Epílogo
Bella. Minha Bella. Minha leal, cruel e deliciosa Bella, como eu havia sentido sua falta. E como ela havia sofrido por minha causa, mais que qualquer outro. É claro, tudo nela sempre foi mais que em qualquer outro: sua lealdade, sua competência, sua adoração, sua maldade. Mas quando eu caí, ela ficou destroçada. Ela não havia me negado, como os outros, e por isso ficou todo esse tempo definhando em Azkaban, sem que sua fé em mim balançasse por sequer um momento.
Eu apreciava sua fieldade, mas todos esses anos de mal tratos, tendo toda a sua pouca alegria sendo brutalmente arrancada dela, vivendo enclausurada numa cela suja e escura, haviam tirado muito dela. Principalmente de sua mente. Minha Bella sempre fora um pouco desequilibrada, sua loucura tornando-a ainda mais perigosa, mas agora estava pior, muito pior. E os anos na prisão haviam tirado também parte da sua beleza. Era possível ainda ver através dela a Bellatrix que costumava ser eu seus anos de glória, mas era certo que havia mudado. Emagrecera muito, suas mãos se tornando ossudas, as curvas do seu corpo haviam se tornado esquinas e seu rosto tinha algo de mais seco e duro, embora eu não soubesse definir o que.
Apesar disso, ela parecia agora ainda mais bonita para mim. Todas aquelas mudanças mostravam os sacrifícios que ela fizera por mim, marcavam todo o tempo que ela sofrera por mim. Eu sabia que ela pensava algo similar sobre os meus traços ofídicos, que apesar de me tornarem mais feio, me tornavam mais belo pois mostravam a imensidão do meu poder. É, talvez eu e Bella fôssemos mais parecidos do que eu pensava, no final das contas.
Quando eu voltara ao meu corpo e reunira novamente meus servos, a primeira coisa que fiz foi arquitetar a retirada dela de Azkaban. Foi demorado, gastamos muito tempo planejando e mais tempo ainda para conseguir invadir a prisão. Sei o que os Comensais pensaram: ele só está fazendo isso por causa dela, foi o que pensaram. Deixei que pensassem, pois era mesmo verdade. É certo que, além dela, consegui libertar mais nove Comensais, mas isso foi só uma questão de unir o útil ao agradável. No dia da invasão, eu fui pessoalmente a buscar em sua cela. Foi estranho vê-la como a encontrei, tão frágil, tão diferente.
Ela se jogou aos meus pés, chorando e rindo ao mesmo tempo, completamente fora de si, e quando a toquei, ela desmaiou. A carreguei nos braços e aparatei em minha casa, cuidando dela até que a mulher se recuperasse. Ela nunca se recuperou completamente, mas em menos de uma semana já estava melhor, e depois voltou a ser quase a mesma que costumava ser antes. Agora ela dormia em meus braços, coberta apenas por um fino lençol. Ah Bella... Por todo esse tempo, a pior coisa em não ter um corpo era não poder tocá-la, não poder me entrelaçar nela como estávamos agora, por mais que eu tentasse esconder isso de mim mesmo.
Eu possuía apenas dois vícios: o poder e ela. Ambos eram drogas que eu não podia nem queria largar, e isso me enfurecia. Nada deveria ter para mim igual importância ao poder e, no entanto, ela parecia estar quase lá. Como foi que deixei que aquela mulher tomasse conta dos meus pensamentos daquele modo? Me lembro de como eu brincava com seus sentimentos no início, rindo-me deles. Quando eu a provocava e depois fingia que nada havia acontecido, e ela ficava queimando de excitação e confusão.
Mas ela também me provocava, ah como provocava! Eu não pude resistir aos seus encantos, e não queria resistir. Eu a desejava, e eu era o Lorde das Trevas, afinal, eu podia ter tudo que desejasse. E podia descartá-la depois, quando perdesse o interesse, como eu pretendia fazer. Mas eu nunca perdi o interesse, eu apenas a queria mais e mais, até que chegasse um ponto em que ela era quem estava brincando com os meus sentimentos, por assim dizer, fazendo-me desejá-la tanto a ponto de odiar o homem ousasse tocá-la, fazendo-me deixar de me importar com o que diabos os outros pensassem de mim. Eu sabia que alguns Comensais achavam que eu a amava, eu que sempre clamei estar livre desse sentimento. Não me importava que eles pensassem assim, não me importava que não me vissem mais exatamente como viam antes. Eles ainda me temiam, e eu ainda a tinha nos braços, era o que bastava.
Se eu realmente a amava? Não, é claro que não. Eu cultivava apenas os piores sentimentos, e por ela não era diferente: Luxúria, era o que me dominava quando eu estava com ela, não amor. Mas eu sentia outras coisas também. Orgulho, eu não podia negar, por sua lealdade e seu poder, mas isso não era exatamente um sentimento bom, orgulho é um dos pecados capitais, afinal. Possessividade, e a consciência de que eu, apenas eu, tinha um poder absoluto sobre ela. Muitas vezes, também, eu sentia ódio dela, ódio por me fazer escravo das minhas paixões, ódio por me fazer sair tão completamente de mim mesmo. Eu odiava adorá-la.
Nagini costumava zombar de mim dizendo que tudo isso era minha desculpa para não ter que dizer o que eu realmente sentia por Bella: afeição. Cobra idiota, ela não sabia de nada. Eu não sentia essas coisas. E eu tampouco acreditava que Bella me amasse também. Bom, ela pesava que sim, mas se o amor era aquela coisa piegas e melosa que Dumbledore e seus homens pregavam, então não, Bella também não me amava. O que ela sentia era algo muito mais forte, muito mais poderoso. O amor era apenas uma bobagem que nos enfraquecia. Bella havia passado do amor, estava um estágio acima, algo que estava além da compreensão dela e até mesmo da minha. Era algo tão absoluto que ela se perdia de si própria. Eu não entendia, e não queria entender. Estava bem desejando-a a odiando-a.
Bella era necessária para mim agora, eu não tinha mais capacidade de negar. Prova disso era que eu a salvara depois do fiasco do Ministério, apenas a ela, os outros não importavam. Eu expusera meu retorno apenas para não deixar que ela fosse novamente presa e tomada me mim. Maldita mulher, eu nunca teria feito isso por mais ninguém! É claro que eu a castigara depois, esse fora um daqueles momentos em que eu a odiava por me fazer desejá-la tanto, por me fazer desviar do meu caminho por ela. Mas não consegui castigá-la tanto quanto eu desejara, pois ao mesmo tempo em que ela dizia e se lembrava de que a culpa não era dela, Bellatrix chorava e me suplicava para que a torturasse mais, para redimi-la da culpa que ela sentia mesmo sem ter culpa alguma. E eu a odiei ainda mais por não conseguir odiá-la tanto quanto eu a desejava.
Mas agora isso era passado. Eu estava ganhando mais e mais poder, ela estava se recuperando mais e mais da prisão, física e mentalmente. Ela era minha, como sempre fora. Eu voltara, como ela sabia que eu faria, e a tomara novamente nos braços como eu tanto desejara fazer durante os últimos catorze anos. Agora eu acabaria com o garoto Potter e conquistaria o mundo bruxo, e nós dois governaríamos juntos, em nosso trono feito pelos corpos de trouxas e bruxos que matamos e ainda mataríamos para chegar onde devíamos. Eu e Bella, minha Bella, desfrutando do mais absoluto poder como apenas nós dois sabíamos desfrutar.
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É o fim! Muito, muito obrigada pelos comentários, eles fazem meu dia! Eu gostei muito mesmo de escrever essa fic, e espero que vocês tenham gostado de lê-la =D Então, obrigada mais uma vez, e não deixem de comentar ;) bjooos!
PS: os dois últimos capítulos e o epílogo não estão betados, então perdoem qualquer errinho ;)
