Disclaimer: Sharon e Andy não me pertencem infelizmente. E sim a Duff.
Capítulo 8
Sharon estava em sua sessão de fisioterapia quando Melaine perguntou se ela queria caminhar novamente pelos corredores. A Comandante ficou em dúvida, mas precisava se exercitar um pouco e ficar trancada no quarto não era opção.
Depois da conversa com Susan há dois dias, Sharon estava bem melhor. Foi como se um peso tivesse sido tirado de seus ombros, ela ainda estava preocupada e sentia um medo do que estava por vim. Porém agora ela sabia que tinha alguém que a ajudaria sem julgar.
Assim que saiu pela porta, Sharon sentiu ter entrado num filme de natal, todo o andar estava agitado, pessoas falavam ao mesmo tempo e com grandes sorrisos nos rostos. Enfeite estava espalhado e ela podia sentir o cheiro dos cookies vindo do balcão da recepção. Ela sorriu ao ser tomada pelo sentimento de nostalgia, seu senso de ocasião começou a se aflorar e ela quis ter alguém para comemorar.
"Ei, Sharon" Dr. Torres gritou e correu até ela. Ele tinha um grande sorriso no rosto e os olhos brilhantes, por um momento ela se permitiu imaginar Rick nessa euforia. "Eu tenho um presente para você, dois na verdade"
"Não precisava, Peter".
"Eu sei, eu quis". Ele estendeu uma caixa retangular com papel vermelho e várias árvores verdes. "Esse eu recebi ontem, é dos nossos amigos".
Sharon o encarou surpresa, ela não esperava que Julio e Buzz se arriscariam tanto a enviando isso. Porém, todos tinham o conhecimento que o natal era sua data preferida. Com um sorriso ela pegou o presente com mãos trêmulas. Peter que observava tudo praticamente pulava em seus pés.
Assim que abriu a caixa ela deu de cara com um anjo de vidro, o objeto rosado parecia brilhar. Dentro havia também um bilhete e ela soltou uma risada quando viu que era a letra quase ilegível de Julio.
Nunca poderemos ter anjos demais.
– Sua família.
Peter ficou aliviado e feliz ao ver que ela estava emocionada, mas muito feliz. Ele havia conversado com Susan e questionou se a Comandante estava melhor emocionalmente. Ele nunca viu Susan tão feliz por causa de um paciente, mas o que ele podia dizer? Ele estava tão envolvido quanto ela e extremamente feliz em ver que Sharon estava finalmente se encontrando no meio dessa confusão.
"Oh.. é lindo". Ela suspirou e enxugou uma lágrima que escorreu, mas respirou fundo e sorriu. Ela quis saber se Rusty havia comentado essa frase no escritório. "Cadê o outro?"
Peter soltou uma gargalhada ao vê-la tão empolgada e jovial. Ela estendeu as mãos e olhou ansiosa para ele, entregando o presente Peter esperou pela reação, a caixa era quadrada e o papel embrulhado era verde com Papais Noeis.
"Oh.. é tão fofo". Sharon não conseguiu conter o gritinho de menininha quando viu a xícara. O objeto era branco com um coração anatômico vermelho e apenas uma inscrição: Tentando de novo.
Sharon o abraçou com força e sorriu abertamente. Ela podia dizer que essa era a primeira vez que estava realmente feliz, sem qualquer amarra. Ela sabia que estava preparada para voltar para família, mesmo sabendo quais seriam as consequências.
O dia passou devagar para Sharon, ela ainda tinha um sorriso no rosto quando Susan passou com alguns biscoitos enfeitados que sua mãe havia feito e dividiu com ela enquanto a Comandante dizia como era seus natais antes e depois de conviver com a equipe da Crimes Graves.
Ao final do dia ela se acomodou na cama e repassou todo o dia na cabeça, esse foi o primeiro dia desde que acordou que se sentia bem, porém a tristeza ainda estava ali. Seu coração se apertou ao tentar imaginar como estaria sua família e seus amigos, como seria esse dia para eles e se questionou mais uma vez se tudo isso valeria a pena.
...
Andy acordou com uma pequena dor de cabeça, no dia anterior eles tentaram encontrar qualquer vestígio de Stroh, mas parecia que o homem havia se tornado invisível. Não havia nada nas câmeras do restaurante ou qualquer coisa nas câmeras de tráfegos.
Provenza dispensou todos depois que viu que não iriam a lugar nenhum e como era Natal, Mason resolveu que eles precisavam de descanso e da família, o novo Chefe não fazia ideia de que isso só lembraria de Sharon ainda mais.
Andy então se levantou para preparar uma xícara de café e tentar acalmar o latejar na cabeça, assim que entrou na cozinha parou surpreso. Sua enteada estava ali preparando panquecas.
"Emily?" Andy não esperava que ela voltasse para casa tão cedo, ela tinha dito isso.
"Ei, padrasto". Ela sorriu e apontou para a máquina de café. "Bom dia, desculpe não ter lhe acordado, mas Rusty disse que você chegou tarde ontem e precisava de descanso".
"Ei, eu.. eu estou surpreso. Porém feliz". O Tenente não podia negar que tê-la ali era revigorante. Indo até ela, Andy a abraçou apertado.
Os dois estavam tão envolvidos no abraço que não ouviram o som de passos.
"Ei.. ah não.. ela vai se tornar a princesinha do papai com você também?" A voz de Rick fez Andy se voltar para o jovem ainda mais surpreso.
"Oh meu Deus.. Rick, você aqui também?" Andy beijou a testa de Emily e foi em direção a Rick com os braços abertos. O jovem não pensou duas vezes em envolver o padrasto num abraço esmagador.
Rick era um abraçador assim como Sharon, ele sempre gostou de toques e não via problema em se expressar através disso. Emily era um pouco mais reclusa com pessoas desconhecidas, mas assim que ficava mais íntima de alguém abraços também era distribuído.
"Ei, padrasto. Como vai?" Rick o soltou e sorriu.
"Um pouco cansado". Ele deu de ombros. "Mas esqueçam isso, quando chegaram aqui? E porque não avisaram? Foi o Rusty quem pegou vocês?"
"Devagar, Andy". Emily sorriu e o entregou a xícara de café que ele já havia se esquecido. "Chegamos hoje de madrugada, queríamos fazer uma surpresa. Rusty não nos pegou, mas sabia que chegaríamos".
"Mas porque vocês vieram?" Andy questionou depois de respirar. "Não me entendam mal, eu adorei a surpresa é só que.. eu pensei que vocês passariam com os avós de vocês".
Rick e Emily se encararam rapidamente e Rick suspirou, eles não queriam entrar nesse assunto. Ainda era muito doloroso lembrar que Sharon não estaria com eles e passar o natal com os avós e tios era o mesmo que cutucar a ferida uma e outra vez.
"Achamos melhor não, todos perguntariam como estamos, e depois como você estaria e Rusty... E não conseguimos lidar com isso ainda".
"Eu entendo. Então ficaremos juntos aqui". Andy sorriu.
"Ficaremos bem". Rusty falou voltando do quarto. "E Nicole ligou dizendo que passará aqui mais tarde, Provenza e Patrice falou que viria para o jantar e os outros da equipe passarão aqui mais tarde também".
Andy encarou Rusty surpreso, parecia que o menino tinha construído uma agenda para eles. Emily e Rick tinha grandes sorrisos nos rostos como se tudo estivesse saindo como o planejado e Andy se perguntou se isso não era uma estratégia para distrai-lo.
"Ok, parece que vocês têm tudo sob controle".
O dia passou lentamente, entre arrumar o apartamento, enfeitar a árvore e fazer comida para a ceia, Andy não teve muito tempo para se lamentar. Porém, ele não podia parar seus pensamentos. Mesmo sem querer ele podia ouvir a risada de Sharon na cozinha e ver a taça de vinho branco no balcão, sentir o perfume dela na varanda e o som dos passos dela abafado pelas meias que ela insistia em usar.
As crianças estavam fazendo o possível para estarem felizes e ele acreditava que eles estavam, ele se sentia feliz, mas não podia negar a tristeza rodeando seu coração.
A campainha tocou e ele foi atender com um sorriso, na porta estava sua filha com o marido e seus dois netos. Logo atrás Provenza e Patrice esperava a vez de entrar no condomínio.
"Ei, Pai. Como vai?" Nicole o questionou e o abraçou apertado, ela não pôde ir para o enterro de Sharon e teve pouco tempo para visitá-lo nessas últimas semanas e isso a fez se sentir culpada. "Estou tão feliz em vê-lo".
"Nick, que saudades. Estou feliz em vê-la também, vamos, entre". Nicole entrou e puxou Dean consigo, as crianças abraçaram o avô rapidamente e entraram na casa também.
"Espero que tenha vinho e comida de verdade". Provenza resmungou e passou direto para cozinha.
Patrice e Andy reviraram os olhos e se abraçaram rapidamente, ela perguntou como ele estava e ele deu de ombros e sorriu triste. Pelo menos ele não estava sozinho.
O jantar foi bom, todos sorriram contaram histórias, piadas. Falaram sobre Sharon, sobre o futuro e sobre o amor que os envolviam como família. Distribuíram presentes e elogios, foi depois da meia noite que se acalmaram com um pouco de café e um filme clássico na televisão. Provenza começou uma conversa animada com Dean sobre o jogo dos Dodgers, Patrice havia se sentado entre Rick e Rusty e os três discutiam sobre um aplicativo de celular que a mulher mais velha tentava aprender a mexer. Mas só foi depois de um tempo que Emily notou a ausência de Andy.
"Ei, Nick". Ela sussurrou para outra mulher. "Você viu o Andy?"
Nicole olhou a sala e preocupada balançou a cabeça em negativa, Emily levantou e seguiu para o quarto de casal, ela ainda não tinha entrado ali depois que a mãe morreu, ela não sabia se Andy havia jogando alguma coisa fora ou não, segundo Rusty tudo estava como antes.
A bailarina se aproximou da porta e ficou hesitante em bater, ela não queria invadir a privacidade dele, mas estava preocupada.
"Andy?" O sussurro dela não foi ouvido por Andy e ela resolveu entrar de vez no quarto e a cena em sua frente foi de partir o coração. "Oh, Andy".
O Tenente estava sentado na beirada da cama com uma blusa de Sharon, Emily podia ouvir, agora que entrou no quarto, os soluços dele. Seu corpo sacudia a cada respirada e ele apertava o material com mais força de encontro ao rosto. Ao seu lado tinha uma pequena caixa de joia e a jovem sentiu seu coração quebrar quando percebeu que ele devia ter comprado o presente antecipado, uma gargantilha com uma pequena Esmeralda no meio tão verde quanto os olhos de sua mãe.
Emily foi até o lado dele e se ajoelhou em cima da cama, cautelosamente ela o abraçou, Andy a abraçou apertado e soluçou ainda mais forte. Emily tentou ser forte, mas as lágrimas vieram do mesmo jeito e ela reprimiu os próprios soluços para evitar que ele se preocupasse.
"Por que ela se foi? Por que?" Ele repita a frase uma e outra vez. Fazendo o coração de Emily se apertar ainda mais.
Foi logo depois que Emily entrou que Nicole apareceu. Ela pareceu surpresa, mas foi logo para o lado do pai, ela avistou a gargantilha e sabia o que tinha acontecido. Ela não sabia lidar com o sofrimento do pai, mas não podia fazer nada por enquanto. Ela tentou consola-lo também, as lágrimas caíram de seus olhos e os três permaneceram ali, tentando se acalmarem.
"Ela disse que ficaria tudo bem, ela estava indo tão bem". Ele falou de repente. "Estávamos tão felizes, porque Deus fez isso? É algum tipo de punição?"
As questões passaram por ele com uma raiva reprimida, mas ao mesmo tempo era palpável a dor em sua voz.
"Pai, você não pode pensar assim. Vocês foram felizes, vocês tiveram a oportunidade de serem felizes".
"Mas eu queria mais tempo, será que é pedir demais? Eu só.. eu só queria mais tempo". As lágrimas voltaram assim como os soluços e Emily o abraçou novamente. Ela estava sem palavras, ela sentia o mesmo que ele, era como se ela não tivesse tido tempo suficiente com sua mãe.
Nicole não sabia o que fazer e se levantou, disse que iria buscar água e saiu do quarto. Emily continuou com Andy tentando conforta-lo, tentando mostrar a ele que ela, assim como seus irmãos, estaria ali para ele.
...
Stroh sorriu para Diane e reprimiu a vontade de enfiar a faca na jugular dela, ele pensou que seria capaz de conviver um pouco com outro ser humano por um curto período sem tentar assassinar a outra pessoa, mas conviver com Diane era um desafio que ele não tinha pensado. Ele queria matar a mulher a maior parte do tempo, porém não podia fazer isso porque não havia conseguido encontrar um modo de invadir a empresa do seu irmão sem chamar atenção. E ele precisava dessa mulher para isso.
"Você está bem, Brad? A comida está ruim?" Diane questionou ao ver a cara dele.
"O que? Não, tudo está maravilhoso".
"Você pareceu triste".
"Eu só estou lembrando de outros natais. Não se preocupe comigo, eu estou bem e estou com você". O sorriso que ela deu foi tão grande que Stroh ficou com medo que ela dividisse o rosto ao meio.
"Vou pegar mais um pouco de salada". Diane saiu da mesa e correu para cozinha.
Stroh revirou os olhos e bufou, o que diabos dele estava fazendo ali? Ele poderia está comendo em um lugar melhor, ele poderia estar com uma garota mais nova que essa mulher. Ele precisava matar alguém, essa era a verdade.
"Cadê sua filha?" Ele perguntou de repente. Era natal, não era nessa época que as famílias ficavam juntas?
"Oh.. ela está com o namorado. Ela perguntou se ficarei tudo bem se eu ficasse com você aqui. Eu disse que não me importava e ela foi passar o natal com o Mateo".
"Oh.. uma pena. Queria conhecê-la".
"Você vai". Ela sorriu, Stroh sorriu de volta, ele pretendia conhecer a jovem, quer queria a mãe quisesse ou não.
"Que tal uma sobremesa?". Stroh falou e pegou o casaco, ele precisava de um pouco de ar e ficar preso em casa não resolveria. Ele tinha que sair antes de matar Diane.
...
A manhã de natal chegou mais fria que os anos anteriores, Sharon encarou o amanhecer nublado e sorriu ao pensar que combinava bem com seu humor hoje. Ela estava melhor esses dias, mas a euforia do dia anterior acabou rapidamente e ela se viu pensando em sua família agora.
Seus medos ainda estavam presentes, ela não estava confortável com a perda de controle que sentia. Porém, essa manhã o que a estava incomodando era a reação das pessoas quando descobrissem que ela estava viva e bem. E se eles a odiassem? Ela não estava preparada para voltar a ser a Bruxa Má, ela não sabia ser mais aquela mulher, ela não conseguia.
Uma batida na porta a tirou do devaneio, com um pequeno comando ela permitiu que a outra pessoa entrasse, para sua surpresa quem apareceu foi Chefe Pope.
"Olá, Comandante". Ele tentou sorrir, mas fez uma pequena careta ao invés.
"Chefe, feliz natal". Ela sorriu, mas não alcançava seus olhos.
"Feliz natal, você parece melhor".
"Eu me sinto melhor". Ela afirmou e indicou a cadeira que estava ali perto. "Temos alguma novidade? Já conseguiram pegar Stroh?" Sharon sabia que não, Peter trocava mensagens com Julio quase diariamente e sabia que Stroh estava na cidade sem chance de captura.
"Não, ainda não"
"Oh.."
"Desculpe tê-la colocado nessa situação, mas foi preciso. Estamos pertos, já temos notícia dele na cidade. Será questão de tempo até que ele erre e a gente o pegue".
"Não podemos esperar ele errar, Chefe. Ele tem que ser preso antes disso. Stroh não pode continuar solto, ele é extremamente perigoso".
"Comandante, eu estou ciente disso. Por isso que vim aqui pedi permissão para deixar Rusty ser a isca".
"O QUE?" E era como se tudo estivesse de volta, toda aquela situação com o cara das cartas. Ela quis saber se Julio e Buzz evitaram essa informação por medo de estressá-la.
"Olhe, eu sei que é perigoso. Mas é o único modo de pega-lo".
"Você tem certeza? Porquê da última vez que colocamos Rusty nisso eu quase perdi meu filho". Sharon se levantou rapidamente da cama, a tontura a desestabilizou, mas ela ignorou e começou a andar de um lado a outro.
"Estou ciente disso e já tivemos essa discussão com Andy, ele está tão protetor quanto você. Ele usou as regras contra mim quando tivemos que discutir isso". Pope resmungou. "Você o treinou bem".
Sharon não falou nada, mas lhe deu um olhar sujo que era melhor desconsiderar. Ela não queria colocar Rusty em perigo desnecessário, Andy parecia concordar com ela, mesmo distantes eles mantinham uma sincronia.
"Você me dá a sua palavra que nada acontecerá com ele?" Sharon o encarou firmemente.
Pope engoliu em seco quando encarou aqueles olhos, tinha uma fúria contida ali e ele tinha medo que alguma coisa saísse errada, mas precisava fazer isso. Mesmo que sua punição fosse aguentar a fúria de Sharon. Que Deus o ajudasse.
"Sim, você tem minha palavra que nada acontecerá com Rusty. Ele ficará a salvo e prenderemos Stroh".
"É melhor você manter sua palavra, Chefe" Sharon o encarou firme e estreitou os olhos. "E eu falo como mãe e não como uma policial".
Pope entendeu bem a ameaça na entrelinha e sabia que teria que fazer tudo o possível para manter o garoto a salvo. Ele apenas afirmou e estava a ponto de ir embora quando ela falou novamente:
"Você pode continuar me informando sobre isso?
"Com certeza". Ele tentou ser confiante "Sua estadia está satisfatória?"
"Eu estou bem".
"Ok.. eu vou colocar nosso plano em ação".
"Só... só tome conta do meu filho". Ela pediu e voltou para cama exausta. Suas forças não era mais as mesmas e ela estava cansada de estar cansada o tempo todo.
Sharon assistiu Pope quase fugir da sala e teve que sorrir, ele ainda ficava desconfortável dividindo a mesma sala que ela. Talvez a percepção de que ela era uma das poucas pessoas que sabia bem de suas falhas e erros o deixava na defensiva. Ela gostava de ter esse tipo de poder.
Suspirando, ela fechou os olhos e tentou dormir um pouco, o dia nem tinha começado direito e ela já estava esgotada. Sharon esperava que tudo isso terminasse de uma vez por todas.
Continua...
