Capítulo 7
Jensen e Jared passaram o resto do domingo em seus respectivos quartos, sem ânimo para fazer mais nada. Nem mesmo o trabalho de história conseguiram adiantar. Saíram apenas para comer, mas não se esbarraram pela cafeteria em momento algum. Jared também não se encontrou com Tom, que havia passado o dia fora com Donald D.J. visitando um antigo mosteiro, que era o objeto de sua pesquisa. Assim como Tom e D.J., várias outras duplas de alunos tinham aproveitado o domingo para sair do colégio e visitar prédios históricos para o trabalho de história.
Na segunda-feira de manhã, Jared arrastou-se até a cafeteria sem o menor ânimo. Tom acenou para ele animadamente. Na mesa, ao lado de Tom, estava D.J.. Pareciam conversar com entusiasmo.
- Bom dia, Jared! – Tom exclamou ao ver Jared se aproximando. D.J.. também o cumprimentou.
Jared apenas acenou com a cabeça. Será que aquele dia poderia ser mesmo bom? Ele duvidava muito...
- E então? Conseguiu terminar o trabalho com o Jensen ontem? – Tom quis saber.
- Não... – Padalecki suspirou. Só tinham mais uma semana para terminar aquele trabalho, e vários outros trabalhos de outras matérias estavam se acumulando. Ele esperava que Jensen tivesse conseguido trabalhar mais do que ele, caso contrário estavam mesmo ferrados.
- Eu e o D.J. quase terminamos tudo ontem! E ainda foi super divertido o nosso passeio fora da escola, não foi?
D.J. concordou com o colega e começou a contar sobre todos os lugares que haviam visitado e pessoas que haviam encontrado.
Como podia alguém ser assim tão animado? Jared ouviu a tudo tentando ser simpático, mas estava difícil. A vontade que tinha era de sair correndo dali e se trancar em seu quarto.
Depois, Tom, também animado, contou de como o motorista fora camarada parando em um mini shopping center para que os meninos pudessem comprar presentes para seus pais.
- Eu comprei um camisa super bacana, e o D.J. comprou um creme de barbear – contou ele.
Jared lembrou-se então da festa que teria no próximo sábado para a comemoração do dia dos pais, que seria no domingo seguinte. Não tinha nada para presentear seu pai. Problema... Quem coloca o filho em uma escola interna não pode mesmo esperar um presente...
Jensen avistou os três meninos sentados na cafeteria e tratou de se sentar bem longe deles. Queria evitar Padalecki até onde fosse possível, principalmente porque não tinha material nenhum para lhe apresentar para o trabalho de história.
As aulas se arrastaram, e tanto Jensen quanto Jared torceram para que o dia acabasse logo. Ao final da última aula, Jensen estava sentado tentando prestar atenção quando viu Jared passar um bilhetinho para um colega. Jensen estremeceu ao perceber que o bilhetinho estava vindo em sua direção. Seria uma mensagem para ele? Provavelmente Jared queria se encontrar para falar sobre o trabalho. Teria que inventar uma desculpa, estava muito sem graça por não ter conseguido fazer nada.
Quando o bilhete chegou em suas mãos, Jensen leu:
"Eu não fiz mais nada do trabalho de história. Você quer me mostrar o que você fez depois da aula?"
Aliviado por não ter sido o único vagabundo, Jensen respondeu:
"Eu também não fiz nada... Podemos marcar na quarta-feira depois da aula de inglês?"
Recebeu como resposta: "Ok, combinado. Passo no seu quarto as 15h".
Assim que a aula terminou, Jensen correu esbaforido para a saída. Conseguiu evitar topar com Jared mais uma vez. Só de pensar em trocar olhares com o moreno, estremecia.
Jared, notando que Jensen o evitava, tornou-se ainda mais amargo. Não via a hora de terminar aquela porcaria de trabalho de uma vez por todas e nunca mais olhar para a cara do louro. Era óbvio que Jensen não queria olhar para a cara dele também.
Quarta-feira, dia 15 de Junho de 1994, 14:30h. A aula de inglês terminou cedo. Jensen estava suado, talvez por nervosismo, ou talvez por que fosse de fato um dia muito quente de verão. O menino correu para o quarto, precisava de um banho antes de se encontrar com Jared.
Debaixo da ducha fria, Jensen podia ouvir seu coração batendo forte. Tanto que tentara esquecer aquele menino... Pelo jeito havia sido totalmente em vão. Só de pensar que encontraria com Jared em poucos minutos, Jensen ficava fora de si.
Assim que terminou a aula, Jared foi até seu quarto buscar as anotações que tinha feito para o trabalho. Sua ideia era juntar aquilo com o que quer que Jensen tivesse escrito e finalizar sem mais demora. Precisava fazer exercícios de física e matemática, não queria mais perder seu tempo com aquele trabalho. Se tirassem nota baixa, problema...
Pegou um bolo de folhas escritas e seguiu em direção ao quarto do louro. Eram 14:45h quando bateu na porta. Sem resposta...
- Jensen! – chamou ele.
O louro, ao ouvir a voz do moreno, saiu esbaforido do banho. Jared não havia chegado cedo demais?
- Já estou indo! – ele gritou de dentro do quarto.
Jensen se secou de qualquer jeito e enfiou uma bermuda e uma camiseta o mais depressa que pôde. Correu até a porta.
Jared engoliu em seco. Jensen estava com o cabelo todo molhado e despenteado, com a camisa pelo avesso e tinha a respiração ofegante.
- Desculpa, eu estava acabando de sair do banho. Entra... – ele disse fazendo um sinal para o moreno entrar.
"Minha mãe do céu, por que esse infeliz tem que ser tão bonito..." – pensou Jared, ao mesmo tempo que estendia a mão para entregar a Jensen toda a sua pesquisa.
Jensen pegou também suas anotações, e entregou ao colega.
Cada um dos meninos passou os olhos pelo trabalho do outro. Pareciam ter escrito mais ou menos o mesmo número de páginas.
Jared tentou ler alguma coisa, mas não conseguiu. Jensen estava tão cheiroso... Jensen olhou do trabalho para Jared e também não conseguiu ler nada. Estava sem fôlego. Aquele garoto precisava sair dali, e depressa.
- Jared, eu vou ler o que você escreveu, e você lê o que eu escrevi, e amanhã a gente junta... Pode ser? – o louro disse, já se encaminhando para a porta.
Por que Jensen estava com tanta pressa de tirá-lo do quarto? No mínimo estava tomando banho para se encontrar com outro menino mais tarde. Se Jensen pretendia se livrar dele, ele que fosse mais claro e direto.
Jared então se aproximou de Jensen por trás e apertou suas nádegas com as mãos. Jensen se virou assustado, e Jared se encostou mais. Prendendo o louro contra a parede, Padalecki começou a apalpá-lo de uma forma quase agressiva. Estava morrendo de vontade de agarrá-lo.
Jensen ficou sem ação. Ele era louco por Jared, mas o que o moreno estava fazendo? Parecia claro para ele que tudo o que Jared queria era enfiar suas mãos nele, sem se importar nem um pouco com seus sentimentos. Jared não gostava dele, queria apenas uns amassos. Jensen permaneceu imóvel diante aos avanços do colega.
Jared olhou o louro nos olhos. Ele parecia um filhote de bambi assustado. Talvez estivesse sendo grosseiro demais... Jared sessou os amassos e aproximou seus lábios dos de Jensen. Beijou-o carinhosamente e apertou seu corpo em um abraço caloroso. Sentiu a temperatura subir e seu coração bater como louco.
Jensen estremeceu. Aquele beijo estava gostoso demais. Tudo o que ele queria agora era ficar abraçado a Jared, para o resto da vida. Passou seus braços por cima dos ombros do moreno e apertou-o com a pouca força que lhe restava. Estava com as pernas bambas.
Jared levantou Jensen do chão e levou-o até a cama, onde se sentaram. Olharam-se nos olhos sem dizer nada. Então Jared empurrou Jensen de leve para que ele se deitasse e voltou a abraçá-lo. Jared enfiou seus braços por dentro da camisa de Jensen e acariciou-o carinhosamente. Jensen imitou os movimentos do colega.
Jensen não podia acreditar. Então Jared gostava dele afinal? Não havia sido apenas uma ilusão? Ele podia sentir todo o carinho que vinha do moreno... Era impossível não se controlar. Jensen tentou engolir o choro o máximo de tempo possível, mas foi em vão.
Jared sentiu a respiração do louro entrecortada.
- Jensen... Você está chorando? Por que? – Jared perguntou alarmado afastando seu rosto da face molhada do louro.
O menino deu de ombros. Não podia dizer que estava chorando de emoção, podia? Não podia dizer que estava apaixonado e que sentir que era correspondido era o melhor sentimento do mundo... Existia limites para ser bicha, mesmo para um homossexual assumido.
Jensen abraçou Jared com força e escondeu seu rosto nos ombros do moreno.
Jared beija Jensen... Jensen chora... Não era a primeira vez que isso acontecia... Jensen falava do tempo e de coisas banais, evitava falar de sentimentos. Depois, agarrado a seus braços, chorava...
Meu Deus! Jared sentiu seu coração sendo arrancado do peito. Como pudera ser tão cego? Como pudera ser tão completamente idiota? Como pudera pensar que o Jensen real e o de seus sonhos eram iguais por fora e diferentes por dentro, quando na verdade, era exatamente o contrário?
O Jensen de seu sonhos tinha perdido a mãe e o irmão, estava doente, tinha um pai idiota. O Jensen real não, aparentemente tinha uma vida normal, mais feliz. Isso era "por fora" e não "por dentro"...
Por dentro, em essência, eram a mesma pessoa. Aquele menino que estava agora em seus braços, que suspirava e corava e chorava da mesma forma que o seu amado, ERA o seu amado. Como pudera duvidar disso? Ele havia de fato conseguido uma nova chance. Aparentemente uma nova chance na qual Jensen tinha um histórico familiar mais feliz.
Jared apertou Jensen contra seu peito com força e sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos. Era uma emoção infinita que sentia ao finalmente reconhecer que estava ao lado do grande amor de sua vida.
Comentário aos reviews:
sara2013, você tem razão. O Sam pensa demais... O sentimento estava lá, o tempo todo, mas ele não se deixava entregar. Agora que conseguiu que as coisas fizessem sentido... Ufffa :)
Naty, rsss. Vergonha alheia foi ótimo (kkk).
Bem, na outra fic, não era possível haver P.O.V. Jensen porque era um sonho (ou recordação?) do Jared. Agora sim, o P.O.V. do Jensen aparece e inclusive explica algumas coisas. Por exemplo, nesse capítulo finalmente está dada a explicação do choro do Jensen quando Jared o beija (lembra? Faz tempo isso, né? Rss). O choro era de pura emoção, já que ele não tinha certeza se seu amor era correspondido. Exatamente como aqui.
Sobre sick!verse: Voldermort? Sério? Ainda não cheguei nessa parte, mas agora fiquei curiosa (rsss). Vou tentar ler com mais regularidade. Eu parei quando o Jensen contou que tinha um diretor dando em cima dele… Tadinho... Rsss.
DWS, Pobres Js, eles já demoraram tanto para se entender na outra história. Acho que eu devo isso a eles (deixá-los juntos um pouquinho, rsss). Mesmo com eles se entendendo, ainda tenho muita coisa para contra nessa historia. Eles nao necessariamente precisam estar separados…
Mas jura que esta história ja esta ficando irreal? Acho que eu só consigo escrever maluquice, mesmo quando eu tento ser normal… Rsss. Mas vou tentar falar um pouco mais de outros personagens (e lugares). Só porque não falo sobre eles não quer dizer que eles não existem…
Muito obrigada pelos comentários!
