Capítulo 8 – Voltando para casa.
DOIS ANOS DEPOIS....
Bufei, enquanto batia a ponta dos pés no chão repetidas vezes. Mordi levemente meu lábio inferior, e revirei os olhos.
Por que diabos, Jacob sempre tinha que se atrasar?
Okay, eu já devia estar acostumada com isso. Mas era impossível não me irritar sempre que aquela bicha demorava.
-- Bella! – Ouvi a voz ofegante da minha amiga Selene. – Nossa, que susto! Pensei que não ia te ver hoje.
Observei-a atentamente, e sorri satisfeita.
Ela era alta e esguia, bem mais alta que eu. Tinha os cabelos pretos luxuriantes, que caiam em suaves cachos até o meio de suas costas. Seus olhos eram violeta, e brilhavam em um tom incrível.
Ela e Alice Cullen se dariam muito bem juntas, se algum dia chegassem a se conhecer. A tara por shoppings, pelo menos, era a mesma.
-- Nós marcamos de sair, lembra? – Falei pacientemente. – Vamos ao Road Club.
-- Nossa é mesmo! – Ela deu um pulo, e sorriu brilhante. – Já ia me esquecer.
-- Você sempre esquece de tudo. – Eu dei um tapinha em suas costas, e olhei para o corredor vazio do colégio.
Jacob só podia ter merda na cabeça.
-- Will vai também? – Perguntei vagamente.
-- É claro que sim! – Selly jogou a mochila no chão, e balançou os cabelos para trás. – Ele não perderia isso por nada!
Will era o namorado de Selene. Eles eram perfeitos juntos! Não havia modo de separá-los, desde que eram pequenos. Haviam sido criados quase como irmãos.
-- Bell... – Ela começou hesitante. – Você... Vai mesmo voltar para Forks? Ainda mais quando as aulas já começaram?
-- É claro que vou! – Eu sorri maliciosamente. – Eu não me preparei todo esse tempo por nada!
-- Isso não vai te levar a nada, amiga. – Selene beijou meu rosto, e deu um tapa em minha bunda. – Mas... Eu juro que queria ser uma mosca pra ver o rosto de Edward Cú quando te ver.
Soltei uma gargalhada, e arqueei uma sobrancelha.
-- Se eu fosse você, não iria querer ver tudo o que eu vou fazer com ele.
-- Às vezes, Bellinha, você me dá medo.
-- Que bom.
Sorri e a abracei.
-- Vou sentir sua falta, Selly. – Falei. – Mas você irá ao baile não é?
-- Ah! Esse vai ser o acontecimento do ano. Não vou perder isso!
O baile de Forks. Acontecia apenas de dez em dez anos. Não costumava ser algo divertido, mas como eu estaria lá, com certeza as coisas se agitariam um pouco.
-- Ei minhas gatas! – Ouvi Jacob gritar ao longe.
-- Retardado. – Rebati. – Será que você não pode ser menos veado?
-- Olha a maldade, Bell. – Ele riu e deu um beijo estalado em minha boca. – E eu não sou completamente veado. Eu sou bi.
-- Muita diferença. – Resmunguei.
-- Pare de ser chata! Nós temos que aproveitar nossa despedida!
Eu sorri fracamente, e o abracei apertado.
-- Sabe que se não fosse por você, talvez eu não tivesse conseguido me tornar o que eu sou hoje.?
-- É claro que você teria conseguido. Você é uma rainha por natureza Bell.
-- Que meigo. – Selly bufou sarcástica. – Agora amores da minha vida, eu tenho que ir. Will me espera. – Ela riu maliciosa e acenou enquanto caminhava sensual até a saída.
Quando ela nos deixou a sós, Jacob me agarrou pela cintura, e prensou meu corpo contra o seu.
-- Se eu não gostasse mais de homem do que de mulheres, juro que seria seu namorado. – Sussurrou. Depois roçou o lábio no meu, e me beijou profundamente como se eu nunca mais fosse vê-lo.
Eu me agarrei em seu pescoço, e sorri por entre o beijo enquanto correspondia.
Não havia nada de mais ali, mesmo que alguém vendo de fora, pensasse que nós fossemos nos comer.
Jacob e eu éramos melhores amigos. Eu o amava muito. Ele conseguira abrir um pouco meu coração, e agora estava permanentemente ali.
É claro que Jake era incapaz de me magoar. Dessa vez, eu não era boba. Eu havia aprendido a julgar as pessoas, e a abrir meus olhos.
Eu sabia jogar com as palavras, e sabia humilhar um pessoa só com meu vocabulário.
Sujar minhas mãos? Raramente. Eu era muito superior a qualquer tipo de agressão física, e tinha muita consciência disso.
E mesmo assim, ainda havia alguma coisa em meu peito que me impedia de respirar. Era impossível dizer que eu já havia superado.
Eu só superaria o que acontecera entre mim e Edward quando me vingasse. E... A pior parte disso tudo... Era saber que ele não era o único culpado.
Eu fui cega para não enxergar o que estava bem a minha frente. Eu fui a burra. Eu que me deixei levar por seus encantos baratos.
Porque eu o amava. Agora, eu achava impossível que meu coração nutrisse um sentimento assim por alguém.
Eu havia perdido toda a minha inocência. Tudo o que havia de mais puro, mais verdadeiro, havia morrido naquele dia há dois anos atrás.
Suspirei e me separei de Jacob lentamente.
-- Se você fosse realmente um homem, eu me casaria com você. – Brinquei pulando em suas costas.
Ele riu e segurou minhas pernas.
-- Se você fosse um homem, eu também me casaria com você Isa.
Nos primeiros dias, o apelido "Isa" havia me incomodado. Agora, porém, eu até gostava. Porque ali eu era uma pessoa diferente. E porque as pessoas ali eram outras.
-- Sua mãe não vai se importar se eu acampar lá na casa de vocês de novo? – Ele perguntou.
-- Claro que não. – Eu ri e saltei de suas costas. – Ela te ama Jake. Às vezes eu penso que vocês são melhores amigas – Alfinetei.
-- Cuidado ein... – Ele mordeu o lóbulo de minha orelha. – Eu ainda tenho uma parte macho dentro de mim.
-- Aham. E eu ainda amo Edward Cullen. – Bufei.
-- É claro que você ama. – Ele agarrou minha cintura. – Nunca se esquece um verdadeiro amor.
-- Não havia nada de verdade ali. – Sibilei nervosa. – Agora pode parar com a veadagem ok? Eu não to nem um pouco a fim de ficar ouvindo suas idiotices o dia inteiro.
-- Também te desejo, Isa.
Mostrei a língua pra ele em um gesto infantil.
-- Posso te sugerir uma coisa? – Perguntei.
-- O quê?
-- Vai catar coquinho em um campo minado!
-- Graciosa como sempre!
Eu revirei os olhos, e dei uma tapa em seu ombro.
-- Vamos logo Jake. Eu estou louca pra ir nessa boate hoje!
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Eu acordei sentindo um peso sobre minha barriga. Estava grogue, depois do cochilo que eu havia dado de tarde.
Pisquei freneticamente os olhos, até me acostumar com a claridade e ver que Jacob estava cutucando minha barriga.
-- O que foi? – Perguntei seca.
-- Já são oito da noite, gata. Você tem que se arrumar.
Eu arregalei os olhos e dei um salto. Só depois percebi que Selene e Will estavam rindo em um canto.
-- Acordou a Bella adormecida, huh? – Will brincou.
Eu bufei e observei-os dos pés a cabeça.
Selene usava uma calça jeans preta colada e um top vermelho sangue que tampava apenas seus seios. Ela estava com os cabelos presos e com uma maquiagem suave que a deixava com cara de anjo, mesmo que sua roupa contradissesse isso.
Já Will, parecia um deus grego, vestido com uma camiseta preta de botões e uma calça social. Ele era incrivelmente bonito, tendo os cabelos loiros jogados displicentes para trás. Seus olhos castanhos brilhavam em diversão, enquanto ele me encarava.
E Jacob... Bem ele realmente não parecia um cara gay. Seus cabelos pretos que batiam no ombro estavam soltos, e ele usava uma calça jeans rasgada que combinava com sua camisa azul escura. Huh, quem não conhecia não falava que ele se interessava basicamente por homens.
Ri, e corri para meu armário pegando uma roupa já escolhida. Depois me encaminhei para o banheiro e tranquei a porta.
Tive que me despir e tomar banho rápido, já que eu estava atrasada. Depois me sequei e coloquei minha roupa rapidamente.
Era um vestido preto que batia acima de meus joelhos. Ele era completamente colado no busto e caia solto sobre o resto de meu tronco.
Suspirei enquanto me vestia, e me fitei no espelho.
Como eu havia mudado... Eu não conseguia nem me reconhecer!
Meus cabelos haviam crescido e agora batiam no meio das minhas costas, ondulados e cheios, me dando um ar selvagem. Eu havia aprendido e me maquiar, e meus olhos castanhos viviam sempre ressaltados pelo lápis de olho.
Agora por exemplo, eles estavam contornados por uma camada grossa que deixava o marrom escuro de meus orbes mais claros. Eu passei um batom vermelho, que mostrava bem como minha boca era grossa. Não me importei em passar mais nada além da base, e sorri satisfeita enquanto me encarava.
Eu era desejada. As pessoas me queriam.
E não era só por causa da minha aparência. Respeitavam-me porque eu era inteligente, e porque eu sabia jogar com as palavras e não me deixava humilhar.
Quando eu saí de Forks, sabia que não adiantaria nada mudar só na aparência. Eu precisava mudar minha cabeça, e entender que enquanto eu mesma não me aceitasse, ninguém faria isso por mim.
Eu era sim, bonita. Mas... Não era só isso que importava.
E era isso, que me diferenciava da maioria das garotas fúteis e retardadas que eu conhecia.
Havia um cérebro em meu crânio. E isso, era o que me governava agora.
-- Rápido Bella! – Selly bateu na porta. – Quero aproveitar muito a festa!
Eu sorri para meu próprio reflexo e saí do banheiro, enquanto calçava minha sandália de salto fino.
-- Vamos logo então! – Falei animada. – Temos que nos despedir com alegria!
Jacob me abraçou pela cintura e beijou meu pescoço.
-- Que cheirosa.
Arqueei uma sobrancelha.
-- Vamos logo e pare de dar uma de homem.
-- Hoje eu estou inspirado, Isa. Vou ser seu par. E não quero ver você flertando com ninguém.
Revirei o olhos, e dei um tapa em sua bunda.
-- Muito bem, muito bem. Mas eu também não quero te ver com nenhum homem.
-- Aí, meu amor, eu já não posso garantir!
-- Vamos logo! – Will bufou.
Eu assenti, e logo nós fomos para a garagem onde o carro de Jacob estava estacionado. Era uma Mercedes vermelha, a cara dele.
Me sentei no banco do passageiro, enquanto Selly e Will se sentaram atrás. Eles começaram a se beijar e eu desviei o olhar, sorrindo.
-- Acelera, Jake. – Pedi.
Não demorou muito para chegarmos à boate.
Era um lugar badalado e cheio, onde a música se ouvia de fora.
Eu não costumava gostar de festas. Tinha vergonha de sair e me enturmar, mas agora eu gostava disso.
Ainda era difícil ser sociável. Alguma coisa se mantinha tímida dentro de mim, mesmo que eu soubesse disfarçar isso bem.
Nesse momento, no entanto, eu só queria aproveitar.
Porque era meu último dia com meus amigos. E porque eles foram meu porto seguro, enquanto eu nascia de novo.
Saltei do carro, e no minuto seguinte estava sendo esmagada por uma multidão de pessoas que dançavam e bebiam.
A decoração interna era bonita. Havia candelabros no teto, que soltava uma luz alaranjada baixa. Vários pufes enormes e pratas estavam espalhados pelos cantos, enquanto mesinhas redondas se espalhavam aleatoriamente pelo salão. A pista de dança era grande e mais escura do que as outras partes, tendo mil luzes diferentes piscando e rodando.
Eu pulei, e segurei Jake pelas mãos, enquanto nós íamos direto para a pista de dança.
Sim, por incrível que pareça eu havia aprendido a dançar. Meu corpo agora era esguio e se movia com facilidade, mesmo que eu ainda tivesse alguns probleminhas de equilíbrio.
-- Sabia que você está mais bonita do que o normal hoje? – Jacob gritou sobre a música alta, me fazendo rir.
-- Você também está. – Gritei de volta.
Ele agarrou minha cintura, e colou meu corpo no dele, enquanto nos mexíamos um de encontro ao outro, no ritmo da música.
Suas mãos era quentes em minha pele, e me davam a sensação de bem-estar. Eu não me sentia pressionada com Jake, ou com medo.
Seria mentira, dizer que eu era feliz. Eu o amava do meu jeito, sempre distante e impessoal. Mas não havia modo de dizer que eu era feliz.
Meu coração nunca bateria novamente como antes. A única pessoa que me fizera ser realmente feliz havia acabado com minha vida.
Eu não precisava disso. E eu não deixaria com que isso me abalasse de novo.
Percorri seu pescoço com minhas mãos, e apoiei a cabeça em seu ombro, parando de dançar.
Jacob me abraçou pela cintura, e eu me deixei ficar ali.
Fazia muito tempo que eu não chorava. Agora, porém, a vontade me arrebatou de vez, e eu tive que fechar os olhos com força para não dar vazão às lágrimas.
-- Pare de se deprimir, Isa!– Jake gritou. – Eu vou te visitar no meio do ano! Vou te escrever...
Sim, mas eu sentiria a falta dele.
Suspirei profundamente, e o puxei pela mão.
-- Vamos tomar alguma coisa? – Perguntei.
-- Já vou indo. – Ele beijou meu pescoço. – Preciso ir ao banheiro.
Assenti, e fui em direção ao bar com a garganta seca. Minha barriga se contorcia levemente, de um jeito incômodo.
Eu não costumava beber… Mas dessa vez eu queria extravasar!
-- Qual é a coisa mais forte daqui? – Perguntei para o barman.
Ele me lançou um olhar de cima a baixo e eu revirei os olhos.
--Talvez você queira um uísque. – Sugeriu.
--Uísque não é a coisa mais forte. – Revirei os olhos. – Mas eu vou aceitar um duplo.
Ele riu me secando, e eu me sentei, cruzando as pernas.
-- Hm, então você é alcoólatra ou algo do tipo? – Ele perguntou, enquanto me servia.
-- Não. – Falei. – Mas... Hoje eu quero aproveitar!
Ele até que não era de se jogar fora. Tinha os ombros largos, um sorriso sexy e barba por fazer.
Pensei em Jake. Ele daria em cima do pobre coitado com toda a certeza.
E então uma mão me abraçou pela cintura e eu me virei para trás, me deparando com Will que tentava me puxar do banco.
-- Venha aqui! – Ele pediu. – Nós temos que dançar ainda hoje.
Sorri e saltei da cadeira enquanto jogava uma nota de dinheiro para o garçom. Will praticamente me pegou no colo, enquanto me levava até a pista.
-- Maluco! – Berrei.
-- Maluco nada que você me ama! – Ele começou a me girar enquanto Selly ria atrás de mim.
-- Eu não amo vocês! – Gritei mostrando a língua.
-- Solte ela! - Jake me puxou pelas pernas, fazendo com que eu quase desse de cara no chão.
-- Não! – Selly jogou os braços em meu pescoço. – A Isa é só minha. Saiam daqui seus homens!
Eu me abracei a Selene, querendo não cair no chão. Jake continuava segurando meus pés, enquanto Will segurava minha cintura.
Deviam estar pensando que nós estávamos numa suruba.
-- Parem com isso! – Rosnei. – Eu vou cair no chão!
-- Eu nunca vou te deixar cair, minha princesa. – Jake me puxou.
Tentei espernear, mas desisti quando eu vi o chão perigosamente próximo.
E então depois, eu comecei a rir.
Rir porque ainda havia pessoas no mundo que podiam ser boas. Porque existiam pessoas que prezavam a amizade, e não a destruíam por motivos repugnantes.
E porque mesmo que eu morresse de medo desse sentimento, ainda havia pessoas que me amavam. Amavam-me por aquilo que eu era, e não por causa de uma circunstância de vida.
E eu os amava de volta. O meu tipo de amor, um tanto quanto mais fraco, mais suave.
Era bom saber, pelo menos, que ainda havia alguma coisa de pura em mim. Mesmo que fosse só uma centelha do que eu já fora.
-- Eu quero ficar bêbada! – Gritei, quando finalmente consegui me soltar deles. – Não quero pensar em nada hoje!
Eu cambaleei e sorri.
Depois disso a festa realmente começou.
E mesmo que eu vomitasse horrores depois, sempre haveria alguém para segurar meu cabelo, enquanto eu me debruçava sobre a privada.
É.
Amigos são pra isso mesmo.
Sorri e rodopiei na pista de dança.
Amanhã eu iria recomeçar.
E enfrentar os fantasmas do meu passado.
Agora, porém, eu seguiria em frente com a cabeça erguida.
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Foi mais difícil do que eu pensava, me despedir de meus amigos. Tudo o que eu havia conquistado, subitamente parecia estar sendo deixado para trás.
Todas as minhas barreiras, firmemente construídas em torno de meu coração, haviam se quebrado em mil pedacinhos me deixando vulnerável e com medo.
Embarcar no avião, principalmente havia sido quase uma provação. Eu deixei minha mãe para trás com lágrimas nos olhos, pois havia me apegado muito a ela nos dois anos que havíamos morado juntas.
Logo, eu entraria para a universidade e tudo estaria acabado. Mas antes, meu coração clamava por seguir em frente, e retornar para onde tudo acontecera.
Nada me impediria de voltar e me vingar. Eu tinha que ser forte, continuar usando meus sofrimentos e dores ao meu favor, porque se não fizesse isso, eu tinha certeza que sucumbiria.
O tempo, no entanto voou. Percebi vagamente o vôo, e dormi a maior parte da viajem.
Quando me dei conta, porém, já estava frente a frente com Charlie, que sorria amorosamente pra mim.
Puxa! Havia dois anos que eu não o via. Toda a saudade reprimida parecia transbordar em meu peito, e eu sorri alegremente antes de correr pra ele.
Ele me abraçou firmemente pela cintura, e me tirou do chão enquanto me rodava no ar.
Exatamente como fazia quando eu era criança.
Eu sorri, e o beijei na testa delicadamente, surpresa com a demonstração de afeto pública que havíamos feito. Eu e Charlie éramos sempre reservados e discretos.
Essa consciência, no entanto, não fez com que eu me soltasse de seu abraço, e nem com que meu coração batesse mais calmo.
-- Que bom que você está aqui, Bells. – Ele sussurrou.
-- É bom estar de volta, pai. – Mesmo que não fosse.
-- Vamos pra Forks? Alice está quicando de um lado para o outro a sua espera. Ela ficou magoada quando você partiu sem se despedir dela.
Eu não conseguiria me despedir de Alice, mesmo que eu quisesse. Ela era minha bonequinha, a amiga mais perfeita do mundo.
Uma das partes mais dolorosas de ter deixado Forks, foi essa.
Mas era preciso. Minha decisão se tornaria ainda mais difícil se eu tivesse que me despedir dela.
Agora, meu plano estava em prática.
Primeiro, eu estava me vestindo como sempre: Sem-graça e com roupas muito largas. Eu queria passar a impressão de que não havia mudado nada fisicamente.
Todos se surpreenderiam no dia do baile, e eu queria que tivessem um baque com minha mudança.
Depois eu iria jogar psicologicamente. Eu faria Edward ficar apaixonado por mim. Faria com que ele comesse em minhas mãos, e beijasse meus pés.
E então, eu o descartaria como um nada, para que ele aprendesse o que era sofrer por amor. Isso ainda não seria o bastante para que ele entendesse o quanto era horrível ser usado como um objeto descartável.
Eu o trairia na frente de toda Forks, e o faria querer enfiar a cabeça em um buraco.
Parece pouco com relação ao que ele me fez, não é?
Mas eu havia aprendido, com o tempo, que sujar minhas mãos com pessoas que não valem a pena, não adiantava de nada. Essa seria minha vingança, e depois eu seguiria em frente. Faria de tudo para voltar a viver, e tentar esquecer essa parte obscura da minha vida.
Eu era uma nova Bella. Eu não era mais uma adolescente retardada. Agora, eu era uma mulher. Dependente apenas de minhas próprias vontades, de meus próprios desejos.
Isso talvez me fizesse sucumbir aos poucos. Mas... Há maior desejo, do que o desejo da vingança?
Eu não conhecia nenhum outro. Se eu o encontrasse, porém, sucumbiria a ele. Eu me conhecia bem demais.
A questão não era qual era o desejo. Mas sim o que esse desejo poderia provocar em mim.
Oh sim.
Agora era minha hora. Meu momento de brilhar.
N/A: Heey gente! *-*
Mais um capítulo pra vocês!
Primeiramente eu queria agradecer aos comentários e dizer que eu estou AMANDO cada um deles.
E sim, eu também tenho vontade de jogar o Edward de um penhasco e depois cortar o objeto de prazer dele.
Maaaas, como eu sempre digo, ele é mocinho da história. ^^
Espero que estejam gostando!
Mil beijos,
Queen B.
