NARUTO NÃO ME PERTENCE- E SIM A MASASHI KISHIMOTO

ESTA HISTÓRIA TAMBÉM NÃO- É UMA ADAPTAÇÃO DO LIVRO DE SUZANNE ENOCH!

Aviso- Esse cap possui cenas explícitas hentai (pra quem n gosta, aviso pra ficar logo preparado para pular quando a hora chegar)

CAPITULO IV-parte 1

Sasuke respirou fundo. Havia falado do Castelo Pagnon e não tinha morrido, o que já era uma vitória. Ou teria sido, se sir Walter Fengrove não houvesse aparecido do nada.

Alguma coisa acontecera: havia começado a se sen tir bem; inclusive a pensar no futuro. Sentia-se vivo de novo. Algumas partes mais do que outras, era verdade... Principalmente quando estava com Sakura.

Assim que voltaram para a mansão, ela se despediu de Tenten e foi embora. Ele voltou, hesitante, para a sala de estar, onde se apoiou no batente da porta, e per cebeu Tenten tamborilando os dedos, irrequieta, no encosto do sofá.

— Você não devia ter ido caminhar.

— Devia, sim — ela retrucou. — Estou espojando feito um hipopótamo.

— Sente-se melhor agora?

— Ao menos não estou enferrujada.

— Vou buscar umas almofadas — Sasuke sugeriu, aprumando-se.

— Sakura parecia aborrecida quando saiu. — Tenten também se ajeitou no sofá. — Ela contou por quê?

— Alguém passou por nós berrando na rua. — Sasuke disse. — Deve ter fugido do manicômio.

— Pensei mesmo ter ouvido alguma coisa daqui. — Ela sorriu, e a expressão enfatizou seus meigos olhos castanhos.

— Você parece mais feliz nos últimos dias.

Sasuke forçou-se a retribuir o sorriso, esperando que sir Walter, mantendo a tradição dos Fengrove, tivesse passado a tarde bebendo, e saído por aí chamando a to dos de traidor.

— Quer um livro além das almofadas?

— Deixei um na mesa do café. Obrigada, Bit.

— Sempre às ordens.

— Está vendo? — Tenten ria. — Eu não disse que você está mais feliz?

Talvez estivesse. E desfrutaria esses momentos en quanto durassem.

Esperava que sua inquietação não tivesse motivo; que apenas uma reles sensação de desesperança o impedisse de ver perspectivas saudáveis. Pois o beijo de Sakura, do jeito que foi, indicava que as coisas estavam melhores do que ele imaginava.

Depois de entregar as almofadas e o livro a Tenten, foi ler na biblioteca. Afora os pés cansados, a cunhada se sentia bem, mas ele queria estar por perto para ouvi-la em caso de necessidade.

Foi vê-la uma hora depois, e a encontrou cochilando no sofá. Já voltava pelo corredor quando a porta da frente abriu-se ruidosamente.

— Não é verdade! — Yuu dizia em voz alta, entrando à frente dos irmãos. — Eu ia ganhar três libras se vocês me deixassem apostar no...

— Shhh! — Sasuke levou a mão à boca do menino— Ten está dormindo.

— Neji, você trouxe meu sorvete de limão? — A voz dela contradisse a informação.

— Trouxe, sim — Neji respondeu, tomando a dianteira da turma. Ao passar por Sasuke, tocou-o no braço.

— Quero vê-lo no meu escritório.

O primeiro instinto de Sasuke foi se enfiar em um lugar escuro e silencioso para não ter que ouvir o irmão. Mas, como aprendera na França, em um lugar assim não estaria necessariamente a salvo.

Yuu contava a Dawkins as novidades das regatas. Era o único irmão Uchiha alheio ao que havia no ar. Itachi e Gaara continuavam no saguão, os rostos solenes e muito zangados, e evitando olhar para ele.

Com uma pressão terrível na boca do estômago, Sasuke foi ao escritório de Neji. Apesar do joelho cansado, não quis sentar-se, preferindo andar de um lado a outro à frente da janela.

Neji entrou minutos depois.

— Por que não se senta. Bit?

— Não quero.

— Está bem. — O visconde suspirou. — Acho que você deve ficar em casa, hoje à noite.

— Por quê?

— Pode ao menos olhar para mim enquanto falo?

Sasuke inspirou fundo, voltou-se e se sentou no amplo peitoril da janela.

— Há três anos vocês insistem para eu sair. Por que não quer que eu vá a Vauxhall?

— É complicado. — Neji largou-se numa poltrona.— Não quero vê-lo magoado, por isso peço que não vá.- Ele comprimiu os lábios. A manta com que os irmãos o cobriam a título de proteção às vezes o abafava.

— Não vai me magoar, Neji. O que houve? Tem a ver com sir Walter Fengrove ter me chamado de "traidor" uma hora atrás?

— Ele o quê? Desgraçado! — Neji empalideceu.

— Vou tentar outra adivinhação. As coisas que sumiram na Guarda Real Montada... acham que fui eu.

— Algumas pessoas, sim. Mas estão equivocados.

— Eu sei que sim, mas por que me culpam?- Neji levantou-se de supetão e andou de um lado a outro.

— Porque algum imbecil espalhou o boato de que você esteve preso no Castelo Pagnon. E todos sabem que só saíram de lá com vida os oficiais que traíram a pátria.

Sasuke encarou o irmão. Não conseguia pensar.

Crispou os dedos no peitoril da janela. Ele estivera enganado aquele tempo todo. Ao contrário do esperado, falar do Castelo Pagnon o matara realmente.

— É ridículo — Neji continuou, furioso. — Vou descobrir quem foi esse mentiroso e fazê-lo contar a verdade. Eles não sabem com quem...

— Eu estive no Pagnon — Sasuke o interrompeu. Neji congelou.

— Não, não esteve.

— Se eu aceitei o fato, tem que aceitar também. — Cada palavra foi como um punhal se cravando lenta e dolorosamente em seu peito.

— Mas...

— Eu não roubei nada da Guarda Real Montada, Neji.

— Claro que não! — Havia dor e horror nos olhos do ir mão. — Quem mais sabe que você foi prisioneiro de guerra?

Bem no íntimo de seu coração agonizante, Sasuke sabia quem. Sakura o traíra... E justamente quando ele começara a confiar nela, quando começara a ver um novo dia raiar.

E ela fingindo-se de inocente, preocupada e aturdida quando o xingaram no meio da rua! Ele se aprumou de súbito.

— Com licença... Tenho o que fazer.

— Não, Bit. — Neji bloqueou a porta com o corpo. — Não vai sair daqui sem me explicar. Quem mais sabia disso, se você não contou nem aos seus familiares?

Sasuke, sentindo retumbar sob a pele os gritos de fúria contidos, empurrou o irmão para o lado.

— Depois.

— Sasuke...

Ele abriu a porta com força e se dirigiu ao saguão. Itachi e Gaara continuavam ali. A perna queimava, porém Sasuke não se incomodou, já acostumado à dor.

A raiva e a decepção que lhe cravavam o íntimo, estas sim, eram pungentes.

XXX

O general Haruno em pessoa abriu a porta quando Sakura chegou de volta.

— Papai! — Ela se alarmou com os olhos semicerrados e a fisionomia severa do pai. — O que houve?

— No meu escritório. — Ele se voltou e caminhou com passadas largas e retilíneas.

Sakura franziu o cenho. Nem quando criança levara algum sermão do pai.

Tirou o chapéu e o seguiu, tensa, lamentando não po der ir a um lugar sossegado para pensar em Sasuke.

Interessante, recordou, distraída. Para quem quase não falava, ele tinha lábios muito sensuais...

— A porta — o general ordenou, enérgico, e sentou-se com as costas eretas, rígido feito uma estátua.

Ela fechou a porta e recostou-se nela.

— O que houve?

— Pedi para que ficasse em casa hoje de manhã.

— Não, não pediu. Pediu para eu não contar nada do que conversamos, e eu não contei.

— E, por que, quando vim almoçar, três pessoas dife rentes me pararam para perguntar se era verdade que Sasuke Uchiha tinha roubado documentos da Guarda Real Montada?

Sakura ficou estupefata. Mais do que se o pai a tives se esbofeteado.

— Como? Como alguém pode dizer uma coisa dessas de Sasuke? Esse roubo aconteceu realmente?

Ele a fitou por instantes, depois respirou fundo.

— Aonde foi esta manhã, Sakura?

— Fui ver Tenten... — Ela mordeu o lábio. — E perguntar a Sasuke o que ele sabia do Castelo Pagnon.

— Então foi mexericar. Sakura, eu...

— Não fui mexericar! Sasuke só contou isso para mim, e eu, contrariando o desejo dele, contei para o senhor!

— Quer dizer que a culpa é minha?

— Não precisa gritar. — Ela espalmou as mãos sobre a mesa. — Conte o que está havendo, para podermos raciocinar.

O general se levantou, foi à janela e olhou a rua.

— As vezes peca por seu excesso de confiança.

— Talvez.

— Pois muito bem. Creio que tenha o direito a conhe cer os fatos.

— Obrigada.

— Em primeiro lugar, sim, algumas coisas sumiram na Guarda Real Montada. Coisas de valor instrumental, como para soltar Napoleão e iniciar outra conflagração na Europa.

— Minha nossa... — Ela se afastou da porta, titubeante, e sentou-se numa das confortáveis poltronas do escritório. Quando percebeu a extensão das palavras do pai, sentiu o coração descer para a boca do estômago.

— Sasuke não teria como... Não faria uma coisa dessas. Por que o estão acusando?

— Admiro sua lealdade para com seu amigo, Sakura, mas evite manifestá-la.

— Você acha que foi ele? Não acredito.

— O que ele lhe contou a respeito do Castelo Pagnon?- Ela hesitou, mas, nas circunstâncias, limpar o nome de Sasuke era mais importante do que guardar segredo. À noite ela se explicaria a respeito, entre outras tantas explicações que devia a ele.

— Papai, Sasuke não fez nada errado. Disse-me apenas que o castelo era uma prisão para oficiais britânicos capturados, e que os prisioneiros eram espanca dos se conversassem entre si. Mas não citou nomes.

— Isso me parece coisa do general Jean-Paul Barrere, oficial de informações de Napoleão, psicopata dos mais... persuasivos.

— Deve ter sido horrível. — Sakura disse consigo, aprumando-se depois de um longo silêncio. — Não compreendo por que Sasuke está sendo tratado como traidor só porque esteve preso lá.

Ao menos fora disso o que sir Walter Fenley o acusara aos berros naquela tarde.

— Nada está confirmado ainda, caso contrário já o teriam detido. Mas...

— Detido? — Ela se levantou, sobressaltada. — Papai, o senhor não pode estar falando a sério.

Se Sasuke fosse preso por causa do que ela contara ao pai, a culpa seria dela. E ele havia lhe pedido para não dizer nada... Mas, por quê?

— Na verdade, só conhecemos três oficiais que saíram vivos do Castelo Pagnon. Um deles tentou matar seu pró prio comandante, e o segundo foi enviado a Elba pouco antes da fuga de Napoleão. Sobra Sasuke Uchiha, que só ontem a Guarda Real Montada soube ter sido prisioneiro de Barrere.

— Depois que eu contei para o senhor.

Sakura afundou-se na poltrona, sentindo-se leviana, imunda.

— Não se culpe, minha filha. Só ontem eu atinei com tudo. Você diz que tem um amigo militar, ex-combatente, e dez dias depois me pergunta sobre o Castelo Pagnon... Seu ato pode ter poupado a vida de milhões de ingleses.

Ela cerrou os olhos, desejando que tudo sumisse.

— Você não sabe se foi ele.

— Ainda não. — O general sentou-se à frente dela e pousou uma mão em cada braço da poltrona. — Enquanto isso não se resolve, quero você longe dele, longe da família Uchiha e daquela casa. Entendeu?

— Mas Tenten...

— É sua melhor amiga, eu sei. Eu sinto muito, mas o culpado, seja quem for, é um canalha, e não vou permi tir que se aproxime de um suspeito. — Ele se aprumou. — Hoje à noite não vamos com os Uchiha a Vauxhall, nem a qualquer outro lugar em um futuro razoável.

Sakura não conseguia pensar. O que mais queria era gritar, bradar que não tinha amigos traidores.

Ora, dois irmãos Uchiha tinham arriscado a vida contra o exército de Napoleão e... Céus!, uma coisa da quelas poderia custar a Itachi o novo posto de comandante.

Quanto a Sasuke...

O mordomo bateu à porta:

— Desculpe interromper, senhor, mas há uma visita para a srta. Lucinda.

— Quem é, Ballow?

— O sr. Sasuke Uchiha, senhor.

Sakura empalideceu. Ele sabia. Sabia que ela que brara a promessa de não falar. Sabia que por causa dela o estavam chamando de traidor.

— Eu cuido disso — o pai decidiu, dirigindo-se à porta.

— Papai! — Ela o agarrou pelo braço. — O senhor disse que não há nada confirmado.

— Se ele roubou os documentos, não se incomodará em prejudicar você. Fique aqui.

Sakura ali permaneceu, trêmula, porém abriu a por ta do escritório o suficiente para poder espiar.

Era um mal-entendido, um erro. Tinha que ser.

Quando o general chegou ao saguão de entrada, encontrou Sasuke pálido, mas com a expressão impassível.

— Minha filha não pode receber visitas — disse com voz grave. — Sugiro que vá embora.

Sakura chegou a pensar que Sasuke iria agredi-lo, mas seus punhos cerrados não se ergueram.

— A culpa também é sua, não só dela — ele declarou. E acrescentou, com uma voz tão cavernosa que ela estremeceu: — E pensar que eu quase o perdoei...

— Pelo quê?

— Por Bayonne. — Sasuke empurrou a porta, abrindo-a toda. — Quero-a longe de mim. E o senhor também.

A porta bateu com força logo depois, e Sakura se retesou. Já vira Sasuke alegre, frustrado e revoltado, mas, com raiva, era a primeira vez.

Sentiu medo. Era dela que ele estava com raiva.

E o pior: ela merecia.

XXX

Havia mais gente sabendo do Castelo Pagnon do que Sasuke imaginava. Ele fora ingênuo ao supor que, por nunca tê-lo mencionado a quem pudesse ter motivos para discutir o assunto, a fortaleza tivesse deixado de existir. Como se ele, por mera força de vontade, pudesse reduzir a pó o lugar e suas recordações.

Após deixar a Mansão Haruno, por toda a Bond Street viu e ouviu olhares e murmúrios acusadores. Em um único dia, fora da solidão e obscuridade à infâmia. Um dia cruel.

Em casa enfrentaria mais questionamentos, sem dúvida. E pensar que sua casa fora o único lugar onde se sentira a salvo de tudo aquilo! As únicas perguntas que a família lhe fazia era como se sentia ou se precisava de alguma coisa... Agora perdera também esse lugar, e seus moradores.

Ele acariciou o pescoço de Tolley.

— Vamos dar uma volta.

Foram para o norte. Passaram por Londres, pelo prado onde ele e Sakura tinham estado uma única manhã, e prosseguiram.

Ainda restava um lugar seguro: Glauden Abbey, na Escócia, uma propriedade dos Uchiha que Neji lhe doara no ano anterior. Um lugar com dois lacaios e um cozinheiro, onde ele passara os dois últimos invernos limpando, reformando e consertando, em absoluto silêncio.

Levaria uns cinco dias para chegar. Quatro, se forçasse Tolley. Ficaria no campo até esquecerem a confusão em Londres, até descobrirem quem havia roubado os tais documentos... Até esquecerem que ele tentara ser huma no novamente.

Chegou de noitinha a uma estalagem, e parou para comer e descansar Tolley. Ninguém o olhou enviesado, não mais do que a qualquer outro viajante bem trajado, e ele procurou desacelerar a mente, que rodopiava muito.

Em casa, quando dessem por sua falta, ao menos Neji saberia onde ele estava. Yuu ficaria zangado, mas o resto da família entenderia.

A menos que a confissão que fizera a Neji, a de que estivera preso no Castelo Pagnon, tivesse sido suficiente para que o condenassem. Se assim fosse, não estaria a salvo em lugar nenhum.

Os limiares do pânico se anunciaram, porém ele não deixaria acontecer. Não agora. Tomou uma cerveja e co meu um frango assado, depois pediu mais uma caneca de meio litro.

Concentrar-se em outra coisa sempre ajudava, mas naquele dia tudo estava diferente. Era a primeira vez, desde que os rebeldes espanhóis o haviam encontrado, que não se via como vítima apenas de alucinações, mas de uma ameaça real.

E por quê? Porque estava fugindo, desistindo, abando nando a esperança. Como já fizera uma vez.

Sakura havia falado, era óbvio. E ele ainda conside rava isso uma traição quando saíra furiosa e estouvada-mente da Mansão Haruno.

Mas não fazia muito sentido. Se ela tivesse convicção de seu ato, não teria sido o pai dela a ir enfrentá-lo à porta, tinha certeza.

Por outro lado, se ela havia falado sob pressão, não poderia ter agido de outro jeito.

Afinal, não fora ela quem lhe mostrara uma luz no fim do túnel?

Sakura era quem tinha começado a derreter o gelo e a rocha que o involucravam. Mas não haviam sido seus belos traços que o tinham convencido a dar os primeiros passos claudicantes para um novo dia... e sim seu coração.

Ele não duvidava disso. Não podia duvidar porque, se ela fosse diferente do que a imaginava, não existiria a esperança, que era só o que ele tinha agora. Se ela havia contado seu segredo ao pai, devia ter tido um motivo. Ele só precisava descobrir qual era.

Levantou-se, largou algumas moedas na mesa e foi ao pátio externo da estalagem. O general Haruno agira por suposição, caso contrário um batalhão teria ido despertá-lo pela manhã.

Decidido, Sasuke pegou Tolley e deu-lhe a cenoura que guardara no bolso na hora do jantar.

— Gostou? — perguntou, e as orelhas do baio se mo veram para melhor ouvi-lo.

Durante três anos não se importara com o que pensavam dele, o que não havia sido difícil pois, na verdade, ele não passara de uma sombra.

Agora, pelo contrário, contava com a atenção de todos.

Não era bem o teste que ele queria, mas o que lhe aplicavam.

Com a determinação estampada na fronte, Sasuke montou.

— Mudança de planos, Tolley... Vamos voltar para Londres.

XXX

A noite já ia alta quando o estrépito dos fogos de artifício dissipou-se à distância. Sakura não conseguia dor mir. A expressão do rosto de Sasuke a assolava e ela sabia que, se dormisse, seria pior.

Conjeturou se os Uchiha tinham ido a Vauxhall, e se Naruto e Hinata também teriam estado presentes.

Esperava que sim, pois atormentava-a pensar em Tenten e Neji sozinhos.

Sasuke havia dito que iria também, porém devia ter repensado sua decisão.

Suspirou. O chá que ela havia trazido para o quarto já estava frio. Mesmo assim, andando vagarosamente, de um lado a outro, tomou um gole.

O pai obviamente sabia toda a verdade sobre o Castelo Pagnon, mas no dia anterior contara apenas o suficiente para aguçar sua curiosidade. Esperava que ela procuras se Sasuke para saber mais? Queria usá-la para espionar por ele?

Ao ruído na janela, Sakura se virou instintivamente. A janela se abriu e ela agarrou uma jarra. Um vulto esgueirou-se adentro pelo peitoril.

Com a respiração em suspenso, ela ergueu a arma e avançou.

Uma mão agarrou-lhe o pulso, girou-a e empurrou-a contra um móvel rijo e sólido. Ela inspirou fundo para gritar, porém outra mão cobriu-lhe a boca. A jarra caiu no tapete e rolou para debaixo da cama, emitindo um som oco e metálico.

— Acalmou? — Uma voz conhecida cochichou-lhe ao ouvido.

- Sasuke!

O coração de Sakura batia tão forte, tão alto, que ela pensou que ele o ouviria.

— Não grite, Sakura.

Ele a soltou tão abruptamente que ela quase caiu.

Sakura inspirou fundo para se acalmar. Não achava que fosse ele o ladrão dos documentos, mas aquela presen ça em seu quarto, no breu da noite, e o fato de ele ter pedi do segredo quanto ao Castelo Pagnon a fizeram titubear.

— Posso acender a luz?

— Espere um pouco. — Ela o ouviu fechar rapidamente a cortina.

Com mãos muito trêmulas, acendeu com dificuldade o pavio do lampião. Queria uma oportunidade de conversar com ele, explicar-se, mas ao ver-lhe o rosto e os olhos tensos e graves à luz bruxuleante, não soube se ele a ouviria.

— Sasuke, eu não causei tudo isso de propósito... Eu sinto muito.

— Eu pedi para você não contar ao seu pai, e você contou. — Ele a examinou como se tentando entendê-la. — Por quê?

— Só perguntei a ele o que era o Castelo Pagnon. Meu pai quis saber como eu soube do lugar, e eu disse que não me lembrava... — Uma lágrima ameaçou escorrer e ela a enxugou, exasperada. — Foi assim que ele me falou que era importante, que ele precisava saber.

— O general explicou por que era tão importante assim? -Ela fez que não.

— Falou apenas que estava tentando esclarecer umas coisas. Estava tão preocupada, Sasuke... Eu não sabia do furto, ou que Pagnon era uma prisão. Só soube depois.

— A quem mais você contou?

— A ninguém.

— Então essa confusão começou com o general. — Sasuke largou-se na cadeira da penteadeira.

Ele acreditava nela, ao menos isso, ponderou Sakura. Mas ela não gostara de ouvir seu tom de desprezo ao mencionar o general.

— Eu contei ao meu pai em confiança, e ele sabe disso.

— Você também sabia.

— Por que não queria que meu pai soubesse?

— Tenho meus motivos. — Um músculo pulsou no maxilar tenso. — Que nada têm a ver com o furto dos documentos.

— Sasuke, eu...

— Alguém passou esse boato adiante. Se não foi você, preciso saber com quem mais o general conversou.

Se continuassem discutindo sobre a integridade do pai dela, não chegariam a um acordo. O último comentá rio de Sasuke, entretanto, preocupou-a ainda mais.

— Quer que eu espione meu pai?

— Não. Quero que descubra quem começou o boato. Aposto que, quem o fez, não tem o seu senso de ética.

Sasuke já não estava tão furioso e ríspido como no momento em que deixara a casa dela, naquela manhã. Ainda estava zangado, mas não com ela.

Sakura suspirou. Ao ver as mãos dele brincando ociosamente com sua escova, sentiu um arrepio descer a coluna. Podia imaginá-las roçando seus cabelos, deslizando suavemente até...

Afastou o pensamento.

— O boato corre à solta — murmurou. — Saber quem o originou não vai ajudar em nada.

Sasuke permaneceu calado por alguns instantes.

— Vai me trazer paz de espírito, ao menos. — Um sorriso curvou o canto dos lábios bem-feitos. — Você combinou de me contar a terceira lição hoje à noite, lembra-se?

— Quer falar disso quando está sendo acusado de...

— Alta traição? — ele finalizou, cínico.

— Como pode ficar tão calmo?

— Não estou calmo. — Ele a fitava na penumbra. — Mas estou com você, e nós somos amigos, não somos?

— Eu é quem deveria estar fazendo essa pergunta, Sasuke. — Outra lágrima escorreu-lhe pelo rosto. Desta vez, ela não conseguiu evitar. — Mas, se você me quer como amiga, então, sim, ainda somos amigos.

— Como minha amiga... Conte-me a terceira lição.

— As lições terminaram — decidiu Sakura, desgostosa. Pareciam tão infantis agora.

— Está tentando se livrar de mim, é isso? — A fisionomia de Sasuke se turvou. — Compreendo... Afinal, sou perigoso.

— Não é nada disso. — Ela engoliu em seco. — Eu conversei com Kiba... Ele quer ser promovido para receber um posto de comando na Índia.

A expressão de Sasuke mudou, mas ela não soube di zer por quê.

— Entendi. Inuzuka se casa com você e o general o promove a major.

— Isso mesmo.

— Não se incomoda por ele não gostar de você? Por ter de se sujeitar a ele e...

— Não é bem assim.

Sakura estava sentada na beira da cama, porém levantou-se e andou de um lado para outro, Sasuke achava que ela amava Kiba, quando, na verdade, era ele quem a abalava. Ali estava ele, em busca de respostas, de distração... E ela era quem estava confusa.

Céus... Aos vinte e quatro anos de idade, não era mais uma adolescente. Não devia estar desnorteada só porque um homem bonito, e talvez neurótico, invadira seu quarto pela janela.

— Meu pai gosta de Kiba, e vai ficar contente se eu me casar com alguém que ele aprove. É simples assim.

— E você vai transigir.

Uma afirmação e um insulto simultâneos. Sakura nunca pensara no assunto sob tal ângulo, mas, de novo, Sasuke estava certo.

Entretanto, não era da conta dele.

— Vou — protestou, em um desafio. — Assim todos ficarão satisfeitos.

Sasuke se levantou de um salto.

— Você não vai aguentar.

— Por que não? Arrumei uma solução simples e conveniente.

Ele se aproximou, segurou-lhe os ombros e a encos tou à parede.

— Com tanto amor para dar, Sakura, você quer ser "conveniente"?

Ela mal conseguia respirar, com Sasuke tão perto.

— É complicado.

— Sabe o que eu daria para...

Ele cerrou os olhos. Quando os abriu novamente, eles brilhavam com um misto de revolta e algo mais, que des pertou nela uma profunda e dolorosa emoção.

— Sasuke...

— Espere. Quem tem uma lição a ensinar agora sou eu. — Ele respirou fundo. — Um oficial, capitão do Exército, foi emboscado com seu batalhão quando fazia uma missão de reconhecimento. No ataque, todos os seus soldados morreram e só ele restou, o que o fez desconfiar que os franceses não o mataram por algum motivo especial. Eles eram muitos. Ele resistiu, mas foi golpeado na cabeça. Só voltou a si dentro de uma cela com uma janela pequena, fechada com barras de ferro, onde havia outros seis oficiais britânicos. Na cela ao lado, percebeu outros homens. O capitão não sabia se eram seis ou sete, pois só podiam comunicar-se batendo leve e pausadamente na parede de pedra entre eles.

— Sasuke, eu...

— Ainda não terminei, Sakura. Durante sete meses esse oficial viu e ouviu seus colegas ser torturados para contar o que sabiam. Assim que eles falavam, eram fuzilados. — Sasuke bufou com uma mistura de amargura e ódio. — A opção era falar e morrer, ou calar e morrer sob tortura. E a ironia de tudo isso, é que o oficial não sabia de nada que pudesse interessar aos franceses.

— Sasuke...

— Se eu soubesse alguma coisa, teria contado, Sakura — ele revelou, confirmando as suspeitas de que o oficial era ele. — Mas o general Barrere não acreditou em mim. Por isso ali fiquei, desejando morrer, sem ter quem me executasse.

Sakura quis tapar os ouvidos com as mãos, mas ele a agarrou pelo pulsos e os prendeu na parede.

— Não, Sasuke. E insuportável saber que você queria...

— Que eu queria me matar? Pois foi exatamente o que tentei fazer. A certa altura, sem suportar mais, tomei a faca de um dos guardas que me levavam de volta à cela e avancei contra o comandante, na esperança de ser fuzi lado ali mesmo. Eles atiraram, claro... Mas despertei no sopé do castelo, onde devem ter me jogado, pensando que eu estivesse morto. Para não me prenderem de novo, eu me arrastei para o bosque e esperei a morte.

Com um nó na garganta, Sakura inclinou-se para a frente, ignorando os dedos que ainda lhe prendiam os pulsos. Beijou o rosto amargurado uma, duas vezes, ten tando se libertar para apertá-lo contra o corpo.

— Nunca acreditei que pudesse ter roubado alguma coisa — balbuciou, emocionada.

— A questão não é essa. — Sasuke recuou bruscamente. — Estou morto há três anos, Sakura. Quis ajudá-la pensando em ajudar a mim mesmo. Sei que minha família sofre por eu estar neste estado, mas a verdade é que estou morto.

Ela ficou horrorizada com a declaração.

— Você não está morto!

— Não fisicamente. Mas, todo dia, se eu acordo, é um milagre — ele confessou com voz grave. — De qualquer modo, não pode ceder a Kiba Inuzuka, só porque essa é a solução mais simples. Será que não entende?

— Não há nada de errado em ser prática.

— Não é pela praticidade, é pelo vazio. Para você, simplicidade quer dizer não se aborrecer com nada, não se empolgar, não se emocionar.

— Não, quer dizer que... — Sakura divagou. Sasuke tinha razão. Mas o que havia de errado em querer viver sem problemas? — É a simplicidade que me deixa feliz.

Ele a fitou, os olhos passeando, traiçoeiros, pela camisola de algodão que ela usava, antes de pousarem mais uma vez em seu rosto com um brilho estranho.

— Mentirosa. — A palavra foi menos que um sussurro.

— Eu não sou...

Sasuke a beijou. Desta vez a mensagem era clara. Se ela quisesse pará-lo, não conseguiria.

Mas Sakura não queria. A morte quase o levara, e ainda o rondava. Ela queria ampará-lo, mostrar-lhe que estava vivo, e que a fazia sentir-se viva.

Os lábios se moldaram e o coração de Sakura palpitou. A língua de Sasuke tentou abrir caminho e ela gemeu, abrindo-se. Mãos ágeis desfizeram o laço que lhe prendiam os cabelos, afagaram as ondas cor-de-rosas que lhe tombaram sobre os ombros, meigas.

O corpo e os dedos de Sakura ardiam quando ela deslizou as mãos dos flancos aos ombros largos, e os despiu da casaca. Sasuke escorregou as mãos por sua cintura e costas e a apertou contra si, colando os corpos.

— Sasuke — ela sussurrou, e nem reconheceu a própria voz entrecortada e rouca pela paixão. Quando ele lhe desnudou os ombros e beijou a pele nua do pescoço ao colo, Sakura personificou a lascívia. Simplicidade e amizade poderiam esperar.

Instinto e desejo eram tudo o que ela queria agora.

Num impulso, puxou a camisa que ele usava para fora da calça e, deslizando as mãos por baixo, acariciou-lhe o abdômen liso, o tórax largo. Ao seu toque, os músculos dele se retesavam.

Sasuke a fez segurar as mãos acima da cabeça nova mente. Beijou-a nos lábios e no pescoço, enquanto erguia-lhe a camisola com dedos trêmulos. O fino algodão sus surrou contra a pele dela, e a brisa fresca farfalhando as cortinas foi como outro par de mãos a acariciá-la.

Sasuke subiu o tecido pelos joelhos, pelas coxas, pelos quadris, até desnudar a cintura, os seios e os ombros, e passar a gola pela cabeça de Sakura, despindo-a por completo. Não a tocou por um longo momento, embora ela pudesse sentir o calor de seu olhar. Palmas frias percorreram suas curvas, acariciaram suas costas, como se ele a memorizasse para esculpi-la mentalmente. Ardendo no íntimo, ela se deixou explorar, trêmula.

— Diga alguma coisa. — Ofegou, aflita.

— Você é linda. — Fitou-a com olhos semicerrados. — Macia, fogosa... Uma mulher em todo o sentido da pa lavra. E eu...

— Você está vivo, Sasuke! — Ela pousou um dedo nos lábios dele, interrompendo-o. — Tem o direito de conti nuar vivo. Toque-me... Eu também sou de verdade.

Feito plumas, os dedos dele foram dos ombros à curva dos seios, os polegares roçando os mamilos devagar, com cuidado, como se ele temesse vê-la sumir.

Sakura arquejou, o corpo colando-se ao dele. Sasuke a beijou com volúpia, pressionando-a contra a parede com a força dos lábios e das mãos em seus seios.

— Há quanto tempo! — exclamou, rouco, a superfície das unhas acariciando-lhe os seios.

Deteve-se por um segundo, imaginando que a hou vesse ofendido, mas Sakura gemeu, ao se sentir alvo de tanto prazer.

Sasuke se permitiu fazer o mesmo. Costumava ter fama de conquistador, mas desde que voltara daquele lugar horrendo não desejara -nem tocara- numa única mulher.

Até Sakura aparecer em sua vida. Até aquele dia.

— Pois, para mim, é a primeira vez — ela revelou, súbita e timidamente.

Sasuke tornou a se deter, preocupado.

— Eu quero que você sinta prazer. Eu...

— Você fala demais! — Ela o beijou outra vez, inspirando-o.

Ele sorriu e a desarmou por completo. Os joelhos dela bambearam e Sasuke aproveitou para tomá-la nos braços. Deitou-a na cama feita e ainda intocada, vendo Sakura envolvê-lo pelo pescoço, ansiosa.

Beijá-lo não bastava. Ela queria mais. Queria se perder nele.

Sasuke largou-se na cama, ao lado dela. Dos lábios foi beijar-lhe o pescoço, em seguida desceu até as costelas. Com a boca no seio esquerdo, estocou o bico com a língua. Sakura corcoveou, tentou puxá-lo mais, porém ele segurou as mãos dela mais uma vez e as conduziu ao próprio corpo. Continuou a sugar-lhe os seios enquanto ela desafivelava o cinto e desabotoava a calça.

Sakura sentiu os dedos tremerem, a mente entregue. Queria vê-lo, senti-lo. Estava viva: o coração batia, a res piração arfava... Impossível não sentir.

E quanto mais ela sentia, mais o queria vivo também. Tudo faria para ele se sentir revitalizado, vibrante e excitado como ela.

Abaixou a calça de Sasuke e ele se libertou: grande, ereto e impressionante.

Sakura segurou o ar. Ele inspirou, sentou-se, tirou as botas e as colocou no chão. Com um golpe das pernas, livrou-se das calças e se ajoelhou na cama.

Frente a frente, beijaram-se, fogosos.

— Toque-me — ele pediu com voz rouca, conduzindo a mão de Sakura.

Tímida, ela o envolveu suavemente e percebeu que ele se contraía, o maxilar cerrado.

— Dói?

— Não! — Sasuke meneou a cabeça, aturdido. — Mas, como eu disse, faz muito tempo... Quero você, Sakura. Você me quer?

Tanto que ela mal conseguia respirar.

— Quero! — Ela estendeu a mão para tirar-lhe a camisa.

— Não. — Ele a impediu, segurando-a pelo pulso. Sakura expirou o ar.

— Eu sei que tem marcas, Sasuke. Mas mesmo assim eu quero vê-lo, senti-lo.

Ele engoliu em seco e recuou de leve. Por um segundo, Sakura temeu que ele tivesse mudado de idéia. Mas Sasuke segurou a fralda da camisa e a tirou por cima da cabeça com um movimento rápido.

Cicatrizes brancas e estriadas, duas no abdômen e uma no ombro, atraíram o olhar de Sakura. Ele se sentia defeituoso com elas? Inferior ao que era antes?

Afagou-lhe o tórax, tocando-as, sem no entanto, se deter nelas. Sasuke permaneceu sentado, os olhos cerrados. Parecia não querer ver sua expressão.

Ela ergueu o tronco e o beijou profundamente.

— Também tenho uma cicatriz — disse, fazendo-o deitar-se novamente sobre ela. — Atrás do joelho direito... Meu vestido agarrou nos degraus da carruagem.

Com a respiração acelerada, ela o afagou nas costas e desceu às nádegas rijas e musculosas. Ah, como ela o queria!

— Uma cicatriz? — Sasuke abriu os olhos, deitando-se de corpo inteiro sobre o dela. A seguir, desceu a cabeça, marcando o trajeto com os lábios, a língua, os dentes.

Ela arfou ao senti-lo afagar com a boca cada porção do seu corpo, agora abaixo da cintura.

— Fiquei apavorada... A carruagem me arrastou a meio caminho da rua. Só então o cocheiro ouviu os gritos de minha governanta.

Ele beijava-lhe a coxa agora. Desceu ao tornozelo, aos pés, depois subiu, coleando pela outra perna. No joelho, parou e o levantou.

— Foi neste?

— Bem aí. Dá para sentir com os... Ah!

Com a ponta da língua, Sasuke roçou espaçadamente na cicatriz. Depois, ao subir, foi abrindo-lhe as pernas com a cabeça.

Sakura soprou o ar. Ela ia derreter ou incendiar.

Ou ambos, quando ele a beijou entre as coxas.

— Sasuke — balbuciou rascante, mergulhando os dedos nos cabelos dele.

Ele ergueu a cabeça para fitá-la, e ela viu de novo aquele sorriso secreto e contido.

— Agora eu sei que você me quer... — falou com voz rouca.

— Quero muito! — Sakura sentia a pele apertar. — Por favor...

Sasuke não respondeu, apenas para atormentá-la um pouco mais com os lábios e a língua.

— Não, Sasuke, pare! — Ela ofegou. — Vou pegar fogo...

— Você já é uma fogueira.

Sakura gemeu. Já não agüentava mais. Estava no limiar daquele... êxtase. Agarrou-lhe os cabelos, puxou-o. Sasuke cedeu finalmente e, sem pressa, foi sugar-lhe os seios. Depois voltou a beijá-la profundamente.

Posicionou-se em cima dela, usando os joelhos para afastar-lhe as coxas, e pressionou-lhe a entrada. Ela, já muito excitada com as carícias, sentiu a pressão e arqueou o quadril involuntariamente.

Devagar... bem devagar... ele a penetrou. Era uma sensação indescritível, muito além do que ela imaginara.

Quando Sakura sentiu o corpo resistir, Sasuke parou e respirou fundo. Apoiou-se nos braços fortes para fitá-la com olhos semicerrados.

— É sua última chance de se preservar...

Ela soltou o ar que vinha prendendo. Sasuke não mudaria de idéia logo agora. Não a deixaria assim... incompleta.

Decidida, ergueu o quadril e inspirou fundo. Soltou um gemido abafado quando ele a penetrou por inteiro. Como Tenten e Hinata já haviam comentado com ela, sentiu dor, mas não mais do que ela esperava.

Sasuke permaneceu na mesma posição e, quando Sakura abriu de novo os olhos, ele a fitava, preocupado.

— Eu não queria que doesse.

— Quero esquecer a dor — ela falou quase sem fôlego, beijando-o novamente.

Sasuke começou a se mover, levantando e abaixando o quadril. Sakura tornou a gemer com a cadência dos movimentos. Laçou-lhe as coxas com as pernas e as costas com os braços, respirando ao ritmo das implacáveis e contínuas estocadas.

— Sasuke... — Ela ergueu o quadril para melhor receber as investidas. Perplexa, sentiu a pele se aquecer mais, o desejo espiralando do ponto onde estavam unidos, o zumbido na cabeça aumentando... até que explodiu em êxtase.

Sasuke a beijou com fúria, a língua marcando o ritmo do quadril cada vez mais rápido, e com um gemido rouco, estocou bem fundo e se desfez nela.

Sakura o recebeu nos braços com um longo suspiro, sentindo-se reconfortada com o peso daquele corpo, cujos batimentos ribombavam em seu peito.

— Era assim, antes?

— Foi melhor.

Permaneceram enroscados um no outro ainda por alguns minutos. Absurdamente relaxada de corpo e mente, ela tentava manter os olhos abertos para não dormir. Não queria perder um único momento daquela presença.

— Preciso ir embora. — Sem avisar, Sasuke apoiou-se nos braços, levantou-se e sentou na cama.

Chocada, ela pensou em protestar.

Mas foi nesse momento que lhe viu as costas, quando ele abaixou para pegar a calça; riscas brancas e estrei tas entrecruzavam-lhe a pele desde as espáduas até as nádegas.

— Céus, você foi chicoteado — constatou, tocando-o sem cerimônia.

Mesmo se preparando para ir embora, Sasuke sentiu o peso da proximidade. Queria ficar, mas, de súbito, precisou de espaço para respirar. Seu mundo parecia ter vira do de cabeça para baixo.

Levantou-se. Para esquivar-se do toque meigo e atraente de Sakura, vestiu rapidamente as calças e calçou as botas.

— Entre outras coisas — confessou, ofegante.

Ele sabia que não formava uma bela imagem. O criado pessoal, contratado por Neji quando as feridas ainda estavam abertas, chegara a vomitar. Desde então, ninguém mais o vira despido... até aquela noite.

— Vamos resolver tudo isso, Sasuke. Esse diz-que-diz vai ter fim mais cedo ou mais tarde. — Sakura sentou-se na cama e afagou-lhe os ombros. — Vai terminar quando a Guarda Real Montada encontrar o verdadeiro ladrão.

Entretanto, a atenção de todos ainda estaria concentrada nele.

— Em um mundo ideal você teria razão... Por isso vou ter que tomar algumas providências.

— Nós dois vamos — ela corrigiu.

Os escombros do coração de Sasuke se contraíram.

— Não vim aqui pedir sua ajuda. — Ele vestiu a camisa. — Minha família será arruinada em todos os sentidos se alguém mais souber que eu tentei me matar. Não pode contar nada a seu pai, Sakura.

Sasuke tinha razão. Ele e a família estariam ainda mais vulneráveis diante de novos boatos.

— Não vou contar, eu juro.

Sakura se levantou, esbelta e linda, à luz do lampião. Os cabelos rosados, compridos e ondulados cobriam-lhe parcialmente os seios. Lembrava a Vênus de Boticelli saindo da concha.

Ele a desejou novamente. Mas, se ficasse, sem dúvida a chamaria de seu raio de luz, sua esperança, sua obsessão, sua razão de viver...

Por isso, precisava ir embora.

Mas Sakura, que fizera dele um novo ser humano, era irresistível.

Afagou-lhe o rosto com o dorso dos dedos.

— Tenho uma lição para você — murmurou com voz rouca. — Na próxima vez em que vir Kiba, pense o quanto ele lhe é conveniente... E depois pense nisto. Ele se inclinou para beijá-la longa e apaixonadamente. Roçou os lábios nos dela. Doía afastar-se.

— Boa noite, Sakura.

— Boa noite, Sasuke.

XXX

Quando Sasuke entrou no saguão da Mansão Uchiha, logo pressentiu que havia alguém ali. Já estava prestes a se defender quando um vulto o agarrou pelo braço, e ele sentiu a fragrância do sabão de Neji.

— Gaara e Itachi já estavam se preparando para ir á Escócia atrás de você. — O visconde acendeu o lampião em cima da mesa de canto. Usara palavras ternas, mas tinha a fisionomia grave.

Sasuke suspirou. A seu favor nada mudara. Quanto a Sakura, ao menos a deixara mais esperançosa.

— Vou dormir.

— Primeiro vamos ver Tenten e mostrar que você está a salvo. Ela estava preocupada. Todos estávamos.

— Amanhã eu a procuro.

— Não, vamos agora. Ela ainda está acordada. A aia está com ela, tentando acalmá-la.

A fugaz sensação de contentamento de Sasuke se esvaiu. Seus problemas não haviam terminado com a visita a Sakura e, como sempre, para fugir da própria dor, ele parecia estar magoando sua família.

— Ela está bem?

— Por enquanto. Você não pode desaparecer assim, sem avisar. — A voz do irmão continha raiva e preocupação.

— Eu disse que tinha coisas para resolver — desculpou-se Sasuke, já subindo a escadaria.

— Isso há quinze horas, Bit. Se tivesse sumido, só nos restaria aturar os boatos, e você estaria arruinado.

— Você também. Por que não reforça a idéia de que voltei desequilibrado da guerra? Pode funcionar a seu favor.

Neji o agarrou pelos ombros e o virou, quase derrubando-o escada abaixo.

— Você é meu irmão — falou, sério. — Não queremos nos afastar de você. Se você fugir, todos ficaremos arrasados. Peço que pense nisto da próxima vez.

Sasuke fitou longamente o irmão mais velho.

— Não fiz nada de errado — murmurou, retomando a escadaria.

— Eu sei que não, todos sabemos.

— Mas o resto de Londres, não. Não seja nobre à minha custa, Neji. Para seu próprio bem, e principalmente de Itachi, quero vocês longe de mim se a situação piorar.

— Depois discutimos isso, se for preciso. O que há, por enquanto, são calúnias. — Neji apontou a porta do quarto principal. — Entre.

— Tenten?

Rodeada de travesseiros, a cunhada lia um livro, inclinada na cama. A aia, junto à janela, cerzia meias. Ao ouvi-lo, a viscondessa olhou para ele e sorriu, fazendo sumir sua expressão preocupada e abatida.

— Bit! Até que enfim! Você está bem?

— Estou. Peço desculpas pelo aborrecimento.

— Venha cá. — Ela estendeu os braços.

Ele foi, meio a contragosto. Tenten o abraçou e deu-lhe um sonoro beijo no rosto. Ele se surpreendeu por não se incomodar com aquele contato íntimo, e retribuiu o beijo.

— Onde você esteve?

Os outros irmãos começaram a chegar ao quarto. Itachi e Gaara usavam trajes de montaria, prontos para irem procurá-lo na Escócia, informação que Sasuke não sabia se lhe fazia bem ou mal.

— Cavalgando.

Não podia dizer a Tenten que estivera na cama da melhor amiga dela, e que conseguira o que queria, o que precisava.

— Onde? — Yuu chegou sonolento, aos tropeços.

— Volte para a cama, Chibi. — Itachi o abraçou. — Está tudo bem.

— Não, não está — o menino insistiu, soltando-se, e apontou o dedo para Sasuke. — Você saiu e não avisou. Nós estávamos preocupados.

Só faltava essa, ele pensou, aturdido; levar um ser mão de um menino de dez anos!

— Pois é... Peço desculpas.

— Aonde você foi?

Não iriam calar Yuu, obviamente, porque ele fazia as perguntas que todos queriam fazer. Neji fitou Sasuke, inquisitivo.

— Pensei em ir para o Norte, para Glauden.

— Mas você voltou.

— Porque cansei de toda essa história. Não fiz nada errado, por isso acho que consigo aturar os boatos.

Não era a sua capacidade de agüentar indiretas e insinuações que estava em jogo, refletiu consigo.

— Mas, quanto a vocês, não sei — completou, taciturno. Olhou para Itachi, quem, além dele, tinha mais a perder.

— Se você agüentar, nós agüentamos. — Apesar da expressão sombria, seu irmão mais velho sorria.

Sasuke entendera o sentimento geral. Se ele fugisse, seria muito pior para cada um dos Uchiha.

— Combinado — falou, com um suspiro, tentando disfarçar a própria emoção.

— Agora que tudo está de volta no lugar — Neji bateu as palmas das mãos, decidido —, façam o favor de sair do meu quarto. Menos você, Tenten.

— Mas...

— Amanhã, Gaara — o visconde interrompeu, ainda atento a Sasuke. — Vá dormir. Precisaremos de uma estratégia e, de manhã, conversaremos sobre isso.

Todos começaram a se retirar.

A sugestão fazia sentido. No dia seguinte, o culpado talvez já estivesse preso, e todos poderiam esquecer no vamente o Uchiha "mudinho" e "aleijado".

Uma solução conveniente, senão por um motivo: Sakura Haruno e seu plano simples e amistoso para com Kiba Inuzuka.

Sasuke respirou fundo. Desejava Sakura, mas não imaginava que ela pudesse querer dele mais que uma noite de amor. Depois dos momentos que tinham passado juntos, porém, o mínimo que ele deveria fazer era verificar se Inuzuka aprendera todas as lições dela...

Sorriu, contido. Alguma coisa estava definitivamente errada, se estava mais preocupado com o acordo de Sakura e amigas do que com a acusação de traição que pesava contra ele.

Quando tirou a roupa e se largou na cama, ainda sentia na pele o aroma de sua musa. Se resistisse aos dias seguintes, teria de imaginar como impedir que percebessem, principalmente o potencial marido de Sakura, o quanto ela passara a significar para ele.