente onde queria, mas poderia ela fazê-lo feliz por estar ali? Seria capaz de fazer Inuyasha voltar a partilhar a cama do modo como costumavam fazer, no passado?

Essa seria a sua missão, a missão à qual se entregaria durante as próximas três noites.


Gente, meu horário anda muito corrido. Portanto nem sempre vai dar pra eu responder todas as reviews, mais não quer dizer que eu não as leia. Eu sempre leio todas. Enfim agora vai começar o RATE M. E gente, quem tava lendo Escolha Honrada, mandem reviews. Ninguém anda mandando. Enfimm.. é isso. No próximo cap eu respondo as reviews, tomarem que gostem do cap.