Capitulo 8



Depois da minha gargalhada, eu só vi o rolar de olhos impaciente de Edward e o sorriso muito amargo de Emmett

Obviamente foi a vez dele de surtar.

Eu não acreditava. Eu não acreditava em nada do que ele acabara de me dizer.

A primeira coisa que entrou no meu cérebro foi a afirmação de que Adam havia roubado a namorada dele. E se ela fosse a loira espetacular que eu vira na escola pela manhã, eu tinha certeza de que estava havendo algum equívoco. Porquê o Adam pode ter ficado bem gostoso de uns tempos pra cá, mas eu tenho plena certeza de que ele NÃO É gostoso o bastante para ELA.

E a segunda coisa que eu notei foi que o IMBECIL, IDIOTA E ESTUPIDO do Drake havia batido com um TIJOLO na minha CABEÇA.

Oh, Deus, ele era realmente um inútil infeliz .

- Desgraçado. – Eu murmurei.

- Quero que você espere aqui. Não saia. – Era a voz linda de Edward quem falou agora. Com uma voz daquela, como diabos ele pensou que eu desobedeceria? Ah tá, porquê eu sou pirada.

Mas então eu olhei para ele e... bem, não havia nada lá. Não havia Emmett, nem Edward e nem homem nenhum. Somente eu. E, porra, como é que eles conseguiam fazer isso? Sem contar que toda essa coisa de ficar se tele-transportando só faz a minha cabeça rodar que nem louca. Obrigada pessoinhas de circo. Isso está me ajudando muito!

E quando eu iria entrar em pânico e começar a gritar, lá estava ele novamente.

O que era aquilo? Mais truques de mágica? Some e aparece, some e aparece, some e aparece e PAM!

Ele estava me olhando como se estivesse cansado. Não fisicamente, porque ele não tinha nenhum indício de canseira ou algo assim. Mas o olhar dele era tão pensativo e fadigado que eu quase me enterneci em olhá-lo.

Novamente eu notei que suas feições estonteantes iam tornando-se, fração por fração, mais humanas para mim. Ainda eram perfeitas, mas acho que estava me acostumando com elas. E não é como se eu tivesse visto ele muitas vezes. Na verdade tanta coisa estava acontecendo numa noite só que eu voltei a esperar que eu acordasse bruscamente no meu quarto e me dado conta de que tudo não passara de um sonho sinistro.

Mas pelo menos agora eu sabia que o Adam estava bem. Mas, julgando pelo olhar amargo de Emmett, até temi que ele não continuasse bem por tanto tempo mais.

E agora era apenas eu e aquele cara.

Não da forma que meu corpo desejava, mas, dane-se, eu tinha certeza de que não estava nada sensual com aquela cabeça enfaixada.

Edward não estava nem perto e nem longe. Perto o bastante para me fazer hiperventilar o longe o bastante para que eu tivesse uma visão de toda a extensão de seu corpo. Er, não toda a extensão, mas você entendeu.

- Agora que você está mais calma, acho que lhe devemos explicações. Não só eu, mas falo por toda a família Cullen.

Família Cullen, família Cullen, família Cullen... Essas duas palavras ficavam repetindo-se incessantemente dentro de minha cabeça, como um tic-tac de relógio.

- Hoje aconteceu algo de real peso para todos nós. – Eu apenas olhava-o, analizando o variz lindo e o queixo saliente – nós não fazíamos a menor idéia de que você e seu amigo nos iriam fazer uma "visita" hoje. E isso não teve repercussões muito boas, Jasmine. – Porquê será que, mesmo ele tendo aquela pele perfeita e os traços jovens, ele falasse como se fosse alguém da terceira idade? Nem meu avô Tom parece ser tão ajuizado assim. Na verdade o vovô Tommy adora fumar umas às escondias por aí, mas isso eu abstraio.

- Você... Agora vai me dizer, realmente, que repercussões foram essas? Além da minha cabeça esmagada, é claro. – Essa ultima frase saiu como um sussurro sarcástico. E, Deus, eu definitivamente não queria um espelho.

Não obstante, eu estava muito, muito curiosa. Tanto que, mais uma vez, ele pareceu ainda mais humano a meus olhos. Imediatamente depois dessa minha constatação, ele apertou os olhos, fazendo com que sua sobrancelha se franzisse. Um brilho estranho passou por seus olhos dourados, mas eu estava longe de saber o que havia dentro da mente dele. Ele também me olhava, especulativo e curioso, mesmo que quem estivesse perguntado algo ali tenha sido eu.

Entretanto, essa tensão não durou mas que alguns segundos.

- Sim. Até porque, de alguma forma, me sinto impelido a isso. – O que ele queria dizer? Que estava sendo obrigado a me contar o que havia acontecido? Hello, eu era a vítima! As vitimas sabem do que aconteceu, certo? Ele pareceu meditar por alguns momentos e eu, irrequieta, lancei um olhar impaciente para ele. Parece que funcionou – É complicado. Mais do que você possa imaginar.

- Posso ter batido a cabeça, mas ainda tenho neurônios, sabe? – Pode me bater por ser tão direta e, por vezes, sarcástica. Mas ainda assim, mesmo diante do cara mais lindo que eu havia visto em toda a minha vida, eu não conseguia agir como uma adolescentes normal que flerta e manda olhares lascivos para o cara. Eu só parecia mais patética do que eu comum.

Observando-o, eu juro que pareci ver a sombra de um sorriso em seus lábios, mas essa sombra se desfez tão rápido quanto apareceu.

- Não, acho que você não está entendendo. Isso é meio complicado. E pode parecer... inverossímil ou macabro pra você. – O olhar dele era sério, mas suas feições estavam tão contraídas que pensei se ele não estava sentindo nenhuma dor ou algo do gênero.

- Eu agüento. Manda ver. – Eu estava tão curiosa para saber o que era que não estava nem aí para as conseqüências disso.

- Sente-se. – Ele indicou o chão. Primeiro eu lancei um olhar para ele que dizia claramente "você é retardado?". Mas como percebi que ele não estava brincando, eu sentei vagarosamente na grama fresca e molhada pela recente chuva que havia caído naquela noite. Tive vontade de perguntar se ele também continuaria em pé, mas não precisei. Ele também sentou-se na relva molhada e levantou sua cabeça em direção à lua. Eu também observei, por um momento, o luar brilhante e calmo. Mas então levei meu olhar até os traços bem feitos do seu rosto. Ele parecia relutar densamente em me falar o que tinha de falar.

- Você precisa fazer isso, não é? Me contar. – Eu disse, encorajando-o. Ele baixou sua cabeça muito lentamente e me olhou.

- Sim. Mas eu não devo. É perigoso. – Sua voz era rouca e baixa. E eu simplesmente soube que, mesmo ele alegando aquilo, ele me contaria. De repente o seu olhar profundo estava cravado em mim – Jasmine, prometa que não irá se assustar.

Eu ergui um pouco a sobrancelha direita.

- Tá – eu murmurei.

- Prometa – ele pediu novamente.

- Er... sim, eu prometo.

Um pequeno momento de silencio.

- Nós somos diferentes. – E eu sabia que ele estava falando de sua família.

- Bem, eu notei isso. – Eu disse, com uma nota de humor na voz. Ele estalou a língua e insistiu.

- Não, não da forma que você está pensando agora. Somos realmente diferentes. Dos humanos.

Certo, essa ultima afirmação me desconcertou. E me confundiu também. Eu realmente não sabia o que ele queria dizer em ser diferente dos humanos. Mesmo que muitas denominações macabras tenham passado por minha cabeça, eu não havia ido tão longe a ponto de pensar que eles não eram humanos. Qual é, isso seria doente.

Obviamente eu não consegui balbuciar nada, então ele simplesmente continuou.

- Somos peculiares. Alvos de lendas e fábulas consideradas, por muitos, como simples mitos. Mas, de certa forma, somos um mito para as pessoas. Somos...

Nesse momento ele parou. Simplesmente parou, fazendo a minha mente tinir de possibilidades absurdas para com o que eles realmente eram. E confesso que minha mente borbulhou de idéias. Porque eu sabia que quando ele dizia "mito", ele não estava se gabando nem nada. As feições deles diziam que aquilo era sério e difícil. O que aquelas pessoas tinham de tão óbvio que não fosse a beleza inumana e o poder? Feitiçaria? Poderes mágicos? Dons milagrosos?

- Quase isso. – Ele disse, voltando a fitar a lua. E naquele momento eu soube que ele conseguia mesmo entrar na minha mente. Não me pergunte como eu descobri ou constatei, mas eu simplesmente sabia. E, por incrível que pareça, aquilo não soou tão anti-natural para mim. E, de certa forma, apenas ratificou minhas suspeitas.

- Ah. Meu. Deus. – Eu disse, olhando para o nada.

- Ainda não cheguei à parte pior. – Não estava olhando-o, mas desconfiava que o olhar dele fosse um tanto quanto sarcástico nesse momento.

- Sério? O que vem agora? Os X-Men? – Perguntei, um pouco embasbacada. Certo, na realidade eu estava tão embasbacada quanto podia estar. Meu olhar se tornou opaco, devido aos pensamentos longínquos da realidade. Pensei que ele iria falar mais alguma coisa, mas minha frase, aparentemente pelo menos, o calou.

Balancei minha cabeça com força, tentando não tornar as coisas piores do que já estavam. Para ele, digo. Porque, você sabe, eu podia só cair na gargalhada e dizer que ele era um demente e tal. Mas ele não. Ele tinha que prosseguir, me falando sobre aquilo.

Olhei para ele, um pouco arrependida do comentário sarcástico e inevitavelmente descrente que lancei a ele. Ele ainda olhava a lua. Suas feições estavam ainda mais contraídas e suas mãos estavam em punho, como se ele estivesse fazendo força para algo. E ela tão estranho olha-lo! De uma forma que eu intrinsecamente desconhecia, ele acabava me fazendo entende-lo. Lê-lo. Eu sabia que tinha de esperar, e que meu silencio ajudaria muito ali. Mas mesmo assim outra parte de mim sabia que tinha de encoraja-lo a voltar a falar. Do contrario, passaríamos a noite em silencio.

- Edward... Fale. – Balbuciei roucamente, minha voz saindo miseravelmente feia perto da dele.

Ele baixou um pouco sua cabeça e me olhou por um breve segundo. Depois olhou para algum ponto de minhas mãos – vai entender – e voltou, para meu alivio, a falar.

- Somos perigosos. Somos predadores. Isso é o que você tem que saber. – Dizer que ele era simplesmente misterioso é pouco demais. Ele era inseguro, melodramático e enigmático.

- Ah, qual é, deve ter mais coisas! – Encorajei e, de forma ou de outra, eu só sabia que acabava piorando as coisas. Por sorte, ele pareceu ignorar meu péssimo encorajamento.

- Você não vai querer saber. – Disse.

- Está brincando? Eu estou aqui, extremamente parecida com uma louca de hospício, em frangalhos e me recuperando de uma crise existencial e você vem me dizer que eu NÃO vou querer saber o que diabos há com a família estranha que se mudou para a minha cidade e, por ventura, é a causadora do fato de que eu estou praticamente em coma?

Certo, peguei pesado.

Olhei para ele, indignada e com o cenho tão franzido que fazia a minha testa doer. Esperava mais um estouro vindo dele; semelhante a aquele que Emmett teve. Mas ele estava apenas rindo. Sim, rindo. Mostrando aqueles dentes tão magnificamente afiados e contraindo aqueles lábios sensuais que me faziam imagina-los em um lugar bastante sugestivo do meu corpo. Aliás...

- Jasmine... – Ele falou, parecendo um pouco desconcertado agora. E então eu me lembrei de que ele sempre estava dentro da minha mente. Conhecendo os meus segredos mais obscuros e frustrantes. E não acho que tenha sido muito agradável para ele ver suas próprias imagens fazendo... aquilo comigo. Droga, minha mente é uma viagem. Alguém me salve...

- Desculpe. – Falei, corando e olhando para o chão. Ele voltou a sorrir levemente.

- Preciso te levar em casa. – Ele falou.

- Não precisa não. Podemos dormir aqui? – Perguntei, parecendo uma criança fazendo birra porquê não quer ir embora do parquinho.

- Não para as duas coisas. – Ele falou, me segurando. É, ele totalmente me segurou. Me pegou pelos braços e, cara, preciso dizer que quase tive um ataque apopletico?

Tentei pensar logicamente. Respirei fundo e no momento seguinte eu sabia que nós iríamos fazer aquilo novamente. Nós iríamos andar rápido.

Mas antes que ele fosse, eu fiz a ultima anotação.

- Eu só fiz uma pergunta, Edward.

- Eu sei, mas ainda assim eu não posso dormir.

E então estávamos viajando na velocidade da luz.