Parte VII
I will be watching over you
I am gonna help you see it through
I will protect you in the night
I am smiling next to you, in Silent Lucidity
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Percival Ignatius Weasley não era, nem jamais fora, uma pessoa ruim.
Ele tinha ambições e sonhos. Nunca ninguém disse que era errado tentar obter mais do que seus pais o deram, ninguém criticava as pessoas que subiam por seus próprios méritos, todos sempre elogiavam aqueles que conseguiam subir com seus próprios esforços na cadeia alimentar da vida, e isso era a única coisa que Percy tentara fazer durante boa parte da sua vida.
Não era fácil ser apenas mais um Weasley. Nunca fora. Durante muito tempo, ele dividira o posto de 'só mais um' com Ronald, porque, afinal de contas, Bill era bonito e selvagem e inteligente, e Charlie era destemido e um ótimo jogador, e os gêmeos eram oh, tão divertidos, e Ginny era uma menina. Mas ele e Ron? Ele e Ron não eram nada de especial. Magrelos, altos, ruivos, cheios de sardas e roupas de segunda mão, eles eram o que ninguém quer ser: só mais um.
Mas então Ronald não só quebrara a sua marca de só mais um, como subira mais alto do que todos os outros. Ronald era o melhor amigo, o quase irmão, de Harry Potter, O-Menino-Que-Sobreviveu em pessoa! Alguém que, na opinião de Percy, não era lá essa coisa toda no fim das contas.
Harry, sim, era um tipo que deveria ser só mais um, e, no entanto, ele não era, e Percy não achava isso justo.
E assim, com um pouquinho de ressentimento aqui, um pouquinho de condescendência fraternal ali, um pouquinho de orgulho ferido acolá, e voilà, eis que Percy havia se tornado o traidor da família.
Nunca fora esse o objetivo de Percy. Ele adorava a sua mãe. Ele amava seu pai. Ele até mesmo diria que amava seus irmãos, e Ginny sempre seria a princesa mais perfeita que jamais apareceria na terra, mas ele tinha uma carreira a pensar, e a primeira oportunidade de verdadeiramente crescer lhe havia sido apresentada, ele não iria jogar tudo pela janela, simplesmente porque sua família não via as coisas como elas verdadeiramente eram. O resultado de tudo isso fora, no fim das contas, a lição mais valiosa jamais aprendida por Percy: que não importa o tamanho dos seus erros, sua família sempre vai lhe perdoar, muitas vezes até mesmo antes que você se perdoe.
A luta em Hogwarts fora o primeiro passo para a sua redenção, e ele fora recebido de braços abertos de volta à família. Seu emprego no Ministério fora mantido porque, assim como muitos outros, ele não fora exatamente visto na batalha, e, por isso, julgavam que sua posição política anterior – o Ministério tudo sabe, tudo vê e sempre está certo – ainda estava sendo mantida.
A verdade, no entanto, era diferente. Percy não concordava com o Ministério, com as medidas tomadas ou a maneira como a Sapa-Mor em comando governava o país. Mas como seu pai havia lhe lembrado, era importante que eles se mantivessem lá dentro, para que pudessem ajudar as poucas pessoas que podiam.
Era quase um trabalho de formigas, mas era melhor do que nada, e nenhum esforço era muito pequeno ou muito grande, se isso fosse lhe ajudar a receber o perdão que ele tanto precisava.
Colocando-se estrategicamente na Seção de Regulamentação de Casamentos, ele pudera evitar a prisão de Ron e Hermione, pôde regulamentar a união de Charlie com seu namorado de anos, pôde ajudar Lee Jones a esperar que sua namorada atingisse a maior idade para só então casarem, pôde tirar George da lista das pessoas passíveis de União alegando – falsamente - que ele era estéril, e mais milhares de pequenas questões que, para as pessoas envolvidas, eram enormes.
Havia uma pessoa, no entanto, que Percy não conseguira ajudar, e era exatamente ali que Percy jamais se perdoaria.
A Comedora-de-Moscas-Suprema havia tratado de toda a questão referente a Harry Potter tão às escuras, tão por debaixo dos panos, que Percy só soube do iminente casamento de Harry com Lucius Malfoy no dia em que havia enviado a documentação, e despachado os aurores para buscá-lo.
Tudo que Percy queria era uma chance de se redimir com o melhor amigo de seu irmão, tirá-lo do tal casamento e evitar ainda mais sofrimento para aquele garoto que considerava a sua família como dele também. Ele não era cego, nem tampouco burro, ele sabia muito bem que Lucius Malfoy obviamente culpava Harry pela morte de Narcissa, mas, aparentemente, a alegação de o casamento era apenas parte de uma trama de vingança não convencera Aquela-Que-Usa-Cor-de-Rosa, e nada pudera ser feito.
Ele e mais algumas outras pessoas de dentro do Ministério queriam acabar com a Lei, com o governo de Umbridge, e com tantas outras coisas que nem era mais possível nomeá-las, mas lhe faltava algo de essencial para que pudessem, realmente, fazer algo acontecer: poder financeiro. Porque os ricos e poderosos estavam satisfeitos com o governo que tinham, e Percy nem mesmo ousava sonhar que algum dia no futuro próximo fossem obter tal apoio.
Mal sabia Percy que a sua chance de redenção acabava de entrar em sua sala, na forma de Draco Malfoy.
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Draco acordara cedo naquela manhã, muito antes do restante da casa, e saíra sem ser percebido, pretendendo voltar muito antes que sua ausência pudesse ser notada.
Ao entrar no Ministério, mais especificamente, na sala designada à seção de Lei e Regulamentação de Casamentos, Draco estava preparado para pagar, chantagear, subornar e ameaçar quem quer que estivesse lá para ajudá-lo a tirar Potter da situação que certamente viria à frente. Nem mesmo ele entendia como podia estar tão empenhado em salvar Potter, mas algo lhe dizia que tinha muito a ver com o fato da sua mãe ter dado a vida pelo rapaz.
Seria inútil sua mãe morrer por alguém, apenas para ter seu pai matá-lo alguns meses depois.
Entrou na pequena seção, onde trabalhava apenas uma pessoa àquela hora da manhã e conteve um susto ao deparar-se com sardas e cabelos vermelhos.
"Um Weasley!", exclamou quase sem querer, fazendo o Weasley em questão levantar o olhar dos papéis que atrolhavam a sua mesa e encará-lo.
"Senhor Malfoy.", Percy disse respeitosamente, ao que Draco cumprimentou-o com um aceno de cabeça. Fechando a porta atrás de si, e tomando uma cadeira em frente à escrivaninha de Percy sem ter sido convidado.
"Diga-me, Weasley, quais as chances de termos uma conversa privada nesse lugar?", perguntou secamente, recebendo um olhar intrigado de Percy, que ergueu a mão direita, empunhando a varinha, e fez lançou alguns feitiços de privacidade em torno da sala.
"Agora elas são grandes, senhor Malfoy. Em que posso ajudá-lo?"
"Eu não preciso de sua ajuda, Weasley.", Draco respondeu, sua voz pingando desdém, "Quem precisa de sua ajuda é Potter."
Percy encarou o antigo rival de escola de seu irmão com alguma desconfiança por alguns momentos.
"Por favor, não se ofenda, senhor Malfoy, mas a última vez que eu ouvi notícias suas, você não era exatamente o fã número um de Harry. Por que estaria buscando ajuda para ele agora?"
"Os 'porquês' não são importantes agora, Weasley, só os 'o quês' que contam. Você quer ajudar o Cicatriz, ou não? Pensei que a sua família fosse cúmplice dele."
"Eu quero ajudar Harry, Malfoy. O que me intriga é porque você é quem está procurando ajuda.", Percy repetiu, ficando defensivo.
Malfoys não eram confiáveis, no fim das contas.
"Veja isso como um favor a mim mesmo, Weasley. Potter precisa de ajuda, e eu preciso dele fora do alcance de Lucius. Se você quiser ajudar, todos ganhamos, se não, Potter é quem perde mais do que qualquer um."
"Eu farei todo o possível para ajudar.", Percy disse.
Draco concordou com um aceno de cabeça, e tomou alguns minutos para si, tentando organizar os seus pensamentos, e descobrir qual a melhor forma de explicar a situação para Weasley.
"Lucius não está dentro de seu juízo perfeito.", ele disse, em voz baixa e séria, "Os procedimentos a que Potter foi submetido antes do casamento foram feitos sem anestesia. Não fosse por mim e Severus, Potter teria morrido antes mesmo de se casar. Ontem, depois da cerimônia, eu poderia jurar que Potter estava drogado de alguma forma, minha suspeita é que era alguma forma de poção afrodisíaca, e isso, no estado mental que Harry se encontra, não pode ser bom para ele. Lucius se casou com Potter com o único objetivo de se vingar dele pela morte de minha mãe. Eu vim até aqui, porque preciso saber de todas as maneiras possíveis de se terminar com esse casamento."
Percy balançou a cabeça com pesar.
"Não há nenhuma. Enquanto seu pai ou Harry estiverem vivos, eles estarão casados. Mesmo que seu pai fosse pronunciado clinicamente instável, Harry ainda seria seu cônjuge e, com todo o respeito, nossa Ministra era capaz de jogar os dois em um quarto na Ala para Doentes Mentais no St. Mungus.", o homem ruivo fez silêncio alguns segundos, como se debatendo algo, "Harry está usando o bracelete localizador?", Draco acenou afirmativamente, "A única chance de Harry é tirá-lo da casa e escondê-lo em algum lugar longe daqui. Isso só pode ser feito com a retirada do bracelete, que só é passível de remoção com a concordância do cônjuge dominante, ou a retirada das queixas contra Harry. Ele não é realmente culpado das acusações, mas eu duvido que Umbridge limpe seu nome sem ter a certeza de que ele não fugiria. Ela provavelmente só vai declarar Harry inocente quando ele já tiver pelo menos um filho. Analiticamente falando, Malfoy, a única chance de escapar que Harry tem é engravidar o mais rápido possível."
Draco encarou o homem durante alguns segundos e suspirou pesadamente, levantando-se.
"Muito obrigado pelo seu tempo, Weasley."
"Se precisar de mais alguma coisa, Malfoy, por favor, me avise."
Draco concordou com um aceno de cabeça e deixou o Ministério com a alma mais pesada.
As coisas continuavam complicando mais e mais.
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Harry acordou bruscamente quando sentiu uma mão pesada em seu ombro forçá-lo de bruços contra a cama onde dormia.
Desorientado, tentou se levantar, mas um peso havia se alojado sobre suas costas, e mãos afastavam suas pernas, e Harry sentiu pânico tomar conta de si quando sentiu uma ereção pressionando contra seu ânus. Um grito angustiado, nascido da situação e da sua incapacidade de começar a entender o que estava acontecendo nasceu em sua garganta, mas morreu contra a mão gelada que cobria a sua boca, enquanto alguém definitivamente maior e mais forte que ele se pressionava ainda mais contra às suas costas, erguendo seu quadril de maneira nada gentil, e penetrando-o sem preparação alguma, sem que ele conseguisse saber o que estava acontecendo.
Os gritos abafados logo deram lugar a lágrimas, enquanto a pessoa sobre ele se movia em um ritmo lento, sua respiração batendo contra o pescoço de Harry, lábios quentes beijando sua nuca.
Harry sentia como se fosse sufocar, as lágrimas que não paravam de cair, o ritmo do homem sobre ele que aumentava, a respiração excitada em seu ouvido, e o gemido baixo que se seguiu, ao sentir o homem gozar.
E então a mão que se afastava de sua boca, a outra que soltava seu quadril, a invasão que abandonava seu corpo, e o suspiro satisfeito da pessoa que saía de cima dele e o puxava bruscamente para encará-lo com um sorriso que Harry só pôde descrever como amoroso.
Ainda em choque, Harry não reagiu quando Lucius Malfoy, seu marido, cobriu sua boca com um beijo delicado, e secou suas lágrimas com a mão livre, a outra segurando seu ombro com leveza.
"Bom dia.", Lucius sussurrou, com um sorriso brilhante.
Incrédulo, Harry tentou se desvencilhar do homem, mas notou que cada vez que se afastava, Lucius tendia a se tornar violento. Quando conseguiu tirar as mãos de Lucius de seu ombro e rosto, o sorriso havia sumido do rosto do homem, que então parecia ter os olhos faiscando de raiva mal contida.
Antes mesmo que pudesse sair da cama, Harry se viu subjugado embaixo de um Lucius Malfoy furioso, que estava sentado sobre seu quadril, seus pulsos presos sobre a sua cabeça por apenas uma mão de Lucius que, naquele exato momento, parecia ter crescido e o encarava em fúria.
"Na ah ah, Harry. Essa não é a maneira correta de dar bom dia ao seu marido.", ele disse em uma voz doce que não condizia com sua expressão, "Quando eu lhe disser bom dia, você vai responder bom dia. Quando eu quiser tê-lo, você vai abrir as pernas e deixar. Quando eu quiser que você saia comigo, você vai sair. Quando eu disser que roupa você vai vestir, você vai vestir aquela roupa. Eu mando, você obedece. Eu digo, você faz. É assim que esse casamento vai funcionar.", ele terminou com um sorriso calmo.
Harry o encarou com raiva, seus olhos verdes faiscando de ódio pelo homem em cima dele.
"Nem em um milhão de anos eu faria qualquer coisa que você pedisse.", ele gritou com raiva.
Lucius, para a surpresa de Harry, riu alto, inclinou a cabeça, e beijou seu pescoço, saindo de cima dele, ainda rindo.
"Eu tenho a impressão que você vai mudar de opinião quando ler o jornal.", ele disse, sumindo pela porta do banheiro.
Harry levantou-se o mais rápido que conseguiu, vendo o jornal do dia dobrado sobre o baú que estava aos pés da cama. Nele, uma foto de um Neville assustado, mas valente, estava estampada, com a manchete de que ele havia sido preso naquela madrugada, e seria julgado por crimes contra o Estado.
Sentindo como se o chão estivesse sumindo debaixo dos seus pés. Harry voltou a sentar, observando Lucius sair do banheiro com os cabelos molhados e uma toalha em volta da cintura.
"O que você teve a ver com isso?", ele perguntou, a voz baixa e ameaçadora, fazendo Lucius rir novamente.
"Para saber se eu tive ou não algo com isso, Harry, você vai ter que se comportar como alguém que merece uma resposta. Você ainda não me deu bom dia, não tomou banho, não se vestiu. Quando você estiver disposto a fazer as suas obrigações de cônjuge, eu farei as minhas, e talvez lhe informe o que foi que seu amigo fez ou não fez para estar preso."
Harry respirou fundo e fechou os olhos, largando o jornal sobre a cama. A passos lentos, foi até o banheiro, tomou um banho rápido – apesar de querer demorar muito mais quando finalmente se sentiu limpo de Lucius e de todo o resto – cobriu-se com um robe que encontrou atrás da porta, e foi novamente até o quarto, onde Lucius lia o jornal despreocupadamente na mesa de café da manhã, seu café esfriando à sua frente.
"Por favor, me diga o que Neville fez.", Harry pediu, sua voz tingida de raiva que ele simplesmente não conseguia disfarçar.
"Venha até aqui.", Lucius disse, e Harry foi até onde ele podia alcançá-lo. Sem pedir permissão, Lucius o puxou até que Harry estivesse sentado em seu colo, o jornal à sua frente, a mão esquerda de Lucius entrando pelo seu robe, e acariciando seu estômago.
Harry ficou tenso, mas não se moveu, mal ousando respirar.
"Viu? Não é tão difícil.", Lucius comentou com um sorriso, "Seu amigo foi preso por ser acusado de ter ajudado na sua fuga."
"Mas ele não sabia de nada! Neville nem mesmo sabia que eu ia fugir!", Harry exclamou, quase levantando em indignação, mas a mão de Lucius o impediu.
"E o Ministério pode ficar sabendo disso em breve, e ele poderá retornar para a esposa dele logo.", Lucius fez uma pausa e pegou o queixo de Harry com a sua mão livre, fazendo com que ele o encarasse, "Mas isso só vai ser possível se você colaborar."
Controlando sua raiva, Harry perguntou em uma voz tão baixa que era quase um sibilo.
"O que você quer de mim?"
Lucius sorriu.
"Quebrá-lo."
E Harry pôde sentir seus primeiros pedaços ruírem.
He. Quem quer matar o Lucius levanta a mão. XD
Então, sem muitos comentários hoje, porque eu to tão cansada que parece que eu vou desmanchar. Peloamordedeus, eu preciso de férias. *chora*
Enfim, por favor, sejam amores e
R E V I E W !
