Vocês vão odiar o Edward agora, como ele pode ser mau as vezes, comentem e digam o que vocês acharam.

Capitulo sete

— Edward... acho que precisamos conversar — murmurou hesitante, forçando-se a pensar em toda a ternura que ele demonstrara pouco antes.

Ele encarou-a, os olhos negros totalmente indecifráveis.

— Por quê?

— Você mudou as regras, E agora, o que vai acontecer com nosso casamento?

— Mas nós não temos um casamento — ele sorriu sarcástico. — Não como está sugerindo. Só me casei com você por não ter outra opção. Queria Carlisle, e paguei o preço.

— Você disse que me queria! — ela sussurrou, o rosto pálido e cheio de horror.

— Em minha cama, não como minha esposa.

— Não teria me possuído em outra situação — ela disparou, ferida pela afirmação ofensiva.

— Tem certeza?

— Já disse que não sabia nada sobre o casamento de Emmet! Eles mentiram para mim! —Agarrando o lençol de encontro ao peito, Bella tentou explicar o que sentira após a morte de Rose.— Se soubesse a verdade, não o teria acusado de ter destruído a vida de minha irmã. Emmet disse que você havia ameaçado deserdá-lo e privá-lo do convívio familiar se ele assumisse Rose. Ela estava grávida! É claro que o culpei, e é claro que o odiei depois de como falou dela em seu escritório.

— O que está tentando provar com tantas mentiras? — Impaciente, Edward levantou-se da cama.

— Não abandonaria meu irmão nem que ele fosse um assassino! Quaisquer que sejam seus defeitos, temos o mesmo sangue! E quanto a deserdá-lo, Emmet é bastante rico, e não tenho controle sobre suas finanças.

— Então ele também mentiu sobre esse assunto — Bella concluiu, vendo-o vestir-se. — Está bem, admito que não devia ter exigido que se casasse comigo...

— Acho que queria agarrar um milionário, e agora quer manter-se ligada a ele. Deve haver alguma razão para ter desistido de bancar a esposa vil.

— Como... como pôde me tocar sentindo essas coisas? — ela perguntou, chocada com o que acabara de ouvir.

— Você é minha esposa, e a tocarei sempre que quiser. É meu direito. Mas fora deste quarto, você não tem nenhum direito além dos que eu decidir lhe dar. Obrigou-me a aceitá-la em minha vida. Não tem do que reclamar. E quanto a oferecer minha liberdade de volta... eu nunca a perdi.

Farei tudo que quiser, quando quiser, e não há nada que possa fazer para impedir-me.

Bella permaneceu onde estava, imóvel, o orgulho exigindo que não demonstrasse a extensão de sua vergonha. Mas cada palavra de Edward a atingira como um dardo envenenado.

— Não quero impedi-lo de nada — ela conseguiu dizer, sabendo que nunca mais poderia deitar-se na mesma cama que Edward.

— Não? Quer dizer que não pretende tornar-se mais e mais possessiva? Não vai perguntar onde vou, quando volto, onde estive e com quem andei? Não vai fazer cenas? Vi meu pai passar por tudo isso com Esme, e nenhuma mulher conseguirá manipular-me desse jeito!

Então por isso ele planejara casar-se com Jane. Ela não teria feito cobranças, não teria exigido fidelidade, não teria feito perguntas inconvenientes.

— A propósito, está perdendo seu tempo com a rotina maternal. Não estou impressionado. Por que não faz simplesmente o que eu espero que faça?

— O quê?

— Compre. Gaste dinheiro até cair de exaustão.

Bella abaixou a cabeça, sentindo que merecia os insultos. Afinal, abandonara todos os seus princípios e saíra gastando o dinheiro de Edward antes mesmo de se casar com ele.

— Não devia ter aceitado seu dinheiro antes do casamento — ela murmurou com a honestidade que fazia parte de seu caráter.

— Aquela ninharia? Não esperava que comprasse nem meio vestido com aquela quantia irrisória. E por que acha que lhe dei aqueles cartões de crédito? Estava rezando para que fosse fazer compras e melhorasse sua aparência.

A humilhação era cada vez maior. Em toda sua vida, Bella jamais estivera tão aflita e vulnerável. Não conseguia encará-lo. Suas mãos, apertadas em sinal de desespero, eram apenas uma imagem nublada diante de seus olhos lacrimejantes. De repente desejava ser uma verdadeira víbora, uma prostituta vulgar, uma mulher sem escrúpulos. Assim, poderia lidar com Edward sem

experimentar sentimentos tão conflitantes.

Edward retirou uma das flores do vaso sobre a cômoda e atirou-a sobre a cama.

— Serei muito mais fácil de lidar quando desistir de fingir ser o que não é.

No instante em que a porta se fechou o desespero tomou a forma de pranto. Bella enterrou o rosto no travesseiro, temendo que ele pudesse ouvir os soluços que sacudiam seu corpo. Estava furiosa com a própria fraqueza, assustada com a vulnerabilidade que a fazia sentir medo do mundo.

Quase vinte e cinco anos de idade, e comportara-se como uma adolescente em chamas quando ele a tocara! Edward só precisara inventar alguns elogios, e ela entregara-se cheia de gratidão e vaidade. A garota de dezesseis anos que um dia fora profundamente ferida ainda existia dentro dela, insegura e solitária. E essa mesma adolescente abrira caminho para a dor ainda maior que acabara

de conhecer. Tentara convencer-se de que era feliz sozinha, de que não precisava de companhia masculina para sentir-se mais completa, e conseguira até acreditar nisso, negando a própria solidão, negando que tivesse necessidades e desejos sexuais, como as outras mulheres. Fechara-se ao risco de sofrer novamente. Convencera-se de que era sozinha por opção... e essa era a única verdade.

Edward era atraente e interessante, mas havia negado a atração imediata com a facilidade conferida pela prática. Não havia pensado na possibilidade dele também julgá-la atraente, e recusara-se a admitir que sua aparência espetacular e sua poderosa presença física a afetavam de alguma forma.

Mas Edward a interpretara como se lesse um livro, e soubera que a teria antes mesmo de tentar uma aproximação.

Agora teria de conviver com a certeza de que ele invadira sua cama simplesmente por considerar-se no direito de possuí-la. Por alguma razão especial que só ele conhecia, Edward a julgava atraente, mas ainda ressentia-se por ter sido obrigado a aceitá-la como sua esposa. Só uma mulher muito estúpida teria baixado a guarda como ela fizera.

Edward acreditava que ela usara um bebê inocente para agarrar um marido rico. Não acreditava em seu amor por Carl. Não acreditava que o irmão havia mentido... na verdade, não queria ouvir nada sobre os motivos que a levaram a exigir o casamento. Não acreditava em nada que ela dizia. E como se não bastasse, ainda pensava que ela estava fazendo uma espécie de representação para convence-lo de que o matrimônio podia ter algum futuro.

Bella sentia-se incapaz de superar tantos obstáculos. Edward jamais acreditaria em sua inocência, qualquer que fosse sua conduta.

Bella era como todos os outros homens que havia conhecido: só estava interessado em sexo, e era capaz de fazer amor com qualquer mulher, mesmo que a odiasse ou desprezasse. A única coisa que o diferenciava dos outros era que conseguira o que nenhum outro havia alcançado. Depois de possuí-la, levantara-se da cama e a fizera sentir-se vulgar, estúpida e ingênua por ter acreditado que ele poderia mudar de alguma forma.

Nunca havia sido tão ferida. Seu orgulho fora reduzido a pó. Pois bem, Edward Cullen jamais teria chance de repetir a façanha. Casara-se com ele para ser a mãe de Carl, e nada que ele fizesse a impediria de desempenhar esse papel. Edward era um bárbaro e jamais esqueceria o que ele havia

feito esta noite!