Quando Helen veio ajudá-la a se vestir para o baile, Rin já tinha decidido qual vestido usar. Era mais um traje feito por madame Constanza, dessa vez em tom azul e menos escandaloso que o vermelho. Na verdade, a costureira se superara. O vestido era maravilhoso.

Pensou por algum tempo se deveria ou não se cobrir com um manto, evitando assim qualquer comentário dos irmãos. Decidiu não usá-lo.

Miroku assobiou quando a viu descendo as escadas. Era um sinal de que aprovava o traje e talvez até preferisse vê-la vestida com o novo vestido.

Já a expressão no rosto de Hakudoushi era de desaprovação . A de Bankotsu era indecifrável. O duque apenas deteve o olhar no traje por um longo momento, depois fez um sinal para que Stanton abrisse a porta.

-#Podemos ir? - Bankotsu perguntou.

Enquanto Mirouku ajudava Rin a subir na carruagem, voltou a lhe dirigir um olhar de aprovação.

-#Oposto que na próxima estação todas as moças estarão usando vestidos de madame Constanza. Já vou lhe agradecer por antecipação, minha irmã.

Rin o beijou no rosto.

-#Ah, está ficando simpatizante de minha causa?

-#Não diga a ninguém ou serei considerado um traidor. Tenho de reconhecer que está mais feliz agora do que antes. Se esse estilo de roupa a faz sorrir, conte com minha aprovação.

Depois do comentário, Rin sentiu-se mais confiante no futuro. Já no baile, cada irmão foi para um lado e ela se viu sozinha. Era um passo muito positivo.

Viu-se subitamente rodeada por todos os cavalheiros da sociedade inglesa, satisfeitos com o fato de ela não ser mais vigiada pelos irmãos.

Em poucos minutos, seu cartão de danças estava completo, apesar de ter deixado uma delas em aberto. Tinha uma leve esperança de que Sesshoumaru pudesse dançar, quem sabe uma valsa com ela.

Depois de duas quadrilhas e de uma dança regional, os casais e a orquestras tiraram um merecido descanso. Rin percebeu que a amiga Sango se dirigia a mesa de refrescos e decidiu juntar-se a ela. Nisso, seu caminho foi bloqueado. Levantou o rosto e quase desmaiou de susto.

Naraku estava à sua frente, os olhos presos no decote do vestido azul. De imediato, ela levou a mão ao peito.

-#Boa noite, Rin. Posso ter o prazer de uma dança?

O pedido era tão absurdo que por um momento ela não soube o que responder.

-#Meu cartão de danças está todo preenchido – respondeu por fim, procurando readquirir o controle das emoções.

Quando tentou se afastar, Naraku mais uma vez bloqueou seu caminho.

-#Por certo reservou uma dança para o seu futuro marido.

-#É o último dos homens em Londres, ou mesmo no mundo inteiro, com quem eu me casaria. E devia estar agradecido que eu não tenha denunciado à polícia e exigido a sua prisão.

-#Ora, por que não fez isso? Oh, talvez porque tivesse de admitir que foi ao Belmont por vontade própria. Eu, particularmente, não a arrastei até lá. E então , quando eu fosse interrogado, teria de contar a polícia que você bebeu demais e que fomos para uma das salas reservadas.

Rin empalideceu.

-#Não ousaria fazer uma coisa dessas.

-#Não? Eu até poderia descrever uma pequena marca que tem ali. - Ele apontou para o seio esquerdo de Rin.

Ela não conseguiu nem respirar. Nunca ninguém ousaria lhe dizer palavras tão atrevidas. Mas era ainda uma Griffin, e ninguém de sua família recuava facilmente.

-#Pensa que assim vai me convencer a aceitá-lo como marido?

Naraku sorriu abertamente.

-#Não preciso convencê-la de nada. Não tem escolha, minha querida.

Rin pensou em Bankotsu e sentiu vontade de chorar. Bankotsu ficaria tão desapontado quando soubesse do episódio em que se envolvera!

-#Minha querida, eu perguntei se queria me acompanhar até o baile Belmont, e você concordou. Também não a obriguei a usar aquele vestido para me seduzir e, não duvido nada, provocar seu irmão. Se eu resolvesse tirar vantagem de seu mau comportamento, era uma prerrogativa minha. E escolhi agir a meu favor.

-#E se eu optasse por acertar uma bala no meio de seus olhos? - A voz de Sesshoumaru soou Baixa e profunda. Ele ficou ao lado de Rin de modo que seus corpos se roçavam. - Essa seria a minha prerrogativa.

Naraku balançou a cabeça, dando uma passo para trás.

-#Não vim aqui para brigar com você. Pretendo meramente discutir alguns assuntos com o duque de Melbourne.

-#Então não deveria estar ameaçando lady Rin nem ter tentado me atropelar esta tarde.

Rin arregalou os olhos e voltou-se para Sesshoumaru.

-#Ele fez o que?

-#Rasgou-me o terno. Sendo assim, a pergunta que faço, Naraku, é se prefere não falar com Bankotsu, ou se devemos marcar um duelo para antes do amanhecer em algum lugar privado?

A expressão arrogante de Naraku sumiu de seu rosto.

-#Não tem prova de nada.

-#Não preciso de prova alguma. Eu estava presente nas duas vezes. Vi o que você fazia no Belmont e o reconheci quando tentou me atropelar. Tenho uma vista muito boa e uma excelente memória. Agora trate de sair desta casa ou escolha o lugar para o nosso encontro amanhã cedo. Já escolhi usar pistolas.

-#Mas isso é.........

O marquês começava a perder a paciência.

-#Se não sair imediatamente, não vou me importar de provocar um escândalo. Vou matá-lo agora mesmo, Naraku. Pensando bem, posso me dar ao luxo de esperar até o amanhecer a até deixá-lo fazer sua escolha. Decida-se já.

Naraku mordeu os lábios, lançou um olhar a Rin, depois deu as costas e saiu do salão.

-#Meu Deus – ela murmurou.

-#Minhas desculpas – Sesshoumaru falou, beijando-lhe galantemente a mão. - Não pretendia perturbá-la, mas Naraku sempre desperta o meu pior lado. Ou terá sido o melhor?

-#Não precisa se desculpar. Eu agradeço muito, mais uma vez.

-#Não fiz a cena por sua causa, lady Rin. Esse miserável arruinou meu terno. E eu gostava dele mais do que gosto de muita gente. - O marquês lhe ofereceu o braço, levando-a a té a mesa de refrescos. - Passe a língua sobre os seus lábios, Rin. Mordeu-os com tanta força que estão sangrando.

Ela nem percebera que havia se ferido. Seguiu o conselho de Sesshoumaru, sentindo o gosto do sangue.

-#Eu não esperava encontrar Naraku aqui – Rin disse baixinho.

-#Nem eu. O homem é um covarde da pior espécie que existe no mundo.

-#E você o ameaçou de morte.

-#Sabia que ele não ousaria ficar aqui. Tentou esconder o rosto esta tarde quando quis me atropelar e não ousaria se aproximar de você se os irmãos Griffin estivessem por perto. Ele pretendia alcançar seu intento, deixando-a em pânico. Felizmente, dei a ele uma terceira possibilidade a considerar.

-#Sim. - Ela respirou fundo. - O que escutou de nossa conversa?

-#Eu o ouvi fazendo ameaças a você. Para mim, foi o suficiente.

Rin sentiu o estranho desejo de sorrir, apesar de tudo o que havia a contecido.

-#Naraku disse que contaria a Melbourne minha ida a Belmont, caso eu não o aceitasse como marido.

Como haviam chagado junto à mesa de refrescos, Sesshoumaru pegou duas taças e as encheu de ponche.

-#Aceita? - ele perguntou.

Ela concordou imediatamente.

-#Na verdade, eu gostaria de beber algo mais forte..... Não, não é isso que quero fazer. Estou falando bobagens.

-#Há uma diferença entre rum e rum misturado com calamante, apesar de que lady Feryon desmaiaria se visse alguém bêbado em sua casa. - Com um leve sorriso, o marquês tirou seu frasco de uísque do bolso e tomou um gole.

Rin ficou escandalizada.

-#Sesshoumaru! Guarde isso agora mesmo.

-#Só se você prometer sorrir.

-#Parece civilizado demais de sua parte. E muito filosófico.

-#Sério? Sabe que me provoca estranhos sentimentos, não é?

Oh, ela adorava olhar para ele, tentando decifrar o que poderia estar pensando.

-#Talvez combinemos....... - insinuou ela.

A voz de Sesshoumaru soou grave, um sussurro:

-#Se tivesse idéia do quanto gosto de estar com você, certamente sairia correndo aos gritos.

Deus do céu! Um calor inesperado queimou a pele de Rin.

-#Quero ouvi-lo dizer o quanto gosta – ela murmurou.

-#Ah, muito, muito.

-#Acha que poderia me seduzir? - Rin falava, sabia de antemão que ele já a seduzira.

Os dedos de Sesshoumaru apertaram os dela, e mais uma vez seus olhares se encontraram.

-#Sim. Mas não vou fazê-lo. Suponho que algumas vezes há boas razões para existirem regras.

Rin sentiu como se a houvessem jogado na neve fria.

-#Não e justo.

-#Então acha que seria normal levá-la para baixo da mesa e levantar suas saias? Certamente viveríamos uma aventura, mas penso que não lhe faria bem algum.

-#Parece-me que agora quem está fugindo é você.

-#De fato, estou.

-#Então eu deveria contar a Bankotsu sobre Naraku. Ele me enviaria no mesmo instante para nossa casa de campo e consultaria sua lista de cunhados em potencial. E eu teria de seguir as regras por mais estúpidas que fossem.

-#Não fui eu quem estabeleceu as regras. - Sesshoumaru olhou para onde os irmãos Griffin estavam.

Os três certamente haviam notado a conversa que o marquês tivera com Naraku, mas não faziam idéia de que não fora nada amigável. Nenhum acordo que pudesse ter feito com Rin teria impedido Melbourne de ir defender um membro da família, se achasse que o mesmo estivesse em perigo.

Sesshoumaru tinha de reconhecer que não se importara com o fato de que Naraku havia ousado tentar atropelá-lo. Na verdade, enfurecera-se ao ver o patife conversando com a mulher que tinha drogado e tentado seduzir à força.

E Rin lhe parecera aterrorizada com o que ouvia. Por mais liberdade e aventura que desejasse vivenciar, ela ainda continuava sendo uma Griffin.

-#Pode ficar com raiva se desejar – ele sussurrou em um tom suave. - Mas não espere que eu peça desculpas por nada. Gastei muito tempo e energia me tornando o que sou. E não vou mudar por ninguém. - Não tinha intenção de admitir que recentemente a idéia de quem se tornara começava a perturbar seu sono.

-#Muito bem – Rin disse depois de um momento. - Apenas não me fale mais sobre regras.

Ora, ela ainda estava falando com ele e nem havia se retirado, ofendida. Rin Griffin era uma mulher notável.

-#Sem promessas. E diga a Melbourne o que desejar – Deverill murmurava, servindo-se de um biscoito numa travessa que havia sobre a mesa de doces e refrescos. - Eu mesmo não contei nada ainda ao duque por causa de Naraku. Eu já tinha avisado ao patife o que poderia acontecer a ele se ornasse a se aproximar de você. Acontece que ele não acreditou em minha palavra.

Rin dirigiu um olhar preocupado a Sesshoumaru.

-#Não vai matá-lo, não é?

-#Ainda não sei oque farei. Mas não deveria se preocupar com esse cretino. E falo sério.

Ela abaixou os olhos, agora cheios de lágrimas. Sesshoumaru ofereceu um lenço, e ela fingiu que estava tirando um cisco da vista.

-#Cometeu um erro confiando em Naraku, mas não se sinta culpada. - Ele sorriu. - E, acredite em mim, sei como é estar em situação complicada. - Então se dispôs a afastar-se, mas voltou a ela com um olhar indagador. - Se houver mais alguma coisa em que eu possa ajudá-la...

-#Oh, deixe-me ver. Já faz meus inimigo desaparecerem, livra-me das ameaças deles, ajuda-me a ter liberdade, esconde o meu mau comportamento de meus irmãos....... Não, penso que não há nada mais no momento.

Sesshoumaru riu abertamente. Deus, Rin era uma mulher especial. Já sabia que ela tinha um senso de humor aguçado mas nunca prestara muita atenção a seus outros atributos.

-#Então nos veremos mais tarde.

Já estava se afastando, quando Rin o puxou pela manga do casaco.

-#Oh, eu havia me esquecido. Há mais uma coisa.

-#Do que se trata?

-#Há um espaço vazio em meu cartão de dança. Será que você....

Sesshoumaru pegou o cartão e escreveu o seu nome no lugar apropriado.

-#Tem certeza de que quer valsar comigo?

-#Oh, sim – ela murmurou, ruborizando. - Tenho certeza.

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Faltando ainda uma hora para que a valsa prometida a Rin, Sesshoumaru seguiu para a sala de jogos. Mesmo que a sobriedade tornasse o jogo excessivamente monótono, seria melhor do que ficar no salão olhando os casais dançarem.

Além do mais, Kagura Franch estava lá. Certamente o procuraria com aqueles seus apelos sedutores.

Desde quando ele se deixava envolver por mulheres casadas e sem moral?

Uma lembrança cruzou sua mente.

Desde que o pai era jovem e vivia recebendo mulheres em casa. Mulheres que ele fazia o filho chamar de tias. Não que Sesshoumaru se deixara enganar alguma vez. Sabia o que o pai pretendia com cada uma das amigas. Apenas prazeres gratuitos e sem compromisso algum. Claro que elas queriam assumir o papel de duquesa, vago desde a morte da esposa de Inu Taisho. Mas Sesshoumaru sempre soube que o pai não pretendia se casar com nenhuma.

O belo e sedutor Inu Taisho havia se transformado em uma figura grotesca. Sesshoumaru vira o pai sucumbir à loucura e à doença aos cinqüenta e dois anos de idade.

Assim, as mulheres tinham conseguido a almejada vingança. Foi quando as atenções voltaram ao filho do marquês. Por seu lado, este passou a usufruir, como o fizera antes o pai, apenas de prazeres sem compromisso.

Nada disso, porém, explicava a atração que sentia por Rin Griffin, Sesshoumaru pensou. Toda vez que estava em sua companhia, sentia desejo de tomá-la nos braços e beijá-la. Mas do que isso. Gostaria de despi-la de seus novos e ousados vestidos e tocar a pele macia. No entanto, esse sentimentos passariam, tinha certeza disso.

-#Deverill.

O marquês levantou os olhos da mesa de jogo.

-#Melbourne.

-#Preciso falar com você.

Claro que sim. Na certa, o duque desejava receber um relatório, narrando todos os passos de Rin, e Sesshoumaru prometera a ela que não contaria nada a respeito do incidente com Naraku.

-#Dê-me alguns minutos para que eu ganhei todo o dinheiro de Everton. Encontro você na varanda.

O duque concordou e deixou a sala de jogo. Com a quebra da concentração, Sesshoumaru perdeu a rodada e deixou o local vinte libras mais pobre. Passara os últimos minutos pensando no que diria a Bankotsu, quanto poderia revelar sem quebrar a promessa feita a Rin. Nada parecia satisfatório e não poderia retardar mais o encontro.

Bankotsu estava fumando na varanda quando o marquês se aproximou.

-#Espero que tenha outro desse cigarro – Deverill disse, sentindo o aroma delicioso do fumo americano.

Melbourne tinha gostos caros, assim como ele.

O duque tirou do bolso um cigarro e o estendeu a Sesshoumaru. Os dois passaram a caminhar pelos jardins da mansão, enquanto o marquês tentava pensar no que diria ao amigo.

-#Muito bem – o duque iniciou a conversa. O que há de novo?

-#Nada de muito importante. Rin dançou com alguns cavalheiros e passeou no Hyde Park com Cobb-Harding.

-#E parece interessada em alguém em particular?

-#Não que eu tenha notado. - Precisava passar alguma informação interessante a Bankotsu, ou o duque desconfiaria de que estava trabalhando para os dois lados. - Ela apenas quer ser livre. Duvido que esteja com pressa de se casar.

Melbourne ficou em silêncio por uns instantes.

-#Nem, o que estava conversando há pouco com Rin? E não adianta fazer esse olhar inocente, porque alguma coisa estava acontecendo.

-#Hashi contou que ela me pediu para lhe servir de guia, não é?

O duque concordou com um sinal de cabeça.

-#E que conselho deu a minha irmã, diga-me, por favor.

-#Ainda não dei nenhum. Nem tenho idéia do que vou sugerir. Não quero ser expulso de Londres e caçado implacavelmente pelo clã Griffin. Em vez disso, pedi a Rin que dançasse comigo.

-#E quanto a Naraku? Não vai me dizer que terei de chamar aquele caça-dotes de cunhado, não é?

-#Não. Pelas minhas observações, Rin não se interessa por ele.

-#Que bom. - Bankotsu apagou o cigarro. - Odiaria fazer de minha irmã uma viúva se ela cometesse o erro de escolher esse pilantra.

-#Acho que não dá muito crédito à inteligência de Rin, Bankotsu. Ela pode estar com raiva de você, mas ainda é uma Griffin.

-#Pensei que essa fosse a parte de que ela mais desgostava de sua vida.

Sesshoumaru se deu conta de que não sabia o que dizer a respeito. Bankotsu apenas não queria que Rin se envolvesse em escândalos. O que incluiria beijar o marquês de Deverill, é claro.

-#Rin não revelou quais são seus planos? Você tem um jeito especial de fazer as pessoas confidenciarem seus mais secretos pensamentos.

-#Sou mesmo a personificação do charme. - Sesshoumaru riu e apagou o cigarro. - Por quanto tempo mais deverei ser o seu criado?

-#Até que eu decida que já saldou a sua dívida, ou até que Rin termine com toda essa bobagem. Enfim, o que vier primeiro.

-#É encorajador. - Considerando que podia ter acabado com toda aquela bobagem contando a Melbourne o que acontecera entre Rin e Naraku, Sesshoumaru concluiu que a culpa era toda sua.

Surpreendentemente, a tarefa de ser guardião de Rin tinha se tornado mais interessante do que imaginara. Depois de salvá-la dos braços de outro homem e provando o gosto doce dos lábios dela, a vida do marquês tinha virado de pernas para o ar. E naquele momento, não estava desgostoso de que isso tivesse acontecido.

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Depois do intervalo, a orquestra começou a tocar a valsa. Uma vez que Naraku havia sumido do salão, Rin estava tranqüila, mas ansiosa.

Dançaria a valsa com Sesshoumaru.

-#Chegou a hora, não é? - Deverill se aproximara sem que ela percebesse.

-#Claro, milorde – Respondeu ela em um tom formal.

Ao segurar a mão enluvada, Sesshoumaru frustou-se por não poder sentir a tempertura e a macies da pele clara. Mas, depois das ameaças de Naraku, Rin não ousara mais a se arriscar em público.

Sesshoumaru a levou à pista de dança, onde começaram a valsar. Ela nunca o vira dançar antes, apesar de ter ouvido falar de suas habilidades nessa arte. Então deixou-se levar por aqueles braços fortes e deslizar pelo salão.

Em um canto da sala, Melbourne conversava com o duque de Monmouth e parecia não notar o que acontecia na pista de cança. Rin, porém, o viu.

-#meu irmão lhe perguntou alguma coisa sobre o que andei fazendo?

-#Qual irmão?

-#Bankotsu, naturalmente.

Rin imaginou vê-lo hesitar por um segundo, mas em seguida sorriu e apertou de leve seu pulso.

-#Ele queria saber de seus planos.

-# E o que você contou?

-#Que não tinha conhecimento de nada em particular, mas que a ensinaria a trapacear no jogo do vinte e um se você me pedisse.

Rin riu com gosto.

-#Até que não é uma má ideia. Quem sabe na próxima semana? Obrigada. Sei, por experiência, que não é fácil mentir para Bankotsu.

-#Ah, mas eu sou um mestre na arte de enganar a apessoas. Metade do tempo não confio em mim mesmo – assegurou ele, reparando na reação dela ao comentário.

Sesshoumaru sorriu e a expressão em seus olhos era exatamente a que Rin não conseguia decifrar.

-#É assim que deve ser. Estamos seguindo regras ou não?

Oh, o modo como ele se comportava era tão tentador e ao mesmo tempo um mau exemplo para ela.

-#Não sei ainda. Se eu não fosse irmã do duque de Melbourne, ainda assim me ofereceria ajuda?

-#Claro que sim, gosto de você. E não é só porque é irmã do meu melhor amigo.

-#É verdade, não é? Por isso considero-o superior aos homens com quem dancei esta noite.

-#Está errada a esse respeito. Minhas razões por estar aqui não me tornam um herói, e não significa que agirei corretamente com você. Melhor não se esquecer disso.

Dançaram em silêncio por alguns momentos. Melbourne podia estar fingindo não vê-los, mas ela podia notar Hashi com os olhos pregados na pista de dança. E não era o único a observá-los. Moças de família não dançavam com Deverill, mas certamente a invejavam. Por sorte, Rin podia desfrutar daquele prazer porque o marquês era amigo de seus irmãos.

-#Não entendo por que me alerta tanto sobre seu comportamento.

-#Suponho que pela mesma razão que a beijei.

Ela engoliu em seco, desejando que o rosto não tivesse ruborizado.

-#E por que o fez?

-#Simples, porque eu desejei.

Oh, Deus.

-#Mas nunca quis fazer isso antes.

-#Não entendi, alertá-la contra mim ou beijá-la?

-#Beijar-me.

Sesshoumaru respirou fundo e seu olhar se dirigiu aos lábios de Rin.

-#Ultimamente você tem chamado a minha atenção. Por isso deve ter em mente que precisa encontrar outro tutor.

-#Não, obrigada. Estou muito satisfeita com o que escolhi.

O que Sesshoumaru diria, Rin ficou imafinando, se confessasse que sempre se interessou por ele? Decerto, o marquês a arrastaria para algum canto e logo consumaria aquela atração evidente. E sem ninguém para salvá-la dessa vez.

Talvez não quisesse ser salava. Esse tipo de aventura, porém, apenas arruinaria a sua reputação. Ouvira rumores sobre mulheres com quem Sesshoumaru havia se divertido e que foram esquecidas depois de uma noite de pecado. Aconteceria com ela também?

-#No está pensando? - ele perguntou.

-#Em liberdade.

Ela o surpreendera.

-#Não era a resposta que imaginei ouvir. Está determinada, não é?

-#Sim, muito. Mas, no momento, você é responsável pelo futuro de minha busca. Ainda há algo que gostaria de falar. - A valsa terminou, mas ainda mantinham as mãos unidas.

Com uma olhada para o lado, Sesshoumaru indicou uma porta.

-#Vá à biblioteca e procure um atlas.

-#Um atlas? O que devo procurar?

-#Qualquer coisa, um rio nas Américas..... - O marquês soltou a mão de Rian e seguiu para a mesa de refrescos.

Com o coração batendo forte, Rin abriu caminho entre os convidados e entrou na biblioteca. Não demorou e a porta se abriu novamente.

-#Temos apenas um minuto antes que seus irmãos apareçam por aqui à sua procura. Muito bem, o que tem a me dizer.

Ela ficou em silêncio por um momento, pensando no que diria a Sesshoumaru Taisho.

-#Importaria-se em me beijar novamente? - ela pediu.

-#Ousada você não.

Não houve tempo para respostas, pois logo a boca sequiosa de Sesshoumaru cobriu os lábios de Rin.

Sentir-se tomada daquela forma foi uma experiência única, capaz até de parar os ponteiros do relógio. Os corpos unidos pareciam flutuar para bem longe da biblioteca fria. O calor da respiração de Sesshoumaru fazia sua pele subir em doces arrepios..... oh, céus!

Cedendo aos impulsos, Rin gemeu baixinho enquanto enfiava os dedos nos cabelos do marquês. Se em um momento ele correspondia ao beijo com paixão, no outro afastou-se inesperadamente, deixando-a perplexa. Dessa vez os gemidos foram de decepção.

-#Por que.....

-#Pediu um beijo – murmurou ele, tirando as mãos delicadas que enlaçavam seus pescoço. - Há mais alguma coisa que eu possa fazer por você?

Oh, sim. E você bem sabe o que.....

-#E a minha aventura?

-#A sua aventura...... - Deverill repetiu. - Claro. Que tal me dar alguma pista para que eu saiba que direção devo tomar?

-#Não decidi ainda! - exclamou, contrafeita.

-#Pois é melhor pensar, já que, apesar de sua momentânea fraqueza, sei que não quer o pecado como amigo constante. E isso diminui muito as suas opções.

-#Sei disso. Por ora, decidi participar com lorde Michael Fitzroy e seus amigos em uma corrida de barcos amanhã.

Sesshoumaru abriu a boca e a fechou em seguida.

-#Como participante ou espectadora?

Ela riu. Somente Deverill poderia achar que ela participaria de uma loucura dessas.

-#Nunca remei antes na vida. - Rin riu de novo, imaginando-se em um barco. - Suponho que posso simplesmente dizer que vou a esse passeio, e Melbourne que tire suas conclusões.

-#Uma tática perigosa, mas aventureira também. Divirta-se. - Ele deu um passo para trás, fez uma reverência elegante e saiu da sala.

Rin ficou ali por um momento. Mal reparou que Miroku entrava na biblioteca.

-#Ficou louca? - ele disse, exasperado.

-#O que fiz? Não deveria dançar com Deverill? Oh, céus, Miroku. Eu o conheço há.......

-#Não estou me referindo a isso, mas a Michael Fitzroy. Você não pode ir remar no Tâmisa. Especialmente em um barco cheio de bêbados.

-#Mas assistimos a outras corridas antes, Miroku. O que há de errado nessa em particular?

-#Assistir à corrida e participar são duas coisas bem diferentes, Rin. E eu não ......

-#De fato são duas coisas diferentes, não é? Obrigada por me fazer reparar nisso. Agora dance comigo ou vá embora.

-#Para que combine uma viagem à Índia, a fim de aprender a encantar serpentes? Deve haver limite para essa sua aventura e isso se refere à segurança.

-#Miroku, não cabe a você ficar discutindo o que posso ou não fazer.

-#Estou do seu lado, mas age como uma inconseqüente.

-#Sesshoumaru não pensa assim.

-#Ora, está julgando a sua sanidade pela do marquês? Santo Deus, Rin, ele é um devasso. Ouvi rumores sobre as coisas que ele tem feito. E a maior parte não é simplesmente um boato!- Miroku sentiu vontade de sacudir a irmã. - Além do mais, você é mulher. Goste ou não, há coisas que um homem pode fazer que arruinariam a reputação de uma moça, caso ela fizesse o mesmo. Remar é uma delas.

E beijar era outra, Rin pensou.

-#Se eu manchar minha reputação, então Melbourne e você serão os vencedores. Portanto, não se aborreça.

Ela pretendia deixar a sala, mas Miroku a agarrou pelo braço.

-#Não se trata de ganhar ou perder. Estou pensando na sua felicidade. Tenha um pouco de cautela, Rin. Não quero vê-la casada com algum bufão porque Bankotsu pensa que ele a manterá sob firme controle.

Rin sentiu um arrepio percorrer a espinha.

-#Ele já escolheu alguém, não é?

Miroku enrubesceu, soltando-lhe o braço. Rim deixou a biblioteca, seguida pelo irmão.

-#Não, eu apenas estava dizendo.....

-#Quem é ele, Miroku?

-#Se você for inteligente, saberá fazer a escolha certa e garanto que Bankotsu aprovará.

-#Não estou atrás de ninguém no momento – Rin mentiu, olhando na direção de melbourne. - Não se esqueçam que entramos em um acordo. Ninguém disse uma palavra sobre qualquer mau comportamento da minha parte até agora. Assim, eu ainda mantendo as rédeas de meu destino.

-#Não se manhã morrer afogada no Tâmisa.

-#Seria melhor do que me casar com o idiota que Melbourne escolheu para mim – sentenciou, dando as costas ao irmão. - Boa noite Miroku.

Enquanto caminhava ao encontro de Sango e de algumas outras amigas, Rin ficou pensando que devia agradecer a Deverill por seu noivado ainda não ter sido anunciado em algum jornal de Londres. Se ele não tivesse conseguido deter os planos de Naraku, bem que poderia se atirar no Tâmisa no dia seguinte e morrer.

Que estranho! Um libertino chantageando outro. Rin faria uma prece naquela mesma noite, para que o mais improvável dos heróis merecesse a confiança que ela lhe depositava.

Olá!!!!!!
Alguém já sabe com quem o Bankotsu pretende casar sua irmanzinha????

Próximo capitulo a Rin vai revelar qual será sua aventura, e vocês vão cair para tráz quando souberem...rsrsrsrrsrrs

Beijos até o proximo capitulo, espero mais reviews em............