Edward POV.
Bella assentiu, mordendo o lábio inferior e arredando um pouco para o lado, de forma que eu pudesse entrar. Ela trancou a porta rapidamente, verificando duas vezes, e me perguntei de repente qual era a seriedade de tudo.
Nenhum de nós disse nada enquanto eu a seguia por um corredor estreito, sem fotos e tudo o mais. As paredes tinham um tom de creme e havia um tapete estendido no chão.
Meus olhos observavam todos os detalhes, inclusive quando chegamos à sala. Havia dois sofás e uma poltrona, todos da mesma cor: branca. Todas as cores ali eram claras demais e não havia um toque pessoal de Bella naquele local.
Ela me indicou um dos sofás e eu me sentei no mais próximo. Bella se sentou na poltrona.
Eu a encarei por alguns segundos, percebendo o quão linda ela estava e em como estar fora da cadeia tinha a feito bem. Ela constantemente mordia os lábios e prendia uma mecha de seu cabelo atrás da orelha, enquanto me fitava por detrás daqueles cílios longos e castanhos.
Eu queria odiá-la. Seria mais fácil para mim.
Mas ali, observando-a, vendo-a fazer as mesmas coisas que ela fazia quando estávamos sozinhos... Parecia tudo igual. Eu até poderia me iludir, fingir que nada havia mudado.
Só que mudara.
E muito.
- Bom... – Ela começou, parecendo notar que eu não seria capaz de dizer absolutamente nada. – Eu sinto muito por ter acontecido o que aconteceu, Edward. Não queria que você descobrisse as coisas desse jeito.
Um riso amargo escapou de meus lábios.
- Claro – assenti. – Você pretendia me contar quando, então?
Ela suspirou pesadamente, por um momento desviando os olhos dos meus.
- Quando tudo acabasse – disse por fim. – Quando eu tivesse todas as provas de que preciso para me inocentar.
- Que provas? – indaguei, curioso, inclinando-me no sofá em direção a ela.
- Não vou meter você nisso – suspirou. – Havia um motivo para eu não lhe contar que estava viva, Edward, e era esse. Eu não sei o quão perigoso vai ser, mas quero você fora disso.
A raiva me dominou novamente.
- Eu sei me cuidar! – grunhi. – Não precisa me proteger de nada, Isabella!
Ela suspirou pesadamente, abaixando o rosto.
Eu não gostava do fato de ela estar me escondendo daqueles olhos.
E não gostava do fato de ela mexer tanto comigo, depois de tudo o que fez.
E queria – muito – conseguir dizer para ela aqui e agora que tudo mudara, que os sentimentos já não eram os mesmos e que, a seu pedido, eu tinha seguido em frente.
Mas eu não tinha.
E não acho que um dia eu conseguiria.
- Não vou te contar – disse por fim. – É melhor se manter afastado de tudo isso, Edward, é melhor não voltar aqui mais.
Eu fechei minhas mãos com força, só para não puxá-la para meus braços.
- Eu tenho o direito de saber – grunhi. – Eu sofri por meses! Eu achei que estivesse morta.
Finalmente ela olhou para mim; seus olhos castanhos estavam cheios de lágrimas.
- E você acha o que? – gritou. – Acha que saía cantando por aí, feliz por estar livre da cadeia? Você não tem ideia do que está acontecendo, Edward! E já não basta colocar Jacob e Rose nessa história, eu não...
- Quem é Jacob? – perguntei, tentando controlar o ciúme que começava a tomar conta de mim.
Suspirando fundo, ela fechou os olhos por um momento, abrindo-os logo em seguida.
Por que eu tinha que amá-la tanto? Por que não podia simplesmente superá-la e esquecer que tudo isso aconteceu?
- Ele é meu detetive – deu de ombros. – Está tentando descobrir tudo. É primo de Rose.
Assenti, querendo saber mais, querendo não sentir ciúmes desse cara que, provavelmente, passava mais tempo com ela do que eu jamais passei em todos os meses que ficamos juntos.
- Me conta tudo – exigi. – Eu tenho, sim, todo o direito de saber.
- Não tem – retrucou.
Por que ela tinha que me deixar de fora? Por que simplesmente não podia me contar tudo o que está acontecendo?
- Não vou te envolver – continuou. – Nem eu mesmo sei de tudo, nem Rose e Jacob! Por favor, não insista.
E ouvi-la falando dele – um cara que sabia mais do que eu, que estava com ela mais do que eu –, me fez explodir de raiva.
- Eu devia ir à polícia – ameacei. – Devia contar tudo, devia!
No fundo, tudo o que eu queria, era que ela não tivesse mentido para mim, que estivéssemos juntos, lutando para provar sua inocência.
- Então conta – gritou. – Conta logo, Edward. Vá embora e corre até a delegacia e conta!
Os olhos castanhos cheios de sentimentos escondidos, me fitaram, tomados de lágrimas. Eu conseguia ler o desespero por trás de suas palavras, conseguia perceber que por mais que eu tentasse odiá-la, nunca conseguiria.
Porque Isabella Swan me marcou de uma forma que nenhuma mulher nunca sequer conseguiu.
- Talvez eu vá – resmunguei, ficando de pé e já partindo para a porta. – Talvez eu conte e acabe com tudo isso logo. Não quero sofrer mais.
Caminhei apressadamente pelo corredor, tentando sair dali antes que Bella me alcançasse. Abri a porta e estava pronto para ir, mas ainda pude ouvir suas palavras antes de fechar a porta com toda a força na cara dela.
- Eu te avisei, Edward. – Sua voz era suave. – Eu te avisei, desde o começo, que era errado se apaixonar por mim.
É.
Uma pena que eu havia percebido isso tarde demais.
Bella POV.
As lágrimas escorriam livremente pelo meu rosto enquanto eu observava Edward correr. Sabendo que corria o risco de ir atrás dele, para implorar seu perdão, implorar que esperasse, fui até a sala e me joguei no sofá, deixando que os soluços saíssem.
As palavras dele, duras e frias, tão diferentes das do meu Edward, ecoavam em minha mente.
E eu simplesmente me mandei parar, me obriguei a parar.
Porque Edward nunca foi meu.
E depois de hoje, eu duvidava que algum dia seria.
Imediatamente, minhas imagens com ele – todas – desapareceram. Imagens de um casamento futuro, de nós dois ansiosos pela chegada do primeiro filho.
Isso nunca iria acontecer.
Pensei por um momento que fosse porque eu pensava nunca conseguir provar minha inocência, mas descartei essa ideia quase que imediatamente. Não era isso que me assustava.
O que me fazia ter medo, era que o que eu verdadeiramente temia aconteceu: a chance de Edward não me perdoar havia aumentado, e muito. Na verdade, eu duvidava muito de que um dia ele fosse capaz de fazê-lo.
Em algum momento, os braços de Rosalie me envolveram, mas ela não disse nada, apenas ficou ali me dando todo o conforto que eu precisava.
Não muito tempo depois, finalmente as lágrimas cessaram.
- Mais acalma agora? – indagou-me Rosalie, fazendo-me olhar para ela.
Assenti.
- Vai tomar um banho – disse. – Vou preparar alguma coisa para nós duas.
Meia hora depois, desci as escadas novamente, me sentindo mais calma. Na cozinha, Rosalie acabara de terminar de organizar tudo, colocando pães, biscoitos, chá e café para comermos e tomarmos.
- Obrigada, Rose – sorri.
- Quer conversar um pouco? – perguntou.
- Talvez mais tarde – disse. – Eu acho que não vou conseguir falar muito agora.
Nós comemos em silêncio, vez ou outra conversando sobre alguns assuntos bobos.
Arrumamos juntas a pouca bagunça de ficara e depois seguimos até a sala, nosso local oficial. Rosalie e eu gostávamos de ficar ali.
- Então... – comecei. – Como anda a investigação?
O sorriso no rosto de Rosalie foi a prova de que, finalmente, alguma coisa estava começando a acontecer.
- Temos uma pista – disse. – Não é algo certo e forte, mas é algo grande que vai nos ajudar muito.
E embora tudo estivesse errado com Edward, embora eu tivesse quase certeza de que nunca ficaríamos juntos novamente, naquele momento eu consegui dar um sorriso verdadeiro.
Porque as pessoas que amava logo não iriam mais correr perigo.
E isso era muito.
Terceira Pessoa POV.
Ele precisou respirar fundo três vezes para conseguir colocar a chave certa na fechadura. A porta, há muito tempo sem abrir, soltou um rangido alto, o que o fez encolher.
Ele não esperava ter que entrar ali novamente.
Só que ele era esperto – esperto demais. Sabia o quão estava em jogo e não podia nem sequer pensar em abrir mão. Tinham provas contra ele, coisas que o levariam diretamente para a morte.
Então, ele preferia cooperar, conseguir um acordo.
A mão direita se ergueu, trêmula demais, a procura do interruptor. Alguns segundos depois, finalmente conseguiu alcançá-la, fazendo com que uma luz forte tomasse conta do local.
As paredes, antigamente pintadas em um vermelho sangue, estavam descascando e o cheio de mofo dominava completamente tudo. Havia vidros espalhados por toda a escadas, assim como livros rasgadas e jogados.
Disfarce.
Aquele local, caso passasse por uma vistoria um dia, nada mais seria do que um simples porão velho e sujo, que ninguém quase visitava mais e com coisas que não eram mais necessárias.
Os passos eram pesados enquanto desciam escadas com cuidado, desviando-se dos cacos e dos papéis, apenas para evitar um acidente. Ele só ergueu os olhos quando estava seguro em chão firme, ignorando tudo ali e caminhando direitamente até a estante, onde tirou um livro.
Imediatamente ela se afastou, revelando um lugar pequeno. Duas pessoas não caberiam ali. As paredes, outrora sem cor alguma, estavam sujas, mas ele não se importou com isso. O necessário estava naquele local. Caixas empilhadas, coisas que fariam qualquer pessoa estremecer de medo.
Porém, ele só precisava de uma: a mais recente. Pegou-a no topo de uma das pilhas, torcendo para que fosse a correta. Voltou para o espaço maior, sorrindo imensamente ao ler o nome.
Isabella Marie Swan.
Eles ficarão satisfeitos, pensou.
Pensando que finalmente ficaria livre, já que não acreditava que eles fossem precisar de algo mais, apoiou a caixa na mesa, pronto para abri-la e conferir se tudo estava ali. Entretanto, um barulho vindo do andar de cima fez com ele pulasse de susto.
Correndo, devolveu a caixa à pilha, fechou a estante e subiu as escadas, agora sem importar com os vidros e os papéis ali caídos.
Um suspiro de alívio escapou de seus lábios ao notar que fora apenas o gato, derrubando um jarro.
- Gato maldito - resmungou.
Virou-se, pronto para descer e resgatar a caixa, mas foi novamente interrompido. Dessa vez, pelo toque do celular. Precisavam dele na sua empresa.
Respirando fundo, saiu da casa e dirigiu o mais rápido que pode. Era tarde.
O que seu assistente podia querer de tão urgente?
Estacionou em seu local exclusivo, sem se importar em ligar o alarme do carro. Direcionou-se até o elevador, apertando o botão que o levaria até o último andar.
Precisava resolver isso o mais rápido possível. Precisava pegar a caixa, onde somente ele sabia onde ficava, e entregar a eles.
Depois estaria livre. Finalmente livre.
Caminhou pelos corredores já escuro, lembrando-o de uma noite, há quase um ano, da qual ele se arrependia amargamente.
- Terry? – chamou, já adentrando a sala.
E a última coisa que ele viu quando lhe acertam a cabeça foi aquele símbolo.
O símbolo que era seu pesadelo desde sempre.
Edward POV.
Eu ia tentando viver minha vida de modo normal, conforme os dias iam passando. Fingir que tudo estava bem e que eu nunca havia conhecido Bella, parecia o certo a se fazer naquele momento.
Só parecia, pois em momento algum eu conseguia tal proeza.
Havia dias que eu queria correr até a casa que ela está ficando e dizer que não me importava nada, que poderíamos ficar juntos e fazer tudo funcionar.
Mas eu tinha certeza absoluta que Bella não iria me contar nada.
E eu não sabia o que devia exatamente sentir.
Antes, eu lamentava sua morte. Eu sentia falta dela todos os dias, eu a queria comigo. Eu queria que tivéssemos uma chance de verdade, com ela livre, fora da prisão.
Mas naquele momento…Naquele momento eu mal sabia o que pensar, ou o que fazer… Era tudo muito confuso em minha cabeça e eu esperava que com o tempo eu conseguisse uma solução.
As coisas dela continuavam intactas no escritório, mas não as via desde o dia que brigamos. Não tinha coragem, não tinha vontade.
Eu estava confuso demais.
Continuei a almoçar com meus pais, mantendo os problemas de lado apenas para não preocupá-los. Continuei a trabalhar, continuei a viver minha vida.
Como se Isabella Swan nunca tivesse existido.
Mas ela estava lá. E a cada momento em que eu tentava fingir que ela nunca tivesse existido, lá estava ela. Estava em cada pedacinho de minha vida; nos meus pensamentos, no meu coração. Eu sabia que iria ter que enfrentar tudo isso, conversar com ela sem brigar, tentar entendê-la.
Só precisava de um tempo.
Não me sentia pronto para aceitá-la de volta como se nada tivesse acontecido, assim como não estava pronto para tirá-la definitivamente da minha vida.
E, talvez, nunca estivesse.
Bella POV.
Eu ficava mais ansiosa conforme os dias passavam.
Ficava esperando que a campainha tocasse, esperando que Edward voltasse e eu pudesse explicar tudo a ele. Mas não podia, não podia desejar isso.
Porque eu queria que ele ficasse a salvo, queria que ele ficasse longe de tudo isso.
Nem que isso significasse não tê-lo nunca mais.
Rosalie e Jacob quase não apareciam, procurando, mais do que nunca, provar minha inocência.
Eu ainda não sabia o que eles tanto procuravam, mas tentava ficar paciente. Se eles conseguissem... Eu mal podia pensar nisso sem sorrir.
Enquanto os dias passavam, a minha única alternativa era escrever.
Concentrava-me como nunca no livro, sem ainda saber o final. Meu futuro com Edward parecia incerto; muito incerto. Meu próprio futuro parecia estar assim, embora conseguisse ver uma luz no fim do túnel.
Já havia conseguido escrever bastante coisa. Meu primeiro beijo com Edward, meu julgamento... Ninguém sabia ainda que estava escrevendo e eu não sabia se algum dia iria contar, já que considerava o livro como meu modo de desabafar.
Quem sabe um dia não pudesse publicar?, pensei.
Mais duas semanas se passaram e eu quase não via Rose.
Até que em uma sexta, recebi uma mensagem sua. Deixei a porta aberta, como sempre, e fiquei no sofá, ansiosa.
Eles conseguiram?
Eles conseguiram resolver tudo?
Mas assim que vi a expressão triste de Rosalie, percebi que não.
Ela entrou direto na cozinha, sem me dizer nada, e eu a segui, ansiosa demais.
- O que foi? – indaguei. – O que aconteceu, Rose? O que vocês descobriram?
Sem responder nada, Rosalie jogou um jornal no balcão, sem delicadeza alguma.
Primeiro, meus olhos passaram rapidamente por ele, sem encontrar nada que me interessasse, fazendo com que eu me sentisse confusa. Dei uma segunda olhada, então, procurando prestar atenção aos detalhes, inclusive nas fotos em preto e branco. Não demorou muito para uma em particular chamar a minha atenção.
O rosto estampado na manchete era conhecido por mim. Não alguém íntimo demais, mas a última pessoa que vi, no meu último dia de trabalho antes de ser presa.
O rosto de Riley Biers, meu ex-chefe, estava ali, com um sorriso no rosto. Pequenos fatos de sua vida estavam sendo contados, sem entrar muito em detalhes, já que esse não era o assunto principal da reportagem.
Riley morrera na noite anterior, assassinado em seu próprio escritório, à facadas.
- Oh – ofeguei, sem saber nem o que pensar.
- A polícia não liberou uma informação à imprensa – murmurou Rose, quando percebeu que eu terminara de ler. Olhei-a, sem entender aonde queria chegar. – Jacob ficou sabendo de um bilhete encontrado próximo ao corpo de Riley.
- O que dizia? – indaguei, me sentindo nervosa.
O jornal em minhas mãos tremia.
- "Ele sabia demais." – recitou.
N/A: Hmmm... Oi? Pois é. Senhor Riley sempre teve uma importância na fic, desde Guilty, mesmo tendo aparecido somente uma vez. Perceberam como ainda tem muita coisa para ser esclarecida?
E a conversa desses dois, hein? :x Sei que tem gente aqui esperando que se acertem e tal, mas Edward tem todo direito de se sentir confuso. Ele acreditava que ela estava morta... Acho que ele até está se comportando muito bem.
E aí? Será que ele volta a procurá-la? E quanto a todo esse mistério cercando a vida de dona Bella, hã?
Eu deveria ter postado ontem, maaaas o FF não estava me deixando postar, então hoje postei mais cedo.
Fiquem calmas, respirem fundo, deixem reviews lindos, e a gente se fala mais amanhã, ok?
Besos besos ;*
